Fatos & Fotos – 02/03/2021


Depufede Artur Lira, Presidente da Câmara dos Depufedes. Quem olha assim pensa ser um primor de integridade e honradez. Né? Não é não! Olhem a ficha do pareceiro do cancro presidencial:
Crimes contra a honra; Réu de 106Mil de propina na CBTU; Crime contra a Administração Pública; Lavagem de dinheiro; formação de quadrilha; Réu em três ações por corrupção ativa. Um primor de homem público.


Design – Mesa de Trabalho


O “machão”, hahaha, correu com a sela. Ou como se diz no nordeste quando o burro não aguenta levar a carga no lombo; “p**dou na rabichola”.
Temendo rejeição, Bolsonaro desiste de pronunciamento nesta terça
Jair Bolsonaro não chegou a gravar seu pronunciamento em cadeia nacional, que iria ao ar na noite desta terça-feira (2) embora os equipamentos já estivessem posicionados.


Um militar entrou pra política aproveitando a revolta da população com a economia, desemprego, corrupção, crise, para impor suas ideias preconceituosas, homofóbicas e racistas, exaltando o patriotismo, a religião e Deus. Ele se chamava Adolph Hitler. Já pensou que fosse outro né?


Sisley – Landscape – s/d s/t


Isso é inegável! A mansão comprada por Flávio Bolsonaro para cumprir a prisão domiciliar – se é que algum dia haverá – é digna de milicianos corruptos.



View of Roofs




Nova promotora que investiga Flávio Bolsonaro é madrinha de casamento da advogada de… Flávio Bolsonaro



Flavio Bolsonaro é investigado na caso das rachadinhas, todos os indícios apontando pra lavagem de dinheiro pesada com compra de imóveis e loja de chocolate, aí o que o bonito faz? Compra uma mansão de 6 milhões em brasilia. O fera aparentemente além de picareta é burro.


Foto do dia

Tublr



A mansão “Rachadinha” de R$6Milhões que #Flávio “Bost*naro” comprou em Brasília. Terá suite reservada para o #Queiroz?
Fruta que partiu! Perderam qualquer nocção de pudor que porventura chegaram a ter algum dia. Há que tirar esses cancros do poder! Seja como for!


Arquitetura – Escada

Fatos & Fotos – 01/03/2021

Bolsonaro arruma pretextos para desviar a atenção crucial, que é a vacinação e o apoio aos Estados para manter os leitos de UTI. Pazuello mente em rede nacional descaradamente e cai em contradição com o que ele mesmo disse. Isso não é um governo, é uma organização criminosa.


Johannes Vermeer
Dutch Baroque Era Painter, 1632-1675
Vista de Delf – 1659-1660
Oil on canvas, 96.5 × 117.5 cm
Royal Picture Gallery Mauritshuis


No Brasil de governante (e gangue) idiotas, livro é luxo, arma é essencial e a ignorância é obrigatória.


Lembrando que o desaparecimento dos três meninos em Belford Roxo, Rio de Janeiro, completou dois meses sem informações.
Três crianças negras da periferia desaparecidas, sem deixar vestígios, e praticamente não se fala mais nisso.
Se fossem três crianças brancas num bairro nobre, o Brasil estaria parado.


Arquitetura – Portas & Janelas-França


O Brasil é governado por um cemitério humano. E todas as muitas mortes cometidas pela milícia da familícia no Rio de Janeiro não chegam perto do genocídio que está no comandando no Brasil, onde morre uma pessoa por minuto por Covid19 há mais de mês.


Designer – CadeiraRosa Weber manda o Genocida II, a Missão, bancar UTIs no Maranhão, São Paulo e Bahia. Pançuello vai balançar a pança e mugir.


Um ano depois o Brasil continua naufragando. O vírus segue no comando, enquanto o Governo Federal lava as mãos para os estados. Segundo a Folha de São Paulo o governo não executou 80 bilhões, enquanto a pandemia chega a seu pior momento. Desse dinheiro, R$ 24,3 bilhões para vacina, não foi usado. O Cancro Presidencial precisa ser detido.


New York Times diz que Moro corrompeu o sistema judicial e é responsável direto pelo caos que o Brasil vive hoje


Sergio Cerchi – “Don Quijote” s/d s/t


As pessoas estao mergulhadas em pardoxos perigosos…misturam Deus com armas, trabalho com morte, presidente com mitologia. É preocupante demais…


Bolsonaro precisa ser detido. Seu projeto é o caos, um país em choque, o golpe de Estado que o livraria da cadeia. Está vencendo. Estamos apáticos, divididos, acuados, iludidos com uma mágica eleitoral que não está no horizonte. Bolsonaro precisa ser detido. De qualquer maneira.


Mentiroso do “garaio”! O beato sinistro das Alucinações Exteriores, não sabe do que está falando. O satélite é 100% nacional, começou a ser construído em 2008. O Inpe contratou por licitação internacional uma empresa americana para o lançamento, que subcontratou a Índia. Passou longe do Itamaraty, mais longe ainda de Bolsonaro.



Foto do dia – Fotografia de Marc Ferrez


Até tu, paladino da ética? Pastor Silas Salafraia, é indiciado pela Polícia Federal por ter participado de esquema de corrupção ligado a royalties da mineração.


Mikko Tyllinen – “Sunset”,Aquarela,s/d



Índia – Portas & Janelas – Arquitetura

Bolsonaro parece ter raiva dos mortos pela covid-19, afirma Mandetta


Mandetta considera gestão do governo desastrosa no combate à pandemia – Marcello Casal Jr./ABrMarcello Casal Jr./ABr

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta deu nota 3, de 0 a 10, para o governo Bolsonaro ao avaliar a condução do Executivo no enfrentamento da pandemia de covid-19. Em entrevista ao jornal O Globo, Mandetta disse que o presidente tem atuação desastrosa na crise, que demonstra mais apreço pela economia do que pela vida das pessoas e parece ter raiva dos brasileiros que perderam a vida para o vírus.

“O número de mortes fala por si. Ele (Bolsonaro) teve uma condução desastrosa. A desautorização do ministro em público, ‘manda quem pode e obedece quem tem juízo’; o ‘e daí?’; ‘não sou coveiro’; ‘gripezinha’; ‘está no final’. Está no final nada.

Se teve alguma coisa digna de nota eu não saberia te citar. Nós conseguimos ativar a indústria brasileira de respiradores, foi uma coisa que conseguimos fazer quando eu estava lá, conseguimos abrir 15 mil leitos de UTI, que é uma coisa positiva.

Agora, eles deixaram 7 milhões de kits no almoxarifado. O governo federal deixou as pessoas à própria sorte. Não vi nem sequer se solidarizar com quem perdeu um membro da família. É quase como se tivessem raiva das pessoas que morreram. Quem morreu é culpado.”

Para Mandetta, Bolsonaro militarizou o Ministério da Saúde e abriu uma crise tripla: “de prevenção, atendimento e vacina”. O ex-ministro considera que o titular da pasta, o general Eduardo Pazuello, não conhece nada da área.

“Ele falou várias vezes que entre a saúde e a economia, ele ia ficar com a economia. E a população começou a construir as suas linhas de defesa sem contar com a liderança da figura maior do governo. Vimos o Ministério da Saúde falando uma coisa e ele falando outra.

Ele começou a criticar todo e qualquer prefeito e governador que fizesse qualquer coisa para diminuir a velocidade de transmissão para não carregar o sistema de saúde, que era o principal problema da doença. Depois ele me troca, coloca um médico. É impossível para um médico com base científica fazer política de governo, firmar uma recomendação, uma prescrição médica.

Aí ele põe um militar para oferecer ordem. Faz uma intervenção militar na Saúde, mas um militar não tem a menor noção do que é Saúde. A gente passa a ter um governo federal que sai completamente do enfrentamento da Saúde e com o argumento de que o problema era de logística. Nunca foi, o problema era de Saúde pública, muito mais complexo do que carregar caixa para lá e para cá. E agora tem uma crise tripla, de prevenção, atendimento e vacina.

Mandetta, que foi demitido após confrontar o presidente ainda no início da pandemia, admite que esperava que o vírus não se propagaria de forma tão acelerada.

“Gostaria muito de ter tido melhor percepção, porque quando a China apresentou a doença, eles apresentaram como um vírus pesado, que se você identificasse a pessoa e bloqueasse os contatos dela, ele parava (de disseminar). A gente se preparou com essas informações para um vírus lento. Somente quando ele entrou na Itália, que fez aquele estrago no sistema italiano, e foi fazendo estrago na Inglaterra, na Espanha e se mostrou extremamente capaz de transmitir, é que vimos que estávamos diante de um vírus extremamente competente. Se eu soubesse que era um vírus tão competente em termos de transmissão, teria feito um sobredimensionament

Ciência em tempos de cólera

Era um choro doído. Agudo e, depois, rouco. Ecoava pela madrugada, mas não era suficiente para incomodar o sono dos vizinhos no bairro londrino de Soho. A senhora Lewis, desesperada, ia e voltava, balançava e embalava sua filha de 6 meses, que se contorcia entre crises violentas de cólica, vômito e diarreia, às vezes, simultâneas.

Um tribunal para o rei Cólera. Charge mostrando como eram as ruas londrinas em 1854, Crédito: Coleção Wellcome.

A mãe, desesperada, já tinha desistido de tudo, quando a criança finalmente sucumbiu ao cansaço e adormeceu. Enquanto seu marido, o policial Thomas Lewis, roncava em um ritmo tranquilo, Sarah se arrastava tentando limpar o chão e recolhendo as roupas encharcadas de excretos fétidos. Desconsolada, ainda reuniu forças para descer um lance de escadas e despejar o lixo pestilento na fossa que ficava em frente à sua casa, na rua Broad Street, número 40. Naquele momento, ela estava iniciando um dos mais icônicos surtos de cólera na História da medicina.

Aquelas roupas estavam contaminadas com uma quantidade razoável de bactérias, o Vibrio cholerae. E a referida fossa estava em péssimo estado de conservação, o que promoveu a contaminação de todo o solo à sua volta e do encanamento que abastecia de água o bairro.

Nos idos de 1854, ter acesso a água potável dentro de casa era artigo de luxo. Dez companhias promoviam o abastecimento da cidade de Londres. Algumas delas captavam água do rio Tâmisa, o mesmo que recebia o esgoto in natura da metrópole.  Por meio de uma rede caótica de encanamentos mal conservados, as ruas eram servidas de bombas em pontos estratégicos. Para tomar um copo de água, era necessário andar pelas ruas lamacentas, bombear a água em baldes e equilibrá-los até em casa.

A poucos metros da casa dos Lewis, a bomba na Broad Street tinha a reputação de ser uma fonte de água límpida na cidade. Porém, naquela noite abafada de agosto, as bactérias da roupa do bebê Lewis conseguiram alcançar o solo ao redor da fossa, através de rachaduras estruturais, e entraram nos encanamentos, comprometendo o abastecimento e a segurança alimentar de centenas de londrinos.

John Snow e sua assinatura, 1856. Crédito: Coleção Wellcome.

Para provocar o cólera, é necessário a ingestão de um milhão a cem milhões de bactérias. No entanto, para que sua presença seja perceptível ao olho humano, são necessárias bilhões em um mililitro de água. Assim, um copo d’água da Broad Street poderia contar com 200 milhões de microrganismos e mesmo assim não aparentaria qualquer indício de contaminação.

Manipular os pertences ou estar no mesmo cômodo que um paciente com cólera não são suficientes para se infectar. É preciso ingerir as bactérias que são liberadas durante a diarreia. E consumir fezes humanas propositalmente não é algo que faz parte de nossa cultura. Contudo, a Revolução Industrial promoveu aglomerações cada vez maiores, as quais passaram a conviver em espaços progressivamente menores. A contaminação por fezes humanas da água a ser consumida era só questão de tempo.

Em 1854, Londres já era uma metrópole mesmo para os padrões atuais, com dois milhões e meio de habitantes amontoados em uma área de cinquenta quilômetros de circunferência. Mesmo com toda essa densidade populacional, a organização administrativa da cidade praticamente não existia. Da mesma forma com que a natureza possui incontáveis microrganismos que trabalham sem trégua na reciclagem de resíduos orgânicos, os próprios moradores improvisavam formas de destinar e lucrar com todo lixo e dejetos produzidos diariamente. Algo próximo a duzentos mil catadores de lixo autônomos, distribuídos em um complexo sistema hierárquico, com os limpadores de fossas quase no topo.

Os senhorios da cidade contratavam estes homens para remover os dejetos do porão de suas casas. Quase sempre eles trabalhavam de madrugada, em um grupo de quatro indivíduos que arriscavam suas vidas pendurados em cordas, adentrando as fossas, recolhendo tonéis e mais tonéis de dejetos. Alguns se afogavam em meio às fezes.

Apesar da ingrata tarefa, os limpadores de fossas lucravam bem mais do que os demais coletores de lixo, pois além de receberem do dono da residência, eles vendiam os dejetos, como adubo, para as fazendas que se situavam à margem da cidade. No entanto, em um determinado momento, Londres começou a crescer e a empurrar essas fazendas satélites para mais distante dos seus limites.  O que encareceu muito o trabalho dos limpadores, que não conseguiam mais vender a sua coleta.

De qualquer forma, o custo da remoção de dejetos já era muito alto para alguns moradores, sendo mais prático deixar as fossas transbordando e inutilizar um ou dois cômodos, ou simplesmente ignorar o mal cheiro e a insalubridade que emanava das fossas públicas.

“O médico britânico Thomas Latta já tinha encontrado um tratamento eficaz há 22 anos, em 1832, injetando água salgada na veia dos enfermos. Porém, o tratamento permaneceu perdido por décadas de uma imensa variedade de falsas curas, que emergiam a cada dia.”

Assim, com famílias inteiras vivendo espremidas em cômodos minúsculos e fezes se acumulando por toda parte, alcançamos a equação completa para a epidemia de cólera de 1854, com um componente nunca antes visto: a mortalidade alcançada, equivalente a meses da doença em outras épocas, foi atingida em questão de dias. Pessoas passavam de um estado de saúde perfeita para a morte em menos de doze horas. Mesmo que as vítimas fossem assistidas por médicos da época, o que não ocorreu na maioria dos casos, corpos começavam a ser empilhados no meio da rua à espera da remoção para covas públicas.

O médico britânico Thomas Latta já tinha encontrado um tratamento eficaz há 22 anos, em 1832, injetando água salgada na veia dos enfermos. Porém, o tratamento permaneceu perdido por décadas de uma imensa variedade de falsas curas, que emergiam a cada dia. Naquela época, a medicina não primava pelo rigor científico e jornais como o Times e o Globe publicavam uma enxurrada de anúncios pagos por cirurgiões, boticários e qualquer um que quisesse promover novas curas infalíveis, inventadas no quintal de casa. Mesmo o jornal que representava a classe médica, The Lancet, não possuía qualquer rigor para publicar suas matérias e, na época, nem mesmo exigia um diploma dos seus autores.

Assim, os charlatões inundavam os meios de comunicação e ofuscavam cientistas realmente esforçados e metódicos. Principalmente porque a sociedade em geral não se importava com os critérios científicos empregados na fabricação destas supostas curas.

Embasados na Teoria Miasmática, predominante na época e que imputava aos odores pestilentos a causa das doenças, uma variedade interminável de odorizadores, ervas e perfumes eram anunciados como a derradeira salvação naquela semana e na outra, sendo alvo de cartas enfurecidas de consumidores e médicos, que não observavam qualquer melhora dos pacientes, que morriam em menos de um dia do início dos sintomas, esvaídos em suas próprias secreções.

Uma jovem de Viena que morreu de cólera, retratada quando saudável e quatro horas antes da morte. Gravura pontilhada colorida. Crédito: Coleção Wellcome.

Em meio ao caos da desinformação, havia um morador do bairro de Soho que já havia presenciado outros surtos e estudado os padrões de transmissão do cólera. John Snow era um médico cirurgião que já tinha alcançado prestígio no uso do éter e do clorofórmio como anestésicos pré-cirúrgicos. Mesmo após ter participado do parto da – ninguém menos – rainha Vitória, ele foi ridicularizado pelos seus pares ao defender que a doença era transmitida pela ingestão de água contaminada e não pelos ares podres das ruas londrinas.

Até seu amigo, o epidemiologista Willian Farr, era um ferrenho defensor da Teoria Miasmática, mas acabou fornecendo os dados demográficos necessários para que Snow traçasse um mapa de todos os enfermos do bairro de Soho. E, mesmo sendo incapaz de isolar ou visualizar as bactérias na água, Snow apontou para a bomba da Broad Street como causadora do surto de cólera em 1854.

Com confiança e persistência, ele conseguiu apresentar suas teorias para o Conselho Administrativo Paroquial de St. James, convencendo os seus membros a desativar o poço da Broad Street, uma semana após o início do surto. No entanto, nem a imprensa, nem as autoridades chegaram a correlacionar esse ato com a redução gradativa dos casos que se iniciou posteriormente.

Poucos perceberam que, pela primeira vez, uma pesquisa científica se desvencilhou de lendas e preconceitos sociais para agir, não no atendimento de um enfermo, mas de forma ampla dentro da comunidade. Posteriormente, o mesmo raciocínio seria usado para resolver outros surtos na Inglaterra e a desativação daquela bomba d’água seria considerada como o marco histórico da Epidemiologia.

Um cadáver é retirado da traseira de uma carroça durante a epidemia de cólera em 1832. Litografia colorida, c. 1832. Crédito: Coleção Wellcome.

Ainda naquele ano, contudo, o mapa de John Snow não convenceu mais do que alguns conselheiros e o pároco Whitehead. Esse último remontou toda a cascata de pacientes acometidos, até encontrar o bebê Lewis e classificá-lo como o “paciente zero” e, assim, ter provas concretas para exigir que uma escavação fosse feita no local. Por meio de uma análise mais detalhada, confirmou-se a má conservação da fossa e dos encanamentos da bomba.

Mesmo com tantas evidências, a teoria de contaminação pela água ainda teria muito trabalho, contra décadas de Teoria Miasmática. A própria revista Lancet dedicou um editorial de várias páginas atacando as afirmações de John Snow e terminou o texto afirmando que tais ideias realmente fediam e que, provavelmente, teriam vindo mesmo do esgoto.

O pródigo médico faleceu no ano de 1858, sem receber os devidos créditos pelas suas teorias. Nesse mesmo ano, os terríveis odores que empesteavam as ruas de Londres alcançaram o pomposo parlamento, no que foi conhecido como o “Ano do Grande Fedor”, obrigando as autoridades a investirem em obras de saneamento.

Joseph Bazalgett foi o engenheiro responsável pela construção que impactou 3 milhões de pessoas, além de redirecionar ferrovias e edifícios. O mais elaborado sistema de esgoto do mundo ficou pronto apenas em 1865, com 132 quilômetros de extensão e o gasto de 300 milhões de tijolos. Tudo para impedir que a água que abastecia a cidade fosse contaminada pelos próprios dejetos urbanos.

Hoje, um terço da população mundial ainda não tem acesso a água potável ou saneamento.  A Broad Street mudou de nome e a bomba interditada por John Snow também não existe mais. Uma réplica foi instalada a alguns quarteirões da original, com uma pequena placa, recordando os fatos de 1854 para moradores e os quase 20 milhões de turistas estrangeiros que visitam a capital anualmente e ficam extasiados com atrações como o Big Ben, o Palácio de Buckingham e o museu de cera Madame Tussaud. Enterrada pelo tempo, não há menções de que, no subterrâneo, está um dos maiores adventos da engenharia britânica. Encanamentos de tijolo não recebem mesmo muitas curtidas.

O que é ‘imunidade de grupo’, a polêmica estratégia do Reino Unido para combater o coronavírus

Estratégia do governo Boris Johnson em relação a covid-19 é diferente da de todos os seus vizinhos europeus.

A estratégia do governo do Reino Unido para lidar com a pandemia de coronavírus é radicalmente diferente da de outros países.

Desde a última terça-feira (10 de março), toda a Itália está em quarentena, enquanto a Polônia se prepara para fechar suas fronteiras por duas semanas.

O governo da França ordenou o fechamento de todos os locais públicos não essenciais a partir da meia-noite deste sábado, 14 de março, e a Espanha decretou um estado de emergência que restringirá a circulação de cidadãos por 15 dias e só permitirá que eles saiam de casa por motivos essenciais, como ir ao supermercado ou trabalhar.

Neste sábado, centenas de cientistas pediram que o governo do primeiro-ministro Boris Johnson tomasse medidas mais duras para lidar com o surto de covid-19, como é chamada a doença causada pelo novo coronavírus.

Em uma carta aberta, um grupo de 229 cientistas de universidades britânicas diz que a atual estratégia do governo Johnson colocará o serviço de saúde britânico sob pressão adicional e “ameaçará mais vidas do que o necessário”.

Os signatários também criticaram os comentários feitos por Sir Patrick Vallance, o principal consultor científico do governo, que sugeriu que parte da estratégia das autoridades era gerenciar a propagação da infecção para tornar a população imune.

O Departamento de Saúde britânico notou mais tarde que os comentários de Vallance haviam sido “mal interpretados”.

A carta também critica a opinião do governo de que, se as restrições às atividades das pessoas forem impostas muito cedo, elas ficarão cansadas delas e deixarão de cumpri-las.

Em meio a críticas e crescente pressão, o primeiro-ministro se reúne nesta segunda-feira com seus ministros e especialistas em saúde e segurança nacional para discutir novas medidas de contenção do vírus. No domingo, o governo já dava sinais de que irá recomendar a todos acima de 70 anos que permaneçam em suas casas. A orientação será provavelmente estendida àqueles que tenham condições de saúde consideradas debilitantes.

O texto foi publicado no último sábado, 14 de março, no mesmo dia em que foi anunciado que outras 10 pessoas morreram no Reino Unido por causa do coronavírus, elevando o número total de mortes para 21. Já no domingo, novas mortes foram anunciadas pelo departamento de sa[ude britânico, elevando o total no país para 35, um crescimento de mais de 50% em único só dia.

Além disso, o Conselho Consultivo Científico para Emergências (Sage) do governo recomendou que medidas fossem implementadas em breve para proteger a população vulnerável, incluindo o isolamento dentro de suas casas.

Vallance e o principal consultor médico do governo Chris Whitty disseram que pretendem publicar os modelos de computador nos quais sua estratégia se baseia.Direito de imagemGETTY IMAGES
Luta contra coronavírus é retardar sua propagação e tentar contê-lo

Medidas insuficientes
Em sua carta aberta, os cientistas assinantes argumentam que medidas mais fortes de “distanciamento social” reduziriam “drasticamente” a taxa de contágio no Reino Unido e salvariam “milhares de vidas”.

O grupo disse que as medidas atuais são “insuficientes” e que “medidas adicionais e mais restritivas devem ser aplicadas imediatamente”, como está acontecendo em outros países.

A idéia de “gerenciar a disseminação” da doença para que a população ganhe imunidade, conhecida como “imunidade de grupo” ou “efeito rebanho”, também foi questionada.

De acordo com esse conceito, aqueles que estão em risco de infecção podem ser protegidos porque estão cercados por pessoas resistentes à doença.

A “imunidade de grupo” é normalmente usada por epidemiologistas para falar dos benefícios da aplicação de vacinas recebidos por pessoas que não as tomaram. Isso porque, uma vez vacinados, elas ganham imunidade contra um determinado patógeno, beneficiando indiretamente toda uma comunidade, inclusive aqueles que não tiveram acesso à vacinação.

Mas ainda não há vacina para o coronavírus.

Sendo assim, estimativas sugerem que a “imunidade de grupo” contra a covid-19 seria alcançada quando aproximadamente 60% da população for infectada pela doença.

Mas na carta aberta, os cientistas afirmam que “buscar ‘imunidade de grupo’ neste momento não parece ser uma opção viável”.

Direito de imagemGETTY IMAGES

Segundo OMS, 80% dos infectados desenvolverão sintomas leves, 14% graves e 6% gravíssimos.

Uma atitude de “deixar o vírus circular”
O problema da “imunidade de grupo” é que, para funcionar, seriam necessárias que cerca de 36 milhões de pessoas no Reino Unido sejam infectadas e se recuperem, de acordo com o professor Willem van Schaik, da Universidade de Birmingham.

“É quase impossível prever o que isso significaria em termos de custos humanos, mas, de maneira conservadora, estamos estimando que seriam dezenas de milhares de mortes e possivelmente centenas de milhares de mortes”, disse ele.

“A única maneira de tornar isso possível seria espalhar o contágio desses milhões de casos por um período relativamente longo, para que a saúde pública não seja prejudicada”, acrescentou.

Van Schaik enfatizou que o Reino Unido é o único país da Europa que está realizando o que descreveu como “uma atitude deixar o vírus circular”.

Além disso, especialistas não sabem dizer se os infectados com a doença ganham imunidade após se recuperarem – as primeiras evidências até agora apontam que sim, mas isso ainda não é uma certeza.

Eles acrescentam que uma mutação no vírus poderia tornar essa estratégia “completamente ineficaz”.

No entanto, um porta-voz do Departamento de Saúde afirmou que os comentários de Vallance foram mal interpretados.

“A imunidade de grupo não faz parte do nosso plano de ação, mas é um resultado colateral da epidemia. Nosso objetivo é salvar vidas, proteger os mais vulneráveis e reduzir a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês)”, disse ele.

“Agora passamos da fase de contenção para a fase de desaceleração e temos especialistas trabalhando permanentemente. Todas as medidas que introduzimos ou aplicaremos no futuro se baseiam nas melhores evidências científicas”, acrescentou.

“Nossa consciência dos níveis prováveis de imunidade no país nos próximos meses garantirá que nosso planejamento e resposta sejam os mais precisos e eficazes possíveis”, concluiu.

Direito de imagemREUTERS

Chris Whitty (à esquerda) e Patrick Vallance são considerados responsáveis ​​pela estratégia do Reino Unido para coronavírus

Medidas mais drásticas
Em uma carta separada ao governo, mais de 200 cientistas comportamentais questionaram o argumento do governo de que começar a implementar medidas drásticas muito em breve faria com que a população deixasse de cumpri-las exatamente no momento em que a epidemia estivesse em seu ponto mais alto.

“Apesar de apoiarmos totalmente uma estratégia baseada em evidências que formula uma política baseada na ciência do comportamento, não estamos convencidos de que se saiba o suficiente sobre ‘fadiga comportamental’ ou em que medida esse conhecimento é aplicado às circunstâncias. excepcional atual “, indica a carta.

“Essa evidência é necessária se quisermos basear uma estratégia de saúde pública de alto risco”, diz o texto.

“De fato, parece provável que mesmo as mudanças essenciais de comportamento necessárias atualmente (como lavar as mãos) sejam adotadas com muito mais facilidade à medida em que a situação seja percebida como mais urgente. Seguir adiante com normalidade pelo maior tempo possível enfraquece esse senso de urgência”, acrescentam.

Os cientistas observaram que uma “mudança radical de comportamento” poderia ter um efeito muito melhor e “salvar um grande número de vidas”.

“A experiência na China e na Coreia do Sul é encorajadora o suficiente e sugere que pelo menos essa possibilidade seja tentada”, acrescentam.

A segunda carta pede ao governo que reconsidere sua posição sobre “fadiga comportamental” e compartilhe as evidências nas quais está baseando sua estratégia.

Ambiente,Saúde,Medicina,Brasil,Blog do Mesquita 01

Proibição de viagens na Europa por Trump é confundida com raiva

Grã-Bretanha e Irlanda não foram incluídas na proibição.

Lideres da União Européia condenaram a proibição. A Itália está trancada e o NBA suspendeu sua temporada.

A Europa luta para entender a proibição de viagens nos EUA, à medida que mais países adicionam restrições.

Nos dois lados do Atlântico, na quinta-feira, as consequências da decisão do presidente Trump de proibir a maioria das viagens da Europa começaram a ser sentidas econômica, política e socialmente.

A Comissão Européia, órgão governante da União Européia, emitiu uma declaração contundente condenando a ação.

“O coronavírus é uma crise global, não se limita a qualquer continente e requer cooperação e não ação unilateral”, afirmou. “A União Europeia desaprova o fato de que a decisão dos EUA de impor uma proibição de viagem foi tomada unilateralmente e sem consulta.”

As restrições se aplicam apenas aos 26 países da zona de viagens livres de Shengen do bloco e não parecem estar vinculadas à gravidade dos surtos em países individuais. .

Dezenas de milhares de americanos na Europa se esforçaram para descobrir o que precisavam fazer antes que a proibição de viagem de 30 dias entre em vigor na sexta-feira, muitos pouco claros sobre o escopo da proibição e temiam que seus vôos para casa fossem cancelados. E companhias aéreas, hotéis e dezenas de outras indústrias – muitas das quais já sofreram com as restrições impostas para retardar a propagação do vírus – preparadas para quedas ainda mais acentuadas.

Em todo o continente, as notícias foram recebidas com confusão, raiva e ceticismo, mesmo quando muitas nações européias passaram a restringir suas próprias restrições ao movimento de pessoas dentro e fora de suas fronteiras.

Um terminal quase vazio no Aeroporto Internacional de Los Angeles na quarta-feira (…) Lucy Nicholson / Reuters

A Itália, que já estava confinada, fechou as portas ainda mais e na quinta-feira de manhã, já que praticamente os únicos locais públicos ainda abertos a seus 60 milhões de cidadãos eram supermercados e instalações médicas.

Na União Européia – onde a livre circulação de pessoas entre os estados membros é considerada uma das principais conquistas da ordem pós-Segunda Guerra Mundial – a República Tcheca se juntou na quinta-feira a outras nações ao anunciar novos postos de controle fronteiriços.

Fora da Europa, a luta contra o vírus também ganhou intensidade, com a Índia se juntando à crescente lista de países que impõe limites drásticos de viagem.

Se o vírus parecia uma ameaça distante para muitos americanos, as notícias de que o ator Tom Hanks e sua esposa haviam testado positivo pareciam abalar essa noção. E a batida constante de más notícias de Wall Street apenas aumentou a ansiedade.

Um após o outro, os países anunciaram na quarta-feira planos para gastar dezenas de bilhões para combater o vírus e as conseqüências econômicas que está causando. Mas as medidas pouco ajudaram a aliviar as preocupações dos investidores, com os mercados asiático e europeu sendo negociados acentuadamente mais baixos na quinta-feira.

O Congresso deve votar um pacote abrangente de ajuda para pessoas afetadas financeiramente pelo coronavírus.

Atrasos nos testes nos Estados Unidos tornaram difícil obter uma noção completa da escala do surto ali. Porém, os estados estão cada vez mais tomando conta das suas próprias mãos, declarando estados de emergência, cancelando as aulas de escolas e universidades, limitando o tamanho das reuniões e ordenando o isolamento de milhares de pessoas com potencial exposição ao vírus.

Embora a Organização Mundial da Saúde tenha declarado a propagação global do vírus uma pandemia, seus líderes instaram os países a não desistir da contenção. Eles alertaram que a disseminação descontrolada do vírus poderia sobrecarregar os sistemas de saúde, mesmo nas sociedades mais ricas, apresentando escolhas desconfortáveis ​​sobre quem tratar primeiro.

Esses perigos estavam sendo levados para casa pela crise em curso na Itália, que registrou mais de 12.000 casos e 827 mortes.

Giorgio Gori, prefeito de Bergamo, uma cidade da Lombardia, escreveu no Twitter que as unidades de terapia intensiva ficaram tão sobrecarregadas que “os pacientes que não podem ser tratados são deixados para morrer”. Ele acrescentou em uma entrevista que os médicos estavam sendo forçados a amortizar aqueles com “menores chances de sobrevivência”.

O presidente Trump diz que é necessário restringir as viagens da Europa.
O presidente, sentado atrás da mesa resoluta com os braços cruzados, finalmente pareceu reconhecer a gravidade do vírus, chamando-o de “infecção horrível” e dizendo que os americanos deveriam reduzir as viagens desnecessárias.

O presidente Trump disse na noite de quarta-feira que estava suspendendo a maioria das viagens da Europa para os Estados Unidos por 30 dias, começando na sexta-feira, para conter a propagação do coronavírus. As restrições não se aplicam à Grã-Bretanha, disse ele.

Trump impôs uma proibição de 30 dias a estrangeiros que, nas duas semanas anteriores, estiveram nos 26 países que compõem o espaço Schengen da União Europeia. Os limites, que entrarão em vigor na sexta-feira à meia-noite, isentarão cidadãos americanos e residentes legais permanentes e suas famílias, embora possam ser canalizados para determinados aeroportos para uma triagem aprimorada.

Mais tarde na quarta-feira, o Departamento de Estado emitiu um comunicado dizendo aos americanos para “reconsiderarem as viagens” para todos os países por causa dos efeitos globais do coronavírus. É o segundo conselho mais forte do departamento, por trás de “não viaje”.

Falando do Oval Office, Trump também disse que as empresas de seguros de saúde concordaram em estender a cobertura para cobrir os tratamentos contra o coronavírus e renunciar a pagamentos relacionados.

O presidente disse que em breve anunciará uma ação de emergência para fornecer ajuda financeira aos trabalhadores que adoecem ou precisam ficar em quarentena. Ele disse que pedirá ao Congresso que tome medidas legislativas para estender esse alívio, mas não detalhou o que seria. Ele disse que instruiria o Departamento do Tesouro a “adiar pagamentos de impostos sem juros ou multas para certos indivíduos e empresas impactadas negativamente”.

Isso sinalizou uma quebra da atitude de negócios como de costume que ele tentava projetar na terça-feira, quando instou os americanos a “manter a calma” e disse que o vírus logo desapareceria. Mas Trump continuou a antecipar um fim rápido do surto, mesmo quando especialistas médicos alertaram que a pandemia pioraria.

“Isso não é uma crise financeira”, disse ele. “Este é apenas um momento temporário que venceremos como nação e mundo.”

Esta é uma pandemia global, diz a OMS

Líderes da Organização Mundial da Saúde (OMS) declararam pandemia de surto de coronavírus na quarta-feira. … Fabrice Coffrini / Agence France-Presse – Getty Images

A disseminação do coronavírus em mais de 100 países agora se qualifica como uma pandemia global, disseram autoridades da Organização Mundial da Saúde na quarta-feira, confirmando o que muitos epidemiologistas vêm dizendo há semanas.

Até agora, o OMS evitaram usar o termo, por medo de que as pessoas pensassem que o surto era imparável e os países desistissem de tentar contê-lo.

“Pandemia não é uma palavra para ser usada de maneira leve ou descuidada”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, chefe da OMS, em entrevista coletiva em Genebra.

“Não podemos dizer isso em voz alta ou clara o suficiente ou com frequência suficiente”, acrescentou. “Todos os países ainda podem mudar o curso dessa pandemia.”

Há evidências em seis continentes de transmissão sustentada do vírus, que já infectou mais de 120.000 pessoas e matou mais de 4.300. A designação da pandemia é amplamente simbólica, mas as autoridades de saúde pública sabem que o público ouvirá na palavra elementos de perigo e risco.