Como o Reino Unido ainda pode voltar atrás no Brexit

A maioria dos britânicos votou por sair da UE. Mas, diante das consequências, alguns já se arrependem, há ameaça até de desintegração do Reino Unido. 

Bandeira britânica rasgada em mastro de barco

Conheça quatro possibilidades – teóricas – de reverter a situação.

O Reino Unido, no momento, é tudo, menos unido. No referendo histórico de 23 de junho sobre a permanência ou não na União Europeia, quase 52% dos votantes optaram pelo “Leave“, os demais marcaram “Remain“. Na Escócia e na Irlanda do Norte, contudo, a maioria dos eleitores preferiria permanecer na UE, ao contrário dos da Inglaterra e País de Gales.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Ainda não é uma crise”, explica à DW Jo Murkens, professor de direito da London School of Economics (LSE). “Mas estamos nos estágios preliminares do que poderá ser não apenas uma crise constitucional, mas a partida final constitucional do Reino Unido.”

Alguns defensores do “Leave” estão preocupados pelo que acontecerá em seguida. E os que votaram contra a saída estão desolados, de qualquer forma, temendo as possíveis consequências do Brexit.

Premiê britânico, David Cameron
Premiê David Cameron lavou as mãos no futuro processo de negociação do Brexit

Londres ainda não evocou o Artigo 50 do Acordo de Lisboa, que estabelece o procedimento para um Estado-membro deixar a UE. O primeiro-ministro teria que informar o Conselho Europeu da intenção de seu país de se retirar da comunidade. Mas David Cameron, que anunciou sua renúncia assim que os resultados do referendo se definiram, declarou que esse passo caberia ao novo chefe de governo britânico.

Até que se evoque o Artigo 50, ainda é tecnicamente possível evitar a consumação do Brexit. A seguir, quatro alternativas.

1. O Parlamento vota contra o Brexit

Essa, aparentemente, é a solução mais clara e limpa. Muito provavelmente, os membros do Parlamento britânico terão que votar se o país realmente se desligará da UE. Como o referendo foi puramente consultivo, e não vinculativo, os representantes podem votar como quiserem. E, em tese, decidir que o país deve permanecer no bloco europeu.

“Parlamentares são representantes do povo, não delegados”, diferencia Murkens. “Seu papel não é implementar a vontade do povo, mas sim tomar decisões com base no próprio julgamento político, filiação partidária e consciência.”

Nigel Farage e seguidores comemoram Brexit
Populista Nigel Farage (c) e demais pró-Brexit comemoraram: cedo demais?

É improvável, entretanto, que os membros do Parlamento venham a anular a decisão do referendo, uma vez que “ignorar a vontade do povo não os ajudará a se reelegerem”, aponta James Knightley, economista-chefe do banco global ING.

Ainda assim, o deputado trabalhista David Lammy, por exemplo, encorajou no Twitter seus colegas a votarem “Remain“: “Acordem. Nós não temos que fazer isso. Podemos parar essa loucura e dar fim a esse pesadelo, através de um voto no Parlamento.”

Enfatizando o caráter não vinculativo da votação, ele afirmou que “alguns já desejam que não tivessem votado para Leave“. Por isso, “não vamos destruir nossa economia com base nas mentiras e na prepotência de Boris Johnson”, apelou.

2. Realizar outro referendo

Os resultados da consulta foram bastante apertados, e os perdedores reivindicam agora um segundo turno. Além disso, mesmo alguns que optaram a favor de um Brexit podem estar se perguntando, pós-voto, em que é que se meteram, de verdade.

Consultas do tipo “O que significa deixar a UE?” e, mais básico ainda, “O que é a UE?” apresentaram um pico na máquina de busca do Google após o referendo. Os partidários do “Remain” obviamente torcem para que os demais reconsiderem seu primeiro voto, depois de ter constatado, por exemplo, como a cotação da libra esterlina despencou.

Crash na Bolsa de Paris após Brexit
Pânico nas bolsas de valores no “dia seguinte”: maus augúrios para os britânicos

Uma petição no site do Parlamento britânico para convocar os britânicos de volta às urnas já reuniu mais de 3,6 milhões de assinaturas, e, segundo o site, “o Parlamento considera para um debate todas as petições que obtêm mais de 100 mil assinaturas”.

Esta opção, entretanto, é igualmente improvável. Já antes do referendo, o premiê Cameron descartou uma repetição do escrutínio. Isso também poderia dar a péssima impressão de que os políticos são capazes de fazer a população votar repetidamente, até conseguirem o resultado que desejam.

3. A União Europeia faz concessões suficientes para manter o Reino Unido

Como o Artigo 50 não foi evocado, tecnicamente as autoridades de Bruxelas ainda têm espaço para adoçar a pílula ao ponto de os políticos britânicos poderem apresentar a permanência como uma opção viável. As chances de tal acontecer, contudo, são ínfimas.

O referendo “foi visto, em grande parte, como um, protesto contra a imigração”, lembra Knightley, do ING. “Portanto o que precisaríamos ver são concessões significativas na questão da imigração vinda da Europa – o que parece altamente improvável, uma vez que a livre circulação de mão de obra e cidadãos são doutrinas essenciais da política da UE. É uma das regras-chave da fundação [da comunidade].”

4. A Escócia veta uma decisão parlamentar sobre o Brexit

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, declarou que pediria aos membros do Parlamento nacional para não darem seu “consentimento legislativo” a uma decisão de Londres de se retirar da UE. Certos analistas sustentam a tese que decisões relativas à UE necessitariam do aval expresso de Edimburgo.

Premiê escocesa, Nicola SturgeonPremiê Nicola Sturgeon: Escócia sair do Reino Unido, se este deixar UE

O professor Murkens, contudo, é um dos muitos observadores que não concordam com essa interpretação. Ainda assim, ressalva, os deputados de Londres não devem ignorar as opiniões dos eleitores escoceses e norte-irlandeses.

“Acho que [o resultado do referendo] deve ser lido como um empate 2 x 2: a Escócia e a Irlanda do Norte votaram para ficar, a Inglaterra e o País de Gales votaram por sair.”

O docente da LSE se preocupa com a eventualidade de que sejam anulados séculos de processos de paz entre as quatro nações que compõem o Reino Unido, caso os parlamentares em Westminster ignorem a vontade dos votantes escoceses e norte-irlandeses. Aí, ambos os países poderiam se desligar da comunidade britânica, numa tentativa de permanecer ou de voltar a integrar a União Europeia.

“A desintegração do Reino Unido é um preço muito alto para se pagar pelo abandono da UE, especialmente quando a campanha do “Leave” tinha como premissa o slogan ‘Queremos nosso país de volta’.” Só que, no atual passo, “não vai haver um país para retomar”, aponta Murkens.
DW

Por que intervenção de Obama sobre UE provocou tanta polêmica no Reino Unido?

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama deu uma entrevista coletiva em Londres em que defendeu abertamente a permanência do Reino Unido na União Europeia – em 23 de junho, o país vai às urnas em um plebiscito para decidir entre ficar ou deixar o bloco de 28 nações.

ReutersEndosso de Obama à campanha por permanência na UE causou fricções
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Se a manifestação política já deveria criar algum furor, Obama aumentou a controvérsia ao afirmar que, em caso de uma separação, os britânicos não poderiam esperar tratamento diferenciado por parte de Washington, em especial nas possíveis negociações de um acordo comercial bilateral.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Integrantes da campanha pela saída da UE, que incluem ministros do governo do premiê David Cameron, criticaram duramente o presidente americano pelo que consideraram desrespeito ao Reino Unido.

O prefeito de Londres, Boris Johnson, um dos mais famosos defensores da cisão, e colega de Cameron no Partido Conservador, acusou Obama se apresentar argumentos incoerentes – o presidente também publicou um artigo no jornal Daily Telegraph.

Campanha

“Se os EUA jamais entraram em algum bloco como a União Europeia, porque acham que isso é bom para os outros”, disse Johnson.

Em visita oficial ao Reino Unido, Obama, que deixará o governo em janeiro não hesitou em endossar os defensores da permanência, defendendo a tese de ficar na UE é também melhor para os interesses britânicos. Cameron, que faz campanha pela continuidade da presença britânica no bloco, também foi criticado pelo uso do presidente americano como um cabo eleitoral de luxo em um disputa que pesquisas mostram ainda não estar resolvida – na mais recente medição, 52% dos britânicos se disseram favoráveis à permanência na UE, contra 43% pedindo a saída.

“Obama está trabalhando para Cameron. Isso é vergonhoso”, disse Nigel Farage, político ligado ao UKIP, partido que tem a saída da UE como uma de suas principais plataformas.

ReutersPrefeito de Londres citou ascendência africana de Obama
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O problema é que o assunto traz à tona as tensões entre dois países com uma longa história. Ex-colônia britânica, os Estados Unidos ao longo do Século 20 ultrapassaram o Reino no que diz respeito à relevância geopolítica. E embora tenham um relacionamento forte em uma série de áreas, incluindo defesa, intervenções mais políticas são raras e invariavelmente controversas.

“Não sei porque temos de aceitar que os americanos nos recomendem algo que eles mesmo não fazem”, disse o ex-ministro da Defesa de Cameron, Liam Fox, referindo-se ao fato de que a UE tem liberdade de movimentação para pessoas de países do bloco, ao contrário do que fazem os americanos com as populações de México e Canadá.

Obama justificou a intervenção dizendo que era melhor para os britânicos ouvirem diretamente do presidente a opinião dos EUA.

“Parece-me que alguns defensores da saída do Reino Unido têm falado sobre o que os americanos vão fazer no futuro. Achei que vocês (os jornalistas) iam preferir ouvir do presidente o que poderá acontecer”, disse ele na sexta.

Mas a controvérsia envolvendo Obama não parou aí: Boris Johnson está sendo criticado por um artigo publicado no tablóide The Sunpor ter se referido ao fato de o pai de Obama ter nascido no Quênia, uma ex-colônia do Reino Unido na África, como argumento para acusar o presidente americano de sentimentos antibritânicos.

Johnson, inclusive, disse que isso motivou Obama a retirar do Salão Oval da Casa Branca um busto do ex-premiê britânico Winston Churchill, uma das maiores lideranças políticas na Segunda Guerra Mundial.

O prefeito de Londres foi acusado de racismo por políticos de oposição. E ainda teve que ouvir Obama contar que, além de ainda haver um busto do líder nos jardins da residência oficial, em Washington, o presidente quis fazer uma homenagem ao líder negro Martin Luther King Jr, mártir da luta pelos direitos civis nos EUA, e cuja estátua agora ocupa o Salão Oval.
BBC

Panama Papers: Protesto em Londres pede renúncia de David Cameron por envolvimento nos ‘Panama Papers’

Cerca de 5.000 pessoas se dirigiram a hotel onde primeiro-ministro britânico estava reunido com membros do Partido Conservador neste sábado (09/04)

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Milhares de pessoas protestaram em Londres, neste sábado (09/04), pedindo a renúncia do primeiro-ministro britânico, David Cameron, que admitiu nesta semana ter se beneficiado das empresas offshore de seu pai, como revelaram os “Panama Papers”.

Manifestantes gritavam palavras de ordem contra o primeiro-ministro durante protesto neste sábado (09/04) nas ruas de Londres[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Sob o lema “termine as evasões fiscais ou renuncie”, a manifestação teve a participação de 5.000 pessoas, segundo a imprensa local, que se concentraram em frente ao número 10 de Downing Street, a residência oficial do premiê.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra o primeiro-ministro, e alguns usavam chapéus panamá e camisas havaianas em referência aos “Panama Papers”.

O protesto foi convocado por diferentes organizações, dentre elas a chamada Assembleia do Povo, formada por partidos de esquerda e sindicatos para combater as medidas de austeridade.

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Após ‘Panama Papers’, aprovação de Cameron já é menor do que a de Corbyn, líder da oposição

Em entrevista à Agência Efe, o secretário da Assembleia do Povo, Sam Fairbairn, disse que Cameron e os conservadores formam um “governo de ricos”. Além disso, afirmou que as autoridades são as responsáveis por problemas como no setor do aço do Reino Unido e pelas greves dos médicos residentes.

Recentemente a empresa siderúrgica Tata Steel comunicou que deverá fechar seu negócio britânico, o que causará a perda de postos de trabalho, enquanto os profissionais da saúde convocaram greves para protestar contra mudanças contratuais que o governo pretende impor.

Da residência oficial, os manifestantes se dirigiram ao hotel onde Cameron estava reunido em um fórum com membros do Partido Conservador em Londres.

“Culpem a mim”

No encontro com delegados do seu partido, Cameron disse que não lidou de maneira adequada com a informação revelada pelos “Panama Papers” sobre sua participação em empresas offshores de propriedade de seu pai, Ian Cameron. “Não foi uma grande semana”, disse.

Cameron assumiu a responsabilidade pelo caso e afirmou que há lições para aprender a partir do episódio. “Sei que há lições a aprender e aprenderei. Não culpem o número 10 de Downing Street [sua residência oficial] ou assessores sem nome, culpem a mim”, disse.

Na quinta-feira (07/04), Cameron admitiu ter lucrado em cima da empresa offshore de seu pai, Ian Cameron. O premiê declarou ter possuído ações da companhia, chamada de Blairmore Holdings Inc, que administrava bens de famílias da elite britânica. Estas ações foram vendidas por mais de 30 mil libras (mais de R$ 150 mil) apenas quatro meses antes de Cameron ser eleito para o cargo de primeiro-ministro.

Cameron disse que publicará “em breve” as declarações de imposto de renda dos últimos anos porque quer ser “transparente”. A atitude será inédita por parte de um premiê britânico.
Via OperaMundi

 

G20: Saída da Grã-Bretanha da UE geraria ‘choque global’

Os ministros das Finanças do grupo que reúne as maiores economias do mundo – o G20 – fizeram um alerta de que a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (UE) poderia representar um “choque” para a economia global.

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Os britânicos devem definir em referendo no dia 23 de junho se saem ou ficam no bloco europeu.

O alerta do G20 foi incluído na declaração conjunta divulgada neste sábado após um encontro de dois dias na China, na qual o ministro da Fazenda brasileiro, Nelson Barbosa, esteve presente.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O ministro das Finanças britânico, George Osborne, ressaltou em entrevista à BBC durante o evento, que a questão do referendo é de “extrema gravidade”.

“Os líderes financeiros das maiores economias do mundo deram seu veredito unânime dizendo que a saída da Grã-Bretanha seria um choque para a economia global. E se seria um choque para a economia global, imagina o que seria para a Grã-Bretanha”, disse. “Seria uma jornada aventureira pelo desconhecido (…). Isso é extremamente grave”.

Osborne negou que o governo britânico tenha pedido para o G20 incluir a questão do referendo em seu comunicado oficial.

“Há países na mesa (de negociações), como os Estados Unidos (…) e a China que francamente não fazem o que qualquer um pede para eles fazerem”, disse.

Segundo uma autoridade ligada a comitiva britânica, a questão teria sido levantada no encontro do G20 justamente pelos americanos e chineses, além de Christine Lagarde, presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

CAmeron (Getty)O premiê britânico David Cameron é a favor da permanência na UE
Image copyright Getty

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, do Partido Conservador, apoia a permanência do país na UE.

Há, porém, outros líderes do mesmo partido que são a favor de uma saída do bloco, como o prefeito de Londres, Boris Johnson

Para o ex-ministro das Finanças Nigel Lawson, o alerta do G20 não faz sentido porque 15 de seus membros nem sequer fazem parte da UE. “Os britânicos não vão gostar que o G20 diga o que eles devem fazer. E essa ideia de que a saída da Grã-Bretanha da UE pode causar um choque econômico é absurda”, disse.

“Quinze membros do G20 estão fora da UE e isso não causou choque econômico. Na realidade, a maior parte deles está indo melhor economicamente do que muitos membros da UE.”

Para o líder do Partido Independente do Reino Unido (Ukip), Nigel Farage, que também defende a saída do bloco europeu, o anúncio do G20 “não foi uma surpresa”.

“São camaradas se ajudando”, diz ele. “Isso não impressiona os eleitores.”
BBC

Os argumentos contra e a favor de bombardear o Estado Islâmico

Em questão de alguns poucos anos, o autodenominado Estado Islâmico se tornou um dos grupos jihadistas mais radicais e brutais em ação, responsável por violentos ataques como o que deixou 130 mortos em Paris no mês passado.

A possibilidade de ataques aéreos contra o ‘Estado Islâmico’ na Síria motivou protestos em Londres. Os críticos dizem temer uma repetição do prolongado conflito no Iraque. Image copyright AFP GETTY

Muitos países europeus elevaram seus níveis de alerta, diante da ameaça de novos atentados.

Mas qual deve ser a resposta a essa situação?

Leia também: O pai que salvou dezenas de vidas se jogando contra um homem-bomba do ‘EI’ em Beirute

Nesta quarta-feira, os Parlamentos do Reino Unido e da Alemanha votam propostas polêmicas para autorizar o bombardeio de posições do EI na Síria.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Mas essa possibilidade causa grandes divisões.

Há quem acredite que atacar o EI na Síria destruirá a infraestrutura do grupo extremista. Para outros, apenas aumentará o caos na região e o risco de ataques em território europeu.

Confira os principais argumentos a favor e contra a entrada na ofensiva bélica, da qual já participam Rússia, França e uma coalizão liderada pelos Estados Unidos.

CONTRA

Muitos sírios inocentes poderiam morrer

A organização Airwars, que monitora mortes de civis em conflitos, disse que a campanha russa contra posições do EI na Síria deixou, somente em outubro, pelo menos 250 civis mortos.

Redes de TV árabes também reportaram casos de vítimas civis, incluindo crianças, por consequência dos bombardeios que a França lançou contra o EI na cidade síria de Raqqa, depois dos ataques de Paris.

Cerca de 500 mil iraquianos morreram por causas relacionadas à guerra desde a invasão liderada por George W. Bush e Tony Blair em 2003.
Image copyright AP

Quem critica os bombardeios assegura que eles apenas aumentaram o sofrimento da população civil na Síria, onde quatro anos de guerra deixaram mais de 210 mil mortos, entre os quais ao menos 100 mil civis, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, organização sediada no Reino Unido.

O conflito também já gerou quatro milhões de refugiados e ao menos 7,6 milhões de desalojados internos, segundo a Organização das Nações Unidas.

Bombardeios não serão efetivos sem tropas em solo

Em discurso recente no Parlamento britânico, em que defendeu a entrada do Reino Unido nos ataques aéreos contra o EI, o primeiro-ministro David Cameron disse que “especialistas” identificaram “cerca de 70 mil combatentes sírios de oposição em solo e que não pertencem a grupos extremistas”.

Legisladores manifestaram descrença na afirmação e pediram a Cameron que explique como se chegou a esse número e de onde exatamente sairão esses soldados.

Há ainda outro complicador: se esses são combatentes de oposição ao presidente sírio, Bashar Al-Assad, que conta com o apoio da Rússia, como Moscou responderá?

Não há estratégia coerente para uma transição política

A sombra da guerra do Iraque pesa forte no debate sobre bombardeios na Síria.


O premiê britânico, David Cameron, disse que haverá 70 mil combatentes sírios em solo prontos a apoiar eventuais bombardeios aéreos – mas nem todos acreditam que isso seja verdade. Image copyright EPA

Qual é exatamente a estratégia de Cameron para uma transição política na Síria que encerre a guerra civil? Qual é o plano de reconstrução e quem preencherá o vácuo gerado por uma derrota do EI? Até que ponto vai a moderação de grupos considerados moderados com a Frente Al Nusra?

Alguns legisladores britânicos asseguram que não se repetirá o erro cometido no Iraque, onde a invasão não foi sucedida por um plano efetivo de reconstrução e transição.

O custo humano foi desolador: cerca de 500 mil iraquianos morreram por causas relacionadas à guerra desde a invasão liderada por George W. Bush e Tony Blair em 2003, segundo estudo de 2013 coordenado por Amy Hagopian, da Universidade de Washington.

Os bombardeios criarão mais jihadistas e elevarão os riscos de ataques na Europa

O EI nasceu seis meses após o início da guerra do Iraque e é um “filho” do ex-presidente dos EUA George W. Bush, escreveu o jornalista Jurgen Todenhofer, um dos primeiros a entrevistar líderes do Estado Islâmico.

O ex-prefeito de Londres Ken Livingstone, do Partido Trabalhista, de oposição a Cameron, disse que os bombardeios apenas deixarão o “EI ainda mais decidido a vir para a Europa nos matar”.

Os ataques são ilegais

A resolução 2.249 aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU em 20 de novembro convoca os Estados membros a “tomar todas as medidas necessárias, conforme o direito internacional” para “erradicar os refúgios do EI” no Iraque e na Síria.

Mas o texto não autoriza especificamente o uso da força, nem esclarece quais são “medidas necessárias” nem menciona o capítulo VII da Carta da ONU, que contempla ações militares para restaurar a paz e a segurança.

A FAVOR

É inconsistente atacar o EI apenas no Iraque, e não na Síria

Em mensagem ao Parlamento britânico, Cameron destacou que a atual autorização a bombardeios britânicos somente no Iraque “jamais teve sentido sob o ponto de vista militar”.

“Atuaremos com nossos aliados pelo interesse nacional. É o que devemos fazer para manter nosso país seguro”, disse David Cameron ao defender os bombardeios. Image copyright AFP

“O EI não reconhece fronteiras entre Síria e Iraque e opera em um único espaço que se estende por ambos países”, disse Cameron.

Por outro lado, serviços de inteligência britânicos já colaboram em ataques com drones contra membros do EI na Síria, como o que matou Mohammed Emwazi, britânico conhecido como “John Jihadista”, por ter se associado ao grupo.

Os bombardeios, segundo essa visão, seriam o passo lógico seguinte.

Os ataques são necessários para proteger o Reino Unido

“Atuaremos com nossos aliados pelo interesse nacional. É o que devemos fazer para manter nosso país seguro”, disse Cameron.

O governo britânico afirmou que o Reino Unido enfrenta uma ameaça real de ataques pelo EI e assegurou ter frustrado ao menos sete atentados planejados contra alvos em território britânico nos últimos 12 meses.

Solidariedade aos aliados

Logo após os atentados em Paris, Cameron disse ao Parlamento que havia uma crescente necessidade de “responder ao chamado dos aliados para atuar contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque”.

Dois aliados da Otan (a aliança militar do Atlântico Norte), França e Estados Unidos, já bombardearam alvos do EI na Síria.

Os bombardeios ajudarão a destruir a infraestrutura do EI

Essa infraestrutura é o que permite ao EI fazer fortunas arrecadando impostos, vendendo petróleo e tesouros arqueológicos, atraindo voluntários e bancando ataques em Beirute, Túnis, Paris e outros alvos.

A guerra civil na Síria já deixou mais de 200 mil mortos, além de 4 milhões de refugiados e ao menos 7,6 milhões de desalojados internos.
Image copyright AFP GETTY

Cameron insiste em classificar uma possível ofensiva aérea contra o EI como parte de um plano maior.

Em moção aprovada pelo governo na terça-feira, o primeiro-ministro britânico destaca que ações militares contra o EI se inserem em “estratégia mais ampla”, que inclui “elementos políticos, diplomáticos e de ajuda humanitária, todos os quais devem ser levados em conta para alcançar a paz na Síria”.

Os bombardeios são permitidos pela ONU

A resolução 2.249 da ONU diz que os Estados membros devem adotar “todas as medidas necessárias” para erradicar esconderijos do EI na Síria e no Iraque, e afirma que o grupo representa uma “ameaça sem precedentes à paz e segurança internacionais”.

Cameron sempre disse que possui autoridade para agir em legítima defesa.

E a França, que propôs a resolução da ONU em questão, disse que o texto autoriza a legítima defesa coletiva sob o artigo 51 da Carta da ONU, que contempla esse recurso em caso de ataques armados contra um Estado membro.

Após a aprovação da resolução, o governo de François Hollande anunciou imediatamente o reforço da capacidade militar francesa na região e a intensificação dos ataques contra alvos do EI.

Como os líderes mundiais lidam com o temor da espionagem?

Angela Merkel, chanceler alemã. Foto: APAngela Merkel usa tanto seu aparelho que é conhecida como ‘chanceler do celular’.

A reação mais comum à notícia de que a chanceler alemã, Angela Merkel, teve seu telefone grampeado pela agência americana de segurança NSA é a de resignação.

Muitos vão além e dizem que a experiente e importante líder deveria ter tomado melhores precauções contra espionagem.

Para o ex-embaixador americano na Otan, Kurt Volker, “todos os países praticam espionagem”, e ele não entende como as pessoas podem ter ficado surpresas com as revelações desta semana.

Já Alan West, que foi ministro da Segurança no governo do ex-premiê britânico Gordon Brown, afirma que “sempre trabalhou presumindo” que suas ligações telefônicas estavam sendo ouvidas por outras pessoas.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

“Eu tenho certeza de que estavam [ouvindo minhas conversas]”, disse ele à BBC. “Eu não acho que seja surpreendente que alguém tente ouvir as ligações. Se você é chefe de Estado, há muitas pessoas, não só Estados, escutando.”

“Há empresas e todos os tipos de pessoas que querem ouvir o que você está falando, e eu acho que é preciso ser extremamente cauteloso.”

Um ex-diplomata britânico, que não quis revelar seu nome, disse à BBC que também sempre se comportou ao telefone como se algum intruso estivesse escutando sua conversa.

Isso, em algumas ocasiões, era até uma vantagem para ele, já que podia tentar influenciar – através de seu comportamento ao telefone – as pessoas que ele especulava que estariam o escutando.

Mas ele ressalta que, ao ler relatórios sobre pessoas cujas ligações eram monitoradas pelo seu órgão, também precisava levar em consideração que elas estavam jogando o mesmo jogo.

O ex-ministro do Interior britânico David Blunkett disse recentemente que Nicolas Sarkozy – na época em que o francês foi ministro do Interior de seu país – tentou poupar tempo em uma negociação bilateral ao revelar que já conhecia a posição britânica, pois seu serviço secreto havia interceptado e-mails.

Mas nem todos são tão indiscretos.

Clare Short, que atraiu a fúria do governo britânico em 2004 ao revelar que as autoridades tinham grampeado o telefone do então secretário geral da ONU, Kofi Annan, disse que estava “chocada” com as revelações sobre Angela Merkel.

Short, que foi ministra britânica do Desenvolvimento Internacional, não acredita que Merkel está manifestando indignação apenas para ganhar apoio do povo alemão – muitos deles ainda perturbados com memórias da polícia secreta Stasi, da Alemanha Oriental.

Nicolas Sarkozy. Foto: Getty
Nicolas Sarkozy teria revelado em reunião com britânicos conteúdo de conversa interceptada

“Eu tenho certeza de que ela está muito irada e triste. Eles eram todos amigos, mas agora [ela sente] que eles não confiam mais nela”, diz Short.

Blair e o celular

A política diz que recebia com frequência relatórios sobre conversas privadas de Annan, e que isso começou a incomodá-la bastante com a proximidade da guerra do Iraque.

Ela lembra da experiência surreal de conversar com Annan pelo telefone, sabendo que alguma pessoa estava transcrevendo tudo que era dito pelos dois.

Entre 1997 e 2003, quando esteve no gabinete do então premiê britânico Tony Blair, ela diz não ter recebido relatórios sobre o que os líderes de outras potências aliadas à Grã-Bretanha estavam falando.

Mas ela diz ter sido abordada por vários diretores do MI6 – a agência britânica de inteligência – oferecendo serviços para espionar líderes de países africanos, muitos deles aliados dos britânicos.

“Eu disse ‘é claro que não, nós não queremos espionar as pessoas com as quais trabalhamos'”, diz ela à BBC.

Ela também desmente um boato comum sobre Tony Blair, de que o ex-premiê nunca usou telefones celulares quando esteve no cargo. Para ela, isso pode ter sido um boato espalhado pelo próprio governo.

“Faz ele parecer mais um imperador”, diz ela.

Todos os chefes de Estado, pelo menos no mundo ocidental, têm acesso a telefones celulares com códigos cifrados e outras formas seguras de comunicação.

‘Bolha da Casa Branca’

O problema colocado diante dos agentes de segurança é conseguir convencer seus chefes sobre os perigos da espionagem.

Pouco depois de chegar ao poder em 2008, o presidente americano, Barack Obama, conseguiu convencer seu serviço secreto a deixá-lo portar seu próprio Blackberry, apesar de que temores de que o aparelho revelaria seu paradeiro, o expondo a ataques virtuais.

Obama teria ficado frustrado com a necessidade de viver dentro da “bolha da Casa Branca”, com sua comunicação com o resto do mundo interrompida, e sem acesso a pessoas normais.

O Blackberry do presidente aparece em algumas fotografias, revelando que ele ainda possui um pequeno grau de liberdade para usá-lo.

Na França, políticos do primeiro escalão possuem uma intranet e uma rede de telefones seguras – mas muitos relutam em usar o sistema, por ser lento demais.

O presidente francês, François Hollande, teria conseguido manter o “direito” conquistado por seu antecessor, Nicolas Sarkozy, de portar o próprio aparelho celular.

Em 10 Downing Street – sede do Executivo britânico, em Londres – é proibido entrar com telefones celulares, que são confiscados na entrada.

Todas as ligações que chegam ao prédio passam por um sistema seguro de telefones.

O governo britânico segue evitando parecer alarmado demais com o escândalo de espionagem.

Perguntado sobre se o premiê David Cameron ainda usa seu telefone celular, o porta-voz oficial disse: “Não o vi usando qualquer outro aparelho até agora”.
Brian Wheeler/BBC News

Primeiro ministro da Inglaterra, redes sociais e o complexo de vira lata

David Cameron Inglaterra Blog do MesquitaNão há lugar na web onde mais se propaguem fatos distorcidos, interpretações equivocadas inverdades e absurdos, e mais se exercite o complexo de vira-latas, como criou Nelson Rodrigues, do que nas redes sociais.

Não sei se tudo é conseqüência de má fé, ignorância – no sentido etimológico da palavra – ou tudo junto e misturado.

Agora circula uma foto do primeiro ministro da Inglaterra, David Cameron, “indo para o trabalho de trem”, com a legenda que enquanto isso os maganos Tapuias usam helicópteros e outras mordomias para ir ao trabalho.

Informo que endereço “10 Downing Street” é a residência oficial e o escritório do primeiro-ministro do Reino Unido. Ele pode até andar de jumento ou plantando bananeira. Esse não é o caso. O fato é que ele não vai ao trabalho de trem.

Assim o súdito da Beth II não precisa pegar nenhum transporte para ir ao trabalho.

Basta descer um par de lances de escadas para se deslocar de onde mora para o escritório onde trabalha.

Assim também é Mr. Barack que mora e trabalha na Casa Branca.

Poupem-me!

Ps. Continuam insistindo na mentira. Que seja. O primeiro ministro vai pro trabalho de trem – construíram um dentro da casa dele só pra isso – e soube também que a rainha usa jornal no lugar de papel higiênico, enquanto aqui as autoridades usam papel de arroz perfumado trazido pelo Gianecchini.
São mesmo uma porcaria essas autoridades Tupiniquins. Né não?


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