Copa do Mundo 2014: Como estava previsto

Dar uma banana - Blog do MesquitaA Arena Pantanal é interditada seis meses após a Copa do Mundo.

O estádio em Cuiabá que custou R$ 570 milhões, dinheiro meu, seu, nosso, precisa fazer obras ” devido a problemas estruturais “.

O Engenhão, inaugurado em 2007 para os Jogos Pan-americanos do Rio, foi fechado desde março de 2013 também por problemas estruturais.

E ninguém vai preso!


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Caso Neymar: um crime que o mundo viu, menos as autoridades do Brasil

Zuniga,Neymar,Copa do Mundo 2014,Blog do MesquitaNeste Brasil e Colômbia, pela Copa do Mundo 2014, na Arena Castelão, em Fortaleza (arena mesmo, como aquelas onde se enfrentavam feras e gladiadores nos antigos anfiteatros romanos), o nosso Neymar foi vítima de crime de lesão corporal, previsto no artigo 129 do Código Penal Brasileiro (CP).

E lesão corporal de natureza grave, por ter causado ao atleta “incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias“, circunstância que o § 1º, nº I, do artigo 129 do CP faz alterar a pena que passa a ser “reclusão de um a cinco anos“.

O crime tem autoria mais do que conhecida. Neymar foi gravemente lesionado pelo jogador colombiano Zúñiga. E de forma covarde e intencional.

Toda agressão pelas costas é covarde. Mais ainda por impossibilitar que a vítima se defenda.

Intencional porque a disputa pela bola aérea ou rasteira, ainda que viril, não justifica a brutalidade cometida contra Neymar.

Foi mesmo para derrubar.

Para tirá-lo do jogo. Tanto foi que derrubou.

E colocou Neymar fora da Copa.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O PROCEDIMENTO LEGAL

Termina a partida, Zúñiga deveria ter sido levado preso à delegacia de polícia da região onde está localizada a Arena Castelão e lá ser autuado por lesão corporal e, em seguida, liberado mediante pagamento de fiança. Isso se a Autoridade Policial não decidisse mantê-lo preso até que o Juiz, para quem o auto de prisão em flagrante fosse logo enviado, resolvesse ou não, expedir a ordem de soltura.

Décadas atrás, quando era titular da 18ª Delegacia de Polícia, que fica da Rua Barão de Iguatemi (Praça de Bandeira, RJ), o delegado Maurílio Moreira, com sua equipe e a serviço, comparecia ao Estádio do Maracanã para assistir aos jogos.

E não foram poucas as vezes que o Dr. Maurílio, depois do jogo, foi ao vestiário do estádio para prender e conduzir à delegacia jogadores de futebol que, durante a partida, causaram lesão corporal ao atleta da equipe adversária. Certa vez indagado por que agia com tanto rigor, o Dr. Maurílio respondeu:

“O Estádio do Maracanã se encontra dentro da área da circunscrição da qual sou a autoridade policial. Eu estava no estádio, vi e agi. Cumpro a lei“.

A propósito: quem agride e lesiona outra pessoa, na rua ou em qualquer lugar, e a polícia chega não é conduzido à delegacia da área para ser autuado?

SEM DIFERENÇA, SEM EXCEÇÃO

As lesões corporais, leves ou graves, que jogadores de futebol sofrem durante uma partida, não estão fora do alcance das leis penais, que não as excepcionam. Para que estivessem, seria preciso que as lesões, em tal circunstância, fossem descriminalizadas.

O Direito Penal não deixa de considerar crime condutas censuráveis de atletas que durante uma partida de futebol(ou outro esporte qualquer) infrinjam a lei penal. E sendo a lesão corporal de natureza grave, o crime é de ação pública incondicionada.

Não depende de queixa ou representação do ofendido. Por se constituir crime a que o Código Penal prevê pena máxima superior a dois anos, está fora do âmbito da competência dos Juizados Especiais Penais, cuja lei (nº 9099/95) exige que a própria vítima Neymar apresentasse queixa à Polícia ou ao Ministério Público (artigo 88). Não foi, nem é o caso.

Basta que a Autoridade dele tenha tomado conhecimento. E se presenciado o crime, com muito mais razão e obrigatoriedade, prender o infrator. Se não tanto, instaurar o competente inquérito e/ou a ação penal. A lesão corporal de natureza grave que vitimou o nosso Neymar não dependia e continua a não depender, de queixa-crime do próprio Neymar, para que Zúñiga fosse preso e permanecesse no Brasil até final julgamento.

Parece que agora é tarde. Pena que o delegado carioca dr. Maurílio Moreira não estava lá no Castelão. Mesmo sendo Autoridade Policial do Rio, ele prenderia o infrator e o conduziria à presença de seu colega do Ceará. Afinal, o Mundo viu, menos as Autoridades do Brasil.
Jorge Béja/Tribuna da Imprensa

Copa do Mundo 2014: Sobre o artigo do Financial Times que diz que o Brasil já ganhou a Copa

Um artigo do Financial Times circula nestes dias pela internet. O título é: “O Brasil já ganhou a Copa”.
Fans wait for the start of the match between Germany and France

Ao contrário de textos do FT críticos à política econômica do governo, este não é objeto de exaustiva repercussão na mídia e seus comentaristas.

Regra número 1: a mídia repercute apenas notícias negativas, numa seleção minuciosa que não admite exceções.

O artigo do FT sublinhava o que já é de amplo conhecimento: a Copa foi um triunfo.

A extraordinária surpresa se deveu menos aos fatos, em si, e mais à campanha feroz movida pela imprensa.

Num dos momentos apoteóticos dessa campanha, Jabor disse que o Brasil   mostraria sua incompetência em organizar um evento de tal magnitude.

Mesmo jornalistas de outra natureza que não a de Jabor se deixaram contaminar pelo sentimento apocalíptico. Poucas semanas antes da estreia do Brasil, depois de visitar o Itaquerão num jogo do Corinthians, Juca Kfouri previu, na ESPN, o caos.

O FT falou naquilo que todos sabem: os brasileiros são um povo encantador. O francês rosna para você. O inglês ignora você. O brasileiro sorri e dá um tapa nas suas costas.

Para os jornalistas estrangeiros, e os turistas, cobrir a Copa nas cidades com praias foi uma experiência única. “A Copa tem que ser sempre no Brasil” foi uma frase várias vezes repetida.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Também para os jogadores estrangeiros o Brasil foi, em geral, uma festa. Viralizou um vídeo em que futebolistas alemães torciam num hotel, ao lado de brasileiros, na disputa de pênaltis entre Brasil e Chile.

O ganho em termos de imagem para o Brasil é inestimável. A “publicidade” gratuita que a mídia internacional deu ao país com seus textos e vídeos não tem preço.

Não é que o Brasil tenha passado por uma metamorfose súbita na Copa. É que a mídia, já faz um bom tempo, retrata um país que não existe.

É a Banânia, uma terra da qual devemos todos nos envergonhar. Segundo a mídia, somos corruptos, somos infames, somos linchadores, somos violentos, somos canalhas, somos ignorantes.

Falta alguma coisa? Ah, sim: somos feios.

O Brasil monstruoso da mídia não é, evidentemente, uma obra do acaso. O objetivo é convencer os incautos de que, com outra administração, viraremos um paraíso, mais ou menos como o Brasil que a Globo mostrava na ditadura militar.

Ou, tirados os exageros, como o Brasil sob a ótica dos jornalistas, turistas e jogadores estrangeiros que vieram para a Copa.

O país tem desafios monumentais para se tornar uma sociedade avançada, é certo. Os extremos de opulência e miséria ainda são intoleráveis, a despeito da redução da desigualdade verificada nos últimos anos.

Um “choque de igualdade” tem que percorrer o país.

Mas não somos a Banânia da mídia.

Melhor: a Banânia está representada apenas numa área. Na própria imprensa. A mídia brasileira é, em si, a Banânia que, ardilosamente, ela finge que o Brasil é.
por: Paulo Nogueira/Diário do Centro

Eleições 2014,Polarização sobre Dilma na Copa terá efeito sobre campanha?

Desde o seu início, a Copa do Mundo tem intensificado um ambiente de polarização política no Brasil que já está influenciando as campanhas dos principais candidatos à Presidência, observam analistas ouvidos pela BBC Brasil. Segundo eles, essa polarização pode continuar tendo um impacto sobre as campanhas até as eleições de outubro.

Torcedora no Mané Garrincha (AFP)

Centenas de torcedores foram ao Mané Garrincha apenas para participar do burburinho em volta do estádio

O debate ganhou corpo logo na abertura do Mundial, quando torcedores no estádio em São Paulo vaiaram e xingaram a presidente Dilma Rousseff.

Candidatos da oposição aproveitaram o gesto para criticar a presidente, enquanto que políticos ligados ao governo – entre os quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – atribuíram a postura à falta de educação do público no estádio. Alguns recorreram à expressão “elite branca”, cunhada pelo ex-governador paulista Cláudio Lembo, para definir o grupo presente na arena.

Devido ao alto preço dos ingressos, os jogos do Mundial têm sido marcados pela menor presença de brasileiros das camadas mais pobres da sociedade nas arquibancadas. Estes acabam acompanhando a festa do lado de fora – o que reforça essa visão de que este seria um Mundial “elitista”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Apesar de reconhecerem um aumento da polarização política associado ao Mundial, os analistas ouvidos pela BBC não chegam a uma conclusão sobre os efeitos desse ambiente sobre a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Se por um lado o discurso associado à polarização mobiliza a militância, para um analista, por outro lado, o próprio PT é hoje parte da elite, o que cria uma contradição. Além disso, se Dilma optou por se afastar dos estádios para evitar mais desgaste à sua imagem, por outro lado a posição da presidente pode ter se fortalecido, ao ser vista como “vítima” das ofensas na abertura do Mundial.

PT ‘mobilizando militância’

Para Ricardo Ismael, professor de ciência política da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio, “ao dividir o país entre quem é da elite branca e quem não é, deixa-se de discutir os reais problemas do país”.

Possivelmente teremos uma das eleições mais polarizadas da história em termos de ricos versus pobres.” Maria do Socorro Souza Braga

“Não se chegará a lugar nenhum com esse discurso, que não faz qualquer sentido do ponto de vista sociológico”.

Segundo ele, ao dizer que os xingamentos a Dilma haviam partido da elite, Lula e o PT buscavam mobilizar militantes do partido. “Esse é um discurso batido, mas que ainda funciona para a militância.”

Na prática, no entanto, Ismael avalia que, desde que chegou à Presidência, há 12 anos, o PT convive bem com setores da elite brasileira e tornou-se, ele próprio, parte da elite política do país.

Maria do Socorro Souza Braga, professora de ciência política da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos/SP), ressalta que os acontecimentos na abertura da Copa – e as reações que geraram – evidenciaram “uma grande divisão na sociedade brasileira” e terão impacto na eleição.

“Possivelmente teremos uma das eleições mais polarizadas da história em termos de ricos versus pobres”, ela afirma.

Recuo de Aécio

Braga avalia que os xingamentos tiveram efeitos contraditórios. Por um lado, diz ela, eles afetaram a imagem de Dilma e a desencorajaram a ir a outros jogos da Copa – o que deve dificultar que ela use o Mundial em seu favor.

Por outro lado, segundo a professora, as ofensas suscitaram uma forte reação contrária, que acabou por favorecer Dilma, a vítima dos insultos.

A reação negativa, diz Braga, fez até com que o principal opositor de Dilma na disputa presidencial, o tucano Aécio Neves, mudasse sua postura em relação ao episódio.

Inicialmente Aécio disse que o comportamento da torcida era uma resposta à “arrogância” de Dilma, mas ele acabou por defender que as críticas à petista não ultrapassem “os limites do respeito pessoal”.

Eduardo Campos (e), Dilma Rousseff (c) and Aécio Neves (d), candidatos à presidência do Brasil (Reuters)

Comportamento dos torcedores durante a Copa alimenta debate político

Eduardo Campos, o candidato do PSB à Presidência, afirmou que Dilma “colheu o que plantou”, mas que “talvez a forma (xingar a presidente) não tenha sido a melhor de expressar esse mau humor, essa discordância”.

Postura conciliadora

Em entrevistas recentes, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, adotou postura mais conciliadora que Lula e outros dirigentes petistas ao afirmar que os xingamentos a Dilma no estádio não haviam partido somente da “elite branca”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Segundo Carvalho, é um engano achar que apenas brasileiros endinheirados estão insatisfeitos com o governo e que “o povo pensa que está tudo bem”.

A opinião de Carvalho encontra ressonância no público que assistia a Brasil e Camarões numa feira próxima ao estádio de Brasília, na segunda-feira.

Sem dinheiro para comprar ingressos para o jogo, os torcedores haviam se aglomerado na porta do estádio sem qualquer esperança de entrar, apenas para acompanhar o burburinho e tirar fotos em meio à multidão.

A BBC Brasil perguntou a seis deles o que haviam achado dos xingamentos a Dilma na abertura. Três condenaram a atitude, e outros três disseram que, se estivessem no estádio, teriam engrossado o coro.

Esdenis Cunha diz que Dilma “fez por merecer (os xingamentos)”. Para ela, Lula não poderia ter se queixado da educação do público no estádio “porque não fez nada para educar o povo quando era presidente”.

Já Jéssica Ribeiro, de 21 anos, diz que os que ofenderam a presidente em São Paulo deveriam ter esperado pela eleição para expressar seu descontentamento.

“Eles (torcedores) estavam lá no bem-bom e resolveram vaiar? Achei muito feio.”
João Fellet/Da BBC Brasil em Brasília

Copa 2014: A lição que o Brasil está prestes a dar ao mundo

Copa do Mundo 2014,Blog do Mesquita,Protestos,BrasilHá um pensamento em voga entre nós: devíamos sabotar a Copa, torcer contra, colaborar para que “não haja” Copa.

Seria tão bom, tão mais simples, se nossos problemas estivessem restritos à Copa e à FIFA

Isto seria a coisa cívica e correta a fazer – usar a Copa do Mundo no Brasil não para vender ao mundo uma imagem boa do país, mas, ao contrário, para revelar nossas mazelas, para admitir nossas iniquidades diante do planeta.

Isto seria um levante contra “tudo isso que está aí” – o maldito padrão Fifa que não conseguimos alcançar e que nos humilha; nossa incapacidade histórica de fazer qualquer coisa honestamente, sem cobrar ou pagar propina; a economia que não anda; nossa ineficiência estrutural e nossa leniência crônica que nunca cumprem o que promete, que perdem prazos e desrespeitam contratos; nossa falência como nação que não consegue andar para frente em tantos aspectos essenciais; nossa incompetência em superar essa fenda social profunda que nos divide há séculos em duas castas que se odeiam, às vezes em silêncio, às vezes nem tanto.

Mas sabotar a Copa funcionaria também como uma espécie de autoexpiação pública e mundial, transformando nossas questões nacionais, internas, num inesquecível fiasco global. Como se a Copa do Mundo deixasse de ser uma festa para virar uma chibata. Como se o maior evento do planeta, que nos foi confiado e que nós brigamos para receber, não representasse um momento de alegria mas sim uma oportunidade de gerar constrangimento, vergonha, decepção e má publicidade.

Sorrir virou uma assunção de cretinice. Torcer pelas cores nacionais na Copa virou um crime. Exercer o gosto pelo futebol, um traço nacional, virou coisa de gente pusilânime.

Ao mesmo tempo, ver o Brasil mal retratado na imprensa de outros países virou uma alegria. Passamos a gostar da ideia de esfregar nossos aleijões na cara da audiência internacional – tendo especial regozijo ao ver a classe média do resto do mundo virar de lado e tampar o nariz. Adoramos jogar lama no próprio rosto. E convidamos os outros a nos enlamear também. Estamos torcendo para que as coisas funcionem mal, e para que tudo dê errado, e para que não consigamos fazer nada direito, para que tragédias aconteçam, para que tudo mais vá para o inferno.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Estamos vibrando com a derrocada daquilo que mais odiamos. E o que mais odiamos parece ser o Brasil. Como se o Brasil não fôssemos, tão e simplesmente, nós mesmos.

Tenho muita dificuldade de entrar nessa onda de autoimolação. E na inconsequência juvenil dessa postura “quanto pior, melhor”. Há um niilismo contido nesse pensamento, e um masoquismo meio piegas e vazio nessa proposta, um espírito de porco oco e doentio, que me desagradam profundamente. Talvez porque haja muita destruição aí – e eu seja um construtor. Talvez porque haja muita coisa prestes a ser posta abaixo, indiscriminadamente, e eu seja um criador que gosta de erguer obras. Não sou um demolidor de paredes. Então não consigo achar que botar fogo no circo com todo mundo debaixo da lona possa ser uma boa ideia. Talvez por já ter vivido fora do país, e visto o Brasil lá de fora. E por ter dois filhos brasileiros, que terão seu futuro próximo acontecendo por aqui. E por já estar vivendo meu 43. ano de vida. Já estou muito velho para achar que arrasar a terra possa facilitar o nascimento de alguma outra coisa sobre ela.

Fico imaginando esse mesmo pensamento noutros países. Cito apenas alguns. Você completa o quadro.

Na Copa de 2002, o Japão deveria, logo na abertura, fazer menção a seus crimes de guerra, que não foram poucos, pelos quais jamais se desculpou. Ou então alertar para o tratamento discriminatório até hoje imposto aos burakumin – pessoas  que exercem profissões “impuras”, como coveiros e açougueiros. Ou protestar contra a xenofobia, e o sentimento de isolamento (quando não de superioridade) racial que ainda hoje permeia a sociedade japonesa.

A Coréia, no mesmo ano, deveria denunciar seu patriarcalismo opressor e a violência doméstica contra mulheres que é uma espécie de direito adquirido dos homens por lá até hoje – quase 60% das esposas afirmam sofrer algum tipo de abuso dentro de casa.

Os Estados Unidos deveriam ter encerrado a Copa de 1994 com uma apoteose em forma de perdão pela barbaridade das duas bombas atômicas que atiraram covardemente sobre a população civil de duas cidades, em nome de um teste científico (afinal, gente amarela não é gente, né?) e de um aviso nuclear aos novos inimigos. Foram 250 000 mortos, entre crianças, mulheres, bebês, velhos, gestantes, recém nascidos.

Ou então a apoteose deveria representar uma elegia às populações indígenas americanas massacradas. Ou aos mortos de todas as ditaduras que os Estados Unidos apoiaram ao longo de décadas, inclusive ensinando as melhores técnicas para “prender e arrebentar”, para vigiar e punir e esganar. Os Estados Unidos também poderiam se retirar da Copa, e também das Olimpíadas, bem como de todas as competições internacionais em que costumam brilhar, em protesto contra o fato de serem a maior economia do mundo e até hoje não terem tido a capacidade de oferecer um sistema público de saúde universal aos trabalhadores que produzem essa riqueza toda – quase 50 milhões de americanos simplesmente não tem a quem recorrer se ficarem doentes.

A África do Sul, em 2010, deveria ter alardeado sua liderança mundial em estupros – 128 estupros por 100 000 habitantes. (Ah, sim. Na Nigéria, que receberemos esse ano, o estupro marital não é considerado crime. A delegação nigeriana, composta de maridos, deveria entrar no Itaquerão empunhando essa bandeira?)

A Itália e a Espanha, as duas últimas campeãs mundiais, nem deveriam vir à Copa. Na Itália, o desemprego entre os jovens é de 38,5% – no Sul, a região mais pobre do país, a taxa é de 50%. Ano passado, 134 lojas fechavam diariamente na bota – mais de 224 000 pontos já fecharam no varejo italiano desde 2008. Na Espanha, o desemprego está batendo em 30% na população em geral. Entre os jovens, já encostou também nos 50%.

Ou seja, se fossem países sérios, Espanha e Itália não perderiam tempo e recursos participando de um evento da Fifa, essa corja internacional, e se dedicariam com mais a afinco a resolver seu problemas, que são muito graves. Trata-se de países à beira da bancarrota. (Só para comparar, a taxa de desemprego no Brasil, esse fim de mundo em que vivemos, é de 4,9%). Os americanos, se merecessem os hambúrgueres que comem, deveriam usar a visibilidade da Copa, já que nem gostam de futebol mesmo, para chamarem a atenção para a tremenda injustiça e para o absurdo descaso que enfrentam em seu sistema público de saúde. E, se tivessem um pingo de vergonha na cara, espanhois e italianos se recusariam a vir para a Copa, a torcer por suas seleções na Copa, e se postariam de costas para os televisores e sairiam quebrando vitrines (das lojas que ainda lhes restam) a cada gol de Iniesta ou de Balotelli. Mais ou menos como estamos planejando fazer por aqui em represália aos êxitos de Neymar e cia.

Eis a lição que o Brasil está prestes a dar ao mundo.
Por Adriano Silva/blog Manual de Ingenuidades

Os xingamentos a Dilma e a falta de civilidade da elite brasileira

Porcos de luxo Blog do MesquitaSetenta por cento das pessoas que estavam na Arena Corinthians, quinta-feira (12), na abertura da Copa do Mundo, eram homens que patrocinam o evento.

A prioridade para VIPs e a já conhecida dificuldade de adquirir ingressos, graças ao sistema Fifa, se encarregaram de elitizar as arquibancadas e os camarotes do Itaquerão. 

Itaú, um dos principais patrocinadores, além da Coca-Cola, Liberty Seguros, Adidas, Hyundai, Kia, Emirates, Sony, Visa, Budweiser, Castrol, Continental, Johnson & Johnson, McDonalds, Moypark, Yingli, Oi, Apex Brasil, Centauro, Garoto e Wise Up tomaram conta do estádio.

Estádio que foi protagonista de um constrangedor exemplo de falta de civilidade.

A Presidenta Dilma Rousseff foi xingada por uma elite parceira ou diretamente ligada a estas multinacionais e bancos.

O que se ouviu não foi um protesto politico. Aqueles que xingavam a Presidenta pareciam mostrar intimidade com o que gritavam. Não eram vaias ou apupos. Era manifestação de falta de civilidade.

Esta mesma manifestação faz lembrar o episódio de Getúlio Vargas no Jockey Club, quando recebeu uma sonora vaia da Tribuna de Honra, onde estava a elite brasileira que assistia ao Grande Prêmio Brasil.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

E aquela era uma competição nacional, e não uma de proporções mundiais.

Nesta quinta-feira, 1,5 bilhão de pessoas de todo o mundo viram a elite xingar e ofender a Presidenta de seu país, com falta de educação e desrespeito.

Um dia, em São Paulo, Ademar de Barros preparou uma arapuca, como sabia preparar quando se tratava de desrespeitar políticos, em uma universidade. Arquitetou uma sonora vaia para Juscelino Kubitschek. Ali, foram vaias de estudantes, também tramadas por homem ligado ao dinheiro.

Vale guardar as devidas proporções com os homens ligados ao dinheiro de hoje. Homens de empreiteiras e bancos que frequentam a Polícia Federal por suspeitas de obras superfaturadas.

Casos escandalosos como os do Banestado, Panamericano ou do Banco Econômico, de Angelo Calmon de Sá – que apesar de todas as denúncias ainda tem R$ 4 bilhões para tomar do Banco Central.

No episódio envolvendo Juscelino Kubitschek, o Presidente fez uma grande reflexão: “Feliz do pais que tem estudantes que podem vaiar seu presidente.”

Ontem, não. Ali era falta de civilidade ou um xingamento que na verdade mostrava um costume daqueles que xingavam.

Triste do país cuja elite usa um tipo de agressão de tão baixo nível para ofender seu Presidente sob os olhos do mundo.

Elite que não imagina o que poderá acontecer com o país quando, um dia, o povo sofrido tiver o mesmo lamentável comportamento contra ela.
Jornal do Brasil

Copa do Mundo 2014: Com Copa no Brasil, futebol conquista EUA e movimenta milhões

Os Estados Unidos fazeram sua estreia na Copa do Mundo nesta segunda-feira contra Gana, às 19h de Brasília, mas desde a semana passada um grupo de torcedores tem razões de sobra para comemorar. São os empresários de futebol.

Torcedores dos EUA na Arena das Dunas, em Natal | Crédito: Getty

Americanos foram os maiores compradores de ingressos para a Copa fora do Brasil

O esporte, que sempre permaneceu à sombra de outros, como o beisebol, o basquete ou o futebol americano, dá sinais de que conquistou o coração dos americanos – e os bolsos dos cartolas.Na última sexta-feira, a rede de TV americana ESPN revelou que os índices de audiência para a partida entre Brasil e Croácia foram os melhores da história do país para um jogo de abertura da Copa do Mundo, e aumentaram em 52% frente ao mesmo período do ano passado.

A paixão dos americanos pelo futebol não é só comprovada pelo número de televisores ligados. Os Estados Unidos são o segundo país do mundo que mais comprou ingressos para o Mundial no Brasil.

Cerca de 150 mil ingressos foram vendidos no total, mais do que Inglaterra, França e Alemanha juntos, informou a liga professional americana, a MLS (Major League Soccer, na sigla em inglês) à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

O número de pagantes é maior inclusive do que na última Copa do Mundo, realizada na África do Sul, quando os americanos nem chegaram a figurar na lista dos dez países que mais compraram entradas, segundo informações da Viagogo, empresa que comercializa ingressos na Internet.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Dança dos milhões

No entanto, essa cifra é minúscula se comparada ao que as grandes redes de TV estão pagando pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo.

A ESPN pagou cerca de US$ 100 milhões (R$ 220 milhões) pela retransmissão em inglês das Copas de 2010 e 2014 nos Estados Unidos, enquanto que o canal em espanhol Univisión, voltado para a comunidade hispânica, desembolsou US$ 325 milhões (R$ 726 milhões) pela exclusividade das imagens Mundial em espanhol, revelou a revista Forbes.

Trata-se de um crescimento considerável frente aos US$ 22 milhões (R$ 49 milhõe) que a ESPN pagou pelos direitos do Mundial da França em 1998, o primeiro transmitido em sua totalidade em território americano. E muito menos do que os US$ 425 milhões (R$ 950 milhões) que a Fox pagará pelo direito de transmitir os torneios de 2018 e 2022.

Mas em que se baseia a ‘dança dos milhões’? Para analistas, a quantidade de dinheiro envolvida na Copa do Mundo deste ano revela que o esporte deixou de ser uma mera curiosidade nos Estados Unidos para se tornar parte integrante de sua cultura esportiva, talvez uma das mais exuberantes do mundo.

As evidências estão por todos os lados. Em Doral, uma região residencial de Miami, crianças venezuelanas, colombianas, e argentinas se reúnem à frente de lojas e supermercados para trocar figurinhas do álbum do Mundial. Mas muitos poderiam argumentar que a febre da Copa do Mundo é apenas um reflexo da população cosmopolita do lugar.

O fenômeno é mais surpreendente em Jacksonville, cidade também da Flórida, em uma área mais conservadora e menos aberta à influência estrangeira do país. No dia 7 de junho, 52.033 pessoas lotaram o estádio de Everbank para ver a seleção americana jogar um amistoso contra a Nigéria.

Horário nobre

Torcedores dos EUA | Crédito: Getty

Horário dos jogos vêm ajudando a incrementar audiência e arrebanhar novos espectadores

Os horários dos jogos também vêm ajudando a incrementar os índices de audiência e arrebanhar novos espectadores.

Pela primeira vez em 20 anos (a última vez foi em 1994, nos Estados Unidos), o Mundial acontece no Hemisfério Ocidental e as partidas são realizadas no horário nobre das TVs americanas.

Por causa disso, não surpreende que as principais emissoras do país tenham investido fortemente na cobertura da Copa do Mundo deste ano. Como lembra o jornal Miami Herald, há apenas oito anos, em 2006, a ESPN designou como seu principal comentarista um narrador de partidas de beisebol. Hoje, não poderia se dar o mesmo luxo.

Com uma audiência que deve superar amplamente os 110 milhões de espectadores, as grandes empresas de mídia também buscam satisfazer os fãs cada vez mais conhecedores das minúcias deste esporte. Ao todo, 22 jogadores da liga profissional do país participam da Copa do Mundo.

Futuro

Mas a batalha pela paixão pelo futebol está ganha neste país? Não totalmente, dizem os especialistas.

Um exemplo: a decisão de última hora do técnico americano Jurgen Klinsmann de excluir a estrela da equipe, Landon Donovan, baseando-se em seu baixo rendimento. Basta imaginar o cataclismo que seria causado na Argentina se Alejandro Sabella anunciasse no último momento que Messi não iria ao mundial. Ou que Luiz Felipe Scolari dissesse que Neymar não vestiria a camisa da seleção brasileira. Nos Estados Unidos, o corte de Donovan gerou polêmica.

Mas a liga profissional americana está otimista sobre o impacto que a Copa de 2014 terá sobre o futebol do país. A audiência para o mundial nos Estados Unidos hoje é “muito social, muito digital”, disse a porta-voz da MLS Marisabel Muñoz.

“Em 2014, o papel das redes sociais mudou as regras do jogo, para o bem. Há mais pessoas acompanhando as partidas durante o dia, em seus trabalhos, acompanhando o futebol”, afirma.

Para alguns, o caminho para o atual florescimento do futebol dos Estados Unidos começou em 1994, durante o Mundial que teve lugar neste país.

Um investimento que 20 anos depois não deixa de render frutos, para a felicidade dos empresários e dos apaixonados por futebol.
Luis Fajardo/Da BBC Mundo

Copa 2014: A metáfora do exoesqueleto

Ciências Homo Sapiens Blog do MesquitaNa sexta-feira (13/6) o Brasil amanheceu com a alma lavada pela vitória de sua equipe de futebol no jogo inaugural da Copa do Mundo. A imprensa reconhece a ocorrência de um gol ilegítimo, nascido do pênalti imaginado pelo árbitro da partida, mas oferece análises ao mesmo tempo ponderadas e apaixonadas sobre o desempenho da seleção nacional.

Paralelamente, há descrições detalhadas sobre o entorno do espetáculo, com tentativas de protestos que não chegaram a prejudicar o movimento dos privilegiados que conseguiram um ingresso ou dos milhões que se reuniram para acompanhar o jogo diante da TV.

Fica claro que, desde o apito inicial, a maioria da população deixou de lado o mau humor fabricado massivamente pela imprensa nos últimos meses e se concentrou no que agora é essencial: sim, havemos Copa. Os pequenos grupos que insistiram em caminhar contra a corrente foram isolados e, em algumas cidades, hostilizados pelos torcedores.

Assim como os ocupantes da área VIP do estádio, que tomaram a iniciativa de vaiar a presidente da República e os representantes da Fifa, os objetores parecem ter se deslocado do conjunto social que se aglomera de olho na bola para algum lugar externo à festa.

A circunstância oferece uma oportunidade para refletir sobre a duplicidade presente nos grandes eventos midiáticos: o dentro e o fora do espetáculo. São muitos os casos de pessoas que, antes da abertura da Copa, gritavam sua rejeição ao sentimento de nacionalidade, com expressões típicas do “viralatismo” ideológico, e que, ao rolar a bola, se transformaram em fanáticos torcedores.

Mas talvez não haja melhor metáfora para essa dicotomia dentro-fora do que a apresentação do ex-atleta paraplégico que deveria exibir pela primeira vez em público o exoesqueleto criado pelo cientista Miguel Nicolelis e sua equipe.

A celebrada experiência conduzida por Nicolelis, que prometia fazer o jovem andar com a ajuda de um complicado aparelho ortopédico movido por ondas cerebrais, passou despercebida pela maioria dos espectadores que, na arena do Corinthians ou diante das telas, acompanhavam a festa de abertura da Copa do Mundo.

Num canto do gramado coberto, o jovem que envergava a armadura eletrônica produziu um discreto movimento com a perna direita, fazendo a bola rolar por uma rampa.

De fora para dentro

Essa cena deveria ser a expressão mais espetaculosa e a consagração pública do projeto que custou, até aqui, cerca de R$ 30 milhões. No contexto do espetáculo, a experiência equivale a quase nada, porque a imagem, por si, nada esclarece. Comparado à expectativa que se criou em torno do experimento, alardeado meses antes pela imprensa, foi um fracasso em termos de comunicação. A falta de explicações sobre como a coisa funciona, na narrativa dos locutores da televisão, esvaziou o interesse do público.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A ideia de fazer pessoas com paralisia recobrarem o controle de seus movimentos por meio de um aparelho que tenta realizar, por fora do corpo, as funções do esqueleto e do sistema nervoso, tem provocado polêmicas no mundo científico. Além disso, o excesso de exposição do coordenador do projeto acabou por transformá-lo em celebridade midiática e, como sabem muito bem os estudiosos da mídia, a condição de celebridade costuma encobrir todas as qualificações anteriores do personagem: o público passa a reconhecer a figura, mas seus méritos anteriores ficam em segundo plano.

Pode-se dizer que, quanto mais famoso fica o cientista, menor será o valor que lhe será dado como cientista. Na TV Globo, a emissora com a maior audiência, o narrador Galvão Bueno tinha um de seus ataques de verborragia quando a cena aconteceu, e se viu alertado pela direção a chamar a imagem de volta para fazer sobre ela um emocionado improviso. E, em vez do grand finale anunciado por meses, aquilo que deveria ser o coroamento de uma suposta conquista científica se perdeu no meio da festa.

O episódio, pinçado pelo observador no meio do extenso e intenso conjunto de notícias e opiniões que acompanham a abertura da Copa do Mundo no Brasil, serve como ilustração da circunstância em que se encontra a mídia tradicional no contexto da sociedade hipermediada.

Desprendida do núcleo da sociedade a que deveria servir, a mídia funciona como um esqueleto exterior ao corpo social, tentando fazer com que o organismo caminhe na direção que ela deseja. A relação da imprensa com o público lembra aqueles programas de auditório, onde assistentes erguem placas para a plateia, dizendo: “palmas”, “gritos”, “gargalhadas”. Agora, “festa”, “vaias”, “inflação”, “proteste”, “vote neste candidato”.

Mas não existe exoesqueleto capaz de fazer a sociedade andar numa mesma direção.
Por Luciano Martins Costa/Observatório da Imprensa

Fifa se cansa de críticas e rebate uma a uma; veja respostas

O presidente da Fifa Joseph Blatter gesticula ao lado da taça da Copa do MundoA entidade organizadora da Copa do Mundo rebateu as reclamações sobre custo dos estádios, altos preços dos ingressos e proibição de vendedores ambulantes, entre outras coisas

Fifa deu respostas às principais críticas e reclamações direcionadas à entidade

 Durante toda a organização da Copa do Mundo, a Fifa – e também o governo – foi alvo de críticas e protestos. As reclamações vão desde o custo exorbitante dos estádios em detrimento a outros gastos prioritários, a sede por lucro da entidade e uma Copa inacessível à população mais pobre do Brasil.

Nada disso é verdade, segundo a Fifa.

Em resposta a essas críticas, a entidade divulgou nesta semana um compilado de perguntas e respostas que poderia ser traduzido como “esclarecendo as coisas” ou “pondo os pingos no Is”.

Nele, responde a esses principais temas – ou acusações, dependendo do ponto de vista – que lhe têm sido dirigidos na internet ou mesmo em conversas informais.

Veja a seguir como a Fifa resolveu responder a nove desses “equívocos”, com as transcrições de alguns trechos. As respostas completas podem ser encontradas no site da entidade.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

1. A Fifa não gastou nenhum centavo com a Copa no Brasil

A entidade afirma ter coberto todos os custos operacionais do evento, de cerca de US$ 2 bilhões. “Nós não usamos nada de dinheiro público para isso, só usamos dinheiro gerado pela venda dos direitos de TV e comercialização da Copa do Mundo”, diz a Fifa.

Sobre os investimentos feitos pelo governo brasileiro, a Fifa se defende dizendo que nem todos estão relacionados à Copa e que o país vai se beneficiar por muitos anos das melhorias.

2. O  dinheiro dos estádios foi tirado da saúde e da educação 

A Fifa rebate as críticas de que os 12 estádios construídos ou reformados teriam tirado verba da educação e da saúde brasileira. “A presidente Dilma Rousseff, falando duas semanas antes da Copa do Mundo, salientou que o orçamento do Estado para a educação e a saúde não será afetado pelos empréstimos do BNDES para os estádios (apenas 0,16 por cento do PIB do Brasil)

3. A Fifa mandou o Brasil construir 12 estádios caros

Segundo a entidade, cabe a cada país escolher se quer usar 8, 10 ou 12 estádios. E o Brasil escolheu ter 12. A Fifa diz que apenas estabelece algumas diretrizes básicas a serem seguidas para que os estádios atendam às necessidades e expectativas das equipes, de segurança e dos meios de comunicação.

4. Os ingressos são tão caros que a maioria dos brasileiros não pode pagar

“Em comparação a outros grandes eventos (Jogos Olímpicos, Fórmula 1, torneios de tênis, shows de música pop, etc), há muitos ingressos baratos para a Copa do Mundo”, diz a Fifa.

A entidade diz que para os jogos da fase de grupos havia bilhetes a venda por 15 dólars. Além disso, a Fifa diz ter dado gratuitamente 100 mil bilhetes para os construtores que trabalharam nos estádios, “bem como para as pessoas socialmente desfavorecidas”.

5. FIFA exige isenção fiscal total para seus patrocinadores, o que significa que o país anfitrião não ganha nenhum dinheiro

A entidade diz não fazer nenhuma demanda de isenção fiscal geral para patrocinadores e fornecedores, ou para qualquer outra atividade comercial no país anfitrião.

“A Fifa só exige uma flexibilização dos procedimentos aduaneiros para alguns materiais que precisam ser importados para a organização da Copa do Mundo e que não estão à venda no país de acolhimento (por exemplo, computadores a serem utilizados pela Fifa), placas de publicidade eletrônica e a importação de bolas de futebol a serem utilizados durante a Copa e em seguida reexportados ou doados para uma instituição ligada ao esporte no país.”

6. A Fifa só quer lucrar e não se importa com mais nada

“A Fifa é uma associação de associações com fins não comerciais, sem fins lucrativos e que utiliza seus recursos para alcanças seus objetivos estatutários, que incluem o desenvolvimento do jogo de futebol ao redor do mundo”, diz a entidade. A Fifa diz gastar 550 mil dólares no desenvolvimento do futebol em todo o mundo.

7. O país sede é deixado sozinho para lidar com seus problemas sociais, econômicos e ambientais

A entidade diz estar “plenamente consciente da – e aceita totalmente – sua responsabilidade social como parte da Copa do Mundo”, diz.

“A Fifa anunciou uma estratégia completa de sustentabilidade há quase dois anos, com foco em estádios ecológicos, gestão de resíduos, poio da comunidade, redução e compensação de emissões de CO2, energias renováveis​​, mudanças climáticas e transferência de conhecimento. Além disso, a Fifa ainda apoia uma ampla gama de projetos sociais”.

8. A Fifa é responsável pelas remoções de famílias

“A Fifa  nunca exigiu qualquer desses despejos”, diz a entidade, que ainda afirma ter recebido por escrito do governo federal e das cidades-sede que ninguém teria que ser expulso ou removido para a construção ou reforma dos 12 estádios.

9. A Fifa expulsou os ambulantes da rua para dar exclusividade a seus patrocinadores

A Fifa nega a acusação de que estaria expulsando os vendedores ambulantes das áreas no entorno dos estádios. “Pelo contrário, a Fifa trabalha duro para assegurar que os comerciantes de rua façam parte da Copa do Mundo. No ambiente do estádio, no entanto, preocupações com a segurança implicam que só pessoas com ingressos ou credenciais possam entrar”, explica.

“Na maioria das cidades-sede, os comerciantes de rua que já estavam trabalhando em torno dos estádios foram registrados e, portanto, poderão trabalhar perto dos estádios e das Fan Fests durante a Copa do Mundo”, diz a entidade.
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