Hortas Urbanas

Annie Novak, uma agricultora no telhadoAnnie Novak, uma agricultora no telhado

Ela pertence a uma nova geração de agricultores urbanos que não quis se isolar do mundo em uma propriedade longe da cidade

Se Karen Blixen tinha “uma fazenda na África, ao pé das colinas de Ngong” –o que era totalmente possível–, Annie Novak possui sua fazenda orgânica particular em um terraço de Eagle Street, no bairro nova-iorquino do Brooklyn, a cinco andares de altura – o que não deixa de ser surpreendente.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
O chamado da terra – “a minha epifania”, como diz, não chegou a Novak no território americano, mas em Gana, onde estava realizando um projeto de tese universitária sobre chocolate, agricultura e desenvolvimento, sendo “chocolate” a palavra-chave.

Um colega de classe se ofereceu então para mostrar a ela a plantação de cacau do pai, “que, além de homem de negócios, era o sacerdote vodu da aldeia”, lembra a jovem de 34 anos –que aparenta 25.

Novak conta que depois de mais de três horas de caminhada sob o sol começou a ficar impaciente –“mas não a me queixar, hein! Sou católica!”– pois não via nenhum rastro do desejado chocolate, e perguntou quanto faltava para chegar. “Aí está ele”, foi a resposta tranquila do anfitrião. O chocolate estava diante dos seus olhos, ao seu redor, plantado em toda a colina e além de onde a vista alcançava. Mas ela não o via. Não podia vê-lo.

“Foi a primeira vez que pensei que não sabia de onde vinha a comida”, confessa Novak. “Percebi que nunca tinha visto uma semente ou a árvore do cacau. Foi como uma iluminação que se tornou uma obsessão”.

Por incrível que pareça, os membros das novas gerações urbanas nos Estados Unidos não tiveram acesso a frutas ou verduras frescas –de preços absurdos. São milhares e milhares de pessoas que não relacionam uma maçã a uma árvore, que acreditam que os já aspargos crescem com o elástico em torno do maço, tudo limpinho de terra.

Embora hoje esteja em Madri dando uma palestra por ser pioneira no cultivo em larga escala nos telhados dos edifícios, as mãos de Novak mostram os efeitos de passar muito tempo trabalhando a terra. E isso a faz feliz.

Seu lema é que qualquer um pode fazer uma horta em um telhado. Hoje, em Nova York, devem existir mais de 900 hortas nas alturas. E fornece um dado sobre a Europa: “Em Munique, os novos edifícios devem reservar espaço no telhado para uma horta”.

Novak escapa ao rótulo que qualifica essas iniciativas de “moda”. “É um movimento global”, afirma. E não é novo. Desde os jardins da Babilônia, cinco séculos antes de Cristo, até as “hortas para pobres” nas cidades industriais do século XIX, por prazer ou necessidade, a agricultura entrou nas áreas urbanas.
Yolanda Monge/El País

Canudos de plástico sugam a natureza

Começa segunda guerra de canudos

Canudos de plástico recolhidos em praia da AustráliaCanudos de plástico recolhidos em praia da Austrália

Campanhas defendem fim do uso do utensílio, que representa 4% do lixo plástico mundial

Talvez você não tenha parado para pensar nisso, mas há um elemento-chave que diferencia tomar uma bebida em um bar de fazer isso em casa. Não é a música, a companhia ou o ambiente.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

É que quando você bebe em um bar te dão um canudinho, que você não costuma usar quando prepara bebidas para os seus amigos na sala de casa. Esse canudinho também vem no suco e nas vitaminas das crianças na hora do recreio.

Esse canudinho de plástico, que não costuma ser biodegradável e tem apenas alguns minutos de vida útil para nós, significa centenas de anos de resíduos para o meio ambiente.

As redes sociais começaram a se conscientizar dos danos causados por um produto que na realidade é totalmente dispensável, exceto para pessoas doentes com dificuldade para beber.

Por isso apareceram campanhas como #RefusePlasticStraws ou #PlasticPollutes, que lembram que somente nos Estados Unidos são utilizados mais de 500 milhões de canudos de plástico por dia.

Pessoas públicas como a designer Vivienne Westwood começaram a fazer campanha em suas contas para conscientizar o mundo de que talvez seja o momento de deixar de usá-las.

Contribuindo com mais dados, Enrique Estrela, especialista em marketing e meio ambiente na Verdes Digitales, insiste em que “os dados nos indicam que os canudos são um resíduo generalizado em nível mundial, já que representam 4% do lixo plástico e levam até mil anos para se decompor”. Além disso, “muitos desses canudos vão para o mar e estima-se que 90% das espécies marinhas tenham ingerido produtos de plástico em algum momento, como se pode ver neste vídeo”.

Com todos esses dados, Estrela acredita que “a viralidade das campanhas contra o uso dos canudos pode ser vinculada a seu uso cotidiano. Certamente muitas pessoas antes não se haviam dado conta de que estavam consumindo um futuro resíduo plástico porque seu consumo é muito amplo em lugares de comida rápida, supermercados e salas de cinema. Além disso, a mensagem é muito atraente: por que usar algo que normalmente você não usa?”.

A ideia dessas campanhas e páginas na Internet passa pela conscientização da população para que diga “não aos canudos de plástico”, com um gesto tão simples como dizer “sem canudinho, por favor” quando lhe servirem algum refrigerante ou outra bebida, e incentivar os seus acompanhantes a fazer o mesmo.

É o que destaca também The last plastic Straw, que informa as pessoas sobre como incentivar uma mudança no protocolo e nas práticas das empresas para que possam mudar o uso indiscriminado dos canudos de plástico.

Um passo a mais seria chegar aos restaurantes e bares e lhes propor que os canudos não sejam entregues como algo rotineiro, só quando o cliente pedir, ou então defender o uso de produtos similares, que em vez de serem fabricados com plástico são de papel, vidro ou aço inoxidável. Outra ideia é optar por comprar sucos e vitaminas que adotem outro sistema para serem consumidos, sem o uso do tradicional canudo de plástico.

Enrique Estrela observa que realmente “o consumidor tem um grande poder sobre este e outros produtos. Já há alguns anos a importância do consumidor tem aumentado até se situar acima das marcas”. Por isso, “se realmente for feita uma forte campanha sobre os canudos, com apoio da sociedade, é muito provável que as empresas mudem sua concepção de uso do produto e tendam a criar canudos biodegradáveis ou que não produzam resíduos”.

Não se deve esquecer que, como afirma Estrela, “para as empresas deve ser fundamental ser socialmente responsável e apostar na inovação. E a redução do uso dos canudos e a melhora de seus processos produtivos será algo a se levar muito em conta se a pressão social tornar isso evidente”.

Um problema também na Espanha?

Embora estas campanhas tenham ganhado força principalmente nos Estados Unidos, onde o problema dos canudos de plástico é maior, cabe perguntar se fazem sentido no contexto espanhol.

Não existem dados tão específicos sobre o uso de canudos na Espanha, mas Beatriz Meunie, diretora de comunicação da PlasticsEurope, diz que “certamente o uso dos canudos de plástico é menos comum em nosso país do que nos EUA”. A especialista também enfatiza que, além da questão dos canudos descartáveis, o mais importante é que sejam reutilizáveis: “O problema também reside no comportamento sem civilidade das pessoas que os jogam no chão depois de os usar. É necessário continuar avançando para uma maior conscientização e evitar que qualquer resíduo, não só os canudos, sejam jogados fora de modo indiscriminado”.

Começa segunda guerra de canudos
CAMPAÑA DE ONE GREEN PLANET.
 Da perspectiva da PlasticsEurope, a iniciativa de cidadãos contra o excesso de resíduos pode passar também pela conscientização sobre o reuso.
“Temos de continuar trabalhando para um consumo mais responsável de todos os nossos recursos, tanto durante sua fase de uso como com uma gestão adequada quando já tiverem cumprido sua função.
Costumamos dizer que os resíduos de hoje são os recursos de amanhã e que para poder recuperar todo o seu valor é necessária sua correta gestão”. As propostas passam pela reutilização dos canudos em materiais de decoração, trabalhos manuais infantis ou até como forro para diferentes superfícies.
“Na PlasticsEurope lançamos há vários anos a iniciativa ‘Zero Plástico no Aterro’ para que não se permita a entrada em aterros de nenhum tipo de resíduo reciclável ou valorizável: os plásticos são valiosos demais para serem desperdiçados nos aterros”.

Mesmo que cada pessoa contribua para a reutilização, o plástico com seu grãozinho de areia, com criatividade e civismo, talvez a chave não esteja somente em melhorar seu uso, mas em reduzir a fabricação. Por isso, embora obviamente tudo ajude,

Enrique Estrela pondera que a verdadeira mudança passa por “conscientizar e sensibilizar a população mundial sobre seu uso, dando-lhe o poder de mudar o rumo desses negócios que usam produtos daninhos, por meio da tomada de decisões mais respeitosas com o meio ambiente”.

Um exemplo a seguir, sem dúvida, é a diminuição do uso das sacolas de plástico nos supermercados. Beatriz Meunie reflete que “agora pagamos para ter uma sacola de plástico, o que resulta em um consumo mais responsável e na ideia de que esse produto é valioso.

O passo seguinte é que também nos conscientizemos de que essa sacola pode ser, em primeiro lugar, reutilizada várias vezes e, no final, se for depositada na lata de lixo adequada, poderá ser reciclada e se transformar de novo em um recurso útil para a sociedade”.

Tudo isso teve como consequência que, como informa o especialista em meio ambiente da Verdes Digitales, “na Espanha em 2018 será proibida a entrega de sacolas gratuitas.

Recentemente ficou definido estabelecer a obrigação de que a partir de 2018 os pratos, copos, taças e talheres de plástico, assim como cotonetes, tenham que ser fabricados com pelo menos 50% de substâncias biodegradáveis procedentes de materiais orgânicos, aumentando esse porcentual para 60% a partir de 2020”.

Talvez essas campanhas consigam fazer com que os canudos de plástico sejam o passo seguinte, com a ajuda de todos.

O plano de futuro da Noruega: ser mais verde, mais digital e mais laica

O país que se destaca pela forte indústria petroleira está reformando a legislação para se tornar uma sociedade mais conectada com o próximo século

Noruega
Vários carros elétricos carregam a bateria em uma rua do centro de Oslo. 
 A Noruega já está pensando no século XXII. O país escandinavo está implantando políticas que o colocam no limiar de uma era mais digital, mais laica e ainda mais verde. O Governo conservador de Erna Solberg começou o ano com três fortes objetivos: separar a Igreja do Estado, eliminar os carros de combustível fóssil a partir de 2025 e abolir a histórica rádio FM para transmitir em uma faixa 100% digital.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

“Está em nosso DNA deixar as coisas para as gerações futuras em melhores condições do que as recebemos”, defende Inger Solberg, diretora da Innovation Norway (IN), a agência pública que investe o equivalente a 1,3 bilhão de reais por ano em sustentabilidade.

O silêncio da neve é especial em Oslo, a capital desse país de cinco milhões de habitantes. Mas há na atmosfera algo além desse sigilo e dessa espécie de recolhimento luterano: os carros não fazem barulho. A Noruega abraçou a ambiciosa meta de acabar com o comércio de carros a diesel e gasolina até 2025 para incentivar o uso de veículos elétricos e híbridos. “É perfeitamente realista”, garante ao EL PAÍS Vidar Helsegen, ministro do Meio Ambiente. Um em cada três carros já tem interruptor, revela Christina Bu, secretária-geral da associação nacional de carros elétricos.

Como produtora de petróleo (40% do PIB), a Noruega sofreu um forte golpe em suas contas com a crise que o setor atravessou entre 2014 e 2016 por causa de uma queda abrupta do preço do óleo bruto. O país “não pode viver do petróleo” por muito mais tempo, admite Helsegen. Cientes disso, os noruegueses sofreram “uma mudança de mentalidade”, ilustra Solberg que conversou com este jornal na embaixada da Noruega em Madri.

Essa virada é perceptível nas ruas de Oslo (610.000 habitantes), onde uma imensa quantidade de carros substitui o ruído do escapamento por um leve murmúrio de baterias. Em uma das ruas do centro os motoristas se amontoam para poder carregar seus carros durante algumas horas. “A Noruega está de dez a cinco anos à frente do resto do mundo”, diz Christina Bu ao lado de um Buddy, o único carro de fabricação nacional. Elétrico, é claro. A fatia de mercado de veículos com tomada foi de 30% em 2016. E vem subindo, apesar da “oposição tradicional”, aquelas pessoas que compraram carros a diesel “convencidas [pelas autoridades] de que poluíam menos”, reprova Arne Melchior, do Instituto Norueguês de Assuntos Internacionais (Nupi).

Em um contexto em que o partido do Progresso (Fremskrittspartiet), de extrema direita e membro do Governo de coalizão com os conservadores, vem perdendo cadeiras fragorosamente, esse grupo enxerga a atual iniciativa política como uma forma de recuperar a popularidade às vésperas eleições de setembro, perante uma população que exige melhores meios de transporte, opina Indra Øverland, especialista em energia e clima do Nupi.

Governo começa o ano com três objetivos: separar a Igreja do Estado, eliminar os carros de combustível fóssil a partir de 2025 e abolir a histórica rádio FM para transmitir em uma faixa 100% digital

Essa gradativa independência do combustível fóssil, somada aos acordos de Paris 2015 – reduzir as emissões em 40% até 2030 – levaram a Noruega à “era pós-petróleo”, segundo Bu. E o motivo da popularidade desses veículos na Noruega (em 2016 se esgotaram as 100.000 placas com a letra O que identifica os carros elétricos) é puramente econômico: isenção do IVA (25%), do imposto de licenciamento, do pagamento de pedágios e de estacionamento. “É um esquema [de ajudas] muito generoso”, orgulha-se Helsegen. E é difícil encontrar quem seja contra esses atrativos.

Em Oslo, os elegantes e luxuosos Teslas invadem as vias como em nenhuma outra capital europeia, mas também há outros modelos mais modestos e silenciosos. Slavko Vitkovic, de 37 anos, tem um Nissan elétrico e garante, lacônico – característica generalizada em seus convizinhos -, que seu carro “é muito melhor e muito mais barato”. Cai a neve com força e o homem de 37 anos convida a sentar no assento do motorista para apreciar as qualidades do veículo enquanto o recarrega em um ponto na frente da majestosa Prefeitura de cor ocre.

Rádio com sistema DAB custa 200 euros na Noruega.
Rádio com sistema DAB custa 200 euros na Noruega.
Um ‘blecaute’ nas rádios

Em outro passo em direção a uma era mais tecnológica, a Noruega vai se tornar, neste ano, o primeiro país do mundo a deixar para trás a Frequência Modulada (FM) para transmitir em uma faixa 100% digital (DAB). Duas das seis regiões do país já desligaram seus transistores. “A rádio precisa se renovar”, ressalta Ole Jørgen Torvmark, diretor das rádios digitais da Noruega. Suíça (2020-2024), Reino Unido (2017) e Dinamarca (2018) já estudam seu blecaute particular.

A maior vantagem que o país encontrou ao abandonar a FM é que, primeiro, será possível alugar ou vender a velha frequência a companhias telefônicas, serviços de inteligência ou até mesmo à OTAN; e, segundo, os canais DAB se multiplicaram por quatro. “Os hábitos midiáticos dos cidadãos estão mudando muito rápido. Existe muita projeção de crescimento”, afirma Hagerup. Anedota curiosa é a paixão demonstrada por um grande número de ouvintes pela música country graças a um canal especializado. “Tudo está indo muito bem”, diz o diretor adjunto do grupo de rádio privado mais poderoso do país, Anders Opsahl.

Vidar Helgesen, ministro do Meio Ambiente.
Vidar Helgesen, ministro do Meio Ambiente.  

As ressalvas dos cidadãos vêm, na maior parte, da falta de compatibilidade dos veículos atuais com as rádios DAB. Será preciso comprar um adaptador especial que custa 700 coroas (260 reais) e não é financiado pelo Governo, levar o carro a uma oficina para instalá-lo ou trocar todo o sistema de rádio. Nas casas, no entanto, não há maiores problemas. “Sete de cada dez lares já estão digitalizados”, diz Hagerup enquanto brinca com um transistor 100% digital que custa o equivalente a 650 reais. “Também dá a previsão do tempo”, sorri.

Mudanças na tradição

O bispo de Bog, Atle Sommerfeldt, em um parque de Oslo
O bispo de Bog, Atle Sommerfeldt, em um parque de Oslo MASSIMILIANO MINOCRI EL PAÍS
 A Noruega já é secular. Pelo menos legalmente. Em janeiro, e após mais de sete anos de discussão no Parlamento – e 100 nas ruas -, o país plasmou na Constituição a separação entre o Estado e a Igreja luterana. E a cúria não só o aceitou como também “contribuiu para esse avanço”, orgulha-se Atle Sommerfeldt, bispo de Borg, a maior diocese da Noruega, com meio milhão de fiéis. O país de pouco mais de cinco milhões de habitantes conta com 3,8 milhões de adeptos da Igreja da Noruega.

Apesar de a Igreja não estar vinculada à vida pública na Noruega e seu chefe não ser mais o Rei – como em outros países protestantes, como o Reino Unido – , os “valores” continuam os mesmos, explica o bispo de 65 anos em uma livraria muito popular próxima ao Palácio Real. “O Estado continua se baseando em valores humanísticos, cristãos, democráticos e de direitos humanos”, diz. “Neste país não há problemas com a religião. Mas são muito especiais”, defende David Obi, um artista visual nigeriano que há dois anos toca uma pequena pizzaria.

A partir de agora a Igreja norueguesa deixará de receber uma boa parcela do dinheiro público: 400 reais por fiel a cada ano. Longe de censurar a medida num país onde (quase) todas as decisões que afetam a vida pública são tomadas por consenso, o presidente da conferência episcopal, Svein Arne Lindø, elogiava a decisão: “São boas notícias para ambos, a Igreja e o país”, declarou à emissora estatal NRK.

Mas quem faz a regra, faz a armadilha e, ao se considerar essa religião um “bem comum”, o Estado continuará oferecendo recursos, alerta Sommerfeldt. E ele continuará recebendo um salário: 250.000 reais anuais. Afinal, admite, “é política”.
BELÉN DOMÍNGUEZ CEBRIÁN

Tênis feito de lixo marinho e abrigo desmontável para refugiados

Museu do Design escolhe melhores projetos do ano

Design MuseumImage copyrightDESIGN MUSEUM

O Museu do Design de Londres abre em novembro a exposição com os indicados à nona edição do prêmio Beazley Designs of the Year 2016: projetos que incluem um tênis feito de plástico reciclado retirado dos oceanos, um abrigo para refugiados com isolamento térmico e a capa do último álbum de David Bowie.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os indicados – divididos nas categorias arquitetura, digital, moda, gráfico, produto e transporte – não são apenas objetos e gadgets futurísticos, móveis de luxo ou grandes projetos arquitetônicos. Isso porque o prêmio também funciona como uma bússola das preocupações e ansiedades da sociedade e da comunidade internacional de designers e arquitetos.

Há projetos que se concentram em transporte, como o aplicativo que proporciona uma navegação mais simples para ciclistas em cidades e o capacete que emite sinais de luz a outros motoristas.

Veja abaixo alguns dos indicados ao prêmio.

Johan Karlsson, Dennis Kanter, Christian Gustafsson, John van Leer, Tim de Haas, IKEA Foundation, UNHCRImage copyrightKARLSSON, KANTER, GUSTAFSSON, DE HAAS, IKEA UNHCR

Um dos projetos indicados para o prêmio Beazley é o criado pela rede de loja de móveis sueca Ikea de uma barraca desmontável para famílias de refugiados. O projeto, criado em parceria com a agência de refugiados da ONU, é o de um abrigo temporário para pessoas que tiveram que abandonar suas casas devido a guerras ou desastres naturais. O abrigo é de fácil montagem: é feito de painéis laminados isolantes e protegidos de raios ultravioleta, que podem ser encaixados uns com os outros.

Adidas, Alexander Taylor, Parley for the Oceans, Sea ShepherdImage copyrightADIDAS, TAYLOR, PARLEY FOR THE OCEANS

A Adidas criou, em parceria com a organização ambientalista Parley for the Oceans, um projeto que envolve novas tecnologias para reciclar lixo retirado dos oceanos. A parceria foi anunciada na ONU em 2015 com o lançamento de um conceito para um tênis feito a partir de redes de pesca e resíduos plásticos encontrados no mar. Em junho de 2016, a o projeto conceito virou realidade e a parceria lançou cem pares do tênis de corrida Adidas Parley.

Jonathan BarnbrookImage copyrightJONATHAN BARNBROOK

A capa do último álbum de David Bowie foi criada pelo designer Jonathan Barnbrook, com o símbolo de uma estrela negra da Unicode (a organização que padroniza códigos dos emojis). O símbolo, que pronuncia-se Blackstar, foi criado usando elementos de fonte aberta – tanto que que se transformou em trabalho de fonte aberta depois da morte de Bowie, o que permitiu que os fãs interagissem e usassem o design. Foi indicada na categoria gráfica.

Gillian Holdsworth, Chris Howroyd, Mollie Courtenay, Glyn Parry, Paula Baraitser, Michael Brady, Anatole Johansson, Sarah Cox, Leanne Ford, Adan Whittingham, Anders Fisher, Richard VickerstaffImage copyrightSH:24 TEAM

Indicado na categoria digital, o SH: 24 é um serviço de saúde sexual que fornece exames, informações e aconselhamento online. Criado a partir de uma parceria entre os chamados councils de Londres (equivalentes a subprefeituras) e o serviço público de saúde britânico, o NHS, tem como objetivo desafogar as unidades físicas de saúde. O usuário do serviço online SH:24 recebe em casa kits de exames para verificar doenças como clamídia, sífilis, gonorreia e HIV, manda as amostrasao laboratório e recebe os resultados viamensagem de texto confi’dencial.

Brian Gartside, Aaron Stephenson, Theresa DankovichImage copyrightBRIAN GARTSIDE, AARON STEPHENSON, THERESA DANKOVIC

Na categoria produto também foi indicado o “livro potável”. O projeto quer conscientizar as pessoas sobre a crise da água, combinando filtros de papel que podem matar bactérias com informações impressas neles. Basta arrancar qualquer página do livro e ela vai se transformar em um filtro com nanopartículas de prata que pode purificar cem litros de água.

Mark Weislogel, Andrew Wollman, John Graff, Donald Pettit, Ryan Jenson, NasaImage copyrightWEISLOGEL, WOLLMOAN, JOHN GRAFF, PETTIT, NASA

Ainda na categoria de produtos, um projeto almeja eliminar o uso de canudinhos por astronautas. A xícara de café espacial é resultado de experiências realizadas no ambiente de pouca gravidade da Estação Espacial Internacional. Ali, os astronautas geralmente consomem líquidos através de canudinhos colocados em sacos plásticos lacrados para evitar que se espalhem. Agora, a “xícara espacial” usa a tensão da superfície, propriedades dos líquidos e um formato único para dispensar os canudos e levar o líquido diretamente para a boca do astronauta.

Mark Jenner, Tom Putnam, Map Project OfficeImage copyrightMARK JENNER, TOM PUTNAM, MAP PROJECT OFFICE

Indicado na categoria transporte, o BeeLine é um dispositivo de navegação simplificado voltado para ciclistas. Em vez de dar instruções a cada passo do caminho, o BeeLine deixa o ciclista escolher sua própria rota, mas ao mesmo tempo guia-o na direção de seu destino, em um processo parecido ao de uma bússola.

Eu-wen Ding, Jeff Haoran ChenImage copyrightEU-WEN DING, JEFF HAORAN CHEN

Ainda na categoria transporte, o Lumos é um capacete inteligente com luzes integradas, que dá sinais de freio e de seta. Equipado com um acelerômetro, o Lumos detecta quando o ciclista está diminuindo a velocidade e, automaticamente, mostra o sinal de freio para que as pessoas que estão vindo logo atrás enxerguem facilmente. O projeto usa recursos oriundos de financiamento coletivo.

Idea&Design: Erwin Bauer, Anne Hofmann, Dasha Zaichanka, Katharina Hölzl, Miriam KollerImage copyrightIDEA&DESIGN

O projeto de pictogramas (símbolos simplificados, como aqueles de portas de banheiros) voltados para o atendimento de refugiados foi um dos indicados na categoria gráficos. A ideia do “kit de primeiros socorros para refugiados e ONGs” surgiu durante a crise de refugiados na Europa em 2015. O objetivo é criar instruções simples que podem ser compreendidas por pessoas de várias nacionalidades que chegam aos campos. Os símbolos foram criados em parceria com organizações como a Cruz Vermelha e contemplam vários idiomas e crenças religiosas, além de fornecer informações sobre segurança, abrigo e assistência médica.

Serão escolhidos projetos vencedores em cada categoria e um vencedor geral. O anúncio será efeito em 26 de janeiro de 2017 e todos os indicados estarão em exposição no Museu do Design de Londres entre os dias 24 de novembro e 19 de fevereiro.
ViaBBC

O declínio do carro particular

Escândalos na indústria automotiva e a proteção do ambiente convidam a imaginar uma cidade diferente.

Matthias Mueller, CEO da Volkswagen, na conferência de imprensa em outubro, após o escândalo da falsificação dos motores diesel.
Matthias Mueller, CEO da Volkswagen, na conferência de imprensa em outubro, após o escândalo da falsificação dos motores diesel. ODD ANDERSEN AFP

Essa engenhoca conhecida como carro, grande protagonista do crescimento urbano, da livre circulação e do status social, parece que precisa passar por uma revisão geral.

A crise do setor, junto com a preocupação, cada vez maior, de seu impacto ambiental deram origem a propostas inusitadas: carros de uso público compartilhados, proprietários de veículos que oferecem a outros passageiros a divisão de despesas em suas rotas habituais, ou particulares que se oferecem como motoristas a baixo preço.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Estas novas práticas já estão entre nós com nomes como carsharing, Blablacar ou Uber, respectivamente.

Acrescente a isso o aumento da bicicleta como meio de transporte urbano. Seu crescimento — com pior ou melhor sinalização — entre o trânsito foi acompanhado de subsídios para promover o aluguel para trajetos na cidade. Tudo isso pinta um panorama no qual o carro particular poderia ser visto não mais como um luxo, mas como um incômodo.

A ideia de que o uso do carro seja limitado nas cidades pode soar tão incrível quanto parecia impossível há duas décadas que o tabaco acabasse sendo banido dos lugares públicos. Mas a cidade sem carros já está entre nós.

Ou melhor: sempre esteve aqui, desde o início. Há cidades que foram construídas em espaços com topografias inacessíveis, com a densidade de uma cidade medieval, cidades nas montanhas, cidades fortaleza, cidades proibidas, na qual os carros nunca entraram. Também foram fundadas cidades isoladas ou em arquipélagos que só tinham comunicação pelo mar; eram cidades ilhas e cidades mar. Nesses lugares não havia o barulho, a poluição e o perigo inerentes ao transporte por carro.

Tudo isso pinta um panorama no qual o carro particular poderia ser visto não mais como um luxo, mas como um incômodo

Imaginemos agora uma cidade visível, real, contemporânea, onde, exceto em casos de necessidade, as pessoas se movem sem o auxílio de qualquer força motriz artificial. Um lugar onde a rua seja em si mesma um meio de transporte, ruas pavimentadas ou canais de Veneza.

Paradoxalmente, o lugar de onde parte o narrador de As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, é hoje, por incrível que pareça, um modelo de futuro. Essa ideia é impensável para as pessoas de uma cidade histórica invadida e mutilada pelos automóveis. Também poderia ser uma utopia para quem vive na cidade do século XX, construída por e para o carro, e onde não possuir um pode quase relegá-lo a ser um cidadão de segunda classe.

Mas o declínio do carro particular e seu impacto é uma questão multidisciplinar. Seus benefícios em termos de saúde, ambiente, energia e justiça social estão começando a passar por uma discussão mais profunda. Para que a cidade sem carros seja algo real, só precisamos resolver o fator econômico, ou seja, o impacto sobre o setor, mas não a viabilidade da ideia.

Temos a tendência a ver a cidade como algo que é construído, quando também é uma sucessão de quedas. Quanto mais bem-sucedida, de longa duração e vital é uma cidade, maior é o número de transformações que experimentou.

A restrição a estacionar veículos de não residentes no centro de Madri, implementada por Manuela Carmena há algumas semanas, mostrou que o tema de limitar o uso do carro na cidade não é algo visionário, complexo ou de ficção científica, é na verdade uma questão de mudança de mentalidade.

O nascimento dos Estados-nação derrubou as muralhas e o desenvolvimento industrial solucionou o problema do saneamento, agora chega a hora da derrubada dos veículos particulares na cidade. Começa o tempo para refletir sobre este novo espaço público.

Luis Feduchi é arquiteto e decano da Faculdade de Arquitetura da Universidade Camilo José Cela. Colabora com a Universidade Humboldt de Berlim.
ElPaís

Bairro hipster de Londres ganha escritório coletivo em árvore

Um pequeno escritório de aluguel foi construído em torno de uma árvore em um parque de Londres, no coração da região de Hoxton.

A área é conhecida como reduto de hipsters londrinos.
A iniciativa, uma estrutura temporária de papel e plástico, oferece aluguel de mesas de trabalho ou do escritório inteiro. Para gente como a comerciante de vinhos, Wieteke Teppema, é a solução perfeita para quem não tem uma base fixa.
“Estou sempre a caminho de algum lugar. Entre uma reunião e outra, posso me sentar, ler emails e trabalhar”, disse à BBC. Todo o lucro com os aluguéis será reinvestido nos parques da área.

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Ecologia – Design – Um barco auto sustentável

Ecologia,Design,Veículos,Embarcações,WaterPod 01Clique na imagem para ampliar

Um barco moradia auto sustentável é a proposta da Waterpod.

Ecologia,Design,Veículos,Embarcações,WaterPod 02Clique na imagem para ampliar

O veículo é auto-suficiente e além de navegar, como qualquer outra embarcação, funciona como habitação, podendo ancorar em qualquer mariana, sem depender de recursos externos.

Ecologia,Design,Veículos,Embarcações,WaterPod 03Clique na imagem para ampliar

A casa-barco produz a energia que consome, dessaliniza a água do mar tornado-a própria para o consumo, recicla o lixo e demais dejetos produzido pelos moradores.

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O WaterPod ainda é um projeto, meio futurista, que não saiu da prancheta.

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Google tem data center refrigerado à água do mar

O Google Hamina Data Center fica em Hurmaava, Finlandia. Uma série de dutos, que passam sob o piso da construção traz a água do mar para refrigerar o edifício. Para não agredir a fauna marinha da região, a água quente é resfriada antes de retornar para o mar.


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Brasil lidera o desenvolvimento sustentável

Para especialista norte americano, o Brasil é o país que melhor está preparado para liderar uma mudança nos parâmetros do que se convencionou chamar de “desenvolvimento sustentável”

Para Daniel Esty, professor de Yale e autor do livro O verde que vale ouro (Editora Campus), quase nenhum país está tão bem preparado quanto o Brasil para assumir um papel global de liderança no desenvolvimento sustentado. “O País tem várias empresas que são líderes mundiais, e o ambiente é encarado muito seriamente pela comunidade empresarial, o que posiciona o Brasil como um líder global em potencial”, disse Esty, em entrevista ao Estado. Ele participou, na segunda-feira, do evento Expo Management, em São Paulo.

Para que isso aconteça, segundo o professor, o governo brasileiro precisa cumprir seu papel. “O governo não conseguiu desenvolver uma estrutura de políticas que aborde seriamente a necessidade de inovação e não conseguiu abordar seriamente a necessidade de o Brasil assumir um papel de liderança em termos de compromissos globais”, afirmou Esty.

O professor defendeu mudanças nas políticas de comércio exterior para energias limpas, para que as diversas alternativas possam concorrer entre si e haja um teste que mostre quais serão de interesse da sociedade no longo prazo. “Nesse contexto, o etanol brasileiro parece um competidor forte”, completou. Atualmente, os Estados Unidos e outros países impõem obstáculos comerciais ao etanol brasileiro, o que dificulta a sua exportação.

Mais informações no Estado de São Paulo em “Brasil pode ser líder em sustentabilidade

do blog do Renato Cruz