Cavendish e o livro da Delta

Fernando Cavendish - Delta COnstruções
Fernando Cavendish – Delta COnstruções

É entre fraldas, chupetas e muitos problemas que o dono da Delta tem passado os dias.

O livro da Delta
Paula Cesarino Costa/Folha de S.Paulo

O empresário Fernando Cavendish, 49, está sendo estimulado a publicar a “única verdade que conhece”. Escreveu um livro, mas ainda não decidiu se vai publicá-lo.

Foi depois da queda de um helicóptero que levava amigos para sua festa de aniversário na Bahia, em junho de 2011, que se tornou uma figura conhecida.

Na ocasião, morreram sete pessoas, entre elas a mãe de seus dois filhos gêmeos, de dois anos, e ficou exposta a amizade com Sérgio Cabral, governador do Rio, Estado que tem vários contratos com a Delta.

Mas foi só com a CPI do Cachoeira -que investigou as ligações do banqueiro do jogo do bicho com políticos, empresários e órgãos públicos, no ano passado- que seu mundo começou a ruir.

Em especial com a revelação das ligações do diretor Cláudio Abreu, acusado de ser parceiro de Cachoeira.

No livro, Cavendish distancia-se de Cachoeira, diz que não ia a Goiás havia cinco anos e que seu estilo sempre foi o de delegar poder.

Demitiu 22 mil funcionários. Hoje, são 6.500. A Delta, considerada inidônea, está atolada em dívidas.

O empresário narra sua história.

O pai, pernambucano, tinha uma empresa pequena. Em 94, Cavendish montou uma sala no Rio.

Ambicioso, queria fazer a empresa acontecer. Percebeu que o meio era recheado de vícios, e cresceu na contramão, aceitando ganhar menos.

Bate na tecla de que o complicado no seu ramo de negócio é que, a cada dois anos, tem campanha eleitoral, e o cliente tem necessidade de “apoio empresarial”.

Mas o que pode ser mais explosivo -e que resiste a colocar em detalhes no livro- é sua avaliação de que a CPI acabou porque bateu no lugar errado, as grandes empresas.

“Ou acabava o Brasil e fechava para balanço. Ou acabava a CPI”, costuma falar. O que restará no livro?


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Mino Carta e traição do PT

E agora? Será que petistas e associados irão acusar Mino Carta de ter se convertido ao PIG?

A verdade que há tempos a fortaleza de pureza do PT começou a se desmanchar por dentro, e o jornalista em questão teria feito bem se houvesse escrito o artigo abaixo antes do julgamento do mensalão.
O texto aparenta ser um exercício de “bate e assopra”. O jornalista não cita nomes, exceto o de Lula e o colocando à margem do “imbroglio”. As críticas que faz de há tempos são de domínio público.
Entendo estar distante, a crítica, de um expressivo ‘mea culpa’.
José Mesquita – Editor

A traição do PT
Mino Carta
 (diretor de redação de Carta Capital)

Dizia um velho e caro amigo que a corrupção é igual à graxa das engrenagens: nas doses medidas põe o engenho a funcionar, quando é demais o emperra de vez.

Falava com algum cinismo e muita ironia. Está claro que a corrupção é inaceitável in limine, mas, em matéria, no Brasil passamos da conta.


Mino enfim perdeu a paciência

Permito-me outra comparação.

A corrupção à brasileira é como o solo de Roma: basta cavar um pouco e descobrimos ruínas. No caso de Roma, antigos, gloriosos testemunhos de uma grande civilização.

Infelizmente, o terreno da política nativa esconde outro gênero de ruínas, mostra as entranhas de uma forma de patrimonialismo elevado à enésima potência.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A deliberada confusão entre público e privado vem de longe na terra da casa-grande e da senzala e é doloroso verificar que, se o País cresce, o equívoco fatal se acentua. A corrupção cresce com ele. Mais doloroso ainda é que as provas da contaminação até os escalões inferiores da administração governamental confirmem o triste destino do PT. No poder, porta-se como os demais, nos quais a mazela é implacável tradição.

Assisti ao nascimento do Partido dos Trabalhadores ainda à sombra da ditadura. Vinha de uma ideia de Luiz Inácio da Silva, dito Lula, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo até ser alvejado por uma chamada Lei de Segurança Nacional. A segurança da casa-grande, obviamente.

Era o PT uma agremiação de nítida ideologia esquerdista. O tempo sugeriu retoques à plataforma inicial e a perspectiva do poder, enfim ao alcance, propôs cautelas e resguardos plausíveis. Mantinha-se, porém, a lisura dos comportamentos, a limpidez das ações. E isso tudo configurava um partido autêntico, ao contrário dos nossos habituais clubes recreativos.

Perdeu a linha

O PT atual perdeu a linha, no sentido mais amplo. Demoliu seu passado honrado. Abandonou-se ao vírus da corrupção, agora a corroê-lo como se dá, desde sempre com absoluta naturalidade, com aqueles que partidos nunca foram.

Seu maior líder, ao se tornar simplesmente Lula, fez um bom governo, e com justiça ganhou a condição de presidente mais popular da história do Brasil. Dilma segue-lhe os passos, com personalidade e firmeza. CartaCapital apoia a presidenta, bem como apoiou Lula. Entende, no entanto, que uma intervenção profunda e enérgica se faça necessária PT adentro.

Tempo perdido deitar esperança em relação a alguma mudança positiva em relação ao principal aliado da base governista, o PMDB de Michel Temer e José Sarney. E mesmo ao PDT de Miro Teixeira, o homem da Globo, a qual sempre há de ter um representante no governo, ou nas cercanias. Quanto ao PT, seria preciso recuperar a fé e os ideais perdidos.

Cabe dizer aqui que nunca me filiei ao PT como, de resto, a partido algum. Outro excelente amigo me define como anarcossocialista. De minha parte, considero-me combatente da igualdade, influenciado pelas lições de Antonio Gramsci, donde “meu ceticismo na inteligência e meu otimismo na ação”.

Na minha visão, um partido de esquerda adequado ao presente, nosso e do mundo, seria de infinda serventia para este País, e não ouso afirmar social-democrático para que não pensem tucano.

O PT não é o que prometia ser. Foi envolvido antes por oportunistas audaciosos, depois por incompetentes covardes. Neste exato instante a exibição de velhacaria proporcionada pelo relator da CPI do Cachoeira, o deputado petista Odair Cunha, é algo magistral no seu gênero. Leiam nesta edição como se deu que ele entregasse a alma ao demônio da pusilanimidade. Ou ele não acredita mesmo no que faz, ou deveria fazer?

Fanfarrões

Há heróis indiscutíveis na trajetória da esquerda brasileira, poucos, a bem da sacrossanta verdade factual. No mais, há inúmeros fanfarrões exibicionistas, arrivistas hipócritas e radical-chiques enfatuados. Nem todos pareceram assim de saída, alguns enganaram crédulos e nem tanto.

Na hora azada, mostraram a que vieram. E se prestaram a figurar no deprimente espetáculo que o PT proporciona hoje, igualado aos herdeiros traidores do partido do doutor Ulysses, ou do partido do engenheiro Leonel Brizola, ¬obrigados, certamente, a não descansar em paz.

Seria preciso pôr ordem nesta orgia, como recomendaria o Marquês de Sade, sem descurar do fato que algo de sadomasoquista vibra no espetáculo. Não basta mandar para casa este ou aquele funcionário subalterno. Outros hão de ser o rigor, a determinação, a severidade. Para deixar, inclusive, de oferecer de graça munição tão preciosa aos predadores da casa-grande.

Seria muito bom se pudéssemos construir/participar de uma grande mesa redonda (ou quadrada que fosse) para aprofundarmos as “mazelas” de nosso Pais e de nossa sociedade. Com certeza, todos teríamos com o que contribuir.

Como quem dá a ideia deve ser o primeiro a se colocar a disposição, faço-o desde já.
Tribuna da Imprensa

Mensalão: e o dos tucanos?

O STF, no meu entendimento, ao condenar os parlamentares acusados no processo do chamado “mensalão”, reconhece que tais parlamentares receberam dinheiro para votar a favor do governo, nos projetos de lei que tramitavam no Congresso Nacional a época.

Assim entendo que tais votações são nulas de pleno direito, por viciadas em função de esses parlamentares estarem corrompidos. Estariam nesse rol de votações nulas a reforma da previdência e as privatizações, entre outras aprovadas na ilegalidade da compra de parlamentares.

Será que o STF usará a mesma régua quando houver, se houver o julgamento do mensalão do Azeredo? Permanecerá o inacreditável princípio do “domínio do fato”?

Gostaria muito de ver um parlamentar do próprio governo subir à tribuna do Congresso Nacional com o livro “A Privataria Tucana” em uma mão, e a “Revista Carta Capital”, ver capa abaixo, na outra, e pedir uma CPI. Não sei se a República agüentaria.

Esse é o dilema. Ou tudo muda em relações às votações, ou tudo não passa de um grande teatro. Eu espero estar enganado.

José Mesquita – Editor


O “mensalão” tucano
Por Mino Carta, na Carta Capital

A mídia nativa entende que o processo do “mensalão” petista provou finalmente que a Justiça brasileira tarda, mas não falha. Tarda, sim, e a tal ponto que conseguiu antecipar o julgamento de José Dirceu e companhia a um escândalo bem anterior e de complexidade e gravidade bastante maiores.

Falemos então daquilo que poderíamos definir genericamente como “mensalão” tucano. Trata-se de um compromisso de CartaCapital insistir para que, se for verdadeira a inauguração de um tempo novo e justo, também o pássaro incapaz de voar compareça ao banco dos réus.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A privataria
Não adianta denunciar os graúdos: a mídia nativa cuida de acobertá-los

Réu mais esperto, matreiro, duradouro. A tigrada atuou impune por uma temporada apinhada de oportunidades excelentes. Quem quiser puxar pela memória em uma sociedade deliberadamente desmemoriada, pode desatar o entrecho a partir do propósito exposto por Serjão Motta de assegurar o poder ao tucanato por 20 anos.

Pelo menos. Cabem com folga no enredo desde a compra dos votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, até a fase das grandes privatizações na segunda metade da década de 90, bem como a fraude do Banestado, desenrolada entre 1996 e 2002.

Um best seller intitulado A Privataria Tucanaexpõe em detalhes, e com provas irrefutáveis, o processo criminoso da desestatização da telefonia e da energia elétrica. Letra morta o livro, publicado em 2011, e sem resultado a denúncia, feita muito antes, por CartaCapital, edição de 25 de novembro de 1998. Tivemos acesso então a grampos executados no BNDES, e logo nas capas estampávamos as frases de alguns envolvidos no episódio.

Um exemplo apenas. Dizia Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do banco, para André Lara Rezende: “Temos de fazer os italianos na marra, que estão com o Opportunity. Fala pro Pio (Borges) que vamos fechar daquele jeito que só nós sabemos fazer”.

Afirmavam os protagonistas do episódio que, caso fosse preciso para alcançar o resultado desejado, valeria usar “a bomba atômica”, ou seja, FHC, transformado em arma letal. Veja eÉpoca foram o antídoto à nossa capa, divulgaram uma versão, editada no Planalto e bondosamente fornecida pelo ministro José Serra e pelo secretário da Presidência Eduardo Jorge. O arco-da-velha ficou rubro de vergonha, aposentadas as demais cores das quais costuma se servir.

Ah, o Opportunity de Daniel Dantas, sempre ele, onipresente, generoso na disposição de financiar a todos, sem contar a de enganar os tais italianos. Como não observar o perene envolvimento desse monumental vilão tão premiado por inúmeros privilégios? Várias perguntas temperam o guisado.

Por que nunca foi aberto pelo mesmo Supremo que agora louvamos o disco rígido do Opportunity sequestrado pela PF por ocasião da Operação Chacal? Por que adernou miseravelmente a Operação Satiagraha? E por que Romeu Tuma Jr. saiu da Secretaria do Ministério da Justiça na gestão de  Tarso Genro? Tuma saberia demais? Nunca esquecerei uma frase que ouvi de Paulo Lacerda, quando diretor da PF, fim de 2005: “Se abrirem o disco rígido do Opportunity, a República acaba”. Qual República? A do Brasil, da nação brasileira? Ou de uma minoria dita impropriamente elite?

Daniel Dantas é poliédrico, polivalente, universal. E eis que está por trás de Marcos Valério, personagem central de dois “mensalões”. Nesta edição, Leandro Fortes tece a reportagem de capa em torno de Valério, figura que nem Hollywood conseguiria excogitar para um policial noir. Sua característica principal é a de se prestar a qualquer jogo desde que garanta retorno condizente. Vocação de sicário qualificado, servo de amos eventualmente díspares, Arlequim feroz pronto à pirueta mais sinistra. Não se surpreendam os leitores se a mídia nativa ainda lhe proporcionar um papel a favor da intriga falaciosa, da armação funesta, para o mal do País.

Pois é, hora do dilema. Ou há uma mudança positiva em andamento ou tudo não passa de palavras, palavras, palavras. Ao vento. É hora da Justiça? Prove-se, de direito e de fato. E me permito perguntar, in extremis: como vai acabar a CPI do Cachoeira? E qual será o destino de quem se mancomunou com o contraventor a fim de executar tarefas pretensamente jornalísticas, como a Veja e seu diretor da sucursal de Brasília, Policarpo Jr., uma revista e um profissional que desonram o jornalismo.

Agnelo Queiroz, o neomilionário e a burla à Receita Federal

Está instalado o mistério!

O governador Agnelo Queiroz depois de jurar – por todos os juros? – durante depoimento na CPI do Cachoeira que era “pobre, pobre, pobre, dê-marré-dê,ci”, disputando a “pole position” da inocência com o também depoente governador Marconi Perillo, uma juíza do Distrito Federal diz que o governador não conseguiu comprovar com que dinheiro comprou uma casa em Brasília, segundo reportagem na Folha de S.Paulo.

Ficamos aqui, os Tupiniquins, com uma única certeza nesse embate de “honestidade”: o que todo mundo sabe é a eficiência dos políticos brasileiros em multiplicar o patrimônio após a chegada ao poder.
O mais primário levantamento acerca de qualquer político que entrou na vida pública praticamente sem patrimônio e hoje é rico, mostrará como é fácil perceber como o poder enriquece.

José Mesquita – Editor


Agnelo Queiroz, o governador neomilionário do PT, tenta burlar a Receita e escapar da Justiça

Há anos Helio Fernandes denunciou aqui o enriquecimento ilícito de Agnelo Queiroz, que começou quando era do PCdoB e foi nomeado diretor da Anvisa (Vigilância Sanitária), prosseguiu quando se tornou ministro do Esporte e se consolidou ao se eleger governador do Distrito Federal, já estando no PT.

Agora surge a confirmação das denúncias de Helio Fernandes de que Agnelo Queiroz seria uma espécie de Sérgio Cabral em estilo brasiliense, mas sem o exagero hollywoodiano do enriquecimento ilícito do governador do Rio.

A Receita Federal mostra que Agnelo Queiroz, para esconder o acúmulo de bens sem justificativa, declarou cerca de 80% de seu patrimônio à Receita Federal por meio de sua mulher, segundo documentos já entregues à CPI do Cachoeira.

Detalhe: em 2008, Queiroz declarou a Receita que não possuía nenhum bem…

Agora, sua declaração de bens à Receita difere totalmente da declaração obrigatória entregue à Justiça Eleitoral para ser candidato nas eleições de 2010, quando ele declarou a totalidade do patrimônio em seu nome.

A diferença da declaração ao TSE em relação aos dados informados ao fisco é de mais de R$ 900 mil.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Quatro imóveis e dois carros declarados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) constam apenas nas declarações de renda da médica Ilza Maria Queiroz, com quem o governador petista é casado em comunhão parcial de bens.

Para cobrir o instigante enriquecimento de Queiroz, a Folha escalou quatro repórteres: Andreza Matais, Rubens Valente, Breno Costa e Filipe Coutinho.

Eles revelam que o relatório entregue à CPI do Cachoeira com as declarações de renda e movimentações financeiras de Agnelo Queiroz entre 2003 e 2011 destaca a existência de variação patrimonial “a descoberto” – ou seja, sem rendimentos que a justifiquem – de R$ 107 mil entre os anos de 2009 e 2010.

Caso os bens não declarados por Agnelo constassem da realação, essa variação seria muito maior, é claro.

Mansão no lago

O principal bem de Agnelo, registrado apenas pela mulher, é a casa onde vivem desde 2006, numa área de alto padrão em Brasília.

Ela foi adquirida, conforme escritura em cartório, por R$ 400 mil. Hoje, seu valor de mercado é superior a R$ 2 milhões.

Em depoimento à CPI, no último dia 13 de junho, Agnelo assegurou que o imóvel havia sido declarado à Receita. “A aquisição está declarada no Imposto de Renda. Há mais de cinco anos (…). Não há um único reparo em meu Imposto de Renda. Não tenho um centavo de patrimônio a descoberto”, afirmou Agnelo à comissão de inquérito.

O único bem que consta em sua declaração pessoal é um carro Kia Sportage, no valor de R$ 73 mil.

O sigilo fiscal de Agnelo revela, ainda, que ele declarou à Receita não possuir nenhum bem até 2008.

Caramba! Nenhum bem? É muita desfaçatez.

E não vai acontecer nada, podem apostar.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

Demóstenes Torres: por que não renuncia o despachante de luxo do Cachoeira?

É inacreditável que diante das contundentes provas, o senador Demóstenes Torres, a mais visível, falsa e hipócrita vestal do moralismo rastaqüera, não renuncie.

Parece que o “despachante de luxo de Carlos Cachoeira”, expressão constante do relatório do Senador Humberto Costa na Comissão de Ética do Senado, conta com o corporativismo, praga cultiva com desvelo no parlamento Tupiniquim, e/ou pelo fato da votação no plenário se dá através do voto secreto – outra excrescência amoral, imoral, e antidemocrática, para não ser condenado pelos pares. E pares aí, cai como uma luva nas ex-celências, excetuando-se um ou outro dedo mais asséptico.

Se o inefável alter ego de Cachoeira não renunciar, nenhuma surpresa, já que políticos brasileiros não tem nenhuma ideologia, que não e amora “fazemos qualquer negócio”, nem muito menos a mais leves crises de remorsos ou de consciência. O moralista de sarjeta será mais uma alma a perambular pelos emporcalhados tapetes, e será mais um marginal da cidadania a assombrar o antro produtor de escândalos.
José Mesquita – Editor


Renuncie senador
Coluna do Augusto Nunes/Veja

A reação do timaço de comentaristas à descoberta do lado escuro do senador Demóstenes Torres escancarou o abismo que separa o Brasil que presta do país reduzido pela Era Lula a um imenso clube dos cafajestes. Confrontados com as ligações promíscuas entre o parlamentar do DEM goiano e o delinquente Carlinhos Cachoeira, reveladas por VEJA, os brasileiros decentes não engoliram as desculpas indigentes gaguejadas pelo amigo de bicheiros. Continuaram a ver as coisas como as coisas são. E enxergaram no que parecia um oposicionista engajado no combate à corrupção mais um prontuário em ação na Casa do Espanto.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

É reconfortante a leitura dos comentários que enriqueceram o primeiro post sobre Demóstenes Torres. Os textos não escondem a decepção e a perplexidade dos que respeitam a lei, os valores morais e as normas éticas. Mas nenhum cede à tentação de justificar o injustificável. Nenhum escorrega no farisaísmo, na hipocrisia e na pouca vergonha que orientam a contra-ofensiva que invariavelmente mobiliza pais-da-pátria e soldados rasos quando um bandido de estimação é pilhado em flagrante.

Para o país que pensa, o que já foi revelado é suficiente para a incorporação de Demóstenes à bancada dos fora-da-lei. Nenhum comentarista berrou que todos são inocentes até o julgamento do último recurso. Ninguém exigiu mais provas, nem rabiscou outro poema celebrando o “devido processo legal”. Isso é conversa de devoto da seita que primeiro inocenta e depois canoniza todos os culpados do rebanho.

Demóstenas capitulou? Paciência. A rendição não virá, e o vazio deixado pelo desertor começa a ser preenchido pelo senador Pedro Taques, do PDT de Mato Grosso. Também originário do Ministério Público, Taques avisou nesta segunda-feira que não tratará com indulgência o colega com quem vivia dividindo projetos e ideias. “Vou tomar as minhas providências”, informou. “Não podemos proteger os amigos e prejudicar os inimigos”.

Numa das conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, a advogada Flávia Coelho, mulher do senador, conta a Carlinhos Cachoeira que o marido estava sob o assédio de cardeais do PMDB interessados em anexá-lo ao que Ciro Gomes qualificou de “ajuntamento de assaltantes”. Flávia e Cachoeira parecem muito animados com a ideia, que por algum motivo gorou. Pior para Demóstenes. Se tivesse atendido aos desejos da dupla, estaria neste momento sob a proteção de Lula, amparado por Dilma Rousseff e transformado pela turma da esgotosfera em mais uma vítima da mídia golpista.

Como se trata de um político da oposição, as milícias festejaram histericamente a chance de recitar, de novo, o bordão celebrizado por Chico Anysio quando encarnava Tavares, o canalha. “Sou, mas quem não é?”. Nós não somos, retrucam os textos do timaço dos comentaristas. Canalhas são os que tentaram impedir o despejo dos ministros ladrões e tentam agora garantir o emprego de um Fernando Pimentel. Canalhas são os que fazem do assalto aos cofres públicos um instrumento eleitoreiro. Esses têm tanta autoridade para atacar o senador goiano quanto teria um pedófilo para fazer palestras sobre educação infantil.

Demóstenes já foi condenado à morte política pelo eleitorado que traiu. Restam-lhe duas opções. A primeira é ignorar as provas e evidências, apostar no corporativismo da Casa do Espanto e vagar feito zumbi pelo Congresso até ser formalmente sepultado na próxima eleição. A outra é pedir desculpas aos eleitores ultrajados, devolver o cargo e voltar para casa. A segunda alternativa é menos indigna. E ofereceria à multidão de decepcionados o consolo de saber que alguns políticos ainda conseguem envergonhar-se dos pecados cometidos.

Renuncie ao mandato, senador.

Tags: Carlinhos Cachoeira, Casa do Espanto, Demóstenes Torres, Esgotosfera, Flávia Coelho, grampos

Tópicos do dia – 28/06/2012

08:44:55
Texto do Código Penal deve ser apreciado no plenário até o fim do ano

A comissão de Juristas convidada pelo Senado para dar início a reforma do Código Penal entregou ontem, após sete meses de trabalho, um documento de 400 páginas com as sugestões.

O calhamaço, recebido pelo presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB-AP), chega em forma de anteprojeto e vai tramitar normalmente, passando pela Comissão de Constituição e Justiça, antes de ser apreciado no plenário, o que deve acontecer até o fim deste ano.

A iniciativa de Sarney em convidar especialistas para dar o pontapé na reformulação da legislação, criada em 1940, gerou melindre entre parlamentares.

Por isso, não está descartada a criação de uma outra comissão — de senadores —, para analisar e alterar as propostas elaboradas pelos juristas.

A polêmica ganha força principalmente na bancada religiosa do Congresso, que critica algumas das sugestões, como a ampliação dos casos em que o aborto seria considerado legal — quando constatada a anencefalia do feto ou até a 12ª semana de gestação, caso médicos e psicólogos atestem que a mãe não tem condições de arcar com a maternidade.
Gabriel Mascarenhas/Correio Brasiliense

09:06:05
Justiça eleitoral multa Lula e Haddad por propaganda eleitoral antecipada
Justiça multa José Serra por propaganda eleitoral antecipada

A Justiça Eleitoral multou nesta quarta (27) o pré-candidato à prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB), em R$ 5 mil por propaganda eleitoral antecipada. A decisão é do juiz Henrique Harris Junior, da 1ª Zona Eleitoral, que percebeu em um site de Serra vídeos e textos com propaganda eleitoral. Serra promete recorrer da decisão. A representação foi proposta pelo Diretório Municipal do PT. A propaganda eleitoral é permitida somente após o dia 5 de julho.

11:36:14
Kassab proíbe distribuição de sopas aos moradores de rua – Brasil: da série “Kafka aqui é aprendiz”!

Prefeito de São Paulo, o inefável Kassab, quer proibir que entidades religiosas, e demais entidades e pessoas caridosas, continuem distribuindo sopa aos moradores de rua.
Além de não conhecer a Consituição Federal, a pantagruélica ex-celência merece o quê?
Sua (dele) ex-celência diz que é para ‘obrigar’ – Goebbels não encontraria termo mais apropriado à oratória do disparate do “Bürgermaister” – ,os “homelesses” a procurarem os abrigos mantidos pela prefeitura, onde são distribuídas sopas. E desde quando o “quanto mais melhor” deixou de ser o melhor para quem passa fome?

O elemento ainda ameaça: “as 48 instituições que oferecem o serviço voluntário nas vias públicas da região central poderão ser punidas, caso descumpram a ordem de só oferecer o alimento nas nove tendas da prefeitura, como são conhecidos os espaços de convivência social que atendem os moradores de rua durante o dia. Segundo o secretário de Segurança Urbana, Edsom Ortega, a entidades poderão ser “enquadradas administrativa e criminalmente”.
Com informações do portal Terra

12:12:50
CPI do Cachoeira: Deputada Íris de Araújo acusa partidários de Perillo de a ameaçarem nas redes sociais.

A deputada Íris de Araújo (PMDB-GO), que faz parte da CPI do Cachoeira, relatou nesta quarta-feira (27) que recebeu ameaças em redes sociais. Segundo a deputada, as intimidações foram feitas por integrantes do governo de Marconi Perillo (PSDB), em Goiás. “(São) recadinhos. ‘Ó, fulano disse – sempre alguém do governo – que o tratamento aqui vai ser de acordo com o comportamento na CPI’”, relatou a senadora. “Numa festa uma amiga chega e diz: ‘Olha, alguém me falou que é melhor maneirar, porque é perigoso. Você está mexendo com pessoal envolvido com o crime. Isso eu recebi várias, mas não dei importância”, completou. Íris é rival de Perillo na política goiana.
Com informações do portal IG.

12:18:38
Tucano vermelho ou petista com plumagem?

Encontro-me em estado de graça. Tucanos me acusam de petista. Petistas me acusam de ser tucano de carteirinha.
Maravilha! CQD


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Tópicos do dia – 16/06/2012

09:28:17
Collor de Melo coloca o Procurador Roberto Gurgel na alça de mira.

Na guerra particular que move contra o procurador-geral da República Roberto Gurgel, o senador Fernando Collor (PTB-AL) ajuizou meia dúzia de representações contra seu alvo.

Abriu frentes de batalha no Senado, no STF, na própria Procuradoria e no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).

O algoz de Gurgel escalou a tribuna do Senado para celebrar um par de “avanços”.

Disse que o relator das representações que protocolou no CNMP, conselheiro Almino Afonso Fernandes, “determinou a notificação” do procurador-geral e da mulher dele, a subprocuradora-geral Claudia Sampaio Marques, para que prestem “esclarecimentos” em 15 dias.

São duas as petições encaminhadas por Collor ao CNMP.

Numa, acusa Gurgel de ter incorrido em crime ao engavetar por quase três anos o inquérito da Operação Vegas, que lhe chegara às mãos em setembro de 2009.

Noutra, acusa-o de concentrar nas mãos da mulher Cláudia os processos que envolvem suspeitos com prerrogativa de foro –políticos no exercício de seus mandatos.

Em seu discurso, Collor deu especial realce ao fato de o conselheiro Almino ter determinado a “notificação” de Gurgel e Cláudia Marques no mesmo dia em que as representações foram protocoladas, terça-feira (12) passada.

Segundo ele, “é a primeira vez” que isso ocorre.

O senador enalteceu o “destemor” do relator, que deu celeridade aos casos a despeito de o CNMP ser presidido pelo procurador-geral –o mesmo Roberto Gurgel que Collor alveja em suas peças.

Tomado pelas palavras, o rival do chefe do Ministério Público Federal parece atribuir às suas investidas um caráter de cruzada.

Collor não fala noutra coisa -na CPI do Cachoeira, no plenário do Senado, nas conversas privadas, em toda parte. Dificilmente obterá o escalpo de Gurgel.

Mas está decidido a infernizar-lhe a existência.
blog Josias de Souza

12:13:36
PEC faz do Senado instância de recurso ao STF. Vixe!!! Isso não pode e não deve acontecer. Se, será uma indecência.

Um grupo de senadores ligados ao ex-presidente Lula articula discretamente uma Proposta de Emenda Constitucional baseada em um princípio explosivo: estabelecer o próprio Senado Federal como instância recursal ou revisora de decisões adotadas pelo Supremo Tribunal Federal que envolvam matérias constitucionais. Na prática, o Senado teria mais poderes que o próprio STF em decisões judiciais.

Inspiram a futura “PEC do STF” a insatisfação com decisões da Corte e o suposto arrependimento de Lula com algumas indicações de ministro.
Maior moita
A PEC do Supremo recebe tratamento secreto. Senadores que articulam a mudança constitucional pediram para não serem citados.
‘Nada a ver’
Os articuladores da PEC do Supremo negam que a intenção seja rever no futuro decisões como a eventual condenação dos réus do Mensalão.

coluna Claudio Humberto


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Veja, Lula e o Ministro Gilmar Mendes: Perguntas que sobram

“Gilmar X Lula: Perguntas que sobram”
Tereza Kruvinel – Reproduzido do blog da autora

Suponhamos que, no encontro do dia 26 de abril entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro Nelson Jobim e o ministro Gilmar Mendes, do STF, tudo tenha se passado exatamente como este último relatou à revista Veja, embora os outros dois neguem tratativas sobre o processo do chamado mensalão e a oferta de blindagem ao magistrado na CPI do Cachoeira, por parte de Lula, em troca do adiamento do julgamento.

A execração do ex-presidente foi imediata por parte dos que tomaram a narrativa do ministro como verdade indiscutível.

Falta perguntar, porém, se a conduta de Gilmar, como magistrado da corte suprema, foi correta. Manteve ele o decoro que deve ser exigido não apenas dos parlamentares e dirigentes do Executivo?

Foram observados os preceitos do Código de Ética da Magistratura Nacional, instituído em 2008 por Resolução baixada por ele mesmo, quando era presidente do STF, e por decorrência, do CNJ?

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Tal Código determina que o exercício da magistratura seja norteado “pelos princípios da independência, da imparcialidade, do conhecimento e capacitação, da cortesia, da transparência, do segredo profissional, da prudência, da diligência, da integridade profissional e pessoal, da dignidade, da honra e do decoro”.

Estranha irracionalidade

Manda o Código que o magistrado, buscando sempre a verdade nas provas, mantenha “distância equivalente das partes e evite todo tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito”. Mas Lula não é réu no caso do mensalão e por isso o encontro em si não foi aético ou indevido, como alguns disseram. Manda ainda o Código que o magistrado denuncie todas as tentativas de cercear sua independência.

Supondo que Lula o tenha mesmo pressionado, oferecendo proteção política em troca da postergação do julgamento, o ministro indignado procurou imediatamente seus pares para relator o ocorrido, de modo reservado, pautado pelo decoro? Aqui cabe ainda outra pergunta: se Lula, tendo perdido todo o tino político, estava disposto a enfiar o pé na jaca para cooptar ministros do STF, por que não começou pelo ministro Levandovski, que na condição de ministro revisor é quem, de fato, tem poder para ditar o timing do julgamento? Gilmar disse ter comentado com alguns colegas, só informalmente, antes de fazer o relato a Veja.

Exige o Código que os magistrados sejam contidos na relação com os meios de comunicação, evitando a autopromoção e a busca de reconhecimento, e mantendo reserva quanto aos processos em curso. E ainda que façam uso de “linguagem escorreita, polida, respeitosa e compreensível”. É pródigo em vedações sobre condutas e obtenção indevida de vantagens e benefícios. Se a viagem para Berlim foi paga pelo próprio STF (parcialmente, tendo o ministro comprado bilhete complementar com dinheiro próprio), a carona em jatinho para Goiânia não seria uma infração? Gilmar foi coerente com o Código que baixou?

Mas supondo sempre que tudo ocorreu como relatou o magistrado, constatamos que pelo menos uma acusação sem provas ele fez a Lula, a de que estaria espalhando boatos sobre seu suposto envolvimento com Demóstenes/Cachoeira. E ainda outra, a de que o delegado federal aposentado Paulo Lacerda estaria assessorando Lula e o PT com a missão de destrui-lo a ele, Gilmar. Lacerda, sabemos, deixou a Abin no governo Lula após ser acusado por Gilmar de ter grampeado conversa sua com o senador Demóstenes.

O áudio nunca apareceu e ficou por isso mesmo. Disse ainda o magistrado que Lula estaria a serviço de “bandidos”, “gângsteres” e “chantagistas” interessados em “melar o julgamento”, “arrastando o Judiciário para a vala comum”, “criando uma crise no Judiciário”. Não é preciso usar toga para concluir que um grande mal foi feito à imagem do Supremo pelo ministro Gilmar ao acender esta fogueira, na qual fez crepitar também informações nocivas a si mesmo. Há uma estranha irracionalidade em tudo o que ele fez. Ou foi um surto, ou há muita água turva neste caso.

Os apagões do mensalão

A única informação confirmada é esta : no escritório de advocacia do ex-ministro Nelson Jobim encontraram-se sigilosamente para uma conversa um ex-presidente da República e um ministro do Supremo Tribunal Federal.
por Sandro Vaia ¹

Não sabemos sequer se o dono do escritório participou da conversa, se participou de toda a conversa, se participou de parte da conversa, ou se só serviu cafezinho e frutas aos seus convidados.

Sabemos que da conversa produziu-se um caos.

Para que tais personagens se encontrariam secretamente ? Há algumas hipóteses tais como:

• Sentiam saudades um do outro.
• Tinham confidências para trocar.
• Queriam trocar ideias sobre a seleção de Mano Menezes.

Ou nenhuma das anteriores.

Segundo uma versão publicada pela revista Veja e posteriormente confirmada rumorosamente pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, o ex-presidente Lula encaminhou uma conversa esquisita sobre a inconveniência da data do julgamento do mensalão e fez uma disfarçada oferta de blindagem contra supostas acusações que apareceriam contra o ministro da CPI do Cachoeira.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Uma chantagem disfarçada ou apenas uma conversa inconveniente?

No testemunho de Nelson Jobim, essa conversa não existiu.

Ou melhor: não existiu nesses termos.

Segundo nota do Instituto Lula, a versão da revista Veja é falsa e provocou “indignação” ao seu patrono que, ao contrário de seus hábitos, calou-se.

Como observou a jornalista Dora Kramer, não se trata de versões conflitantes sobre uma mesma conversa. Há apenas uma versão – a do ministro Gilmar –  e duas negativas: a de Lula e a de Nelson Jobim.

Se a conversa não ocorreu nos termos descritos por Gilmar, ocorreu em outros termos, que permanecem misteriosos.

Lula e Jobim não negam que a conversa tenha existido. Negam que tenha sido aquela. Mas não dizem qual foi.

A guerra de versões ganhou a imprensa e as redes sociais e como sempre acontece nesse tipo de briga, cada uma das torcidas juntou as suas bandeiras, subiu na sua arquibancada, soltou seus rojões, instalou-se no seu canto, gritou suas palavras de ordem e entrincheirou-se em suas certezas pré estabelecidas, que vivem uma vida independente, alheia à razão e aos fatos.

Ao raciocinar, comparar versões, considerar evidências, avaliar interesses envolvidos, pesar antecedentes e aplicar a lógica elementar, qualquer pessoa que não esteja sentada numa das arquibancadas pode concluir sem grandes sacrifícios qual é a versão que mais se aproxima da verossimilhança.

Não seria a primeira vez que o ex-presidente, em sua declarada obsessão de livrar-se da mancha que persegue a imagem de seu governo como a de um pecado original, é levado a confundir popularidade com inimputabilidade.

Toda vez que o assunto é o mensalão, com seus inevitáveis desdobramentos jurídicos e políticos, a razão republicana e os fundamentos democráticos do ex-presidente sofrem um apagão.

¹ Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.