Tópicos do dia – 25/06/2012

09:17:19
EUA oferecem ‘Air Force One’ de brinde

A demora do governo para definir a compra de 36 aviões de combate e o suposto favoritismo dos franceses Rafale, fizeram os Estados Unidos melhorar substancialmente a proposta para vender ao Brasil seus caças F/A-18 Super Hornet, da Boeing. Segundo fonte da Aeronáutica, os americanos estão dispostos a incluir em sua proposta, sem acréscimos, um Boeing 747-800 novinho para uso da presidenta Dilma.
Para substituir a frota da FAB em 2016, por US$ 10 bilhões, concorrem também o Rafale da francesa Dassault e o Gripen NG, da sueca Saab.
coluna Claudio Humberto 


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Aviões para a Força Aérea Brasileira dependem da situação econômica

Mais que a questão técnica ou política, o que está mesmo “pegando” na questão da compra de aviões de caça para o reaparelhamento da FAB, é a questão financeira, a popular falta de grana, que está impedindo a decolagem do bilionário negócio.

O Editor


Aperto fiscal no governo faz Dilma suspender decisão sobre os caças

Quatro ministros confirmam ao ‘Estado’ que a presidente não vê clima para anunciar neste ano a compra dos caças, um negócio de R$ 13 bilhões, num momento em que são impostos cortes de R$ 50 bilhões na máquina pública para frear inflação

O Planalto suspendeu a compra de 36 caças para integrar a Força Aérea Brasileira (FAB) enquanto estiver em vigor o período de austeridade fiscal.

Após anunciar um corte no orçamento de R$ 50 bilhões, a presidente Dilma Rousseff avaliou que não há “clima” para se pensar em uma despesa militar da ordem de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 12 bilhões), relataram quatro ministros ao Estado.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O governo decidiu não estipular prazo para a suspensão do debate, mas, na prática, qualquer decisão importante só deve ocorrer a partir de 2012. O consenso na área econômica é que o ciclo de ajuste – contingenciamento orçamentário e subida dos juros – deve se estender por todo o ano de 2011.

A compra dos caças é bombardeada especialmente pela equipe econômica.

Dilma Rousseff avalia que o assunto pode ficar para depois, disseram os auxiliares. Para a presidente, a compra dos caças, no atual momento, poderia ser vista como uma “incoerência” do governo.

Ministros relataram que a presidente vai aproveitar a suspensão da compra para analisar com mais rigor pontos do acordo de compra dos caças.

Em um almoço no Planalto, ela disse ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que tem “muitas dúvidas técnicas” sobre o projeto de compra dos caças.

A presidente não quer que a decisão de suspender a compra seja vista como um desprestígio do ministro da Defesa. “Jobim sabe que não é adequado comprar caças agora”, disse um ministro.

Lobby francês.

Ao receber em Brasília o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em setembro de 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a prioridade era comprar caças Rafale, da francesa Dassault.

A sueca Saab e a norte-americana Boeing estão na disputa para vender caças ao governo brasileiro.

O Planalto não está preocupado com uma reação de Sarkozy.

A própria Dilma observa que a parceria com o governo francês vai além da compra dos caças e que o presidente tem de entender a atual conjuntura brasileira. “Nesta situação, um país respeita as decisões soberanas de outro”, disse um ministro.

O projeto de compra dos caças se arrasta desde o governo Fernando Henrique e foi o primeiro a ser adiado pelo ex-presidente Lula quando assumiu em 2003.

É dentro desta mesma perspectiva que ele vem sendo tratado por ministros como “um gasto”, acrescentando que levá-lo adiante neste momento, afetaria as contas públicas, prejudicando a meta do governo para reduzir gastos e segurar a inflação.

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa/O Estado de S.Paulo

Lula, Sarkozy e a ‘vaguelette’

As águas da primavera
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
blog do Noblat

Nós não temos do que reclamar. A Internet passou incólume pela sanha legislativa do novo protagonista do cenário político nacional, apud Sarney. Ainda bem, só faltava esse bolivarianismo tosco vencer por aqui. Nós somos membros diletos do primeiro mundo, teremos aviões de caça do último tipo, submarino nuclear, seremos sede das Olimpíadas e da Copa do Mundo, com Guia Michelin sobre o Rio de Janeiro e tudo. O Brasil está bem na foto e não está prosa, só faltava não compreender que na Internet não adianta mexer. Passemos a outro assunto.

O Le Monde está super satisfeito com nosso presidente. Nossa marolinha foi chamada de vaguelette! Não foi gracioso? Tudo em francês fica mais bonito. Não sei, há qualquer coisa de mágico naquela língua, fica tudo mais suave, mais lírico, mais harmonioso.

Eu adorei a vaguelette. Só vou me referir às nossas crises, financeiras ou de qualquer tipo, como vaguelettes.

Por exemplo, a vaguelette que inunda o Senado Federal encobrindo coisas inacreditáveis, como um funcionário do gabinete do senador Marco Maciel, preso durante cinco anos, mas que continuou recebendo seu salário religiosamente. O caso foi descoberto em 1997 e nada aconteceu até agora nem com quem recebia o salário pelo preso, nem com quem acobertava a empreitada. O senador por Pernambuco, tipo do cavalheiro bom e justo, e não digo isso com ironia, gosto dele, não sabia de nada e com certeza teve a visão toldada por essa vaguelette senatorial.

As águas rolam tão suavemente que os bingos voltaram com toda a força! Não é sensacional? Eu só não compreendo uma coisa. Porque o bingo pode e cassino não? Não é engraçada essa preferência pela velha víspora (com as maquinetas junto, bien entendu)? Lá na França, terra para onde voa a maioria das nossas aves de arribação, afinal, Paris vale bem uma missa, tem cassinos, será que eles lá em Brasília não sabem disso? Precisam ser avisados…

Ou será implicância com os crupiês? Digo isso porque um dos argumentos que ouvi hoje é que o bingo traz muitos empregos. Acredito. Mas os cassinos trazem muito mais! Ou manejar aquelas maquinetas exige algum funcionário muito treinado? Não basta o pato sentar ali com moedas na mão e dar para a máquina?

Não é por mal, não, é por interesse mesmo: puxo a brasa para a sardinha dos músicos e artistas. Sinto saudade de uma coisa que não vi, nossos cassinos fecharam em 45, eu não tinha completado 8 anos, mas sempre ouvi falar maravilhas daqueles tempos, dos shows, das orquestras, dos artistas de fora que vinham se exibir aqui. O jogo é cruel? É. O jogo arruína um homem? Arruína. Mas então, merde alors, como dizem na terra do Sarkô, que proíbam todos os jogos, inclusive as corridas de cavalos. O esquisito, o que a vaguelette não esconde, é a preferência por um tipo de jogo, o mais burro e sem graça de todos, e não me refiro ao bingo que é divertido e bom passatempo para idosos aposentados, mas todos sabemos que esse é o nome que dão para as casas que abrigam a arapuca das maquinetas. O bingo entra de gaiato no navio para os donos das maquinetas enfrentarem com segurança as vaguelettes.

Mas como eu ia dizendo antes de nadar na vaguelette do Senado, o Le Monde anda encantado com o Lula. Aliás, a direita troglodita francesa em peso, os Dassault, os Lagardère, os grandes tycoons da indústria de armamentos da França estão apaixonados por M. Lula. E como parece que é amor correspondido, o tsunami deles vai virar uma toute petite vaguelette, graças ao pai dos pobres franceses.

E nós? Bem, para nós duas novidades: teremos uma geração de bebês chamados Rafale, disso vocês podem estar certos. E vamos poder cantar a Marselhesa enquanto as cores da França riscam nossos céus. Vai ser lindo. Só tenho pena do Zidane não poder participar da próxima Copa. Espero que ele tenha um filho ou sobrinho que venha em seu lugar. Se eu ainda estiver por aqui, gritarei, para entrar na onda das vaguelettes: Vive la France ! Vive la République!

Aviões de Caça, Submarinos e a defesa do Brasil

Os caças do Brasil

Por Cel. Hiram Reis e Silva ¹

“A guerra não é mais para instalar outro modelo econômico: ela é o modelo”. (Dario Azzelini)

– Esclarecimentos – Projeto F-X2

“O Comando da Aeronáutica informou aos fabricantes finalistas do Projeto FX-2 (Boeing, Dassault e SAAB), nesta semana (8/9), que será possível apresentar propostas de melhoria dos quesitos que fazem parte do processo de seleção dos novos aviões de caça para a defesa do país.

Em nota divulgada nesta semana, o Ministério da Defesa informou que a negociação com os três finalistas prossegue com a possibilidade de aprofundamento e redefinição das propostas apresentadas”.

– Caças

“Não podemos comprar um avião caça sem possuir a tecnologia e é justamente porque pensamos em produzir uma parte deste avião no Brasil. Temos uma importante empresa que é capaz de fazê-lo”. (Presidente Luiz Inácio Lula da Silva)

A corrida armamentista, como sempre, devido aos valores astronômicos envolvidos, é carregada de escândalos, tramas de toda ordem, declarações estapafúrdias por parte das autoridades e argumentos inverossímeis dignos de um enredo de 007. Mas desta vez, achamos, que as tratativas estão tomando o rumo certo.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A França resolveu rever o alto custo dos 36 caças Rafale, ponto mais desfavorável aos franceses na disputa com os fornecedores suecos (da Saab) e americanos (da Boeing), e, também, conceder ao Brasil exclusividade nas vendas do jato na América Latina para que o acordo seja firmado.

Os americanos reagiram, imediatamente, e informaram ao governo brasileiro que a proposta de transferência de tecnologia só foi aprovada pelo Congresso norte-americano no último dia 5 setembro.

“A Missão dos Estados Unidos no Brasil recebeu diversas indagações sobre a situação da proposta da Boeing para a concorrência dos caças FX-2. Entendemos que uma decisão final ainda não foi tomada em relação ao vencedor do contrato. O F/A-18 Super Hornet é um caça de avançada tecnologia testado em combate e acreditamos que é o melhor em comparação com seus concorrentes. O governo dos EUA apóia totalmente a venda do F/A-18 Super Hornet à Força Aérea Brasileira.

(…) Isso significa que a aprovação do Governo dos Estados Unidos para transferir ao Brasil as tecnologias avançadas associadas ao F/A-18 Super Hornet é definitiva. O governo aprovou também a montagem final do Super Hornet no Brasil.”

– Submarinos nucleares

Segundo o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia: “A questão essencial nessa escolha (submarinos franceses) é a troca de tecnologia, que os outros países não fizeram. Não vamos mais às compras, mas vamos co-produzir os nossos armamentos. E isso tem importância para o atual quadro de defesa da América do Sul”.

“O Brasil está prestes a adquirir da empresa estatal francesa DCNS (Direction des Constructions Navales Services) cinco submarinos pagando dez vezes o valor que poderia desembolsar se tivesse aceitado a proposta da empresa privada alemã HDW (Howaldtswerke-Deutsche Werft)”.

(O GLOBO)

O jornal O Globo, não menciona que a proposta alemã era apenas para a construção de dois submarinos convencionais (propulsão diesel-elétrica) e que a Marinha alemã não pode transferir tecnologia de construção de submarinos nucleares porque simplesmente não a possui.

A proposta francesa, por sua vez, inclui a construção, no Brasil, de quatro submarinos convencionais, que, através de transferência de tecnologia, capacitarão o País fabricar seus próprios submarinos com propulsão nuclear.

A proposta inclui, também, a construção de um estaleiro para a fabricação de submarinos e de uma nova base naval, para os submarinos nucleares. A tecnologia nuclear do submarino será integralmente nacional, desenvolvida pela Marinha do Brasil.

– Cel Gélio Fregapani

Mais uma vez me socorro da lucidez e do conhecimento estratégico militar de meu caro amigo Coronel Gelio Fregapani sobre a análise sobre a compra dos caças e submarinos nucleares pelo governo brasileiro transcrevendo parte de se Comentário nº 50, de 13 de setembro de 2009.

– Si Vis Pacem Bellum

“Se nosso objetivo é dissuadir, torna-se imperioso fazer com que o preço de qualquer agressão seja mais caro do que o possível lucro. Isto inclui a capacidade de causar danos na defesa e a capacidade de retaliar. Dentro dessas premissas, concluímos:

1. A melhor forma de dissuadir uma agressão é poder responder (retaliar) com um ataque nuclear. Quem tiver armas atômicas e meios de lançá-las sobre o país do agressor, estará livre de ataques militares e até mesmo de pressões insuportáveis. Submarinos nucleares sempre terão sua importância, mas só serão eficiente arma de dissuasão se dotados de mísseis com ogivas nucleares, capazes de atingir, das proximidades da costa, centros vitais do país agressor. Aumentando as tensões, teria que ‘viver’ no mar, incógnito, para evitar ser destruído no porto.

2. Se tratando de aviões, os únicos que poderiam retaliar seriam os Sukoy russos, pela autonomia. Para o combate, como plataformas de tiro, melhores ou piores, todos cumprem satisfatoriamente suas missões. O desempenho depende mesmo é do armamento e dos ‘avionics’. Contra um inimigo infinitamente superior, independente do tipo da aeronave, não teríamos chance de vitória ou de causar dano expressivo, mas provavelmente os nossos seriam destruídos ainda em terra. Neste caso a sobrevivência dependerá do sucesso em ocultar o local de guarda, o que favoreceria a escolha de aviões de pouso e decolagem vertical, mesmo em detrimento de outras características. Ainda assim, quaisquer dos que comprarmos serão úteis para manter a respeitabilidade entre e os vizinhos e, principalmente, para inibir (e combater), firmas de segurança tipo Blackwaters e Halliburton eventualmente contratadas pelas ONGs indigenistas para garantir a independência das reservas.

3. Em terra, não há como se enfrentar, em campo raso, exércitos infinitamente superiores, mas podemos desafiá-los com guerrilhas na selva, nas cidades e nos sertões, desde que haja população brasileira no local. Ainda que seja mínima a capacidade de retaliação – a não ser sobre os aliados do país mais forte – a capacidade de causar dano, de cobrar um preço caro demais pela agressão, dependerá de adequarmos o armamento, o equipamento e os procedimentos para a nova realidade.

A mobilidade ainda crescerá de importância, mas não as blindagens; motociclos e ‘boogies’ armados com mísseis devem substituir os dispendiosos e vulneráveis carros de combate (tanques). De vital importância serão os mísseis portáteis e as armas manejadas e controladas a distância, as minas e o jogo de sensores. Entretanto a chave da vitória será sempre a existência de uma população local, armada e imbuída de decisão de defender a Pátria. Só isto que deixa uma região inconquistável.

Isto evidencia o erro estratégico de interditar a fronteira aos não-índios. Só poderemos reverter a bobagem que fizemos, permitindo garimpos nas reservas”.

– Parceria com a França (Cel Gélio fregapani)

“Há lógica na definição da parceria militar com a França. Lógica, comercial, mas principalmente política. A França e o Brasil se unem, não contra os EUA, mas de alguma forma para fugir da sua influência.

Na época da bipolaridade, razões históricas e geográficas nos colocaram como aliados menores (satélites) dos EUA, o que, se não foi vantajoso pelo menos cumpriu a finalidade da segurança. Com a queda do mundo comunista, todos ficaram na incomoda posição de subordinação à hegemonia Norte-Americana, reconheçamos, bem mais suave do que as anteriores, mas nela não mais havia motivo para contemporizar com seus aliados e se ampliaram as desconfianças pré-existentes na medida em que disputavam o controle dos recursos naturais. Mesmo antes da crise, o futuro já apontava para uma tendência ao poder multipolar, cada grupo com um líder e seus satélites.

Numa comparação doméstica, Colômbia e Peru aprofundam a sua ligação com os EUA, aliás, de dependência. A Venezuela, o Equador e a Bolívia voltam-se para a Rússia, em alianças também desequilibradas, enquanto o Brasil tende a optar pela França, formando um bloco onde ambos os parceiros tem a mesma importância.

A orgulhosa França secularmente procura não se submeter a hegemonias, mas mesmo sendo um dos mais sofisticados tecnologicamente, não dispõe de base física para, sem alianças, ser um dos pólos de poder mundial. O Brasil, um país continental, com a Amazônia, mercado crescente, com produção agrícola, biocombustíveis e agora com o pré-sal, sem falar das maiores jazidas de urânio do planeta, torna-se para a França, o parceiro ideal. Poderia também ser o parceiro ideal para outras potências tecnológicas sem a base física, pois nenhum bloco pode ser significativo sem os recursos naturais de um país-continente. Foi uma questão de escolha.

Na parceria houve interesse estratégico. Para nós, a certeza da transferência de tecnologia propiciará o avanço que almejamos e em troca a França certamente visa, mais do que a mercados, ao acesso a recursos naturais escassos no mundo, entre os quais, sou capaz de apostar, o urânio. Vale lembrar que a França é uma potência nuclear. Por que não podemos ser também?

Prosseguindo esta parceria como esperamos, será formado um novo centro de poder a altura dos demais, mas onde os parceiros serão iguais e complementares”.

¹ Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br