A lista Fachin: por que não descobriram antes?

Os nomes vazados do processo de Fachin

Como pode um país com quase 30 milhões de desempregados ter esperado tanto para ver que uma das razões fundamentais de sua miséria e desemprego com certeza foram por causa desses homens que detêm o poder público e os corruptores da iniciativa privada que roubaram tanto.

Se for verdade, tudo o que está sendo dito pode conflagrar um povo com fome, sem saúde pública para assisti-los, sem escolas para seus filhos estudarem, sem segurança pública para garantir o ir e vir.

Sendo verdade, os que disseram parecem não querer a paz. Então o que querem esses homens?

Por que vazar as informações dos corruptos e não prendê-los, sequestrando seus bens, os colocando em disponibilidade até termos certeza de que são eles mesmos os ladrões, para que posteriormente possamos levá-los às mesmas condições que vivem os desempregados e à margem da sobrevivência?

Os miseráveis da Revolução Francesa eram um povo em número infinitamente menor do que os 200 milhões de brasileiros, e se o Brasil tem por volta de 30 milhões de desempregados, e esses desempregados tem pelo menos dois ou três dependentes, são por volta de 120 milhões na miséria ou que vivem quase no limite da sobrevivência.

Os franceses tinham seus miseráveis que fizeram a revolução. Mas sendo a França o berço de cultura, até os miseráveis tinham cultura.

Aqui, temos um país com apenas 500 anos, pobre, sem cultura, onde este povo marginalizado não tem conhecimento do certo e do errado. É um povo sem instrução e pouca cultura para fazer a definição social da forma violenta necessária para reagir contra esses que são os responsáveis pelas condições de vida do atual momento do Brasil. Que definição ou que expectativa podem dar os sociólogos sobre tal fenômeno?

Não se fala mais do anormal ex-governador do Rio de Janeiro. Não pode haver qualquer dúvida de que é um doente que conviveu produzindo outros doentes da corrupção. Há uma definição de que o louco pode fazer outros loucos.

Com certeza esse é o caso. O louco, que não conhecia os limites da dignidade, não merece esse povo que não participou das bandalheiras, que não tem o direito de sofrer sem ter o mínimo de reação. Os que estão reagindo pelo povo, com o maior respeito às leis, parecem estar reagindo com um pouco de hipocrisia.

A reação a essa gente não pode ser simplesmente a tornozeleira eletrônica. O nível de assalto ao poder público requer uma bola de ferro presa aos pés dos assaltantes do Estado.

A reação a essa gente não pode ser o presídio, mas os campos de concentração, vivendo à sorte, com sol e chuva e com todo tipo de intempéries.

Se alimentando do que eles mesmos produzem nos campos de concentração. É o mínimo que o povo sofrido pode aguentar sem reagir.

> > ‘The New York Times’: Políticos mais poderosos do Brasil na mira da justiça

> > ‘El País’: Justiça do Brasil ordena investigação a oito ministros de Temer

> > ‘Financial Times’: No Brasil, Justiça ordena investigação a políticos mais poderosos

Crise de legitimidade e o bonapartismo jurídico-policial

A tentativa de inclusão, pelo Congresso Nacional, de uma nova qualificação do crime de abuso de autoridade, no projeto de lei de iniciativa popular de combate à corrupção, capitaneado pelo Ministério Público e apoiado por Sergio Moro e outros expoentes do Judiciário, inclusive no STF, e o conflito, seguido de “acordão”, em torno do afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado, por um lado, confirmaram o protagonismo corporativo do aparato jurídico-policial na conjuntura e, por outro, trouxeram à tona sua disputa com as duas casas do Legislativo.

Há uma relação política entre a crise de legitimidade das instituições do sistema representativo – o Congresso, os partidos e a Presidência da República – e a exacerbação do ativismo do partido jurídico-policial.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

No processo do impeachment, tanto a maioria dos partidos e parlamentares do Congresso como o aparato jurídico-policial (Judiciário, Ministério Público da União e Polícia Federal) e Michel Temer (primeiro enquanto vice-presidente, depois na condição de presidente interino) estavam do mesmo lado, cada um, na divisão de trabalho institucional, atuando e exercendo funções que contribuíram para as condições estruturais e de agência que resultaram na deposição da presidenta, mesmo que não por corrupção, mas por suposto crime de responsabilidade na gestão fiscal.

No confuso clima político-midiático então criado, corrupção, crime fiscal e crise econômica emergiram, na percepção de segmentos numerosos do eleitorado, como elementos bastante indistintos. Observe-se, por exemplo, as declarações de votos favoráveis ao processo de impeachment na Câmara e no Senado, nas duas ocasiões-chave protagonizadas por cada uma dessas casas legislativas, como evidência da confusão motivacional do impeachment. Agora, apenas após pouco mais de cem dias da posse do governo Temer, há fissuras importantes tanto entre as forças institucionais dirigentes da nova ordem, situadas nos Três Poderes, como também entre o movimento social anticorrupção, os insatisfeitos em geral com o estado do país e os representantes políticos.

A crise de legitimidade das instituições pode ser percebida empiricamente por vários indicadores, que possuem diferentes metodologias e alcançam resultados diferentes, mas não deixam de ser reveladores.

O Índice de Confiança Social (ICS) do IBOPE Inteligência avalia a confiança da população em 18 instituições públicas e privadas. Os dados disponíveis do ICS vão de 2009 a 2015, mas identificam claramente a queda na confiança em todas elas ao longo do período. Considerando apenas as instituições públicas nacionais, vejamos essa queda de 2014 para 2015, em termos percentuais: Poder Judiciário/Justiça, de 48 para 46; Eleições/Sistema Eleitoral, de 43 para 33; Governo Federal, de 43 para 30; Presidente da República, de 44 para 22; Congresso Nacional, de 35 para 22; Partidos Políticos, de 30 para 17. Por outro lado, há o Índice de Confiança na Justiça brasileira – ICJBrasil, formulado pela Escola de Direito da FGV-SP com o objetivo de detectar a percepção dos cidadãos sobre o Judiciário, mas que também coleta dados, para fins comparativos, do sentimento em relação a outras 12 instituições públicas e privadas.

Em duas pesquisas, uma referente ao período do 1º ao 4º Trimestre de 2014 e a outra ao 1º semestre de 2016, os resultados foram os seguintes: Índice de Confiança (IC) nas Forças Armadas, cai de 67% para 59%; IC no Ministério Público, de 49% para 36%; IC no Poder Judiciário, de 30% para 29%; IC na Presidência da República/Governo Federal, de 29% para 11%; IC no Congresso Nacional, de 18% para 10%; IC nos Partidos Políticos, 7% nos dois momentos. Ademais, a mais recente pesquisa do Datafolha revelou que, de julho a dezembro, a reprovação do governo Temer aumentou de 31% para 51%. O próprio modo como o atual chefe do Executivo chegou ao cargo máximo das instituições representativas já não lhe favorece perante uma importante parcela dos eleitores.

Esses dados permitem sustentar a hipótese, que não é nova, da crise de legitimidade das instituições públicas, especialmente as do sistema representativo, haja vista a insatisfação com o desempenho do Poder Executivo, do Poder Legislativo e dos partidos. Mas a confiança no Judiciário também é baixa, por ele ser lento, ineficiente, portador de privilégios corporativos etc. Então, como entender que, na crise do “mensalão” o ex-ministro Joaquim Barbosa, que relatou no STF a Ação Penal 470, e agora, na Lava Jato, o juiz Sérgio Moro viram sua reputação ascender perante a opinião pública?

Uma tentativa de resposta passa pela compreensão da relação entre o aparato jurídico-policial e a grande mídia na Operação Lava Jato e na crise brasileira. Desde seu início, a Lava Jato, que reúne em seu exército uma nova safra de juízes, procuradores e policiais federais, se mostrou disposta a exercer um papel político ativo na renovação nacional. Não à toa, ela foi alcunhada de “República de Curitiba”.

Suas lideranças, a começar por Sérgio Moro,requisitaram e conseguiram o apoio midiático para a divulgação tanto de seus atos formais e públicos quanto dos informais, como os vazamentos de delações premiadas. O objetivo é garantir, através da grande mídia, que faz a mediação comunicativa entre a Justiça e a opinião pública, suporte sociopolítico para combater a corrupção.

Esse combate tem razões materiais, ideológicas e políticas. Ele visa sanear moralmente o sistema político, rompendo os vínculos criminosos entre os representantes eleitos e os empresários; serve para que os novos ocupantes de cargos públicos altamente bem remunerados do aparato jurídico-policial, ao mostrarem serviço no seio de instituições que, em regra geral, são pouco confiáveis, busquem justificar seus ganhos e alavancar novos privilégios; ademais, a bandeira da rejeição ao crime contra a administração pública tem sido a plataforma monotemática recorrente, na história do Brasil, da classe média tradicional, segmento social de pertencimento dessa elite da burocracia pública e da principal base de suporte do partido anticorrupção.

Diante do acirramento do conflito distributivo, decorrente do crescimento baixo no primeiro mandato de Dilma e ainda mais agora com a recessão inédita, a classe média tradicional rejeitou as políticas redistributivas e o aumento da autonomia relativa do Estado, observado até 2014, resultante do maior equilíbrio de forças entre os grupos do capital e do trabalho assalariado.

Do ponto de vista da grande mídia, a dobradinha com a Lava Jato visou e ainda visa combater as gestões petistas, vencedoras de quatro pleitos presidenciais consecutivos, criminalizar a sua liderança máxima, resgatar a perda de confiança dos meios de comunicação perante a opinião pública e afirmar seu poderio empresarial e de agenda na cena política.

O referido ICS do IBOPE Inteligência dos meios de comunicação caiu de 71%, em 2009, para 59% em 2015. Não é baixo, mas a trajetória foi de queda. Por outro lado, no último ICJBrasil, a confiança nas emissoras de TV foi de 33%, ou seja, baixa.

Se, por um lado, a corrupção é um crime que qualquer Estado de Direito deve combater, a Lava Jato, com a preciosa ajuda dos oligopólios da comunicação, incorpora, apenas na aparência, esse valor universal e parte para a ação punitiva como se o encarnasse, mas, apoiando-se em práticas investigativas e judiciais com assumido caráter de exceção, conforme reconheceu o próprio TRF-4, e no ilusionismo midiático, acaba por esconder sua parcialidade, seletividade e violência atrás da ideologia de que serve ao interesse geral.

Até recentemente, a cruzada contra a corrupção abriu caminho político para as políticas ultraliberais do governo Temer. Nesse sentido, a Lava Jato auxiliou muito no desempenho, pelo Estado, da função de coesão contra a crise, crise que a própria operação jurídico-policial-midiática, em um primeiro momento, ajudou a construir, para, em seguida, propor como solução a defenestração do governo do partido que encarnaria a criminalização da política.

No entanto, com a perseverança da crise econômica, com o aprofundamento da crise de legitimidade das instituições do sistema representativo, com as incessantes novas revelações de irregularidades investigadas pela Lava Jato, sobretudo agora através dos primeiros vazamentos da delação premiada dos executivos da Odebrecht, e com a manutenção do espírito salvacionista e justiceiro das forças que apoiam a iniciativa popular legislativa contra a corrupção, emergiu um conflito entre os Poderes da República opondo, por um lado, Executivo e Legislativo, particularmente o PMDB, e, por outro, o partido anticorrupção, cujo nível de autonomia no seio do aparato estatal passa a reunir características bonapartistas decorrentes da disputa política em contexto de crise de liderança.

Como apontou recentemente o cientista político Armando Boito (Unicamp), em um breve artigo, observam-se elementos de conflito entre a frente econômico-política do projeto neoliberal e seu braço jurídico-político-ideológico. Nessa hipótese, haveria, nesse momento da crise, uma tensão importante, embora não uma ruptura, ao menos até agora. Por um lado, estariam os interesses econômicos e políticos vinculados à resposta conservadora ao conflito distributivo entre as classes no sistema produtivo e entre cidadania e Estado e, por outro, o partido anticorrupção, apoiado pela grande mídia e pela classe média tradicional, liderada pelos seus estratos de renda alta.

Para se fortalecer na disputa, tentar se livrar da pecha de seletividade e mostrar-se como portador de uma luz na escuridão nacional não sujeita a restrições, mesmo que razoáveis, o partido jurídico-político-policial vai exacerbando seu ativismo bonapartista, de viés autoritário, inclusive restringindo ao Congresso Nacional o direito, que lhe é inerente, de legislar, a não ser que não seja sobre a questão do abuso de autoridade.

As manifestações de rua do partido anticorrupção, ocorridas em 4 de dezembro, a decisão monocromática de Marco Aurélio Mello afastando Renan Calheiros da Presidência do Senado e a suspensão, por Luiz Fux, da tramitação do projeto de Lei de iniciativa popular contra a corrupção são eventos que encarnam a referida tensão. (Volto em 17 de janeiro)

* Marcus Ianoni é cientista político, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador das relações entre Política e Economia.

Governo soube de delação da Odebrecht antes de divulgação na imprensa

O presidente Michel Temer e a cúpula de seu governo tiveram conhecimento do teor da delação de Claudio Mello Filho, ex-diretor da Odebrecht, antes mesmo que a informação chegasse à imprensa, que noticiou envolvimento do primeiro escalão do Palácio do Planalto que atingia, inclusive, o chefe do Executivo.Conteúdo de delação circulou nos corredores do Palácio do Planalto dias antes de chegar à imprensa

Conteúdo de delação circulou nos corredores do Palácio do Planalto dias antes de chegar à imprensa.

A informação é da coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo desta segunda-feira (19).

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De acordo com a colunista, Temer soube dias antes da divulgação sobre a citação de seu próprio nome na delação e do envolvimento de alguns de seus auxiliares diretos, dentre eles José Yunes, o então Assessor Especial da Presidência da República, que pediu demissão no dia 14.

No depoimento, o ex-executivo da Odebrecht relata repasse de R$ 10 milhões para Temer e para o PMDB tendo Yunes como mediador direto.

Em tese, o conteúdo de delações é sigiloso e deveria ser de conhecimento apenas do Ministério Público Federal (MPF), dos delatores autores dos depoimentos e de seus advogados.

Na última semana, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse, sob pretexto dos vazamentos, ser “possível” a anulação da delação da Odebrecht. O Jornal do Brasil havia antecipado dias antes a “pizza” em que poderia acabar a delação que atinge a cúpula do PSDB e do PMDB. As declarações de Mendes confirmaram o editorial.

Joaquim Barbosa: ‘Temer acha que vai se legitimar, mas não vai’

Para ex-ministro do STF, impeachment de Dilma levou o país de volta ao passado."O Brasil deu um passo para trás gigantesco em 2016. As instituições democráticas vinham se fortalecendo de maneira consistente nos últimos 30 anos"“O Brasil deu um passo para trás gigantesco em 2016. As instituições democráticas vinham se fortalecendo de maneira consistente nos últimos 30 anos”

“Aí ela foi substituída por alguém que também não os têm [atributos para governar], mas que acha que está legitimado pelo fato de ter o apoio de um grupo de parlamentares vistos pela população com alto grau de suspeição. Ele [Temer] acha que vai se legitimar. Mas não vai. Não vai. Esse malaise [mal estar] institucional vai perdurar durante os próximos dois anos”, disse Joaquim Barbosa à Folha, depois de quase um ano sem dar entrevistas.

“O Brasil deu um passo para trás gigantesco em 2016. As instituições democráticas vinham se fortalecendo de maneira consistente nos últimos 30 anos. O Brasil nunca tinha vivido um período tão longo de estabilidade”, comentou na entrevista.

“E houve uma interrupção brutal desse processo virtuoso. Essa é a grande perda. O Brasil de certa forma entra num processo de ‘rebananização’. É como se o país estivesse reatando com um passado no qual éramos considerados uma República de Bananas. Isso é muito claro. Basta ver o olhar que o mundo lança sobre o Brasil hoje.”

Joaquim Barbosa já tinha declarado, em publicação nas redes sociais, que o afastamento de Dilma Rousseff foi um “impeachment Tabajara”.

Tabajara porque aquilo foi uma encenação. Todos os passos já estavam planejados desde 2015. Aqueles ritos ali [no Congresso] foram cumpridos apenas formalmente. O que houve foi que um grupo de políticos que supostamente davam apoio ao governo num determinado momento decidiu que iriam destituir a presidente. O resto foi pura encenação. Os argumentos da defesa não eram levados em consideração, nada era pesado e examinado sob uma ótica dialética.”

“Acuados por acusações graves, eles tinham uma motivação espúria: impedir a investigação de crimes por eles praticados. Essa encenação toda foi um véu que se criou para encobrir a real motivação, que continua válida”, completa o ex-ministro.

Para Joaquim Barbosa, “a sociedade brasileira ainda não acordou para a fragilidade institucional que se criou quando se mexeu num pilar fundamental do nosso sistema de governo, que é a Presidência”.

“Uma das consequências mais graves de todo esse processo foi o seu enfraquecimento. Aquelas lideranças da sociedade que apoiaram com vigor, muitas vezes com ódio, um ato grave como é o impeachment não tinham clareza da desestabilização estrutural que ele provoca”, atesta.

Joaquim Barbosa argumenta que as ações do Congresso nesta semana, inclusive, são “desdobramento do controvertido processo de impeachment, cujas motivações reais eram espúrias”.

“A lógica é a seguinte: se eu posso derrubar um chefe de Estado, por que não posso intimidar e encurralar juízes?”

A corrupção, a cadeia e o espetáculo

Há diferença entre os ex-governadores do Rio de Janeiro, presos na última semana, no que se refere ao comportamento psicológico com uma prisão.

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Os erros do ex-governador Anthony Garotinho foram muitos, sim, mas não justificavam que ele fosse colocado sob a marca de crime da corrupção.

Analisemos o patrimônio visível da família de Garotinho. Os filhos do secretário de Campos vivem em condição socioeconômica relativamente mediana.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Não são proprietários de fazenda, não têm carros maravilhosos, não têm condomínios na Região dos Lagos, não são sócios de empreiteira, não têm bancos — nem realizaram operações com bancos que justificassem qualquer comprometimento com o Banco Central –, não têm empreendimentos como a garagem Menezes Côrtes, não têm cavalos de salto em Bruxelas, seus ternos são de alfaiataria comum, não têm propriedades no exterior.

Hoje, um jornal de grande circulação publica fotos escandalosas que, essas sim, denigrem a imagem de um político e revoltam os desempregados que veem seus filhos morrendo de fome e de doença, figuras que se davam e que se dão ao luxo de todo o tipo de privilégio, do vestuário às mais íntimas ações fisiológicas.

Uma rápida comparação com o patrimônio dos últimos ex-governadores do Rio e de seus filhos – acusados de crimes como o de corrupção passiva e peculato em investigação sobre desvio de recursos públicos para propaganda do governo do estado – com o patrimônio do ex-governador Anthony Garotinho e de sua família, deixa evidente as diferenças gigantescas que existem.

A pessoa se envergonha com a prisão, a ponto de ter um entupimento de suas coronárias. Mesmo sabendo estar doente, se debatia para não ser preso — reação esperada de quem não é criminoso. O criminoso se entrega, como os corruptos que, flagrados, tentam negociar para que suas penas não sejam agravadas.

O crime eleitoral merece todo o tipo de punição, sim. Não só para o ex-governador, mas para centenas de prefeitos eleitos em quase todos os municípios do Brasil. Estes inquéritos, contudo, estão parados ou sob mandado de segurança.

Aqui não se procura justificar o erro, mas apontar a forma desumana como foi tratado um cidadão que tem seus direitos garantidos pelas leis brasileiras. Mesmo que tenha sido penalizado com a prisão, o espetáculo da imagem, da divulgação, do deboche não são próprios de seres humanos e não são justificáveis.

O país anda acelerado, comandado pelos escândalos do Rio de Janeiro, caminhando para uma convulsão. O clima de insegurança é grande. Vale lembrar que o vice-governador, quando ocupava interinamente o posto de governador do Rio, chegou a pedir ao governo federal, junto aos ministros da Justiça e da Defesa, intervenção na segurança pública. Mas o governo federal não atendeu.

Se um “basta” não for dado, não com inquérito ou com delações, mas com punições severas iguais as que surgem como consequência desses escândalos, com a perda de patrimônio, os efeitos podem deixar marcas mais profundas.

A justiça poderia transformar o patrimônio desses senhores em patrimônio do povo, mesmo sabendo que não seria o suficiente para o retorno da estabilidade. Falta muito para o dia em que esses senhores perderão efetivamente o patrimônio estabelecido com o que foi roubado. Até lá, o patrimônio do povo pode sofrer consequências ainda mais nefastas.
JB

Endividamento chinês e crise mundial preocupam economistas

economiachinablog-do-mesquita“Se a China despencar, não passaremos ilesos”, alerta especialista.

A China vem acumulando desequilíbrios financeiros e uma dívida crescente que podem se traduzir em um novo choque financeiro global.

O endividamento chinês no final de 2015 já correspondia a cerca de 255% do PIB, um acréscimo de 107% nos últimos oito anos.

Com uma carteira de empréstimos de US$ 28 trilhões, uma crise do setor financeiro chinês teria consequências globais. O economista da Simplific Pavarini e professor de economia do Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo, se diz preocupado com o endividamento das empresas chinesas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

“Se você não paga o empréstimo do banco, ele tem prejuízo, e isso acarreta sim em um alerta”, disse. “Por que todo dia sai alguma coisa nova da China? Os analistas econômicos são como médicos que ficam com o dedo no gogó do paciente esperando algum sinal de sintoma. Tem que ficar de olho. Se a China despencar, vai ter um preço no mundo inteiro, e não passaremos ilesos”, completou o economista, acrescentando: “As economias estão interligadas por causa da globalização financeira. Aquela tese do descolamento não é factível. Então qualquer crise grande no mercado internacional afeta aqui, porque o canal que interliga as economias é a taxa de câmbio (dólar)”.

Crise na China pode afetar o resto do mundo

Segundo o diretor do Centro Chinês de Pesquisa Econômica e reitor da Escola Nacional de Desenvolvimento, ambos da Universidade de Pequim, Yao Yang, em um artigo publicado no Valor Econômico no mês passado, “a maior parte dessa dívida é detida por empresas estatais, responsáveis por apenas um terço da produção industrial, ao mesmo tempo em que recebem mais da metade do crédito concedido pelos bancos chineses. Embora a relação dívida sobre patrimônio do setor industrial como um todo tenha diminuído ao longo dos últimos 15 anos, a dívida das estatais chinesas aumentou desde a crise financeira mundial de 2008 para uma média de 66%, 15 pontos percentuais superior a de outras categorias de empresas”.

“A China tem um problema financeiro grave. Os bancos chineses emprestaram muito e não estão recebendo de volta, muitas empresas vão dar calote. E o quadro mundial já não está muito bom”, enfatizou o professor de economia da FGV/EPGE, Antonio Carlos Porto Gonçalves, que apesar da preocupação, demonstra otimismo na resolução do problema.

“Entretanto, as crises que não são previstas são muito mais complicadas. O governo chinês emite moeda e pode evitar essa crise. Na crise de 2008, o governo americano socorreu os bancos americanos, por que isso não poderia acontecer na China? Eu sou otimista”, exclamou Antonio.

Esse fenômeno pode não ter sido problema quando a economia chinesa estava crescendo, mas, para analistas em geral, pode representar, hoje, um grave risco econômico.

“Isso vai estar no radar dos mercados ao longo de 2017. Se a gente tiver uma pneumonia na China, o mundo vai ressentir”, completou o economista e professor do Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo.

Gigante asiático

O impacto da China no nível internacional gera interpretações bem distintas. De uma perspectiva econômica, o crescimento acelerado da China e a expansão de suas exportações nas últimas décadas são tanto objetos de elogios quanto de críticas. Desde 1978 quando começou o processo de abertura do mercado, instaurada pelo secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Deng Xiaoping, tem havido um aumento contínuo do peso do mercado na economia chinesa, e conseqüentemente, especulações a respeito de uma eventual crise financeira.

“Apesar dessa abertura gradual da economia, o sistema financeiro chinês tende a ser mais controlado do que nos outros lugares do mundo, em teoria essa presença do estado deveria fazer que a instabilidade fosse menor”, defendeu o professor de economia Unicamp, Bruno De Conti.

Para Bruno, as especulações são comuns, mas é ainda distante a possibilidade de uma crise se instaurar na China.

“Há dois anos houve um problema com a bolsa de valores em Xangai, e aí se especulou sobre uma crise por lá. Mas quando a gente olha para os bancos, os cinco principais que estão entre os maiores do mundo, são todos públicos. E isso dá, portanto, ao estado uma capacidade maior de controle até mesmo em eventuais momentos de crise”, completou.

Hoje a economia chinesa é a segunda maior do mundo e o país é o maior exportador mundial de mercadorias com cerca de US$ 2,27 trilhões, ou seja, 14% das exportações mundiais em 2015. O segundo colocado são os Estados Unidos com cerca de 9% das exportações mundiais, e o Brasil aparece em vigésimo quinto lugar, com 1,2%. O interesse chinês no cenário econômico está concentrado numa aposta de continuidade do crescimento acelerado e na defesa do processo de globalização da economia. A economia chinesa se transformou no principal motor de crescimento da economia mundial.
Jornal do Brasil/Rebeca Lerieri

A crise no Rio, os porcalhões responsáveis e os guardanapos

Os responsáveis pela crise no Rio de Janeiro, que fez com que o governador em exercício decretasse estado de calamidade pública – o que já repercute na imprensa internacional -, são aqueles porcalhões que se sujaram dos pés à cabeça em uma festa milhardária no exterior, e tiveram que lavar a cabeça com guardanapo, enquanto riam e gargalhavam do sofrimento do povo fluminense.

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Em entrevista, o governador destacou que se o Estado do Rio de Janeiro fosse uma empresa, iria ser fechada. Mas, e o povo, como fica com isso?

O jornal inglês The Guardian deu destaque na noite desta sexta-feira (17) ao decreto de calamidade pública, destacando que a medida ajuda a engrossar a lista de outros problemas que o país já precisava enfrentar, como impeachment da presidente Dilma, Zika, investigações sobre corrupção e dificuldades econômicas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“A maior preocupação para os 500 mil visitantes esperados para os Jogos é o corte no orçamento da segurança pública, o que contribui para os problemas enfrentados pela ‘pacificação’ de favelas e para um ressurgimento de crimes violentos. Isto em meio a advertências de que terroristas teriam o evento como alvo”, diz o jornal inglês.

>> ‘The Guardian’: Calamidade pública no Rio é embaraço para anfitrião da Olimpíada

Entre os personagens daquela festa milhardária estava o antigo secretário da Fazenda do Estado, que foi ministro da Fazenda no governo Dilma e hoje engana o mundo ao dirigir organismo internacional na área financeira. Outros que estavam ali enganam empresários, se empregando em suas empresas, talvez para fazer lobby de cobrança. E outro, da área de saúde, deve estar enganando ou tentando também com lobby para receber o que, quando secretário, ficou devendo a essas empresas.

Em agosto de 2010, Sérgio Cabral já dizia: “Ganhamos as Olimpíadas, que parecia um sonho impossível. Estamos mudando o Rio”. Ele tinha razão, ele já sabia que o Rio ia quebrar, mas na mão de outros. Mais tarde, em novembro do mesmo ano, Cabral declarou: “Ganhamos as Olimpíadas de 2016 não foi para termos 21 dias de alta cobertura de segurança dos convidados. Ganhamos para dar à população do Rio.”

E o povo, como fica?

É obrigado a assistir a tudo isso calado.

O próprio decreto fala em necessidade de atender às áreas de segurança, saúde e educação, basicamente.

Na segurança pública, o cidadão é assaltado e morto.

Na saúde, o enfermo tem como expectativa a morte. O acidentado no trânsito e o pobre doente em casa, se necessitarem do Samu, vão morrer, na ausência de ambulâncias, médicos e remédios.

Na educação, o aluno do colégio público, como não pode estudar, corre o risco da delinquência ou da sobrevivência sofrida.

Os servidores não recebem seus salários.

E La Nave Va…

E a Justiça não dará a esses senhores nem uma ‘tornozeleirinha’. Eles, os responsáveis por questões desde a queda de helicópteros com crianças mortas até o superfaturamento de empresas terceirizadas de todas as áreas, que não recebem do governo estadual mas também não reclamam, o que indica que os contratos firmados devem ter sido bem vantajosos para os envolvidos.

E o povo, como fica?

Depois que eles financiaram a Olimpíada, o povo se limita a trafegar por vias engarrafas, correndo o risco de perderem o emprego, os que ainda têm um, por não conseguirem chegar aos locais de trabalho na hora certa.

E o povo, como fica?

Os cientistas políticos e os sociólogos fazem suas previsões sobre o que pode vir a acontecer com esse povo. Eles concluem, por exemplo, que os policiais que vão para as ruas para tentar defender o estado e as famílias saem de casa conscientes de que suas próprias famílias podem perder o provedor. Os criminosos estão mais armados. Já a família precisaria esperar dois ou seis meses para receber os proventos do policial que morreu.

E o povo, como fica?

Enquanto o Brasil sofre, eles já providenciaram suas passagens e passaportes para viverem nas residências que devem ter no exterior.
JB

Tempestade perfeita: podemos estar caminhando para uma nova crise global?

ReutersSobre a freada da economia da China, George Soros diz que o país ‘tem um grande problema de adaptação’ – Image copyright Reuters

Não faz nem uma década que as bolsas em todo o mundo desabaram com o anúncio da quebra do banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos, e já há quem sinta as vibrações de um novo terremoto financeiro de proporções globais.

Diante da freada da economia chinesa, da brusca queda do preço do petróleo e da expansão do fenômeno dos juros negativos em países ricos, alguns economistas têm defendido que uma nova crise como a de 2008 estaria se avizinhando.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O megainvestidor George Soros, por exemplo, levantou essa possibilidade durante um evento no Sri Lanka, no mês passado. “Quando olho para os mercados financeiros há um sério desafio que me faz lembrar da crise de 2008”, disse.

Há, certamente, quem considere as comparações exageradas – ou mesmo perigosas, como afirmou o Secretário do Tesouro americano, Jacob Lew.

“Adoto um otimismo cauteloso ao olhar essas muitas áreas (da economia global) em que há riscos”, disse Lew em entrevista a BBC News. “Acho importante não permitir que esses riscos se tornem profecias autoanunciadas.”

No entanto, mesmo autoridades e economistas mais céticos sobre um novo crash global admitem que 2016 começou com um perigoso “coquetel” de ameaças econômicas – como definiu recentemente o ministro das Finanças britânico, George Osborne.

Mas, afinal, quais são os sinais que estão gerando tanta incerteza no que diz respeito à economia internacional? E como essas turbulências poderiam afetar o Brasil em um momento em que o país tenta superar dificuldades internas?

Para o professor de economia da PUC Antônio Carlos Alves dos Santos, a economia internacional enfrenta uma espécie de “tempestade perfeita”.

As dificuldades começaram com o desaquecimento da China e seu impacto sobre os preços das commodities.

No início do ano, uma grande instabilidade da bolsa de Xangai reforçou as suspeitas de que a economia chinesa poderia ter uma desaceleração drástica – o que no jargão econômico é conhecido como “hard landing”.

Soros, ao fazer o paralelo com 2008, mencionou justamente as incertezas sobre o gigante asiático.

“A China tem um grande problema de adaptação”, disse, explicando que o país está com dificuldades para encontrar um novo modelo de crescimento.

Petróleo e juros

ThinkstockQueda no preço do barril de petróleo amplia a incerteza para 2016
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A queda do preço do barril de petróleo para abaixo dos US$ 30 também foi um fator que ampliou o clima de incertezas em 2016.

O produto já acumula uma desvalorização de 70% desde 2014. Primeiro, em função de uma demanda fraca – para a qual também contribuiu o desaquecimento chinês. Segundo, porque o período de bonança do setor impulsionou uma série de investimentos em novas áreas de exploração e fontes alternativas de combustível fóssil – o que acabou levando a uma superprodução.

“Agora, a incógnita é como as empresas do setor e seus credores serão afetados por esse novo patamar de preços”, diz Santos.

“Temos rumores, por exemplo, de que produtoras de gás de xisto nos EUA estão passando por sérias dificuldades financeiras”, completa Wilber Colmerauer, diretor do Emerging Markets Funding, em Londres.

“E também há dúvidas sobre o impacto desse novo cenário nos bancos que emprestam para empresas e países produtores.”

A terceira fonte de incertezas no cenário global são as taxas de juros negativas adotadas por alguns países para seus títulos e depósitos das instituições financeiras nos Bancos Centrais.

Colmerauer explica que essas taxas negativas comprimem as margens de lucro dos bancos – então há quem acredite que alguns deles podem ter problemas.

“A verdade é que nunca vimos tantos países adotarem essa política de juros negativos, trata-se de um fenômeno novo. Então há muita incerteza sobre quais podem ser suas consequências”, diz.

Segundo o banco J.P. Morgan, há hoje cerca de US$ 6 trilhões em títulos públicos com juros negativos, o dobro do que há dois meses.

Na semana passada, até o FED, o Banco Central americano, anunciou que deixaria em aberto a possibilidade de adotar os juros negativos em função das adversidades da economia global, gerando grande alvoroço nos mercados que esperam um aumento da taxa este ano.

Já praticam juros negativos em seus títulos ou como taxa de referência o Banco Central Europeu, a Suécia, a Dinamarca e a Suíça, além do Japão, que recentemente emitiu pela primeira vez um título de longo prazo com rentabilidade negativa.

Se um país adota os juros negativos, na prática os investidores têm de pagar para emprestar seu dinheiro – em vez de receber uma remuneração. Os bônus de dez anos do governo do Japão, por exemplo, foram negociados por -0,035%, o que significa que quem emprestar para o país hoje, daqui a uma década poderá reaver um pouco menos do valor investido.

O fenômeno é impulsionado por uma corrida por economias de baixo risco. A lógica é que há tanta instabilidade no mercado que os investidores não se importam em perder um pouco de dinheiro pela certeza de que seus ativos estarão seguros.

Do lado das autoridades financeiras, o objetivo é estimular investimentos na economia real e, em alguns casos, combater a deflação – ou seja, a queda sistemática dos preços.

BBCO fato de o FED ter mencionado taxa de juros negativa como opção é sinal de que banco não considera retomada da economia dos EUA segura

O problema é que muitos interpretam essa política como um sinal de que as autoridades financeiras do país em questão não acreditam que sua economia vá melhorar tão cedo – e continuam preferindo perder pouco sem risco a arriscar perder muito investindo em uma economia pouco dinâmica.

O fato do FED ter mencionado a taxa de juros negativa como uma opção, por exemplo, acabou sendo interpretado pelos mercados como um sinal de que o banco ainda não considera que a retomada da economia americana é segura.

Queda no crescimento

Recentemente, o Banco Mundial contribuiu para essas visões mais pessimistas ao revisar sua previsão de crescimento para a economia global este ano de 3,2% para 2,9%.

Para Santos, porém, o cenário complicado não quer dizer que haverá um crash. “Há uma compreensão dos líderes globais de que isso deve ser evitado e várias medidas podem ser tomadas nessa direção”, diz ele.

“Só para mencionar um exemplo: a Arábia Saudita pode ser convencida a cortar sua produção de petróleo e voltar a atuar com uma estabilizadora desse mercado.”

No que diz respeito ao impacto de um eventual aumento das turbulências externas no Brasil, parece haver certo consenso de que se já não estava fácil para o país voltar a crescer em função de fatores internos – como a crise política -, a tarefa ficaria ainda mais difícil com um vendaval lá fora.

O atual cenário, de desaceleração das economias do sul do globo, é bem diferente do da crise de 2008, quando países emergentes atraíram a atenção de investidores que não conseguiam mais ganhar dinheiro em países desenvolvidos.

Segundo Colmerauer, hoje uma nova crise global poderia gerar uma fuga de capitais do Brasil (embora, para ele, também não haja sinais claros de que caminhamos para um colapso).

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Nova crise global pode gerar fuga de capitais do Brasil e uma desvalorização ainda maior do real – Image copyright Thinkstock

O resultado seria uma desvalorização ainda maior do real que, ao afetar o preço de produtos importados ou exportáveis (que no geral seguem os preços do mercado externo), pressionariam a inflação.

As exportações poderiam ganhar competitividade com um real mais fraco. Por outro lado, com uma economia global menos aquecida, a demanda por produtos exportados também seria menor.

“Com essa onda de juros negativos, podemos dizer hoje que o crédito está barato para quem tem um bom nome na praça”, diz Colmerauer. “Fossem outros tempos o Brasil poderia se aproveitar disso e tomar recursos emprestados para investir em infraestrutura, por exemplo. Mas com as nossas dificuldades internas, problemas econômicos e a perda de grau de investimento estamos em um outro grupo de países: o dos que tem cada vez mais dificuldade para atrair recursos mesmo aumentando muito suas taxas de juros.”

Para Santos, um dos grandes problemas para o Brasil é que a falta de acordo entre os grupos políticos pode dificultar uma reação a qualquer situação mais complicada que possa surgir no cenário internacional.

“Em situações de crise global, muitas vezes é preciso dar respostas rápidas”, diz ele. “Mas o governo e a oposição estão demonstrando ter uma imensa dificuldade de chegar a consensos, em construir uma pauta mínima em nome de um bem comum”, opina.
Ruth Costas/BBC

Economia: Bancos europeus e desempenho asiático alarmam mercados mundiais

A desaceleração do crescimento da China, a desvalorização das bolsas asiáticas e a saúde econômica dos bancos europeus inquietam investidores ao redor do mundo.

Em 2015, o PIB da China cresceu 6,9%, o pior crescimento desde 1990. A desaceleração preocupa mercados no mundo todo. Professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mauro Rochling acredita que a economia mundial passa por um período de turbulência.

“O pano de fundo dessa turbulência é a aterrissagem chinesa. Resta saber se a China vaiconseguir fazer um softlanding (desaceleração gradual) ou hardlanding (desaceleração abrupta)”, afirmou o professor.

>> “Terremoto bancário”: nova ameaça para a economia mundial

As ações dos bancos europeus estão perdendo mais valor do que na crise de 2008

Há alguns anos, a economia desse país crescia 12% ao ano. Atualmente tem crescido à metade. “Essa desaceleração provoca a queda das commodities e diversos países que dependem desse tipo de exportação foram prejudicados”, afirmou Rochling.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O Brasil é um dos que pode ser afetado pelo crescimento mais lento. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 27,2% do total exportado, em 2015, teve como destino o país asiático.

Rochling ressaltou, ainda, que haveria um fator positivo para o Brasil. “A queda das commodities ajuda a combater a inflação. Se não fosse por isso, teríamos uma alta extensiva nos preços dos combustíveis. Seria um impacto desastroso na inflação”, afirmou o professor.

As bolsas asiáticas também chamam atenção de investidores. Nessa semana, o mercado asiático perdeu os ganhos acumulados em um ano e meio. Na sexta-feira (12), as ações da Ásia caíram pela sexta sessão seguida. Nesse dia, o índice Nikkei, do Japão, recuou 4,8% e fechou a semana com perdas de 11%. Na terça-feira (9), a queda foi de 5,4%, a maior em quase três anos.

Terremoto bancário

Outro fator que também contribui para intensificar esse ambiente de crise é o sistema bancário. As ações dos bancos europeus estão perdendo mais valor do que na crise de 2008. Desde janeiro, as instituições financeiras do continente já perderam US$ 240 bilhões.

Um dos mais afetados é o alemão Deutsche Bank, que teve recuo de 9,5% no valor de suas ações na sessão de segunda-feira (8). O CEO da instituição, John Cryan, precisou se manifestar publicamente para tranquilizar os ânimos dos investidores. A imprensa alemã já chama essa crise de “terremoto bancário”.

Deflação

Para Maryse Farhi, economista e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além da crise financeira, alardeada pelos mercados, também há o risco de uma crise provocada pela deflação.

“Ainda não estamos lá, mas pode estar se delineando uma crise provocada pela deflação. Existe a possibilidade de os preços caírem, como acontece com o petróleo. Isso sim impactaria a economia real, já que as pessoas vão postergar o consumo, uma vez que os produtos podem estar mais baratos no dia seguinte”, declarou a professora.
JB/André Borba

Dona Regina continua voando, “apesar da crise”

A Folha divulgou o levantamento que a Agência Nacional de Aviação Civil) com o balanço do movimento do transporte aéreo.

regina

De novo, um recorde de passageiros.

As companhias aéreas transportaram 105,3 milhões de pessoas (97,9 milhões no mercado doméstico e 7,3 milhões no internacional).

No ano da Copa e tudo, foram 102,2 milhões, 95,9 milhões em voos dentro do Brasil.

A elite pode continuar a torcer o nariz, o povão não vai mais deixar de andar de avião.

Vai até “piorar”, segundo o Diário de Pernambuco publicou, com a criação de um centro de conexões nordestino pela Azul, adicionando 12 novas cidades em suas linhas e aumentando em 40% o número de assentos disponíveis.

Dona Regina, personagem-símbolo deste blog para o exercício pelo povão do direito de viajar de avião, vai bem, obrigado.
Fernando Brito/Tijolaço


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