Zika Vírus: A “midiapondria” e os interesses mercadológicos

Remédios,Negócios,Indústria Farmacêutica,Zika,Blog do MesquitaNo início desse mês, o Google News indicava a ocorrência de cerca de 38 milhões de notícias com a palavra “zika vírus”.

Se considerarmos que há uma gama de produtos midiáticos que não chegam ao buscador, esse número deve ser ainda maior.

Por Armanda Miranda – Publicado originalmente no site Objethos, 15/2/2016, sob o titulo “O sika virus e a mediopondria: três momentos de uma cobertura”

O assunto, considerado de interesse público devido aos constantes alertas emitidos pelo Estado e pelos organismos de saúde, tem ocupado também os programas de entretenimento, como os populares Encontro com a Fátima Bernardes e Domingão do Faustão. A tentativa de analisar como tais produtos desenham o fenômeno é importante por dois motivos: o jornalismo produz conhecimento e, como tal, fomenta o debate sobre o assunto.

Como forma de produção do conhecimento, o jornalismo tem um papel muito relevante nos períodos de incerteza: é ele quem se ocupa de tentar organizar as informações e levá-las ao público com uma linguagem abrangente e sem vícios do campo de origem. Se os cientistas se preocupam, agora, em tentar compreender a dinâmica do vírus, os jornais têm a missão de sintetizar isso de modo que a audiência consiga entender melhor o momento sem que para isso precise de um diploma de biologia ou medicina. Este percurso da “tradução” é tradicional no jornalismo científico e também vem sendo a tônica nos produtos do jornalismo especializado em saúde. Nas palavras de Lopes et al (2012, p.131):[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A comunicação mediática passou a ser entendida como o meio privilegiado para aumentar o conhecimento e a consciência das populações sobre os assuntos de saúde, bem como para influenciar as suas percepções, crenças e atitudes, muito para além do clássico modelo de comunicação médico-paciente.

Como campo relevante para a propagação do debate público, o jornalismo traz em seus produtos questões que podem levar à tomada de posição sobre determinados fatos. É assim, por exemplo, que se tem discutido como os agentes públicos podem orientar a prevenção da proliferação do mosquito ou mesmo como o país precisa de mais investimento em ciência e tecnologia para reagir a momentos de incerteza. Ao ter contato com os argumentos difundidos na esfera midiática, por fontes que muitas vezes revelam posições contrastantes, a audiência se sente parte do que ocorre em dimensões que transcendem sua casa, seu bairro, sua cidade.

Também é pertinente identificarmos o jornalismo como um produto cultural. Assim, se a cobertura segue um rumo alarmista, podemos considerar que os agentes públicos também emitem estes alarmes de forma sistemática. Se ela parece confusa e fragmentada, também compreendemos que é por se tratar de um fenômeno novo, em processo, incerto. Não estamos falando que o jornalismo reflete uma suposta realidade, nem isentando os seus produtos dos erros, mas é importante pensar na cobertura dentro de um contexto de indefinições. Os produtos midiáticos são frutos do seu tempo e estão a ele conectados.

Partindo dessas definições do jornalismo, elencamos três diferentes momentos da cobertura sobre o zika vírus. A perspectiva é cronológica, o que não significa que ela seja assumida como absolutamente linear. Os links foram coletados a partir de alertas do Google News para expressões como “zika vírus”, “microcefalia” e “Ministério da Saúde”.

  1. A incerteza

Consideramos o decreto de situação de emergência por conta da associação do zika vírus à microcefalia como o ponto alto do início da cobertura jornalística. Em 11 de novembro, o portal UOL publicou a notícia, em associação às estatísticas da doença divulgadas pelo estado de Pernambuco.

Trata-se de um momento de total incerteza – tanto dos órgãos públicos, quanto dos produtos jornalísticos. Há, também, a ênfase na busca de dados estatísticos, uma das formas mais recorrentes de objetivação dos fatos em textos jornalísticos. Outra preocupação é a de didatizar o fenômeno e elucidar questões que antes era restritas aos corpos médicos.

Os desencontros de informação são evidentes, algo que parece comum diante de um período de incertezas, mas que exige um movimento de análise permanente dos produtores de conteúdo a fim de identificar erros e problemas de informação. A opção por divulgar casos suspeitos também pode ser questionada, especialmente se as atualizações dos dados forem negligenciadas

Neste momento, os produtos jornalísticos tendem a assumir um tom catastrófico, alarmista e sensacionalista – o que pode eventualmente prejudicar as políticas de contenção formuladas pelos órgãos públicos ou mesmo originar uma epidemia que não existe. A ânsia em sair na frente e em produzir informações sobre algo ainda desconhecido pode resultar em prejuízos para a audiência, que não raramente tem no jornalismo sua principal fonte de informação.

  1. Adesão à ciência

Em um segundo momento da cobertura, percebeu-se a busca contínua de didatização do fenômeno, na tentativa de minimizar as sensações de riscos. Entraram, aí, as notícias que se propunham a derrubar mitos e as que se comunicavam com o leitor no sentido de fazê-lo compreender informações que antes circulavam de modo restrito. A prevenção também passou a ser pauta, com destaque para dicas práticas e utilitárias.

Foi nesta fase, também, que identificamos um movimento interessante a ser estudado: a transformação dos cientistas e pesquisadores brasileiros em definidores primários. Se no primeiro momento da cobertura os agentes públicos e organismos de saúde tinham o peso das fontes oficias, neste segundo momento os próprios cientistas passaram a ser visados pelos jornalistas. Mais do que isso: a imprensa começou a acompanhar o trabalho de centros de referência, como a Fiocruz.

Tradicionalmente, o jornalismo científico é criticado por se ater às descobertas e às certezas (sempre incertas, diga-se) produzidas pela ciência. Neste caso, o movimento pareceu diferente, voltado também aos processos, como no caso do acompanhamento de uma equipe de investigadores da Universidade de São Paulo ou até mesmo na humanização da figura dos cientistas, algo pouco comum em coberturas desse tipo.

O problema, aqui, é partir para um outro extremo: o de fortalecer a fé na ciência, como se a ela nada pudesse escapar. Em períodos de incerteza, é comum que determinadas instituições se fortaleçam. Se o poder público pode ser elevado ao posto de culpado por não conseguir conter uma suposta crise, os cientistas ganham o status de potenciais pontos de fuga dessa mesma crise. Reforça-se, assim, o estereótipo da ineficiência do Estado e da crença segura na ciência.

  1. O caminho do debate público

Identificamos, agora, um terceiro momento da cobertura da epidemia: o fortalecimento dos argumentos que constituem o jornalismo como um espaço de debate público. É o que temos acompanhado, por exemplo, nas discussões acerca da legalização do aborto para gestante com fetos diagnosticados com microcefalia.

O debate promete acirrar argumentos favoráveis e contrários à indicação da interrupção da gravidez, envolvendo o poder público e o judiciário e a religião. A cobertura também busca a humanização da temática, recorrendo a histórias de vida de jovens com microcefalia e abordando a temática social que emerge desta questão.

Trata-se, em suma, de um momento de mobilização de fontes antagônicas, da busca da racionalidade científica de um lado (ou do saber médico, como preferiria o filósofo Michel Foucault) e do apelo à religião e à política de outro. A polêmica, evidentemente, alimenta o debate e também mobiliza a audiência, gerando engajamento, cliques e compartilhamentos.

Neste mesmo momento, a ciência ainda revela suas incertezas, os agentes públicos continuam a se manifestar na tentativa de reduzir danos e de acenar para a prevenção. Por outro lado, os desencontros de informação (aqui e aqui, por exemplo) e a ênfase nas estatísticas também persistem. Ao divulgar os casos suspeitos – com números sempre altos – , o poder público e a imprensa tendem a aumentar a sensação de pânico e de incerteza, o que pode motivar na audiência uma dependência cada vez maior dessas informações, ainda que estas sejam tão duvidosas quanto é o próprio vírus.

O protagonismo do (bom) jornalismo especializado em saúde

Ao tentar  levantar a cronologia da cobertura jornalística sobre o zika vírus, podemos concluir, ao menos no estágio em que estamos hoje, que os produtos midiáticos alimentam o que chamaremos de midiapondria: uma necessidade permanente por parte da audiência de receber informações atualizadas sobre pautas da área.

Mas quem calcula essa necessidade? Como os jornalistas sabem que o leitor realmente está interessado neste volume de pautas? Por um lado, seria um interesse óbvio, considerando que o jornalismo é produto cultural e estamos sintonizados a uma era de cuidados com o corpo e com a mente, uma era da saúde perfeita, como já disse o filósofo Lucien Sfez. Por outro, não se pode desconsiderar que se trata de um interesse dos próprios veículos, de seus financiadores e da estrutura biopolítica à qual estamos integrados. Nas palavras de Kucinsky (2012), esta temática também precisa ser compreendida à luz dos interesses mercadológicos que projeta:

“Revistas como a Veja produzem capas de saúde regularmente, porque são as capas que vendem, na concepção de mercado que eles têm; mesmo quando está caindo um World Trade Center, eles fazem questão de a cada três ou quatro edições dar uma capa de saúde. (…) Então nós vemos que há uma espécie dum turbinamento: a saúde é vendida como mercadoria e, portanto, na mídia ela é mais mercadoria ainda, é dupla-mercadoria porque tem que ser muito mercadológica a forma como é apresentada, a forma como é tratada”.

Em qualquer cenário, o jornalismo especializado em saúde acaba alçado ao papel de protagonista de um tempo de indefinições. Por conta disso, é importante que ele esteja alinhado às estratégias de prevenção, sem apelar para um tom catastrófico e alarmista e buscando organizar os fatos de forma a minimizar dúvidas. Para os midiapondríacos, nenhum remédio é melhor do que a informação de qualidade.

Armanda Miranda é doutoranda no POSJOR/UFSC e pesquisadora do Objethos

Referências:
KUSCINSKY, Bernardo. Jornalismo e Saúde na Era Neoliberal. Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v11n1/10.pdf. Acesso em: 10 de outubro de 2013.
LOPES, Felisbela et al. (org). Ebook. A saúde em notícia. Repensando práticas de comunicação. Universidade do Minho. 2013. Disponível em: <http://www.ics.uminho.pt/uploads/eventos/EV_8167/20131217286093508750.pdf&gt;. Acesso em: 12 dez. 2013.

Em meio a temor internacional, Rio anuncia novas medidas contra zika para Olimpíada

Prevenção contra mosquito é melhor forma de acabar com doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

As vistorias de obras de instalações olímpicas já ocorrem de forma constante e, segundo a Prefeitura, integram as ações contínuas, sendo o objetivo principal eliminar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus da dengue e chikunguya e do zika vírus.

Mas após a crescente preocupação da imprensa internacional e de outros governos sobre a possibilidade de os turistas espalharem o vírus e os riscos para mulheres grávidas ou que estejam tentando engravidar, devido às suspeitas de que o zika esteja relacionado à microcefalia, a BBC Brasil questionou a Prefeitura do Rio sobre os planos para o período dos Jogos.

 

De acordo com as informações adiantadas à BBC, o Rio deve intensificar o trabalho de vistoria das instalações olímpicas a partir de abril, quatro meses antes da cerimônia de abertura da Olimpíada, marcada para o dia 5 de agosto. O objetivo do trabalho é identificar focos do Aedes aegypti e garantir que as obras, em fase final, não contribuam para a proliferação do mosquito.

Não foi informado se o efetivo atual de 3 mil agentes que trabalham no controle ao mosquito será aumentado para o período.

Já a 30 dias das competições, haverá uma vistoria em todas as instalações olímpicas, desta vez com outro intuito: determinar a necessidade de borrifar inseticida com máquinas instaladas em caminhonetes, procedimento conhecido como fumacê.

Foto: Divulgação / Prefeitura São José dos CamposAplicação do inseticida por meio de procedimento conhecido como fumacê tem sido utilizada em cidades do interior de SP para prevenir proliferação do mosquito

“No mês que antecede os Jogos, todos os locais de competição e de grande aglomeração de público e seus arredores serão vistoriados, quando será eliminado qualquer possível reservatório remanescente das obras e tratados os não passíveis de eliminação, para evitar o surgimento de focos do mosquito. Se houver indicação técnica de aspersão de inseticida (fumacê), isso será feito”, acrescenta a nota enviada à reportagem.

Após o início da Olimpíada, outra estratégia será distribuir agentes fixos em cada instalação olímpica, mantendo um combate e vigilância diretos.

“Equipamentos de dimensões maiores e com cronograma de atividades mais extenso podem ter até três agentes fixos. Eles atuarão diariamente na busca, eliminação ou tratamento de depósitos que possam se tornar potenciais focos do mosquito”, acrescenta a nota.

Borrifar inseticida no entorno ou interior dos locais de competição após o início dos Jogos, no entanto, está descartado.

“Durante a Olimpíada, o trabalho dos agentes será constante nessas áreas, não haverá, porém, aspersão de inseticida nas regiões dos equipamentos esportivos, visto que se trata de um produto químico, com uso contraindicado em áreas onde haja grande concentração de pessoas”, explica.

Questionada especificamente sobre áreas turísticas além dos locais de competição, a Prefeitura disse que o trabalho cotidiano dos agentes já inclui estas regiões, como aeroportos, rodoviárias, praias, parques, e que até o momento não estão previstas ações específicas por conta dos Jogos.

Maioria dos casos de microcefalia causada pelo zika é em Pernambuco

Alertas para grávidas e imprensa internacional

A atenção em torno da epidemia de zika no Brasil e a proximidade com os Jogos Olímpicos aumentou nos últimos dias, com os alertas do Centro de Controle de Prevenção de Doenças americano (CDC) e da Agência de Saúde Pública do Canadá, ambos no dia 15, e do Centro de Controle de Prevenção de Doenças da União Europeia (ECDC), na última quinta-feira.

Os três comunicados pedem que neste momento mulheres grávidas evitem viajar ao Brasil e demais países da América Latina que atualmente enfrentam uma epidemia do zika vírus devido às suspeitas de que o vírus cause a microcefalia. O país já contabiliza, até o dia 20 de janeiro, 3.893 casos suspeitos de bebês nascidos com microcefalia em 21 Estados, sendo a maioria em Pernambuco (1.306), Paraíba (665) e Bahia (496).

De acordo com números atualizados pela Secretaria Municipal de Saúde, o Estado do Rio de Janeiro tem 166 casos suspeitos, sendo 92 na capital.

Questionada sobre o alerta internacional, a Prefeitura do Rio não mencionou nada sobre as mulheres grávidas, mas disse à BBC Brasil que “está tomando todas as medidas no combate ao mosquito transmissor do zika vírus. O trabalho vem sendo feito não apenas visando os Jogos Olímpicos e os visitantes que estarão na cidade, mas principalmente para a população do Rio”.

O infectologista Jessé Reis Alves, coordenador do Ambulatório de Medicina do Viajante do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo, concorda com os alertas das agências internacionais.

“Às mulheres que estiverem grávidas e que vivem em locais onde não existe o risco, caso o zika vírus ainda estiver em grande circulação na época dos Jogos, eu diria que elas têm que considerar a possibilidade de não fazer essa viagem”, diz.

Situação de zika e microcefalia preocupa autoridades

Ligado ao hospital que é referência nacional em infectologia e doenças tropicais, ele deixa claro que seu posicionamento não é uma recomendação geral, mas sim de um alerta específico para quem, na sua opinião, integra a população mais vulnerável diante da epidemia, devido às suspeitas de ligação com a microcefalia.

“Não é uma recomendação governamental, não posso fazer isso. É uma opinião pessoal minha. Até porque trata-se de algo muito delicado. E as mulheres grávidas que estarão no Rio de Janeiro? Como vão se sentir, diante dos crescentes alertas de que gestantes deveriam evitar vir para o Brasil?”, pondera o infectologista.

O assunto tem ganhado as páginas dos jornais ao redor do mundo. Na terça-feira, o britânico The Guardian disse que o “Brasil minimiza ameaça do zika vírus na corrida para o Carnaval e a Olimpíada do Rio”. Dois dias antes, o americano The New York Times afirmou que “O alerta sobre o zika ressalta a luta da América Latina contra as doenças causadas por mosquitos”.

Para o Sydney Morning Herald, da Austrália, as “Mulheres grávidas enfrentam a ameaça do vírus diante dos Jogos Olímpicos do Brasil”. Já o tablóide britânicoDaily Mail foi mais incisivo “Não vá para a Olimpíada do Rio se você estiver grávida: Gestantes são alertadas para não viajar ao Brasil enquanto zika vírus, causado por mosquito, atravessa o país ‘gerando o nascimento de bebês com cabeças pequenas fora do comum’”.

Medidas

Para o infectologista Jessé Reis Alves, do Emílio Ribas, todo evento de massa como uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada gera riscos de transmissão de doenças.

“Quando estamos falando de um evento tão grande como a Olimpíada, e concentrado numa cidade, o combate ao vetor realmente tem que ser a grande estratégia, e é crucial que todas as medidas adequadas sejam desencadeadas”, diz, relembrando que o combate a criadouros, orientação informativa aos turistas e reforço nas ações de saúde pública serão importantes.

Sobre medidas específicas para o período da Olimpíada, o Ministério da Saúde disse que “está reforçando o pessoal para as visitas a residências que visam a eliminação e controle do mosquito em todo o país”.

Leia também: Agência dos EUA pede que grávidas evitem Brasil e outros países da AL

A pasta informou ainda que no Rio de Janeiro “já atuam 14,6 mil agentes comunitários de saúde e 2.267 agentes de combate a endemias. A orientação é para que esse grupo atue, inclusive, na organização de mutirões de combate ao mosquito em suas regiões”.

E ao comentar sobre o período olímpico, o ministério citou o frio como um dos fatores de redução dos riscos.

Período da Olimpíada, em agosto, não costuma ser de proliferação do mosquisto, nem de doenças relacionadas a ele, dizem autoridades

“O período em que serão realizadas a Olimpíada é considerado não endêmico para transmissão de doenças causadas pelo Aedes aegypti, como zika vírus, dengue e chikungunya. Em 2015, agosto foi o mês com menor incidência de casos de dengue no país”, diz a nota.

Para a infectologista Sylvia Maria Lemos Hinrichsen, coordenadora do Comitê de Medicina de Viagem da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), é importante que o governo federal se atente à dimensão dos Jogos Olímpicos.

“A Olimpíada pode ser no Rio, onde os casos suspeitos de microcefalia estão em número inferior ao de outros Estados, e os Jogos ocorrem durante o inverno. Mas esses atletas, comissões técnicas e sobretudo os milhares de turistas vão viajar por todo o Brasil. Fora os brasileiros que também viajarão. É um evento nacional, e é deste ponto de vista que temos que pensar as políticas públicas”, diz.

Para a especialista, ainda há muitas questões importantes que seguem desconhecidas.

“Ainda não temos o exame sorológico rápido, não sabemos a viremia (tempo em que o vírus permanece de forma infectante na corrente sanguínea), precisamos conhecer melhor as formas de transmissão. É algo que traz muitos riscos, e estamos focando muito na microcefalia, mas ainda há muito a descobrir sobre esta doença”, diz.

O Brasil tem 3.893 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao zika vírus

Quanto às orientações para turistas estrangeiros, o Ministério da Saúde ressaltou que mantém um portal com informações em português, inglês, espanhol e francês e relembrou medidas do Ministério do Turismo, que no início do ano enviou orientações e alertas a 56 mil mil hotéis, bares e restaurantes, agências de viagens e transportadores turísticos em todo o país acerca dos cuidados com a proliferação do Aedes aegypti e os riscos da dengue, chikungunya e do zika vírus.

“No material estão listadas as medidas que devem ser tomadas nos locais com potencial para proliferação do mosquito como jardins, quintais, cozinhas, depósitos, animais de estimação e banheiros. Como os meses de janeiro e fevereiro são de alta temporada no Brasil, o Ministério do Turismo também tem orientado o turista, antes de viajar, a ficar atento para evitar que a própria casa transforme-se em um criadouro para o mosquito. São informações como cuidados com piscina, geladeira e caixa d’água”, acrescenta a nota.
Jefferson Puff – @_jeffersonpuffDa BBC Brasil no Rio de Janeiro

Genética indica origem polinésia do zika vírus

Aedys,Epidemia,Zika,Dengue,Brasil,Microcefalia,Blog do MesquitaPesquisadores do Instituto Pasteur da Guiana sequenciaram o genoma completo do zika vírus. Segundo sua análise genética, o patógeno que se espalha por toda a América é aparentado do vírus que castigou várias ilhas do Pacífico em 2013 e 2014.

No ano seguinte apareceram os primeiros casos no Brasil. No país, o número de casos suspeitos de bebês nascidos com microcefalia já chega a 3.893, segundo o mais recente boletim divulgado pelo Ministério da Saúde.

Com mais de um milhão de infectados em menos de um ano, os efeitos do zika vírus não costumam ser severos e não vão além de uma erupção no rosto (exantema) e um pouco de febre.

Às vezes coincide com o aparecimento de um transtorno autoimune, a síndrome de Guillain-Barré.

Em raras ocasiões, este arbovírus (ou seja, que usa antrópodes como vetor de transmissão) pode provocar a morte, mas quase sempre como causa concomitante. O que é aterrador, porém, é que o zika vírus parece não ter compaixão dos não nascidos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

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Ainda não se estabeleceu uma conexão causal entre o vírus e a microcefalia em recém-nascidos que vem ocorrendo na atual epidemia, mas está longe de ser uma coincidência. No Brasil, até o dia 20 de janeiro, o Governo contabilizava 3.893 casos suspeitos de microcefalia, sendo que na maioria dos casos ainda era investigada a ligação da doença com a contração do vírus.

Deste total, 49 bebês morreram por malformação congênita, todos na região Nordeste, sendo que em cinco casos foi confirmada a relação com o zika. Em muitos dos casos detectados, além disso, os ainda pequenos apresentavam graves lesões nos olhos, entre outras lesões cerebrais. Também afetada, a Colômbia desaconselhou as mulheres a engravidarem em 2016, por medo da epidemia de microcefalia.

“Esses defeitos são provocados somente pelo zika vírus, a propagação conjunta com outros agentes infecciosos ou por outros fatores? Precisamos pôr em andamento projetos de pesquisa multidisciplinares para resolver essas incógnitas”, diz em uma nota a responsável pelo laboratório de virologia do Instituto Pasteur na Guiana, centro de referência em arbovírus, Dominique Rousset. Rousset e seus colegas já deram o primeiro passo sequenciando o genoma do vírus.

No final do ano passado as autoridades sanitárias do vizinho Suriname começaram a detectar os primeiros casos de zika e pediram ajuda ao Instituto Pasteur. Chegaram a seu laboratório amostras de quatro casos que, depois de se descartar que se tratasse de dengue ou chikungunya, deram positivo para esse arbovírus, também transmitido pelo mosquito da febre amarela (Aedes aegypti) e, em menor medida, pelo Aedes albopictus, mais conhecido como mosquito tigre.

De uma das amostras os pesquisadores puderam sequenciar o genoma completo. Das outras três, obtiveram informação genética de uma proteína presente no envoltório viral, a camada externa que protege o vírus e que toma emprestada das células que infecta. Com todos esses dados, os cientistas puderam criar uma árvore filogenética da cepa que está castigando as terras americanas.

Os resultados, publicados na revista The Lancet, indicam que o zika americano não pertence à linhagem africana (continente onde se descobriu o vírus em meados do século passado), mas ao asiático, de mais recente surgimento. De fato, a análise de seu genoma mostra uma homologia de 99,7% com a cepa responsável pelo surto na Polinésia francesa em 2013.

Um olhar à árvore filogenética com um mapa do mundo na mão convida a desenhar a rota que o zika vírus seguiu ou, melhor dizendo, seus vetores, os mosquitos. A origem do genótipo asiático remonta a 1966, com os primeiros casos na Malásia.

Mas a cepa americana atual é muito aparentada com a que apareceu na ilha de Yap, nas Carolinas, em 2007. Depois foi a vez da Tailândia e Camboja. Mais tarde, e quase saltando de ilha em ilha, o zika vírus alcançou as Ilhas Salomão, Vanuatu, Ilhas Cook e a Polinésia Francesa, até chegar à ilha de Páscoa. Os casos seguintes já se deram no continente americano.
MIGUEL ÁNGEL CRIADO/ElPaís

Carnaval é ‘coquetel explosivo’ para espalhar zika, alertam infectologistas

Foto: APAlta concentração de pessoas em cidades com casos de víus zika preocupa infectologistas.

Image copyright AP

A passagem de milhares de turistas por capitais com tradicionais carnavais de rua em Estados com alto número de casos de bebês nascidos com microcefalia e suspeita de ligação com o zika vírus pode representar um “coquetel explosivo” e ajudar a espalhar ainda mais a doença pelo país, alerta a coordenadora de virologia clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia, Nancy Bellei.

Até o momento há 3.530 casos de microcefalia relacionados ao zika em 21 Estados.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Para os especialistas, o Carnaval reúne fatores de risco preocupantes para o aumento da transmissão do zika, num momento em que a epidemia ainda se encontra em curva de ascensão no Brasil.

O alerta se soma a um comunicado da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, escritório regional nas Américas da Organização Mundial da Saúde), que nesta segunda-feira relatou aumento de casos da síndrome de Guillain Barré em países com epidemias de zika. Em julho de 2015, 42 pessoas foram confirmadas com a doença, que causa problemas neurológicos, na Bahia.

O “coquetel explosivo” do Carnaval inclui, segundo os infectologistas, as grandes aglomerações de pessoas, em geral com poucas roupas e mais vulneráveis às picadas do Aedes aegypti (mosquito transmissor de dengue, chikungunya e zika), a possibilidade de chuvas, a maior quantidade de lixo nas ruas e, por consequência, mais chance de potenciais criadouros do mosquito.

Isso se soma ao maior numero de relações sexuais sem proteção e risco de gestações indesejadas justamente nos locais de maior incidência do vírus relacionado à má-formação fetal, dentre outras consequências ainda pouco conhecidas.

Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, dos 3.530 casos de microcefalia relacionados ao zika em todo o país, 1.236 estão em Pernambuco, primeiro Estado a identificar o aumento do problema, onde foi decretado o estado de emergência desde novembro. Em segundo está a Paraíba, com 569 casos, e em terceiro a Bahia, com 450 ocorrências. O Rio de Janeiro fica em 9º lugar, com 122 casos.

A BBC Brasil ouviu infectologistas sobre os alertas e a preocupação com o potencial de aumento da epidemia, e questionou como estão os esforços de prevenção e contenção do problema junto ao Ministério da Saúde e às prefeituras de Recife, João Pessoa, Salvador e Rio de Janeiro – capitais com expressivos carnavais de rua e onde há forte presença do Aedes aegypti e de casos de microcefalia.

Alerta, riscos e ‘coquetel explosivo’

Nancy Bellei, coordenadora de virologia clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), cita a preocupação com a transmissão sexual devido a um estudo de 2011 que teria documentado como um cientista americano vindo do Senegal, que passava por um surto de zika, teria transmitido a doença para a mulher, nos Estados Unidos, através do sêmen.

“Ainda precisamos de mais estudos sobre a relevância epidemiológica dessa forma de transmissão, mas até pouco tempo também não sabíamos da ligação entre o zika e a microcefalia. É uma doença nova, sobre a qual ainda não se sabe muito. Não precisamos esperar para nos protegermos. Não se pode descartar a chance de termos até um aumento de casos de zika após o Carnaval justamente pelo contato sexual”, diz.

Nancy explica que o potencial de propagação do zika devido ao Carnaval também depende da existência do mosquito nos locais de origem dos turistas.

“Se a pessoa vai para uma capital com grande Carnaval de rua, é picada e infectada pelo zika e volta para sua cidade mas lá não há o mosquito, ela vai adoecer, se tratar, e tudo bem. Agora, se o local de origem tiver o Aedes, o mosquito pode picar essa pessoa, receber o vírus e introduzir a doença num local até então livre dela”, explica.

Segundo a especialista, o Aedes é encontrado em todos os Estados, mas a região Sul estaria menos vulnerável, por ter clima mais frio e tradicionalmente apresentar menor incidência do mosquito.

Foto: GettyEspecialista alerta que foliões que forem para áreas afetadas pelo mosquito Aedes aegypti procurem atendimento se tiverem febre. Image copyright Getty

A pesquisadora Elaine Miranda, professora da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fiocruz, no Rio de Janeiro, concorda que o alerta é oportuno e diz que, dadas as características de massa de um evento como o Carnaval, quando a capacidade de resposta das unidades de saúde tende a ser superada, é crucial que as cidades estejam preparadas para receber milhares de foliões em meio a uma epidemia em curso.

“Medidas de controle já vêm sendo implementadas em todas as capitais referidas. No entanto, a complexidade do controle do mosquito e consequentemente da transmissão do vírus vai muito além de medidas pontuais e pensadas para eventos de massa, tais como o Carnaval”, avalia.

Bellei afirma que é primordial que se faça um alerta muito claro. “Eu acho um erro ignorar estes riscos e não fazer um grande alerta. O Brasil tem essa cultura, de que se você fala a verdade está disseminando o pânico. Em outros países é diferente”, diz.

Para ela, é importante deixar claro que as pessoas estão viajando para uma área de alta infestação de Aedes aegypti, e que se voltarem para casa com febre sem nenhum outro sintoma de infecção precisam procurar atendimento médico para serem investigadas para dengue, chikunguya ou zika.

Precaução e recomendações

Na visão das especialistas é importante que as pessoas tentem se proteger e tomem medidas de precaução durante o Carnaval. Elas também cobram medidas do Ministério da Saúde e das prefeituras de grandes capitais acostumadas a receber milhares de turistas.

“Práticas educativas e de alertas para os foliões são tão bem-vindas como são estas mesmas práticas para a população em geral. Sem dúvida todos devem ser orientados a agir em seu próprio benefício suscitando, assim, uma mudança de comportamento e consequente redução da vulnerabilidade”, diz Elaine Miranda, da Escola Nacional de Saúde Pública.

Para os foliões, as principais recomendações são colaborar no controle do mosquito, evitando deixar água parada, além do uso de preservativos nas relações sexuais. O uso de repelentes pode ajudar, desde que o produto seja reaplicado conforme as orientações do fabricante. Usar calça e camisas compridas também pode ajudar, diminuindo a área exposta ao mosquito – algo difícil de ser colocado em prática em meio às altas temperaturas dos blocos de rua.

Quanto às prefeituras, as especialistas recomendam ações intensificadas de controle do mosquito, além de uma preparação das unidades de saúde pública e cartilhas informativas, alertando sobre riscos e a necessidade de se proteger, além das orientações de procurar atendimento médico o mais rápido possível em caso de febre sem indicações claras de outras infecções.

Consultado pela BBC Brasil, o Ministério da Saúde diz que tem fortalecido a capacidade de atendimento e articulação do SUS em cidades que recebem grande influxo de turistas e que o país está habituado a sediar eventos de massa com sucesso, tais como a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo.

Em nota, o ministério também destacou o site www.saude.gov.br/viajante, no ar desde maio de 2013, onde há dicas de prevenção e cuidados durante viagens para brasileiros e estrangeiros nos idiomas português, inglês, espanhol e francês.

Foto: AFP
Ministério do Turismo alerta turistas para que não deixem que suas casas virem criadores de mosquito quando estiverem fora. Image copyright AFP

O governo também cita um comunicado especial enviado pelo Ministério do Turismo no início de janeiro a 56 mil hotéis, bares e restaurantes, agências de viagens e transportadores turísticos em todo o país acerca dos cuidados com a proliferação do Aedes aegypti e os riscos da dengue, chikungunya e do zika vírus.

“No material estão listadas as medidas que devem ser tomadas nos locais com potencial para proliferação do mosquito como jardins, quintais, cozinhas, depósitos, animais de estimação e banheiros. Como os meses de janeiro e fevereiro são de alta temporada no Brasil, o Ministério do Turismo também tem orientado o turista, antes de viajar, a ficar atento para evitar que a própria casa transforme-se em um criadouro para o mosquito. São informações como cuidados com piscina, geladeira e caixa d’água”, acrescenta a nota.

Saiba o que cada cidade planeja:

1. RECIFE

A capital do Estado mais afetado pelo zika até o momento, com 1.236 casos de microcefalia relacionados ao vírus e estado de emergência decretado desde novembro, tem um dos carnavais de rua mais agitados do país. Em 2015 foram mais de 1 milhão de foliões, aumento de 17% em relação a 2014. A prefeitura informou as seguintes medidas à BBC Brasil:

  • Intensificação do combate ao mosquito desde o primeiro semestre de 2015;
  • Reforço das Forças Armadas que teria ajudado a controlar a epidemia em junho;
  • Mutirões para identificar focos do mosquito no circuito do Galo da Madrugada, no centro do Recife, e em palcos da Prefeitura nos bairros;
  • Trabalho de orientação e conscientização com 500 organizadores de blocos;
  • Panfletagem em todas as entradas e saídas da cidade com panfleto bilíngue orientando sobre a procura do atendimento médico assim que o indivíduo apresente qualquer sintoma;
  • Orientação do uso do preservativo e prevenção de gravidez indesejada.

2. JOÃO PESSOA

Embora não esteja entre os maiores carnavais do país, a Folia de Rua, projeto que agrega dezenas de blocos uma semana antes do Carnaval, reuniu cerca de 300 mil pessoas em João Pessoa em 2015. Capital do Estado com o segundo maior numero de casos de microcefalia relacionados ao zika (569), a cidade deve preparar com as seguintes medidas:

  • Controle de vetores e ações educativas;
  • Utilização do carro “fumacê” nas áreas de concentração e desfiles dos blocos, rodoviária e estação ferroviária, e em torno dos retiros religiosos entre 25 de janeiro a 19 de fevereiro;
  • Visitas e batidas a locais onde haja foco do mosquito em ação conjunta com soldados do Exército Brasileiro.

3. SALVADOR

De acordo com o governo baiano, o Carnaval de Salvador reuniu 700 mil foliões em 2015, e somente pelo aeroporto da cidade passaram mais de 35 mil pessoas por dia durante a festa. Capital do Estado com o terceiro maior número de casos de microcefalia relacionados ao zika (450), a cidade informou à BBC Brasil as seguintes medidas:

  • Ações diversas iniciadas no dia 4 de dezembro de 2015, com início das festas de fim de ano, que só se encerrarão no fim do Carnaval;
  • Estabelecimento de call center para receber denúncias de focos de mosquito e fornecer orientações sobre a doença (71 3208 1808);
  • Uso de inseticida em torno de todas as UPAs da cidade durante o Carnaval;
  • Inspeção e borrifação de inseticida em torno dos palcos em alguns bairros e nos três circuitos oficiais Dodô (Ondina), Osmar (Avenida Sete) e Batatinha (Pelourinho), incluindo bocas de lobo, antes e depois do período do Carnaval;
  • Trabalho educativo em aeroporto, rodoviária e nos circuitos da festa, distribuindo a “mãozinha da dengue”, que serve como um leque, com elástico, e traz orientações de prevenção;
  • Orientação sobre uso e distribuição de preservativos, além da fiscalização do descarte dos banheiros químicos;
  • Técnica do bloqueio, quando se envia uma equipe até a casa da pessoa infectada para borrifar inseticida e tentar bloquear transmissão para outras pessoas.
Foto: Getty
Carnaval do Rio de Janeiro levou 4,7 milhões de pessoas às ruas em 2015
Image copyright Getty

4. RIO DE JANEIRO

O Carnaval do Rio levou 4,7 milhões de pessoas às ruas em 2015, 300 mil a menos do que os 5 milhões registrados em 2014. Destes, 977 mil eram turistas, segundo a Riotur. Os maiores blocos da capital do Estado em 9º no ranking de microcefalia relacionados ao zika, com 122 casos, costumam reunir de 350 mil a 1 milhão de pessoas. A Prefeitura do Rio informou as seguintes medidas:

  • As ações de prevenção e combate ao mosquito intensificadas no verão, com mais de 3 mil agentes de vigilância ambiental em saúde;
  • Monitoramento diário de focos do mosquito, independentemente de grandes eventos na cidade;
  • Vistorias no sambódromo e em seu entorno, na Cidade do Samba e nas quadras das escolas de 15 em 15 dias no período do Carnaval.

Na nota enviada à BBC Brasil, a Prefeitura do Rio também aproveitou para adiantar medidas relacionadas aos Jogos Olímpicos, quando milhares de turistas passarão pela cidade.

“Em relação às Olimpíadas em agosto, apesar de ser uma época com menos incidência do mosquito, a Prefeitura vai intensificar as inspeções. Cerca de um mês antes da abertura dos Jogos, uma equipe vai percorrer todos os locais de competição para eliminar possíveis focos do vetor e, durante os Jogos, uma equipe fixa estará focada nas instalações olímpicas”, diz o comunicado.
Jefferson Puff /BBC

Vacinas, Microcefalia, demografia e teorias conspiratórias

VACINA CONTRA DENGUE. Ouve-se espoucar de fogos na casa de Thomas Malthus na Inglaterra, lá no Sec. XVIII, considerado o teórico do controle demográfico.

Medicina,Bill Gates,Vacinas,Bilderberg,Controle Demográfico,Saúde Pública,Blog do Mesquita,Dengue,Chikugunha,Microcefalia,Thomas Malthus,RubéolaA tradução do que tio Bill escreve acima e abaixo o link para o vídeo onde ele se apresenta confirmando o que escreveu:

O mundo tem 6.8 bilhões de habitantes, e caminha para 9 bilhões.
Se nós conseguirmos fazer um bom trabalho com as novas vacinas, com o sistema de saúde, com o sistema de Saúde reprodutiva, nós talvez poderemos diminuir esse crescimento entre 10% e 15%.
Bill Gates – Microsoft globalista. Membro de grupo Bilderberg.
http://youtu.be/6WQtRI7A064

Retorno;

Aí tem controle demográfico embutido nessa e em outras vacinas, principalmente às ministradas em países do 3º mundo.
Não tenho como provar porque não sou biólogo, mas tem.
Alguém pode informar à esse ignorante maldoso aqui se essa vacina foi testada em algum país do primeiro mundo?[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Há dengue, por exemplo, no sul da Inglaterra, na Califórnia, na Florida, no Japão, isso para ficar somente no primeiro mundo. Alguém sabe informar se essa vacina foi testada em pessoas por lá?

Acordem as Alices e os Alices!

O Idiota útil é suficientemente idiota para perceber que é útil e quem o utiliza.
Zika vírus? Mais uma vez o povo é feito de idiota. A má formação cefálica, chamada Microcefalia não tem nada a ver com o mosquito da dengue.

O que realmente aconteceu foi que o governo mandou um lote de vacina vencida para combater a rubéola nas gestantes. Esse lote, foi enviado para a região nordeste. Algumas entidades não governamentais estudaram juntos com experientes médicos da área, e descobriram que os mosquitos não estão ocasionando os casos de microcefalia e sim, uma vacina contra rubéola que as grávidas recebem quando estão gestante.

Pergunto: Porque só aqui no nordeste estão aparecendo esses casos? Outras regiões do país não têm o mosquito da dengue? O governo quer nos fazer de idiota junto com essa mídia escrota.
PS1. O governo abafa que largou em 2014 mosquitos da dengue geneticamente modificados.

Tópicos do dia – 05/01/2012

08:22:23
Mercadante, o eclético?
Como são ecléticos, múltiplos e detentores de policonhecimentos sua ex-celências!
Mercadante dorme, sem trocadilhos, por favor, senador insignificante, acorda Ministro da Tecnologia – tecnologia? Há, há, há, só se for em caixa 2 – mantém-se um letárgico zumbi dos ‘bites’ e ‘bytes’, e, “tchan!, tchan!, tchan!, tchan!”, e pode acordar, para nosso pesadelo, Ministro da Educação! Argh, Putz, e Uáu!

09:09:14
Brasil: da série “tô nem aí”!
Alguém viu Aécinho “Ipanema” Neves em alguma cidade inundada de Minas Gerais?Pra quem está em campanha eleitoral à presidência da república…

09:12:42
Circula na WEB:
O mosquito da dengue que picou o jogador Ronaldo Fenômeno, engordou 6 quilos.


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Dengue, Brasília e dossiês

A vida real e a ilha da fantasia
Por Carlos Chagas

Centro do poder brasileiro, Brasília deveria ser uma espécie de caixa de ressonância da sociedade que diz representar. Mas faz tempo que esse elo se perdeu. E a ruptura se comprova mais uma vez. Brasília dá mais um exemplo cabal da sua alienação.

O Rio de Janeiro enfrenta a sua pior epidemia de dengue. Já são 67 mortos e mais de 57 mil casos da doença em 2008. Do total de mortos, 32 são crianças. A dengue também avança em Belo Horizonte, com mais de 530 casos suspeitos só na última semana. No Rio Grande do Norte, houve um crescimento de 150% no número de casos em comparação ao mesmo período do ano passado. Em apenas um hospital de Natal, sete crianças estão internadas com suspeita de dengue hemorrágica. Na Bahia, os casos de dengue mais que dobraram em relação aos três primeiros meses de 2007. São 8.343 contra 3.262 do mesmo período do ano passado.

Dados mais do que suficientes para ser o principal assunto de nossos representantes, certo? Pois é… Brasília, o centro do poder, não está nem aí para o que ocorre com a vida real dos brasileiros. Com exceção do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que não faz mais do que a sua obrigação ao tentar correr atrás do prejuízo, não se vê qualquer preocupação ou o menor sinal de movimentação em Brasília em torno do desastre.

Enquanto o Brasil se preocupa com a dengue, o poder em Brasília, especialmente o Congresso, só tem olhos e ouvidos para a discussão sobre a paternidade do dossiê com supostos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, Ruth Cardoso. A idéia fixa de governo e oposição é identificar ou proteger os responsáveis pela produção e vazamento do material, feito na Casa Civil. Mais do que isso, o que está em jogo é o futuro político de Dilma Roussef, tida até agora como a candidata preferida de Lula para sucedê-lo.

É grave se for comprovado que a Casa Civil se utilizou da máquina pública e de informações confidenciais para elaborar um dossiê contra adversários políticos? Claro que é grave. Em outros países com maior tradição democrática certamente isso levaria à demissão da ministra. Mas ao colocar o dossiê como sua prioridade, primeira e única, o poder em Brasília dá mais uma demonstração de que seus interesses versam única e exclusivamente sobre o poder. É o poder pelo poder. A vida real que se lixe.

A dengue, a morte da onça, Zé Serra e Governos

O sarcástico e excelente contador de estórias Sebastião Nery, cutuca, com a pena e a verve costumeiras, as “onças” da ineficácia governamental.

A onça não morreu
Por Sebastião Nery – Tribuna da Imprensa

Histótria antiga, mas muito atual. Lampião passou por Mossoró, no Rio Grande do Norte, teve um choque com tropas do Exército. Na cidade, ferido, ficou um cabo com seu fuzil. Apareceu uma onça e começou a comer bezerros na região. O prefeito foi ao cabo, já recuperado:

– Cabo, precisamos de sua ajuda. A onça está fazendo muito estrago nas criações. Espingarda não resolve. Só um fuzil para matar.
– Pois não, prefeito. Essa onça morre já.
– Ótimo, porque ela já matou dois caçadores que tentaram derrubá-la de espingarda.

O cabo ficou pensando, olhando para cima:

– Bem, seu prefeito. Só tem um problema. Eu sou do Exército brasileiro. Sou federal. Preciso saber primeiro se essa onça é federal ou estadual. Não quero conflito entre os dois governos.

E a onça municipal continuou a comer bezerros.

Serra

Os governos federal, estadual e municipal estão jogando o mosquito da dengue em cima uns dos outros. Já matou 150 pessoas nos últimos anos, no Rio. Uma epidemia. O federal Temporão culpa o municipal César Maia, que culpa o estadual Cabral. E o mosquito se multiplicando e matando.

Mosquito sempre houve. O que não se imaginava eram governos federal, estadual e municipal tão ruins, tão ordinários ao mesmo tempo. O crime é coletivo. Mas todo crime tem um ponto de partida. Na “Folha”, o Jânio de Freitas lucidamente relembrou muito bem:

“A dengue ficou erradicada no Rio, quase por completo, durante décadas, graças à ação conjunta do governo federal e da prefeitura. Aos poucos, retomou o território abandonado pelos governos, até que fez o ressurgimento agudo no governo Fernando Henrique. Sua contenção projetou José Serra, então recém-ministro da Saúde. Na contramão desse êxito, de uma penada extinguiu o serviço de vigilantes sanitários que o governo federal comprometera-se a manter no Rio ao mudar-se para Brasília. Eram os mata-mosquitos. Serra se inspirara em contas de economistas, com valores financeiros e não com vidas humanas”.

Todos

Durante meses, os “vigilantes sanitários”, os “mata mosquitos”, verdadeiros médicos de quintal, mobilizaram-se para advertir o País e mostrar aos governos que, sem seu trabalho permanente, a dengue voltaria. Fizeram atos públicos, levaram delegações a Brasília, mas Fernando Henrique e José Serra diziam que o moderno era terceirizar, privatizar.

Aqui mesmo, inúmeras vezes, denunciei a irresponsabilidade, mostrando que a experiência de outros países era o combate continuo.

Acabaram com o serviço que era público, demitiram milhares, prometendo “atacar os focos pontuais, terceirizando, privatizando”. Dissolveram as verbas, comeram os recursos. Agora, na hora da tragédia, enfiam o bico embaixo da asa, como se nada tivessem a ver com o assunto. Têm, sim. Como têm os governos atuais, federal, estadual e municipal. Se nem para matar mosquito servem, peguem o caminho de casa.

Brasil – Da série “Acorda Brasil” – Dengue e vinagre

Nada está tão ruim que não possa piorar. Leia abaixo reportagem publicada no Correio Popular de Piracicaba.
Por Rogério Verzignasse 

Desde 2003, o engenheiro agrônomo Reinado José Rodella coordenou, em Piracicaba,
uma série de pesquisas usando o vinagre diluído na água contaminada com larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da Dengue. Confirmou-se, nos laboratórios, que o ácido acético presente no vinagre eliminou todas as larvas das amostras analisadas.

De imediato, o coordenador do Projeto de Combate à dengue de Piracicaba, Valdemar Correr, pediu aos agentes que estivessem percorrendo os bairros em campanha, orientassem os moradores a colocar uma simples colher de vinagre nos recipientes com água parada.

“Durante todo o ano passado, foram registrados na cidade apenas seis casos da doença,
todos eles importados, ou seja, originários de outros municípios”.

A descoberta do engenheiro Rodella promete revolucionar o combate a uma doença que, sempre nos períodos de chuva, torna-se um risco de epidemia em todo o Brasil.

Nos testes feitos no Centro de Controle de Zoonoses, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), na Carnevalli Biotecnologia e na Escola de Engenharia
de Piracicaba foi constatado que basta a adição de 5% de vinagre no recipiente com água
para que as larvas sejam eliminadas.

Só o Estado do Rio de Janeiro, investiu nos últimos cinco anos R$ 10 milhões nas campanhas públicas para eliminar os criadouros do mosquito, inclusive com a importação de um biolarvicida cubano.

As atuais estatísticas estão bem longe dos números assustadores de 2002, quando o Brasil registrou 800 mil casos da doença. Mas o risco de epidemia continua.

No Estado de São Paulo, segundo o Ministério da Saúde, existe hoje a notificação de 14 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Na região de São José do Rio Preto, a mais crítica, há municípios com índices equivalentes a 200 casos por 100 mil habitantes.
Gasta-se muito com equipamentos e mão-de-obra usados nos “fumacês” que dizimam as larvas.

“Bastaria que todos os brasileiros fossem orientados a usar o vinagre, um produto
comum e sem qualquer contra-indicação”, afirma Rodella.

Porém não há interesse dos governantes municipais em divulgar que um simples vinagre resolve este “problemão”, pois a Dengue gera uma “FORTUNA” aos municípios, e como se sabe muitos estão aproveitando disto!!!!

Saiba mais sobre a dengue em:
http://www.aprendebrasil.com.br/reportagens/dengue/erradicar.asp
http://www.saudeanimal.com.br/dengue1.htm