Butantan diz que ataques de Bolsonaro à China afetam vacinas

O presidente chinês Xi Jinping e Bolsonaro em 2019.

Presidente insinuou que chineses, principais fornecedores de matéria-prima para imunizantes ao Brasil, criaram vírus como parte de “guerra química”. “Essas declarações têm impacto”, diz diretor do Instituto Butantan.

Líder brasileiro e membros do seu círculo regularmente fazem ataques contra a China, maior parceiro comercial do Brasil

A direção do Instituto Butantan e o governador de São Paulo, João Doria, afirmaram nesta quinta-feira (06/05) que os ataques do presidente Jair Bolsonaro à China estão afetando a importação de insumos para a fabricação de vacinas contra a covid-19.

Na quarta-feira, Bolsonaro insinuou que a China teria criado o vírus em laboratório como parte de uma “guerra química” – uma acusação que contraria a Organização Mundial de Saúde (OMS), que aponta que o vírus provavelmente tem origem animal.

Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia dito que os os chineses “inventaram” o coronavírus. Não foram os únicos membros do círculo do presidente que fizeram ataques do gênero. O filho “03” do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, e os ex-ministros Ernesto Araújo e Abraham Weintraub já haviam distribuído ataques contra os chineses ou espalhado teorias conspiratórias envolvendo o país asiático.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil e principal país de origem dos insumos usados no envasamento de vacinas contra a covid-19 distribuídas aos brasileiros. Entre janeiro e abril, dentro do contexto dos ataques do governo Bolsonaro à China, diversas remessas de insumos com origem no país asiático que eram esperadas pela Fiocruz e pelo Butantan sofreram atrasos. Os chineses afirmaram que eram meros entraves burocráticos, mas os episódios levantaram questionamentos sobre eventuais retaliações por parte de Pequim à postura de Bolsonaro e seu círculo.

“Todas as declarações neste sentido têm repercussão. Nós já tivemos um grande problema no começo do ano e estamos enfrentando de novo esse problema”, afirmou nesta quinta-feira Dimas Covas, diretor do Butantan.

“Embora a embaixada da China no Brasil venha dizendo que não há esse tipo de problema, a nossa sensação de quem está na ponta é que existe dificuldade, uma burocracia que está sendo mais lenta do que seria habitual e com autorizações muito reduzidas e volumes. Então obviamente essas declarações têm impacto e nós ficamos à mercê dessa situação”, completou.  “Pode faltar [insumos]? Pode faltar. E aí nós temos que debitar isso principalmente ao nosso governo federal que tem remado contra. Essa é a grande conclusão”, disse Covas.

O Butantan é responsável pelo envasamento no Brasil da Coronavac, vacina desenvolvida pela empresa biofarmacêutica chinesa Sinovac. Mais de 75% das vacinas distribuídas contra covid-19 no Brasil até o momento foram envasadas pelo Butantan em parceria com os chineses.

Doria: “É lamentável e inacreditável”

O governador paulista também criticou Bolsonaro pelos recentes ataques à China e fez críticas à falta de atuação na diplomacia do governo brasileiro em relação ao país asiático.

“É lamentável que depois de o ministro Paulo Guedes falar mal da China, da vacina, criticando o governo chinês, agora o presidente Jair Bolsonaro seguindo na mesma linha. É inacreditável que, diante de uma circunstância que precisamos salvar vidas e ter mais vacinas, tenhamos alguém criticando a China, o nosso grande fornecedor de insumos para a vacina”, afirmou Doria.

Ainda na quarta-feira, Bolsonaro fez outras declarações que contrariam o consenso científico em relação à pandemia. Ele chamou de “canalhas” aqueles que se opõem ao ineficaz “tratamento precoce” promovido pelo governo e diz que o uso de máscaras já “encheu o saco”. Ele ainda ameaçou usar as Forças Armadas contra governadores e prefeitos para impedir a imposição de medidas de isolamento. A série de declarações foi encarada por analistas como uma cortina de fumaça para desviar o foco da CPI da pandemia no Senado.

Na quarta-feira, a comissão ouviu o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que relatou que deixou a pasta por não ter contado com autonomia para realizar seu trabalho e por se recusar a ceder à pressão do Planalto para expandir o uso de remédios ineficazes.

jps/lf (ots)

Por que a covid-19 pode se tornar endêmica no Brasil, como dengue e gripe

Com controle precário e vacinação lenta, é possível que país conviva com o coronavírus por muito tempo ainda – Getty Images

Mais de um ano depois de ter começado, a pandemia de covid-19 ainda não dá sinais de que vá acabar em pouco tempo. Menos ainda no Brasil, onde seu controle é precário, com vacinação lenta, queda da adesão às medidas preventivas e omissão de agentes públicos em implementar, estimular, controlar e fiscalizar o cumprimento de normas de distanciamento social. Além disso, para piorar a situação, novas variantes do novo coronavírus vêm surgindo e se espalhando pelo país. Por isso, embora seja difícil prever, muitos especialistas acreditam que ela se estenderá pelo menos até 2022.

Mas não é só isso. Há grandes chance de a doença se tornar endêmica, como a dengue e a gripe (influenza), por exemplo.

Para o médico epidemiologista Guilherme Werneck, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e professor do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IMS/Uerj), as condições para o controle da epidemia no Brasil estão muito precárias, por isso ela não deverá acabar logo.

“Faltam vacina, organização e liderança e sobra irresponsabilidade dos agentes públicos”, critica. “Começando pelas ações de contrainformação do governo federal, questionando a efetividade de máscaras, vacinas e do distanciamento social, e estimulando o uso de medicamentos ineficazes para prevenção e tratamento da covid-19. É possível, embora ainda num horizonte distante, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declare o fim da pandemia, mas o Brasil continue tendo que lidar com níveis inaceitáveis de transmissão.”

O médico Plínio Trabasso, da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, também prevê que a epidemia de covid-19 no Brasil vai longe, principalmente porque a vacinação não está sendo feita de maneira maciça, ampla e simultânea.

Desse modo, ainda há um grande contingente de pessoas suscetíveis à doença em circulação. “Para um controle mais rápido, é necessário que mais pessoas (idealmente todos os acima de 18 anos) sejam vacinadas logo”, diz. “Isso cria uma barreira imunológica à disseminação do vírus.”

O mosquito Aedes aegypti é o principal transmissor de dengue, zika e chikungunya em regiões urbanas do Brasil – Foto Getty Images

De acordo com Trabasso, além da vacinação, é preciso testagem em massa, para identificar os potenciais transmissores e colocá-los em quarentena, e mais distanciamento social. “São as maneiras mais eficazes de conter a propagação da covid-19”, explica. “Claro que a higiene das mãos e o uso de máscara também são importantes, mas são medidas individuais, enquanto que a imunização e aplicação dos testes são ações de Estado.”

A ausência de uma vigilância epidemiológica efetiva é outro aspecto problemático e preocupante da pandemia no país. “O Brasil tem recursos financeiros e profissionais capacitados para desenvolver um processo eficiente de identificação de casos, por meio de testagem e busca ativa, e quarentena para todos os infectados, com apoio financeiro que garanta que a população não perca renda”, diz a médica sanitarista Maria de Fátima Siliansky de Andreazzi, professora de Economia Política da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ela diz que na Europa, caso alguém seja identificado com covid-19 num avião, por exemplo, vai-se atrás dos que estavam próximos, testam-se e isolam-se todos os passageiros. “No Brasil, no caso de Manaus, com a nova cepa identificada, não se interromperam os voos e mais, o Ministério da Saúde levou doentes infectados para outros Estados”, critica.
De acordo com Fredi Alexander Diaz Quijano, da USP, efeito que vacinas terão na redução da transmissão é incerto, mas evidências indiretas sugerem que não eliminará totalmente covid-19

O problema é que mesmo com a vacinação, o novo coronavírus não deverá desaparecer, ao contrário do que ocorreu o Sars-Cov-1, que causou a epidemia de Sars. “Algumas vacinas estão mostrando uma excelente proteção para prevenir formas graves de covid-19 (a maioria, mais de 90%). No entanto, em algumas pessoas elas não conseguem impedir a infeção e, em muitos casos, a aparição de sintomas”, explica o médico Fredi Alexander Diaz Quijano, do Departamento de Epidemiologia, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).

De acordo com ele, o efeito que as vacinas terão na redução da transmissão é incerto, mas evidências indiretas sugerem que não eliminará totalmente a covid-19. Um dos motivos disso é que novas variantes podem eventualmente conseguir escapar das vacinas – e talvez precisemos nos imunizar contra o coronavírus com a mesma frequência com que nos imunizamos contra a gripe, por exemplo.

Por tudo isso, é muito provável que o vírus continue circulando. “Não causará doença grave na grande maioria das pessoas vacinadas, mas existindo grupos suscetíveis que não tenham sido imunizados (por qualquer motivo), ainda haverá risco de surtos de casos graves e mortes.”

Em outras palavras, a covid-19 poderá ser tornar endêmica, como a aids, dengue, gripe, malária e tuberculose, por exemplo. “Endemias correspondem a situações em que a incidência da doença não é tão elevada, mas que dura muito tempo, podendo sofrer variações sazonais, relacionadas às estações do ano, por exemplo”, explica o médico Marcelo de Carvalho Ramos, professor titular de Infectologia da FCM da Unicamp.


SCIENCE PHOTO LIBRARY
Para entrar na célula, o vírus SARS-CoV-2 se liga a uma molécula presente na superfície da célula (seu receptor)

Mas por que algumas doenças se tornam endêmicas e outras, não?

“Uma enfermidade infecciosa endêmica é aquela que conseguiu um certo equilíbrio na sua taxa de reprodução”, responde Quijano. “Isto é, quando cada pessoa contaminada passa essa condição para (em média) uma outra. É o que se conhece como número reprodutivo efetivo (R), que é a média de novos infectados que alguém com o vírus produz diretamente. Em outras palavras, no caso das endemias o valor de R permanece próximo de 1.”

Quando esse número é superior a 1, então a doença progride rapidamente e causa surtos (ou até grandes epidemias), como é o caso da covid-9, cuja estimativa do R, no início da pandemia, era 3. “Se esse valor é muito superior a 1 (por exemplo, maior que 10) ela se espalha depressa, às vezes tão rápido que se acabam rapidamente as pessoas suscetíveis a ela”, explica. ” Por outra parte, valores de R inferiores a 1 conduzem a que o número de casos progressivamente diminua, levando eventualmente à eliminação da doença numa comunidade.”

Foi o que aconteceu com a Sars: o vírus Sars-Cov-1 não adquiriu essa capacidade de se perpetuar. O novo coronavírus já obteve esse salto evolutivo, no entanto. É por isso, que os especialistas acham que a covid-19 se tornará endêmica.

“O Sars-Cov-2 já se mostrou capaz de sofrer mutações, como demonstram as variante do Reino Unido, da África do Sul e do Amazonas”, diz Trabasso. “Algumas delas, ou outras que surgirão, podem fazer com que haja escape do vírus à imunidade adquirida, seja pelo contato com a variante ‘selvagem’ seja por meio da vacinação.”

Segundo ele, esses mutantes poderão causar microssurtos, até que nova vacina surja e novo contingente populacional desenvolva imunidade suficiente, para criar uma nova barreira imunológica. E assim por diante.

“É o que ocorre com a influenza, por exemplo”, explica Trabasso. “Todos os anos, a população tem que ser vacinada, porque podem ocorrer mutações no vírus e a imunidade adquirida pela infecção ou vacinação de anos anteriores não garante proteção contra a variante presente naquele ano. Assim deve se comportar o novo coronavírus daqui por diante.”

Sem ações de prevenção coletiva, como o uso de máscaras, distanciamento social e higiene pessoal, somente a vacina não será capaz de interromper a transmissão
Werneck acrescenta outros aspectos que podem levar a covid-19 a permanecer ainda por muito tempo entre os humanos. De acordo com ele, circulação do vírus só poderia ser interrompida com níveis altos de imunidade na população.

“Ocorre que nosso conhecimento sobre imunidade ao novo coronavírus é ainda precário, particularmente sobre a duração dela conferida pela infecção ou pela vacina”, explica. “Ao mesmo tempo, o que se sabe sobre a eficácia das vacinas disponíveis, até o momento, é que elas não fornecem proteção efetiva contra a infecção, mas sim para o desenvolvimento de formas clinicas e graves da doença.”

Ou seja, são imunizantes que protegem as pessoas, porque evitam que elas desenvolvam sintomas e formas severas da covid-19, mas não impedem que se infectem e, eventualmente transmitam a infecção.

“Além disso, as vacinas utilizadas no Brasil (até o momento, a de Oxford-AstraZeneca e CoronaVac) têm efetividade da ordem de cerca de 70% mais ou menos, ou seja, têm boa eficácia, mas não nos níveis ideais”, diz Werneck. “Assim, mesmo com cobertura vacinal alta, ainda poderemos ter transmissão.”

Isso significa que, sem ações de prevenção coletiva, como o uso de máscaras, distanciamento social e higiene pessoal, somente a vacina não será capaz de interromper a transmissão. “Junte todos esses problemas num contexto em que faltam vacinas e que uma alta cobertura vacinal da população ainda vai demorar”, acrescenta Werneck.

“Estamos, então, em condições propícias para permitir a circulação do vírus e o aparecimento de novas variantes, tudo contribuindo para a permanência da infecção entre nós de forma endêmica.”

Fatos & Fotos – 13/02/2021

Expectativa & Realidade


Bolsonaro gastou 9% da verba para vacina contra COVID-19. Para alguns, sério é debater a etimologia de “genocídio” o politicamente correto na filosofia! Por que falar do decreto miliciano das armas, né?


Quando você se sentir um idiota, lembre-se que tiveram pessoas que acreditaram que esses dois salvariam o Brasil da “corrupssaum”.


Auto Union Type D #4 – Com esse carro o piloto italiano Tazio Nuvolari ganhou o
GP da Itália em 1938.


É inacreditável! Isso é insuportável! Não bastassem as 700 toneladas de picanha e as milhares de garrafas de cerveja, agora – vocês sabem quem – compraram 140 mil quilos de bacalhau por até R$ 150 o quilo, quatro vezes mais que nos atacadistas.


O filósofo – é, vá lá que seja – Luis Felipe Pondé diz que Carnaval é uma festa fedorenta, suja, invasiva e destrói a cidade. A pobreza de ideias desse “sujeitin” se esconde no excesso de adjetivos que usa pra qualquer discussão. Décadas de academia não acrescentam nada a gente medíocre, que raciocina com o fígado


Parte da elite (política e econômica) brasileira arrisca uma séria deterioração democrática, social e ambiental do país por interesses em uma agenda econômica que já deveria ter ficado claro que o governo de Bolsonaro não tem como realizar


Brasil com pandemia totalmente descontrolada. Incompetência. Muita incompetência. Muitas mortes poderiam ser evitadas. Falta liderança, falta conhecimento e falta capacidade de execução de um plano de controle da pandemia.
O apedeuta – o que tem uma ignorância profunda – à cada dia cava mais o buraco para arrastar o país para baixo.


Shamsia Hassani

A artista urbana afegã tem popularizado sua arte nas ruas de Kabul. Ela mostra em suas ilustrações a realidade das guerras no local em que vive.
Este grafiti com fundo de cores escuras e terrosas, com desenhos de prédios com aparência conturbada. À frente uma mulher com vestimentas pretas e um círculo vermelho sobre o peito esquerdo. O seu rosto está coberto por um tecido delicado azul que deixa um espaço para seus olhos.


Não há dúvidas: nova variante pode reinfectar quem já teve COVID, e vacina protege melhor que a imunidade natural. Precisamos vacinar o maior número possível de pessoas, o mais rapidamente possível. Vacinação a conta-gotas não vai ter o impacto que é necessário.


Steampunk XXXIII

O movimento steampunk, misto de ficção científica e arte, foi adotado por artistas no anos 80 e, para alguns, a partir da “atmosfera” do magnífico “Blade Runner”.
Muito dos objetos desembocaram em peças que adornaram filmes como Mad Max e, mais sofisticadamente elaborados, na série Guerra nas Estrelas.
Quem quiser conhecer melhor o movimento “steampunk” há uma matéria no Boston Globe, que disserta sobre o movimento.
Como obra de arte o movimento steampunk faz uma especulação sobre o que aconteceria se a tecnologia da informação tivesse surgido no século XIX e, em vez da #eletrônica, usasse o #vapor.



Foto do dia – Flickr


“Em primeiro lugar, devemos deixar de praticar as pequenas corrupções do nosso dia a dia, que acabam gerando uma tolerância com a grande corrupção”. Deltan Dallagnol, membro do MPF, que recebe salários acima do teto constitucional e compra imóveis do programa MCMV para revender.



Engraçado né? A Lava Jato do Moro acabar justamente quando as investigações estavam batendo à porta dos tucanos. Contra a corrupção? Nunca foram.


A operação Lava a Jato fez o que fez com o patrocínio financeiro de quem se beneficiaria com a entrega de nossas riquezas… o ex-juiz de Curitiba foi motivado por promessas de favorecimento pessoal… não é um problema moral… é o sistema que precisa ser superado..


O México se tornou o país com a maior taxa de mortalidade por Covid-19 no mundo. A população está aflita atrás de vacinas – muitos caem em golpes ao comprar vacinas falsas pela internet.


Da série:”só dói quando eu rio”.


Doria quis fazer propaganda levando Padre Julio pra vacinar ao vivo e ele na hora da vacina, sacou o cartão de vacina. Ele recebeu a vacina na São Martinho, junto com os irmãos de rua. Longe dos holofotes.


Dante Gabriel Rossetti,Water Willow, 1871
Oil on canvas glued onto wood panel
33.0 x 26.7 cm


Destaques do mentirômetro da semana do hospício: Mesmo não tendo vacina, Pazuello garantiu ao Senado vacinar metade da população até o final do semestre. Já o procurador O. Martelo justificou os diálogos da Lava Jato como conversas de botequim. Mentira. Eram de trabalho.


Lucien Victor Guirand de #Scevola,
um pintor #simbolista genial
“The-white-dress”

Na primeira hora a “acusação”‘ controlava o “juiz”, na outra hora o “juiz” controlava a “acusação”. Não cursei essa disciplina nas Faculdade de Direito do “Não Faça Isso Jamais”? mesmo.



Maurice de Vlaminck
“Landscape near Martigues”, 1913
Oil on canvas, 65.1 x 81.9 cm. Tate, London, UK

Fatos & Fotos – 12/02/2021

A paixão como ofício
José Mesquita

No espaço finito do espanto
Descoberto no brilho do olhar,
A paixão não exige o absoluto.
Contenta-se com a incredulidade.

Aprisiona o espaço, subverte
o tempo a uma monumentalidade
totêmica. Reinventa a palavra
que afaga e consola cansaços.

Não existirão vastidões
bastantes que impeçam
a travessia dos desejos,

nem tangenciam esquinas
que desviem de sua pele
as veredas da minha paixão.



Bolsonaro diz que também quer acesso a conversas hackeadas da Lava-Jato.
Se ele não faz parte do processo, porque o tribunal liberaria o acesso às mensagens?
O que ele quer provar? Do que ele tem medo? Fiquemos de olho


Estudo revela que Trump foi responsável pelo grande número de mortes pela Covid-19 nos EUA

O estudo publicado pela revista The Lancet, uma das publicações científicas de maior renome no mundo, cita “uma lista assustadora” de políticas que levaram ao aumento astronômico de mortes. Entre estes fatores estão o desmonte da saúde pública, o racismo e a desigualdade social


O Twitter suspendeu ontem a conta “Médicos pela Liberdade” que propagava fake news sobre a Covid-19. A conta já tinha 60 mil seguidores e postava informações falsas sobre medicamentos, isolamento e sobre vacinas.


Ex-Libris


O ex-libris é uma espécie de gravura inserida geralmente nas primeiras folhas de um livro ou na contracapa, contendo o nome ou as iniciais do proprietário e podendo, através de uma imagem ou texto, indicar sua profissão, seus gostos, seu ideário. Por meio do ex-libris é que os bibliófilos, ou os leitores que prezam os seus livros e se orgulham da sua biblioteca, costumam personalizar cada um dos seus volumes. Daí, justamente, a origem do nome: em latim, ex libris significa “dentre os livros de”, “da biblioteca de”. A expressão – às vezes também se usava ex dono ou ex biblioteca – inscrita no corpo da obra seguida do nome do proprietário, indicava a sua proveniência.


Senadora Soraya qualquer coisa, do PSL pede fim de discriminação contra brancos. Uáu! Que coisa, né? Um país onde homens brancos e ricos,coitados, não têm um minuto de sossego.Não é mesmo?


O dia está cinzento, a chuva não para de cair e mesmo assim eu tenho um sorriso para entregar ao mundo. Há muito tempo eu percebi que quem determina a felicidade de um dia são as pessoas. É cada um de nós. E talvez por isso a chuva não esteja me incomodando; talvez por isso eu continue sorrindo e com o coração cheio de alegria. O que de verdade me inquieta é desesperança e a negrura de algumas pessoas. Vamos viver este dia e aproveitar a chuva porque até ela pode representar prazer e bem-estar.
Aquarela de José Mesquita


No dia de hoje, mas em 1809, nascia – para desmontar os futuros criacionista – um dos cientistas mais importantes da história, Charles Darwin. O inglês estudou medicina, artes e religião seguindo os desejos de seu pai, mas só se interessou mesmo por botânica, entomologia – estudo de insetos – e geologia. Em 1831, Darwin partiu em uma expedição que mudou sua vida. Durante a viagem, ele percebeu semelhanças entre várias espécies em diferentes locais. Darwin passou a estudar a questão e publicou sua obra mais famosa, “A Origem das Espécies”, na qual apresentou sua teoria de seleção natural.


Governo Bolsonaro gasta 13 milhões com publicidade de remédios ineficazes contra a Covid-19,
Maior contrato firmado por agência foi com a TV Record. O governo confirma valores.
O nome dessa excrescência é improbidade administrativa.


Essa vai para a conta do genocida.

Encalhe de cloroquina é superior a 1,8 milhões de comprimidos.
O inferno o aguarda e satanás sem K&Y na ponta do tridente. Mas laboratórios do Exército deixaram faltar outro medicamento, imunossupressor, cuja escassez pode matar transplantados. Estoque de vacina dá para apenas mais uma semana. Idiotia fascista negacionista custa milhares de vidas. Milhares.


O general Pazuello vai ao senado. E mente. Mais uma vez. Disse cinicamente que foram surpreendidos pelo aumento da crise do covid em Manaus. Mentira. Sabiam desde maio que o quadro era muito grave.



Eric Clapton – Over the Rainbow


General Villas Bôas revela que houve em abril de 2018 uma articulação golpista para pressionar o STF a recusar um habeas corpus que poderia ter impedido a prisão do ex-presidente Lula. Bora combinar que nem deve ter sido muita pressão, né?


2022 – De um lado Capitão Cloroquina, paraquedista expulso do exército, do outro Haddad, o professor com 3 faculdades pós graduadas, mestrado em economia, falando 5 idiomas, ex ministro de 2 governos, ex prefeito premiado de São Paulo


Fotografia de Mèlanie Hoepffner


PQP. Com dinheiro público, militares compraram 80 mil cervejas e 700 toneladas de picanha.


Pintura de Liza Hirst – Two and Two


É do “carvalho”! 700 toneladas de picanha e 80 mil garrafas de cerveja em 2020?


Vixi! É pra ter pesadelo.


Moonlight in Vermont (Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

Fatos & Fotos – 10/02/2021

A insanidade virou rotina no Brasil de 2021! Capitais por todo país com taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 80% ou mesmo acima de 90% e nada acontece. Apenas medidas paliativas sem nehum efeito real.


João Dória e Aécio Neves brigam para ver quem foi o mais bolsonarista. Se foi Dória com o seu ‘bolsodoria’ em 2018, ou se foi Aécio nas sombras pela eleição de Artur Lira. Se merecem. Tucano sabe o bico que tem!



Dissolveram a Lava Jato de Curitiba. Silenciosamente. Não tem ninguém na rua. Não está nem nos TT. Sem choro nem vela. Que coisa.


Armazenar pessoas em caixinhas desobriga os preguiçosos de pensar. Caixas escolhidas pelas réguas tortas de quem se julgo apto a legislar sobre a vida alheia. Ou seja, a humanidade inteira. A desconstrução disso é o caminho


Centrão quer pastas q estão com os militaress. A turma é quem é. Tem preço. Mas lembro: se um deles tomar a Saúde do general pateta, melhora ou piora? “Ah, triunfo da velha política”, ainda dizem por aí, com resquícios do vocabulário da felizmente defunta Lava Jato.


Quais são os ingredientes da sopa de veneno servida todo dia ao Brasil? Muita ignorância, claro. Oportunismo. Burrice. Ruindade a gosto. Mas falta alguma coisa para explicar que mais de metade da clientela, mesmo morrendo, lamba os beiços ou pelo menos ache ok. Falta o delírio.


A questão sobre os crimes da Operação Lava Jato é que as coisas são muito piores e mais graves do que se denunciava antes de se conhecer o verdadeiro mar de lama que procuradores e juízes armaram para o país. Não há nos anais da justiça algo com consequências tão devastadoras.


Portas e Janelas
The Dwarf’s Door in Český Ráj, Bohemia, República Checa


O cavaleiro templário de churrascaria Ernesto Araújo – Ministro das Alucinações Exteriores – finalmente conseguiu transformar o Brasil em pária mundial. Nenhum país quer receber brasileiros, o país mais infectado e empesteado do planeta por total culpa do Capitão Cloroquina Jair Bolsonaro.


Ex-juiz e ex-croque


Arthur Lira já tá expulsando a impressa da Câmara. Se continuar assim, Bolsonaro vai conseguir cassar a concessão da Globo antes de 2022!


Diretora de Meio Ambiente da OMS: “70% dos últimos surtos epidêmicos começaram com o desmatamento”. A mudança climática é um problema de saúde pública, não uma questão de ecologia ou ativismo.



Por que estamos discutindo autonomia do BC quando tem gente que não tem o que comer? Qual é a prioridade? Assunto monetário quase arcano ou o Auxílio Emergencial? É sério que ainda há dúvidas sobre a resposta?


Foto do dia – Michael Nash


O Flávio e a Flordelis já estão presos?


Bolsonaro perdeu o apoio do poder bélico dos EUA quando Trump perdeu as eleições. Assim o exército se encontra livre para expor seus reais sentimentos qto ao desgoverno. Acreditem ou não,tem gente dentro do exército brasileiro q odeia o Presidente e mta coisa boa vai acontecer!


Qualquer que seja a resposta, será direcionada apenas a um lugar comum: o ser hunano suprenacista tomou o lugar de Deus. Retira as vidas que não lhe importam. Tristeza absolutamente neste momento.


Supermercados da França se unem em boicote contra soja brasileira produzida em áreas desmatadas


Há pelo menos 30 socialites da Barra da Tijuca com Covid-19. Elas e suas famílias. Acreditaram na ‘gripezinha’, se entupiram de cloroquina preventivamente, badalaram nos eventos, fotografaram sem máscaras e bem juntinhas. Todas bolsonaristas. Um desastre anunciado.


Bolsonaro não governa pensando no Brasil, mas em proteger a si e seus filhos. Seu projeto autoritário de poder ganha força a cada dia. Já tem o controle da PGR, da PF, da Receita, da Abin. Calou o generalato, alugou o Centrão. A democracia está à beira do abismo. É preciso reagir!


Taisho Pond, Kamikochi – Kawase Hasu


Steampunk XXXII
O movimento steampunk, misto de #icçãocientífica e arte, foi adotado por artistas no anos 80 e, para alguns, a partir da “atmosfera” do magnífico “Blade Runner”.
Muito dos objetos desembocaram em peças que adornaram filmes como Mad Max e, mais sofisticadamente elaborados, na série Guerra nas Estrelas.
Quem quiser conhecer melhor o movimento “steampunk” há uma matéria no Boston Globe, que disserta sobre o movimento.
Como obra de arte o movimento steampunk faz uma especulação sobre o que aconteceria se a tecnologia da informação tivesse surgido no século XIX e, em vez da eletrônica, usasse o vapor.

Fatos & Fotos – 09/02/2021

Steampunk XXXII
O movimento steampunk, misto de #icçãocientífica e arte, foi adotado por artistas no anos 80 e, para alguns, a partir da “atmosfera” do magnífico “Blade Runner”.
Muito dos objetos desembocaram em peças que adornaram filmes como Mad Max e, mais sofisticadamente elaborados, na série Guerra nas Estrelas.
Quem quiser conhecer melhor o movimento “steampunk” há uma matéria no Boston Globe, que disserta sobre o movimento.
Como obra de arte o movimento steampunk faz uma especulação sobre o que aconteceria se a tecnologia da informação tivesse surgido no século XIX e, em vez da eletrônica, usasse o vapor.


Da série:”só dói quando eu rio”


Essa cobertura de celebração da vacinação deveria ser programa de entretenimento. Não há o que celebrar. Faltam vacinas, seringas, #agulhas. Parece que vacina chegou e salvou país. Jornalismo de celebração encobre tragédia que o genocida causou. Democratas de pandemia, país não tem vacina.


Ancient Egyptian beaded dress, 6th Dynasty (2323- 2150BC)
Credits: Museum of Fine Arts, Boston, Valerie Hector


No dia de hoje, mas em 1909 nascia, em Marco de Canaveses, em Portugal, a cantora Maria do Carmo Miranda da Cunha, mais conhecida como Carmen Miranda. Quando tinha pouco menos de um ano, Carmem veio com a família para o Rio de Janeiro e nunca voltou à terra natal.
#blogdomesquita


O descaso do atual governo com a saúde da população é alarmante. Não bastasse a lentidão na vacinação contra a Covid-19, agora temos o sarampo avançando pelo Brasil e provocando mortes justamente por falta de vacinação. Seis das sete mortes causadas pelo sarampo no Brasil em 2020 ocorreram em crianças com menos de 18 meses. A sétima vítima foi um homem de 34 anos. Nenhum deles tinha histórico de vacinação contra a doença.



Agora vai! É inacreditável! Completando a quadrilha.
“Bolsonaro convida Fernando Collor para assessorá-lo.
Collor atuará sobre a questão do aumento no preço do combustível. Bolsonaro disse que o ex-presidente simplesmente ‘apareceu ali’ e o governo o convidou, e que esta é a forma ideal de se governar um país.”


Foto do dia


Lava jato é um instrumento da guerra híbrida. Para Moro e Dallagnol cadeia é pouco. Deveriam ser julgados como traidores da pátria.


John Roddam Spencer Stanhope
Robin of Modern Times,1860


 

A utopia urgente de voltar para o campo

No mundo urbano, ir ao campo sempre foi um ideal de fuga rumo à qualidade de vida, e nunca a cidade havia nos aprisionado tanto como durante a pandemia do coronavírus. Alguns já escolheram escapar. Estamos em um momento de mudança ou diante do eterno retorno da quimera rural?

Carola é uma menina de três anos que acaba de descobrir seu amor pelos tratores. Mora desde julho de 2020 em Arboleya, uma aldeia asturiana, na Espanha, de 30 habitantes. Antes morava em Tetuán, um bairro de Madri de 161.000 moradores. Seu irmão, Tomé, tem seis anos e gosta da aldeia porque aqui pode brincar. Hoje comeu ensopado. Faz frio e Tomé sopra com um canudo bolhas de sabão ao ar limpo de inverno.

— Em Madri você também podia brincar.

— Sim, mas aqui posso sair sozinho para brincar.

Em Ollauri (302 habitantes; na região de La Rioja) a escola reabriu com a chegada de várias crianças. Héctor, um garoto de longos cílios e olhos de alma profunda, é um deles. Tem nove anos e morava no décimo andar de um prédio em Alcorcón, na região metropolitana de Madri. Durante a pandemia seus pais precisaram levá-lo ao psicólogo porque acreditava que iria morrer. Em setembro se mudaram ao povoado. Em uma manhã de dezembro, estava em sua carteira com seus novos colegas de escola fazendo uma árvore composta de cartolinas em que escreviam seus pedidos de Natal.

— O que você pediu?

— Que ninguém de minha família morra. E em segundo, o Cortex Challenge, um jogo de memória.

Era uma noite de outubro quando Samara chegou com seu pai desempregado da cidade de Valência a Villerías de Campos, uma localidade de 60 moradores. Daquela noite lembra que, à medida que se aproximavam de carro, tudo estava escuríssimo e estava hipnotizada pela estranha piscada vermelha dos moinhos de vento. Tem 12 anos. No começo temia que a integração no colégio demorasse, mas foi tudo bem. Estuda no Jorge Manrique de Palencia, a meia hora de carro.

— Quem foi Jorge Manrique?

— Não sei. É que acabei de chegar…

— Você pode procurar no Google, por favor?

— Sim, deixa eu chegar perto da janela para pegar sinal – diz em seu quarto, celular nas mãos.

Tecla e lê que “Jorge Manrique foi um poeta castelhano do Pré-renascimento e um homem de armas”.

El Frago (50 habitantes, Zaragoza) foi fundado no século XII por Alfonso I, o Batalhador. Os uruguaios Verónica Giacoboni e Santiago Campiglia chegaram em setembro vindos da costa levantina. Têm duas cachorrinhas idênticas da raça Jack Russel que somente eles conseguem diferenciar: Mila e sua filha Arya, chamada assim pela corajosa heroína de Game Of Thrones que matou o Rei da Noite.

Em 21 de junho acabou o primeiro estado de alarme na Espanha, a fase mais dura da quarentena, que praticamente proibiu a saída de crianças e adolescentes às ruas e limitou às atividades essenciais a saída de casa dos adultos. Cinco dias depois, Alona e Alberto subiram em seu trailer e deixaram sua casa geminada alugada na serra de Madri para começar uma nova vida em uma antiga casa de campo em Muras (Lugo), uma localidade de 642 moradores que desde meados do século XX perdeu 80% da população. Passaram a primeira noite em uma barraca no quintal. De madrugada ouviram lobos. Para afugentá-los colocaram música eletrônica.

Ana Moreno e Julio Albarrán, os pais de Tomé e Carola, já tinham pensado em mudar para o campo antes de que “tudo isso” acontecesse. “Tudo isso” foi o que precipitou a operação ou, nas palavras de Ana, “o necessário e definitivo chute na bunda” para levá-la por fim a se mudar da capital espanhola a um local tranquilo como Arboleya.

Quanta gente terá feito o mesmo desde março? De onde, para onde, quais os motivos?

Não temos a menor ideia. O que existe são indícios que não sabemos se podem ou não significar o marco de um processo que deveria ocorrer na Espanha: o equilíbrio estrutural —e espiritual— entre o urbano e o rural em um país que concentra 41 de seus 48 milhões de habitantes em 30% do território.

O fenômeno não está restrito à Espanha. Com a recomendação da adesão ao homeoffice para todos os setores que podem evitar a volta aos escritórios, no Brasil, também cresceu o número de pessoas que fugiram para a zona rural, como mostrou uma reportagem do correspondente em Brasília Afonso Benites, publicada em julho de 2020. Sem escolas para os filhos e confinados em apartamentos, os brasileiros que moram em grandes cidades —com condições financeiras para fazê-lo— optaram por fugir para o meio do mato, nem que fosse temporariamente.

Há indícios subjetivos que embasam esse fenômeno do êxodo urbano na Espanha e em grande parte do mundo moderno —como a felicidade descrita por aqueles que puderam viver esta transformação. E há os objetivos, mas pontuais: na Espanha, várias prefeituras de pequenos municípios aproveitam a oportunidade para tentar a atrair população jovem com boa Internet; há também dados que apontam, no país europeu, o aumento da procura de casas em municípios espanhóis com menos de 5.000 habitantes, como mostra o site Idealista (14,8% do total em novembro contra 10,1% em janeiro de 2020); e o total de pedidos registrados pelo Projeto Arraigo para se mudar a um povoado: 2.000 em 10 meses, o mesmo que nos quatro anos anteriores, quando foi criada a iniciativa de ajuda à repovoação. O Instituto Nacional de Estatísticas da Espanha disse ao EL PAÍS que pretende estudar nos próximos meses os movimentos de população da cidade ao campo ocorridos durante a pandemia. Análises como essa parecem indispensáveis para fundamentar as estratégias da Secretaria Geral para o Desafio Demográfico, criada em 2020; o órgão ad hoc de maior importância na história do Governo espanhol.

Um morador da aldeia de Arboleya passa pela rua.

— O senhor acha que o campo ganhará nova vida?
Julio Albarrán e Ana Moreno com seus filhos Tomé e Carola em Arboleya. THE KIDS ARE RIGHT
— Não há outro caminho — responde.

Há vários farores que justificam a fuga para o campo. Mais contato com a natureza, menos contato com os problemas das grandes cidades (mais caras, mais desiguais, mais saturadas), deixar o vício dos celulares e toda essa convulsão existencial que vem sendo o século XXI e que deixa o ser humano sem poder respirar. Sem poder respirar de ansiedade e sem poder respirar pelo vírus, que parece a materialização patógena de nosso tempo.

Os irmãos Carola e Tomé têm uma amiga que se chama Selma que mora no povoado vizinho. Selma morou na Cidade do México, e ainda que lá adorasse ir ao cinema —como esquecer a tarde em que viu Zootopia, protagonizado pela coelha policial Judy Hopps—, acha que aqui há uma coisa da qual ela gosta ainda mais: “O ar puro”.

Ana e Julio, artista têxtil de 40 anos e fotógrafo de 37, se sentem seguros da decisão que tomaram. “Viemos com dúvidas, mas isso é incrível. Às vezes fico boba olhando pela janela e me pergunto se algum dia me cansarei”, diz ela em sua confortável casa, pela qual pagam 400 euros (2.600 reais) por mês de aluguel com vista aos Picos da Europa, uma região paradisíaca no norte da Espanha. “Mas sabe do que sinto falta?”, acrescenta. “De vez em quando, um lanchinho do Burger King.”

As terras da área rural do município de Haro, em La Rioja, são ocres, marrons, avermelhadas. Têm a gravidade metafísica de uma tela de Mark Rothko ou do Perro semihundido de Goya, e dão vinhos ótimos. “Aqui você compra por 80 centavos (5 reais) um copo de vinho que em Madri custaria três euros (20 reais)”, diz Javier Ruiz na praça de Ollauri, o povoado do qual sua mãe escapou para migrar para a cidade nos anos sessenta e ao qual ele retornou com sua família fugindo justamente da cidade grande. “Jamais pensei que poderia vir morar aqui…”, diz diante da fachada de uma casa majestosa cujos escudos seu avô pedreiro Carmelo talhou em arenito.

Foram muitas semanas com os quatro enfiados no apartamento com as notícias da pandemia. Héctor começou a dizer que não queria comer, que tinha uma espinha na garganta que não iria sair. O médico lhes explicou que era pura angústia. Passaram o verão em Ollauri na casa da falecida avó de Javier e o garoto melhorou. Em setembro voltaram a Alcorcón para o começo do ano letivo, mas entraram em pânico ao voltar a ficar confinados lá. Mudaram a matrícula de Héctor ao colégio de Ollauri e a de sua filha Paula, de 13 anos, ao colégio de Haro. Para aproveitar o espaço do carro, em vez de usar malas, Leticia Garcia propôs a seu marido apertar a roupa em sacos de 30 litros.

— O que sentiu ao ver tudo assim em sua casa?Héctor Ruiz García em sua casa de Ollauri com sua cachorrinha, ‘Trufa’. THE KIDS ARE RIGHT
— Alegria —responde Héctor.

De Madri sente falta do metrô e dos trens. Aos domingos seus pais o levavam de metrô à estação de Atocha e lá, de uma passarela, via as chegadas e saídas do AVE (trem de alta velocidade espanhol). Mantém o bom inglês aprendido em seu colégio bilíngue com duas horas semanais de conversa remota com crianças de outros países dirigidas por um professor das Filipinas.

A estudante Paula não tinha muito o que falar sobre a mudança ao povoado, ainda que a única coisa que realmente a incomodasse era se distanciar de sua amiga Andrea. Mas a vida em Alcorcón, para ela, não tinha grandes atrativos: “Lá não tinha nada para fazer além de ficar em casa lendo e tocando piano”, diz. Aqui fez amizades e usa menos o celular, o que não a impede de seguir todos os dias no TikTok @payton, um influencer de 17 anos de quem gosta especialmente “do seu cabelo”.

Na cidade de Alcorcón sua mãe era cabeleireira em um asilo. Com a pandemia entrou em processo de regulação temporária de emprego (ERTE, na sigla em espanhol). Entre Ollauri e seus arredores não demorou a encontrar trabalho tomando conta de idosos em domicílio. Por enquanto, Leticia prefere sua nova vida. Acha que na cidade “as pessoas só cuidam de si.” Quando já estavam há algumas semanas no povoado, sua mãe morreu e ela se sentiu acolhida pelo carinho dos moradores.

A fibra ótica chegou aqui no ano passado. Graças a isso, Javier trabalhe para sua empresa de Madri da sala de jantar de sua avó Constantina. Escreve códigos sobre a mesma toalha de borracha que existia quando o levavam quando criança ao povoado e comiam feijão-branco. Equipado com um notebook e um monitor, junto com o mouse sem fio que acaba de receber pelo correio e dois periquitos em uma gaiola, se sente “super bem” nesse recinto, ainda que precise se lembrar de tirar de cima de um móvel um apavorante esquilo empalhado do qual avó gostava muito.

— Mamãe, me traz leite com cereais?

— Os cereais acabaram, quer um achocolatado?

— Tudo bem, mas coloca bastante açúcar.

Da esquerda à direita: Tatiana filha, Samara, Carmen, Tatiana mãe e David. THE KIDS ARE RIGHT

David é o mais velho. Tem 15 anos e é o que menos queria mudar de Valência a esse povoado ventoso chamado Villerías de Campos. Gostava de andar por aí com seus colegas, com seu look de calças justas e casaco prateado brilhante. “Nos primeiros dias aqui fiquei muito abatido”, diz. “Ficava sozinho o dia inteiro e não saía de casa. Mas estou me acostumando.” David é um jovem de agudo senso estético, e uma coisa que lhe frustrou ao chegar foi que no vilarejo de Palência não cortaram seu cabelo como pediu. “Cortaram inteiro, e eu queria um degradado com franja curta na frente”.

Samara, a segunda, gosta do fato de que em Villerías não existem tantos carros e tanto barulho como em Valência “e isso é legal”, e de Valência gostava do verão e das Fallas —uma festa típica valenciana, que ocorre em março—, “porque está tudo cheio de gente”. A terceira, Tatiana, de 10 anos, acha que sua cidade era “muito bacana porque havia muitas meninas”, ainda que em sua classe em Ampudia – ao lado de Villerías – tem uma colega de quem gosta muito porque se parece com Lucía, sua melhor amiga de Valência, “e temos os mesmos pensamentos”. No povoado seus locais favoritos são “o tanque das rãs” e a quadra de futebol de cimento, onde joga partidas com seus pais e seus irmãos, entre eles a mais nova, Carmen, de cinco anos, que insiste em ser entrevistada como os outros e diz de um fôlego só “Eu gosto de brincar quando tem vento, mas não posso gostar porque podemos ficar gripados”.

Tatiana Arenas tem 33 anos e seu marido, David García, 35. Ela era cozinheira de um restaurante e entrou em ERTE em março. Ele não conseguia um emprego fixo desde que há dois anos perdeu seu trabalho em uma filial da empresa de frutas secas Churruca. “Enviava à Turquia contêineres de sacos de kikos (grãos de milho tostados)”, diz. “Os turcos adoram kikos”. Conta que passou os primeiros meses da pandemia ajudando em pequenas reformas e em uma oficina mecânica para somar com o que recebia sua mulher e alimentar seus filhos. Deixaram de pagar o aluguel. Um dia, Tatiana teve a ideia de procurar informação sobre povoados que precisavam de famílias e encontrou o Projeto Arraigo. A empresa de vocação social dirigida por Enrique Martínez e seu filho Juan, ambos engenheiros, os colocou em contato com Mariano Paramio, prefeito de Villerías, produtor de um delicioso queijo de ovelha e homem com um único objetivo: “Que nosso povoado seja um povoado vivo”. Paramio vivenciou em sua infância o êxodo rural e afirma que mais de meio século depois está surgindo “uma mudança de percepção” daquele traumático repúdio ao campo rumo a sua valorização. Os filhos dos que se foram, raciocina, estão vindo mais de férias e até reformando as casas porque veem como as crianças gostam – ou seja: os netos e bisnetos dos que migraram às cidades pelo bem de seus filhos –. “É como uma espiral que, muito lentamente, começa a girar ao contrário”, observa.

O povoado de Villerías havia acabado de reformar a antiga casa do padre e David e Tatiana tinham quatro filhos: uma bênção em um país em cujas zonas rurais os menores de 15 anos são 12,4% da população, os maiores de 65, 23,8% e a taxa de envelhecimento aumentou 30% nos últimos anos, segundo dados oficiais. Alugaram a casa à família por um preço baixo e lhes deram trabalho, ele de funcionário da Prefeitura e ela responsável pelo bar do povoado. Tatiana chegou com as duas meninas mais novas em um carro alugado cheio de malas e com o leite, os legumes, a linguiça e o frango oferecidos antes de sair por seu pastor evangélico de Valência. Exímia cozinheira, em Villerías de Campos aprendeu a cozinhar sopa de alho, recupera o tempo que antes não pôde dedicar aos seus filho . “Eu sofri muito nessa vida, e como acredito em carma sempre pensei que algo muito bom deveria acontecer comigo. Imaginava que seria a loteria ou algo assim: mas outro dia disse a David: ‘E se era isso que deveria acontecer conosco?.”

Enquanto Javier Ruiz, em Ollauri, tem a sorte de contar com “fibra óptica de 100 megas”, José Ramón Reyes carrega a cruz de uma cobertura precária para seu povoado, El Frago, um precioso enclave medieval erigido sobre um penhasco de rocha aragonesa. Filiado ao Partido Comunista desde os 14 anos, o prefeito reflete em uma manhã de domingo: “Se Marx viu o potencial da eletricidade para mudar o mundo, imagine o que teria dito da Internet”. São dez da manhã, e no bar soam os sibilos da cafeteira manejada por Santiago Campiglia.

Ele e sua esposa, Verónica Giacoboni são uruguaios. Saíram de Montevidéu em 2018. Na periferia as coisas estavam ficando feias, e não aguentaram mais quando assaltaram a mãe dela. “Foi agredida com um ferro na cabeça e perdeu três dentes”, diz Verónica. Emigraram à Espanha e trabalharam no turismo em Xàbia até a pandemia. Ficaram sem renda e com um aluguel dispendioso. “A única ajuda que entrava em casa eram 30 euros (200 reais) por mês da Prefeitura para comprar no supermercado Masymas”, diz Santiago. Através do Projeto Arraigo tiveram a possibilidade de ir para El Frago com um aluguel acessível e trabalhando no bar da mãe do prefeito. “E os moradores nos receberam muito bem”, diz ele. Os clientes são sempre os mesmos e em apenas dois meses o Bar 4 Reyes funciona como se os uruguaios sempre estivessem no comando. Sabem, por exemplo, que Domingo só bebe cerveja sem álcool e que Eladio, o pastor de cabras, gosta de Fanta laranja em copo alto “e com uma dose de vinho”.

Santiago e Verónica em seu bar. A seus pés, Mila e Arya. THE KIDS ARE RIGHT

Verónica e Santiago estão “felizes”, ainda que passem o dia inteiro no bar. Quando pode, ela gosta de tricotar e tirar uma soneca. Ele avalia que sua economia doméstica agora é mais sustentável. E também que o ar é “excelente” e sente que se oxigena muito bem quando vai correr. Antes de entrar nos bosques, isso sim, perguntou se havia ursos. Eladio se transformou em seu professor das coisas do lugar e uma tarde o levou para ensinar-lhe quais são os cogumelos comestíveis: “O níscaro, os cogumelos-do-cardo, os cavaleiro-cinza…”, diz o pastor.

Além dos uruguaios, em El Frago chegaram em outubro Nando González e Noemí Abad, um casal de Santander —entregador de encomendas e professora particular de inglês— cansado da cidade e assustado com o vírus porque ela tem asma. “Eu não aguentava mais”, confessa Nando, que, bem agasalhado e com seu copo de bebida nas mãos na praça Mayor, emana plenitude.

Outra moradora desde meados de 2020 é Marina Joven, uma terapeuta ocupacional cujos avós compraram há tempos uma casa em El Frago. Ela gostaria de ficar, mas como trabalha com seus pacientes acha que precisará voltar a Zaragoza. Marina anda de cadeira de rodas por uma algodistrofia, doença neurológica que causa fortes dores. Um dos benefícios do povoado, diz, é que depois de cada surto se recupera antes. Fala do poder de cura do silêncio, de dormir melhor, de como um vizinho bate em sua porta para ver como está, de que a cabeça está “a 2.000 por hora, como sempre”, mas tendo a natureza ao lado para sair um pouco para meditar, e do som da geada “degelando de manhã”.

— É uma utopia se mudar ao campo?

— Hoje, sim —responde no bar—, mas minha geração se interessa cada vez mais e a administração leva isso em consideração. Eu sou das que acham que a sociedade avança, e penso que estamos nesse rumo.

Marina deu palestras na pequena El Frago sobre igualdade de gênero e teve seus desentendimentos com a mãe do prefeito, Celia, conservadora ainda que inimiga do machismo. Santiago, que no Uruguai fazia kickboxing, deu um curso de defesa pessoal e Celia diz que aprendeu a golpear um possível agressor “para deixá-lo atordoado”. Lembra quando a população daqui era 10 vezes maior do que agora e na escola estudavam em classes separadas, com trabalhos domésticos para as meninas e na horta para os meninos. Nos anos sessenta, conta, “surgiram os tratores e as máquinas e já não era preciso tanta mão de obra, e muita gente foi para a França e Zaragoza. Muitos homens ficaram porque tinham um pedaço de terra e estavam muito arraigados, mas as mulheres saíram para trabalhar, e com tanto solteiro veio esse despovoamento tão grande que temos”, conta. Ela acha muito difícil que El Frago volte a ser um local tão vivo como quando era menina, ainda que seu filho esteja “fazendo o impossível”. Os moradores recuperaram a abadia e José Ramón prevê que em breve um casal de Soria com sete filhos se instale nela. Além disso, espera que venha um casal de Sevilha com outros quatro filhos. O prefeito logo poderá reabrir a escola, seu desafio número um. “Sem crianças não há povoado”, afirma com sua camiseta do Che Guevara.

Verónica Giacoboni tem uma nova clientela para tentar levar sua proposta além dos hambúrgueres e pizzas artesanais. “É difícil com os mais velhos. Estranham se sirvo macarrão com almôndegas. Dizem: ‘Primeiro o macarrão, depois as almôndegas’. O zucchini (abobrinha) também, se o coloco no suflê, porque o tomam na sopa. Comecei a fazer pão de ló e não o comiam, porque segundo eles só é feito para aniversários; mas então o usei para fazer bolinhos e agora sim o comem mais com o café”. Verónica faz um esforço intercultural para combinar a cultura uruguaia com a local.

Alona Litovinskaya mostra no celular as fotos de quando era uma executiva com saltos agulha.

— I was like a bullet —sorri. Como uma bala.

Um bom tempo depois disso ela conheceu Alberto Pérez Gordillo em um festival de música trance em Las Hurdes. Ele a viu, lhe perguntou se tinha fogo e ela disse que sim; de modo que assim nasceu em 2018 esse casal improvável: ele de Mérida e ela de Cazã, na Rússia.

Procurando campo, foram juntos a Miraflores de la Sierra, mas a vida em uma casa geminada a uma hora de Madri não os satisfez e, em 2019, saíram com seu trailer para procurar “algo selvagem” pelo norte da Espanha. Andando pela Galícia, viram em um site o anúncio de uma casa rural desabitada há anos, a visitaram e para eles tinha tudo: acesso por uma estrada pavimentada, água de uma nascente que sai ali mesmo de algumas rochas, documentação em dia e nenhum outro humano em um raio de um quilômetro. Não se importaram por aquilo estar “quase arruinado”, como Alberto define. Compraram e voltaram a Miraflores com a ideia de ir reformando a casa com calma, mas seu plano gradual foi pelos ares com o confinamento e quando puderam foram para Muras. Estão há meio ano nessa casa rural do século XIX, situada no topo de uma ladeira verde que dá em um pequeno riacho e que só tem uma casa perto, abandonada há décadas e na qual Alona sente a “presença de energias”.

— Isso era um caos quando chegamos — diz —. Agora também é um caos, mas um caos habitável.

Alona e Alberto no pátio de sua casa, em um local remoto da Galícia. THE KIDS ARE RIGHT

Hoje já conseguiram arrumar melhor, com alguma goteira, a parte onde estava o palheiro. O colchão fica direto no chão envolto em edredons: dois na parte de cima, um embaixo. Eles se esquentam com um fogão à lenha. Têm uma boa linguiça e bons queijos da região. O que não têm é boa Internet. Alberto, técnico de som, pendurou no varal da varanda uma sacola do supermercado com um celular velho que serve de antena e capta o sinal do 4G, e por bluetooth conseguem cobertura dentro. Alona diz que se em locais como esse existisse uma conexão de qualidade seus amigos techies de San Francisco, onde morou depois de Cazã e Moscou, ficariam felizes. Ela tem a esperança de montar em volta da casa “projetos de música imersiva”. Ele, que ficou sete anos trabalhando em Barcelona e seis em Madri, deseja poder sustentar sua vida aqui quando “tudo isso” passar, “talvez saindo por temporadas para trabalhar na cidade.”

Adoram estar no meio do nada e ter a alguns minutos a sede do município. Vão frequentemente fazer compras e comer no café restaurante O Santi, que tem um soberbo menu de 10 euros (65 reais) e também recebe as encomendas do correio. Hoje Alberto comeu lentilhas de entrada e bacalhau com cebola, e Alona salada e, de prato principal, filé de merluza com batata cozida. Além disso, ela voltará para casa com um colete que comprou pela Internet e ele com uma motosserra de gasolina que encomendou pela Amazon. Para Jeff Bezos, não há lugar ermo e distante o suficiente.

Fatos & Fotos – 06/02/2021

Chega ao Brasil o 1º lote de insumos da vacina de Oxford, que renderá 2,8 milhões de doses de vacina contra a Covid-19; material para Fiocruz produzir vacina está pronto desde dezembro


A cada 4 minutos no Brasil uma mulher “cai no banheiro”, “tropeça na escada” ou “escorrega no tapete da sala”. E a cada duas horas, uma delas não sobrevive para inventar a próxima desculpa para os hematomas no rosto e no corpo.


Falta alguém nessa minha lista de ‘amigos da família’ de Jair Bolsonaro
Pastor Everaldo, Pastora Flordelis, Roberto Jefferson, Queiroz, Capitão Adriano, Senador do Cofrinho, turma da rachadinha, Robinho, Pastor Malacheia, Eduardo Cunha



Lucien Victor Guirand de Scevola
Le Bassin d’Amour,1901


Como os “çabios” do governo interpretam “variante do coronavirus”


Mais posse e porte de armas. Que graça! Bolsonaro proibiu rastreamento de armas legais. As milícias e o narcotráfico agradecem. Os reaças sonham com uma luta armada entre bandidos:


A Globo prefere ser fechada por Bolsonaro do que permitir a volta do PT ao governo.


Cristofobia. Na Arábia Saudita Igrejas são proibidas. Assim como a prática do cristianismo. Apoiam grupos jihadistas que matam cristãos sírios. O ditador saudita, Mohammad bin Salman, comanda uma ditadura cruel e assassina.


Sem humor não dá pra aguentar o tranco nesse hospício.


Lava Jato é o maior esquema de corrupção judicial do mundo. Para o jurista e professor Lenio Streck, “Não há escândalo similar. Não se tem conhecimento que, em um Estado constitucional, tenha havido esse grau de uso do direito contra os adversários e inimigos. O Brasil, nesse ponto, é campeão de lawfare”, disse ele.


Luciano Huck disse se canditará à presidência porque houve um chamado.
Eu não chamei, foram vocês?




O que uma dieta de alfafa estragada com molho de cocô de ameba faz:
Jornalista(?) Merval Pereira lança candidatura de “Huck para 2022: “Alternativa à polarização entre PT e Bolsonaro


Foto do dia – Fotografia de Vesa Pihanurmi


The Bauhaus Chess
Design – onde a forma das peças mostram artisticamente sua função (1922)


Aras abre mais 8 apurações na PGR sobre conduta de Bolsonaro na pandemia.

Augusto Aras (Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil)

O PGR, Augusto Aras, enviou um parecer ao STF informando ter aberto mais oito apurações preliminares sobre a conduta de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Uma outra foi aberta na quinta.

247 – O procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou um parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) informando ter aberto mais oito apurações preliminares sobre a conduta de Jair Bolsonaro durante a pandemia do novo coronavírus.
Na quinta-feira, 4, a PGR abriu uma para analisar a conduta de Bolsonaro em relação à crise da Covid-19 no Amazonas e no Pará, onde houve falta de oxigênio para tratar os pacientes com a doença.


Pintura de Kees van Dongen
Trinidad Fernandez,1910
Oil on canvas – 66.3-x-53.8-cm


Gofuk Yasan Kimono



Tem caroço nesse angu. Há que investigar. Que o Conselho Federal do Ministério Público se manifeste.

O Brasil não lhe dará o direito ao esquecimento, Bolsonaro

Por: Mariana Tegon

É curioso nos darmos conta de que antes da internet não pensávamos muito em ter o direito de esquecer algo, pois, no passado, se não queríamos lembrar-nos de algo, bastava restringir o que contávamos aos outros.
Presidente exibe caixa de cloroquina, o ‘tratamento precoce’ para Covid-19, para a ema no Palácio da Alvorada.

Com a internet, perdemos algum tipo de controle de como as pessoas podem influenciar nossas vidas privadas. Qualquer pessoa pode puxar um conteúdo seu, em qualquer época, sem o seu conhecimento, você nem imagina em quantos níveis uma publicação pode afetar outra pessoa e o quão isso já é o bastante para que peguem algo, fora de contexto, e usem em uma situação desfavorável a você.

Desde os primórdios ocorriam fofocas e vazamentos com gente famosa, políticos e celebridades que eram perseguidas (por paparazzi ou imprensa). Porém são pessoas que geralmente estão preparadas para lidar com o julgamento público, são psicologicamente estruturadas e têm uma vida pública por opção. Hoje, com as redes sociais, é quase impossível distinguir o público do privado.

Quando postamos uma foto, texto, vídeo ou frase, estamos, automaticamente, à mercê de julgamentos que com certeza sairão do controle, seja porque o conteúdo bombou negativamente ou porque alguém vazou alguma intimidade do seu perfil privado. Junto a isso vem um reconhecimento às avessas.

Casos vão de B.Os que vazam, antes de mesmo de um profissional qualificado (escrivão ou juiz) ouvir qualquer fato ou versão, até conversas banais de WhatsApp.

Processos por calúnia e difamação são, cada vez mais, abertos por pessoas que sequer conheciam algum advogado até precisar agir para proteger sua integridade física, moral e intelectual. E, quando a história corre e tudo vira uma avalanche, somos obrigados a lidar com tudo — não em silêncio, mas criando mais e mais conteúdos na tentativa de soterrar a bomba que explodiu anteriormente.

Mas os sites de buscas armazenam tudo, os sites arquivam tudo e todos podem ficar voltando anos da sua vida apenas pelo prazer de torturar uma pessoa que só quer encontrar paz, silêncio e amizades sinceras após uma turbulência.

Em casos de fatos históricos e vida política/pública, o direito ao esquecimento ganha outro contexto, pois o que seria de nós, e das futuras gerações, se “o direito ao esquecimento do Holocausto” fosse dado, por exemplo? Sim, um exemplo extremo, mas temos vivido tempos estranhos.

O que acontecerá com Bolsonaro se o direito ao esquecimento for aprovado pelo STF? Quais serão os impactos in memoriam das vítimas, e de seus parentes, do genocida-negacionista, que a pandemia do coronavírus criou?
Que impacto histórico está embutido nesta decisão que poderá mudar o futuro do Brasil? Estamos numa Era onde tudo pode ser editado após a publicação. Fatos são distorcidos, negados ou até mesmo desmentidos.
Para exemplificar basta lembrar de entrevistas onde o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, falava uma coisa e semanas depois desmentia que havia dito. Mas estava gravado.

Aqui no Brasil, Bolsonaro deu os mesmos passos do ídolo político e, mesmo com material gravado em vídeo e áudio voltava atrás em declarações alegando que “nunca havia dito” algo sobre determinado assunto (geralmente sobre a pandemia), como é o caso do “tratamento precoce com cloroquina”, que agora a esfera federal desmente que tenha ajudado a difundir na área da saúde e para a população.

Esquecer é muito grave.
Fere a história do país.
Fere a história de pessoas que lutam pela vida enquanto estão entubadas em leitos de UTI.
Fere a história de famílias que precisam enterrar seus entes com velório para 10 pessoas e caixão lacrado.
Fere a história de cientistas que estão debruçados dia e noite à procura de uma vacina eficaz que freie, em massa, o pandemônio em que vivemos.
Fere a história dos profissionais da saúde que, exaustos, deixam de cuidar de sua própria vida e família para cuidar dos outros, para exercer um ofício de internar e conseguir providenciar oxigênio para quem está acamado e até mesmo em coma.

Bolsonaro precisa entrar para a história como o pior presidente que o Brasil já teve. Mesmo porque ele costumava dizer, publicamente no parlamento, que “a ditadura no Brasil matou pouco”, para compensar, ele deixou que mais de 260 mil brasileiros tivessem uma morte completamente indigna. Não satisfeito, exigiu sigilo de 100 anos para sua carteira de vacinação. Uma vergonha.
Até onde o “direito ao esquecimento” dará anistia a quem comete crimes, recorre e pede para que a nação esqueça?

Estudo conclui que Jair Bolsonaro do Brasil executou uma ‘estratégia institucional para espalhar o coronavírus’

Investigação da ONG Conectas Derechos Humanos e da Universidade de São Paulo buscou conhecer os motivos da mortalidade Covid-19 de mais de 212.000 vítimas no país, além de documentar as declarações do presidente sobre a pandemia, vacinas e polêmicas ‘curas’.

Sepultamento de vítima de coronavírus em Manaus, estado do Amazonas, Brasil.EDMAR BARROS / AP

A linha do tempo mais sombria da história da saúde pública no Brasil emerge de uma investigação das diretrizes emitidas pelo governo do presidente Jair Messias Bolsonaro em relação à pandemia Covid-19. Em um esforço comum realizado desde março de 2020, o Centro de Pesquisas e Estudos em Direito em Saúde Pública (CEPEDISA) da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) e a Conectas Direitos Humanos, uma das mais conceituadas justiça organizações da América Latina, coletaram e examinaram as regulamentações federais e estaduais relacionadas ao novo coronavírus, produzindo um documento intitulado Direitos na Pandemia – Mapeamento e Análise das Regras Legais em Resposta à Covid-19 no Brasil. No dia 21 de janeiro, eles lançaram uma edição especial com uma forte afirmação: “Nossa pesquisa revelou a existência de uma estratégia institucional de disseminação do vírus, promovida pelo governo brasileiro sob a liderança do Presidente da República”.

Obtido com exclusividade pelo EL PAÍS, a análise da produção de portarias, medidas provisórias, resoluções, instruções normativas, leis, decisões e decretos do governo federal, bem como um levantamento dos discursos públicos da presidente, traça o mapa que virou o Brasil em um dos países mais afetados pela Covid-19 e que, ao contrário de outras nações, ainda carece de um programa de vacinação com um calendário confiável. Não há como dizer quantas das mais de 212 mil mortes de Covid no Brasil poderiam ter sido evitadas se o governo liderado por Bolsonaro não tivesse executado um projeto com vistas à disseminação do vírus. Mas é razoável dizer que muitas pessoas ainda teriam suas mães, pais, irmãos ou filhos vivos hoje, não fosse a existência de um projeto institucional do governo brasileiro para disseminar o Covid-19.

Há uma intenção, um plano e um curso de ação sistemático contidos nas normas de governo e nos discursos de Bolsonaro, como mostra o estudo. “Os resultados dissipam a interpretação persistente de que houve incompetência e negligência do governo federal na gestão da pandemia. Ao contrário, a sistematização dos dados, embora incompleta pela falta de espaço para divulgação de tantos eventos, revela o compromisso e a eficiência do governo em favor da ampla disseminação do vírus em todo o território brasileiro, claramente afirmado como tendo o objetivo de retomar a atividade econômica o mais rápido possível e a qualquer custo ”, diz o boletim da publicação. “Esperamos que este cronograma forneça uma visão geral de um processo pelo qual estamos passando de uma forma fragmentada e frequentemente confusa.”

A pesquisa foi coordenada por Deisy Ventura, uma das mais conceituadas juristas do Brasil, pesquisadora sobre as relações entre pandemias e direito internacional e coordenadora do programa de doutorado em saúde pública e sustentabilidade da USP; Fernando Aith, presidente do Departamento de Política, Gestão e Saúde da FSP e diretor do CEPEDISA / USP, centro de pesquisa pioneiro em direito da saúde no Brasil; Camila Lissa Asano, Coordenadora de Programas da Conectas Direitos Humanos, e Rossana Rocha Reis, professora do Departamento de Ciências Políticas e do Instituto de Relações Internacionais da USP.

A linha do tempo é composta por três eixos apresentados em ordem cronológica, de março de 2020 aos primeiros 16 dias de janeiro de 2021. O primeiro são atos normativos da União, incluindo normas adotadas por autoridades e órgãos federais e por vetos presidenciais; o segundo, atos de obstrução às respostas dos governos estaduais e municipais à pandemia; e a terceira, propaganda contra a saúde pública, descrevendo-a como “um discurso político que mobiliza argumentos econômicos, ideológicos e morais, além de notícias falsas e informações técnicas sem comprovação científica, com o objetivo de desacreditar as autoridades de saúde pública, fragilizando a adesão da população aos conselhos de saúde com base em evidências científicas e promovendo ativismo político contra as medidas de saúde pública necessárias para conter a propagação da Covid-19.”

Os autores do estudo observam que a publicação não inclui todos os regulamentos e afirmações coletadas e armazenadas no banco de dados da pesquisa, mas sim uma seleção deles, a fim de evitar o excesso e apresentar os mais relevantes para análise. Os dados foram selecionados a partir do banco de dados do projeto Direitos na Pandemia, a partir de jurisprudências do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU), além de documentos e discursos oficiais. O eixo definido como “propaganda” também incluiu a busca no Google por vídeos, posts e notícias.

A análise mostra que “a maioria das mortes teria sido evitável com uma estratégia de contenção da doença, e que isso constitui uma violação sem precedentes dos direitos dos brasileiros à vida e à saúde”. E que isso ocorreu “sem que nenhum dos administradores envolvidos fosse responsabilizado, embora instituições como o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal de Contas da União tenham inúmeras vezes apontado condutas e omissões conscientes e deliberadas dos administradores federais que vão de encontro ao ordenamento jurídico brasileiro. ordem.” Também destaca “a urgência de uma discussão aprofundada da configuração dos crimes contra a saúde pública, crimes de responsabilidade e crimes contra a humanidade cometidos durante a pandemia Covid-19 no Brasil”.

Os atos e palavras de Bolsonaro são bem conhecidos, mas acabam se diluindo na realidade do dia a dia alimentada pela produção de factóides e notícias falsas, em que a guerra do ódio também é uma estratégia para encobrir um projeto consistente e persistente que forja à frente, visto que a temperatura das trocas é mantida em alto nível nas redes sociais. A publicação do relatório causa choque e mal-estar porque sistematiza a produção explícita de males postos em ação por Bolsonaro e seu governo ao longo de quase um ano de pandemia. Um dos maiores méritos da investigação é justamente ter articulado as muitas medidas oficiais e discursos públicos do presidente na linha do tempo. Desta análise meticulosa, surge o plano com todas as suas fases devidamente documentadas.

A análise também mostra claramente quais populações são os principais alvos dos ataques. Além dos povos indígenas, aos quais Bolsonaro até negou água potável, uma série de medidas foram tomadas para negar aos trabalhadores a chance de se proteger da Covid-19 e se isolar. O governo ampliou o conceito de atividades essenciais para incluir até os salões de beleza e tem procurado privar diversas categorias de trabalhadores do direito ao auxílio emergencial de R$ 600 concedido pelo Congresso. Ao mesmo tempo, tentou estabelecer um duplo padrão no tratamento dos trabalhadores da saúde: Bolsonaro vetou inteiramente um projeto que oferecia compensação financeira aos trabalhadores incapacitados como consequência de seu trabalho na contenção da pandemia, enquanto tentava aliviar o setor público trabalhadores de qualquer responsabilidade por atos e omissões relacionados à Covid-19. Resumindo: o trabalho árduo e de alto risco de prevenção e luta contra a pandemia é desencorajado, enquanto a omissão é estimulada.

Ao reter recursos destinados ao combate à Covid, o governo tem dificultado o atendimento aos pacientes nos sistemas públicos estaduais e municipais de saúde. Uma guerra constante é travada contra governadores e prefeitos que tentam implementar medidas de prevenção e combate ao vírus. O Bolsonaro usa o veto para anular até as medidas mais básicas, como o uso obrigatório de máscaras nos estabelecimentos autorizados a funcionar. Muitas de suas medidas e vetos foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ou pelo Congresso.

Este é outro ponto importante: a análise dos dados também destaca o quão mais trágica seria a situação do Brasil se o STF e outros órgãos não tivessem impedido várias das medidas de disseminação do vírus decretadas pelo governo. Apesar da fragilidade demonstrada pelas instituições e pela sociedade, é visível um esforço por parte dos principais atores para tentar neutralizar ou anular as ações do Bolsonaro. É possível projetar o quanto esses esforços, somados e associados a um governo que se dispunha a prevenir a doença e combater o vírus, poderiam ter feito para prevenir mortes em um país que possui o Sistema Único de Saúde (Sistema Único de Saúde). SUS). Em vez disso, Bolsonaro desencadeou uma guerra em que grande parte da energia das instituições e da sociedade organizada foi desperdiçada para reduzir os danos causados ​​por suas ações, em vez de se concentrar no combate à maior crise de saúde pública em um século.

Quase um ano depois do primeiro caso de Covid-19, ainda não se sabe se as instituições e a sociedade não coniventes com o Bolsonaro serão fortes o suficiente, diante do mapa das ações institucionais de disseminação do vírus, para finalmente colocar uma parada para os agentes que disseminam o vírus. O uso da máquina estatal para promover a destruição foi decisivo para trazer à tona a realidade atual de mais de mil sepulturas cavadas todos os dias para pessoas que ainda poderiam estar vivas. Mais de 60 pedidos de impeachment do presidente foram apresentados ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Pelo menos três pedidos foram enviados ao Tribunal Penal Internacional ligando o genocídio e outros crimes contra a humanidade às ações de Bolsonaro e membros de seu governo em relação à pandemia. As próximas semanas serão decisivas para os brasileiros afirmarem quem são e como responderão às gerações futuras quando questionados sobre o que estavam fazendo enquanto tantas pessoas morriam de Covid-19.