Tópicos do dia – 03/06/2012

11:18:55
Marconi Perillo quintuplica patrimônio e omite bens.
Desde que assumiu o governo de Goiás pela primeira vez, em 1998, Marconi Perillo (PSDB) multiplicou por cinco seus bens declarados. De R$ 299,5 mil em 1998, saltou para R$ 1,503 milhão em 2010. Mas Marconi, que foi convocado para prestar depoimento na CPMI do caso Cachoeira, possui um patrimônio que vai além do que está escrito. Em pesquisas nos cartórios goianos, O GLOBO identificou pelo menos cinco imóveis que não constam das declarações entregues à Justiça Eleitoral. Um deles, adquirido em 7 de janeiro de 2008, é uma área de mais de um milhão de metros quadrados, que tem entre os compradores Marcelo Henrique Limiro Gonçalves, ex-sócio de Carlinhos Cachoeira na ICF, empresa que faz teste de medicamentos em Anápolis (GO).
O Globo –> mais aqui

11:24:43
Delta fatura novos contratos públicos
Mesmo alvo de CPI e sob a ameaça de ser considerada inidônea pela Controladoria-Geral da União (CGU), a empresa Delta Construções ampliou seu faturamento no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e na Prefeitura do Rio de Janeiro nos últimos 30 dias. Conforme informações do jornal Estado de S.Paulo, a superintendência do Dnit em Mato Grosso do Sul homologou, no dia 16, concorrência vencida pela Delta, cujo valor é de R$ 30,9 milhões. O edital estabelece execução de obras de revita. A Delta ainda faturou novas verbas para obras do Dnit em andamento em outros cinco Estados no mês passado. Anteontem, o Diário Oficial da União publicou extrato com o quinto termo aditivo em favor da empreiteira para a conservação e recuperação da BR-242. Os demais aditivos publicados nos últimos 30 dias foram destinados para obras da Delta no Espírito Santo, Pará, Piauí e Tocantins.
coluna Claudio Humberto

11:33:00
Humilhada por Lula no Programa do Ratinho, tratada como velharia “sem entusiasmo”, Marta falta à festa de lançamento da candidatura de Haddad e irrita PT

Preterida na escolha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy faltou ontem à festa de lançamento da campanha de Fernando Haddad e causou forte constrangimento à cúpula do partido. A atitude da ex-prefeita, que não deu explicação para sua ausência, irritou o ex-presidente Lula e o pré-candidato, que preparou discurso com elogios à gestão dela no município (2001-2004). “Fiquei chateado, né? Todos nós gostaríamos que ela estivesse aqui”, disse Haddad. Questionado se Marta deu alguma justificativa, ele foi lacônico: “Não”. O presidente municipal do PT, vereador Antonio Donato, afirmou não ter sido avisado dos motivos da senadora: “Pergunta para ela”.

Marta confirmou presença, mas faltou sem avisar a ninguém e deixou o celular desligado, assim como seus assessores. A ausência inesperada levou petistas a cometer gafes em sequência. Num dos primeiros discursos, o senador Eduardo Suplicy, ex-marido da senadora, anunciou que ela chegaria “a qualquer momento”. O deputado Paulo Teixeira chegou a escrever no Twitter que ela estava no ato, mas logo se corrigiu: “Ops, errei! A Marta não está aqui! Rs”.

Apesar do desconforto, os petistas se esforçaram para não melindrar a ex-prefeita. Ela foi elogiada em quatro discursos, inclusive nos de Lula e do pré-candidato. Impaciente com o que ainda parecia um atraso de Marta, Suplicy enviou um torpedo: “Você está sendo fortemente aguardada. Abs, Eduardo”. Ela não respondeu. Na saída, o senador ligou para a ex-prefeita diante de jornalistas, mas teve que deixar recado na caixa postal. “Olá, Marta. É Eduardo. Quando puder, me ligue. Agora já acabou a convenção.”
Bernardo Mello Franco e Mariana Carneiro/Folha de S.Paulo

11:39:53
Sobre o caso do mensalão, o maduro e o podre
Discorrendo sobre o caso do mensalão, o ministro Carlos Ayres Britto, presidente do STF, disse: “O que a sociedade quer é compreensível: o julgamento do processo, sem predisposição, seja para condenar, seja para absolver. O processo está maduro, chegou a hora de julgá-lo.”

Ex-procurador da República, eleito senador depois de passar 15 anos fornecendo matéria prima para os julgamentos do Judiciário, Pedro Taques (PDT-MT) discorda de Ayres Britto: “O processo do mensalão está passando de maduro, já está quase podre.”

Taques escora sua avaliação na atmosfera de “mexerico e fococa” que se seguiu ao encontro do ministro Gilmar Mendes com Lula, no escritório do ex-ministro e ex-presidente do Supremo Nelson Jobim. Gilmar insinuou ter sido chantageado por Lula para retardar o julgamento do mensalão. Lula e Jobim negaram.

Taques e a torcida do Flamengo acham que “alguém está mentindo.” Para o senador, o processo do mensalão, que deveria ser objeto apenas da análise técnica dos julgadores, converteu-se em “bate-boca de boteco.” Algo que “a República não merece.”

De fato, ninguém merece. Mas a encrenca deixa um ensinamento: quando apressam o julgamento de um processo premidos pelas ruas, os magistrados arriscam-se a errar o alvo. Quando retardam demasiadamente o julgamento de um processo a ponto de incendiar o asfalto, viram alvo.
blog Josias de Souza


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Tópicos do dia – 02/06/2012

10:47:45
Ex-diretor do DNIT acusa Serra de caixa 2 e diz que pediu doações em nome do PT
Em uma longa entrevista à revista Istoé, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antonio Pagot, denunciou o que seria o submundo das eleições presidenciais de 2010. Ele afirmou que a campanha do tucano José Serra teria sido financiada por recursos desviados da obra do Rodoanel, em São Paulo, e que teria sido aconselhado por lideranças petistas a procurar empreiteiras para conseguir doações à candidatura de Dilma Rousseff.

Segundo Pagot, o ex-diretor da empreiteira Dersa, Paulo Preto, pediu um aditivo de R$ 260 milhões para o trecho sul do Rodoanel, obra de infraestrutura na Grande São Paulo, a pedido de líderes tucanos. Para o ex-diretor do DNIT, o dinheiro era para grandes decanos do PSDB:
“Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, dispara.

Ele ainda afirmou categoricamente que o desvio de verbas da obra para o caixa 2 da campanha de José Serra era amplamente conhecido nos meios empresariais.

“Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o Rodoanel financiava a campanha do Serra”.

Tesoureiro do PT pediu para arrecadar recursos, garante Pagot

As denúncias de Luiz Antonio Pagot respingam também na campanha da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o então tesoureiro da campanha petista, o deputado José De Filippi (SP), teria o pedido para procurar empreiteiras de grande e médio porte, a fim de arrecadar doações legais para o partido, usando sua influência enquanto diretor de um órgão que administra bilhões em obras públicas.

“Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”.

Pagot apontou, com base na lista de doadores de campanha do PT, 15 empresas que teriam sido cooptadas por ele: Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Mello, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia, Central do Brasil, Lorentz, Sath Construções e STE Engenharia.

Questionado sobre a moralidade de um administrador público procurar empresas para conseguir doações de campanha, ele respondeu com agressividade:

“Ora, qual agente público, ministro que nunca fez isso em época de eleição? Essa porra toda que você tá vendo aí é culpa do financiamento de campanha”, questiona.

CPMI do Cachoeira: “Muitos têm medo do que eu posso contar”

Pagot adota um discurso desafiador quando a CPMI que investiga os tentáculos da quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira entra em pauta. O ex-diretor do DNIT se coloca à disposição da comissão, mas desdenha de seus participantes:

“Duvido que me chamem. Muitos ali têm medo do que posso contar”, argumenta.
Jornal do Brasil

11:20:55
Começou o arrego econômico. China e Índia desaceleram.
De Adam Smith a Keynnes, de Ricardo a Krugman, o mais elementar estudioso de economia sabia ser impossível um país, China, crescer a descomunais 10% ao ano. A ‘debacle’ viria mais cedo ou mais tarde. Na capitalista – há,há,há – China, 400 milhões vivem em guetos capitalistas – a maioria operários reduzidos a condições análogas as de escravos – enquanto 900 milhões de outros chineses vivem ainda a era do neolítico.
1. A China é campeã mundial de acidentes do trabalho
2. Os operários industriais trabalham jornadas esticadas e ganham o equivalente a US$ 400 ou US$ 500 mensais (e até menos), enquanto no Japão, EUA e União Europeia ganham mais de US$ 3 mil. Gerentes e técnicos de alta especialização – raros e bem pagos – recebem cerca de US$ 2.500 por mês (média), quando no mundo desenvolvido ganham acima de US$ 5 mil mensais.
3. Mesmo esse descompanso salarial está apavorando as multinacionais, que, acreditem, consideram que tais níveis salarias estão onerando o custo de produção, e já estão migrando para Tailandia, Vietnã e Bangladesh onde o salário médio de um operário industrial é de US$ 280 mensais (média), chegando no Vietnã a irrisórios US$ 100.
4. Capital não tem pátria nem compromisso com bem estar e desenvolvimento de nenhum país.
José Mesquita – Editor

15:24:06
Brasil: da série “A vida como não deveria ser”.
Perguntado como seu constituinte, Carlos Cachoeira, com todos os bens bloqueados pela justiça iria pagar seus (dele) milionários honorários – R$15 milhões de reais – o probo advogado Márcio Thomás Bastos deu a seguinte, e singela, explicação: “… em casos assim, amigos costumam liquidar a fatura”.
Ah é, é?

16:28:44
Brasil: da série “A vida como não deveria ser”
Na Veja que circula nesse FS: “PT orienta deputados a atacar ministros na CPI do Cachoeira”.
O documento teria sido preparado por petistas com o objetivo de coordenar ações dos companheiros que integram a CPI mista do Cachoeira.
Na lista de alvos:
Gilmar Mendes, e Roberto Gurgel, procurador-geral da República.
De acordo com a matéria da revista são ainda alvos preferenciais: oposicionistas, a imprensa e membros do Judiciário que, de alguma maneira, possar ter ou venham a ter alguma participação para que o mensalão seja julgado no STF. Para Gilmar Mendes estariam reservardos os seguintes assuntos: ‘O processo da Celg no STF’, ‘Satiagraha’, Fundos de Pensão, Protógenes’, ‘Filha de Gilmar Mendes’ e ‘Viagem a Berlim’.
O chefe, quer dizer, o líder do PT na Câmara Federal, deputado Jilmar Tatto, evidentemente, nega tudo.


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Dilma e o fantasma da Delta

Dilma e o fantasma da Delta

Dilma Rousseff pediu a sua assessoria um pente-fino nos contratos da construtora Delta com o governo federal. A presidente da República quer saber se há irregularidade em alguma dessas obras. O Brasil assiste embevecido a mais uma cartada moralizadora da gerente. Mas o ideal seria ela pedir a sua assessoria, antes do pente-fino, uns óculos de grau. Se Dilma não enxergou o que a Delta andou fazendo com seu governo, está correndo perigo: pode tropeçar a qualquer momento num desses sacos de dinheiro que atravessam seu caminho, rumo às obras superfaturadas do PAC.

Como todos sabem, até porque Lula cansou de avisar, Dilma é a mãe do PAC. Por uma dessas coincidências da vida, a Delta é a empreiteira campeã do PAC. Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), as irregularidades nas obras tocadas pela Delta vêm desde 2007. A mãe do PAC teve pelo menos cinco anos para enxergar com quem seu filho estava se metendo. E a Delta era a principal companhia do menino, andando com ele Brasil afora num variado roteiro de traquinagens.

Mas as mães de hoje em dia são muito ocupadas, não têm tempo para as crianças.

Felizmente, sempre tem uma babá, uma vizinha, uma amiga atenta para abrir os olhos dessas mães distraídas. Dilma teve essa sorte, em setembro de 2010. A CGU, que vive controlando a vida alheia – uma espécie de bisbilhoteira do bem –, deu o serviço completo: contou a Dilma e Lula (a mãe e o padrasto) que o PAC vinha sendo desencaminhado pela Delta.

Superfaturamento, fraudes em licitações, pagamento de propinas e variadas modalidades de desvio de dinheiro público – inclusive com criminosa adulteração de materiais em obras de infraestrutura – estavam entre as molecagens da empreiteira com o filho prodígio da então candidata a presidente.

De posse do relatório da CGU, expondo a farra da Delta nas obras do PAC, o que fez Dilma Rousseff? Eleita presidente, assinou mais 31 contratos com a Delta.

Talvez seja bom explicar de novo, para os leitores distraídos como a mãe do PAC: depois da comunicação à administração federal sobre as irregularidades da Delta, a empreiteira recebeu quase R$ 1 bilhão do governo Dilma. Agora, a presidente anuncia publicamente que passará um pente-fino nesses contratos, e a plateia aplaude a faxina. Não só aplaude, como dá novo recorde de aprovação a esse mesmo governo Dilma (64% no Datafolha), destacando o quesito moralização. Infelizmente, pente-fino não pega conto do vigário.

A presidente corre o risco de tropeçar de repente num saco de dinheiro que atravessa o governo rumo ao PAC

Mas o show tem de continuar. E, já que o público está gostando, a presidente se espalha no picadeiro. Depois da farra da Delta, que teve seu filé-mignon no famigerado Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Dilma diz que quer saber se a faxina no órgão favoreceu Carlinhos Cachoeira.

Tradução: depois de ter de demitir apadrinhados de seus aliados porque a imprensa revelou suas negociatas, Dilma quer ver se ainda dá para convencer a plateia de que o escândalo foi plantado pelo bicheiro. É claro que dá: se Lula repete por aí que o mensalão não existiu (e não foi internado por causa disso), por que não buzinar a versão de que o caso Dnit foi uma criação de Cachoeira?

Pelo que revelam as escutas telefônicas da Polícia Federal, o bicheiro operava com a Delta na corrupção de agentes públicos. Dilma e o PT são candidatos a vítimas desse esquema – daí Lula ter forçado a CPI do Cachoeira. O problema na montagem dessa literatura é que a Delta, mesmo depois da revelação do esquema e da prisão do bicheiro, continua recebendo dinheiro do governo Dilma – R$ 133 milhões só em 2012, e através do Dnit…

A atribulada mãe do PAC não notou a Delta, não percebeu Cachoeira, engordou o milionário esquema deles no Dnit durante anos por pura distração – e agora vai moralizar tudo isso com seu pente-fino mágico. Na próxima rodada das pesquisas de opinião, o vigilante povo brasileiro saberá reconhecer mais essa faxina da mulher destemida, dando-lhe novo recorde de aprovação.

Nesse ritmo, a CPI do Cachoeira acabará concluindo que até o escândalo do mensalão foi provocado pelo bicheiro (essa tese já existe). E Dilma conquistará para o PT o monopólio da inocência.
Guilherme Fiuza/Revista Época)

CPI Cachoeira: Delta ‘abocanhou’ R$ 3,2 bilhões do DNIT

Dnit firmou 284 contratos e pagou R$ 3,2 bilhões à Delta.

O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) divulgou nesta sexta-feira todos os contratos que possui com a construtora Delta, suspeita de ligação com o empresário de jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Segundo o órgão, foram pagos à empresa R$ 3,2 bilhões em 284 contratos para obras ou manutenção de rodovias desde 2002.

Os valores não estão atualizados.

Delta deixa de colocar recursos em reforma do Maracanã
Rio inclui Delta em grupo de empresas com contratos investigados
Ministério Público em Minas determina ‘pente fino’ em contratos da Delta
Governo Cabral diz que Delta pode ficar sem contratos no Rio
‘Nunca vi Demóstenes’, diz dono da Delta

Dos 284 contratos, 99 ainda estão ativos, sendo 8 para obras e 91 para manutenção. Estes contratos ativos têm valor original de R$ 2,5 bilhões, sendo que R$ 1,4 bilhão já foram pagos.

O órgão de estradas paralisou 19 contratos com a Delta.

Eles somam R$ 234,7 milhões e deles foram pagos R$ 182 milhões.

O motivo da paralisação não foi divulgado.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Em relação aos contratos encerrados, que somam 166, o órgão pagou à Delta R$ 1,6 bilhão.

A soma de todos os 284 contratos da Delta dá um valor R$ 5 bilhões, sendo que desse valor, R$ 406 milhões foram obtidos através de aditivos, ou seja, valores adicionados após a assinatura.

A Delta é a empresa que mais recebeu verbas do Orçamento do Executivo federal desde 2007.

Em entrevista à Folha publicada na quinta-feira (19), o dono da construtora, Fernando Cavendish, disse que a empresa vai quebrar por conta das suspeitas.

A empresa é acusada de abastecer empresas do esquema de Carlos Cachoeira.
Dimmi Amora/Folha.Com

Chefias do Dnit terão que ser ocupadas por servidores de carreira

Brasil: da série “me engana que eu gosto”!
Até parece que assim será!
O Editor


Determinação está em portaria do Ministério dos Transportes desta terça.
Órgão teve servidores demitidos em julho, após denúncias de irregularidades.

Portaria do Ministério dos Transportes, publicada nesta terça (6) no Diário Oficial da União, determina que apenas funcionários de carreira poderão ocupar cargos de chefia no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

Estão incluídos na nova regra os cargos de coordenadores gerais, superintendentes regionais e chefes dos serviços de Administração e Finanças e de Engenharia das superintendências regionais.

O objetivo da medida, de acordo com a pasta, é garantir a escolha de profissionais capacitados para postos de chefia e coordenação.

“A nova regra que tem como objetivo qualificar os quadros do DNIT, designando profissionais capacitados para o preenchimento de cargos comissionados, valoriza o desempenho dos servidores de carreira e pretende melhorar o desempenho da autarquia”, diz nota divulgada pelo ministério.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

saiba mais

Operações da PF levam à demissão de dois chefes do Dnit

PF faz operação contra desvio de verbas do Dnit em sete estados

CGU aponta ‘prejuízo potencial’ de R$ 682 milhões no Dnit e na Valec

Em julho, cerca de 30 servidores do Dnit, Valec (estatal responsável por ferrovias) e do Ministério dos Transportes foram demitidos por suposto envolvimento em esquema de superfaturamento de obras e direcionamento de licitações, segundo denúncia publicada pela revista “Veja”.

As supostas irregularidades levaram à saída de Alfredo Nascimento do comando da pasta.

De acordo com a portaria, a Diretoria Colegiada do Dnit deverá elaborar em 45 dias proposta especificando os requisitos mínimos de capacitação e qualificação para a seleção dos servidores a cargos de alta hierarquia.

“Os cargos que estiverem ocupados por servidores sem vínculo com o órgão serão gradativamente preenchidos pelos servidores de carreira na medida em que ocorrer sua vacância”, explicou o Ministério dos Transportes em nota.

Ainda segundo a portaria publicada nesta terça, em até 90 dias, deverá ser concluído um Plano de Desenvolvimento Gerencial “para formação continuada de servidores” aptos a ocupar cargos comissionados.
Nathalia Passarinho/G1

Denit: General Jorge Ernesto Fraxe coloca ordem na bagunça

Novo diretor do órgão, Jorge Fraxe imprime estilo militar no comando, com hierarquia e quadros do Exército. Até telefone é atendido por ajudante de ordens

A crise no Ministério dos Transportes despertou em servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) um forte sentimento por mudanças.

O escândalo de corrupção paralisou o órgão, atingiu a autoestima dos funcionários e criou uma expectativa por novos rumos na autarquia.

Toda a cúpula foi trocada pela presidente Dilma Rousseff e, há quase um mês, quem está no comando do Dnit é o general do Exército Jorge Ernesto Pinto Fraxe, de 58 anos. Agora, o sentimento dos servidores, nestes primeiros dias de Fraxe como diretor-geral, é outro: “O Fraxe está militarizando o Dnit.

Até para receber um telefonema quem primeiro atende é um capitão ou um sargento do Exército”, relata um funcionário ao Correio.

Fraxe cercou-se de militares na linha de frente do Dnit, reproduz constantemente jargões do Exército, hierarquizou o comando e a relação com os subordinados e vem adotando medidas duras na retomada de licitações e obras tocadas pelo órgão.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Seu estilo é semelhante ao adotado à frente da Diretoria de Obras de Cooperação do Exército, último cargo exercido antes de ser alçado à Diretoria-Geral do Dnit. O general gosta de explicações longas, didáticas e detalhadas sobre um projeto de engenharia. Mas evita a imprensa e se irrita com informações publicadas pela mídia.

“Cuidado com esse imaginário de vocês de que toda obra tem corrupção por causa de aditivos. Aditivos não são demônios”, disse o general numa das raras entrevistas à imprensa, no último dia 9, ao lado do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

O Correio já mostrou que, na antiga ocupação, Fraxe assinou R$ 19,9 milhões em aditivos para obras da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e outros 14 termos em convênios do Exército com a Companhia Docas do Maranhão (Codomar). No dia da sabatina no Senado, em 23 de agosto, Fraxe passou boa parte do tempo explicando o porquê desses aditivos.

Sabatinado e empossado no Dnit, o general se cercou de colegas da caserna.

O chefe de gabinete é um capitão do Exército. A segurança e o transporte particular também seriam feitos por militares, segundo relatos de servidores.

O diretor executivo do Dnit — segundo cargo mais importante na hierarquia do órgão — atuou ao lado de Fraxe no Exército. “Tive a oportunidade de trabalhar com o general no Exército”, disse o diretor executivo, Tarcísio Gomes de Freitas, durante sua sabatina no Senado. Os dois foram sabatinados na mesma ocasião. Tarcísio começou sua carreira no Exército e depois ingressou no quadro de auditores da Controladoria-Geral da União (CGU).

Empreiteiras

Uma das primeiras ações de Fraxe à frente do Dnit foi abrir conversas com empreiteiras já contratadas. Primeiro, ele viajou a Minas Gerais, onde se reuniu com representantes de oito consórcios de empresas projetistas.

“O anel viário de Belo Horizonte está o caos”, disse na ocasião. Na semana passada, voltou a se reunir com empresários, desta vez na sede do Dnit, em Brasília. A conversa foi com empresas responsáveis pela supervisão das obras.

Fraxe anunciou mudanças nas licitações do Dnit, com menos restrições na seleção, uma forma de atrair mais concorrentes. O anúncio foi feito com o ministro Passos. A todo instante, o general cochichava no ouvido do ministro os detalhes sobre as novas regras.

“Tenho de montar uma verdadeira operação de guerra para tirar da velocidade zero editais e projetos que estão parados”, disse quando lhe foi concedida a palavra. O diretor-geral do Dnit garantiu que vai diminuir a delegação de obras para execução pelo Exército. “O Exército participa de obra pública porque precisa se adestrar para a guerra e para a cidadania.”

Um parlamentar próximo ao general diz que o estilo que Fraxe imprimiu na diretoria do Dnit será reforçado nos próximos meses. “É um estilo duro, de monitoramento permanente, de valorização da gestão. Será uma gestão na base da mão de ferro.”

Quem é ele

Neto de imigrante sírio, Jorge Ernesto Pinto Fraxe nasceu em Boa Vista, capital de Roraima, em 1953. Foi criado em propriedades rurais dos municípios de Caracaraí e Mucajaí. “Conheço a Amazônia um pouquinho, graças a Deus”, disse na sabatina do Senado, em 23 de agosto. A família de Fraxe vive em Manaus: são seis irmãos ao todo.

Ele ingressou no Exército em 1972, na Academia Militar das Agulhas Negras. Três anos depois, diplomou-se oficial de engenharia. Hoje, é general da Divisão Combatente do Exército. Fraxe atuou principalmente na Amazônia, mas esteve também no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sul do país. Suas missões estiveram relacionadas à execução de obras públicas.

O último cargo foi o de diretor de Obras de Cooperação do Exército.

Entre as obras que gerenciou, estão a BR-174, de Manaus a Boa Vista; a BR-401, de Boa Vista até a fronteira com a Guiana; a BR-101, no Nordeste; uma adutora no Seridó Potiguar, no semiárido do Rio Grande do Norte; e um gasoduto ao longo dos rios Urucu, Solimões e Negro, na Amazônia. Em 2009 e 2010, como diretor de Patrimônio do Exército, foi responsável pela instalação de pontes metálicas em regiões onde enchentes carregaram as de concreto.

Recrutas do PAC: Setor privado atrai soldados com oferta de salário mais alto

Soldado Francisco Clailton dos Santos, operador de máquina vibroacabadora em Goiana (PE): “Logo devo sair também” - Foto Ruy Baron/Valor

Sete anos é o tempo máximo que um soldado pode permanecer no Exército quando ingressa por meio do serviço obrigatório. O que tem ocorrido na divisão de engenharia militar, no entanto, é que poucos oficiais têm concluído esse ciclo. Antes disso, a maioria troca a farda pela iniciativa privada, atraída por melhores salários.

“Às vezes ouvimos algumas reclamações de que o Exército estaria tirando parte das obras do setor privado.

A realidade é que essa mesma indústria vem aqui nos quartéis atrás de nossos soldados”, diz o major Marcelo Souza Lima, comandante do destacamento em Goiana, município situado a 70 km de Recife.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Com apoio de instituições como Senai e Senat, os militares têm realizado cursos técnicos nos alojamentos. Quem faz os cursos como os de laboratorista e topografia recebe certificado no final.

“O soldado se tornou um alvo cobiçado pela indústria da construção civil, principalmente depois dessa explosão de demanda em infraestrutura”, afirma o coronel Osmar Nunes, adjunto do centro de operações do primeiro grupamento de engenharia de construção.

“Somos assediados o tempo todo, estamos brigando para segurar o soldado. Você investe quatro anos em um soldado, que se torna um excelente operador de máquina. Vem um engenheiro de empresa aqui e leva na hora, não temos como segurar”, conta Nunes.

A saída dos garotos antes dos sete anos não é encarada exatamente como um problema. A decisão, segundo os militares, é vista como uma colaboração social. A consequência, no entanto, é o atraso nas obras assumidas pelas Forças Armadas. “É preciso considerar que esse aprendizado tem um custo adicional para nós.

Quando um soldado sai, precisamos treinar outro do zero”, afirma o tenente-coronel Marcelo Guedon, do batalhão de engenharia de Cabrobó.

As marcas do treinamento estão bem gravadas nas latarias de tratores, caminhões e motoniveladoras usadas nas obras. “É claro que nossas máquinas são bem mais amassadas que as de uma empresa privada, mas esse é outro custo que temos que absorver, afinal nosso garoto está aprendendo”, diz Guedon.

Hoje, o Exército toca obras em oito aeroportos da Infraero, projetos que somam investimentos de R$ 169,3 milhões. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que atualmente administra 1.080 contratos de obras no país, tem 12 contratos nas mãos dos militares. Dos R$ 41 bilhões de contratos relacionados a obras em estradas, o Exército executa R$ 1,1 bilhão, o que equivale a 2,5% do total.

Nas obras de transposição do rio São Francisco, onde os contratos administrados pelos militares somam cerca de R$ 300 milhões, a missão é entregar 2 km de canais, de um total de 402 km em construção no Eixo Norte, além de uma barragem. No Eixo Leste, os soldados trabalham em uma barragem e nos primeiros 6 km, dos 220 km que formarão o canal.

O preço final dessas obras chega a cair 20% em relação ao que seria cobrado pela iniciativa privada, uma vez que não há custo direto relacionado à mão de obra. A produtividade militar, no entanto, é bem menor que a de uma companhia da construção civil, o que não significa que haja espaço para improvisos.

Com o dedo apontando para uma tabela na parede, Lima detalha as especificações técnicas que são usadas na produção do asfalto. “Isso é a nossa bíblia, o soldado tem que seguir à risca o que está aqui. É o nome do Exército que está por trás dessas obras.”

Entre os poucos soldados que trabalham há mais de quatro anos no quartel de Goiana, está Francisco Clailton dos Santos, de 23 anos.

Operador de uma máquina vibroacabadora, com salário mensal de R$ 1 mil, ele conta que está guardando dinheiro para se casar. A mulher mora no Piauí. Santos gosta de sua rotina, mas não esconde o interesse em ir para a iniciativa privada. “Ainda não recebi o convite de uma empresa, mas tenho vários amigos que já foram. Logo devo sair também”, diz.

No mesmo batalhão, Elievelto Edmar da Silva, chefe de obras em campo, conta que está nos últimos dias de sua missão militar. Ele, que completou 25 anos, se especializou na coordenação de máquinas pesadas. “Lá fora estão pagando R$ 3 mil para um chefe de obras”, diz Silva. “Chegou minha hora de sair.” (AB)

Ruy Baron/Valor

Trânsito mata 247 mil em 7 anos no Brasil

Brasil é país com mais vítimas no mundo; Dnit admite falhas de controle e sinalização

O aumento de 3,9% nas mortes em rodovias federais durante as festas de fim de ano trouxe à tona uma triste realidade: apesar do endurecimento nas leis de trânsito, o país é incapaz de reduzir a tragédia em suas estradas.

Dados preliminares do Ministério da Saúde mostram que 36.666 brasileiros perderam a vida em acidentes automobilísticos em 2008 — o equivalente a cem mortes por dia.

Em sete anos, morreram nada menos que 247.722 brasileiros em acidentes de trânsito. Daria, por exemplo, para lotar três estádios do tamanho do Maracanã.

O diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, admitiu ontem que deficiências no controle de velocidade e na sinalização contribuem para os altos índices de acidentes nas rodovias.

Segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), 455 pessoas morreram nas estradas federais só nos 16 dias da Operação Fim de Ano. O diretor do Dnit afirma que a manutenção das estradas melhorou, mas reconhece que os investimentos não têm surtido o efeito desejado.

Ele atribui boa parte dos problemas à ausência de radares na maior parte da malha rodoviária.

— A manutenção das rodovias tem melhorado a cada ano, mas ainda continuamos com um número muito alto de acidentes. A cobertura de radares e lombadas eletrônicas é muito deficiente, só existe nos municípios onde temos convênio com as prefeituras. Estou angustiado para resolvermos logo esse problema — diz Pagot.

Há dois anos, o Dnit chegou a anunciar a instalação de 3 mil aparelhos. Mas uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) flagrou indícios de irregularidades graves na licitação, o que motivou o cancelamento da compra. O diretor do órgão promete concluir nova concorrência nos próximos meses.

Bernardo Mello Franco e Catarina Alencastro/O Globo