Temer: Governo saldará 2017?

‘Financial Times’: Temer pode não chegar ao final do mandato em 2018A saída de Yunes, um amigo próximo do presidente desde que eles estavam na escola de direito, significa que Temer perdeu sete funcionários de seu gabinete, incluindo seis ministros do governo, em pouco mais de seis meses

 A saída de Yunes, um amigo próximo do presidente desde que eles estavam na escola de direito, significa que Temer perdeu sete funcionários de seu gabinete, incluindo seis ministros do governo, em pouco mais de seis meses.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Reportagem fala que presidente e aliados estão sendo acusados de corrupção.

Matéria publicada nesta quinta-feira (15) pelo Financial Times comenta que o principal assessor de Michel Temer, José Yunes é a figura mais próxima do presidente a se afastar após ser acusado de participar do esquema de corrupção conhecido como Lava-Jato.

Reportagem do Times observa que em meio ao conturbado cenário do país, o presidente anunciou medidas para estimular a economia, enquanto ele luta para salvar sua administração das investigações sobre corrupção.

O pacote de medidas destinadas a ajudar as empresas e os consumidores a pagar as suas dívidas e a impulsionar áreas que vão desde o setor imobiliário até o varejo ocorre quando Temer está abaldo com a saída de José Yunes, seu assessor, figura-chave de seu governo, avalia o Financial Times.

A saída de Yunes, um amigo próximo do presidente desde que eles estavam na escola de direito, significa que Temer perdeu sete funcionários de seu gabinete, incluindo seis ministros do governo, em pouco mais de seis meses – principalmente por conta de escândalos envolvendo alegações de corrupção.

“Nos últimos dias, Senhor Presidente, vi o meu nome arrastado pela lama”, escreveu  Yunes na sua carta de demissão, publicada no jornal Valor Econômico.

“Eu repudio com toda a força de minha dignidade esta ignominiosa história.”

O diário britânico afirma que o partido do Movimento Democrático Brasileiro, de Michel Temer, é o maior do Congresso, mas está cada vez mais cercado pela investigação da Petrobras, que se baseia em alegações de que os políticos estavam alinhados com gerentes e contratados para extrair subornos da empresa.

Executivos da Odebrecht, maior construtora do Brasil, estão divulgando seus acordos de delação premiado com promotores como parte da sondagem da Petrobras, implicando Temer e muitas figuras importantes de seu governo e partidos aliados no Congresso.

Temer negou qualquer irregularidade. Mas os escândalos, combinados com a sua incapacidade de fazer progressos significativos em torno da economia, reduziram os baixos índices de aprovação de Temer, colocando em dúvida a capacidade de seu governo sobreviver até final do mandato, analisa o Financial Times.

De acordo com o Financial Times, o presidente agradou os mercados financeiros ao pressionar as reformas econômicas pelo Congresso a uma velocidade recorde desde que chegou ao poder este ano, após o impeachment de Dilma Rousseff mas isto não é tudo e será preciso muio mais para resistir a onda de delações da Odebrecht, que parece uma metralhadora potente, capaz de detonar o Congresso inteiro do Brasil,

“Medidas estão sendo tomadas para nos tirar da recessão, a recessão que encontramos quando entramos no governo”, disse Temer.

Alguns analistas acreditam que a impopularidade da administração de Temer é sua maior vantagem. O número de pessoas que classificam o governo como “bom ou excelente” caiu para 10 por cento em dezembro, contra 14 por cento em julho, de acordo com o analista Datafolha.

“Esse é um paradoxo que a maioria dos meios de comunicação ainda não percebeu”, disse Fernando Shüler, cientista político da escola de negócios Insper da capital paulista.

“Só um governo que não tem nada a perder, que tem poucas chances de reeleição, se dedicaria a tais reformas estruturais impopulares”.

Falta definir o que é o bom jornalismo e o que é uma história completa

O oportuno festival de resenhas, reflexões, crônicas e reminiscências que antecipou a aula-magna sobre jornalismo investigativo produzida pela equipe do Globe, de Boston, sugeriu a existência simultânea de consensos retóricos, informais e drásticos dissensos, enrustidos.

Saudado em prosa e verso pelo primeiro escalão de pensadores da imprensa, o “bom jornalismo” revivido no admirável filme não conseguiu materializar-se como conceito.
O bom jornalismo seria o que se convencionou designar como tal ou exige qualificações mais estritas e critérios menos vagos ?[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
Tomando a antológica produção como referência — o bom jornalismo seria o esforço para investigar, coletar e dar sentido a informações sigilosas e depois escancará-las para que tudo se esclareça ? Ou é um ato de bravura  para desmascarar poderosos interesses escondidos nos bastidores do poder ?
Em outras palavras: bom jornalismo é o empenho de  proclamar verdades ou a capacidade de  juntar  os elementos de uma história de modo torná-la credível e correta, dentro de uma preocupação básica com a ética. 

Fazer barulho ou fazer justiça, eis a questão.

A revista Época ofereceu excelente contribuição  ao debate sobre a natureza do bom jornalismo nas duas edições mais recentes. Em matéria de capa e grande estardalhaço na edição 918 de 18/1 o semanário  denunciou a participação de pessoas próximas da presidente Dilma Roussef — seu ex-marido e amigo, o advogado gaúcho Carlos Araújo — intermediando a obtenção de favores oficiais para socorrer um dos empreiteiros encalacrados no petrolão.
Matéria precária, ligeira, claramente insuficiente, exigiu do diretor de redação da revista uma  embalagem caprichada:  aproximar a façanha do Globe à de Época através de  um texto introdutório redigido com rara modéstia — “Em busca da história completa”.
Se no lançamento do filme resenhistas e opinionistas não conseguiram definir em que consiste o bom jornalismo, agora experimentava-se esclarecer  segunda abstração — a história completa. Quem é que define o momento em que uma carga de informações está pronta para ser publicada e produzir os imperiosos desdobramentos ?
O enredo de “Spotlight” é extremamente simples, despretensioso: resume-se à descrição do trabalho anônimo, penoso e solitário da força-tarefa do Globe  ao longo de seis meses para investigar,  coletar, encadear e formatar  as denúncias contra os 87 padres-pedófilos de Boston e os seus protetores na hierarquia católica dos EUA e da Santa Sé.
Quando as rotativas começam a imprimir as primeiras revelações, acaba o filme. Seguiram-se outras 599 reportagens no mesmo jornal. Com simplicidade exemplar, diretor, roteiristas, atores e personagens reais explicaram como é possível identificar a essência do  bom jornalismo.
A reportagem de capa da Época edição 918 não obteve qualquer repercussão. Na edição seguinte da revista,  a de número 919″, nem uma palavra. Evidentemente não era uma história completa.
Alberto Dines/Observatório da Imprensa

Reprovação da presidente Dilma gera humilhações e gozações na internet

Conheça duas versões da carta-renúncia que circulam na web

Segundo reproduzimos aqui na Tribuna da Imprensa online anteontem (7),a presidente Dilma Rousseff já estaria de “malas prontas” para deixar Brasília, pelo menos para o colunista do Diário do Poder, o jornalista Cláudio Humberto.

Segundo ele, fontes do Palácio do Planalto garantem que a redação da carta de renúncia da presidente, que vive um alto grau de rejeição, já estaria preparada.

A redação do documento, ainda segundo o colunista, teria contado com a ajuda de dois ministros:
Aloizio Mercadante (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça).

Carta Renúncia,Dilma Rousseff,Blog do Mesquita 01

Caso a renúncia seja confirmada, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assumiria imediatamente o comando do Executivo.

Na nota publicada no Diário do Poder, o colunista também destaca que existem outras hipóteses para a saída de Dilma, a exemplo de uma ação na Justiça Eleitoral e da representação da oposição por crime financeiro.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O colunista já acertou em várias previsões políticas, mas também já cometeu alguns problemas de apuração jornalística ao longo de sua existência.

Neste ano, por exemplo, Cláudio Humberto chegou a afirmar que Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos (PSB), seria vice de Lula nas eleições presidenciais em 2018. A notícia foi considerada inverídica por aliados da ex-primeira-dama de Pernambuco.

Outra notícia bastante contestada por Humberto foi a venda da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), do Recife. A Companhia de Jesus, que administra a instituição, também negou a negociação.

Carta Renúncia,Dilma Rousseff,Blog do Mesquita 02

O fato é que caindo ou não do cargo de presidente da República, Dilma Rousseff vem sendo motivo de chacota e avacalhação oficial na web, circulam duas versões hilariantes da tal carta-renúncia da “gerentona”, tudo em função da taxa de reprovação que cresceu e atingiu o recorde de 71% dos entrevistados, segundo revela a ultima pesquisa Datafolha.

O índice supera inclusive a pior taxa registrada pelo ex-presidente Fernando Collor às vésperas de sofrer processo de impeachment no Congresso Nacional.
Iluska Lopes/Tribuna da Imprensa

Destino da CPI está nas páginas dos jornais e revistas

O deputado Rui Falcão, presidente nacional do PT, transformou-se num personagem tragicômico da política brasileira por sua obsessão em violar a Constituição e controlar a imprensa, o que é impossível, e de se empenhar, contrariando a presidente Dilma Roussef, para que o Supremo absolva os réus do mensalão.

Para isso, sob o ângulo em que se coloca, inclui como degrau a ser galgado, direcionar os trabalhos da CPI que investiga as múltiplas atividades de Carlos Ramos Cachoeira no sentido de que focalize somente figuras do PSDB, e vôos de tucanos e pemedebistas nas asas de Fernando Cavendish. Ridículo.

A reportagem da Revista Veja que está nas bancas, revela que ele espalha notícias através dos meios existentes na internet. Não adianta nada. Trata-se de um combate político.

E os combates políticos são travados e decididos nas páginas dos jornais e revistas. Não nas telas eletrônicas.

As matérias para repercutir de fato na opinião pública têm que sair no Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo. E nas Revistas Veja e Época. No caso da Época porque ela pertence a O Globo.

Não funciona, como a Veja em reportagem não assinada publicou, espalhar insetos eletrônicos por aí. Como igualmente não surtem efeito blogs direcionados previamente.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Os leitores sentem e traduzem as intenções que se revelam na sombra. Isso enfraquece totalmente a comunicação dirigida. O que não for claro e livre de amarrações não imprime na consciência. É exatamente o caso da matéria paga. Quem vai comprar um espaço para ser isento em relação a si mesmo? Ninguém.

Os jornais da Band e da Rede Globo, noite de sábado, noticiaram que a CPI pediu ao STJ a quebra do sigilo bancário, fiscal e também telefônico de Carlos Cachoeira.

Trata-se de forte golpe contra todos os que se envolveram na teia que costurou no país, já que suas vinculações diretas e indiretas vão surgir.

Nesse propósito, cito frase famosa do cientista ítalo-americano Enrico Fermi, que integrou o Projeto Manhattan, da construção da bomba atômica: “O que existe aparece”, disse ele.

A afirmativa é simples e magistral. Se o que existe aparece, a maior parte da verdade vai emergir em decorrência da quebra de sigilo. Sobretudo a ação ilegal dos doleiros, sem os quais a corrupção perde a principal de suas estradas.

O mesmo raciocínio aplica-se ao Mensalão de 2005 que culminou com a demissão de José Dirceu da Casa Civil de Lula e a cassação de seu mandato parlamentar pela maioria absoluta da Câmara dos Deputados.

Uma questão de lógica, palavra para a qual não existe sinônimos. Se prestígio tivesse com o presidente da República, Dirceu não teria seus direitos políticos suspensos por oito anos.

Como digo sempre, não se pode ver apenas os fatos. Mas também nos fatos. E não adianta brigar com eles ou negá-los. Tem que se partir deles. Em todos os setores.

Tanto na arte, quanto na ciência e na política. O ser humano, personagem e analista de si mesmo, começa qualquer observação com base na realidade.

Nem Shakespeare e Chaplin escaparam dessa regra.

Não há de ser Rui Falcão, com seus insetos eletrônicos, que vai superar a lei da gravidade. Ela se impõe por si mesma. O palco são as páginas da imprensa escrita.

Não as telas da Internet.
Pedro do Coutto/Tribuna da Imprensa

Dilma Rousseff: IBOPE encurrala a oposição

Os partidos de oposição, assim como os que estão no poder, não têm nenhum projeto para o Brasil. Lotados de aproveitadores e oportunistas de toda espécie, o espectro político brasileiro é uma vergonha.

No caldeirão das impropriedades, nepotismos e corrupção, estão todos no mesmo angú. Nenhum partido, governistas ou “oposicionistas” tem estofo moral para fazer coisa alguma.

O Editor


Ibope de Dilma não deixa oposição emergir no país

Reportagem de página inteira de Vera Rosa, O Estado de São Paulo de 01 de janeiro, com base em pesquisa realizada pelo Ibope, patrocinada pela CNI, revela que o sucesso do governo Dilma Rousseff no primeiro ano de mandato não deixa margem para a oposição emergir no cenário político do país.

Seu desempenho atinge 55% de bom e ótimo e uma aprovação geral da ordem de 70%, conforme o gráfico produzido pela Editora de Arte do jornal. Apenas uma fração de 9% a considera ruim e péssima.

Não é quase nada.

Os partidos de oposição como o PSDB, DEM e PPS não encontraram ainda um caminho.

Os números falam por si.

É possível, como invariavelmente acontece, que leitores deste site contestem os índices e repitam não acreditar em pesquisas. Mas se acreditarmos em levantamentos de opinião pública, em matéria política, vamos acreditar em quem?

Não há alternativa.

Nas eleições presidenciais de 2010, o Ibope e o Datafolha apontaram a vitória de Dilma sobre José Serra por 56 a 44 dos votos úteis. O acerto foi total.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Aliás, a respeito de eleições, as pesquisas são as únicas que podem ser comprovadas na prática. De um lado, as previsões. De outro os resultados. Se não houvesse precisão (de mais de 90%), os institutos já teriam fechado. Uma constatação lógica.O que ocorre com o executivo e a oposição?

A resposta tem que ser encontrada. Seis ministros, em doze meses, foram demitidos por corrupção. Nelson Jobim por insubordinação. O governo não se desgastou. Pelo contrário. Sua aprovação subiu 5 pontos depois da tempestade. Logo a corrupção não é – sem discutir o mérito da questão – um tema popular.

Popular é o panorama salarial. Tem sido móvel, especialmente o mínimo que, este ano, aumentou 14%, o dobro da taxa inflacionária apontada pelo IBGE.É evidente que o debate salarial não se restringe as piso, embora seja este responsável pelo pagamento de 27% da mão de obra ativa brasileira. Mas pesa no contexto e no conceito. Basta comparar a mobilidade salarial nos governos Lula e Dilma com a imobilidade nos oito anos de FHC. Aí, a meu ver, situa-se o ponto principal da questão. Outro o desemprego. A taxa, com FHC, passava de 10%. Hoje está em 6 pontos.

Houve descompressão social. Acrescente-se a isso o êxito (conservador, mas êxito) do programa Bolsa Família. Os que as recebem, é claro, não desejam perdê-las. Mesma coisa que, a partir de 1943, aconteceu com Vargas ao implantar a CLT. Antes dela, não havia férias remuneradas, descanso semanal, aviso prévio, horas extras, indenizações trabalhistas. Os trabalhadores, nas urnas, deveriam votar em quem? Acredito que estas colocações traduzem os números do Ibope-CNI e acrescentaram à reportagem de Vera Rosa.

Um outro assunto. Em sua página de domingo, O Globo e a FSP, Élio Gáspari referiu-se à atuação de Alexandre Tombini à frente do Banco Central confrontando seu estilo com o de Henrique Meireles, extremamente oposto. Gáspari cita o recuo da taxa dos juros pagos pelo governo aos bancos para rolar a dívida interna imobiliária, segundo o Diário Oficial de 30 de setembro do ano passado, na escala de 2,2 trilhões de dólares.

Cada ponto corresponde assim a 22 bilhões de reais. Recuaram (os juros) 2,5%. Diminuiu a despesa do país por causa disso? Não se pode ter certeza. Pois é preciso comparar se a queda da taxa ao aumento do volume de títulos no mercado. A despesa aparente diminuiu 50 bilhões por ano.

Porém – eis aí uma pergunta que a oposição deveria fazer – qual o aumento físico na colocação de novos papeis? Deveria fazer, mas não faz. Isso porque os oposicionistas não desejam, pois ocupam posição conservadora no processo político. E têm pânico em contrariar os banqueiros. Esta a verdade.
Pedro do Coutto/Tribuna da Imprensa 

Copa do Mundo 2014: OAB critica o Tribunal de Contas da União

Muito mais que uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, os eventos previstos para acontecer na taba dos Tupiniquins mais que esportivos prometem ser um grande circo mágico da mutretagem nacional.

É um absurdo legal e moral que orçamentos públicos sejam sigilosos, e que o Tribunal de Contas da União, além de não poder fiscalizar as despesas com as obras, ainda concorde com a medida provisória que lhe retira essa atribuição constitucional.

A medida provisória, pelo que está publicado até agora, dá ao TCU somente o direito de fiscalizar o resultado final das despesas.

A MP da mutreta determina que só órgãos de controle acessem dados, mas sem poder divulgá-los.

O Editor


O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, afirmou que está perplexo com a declaração da presidente Dilma Roussef de que “foi negociado com o Tribunal de Contas da União“a alteração no Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para obras relacionadas à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016.

Para Ophir, é inacreditável que o TCU, responsável pela análise das contas do governo, tenha feito um acordo para burlar a lei de licitações.

“Quem é responsável por uma investigação não pode usar o seu poder para negociar”.

Por isso – disse Ophir – a medida provisória aprovada na Câmara flexibilizando a Lei de Licitações para obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 traz não apenas riscos à execução das obras, mas certamente vai abrir um ralo para a corrupção, algo que é preocupante.

Qualquer tipo de sigilo em se tratando de coisa pública deve ser refutado; seria como se estivéssemos fazendo um leilão às escuras, em desfavor da sociedade, e o que vai acontecer daí por diante é temerário”, criticou.


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Dilma Rousseff fala sobre educação

Boa fala
Edgar Flexa Ribeiro ¹

Dilma Roussef usou os poderes e prerrogativas do cargo e veio à televisão, em rede nacional, para falar sobre educação, dizer que professor é importante, e que a educação é o principal instrumento para tirar famílias da miséria e fazer verdadeiramente rico um país.

Presidentes da República estavam devendo coisa assim há longos anos.

Fernando Henrique uma vez visitou uma escola no interior da Bahia.

Os repórteres acharam graça em ver o presidente, intelectual famoso, conversando com uma professorinha modesta e crianças boquiabertas, e o episódio não deixou sequelas.

Fora isso, nunca se viu uma única demonstração de apreço oficial pelo tema.

Até motorista do Itamaraty ganhou medalha – mas nunca se viu um professor ou professora condecorada pelo simples fato de ser professor.

Não era mais suficiente que pessoas interessadas se repetissem à exaustão em colóquios e nos jornais, era necessário transformar a educação em tema de atenção nacional.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

E quando a presidente da República vem à televisão para dizer o que disse Dilma Roussef, a conversa muda de patamar.

Educação é importante: parece simples de entender, e é fácil não reparar.

Dilma presidente repetiu, qualificou e conclamou todos a prestar atenção à educação, como tarefa comum – a autoridades, professores, famílias, mães e pais, crianças e jovens – cotidiana, mas sempre vital ao futuro de cada um e ao do país.

Essa atenção à educação não pode esmorecer.

Tem que ser incorporada à consciência nacional como direito que nos cabe defender e zelar: o de aprender e de ensinar, parte da liberdade de pensar.

Não o fazendo, delegando-o a outros, nos oferecemos a ser conduzidos como manada.

Dizer isso, prestigiar a tarefa, discutir o assunto, respeitar quem a está realizando é um dever.

Índices e números desfavoráveis não podem desanimar nem justificar apenas críticas e reclamações.

O que se planta hoje na sala de aula só é colhido décadas depois, quando se puder ver o resultado do que se fez ontem.

É árduo, complicado, e pode ser exasperante: mas não se pode desfazer da educação que se tem hoje a pretexto de melhorá-la amanhã.

O país tem as escolas que tem, os professores que tem. São os únicos disponíveis.

Dilma fez o papel que lhe cabia: colocou o assunto na agenda.

Mas a solução não está nas mãos dela: os autores de nossa educação somos nós, o país: diverso, enorme, diferente e vário.

O chamamento foi feito.

¹ Edgar Flexa Ribeiro é educador, radialista e presidente da Associação Brasileira de Educação

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