Brasil: Imagem da elite criminosa repercute nas comunidades desempregadas como exemplo à criminalidade

Impunidade,Brasil,Crime Colarinho Branco,Blog do MesquitaTudo o que tem acontecido no Rio de Janeiro e também no Brasil é, sim, decorrência do desemprego e da crise social.

Mas é fruto, principalmente, do mau exemplo da elite brasileira, que nestes últimos anos mostrou sua cara desmascarada pelo juiz Sérgio Moro.

Os grandes corruptores, os grandes ladrões, só por delatarem, têm suas penas reduzidas e voltam para suas mansões milhardárias, que sequer foram sequestradas.

Os grandes empresários da área de construção esperam que, conquistada a redução de pena, consigam sair do país e ir para suas mansões no exterior que compraram com dinheiro roubado do Brasil.

No momento em que o Brasil enfrenta uma crise de proporções jamais vistas em sua história — hoje, em um país com 200 milhões de habitantes, 180 milhões estão à margem da dignidade –, somado a crise que o mundo enfrenta, sem qualquer referência política ou religiosa, a convulsão social parece se aproximar.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os corruptos e os corruptores, cinicamente, devolvem o que talvez seja um Pixuleco do prejuízo que deram ao país. Só a Petrobras representava 60% do investimento brasileiro.

As famílias dos desempregados veem seus filhos indo para a delinquência, por falta de emprego. Outros filhos, com mais sorte, conseguiram estudar nas universidades públicas brasileiras, e agora recebem um chute quando ouvem que se deve “dar prioridade aos formados no exterior”.

Pobre dos professores brasileiros, além de não receberem os salários, são responsabilizados quando seus formandos são preteridos pelos formandos de professores no exterior.

Se olharmos um pouco pra trás, vamos ver que a crise de 2008 foi antecedida pela quebra daquele banco da Tailândia, com uma falência de $ 30 bilhões, nas mãos de jovem de 38 anos que com certeza se formou numa dessas faculdades que impressionam o poder.

A polícia do Rio, sem receber, e a de outros estados, também sem receber, têm seus policiais assassinados porque parece que o crime tem mais dinheiro do que o Estado.

O dinheiro do Estado foi roubado pelos delinquentes que, mesmo com as cabeças raspadas, recebem o privilégio que os pobres quando são presos não têm: são soltos.

O Ministério Público com seus grandes procuradores, e a Polícia Federal, com sua legião de bravos policiais, se veem humilhados quando após meses de investigação são hostilizados, como se aquilo que apuraram não estivesse correto.

Suas presas são soltas como pássaros enjaulados, porque não são pássaros, são abutres.

O que pode pensar o filho de um advogado desse Ministério Público, ou de um agente da PF, quando dizem que seus pais supostamente “não cumpriram como deveriam cumprir” as suas atividades profissionais?

Além disso, o salário deles é de um tamanho tão reduzido que seus filhos não podem ter formação no exterior.

O que deve pensar um jovem humilde, desfavorecido pela sorte, quando vê que a sorte de um criminoso de “colarinho branco” é diferente da sorte de um criminoso de sandália de dedo iguais as que ele usa? Com certeza, eles devem pensar em revolta.
JB

Sem chefe e sem garantia: assim será nosso trabalho no futuro

Cada vez mais empresas estão se adaptando à cultura do Vale do Silício.Emprego,Blog do Mesquita

Descrever Jesús Elorza, community manager do Google, sem os anglicismos que ele usa com frequência é um desafio. Seu aspecto – barba, camisa abotoada até o último botão – é de hipster. Sua fascinação pelas redes sociais, pelos gadgets (tem um smartwatchconectado ao smartphone) e seus apps o transformam em um techie. Seu emprego o transforma em protagonista da mudança da atual geração que está com 30 anos e tem uma nova forma de entender o trabalho.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Em parte é porque Jesús, 27 anos, que trabalha há quatro na sede da Google em Dublin, passa o dia fazendo videoconferências, com o outro olho na tela do seu celular, onde se misturam vida pessoal e profissional até se confundirem. E, em parte são todas as comodidades que desfruta, e que fazem com que os escritórios da Google sejam qualquer coisa menos aquele espaço espartano no qual trabalhavam as gerações anteriores à dele.

Temos muita flexibilidade no trabalho, vários restaurantes com comida de graça e, claro, muito boa, formação contínua, ginásio e piscina dentro do edifício, massagem, centro médico, salão de jogos…”, vai enumerando, recitando o modelo que Laszlo Bock, chefe de RH da Google (lá eles chamam de “gestão de pessoas”), descreve em seu livro Um Novo Jeito de Trabalhar: “Eu chamaria de um projeto de alta liberdade no qual os funcionários gozam de capacidade de tomada de decisão.

Os líderes que criam o ambiente adequado vão se transformar em ímãs para as pessoas com mais talento do planeta”, explicou Bock no livro. Mas muito mais importante do que tudo isso é a maneira que Jesús pode projetar no trabalho parte de sua personalidade. Ele ainda tem a caderneta na qual, há quatro anos, escreveu “trabalhar na Google” como um dos seus objetivos. Ele não presta um serviço. Contribui com sua personalidade para o projeto. É um trabalhador do futuro.

As grandes empresas tecnológicas e as start-ups mudaram o mercado. Agora estamos lutando todos pelo mesmo talento em um mercado sem barreiras. Procuramos pessoas que querem algo mais que uma carreira para toda a vida.

Margarita Álvarez, diretora de comunicação e marketing da Adecco Espanha

Primeira Parte: o que faz um empregado como você em um lugar como este?

“A tecnologia trouxe mudanças drásticas no mundo do trabalho. Podemos resumi-las na hiperconectividade”, anuncia Juan Martínez-Barea, embaixador na Espanha da Singularity University, instituição acadêmica impulsionada pela NASA e localizada no Vale do Silício. Ele é autor do livro El mundo que viene (O mundo que virá). O telefone acelerou o ritmo de um mundo que deixou de depender do correio físico, mas as novas tecnologias provocaram algo muito mais drástico: tornaram prescindíveis os horários e os espaços comuns, aumentaram a disponibilidade e encorajaram a promiscuidade entre trabalhadores e empregadores.

Há empresas muito tradicionais na Espanha que já estão mudando para espaços de trabalho não nominativos, ou seja, que ninguém tem um lugar permanente. Não há papel, não há armários para ninguém. São colocadas em paralelo grandes mesas para incentivar a interatividade

 

Margarita Álvarez

Este último é essencial para começar a entender a mudança. Em um ambiente no qual qualquer um pode expor seus talentos para todos, seja como um portfólio em forma de conta do Instagram ou com currículo no LinkedIn, as empresas têm um acesso exponencialmente mais fácil aos possíveis empregados. São elas, portanto, que precisam ser atrativas para os trabalhadores, e não vice-versa, como até agora.

“O fardo agora é da empresa” confirma Margarita Álvarez, diretora de comunicação e marketing da Adecco Espanha, o maior fornecedor mundial de recursos humanos: “As grandes empresas tecnológicas e as start-ups mudaram o mercado. Agora lutamos todos, grandes e pequenos, pelo mesmo talento em um mercado sem barreiras.

Procuramos pessoas que querem algo mais que uma carreira para toda a vida, que querem rapidez, propostas constantes de projetos interessantes, flexibilidade, bons companheiros…”.

Jesús recebe da Google uma atitude que seria considerada marciana em décadas passadas. “Você controla seu tempo, os objetivos, o que quer aprender, no que quer trabalhar… E acima de tudo, o bom ambiente que existe entre os colegas”, diz ele.

Também ressalta a regra dos 20%: “Corresponde à parte do seu tempo que pode dedicar a um projeto ou conceito a ser desenvolvido que esteja ligado à empresa”. Ele tem espaço para fornecer ideias mesmo fora do seu setor. Outras empresas como Adobe ou Deloitte também usam ideias ousadas como licenças sabáticas remuneradas. Gore-Tex eliminou a cadeia de comando e as funções dos trabalhadores, permitindo que os chefes dos projetos sejam divididos e escolhidos por voto.

Vai generalizar um tipo de trabalhador autônomo, ou parecido ao autônomo, que trabalhe dentro, graças à tecnologia que é oferecida hoje, de equipes que duram até a conclusão do projeto.

Margarita Álvarez
Os locais de trabalho também estão se adaptando a estes novos parâmetros. Atribuir áreas específicas do escritório como uma recompensa (uma sala a um trabalhador leal que foi promovido) ou como forma de promover a dinâmica acaba sendo menos produtivo. “Há empresas muito tradicionais já estão mudando para espaços de trabalho não nominativos, ou seja, que ninguém tem um lugar permanente. Não há papel, não há armários para ninguém. São dispostas grandes mesas de forma paralela para incentivar a interatividade”, diz Margarita Alvarez.

Identifica-se um projeto, reúne-se uma equipe, trabalha-se o justo e necessário para completar a tarefa e a equipe separa-se. É o modelo com o que agora se constroem pontes, desenham aplicações ou abrem restaurantes.

Adam Davidson, colunista econômico do The New York Times

Segunda Parte: A ameaça de Hollywood

Num ponto extremo, esta promiscuidade nos levará, segundo previsão de Adam Davidson, colunista econômico do The New York Times, ao modelo Hollywood, que aplica a lógica de uma filmagem a todas as áreas de trabalho. “Um projeto é identificado, a equipe se reúne, trabalha apenas suficiente para completar a tarefa e se separa “, explica Davidson.

“É o modelo com o qual agora as pontes são construídas, aplicativos são criados e restaurantes são abertos”. Completa Juan Martínez-Barea: “Vai generalizar um tipo de trabalhador autônomo, ou parecido ao autônomo, que trabalhe dentro, graças à tecnologia que é oferecida hoje, de equipes que duram até a conclusão do projeto”. Ainda não sabemos se a cultura corporativa está pronta para absorver uma mudança radical de estrutura. “Toda vez encontramos mais pessoas trabalhando na Espanha quase como freelance”, afirma Álvarez.

Isso apesar de que ser autônomo nesse país significa, além de mais horas de burocracia, o pagamento de uma taxa de entre 50 e 260 euros por mês, mais que na França (lá, a taxa depende das receitas), Reino Unido (entre 13 e 58 euros anuais). A tendência pode lembrar os minijobs alemães, mas estes pelo menos oferecem uma cobertura de seguridade social e outras circunstâncias, tais como demissão, mas um autônomo espanhol está sozinho.

Álvarez se volta para o otimismo: “Não se trata de perder a estabilidade, mas que as empresas acabem usando este modelo dentro de si mesmas para oferecer ao funcionário, em forma de projetos, os próximos passos da sua vida profissional. Seria insustentável que fôssemos todos autônomos”.

Mal-entendido, o modelo Hollywood pode ser confundido perigosamente com uma tendência cultural impossível de parar nos últimos anos: a gig economy, economia de trabalhos esporádicos. É a que promove as viagens de gastos divididos do BlaBlaCar, os taxistas amadores do Uber, o aluguel de apartamentos pelo Airbnb.

O mesmo que entusiasma as start-ups – fazer com o mercado de trabalho o que Uber fez com a indústria dos táxis – preocupa muita gente – Uber multiplicou tanto os empregos ruins quanto a economia informal.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem, na verdade, um escritório específico para as formas de emprego não convencionais, que enfatiza a necessidade de “reconhecer que não estamos falando de trabalhos esporádicos, tarefas, favores ou levar alguém para casa. Falamos de trabalho. A economia de trabalhos esporádicos pode ser o futuro, mas precisamos começar a reconhecer que é trabalho, e trabalho deve ser decente. A proteção do trabalho não é incompatível com a inovação”.

Isso apesar de que ser autônomo na Espanha significa, além de mais horas de burocracia, o pagamento de uma taxa de entre 50 e 260 euros por mês

A OIT abriu uma linha de pesquisa sobre o “futuro do trabalho”. O resumo é que não devemos prever o futuro, mas regulá-lo: “Cabe perguntar se a revolução tecnológica, que é caracterizada pelo uso de megadados, impressoras 3D e robôs, oferece um potencial tão grande a ponto de substituir a mão de obra”, diz.

É possível ir além, como faz Martínez-Barea: “O mercado de trabalho vai se polarizar: as pessoas com baixas qualificações, empregos com baixo valor agregado e de baixos salários são os que correm mais risco. Os drones entregarão pedidos, os robôs fabricarão tudo e os veículos autotransportados transportarão mercadorias”, prevê.

E podemos dar de ombros, como faz a OIT: “A tecnologia sempre acabou criando mais empregos do que destruiu”. No futuro tudo será diferente e tudo será igual. Em outras palavras, será o futuro de sempre.
El País/Jacob Pedroza

Quatro ameaças ao crescimento constante da economia chinesa

A queda acentuada da bolsa de valores de Xangai, nesta semana, e o seu impacto global levantaram temores sobre a saúde da economia chinesa.

AP
Investidores, consumidores e endividados na China podem ser afetados pelos atuais problemas

Além disso, a China desvalorizou a moeda local, o yuan, numa tentativa de tornar suas exportações mais competitivas após as vendas internacionais do país terem registrado queda. A produção interna também caiu.

Em dia menos tenso, o mercado financeiro de Xangai fechou em -1,3% nesta quarta-feira, mesmo após estímulos promovidos pelo governo, e a baixa foi acompanhada pelas bolsas europeias – mas não pelas americanas e pelo Ibovespa. Este último subiu 2,7%. Mas analistas preveem que a volatilidade continuará nos mercados internacionais.

Seria o fim do milagre chinês? Não, opina John Ross, professor do Instituto de Estudos Financeiros Chongyang da Universidade Renmin, de Pequim, em entrevista à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“A China está crescendo a 6,5% ou 7%, três vezes mais do que os Estados Unidos e quatro vezes mais que a Europa. É uma economia que tem saído de um ritmo de crescimento ‘super sensacional’ de 10% por ano para um ‘sensacional’, que é o atual”, disse Ross.

Leia mais: Impacto da queda da bolsa chinesa no mundo

Outro dado comparativo: enquanto Estados Unidos e Europa têm taxas de juros de quase zero para estimular suas economias há quase sete anos, a China reduziu sua principal taxa de juro em 0,25 ponto percentual, para 4,6%.

Mas isso não significa que não haja problemas na China. E, devido ao papel central que desempenha no comércio global, um recuo em sua economia tem consequências em todo o mundo, Brasil incluído.

Image copyrightBBC World Service

O futuro da segunda maior economia do mundo depende da solução de quatro temas-chave:

1. Queda de investimentos e mudança de modelo de crescimento

O crescimento econômico chinês nos últimos dez anos sedeve muito mais ao investimento do que à exportação de produtos ‘Made in China’. Neste período, o país teve um ritmo impressionante de crescimento de dois dígitos.

O investimento aumentou durante a crise financeira de 2008 – representava 35% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2000 e ultrapassou os 50% após a queda do banco de investimentos americano Lehman Brothers.

Reuters
Banco Central chinês desvalorizou iuan numa tentativa de tornar exportações mais atraentes

Em comparação, o consumo interno como motor do crescimento mal superou os 30% neste período.

Uma economia baseada excessivamente no investimento pode estimular bolhas imobiliárias, dívidas insustentáveis e problemas financeiros.

Consciente dos limites deste modelo, o governo iniciou em 2010 uma transição a outro, mais baseado no crescimento do consumo interno.

Segundo Kamel Mellahi, especialista em mercados emergentes da britânica Warwick Business School, os problemas chineses que causam temores no mundo são fruto dos inevitáveis desajustes produzidos por essa mudança.

“Uma mudança num país das dimensões da China é mais fácil de propor que de executar. O mundo vai ter que se adaptar a esses altos e baixos porque vai levar tempo”, disse.

Leia mais: Novo método para classificação acaba com conceito de ‘emergentes’

2. Desvalorização e exportações

O sinal de alarme sobre a China soou forte com a desvalorização cambial realizada em agosto.

Em junho, as exportações caíram 8,3% devido a queda da demanda mundial e alta do custo de trabalho chinês, consequência da mudança do modelo que estipula aumentos salariais para estimular o consumo.

Getty
Deflação pode afetar diretamente grandes e pequenos empresários endividados que deverão vender produtos com preços menores

Em 11 de agosto, o Banco Central chinês iniciou um processo de desvalorização do yuan que se prolongou por três dias. A cotação da moeda caiu 3%, e gerou-se um temor global de uma “guerra cambial” – quando países desvalorizam suas moedas para ganhar vantagem competitiva para suas exportações.

Muitos analistas avaliam que a desvalorização está mais vinculada ao desejo chinês de resposicionar o yuan como divisa internacional, incorporando-a às moedas com direitos especiais de giro do Fundo Monetário Internacional (FMI). Até agora, apenas euro, libra, iene e dólar americano têm essa classificação.

“É uma estratégia a longo prazo para situar o yuan neste cenário”, disse Mellahi.

Com uma moeda atada ao valor do dólar, a China sofreu com a valorização da moeda americana nos últimos 12 meses, que encareceu sua própria moeda em cerca de 10%.

Mas desvalorizar a moeda até recuperar esse valor tornaria a dívida do país insustentável.

Leia mais: Quatro conquistas e um fracasso dos Brics

3. Dívida e inflação

Um dos efeitos mais perigosos do modelo baseado no investimento é a emissão de títulos de dívida necessária para sustentá-lo, algo que pode sair do controle.

Há outro perigo concreto que enfrenta a economia chinesa: deflação. Os preços médios têm caído nos últimos 40 meses.

APIncertezas sobre saúde da economia chinesa causaram pânico entre investidores

Este fenômeno pode levar a um processo deflacionário, no qual uma empresa teria que vender seus produtos por menos do que pagou por eles, o que aumentaria o montante de sua dívida e o perigo de falências.

Leia mais: Como o terremoto financeiro chinês pode afetar o Brasil?

4. Desemprego

Um fator estratégico para o governo chinês é o nível de desemprego, crucial para a paz social – e um dos debates sobre a mudança do modelo econômico chinês é o impacto que ele terá no mercado de trabalho.

Segundo dados oficiais, a taxa de desemprego variou pouco nos últimos cinco anos. Em 2014, foi de 4,09%, pouco mais alta que os 4,05% registrados em 2013.

Getty
Desemprego tornou-se um problema após mudança no modelo do crescimento chinês

Mas o Labour China Bulletin (LCB), editado em Hong Kong e especializado em assuntos trabalhistas, diz que esse índice subestima o número real de desempregados.

“O índice oficial registra apenas o número de pessoas que buscam emprego em relação ao total de empregados urbanos. Ignora os trabalhadores rurais, os imigrantes e os que têm trabalho parcial ou casual”, disse.

De acordo com o FT Confidential, serviço de investigações do jornal Financial Times, houve uma contração da demanda de trabalho em julho.

Segundo Mellahi, a “China tem uma linha vermelha: o emprego. Se a situação piorar e afetar o nível de emprego, então, vai ser irresistível a tentação de voltar a estimular a economia com um novo plano de investimento em infraestrutura”.

Economia: Na crise em Portugal até cachorro paga o pato

Na crise, até os animais pagam o pato

O tufão que arrasta a economia de Portugal para o buraco deixa vítimas por onde passa.

Mergulhado numa profunda crise, semelhante a que o Brasil viveu no final da década de 1980 no governo de José Sarney, os portugueses vivem momentos de incerteza e de angústia.

A crise é tão sufocante que já chegou ao mundo dos animais: cães e gatos são deixados em clínicas veterinárias ou nas ruas por seu donos afetados pelo desemprego. Imóveis são devolvidos aos bancos, os salários estão congelados, o desemprego é o maior das últimas décadas e até as farmácias estão fechando por falta de dinheiro para repor estoques.

O CÃO, AS MOEDAS E SEU DONO: ESMOLAS NAS RUAS PORTUGUESAS

O Diário de Notícias, um dos mais influentes jornais de Portugal, noticiou na primeira página que “604 farmácias, das 2900 existentes no país” fecharam as portas.

Só nesses primeiros seis meses 150 delas foram à falência, o que está afetando pacientes que convivem com remédios regularmente.

A crise econômica está estampada no semblante fechado e amargurado de cada português. O inverno rigoroso anunciado também vai afetar a vida da população, já que o governo anuncio aumento nas tarifas de energia. O consumo de combustível caiu 12% e o consumo em geral 23%.

Os shoppings vazios e lojas fechadas na zona mais nobre do país, Cascais, são sintomas do dinheiro curto no bolso da população que sofre com o desemprego.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Os atrativos e simpáticos bares nas calçada do Centro de Lisboa são proibitivos para os moradores, que começam a migrar para países vizinhos ou atravessar o Atlântico em direção ao Brasil, destino também dos brasileiros afetados pela crise.

O dinheiro circula mais à vontade no setor turístico, a única luz no final do túnel que ainda se mantém acesa reaquecendo a economia. Os hotéis de Lisboa, por exemplo, estão quase todos lotados nessa época do ano, onde o sol generoso e as belezas naturais deixam as cidades litorâneas do país parecidas com as do Brasil.

O governo tem procurado saídas para cumprir as exigências da União Europeia que pede austeridade no comando da economia para injetar mais dinheiro no país, a exemplo do que fez na Grécia.

Assim é que o governo está anunciando medidas que vão desagradar fortemente a classe média mais endinheirada: taxar as fortunas dos ricos, o que pode provocar uma fuga de capital.

O assunto será discutido no Conselho de Ministros, mas não existe consenso em torno da proposta porque a sugestão é do PS, partido que este ano deixou o poder.

Portugal já tem uma das cargas fiscais mais pesadas da Europa.

Castigar os mais ricos para ajudar o mais pobre, tentando convencê-los de que os mais ricos devem pagar a conta, pode levar o país a uma crise política de consequências imprevisíveis, segundo parlamentares de oposição e os economistas de plantão.

Por Jorge Oliveira, de Portugal

Economia mundial: queda da indústria lembra Depressão

Declínio industrial não é surpreendente, mas sua profundidade e velocidade criam tendência que acentua piora

Nelson D. Schwartz – The New York Times – O Estado SP

Desde que foi fundada pelo seu bisavô em 1880, a empresa de Carl Martin Welcker, localizada em Köln, Alemanha, espelhou a situação vivida pelas indústrias não apenas na Europa, mas no mundo todo. Isso ainda é verdade hoje. Ecoando um padrão familiar às indústrias da Europa, Ásia e Estados Unidos, Welcker diz que a sua empresa, Schuette, fabricante das máquinas responsáveis pela produção de 80% das velas de ignição usadas em todo o mundo, vive uma “tragédia”. Os pedidos caíram 50% em relação ao mesmo período do ano passado e Welcker está cortando custos e considerando demissões.

O fato de o setor industrial estar em declínio não é surpreendente, mas a profundidade e a velocidade da queda são impressionantes e criam uma tendência que acentua a si mesma, semelhante às falências em cadeia que resultaram na Grande Depressão.

Na Europa, por exemplo, onde a indústria corresponde a quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB), a produção caiu 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. No Brasil, a queda foi de 15%; em Taiwan, chegou a impressionantes 43%. Até na China, que virou a grande fábrica do mundo, o crescimento produtivo desacelerou, as exportações caíram 25% e milhões de trabalhadores industriais foram demitidos.

Nos Estados Unidos, até pouco tempo atrás um país relativamente próspero para o setor industrial, apesar da erosão constante dos empregos de trabalho braçal, a produção industrial caiu 11% em fevereiro em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com estatísticas publicadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na segunda-feira.

“A atividade industrial despencou, estamos vivendo o pior declínio observado desde a 2.ª Guerra Mundial”, disse Dirk Schumacher, principal economista do Goldman Sachs para a Europa em Frankfurt.

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Papai Noel desempregado nos Estados Unidos

É braba a crise. Os bons velhinhos amanheceram nesse dia 25 na rua da amargura. Certamente de saco, os dos brinquedos, vazios. Os outros, provavelmente, cheios.

Papai Noel, nas terras do grande irmão do norte é conhecido por Santa Klaus, quem diria, vai acabar recebendo bolsa família pra sobreviver no polo norte.

Papais Noéis amargam falta de emprego nos EUA. Alguns profissionais cobravam US$ 125 por hora em Nova York.

O sindicato dos Papais Noéis americanos anunciou que as contratações de seus afiliados para trabalhos neste Natal caíram significativamente em relação a dezembro do ano passado.

Nos Estados Unidos, nas semanas que antecedem o Natal, o Papai Noel, com sua barba branca e crianças sentadas em seu colo, é presença obrigatória em todo shopping center.

Mas os ventos gelados da recessão continuam soprando, e muitos que esperavam fazer milhares de dólares no período natalino estão em dificuldades.

Um desses profissionais, John Hauk, trabalhava todos os anos no seu shopping center local na Pensilvânia.

Este ano, devido a cortes de gastos, Hauk foi obrigado a viajar para Nova York de trem, vestido de Papai Noel, para procurar trabalho.

Em Natais passados, ele trabalhava dez horas por dia, durante quase todo o período natalino, mas as coisas mudaram.

Hauk disse à BBC que conseguiu alguns contratos para participar de festas particulares e cerimônias de acendimento de luzes natalinas.

Muitos de seus colegas, no entanto, não tiveram a mesma sorte.

A entidade The Amalgamated Order of Real-Bearded Santas, uma espécie de sindicato que representa Papais Noéis que mantém suas longas barbas brancas durante todo o ano, disse que houve uma queda de 50% nos negócios nesta estação.

Alguns Papais Noéis de Nova York costumavam ganhar até US$ 125 por hora.

Um deles, que trabalhava regularmente em uma loja de departamentos exclusiva de Manhattan, ouviu dos empregadores que, esse ano, teria de diminuir seu preço em US$ 75 por hora – ou perderia o emprego.

da BBC – Matthew Wells