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Seu celular também está destruindo a Amazônia

“Se você se preocupa com a Floresta Amazônica, não há nada que faça mais mal a ela do que a mineração aluvial. Você poderia jogar uma bomba nuclear na floresta, e isso seria melhor do que garimpá-la.”Ambiente,Amazônia,Ouro,Contaminação,Celulares,Ecologia,Meio Ambiente,Natureza,Brasil,Crimes Ambientais,BlogdoMesquita

Cris Bouroncle / AFP / Getty Images

Vista aérea de uma área quimicamente desmatada da floresta amazônica causada por atividades ilegais de mineração na bacia hidrográfica da região de Madre de Dios, no sudeste do Peru, em 17 de maio de 2019, durante a operação conjunta “Mercúrio” realizada por militares e policiais peruanos em andamento desde fevereiro de 2019.

Os incêndios florestais que estão assolando a Amazônia atraíram a atenção do mundo. Muitos cientistas acreditam que os pecuaristas, para limpar as terras, tenham causado os incêndios, estimulando grupos em todo o mundo — incluindo o governo da Finlândia — a pedirem um boicote à carne brasileira. Mas, para boicotar todos os produtos que estão destruindo a Amazônia, você precisaria fazer muito mais do que desistir da carne.

Você precisaria jogar fora seu celular, seu notebook, sua aliança de casamento e qualquer outra coisa contendo ouro.

“Não há como extrair o ouro sem destruir a floresta. Quanto mais acres você destrói, mais ouro obtém. É diretamente proporcional”, disse Miles Silman, cofundador do Centro de Inovação Científica da Amazônia (CINCIA) da Universidade Wake Forest.

“Não há como extrair o ouro sem destruir a floresta.”

O que alimenta essa demanda não é apenas o apetite mundial por barras e joias de ouro — as maiores finalidades dadas ao ouro —, mas também da alta tecnologia. Pequenas correntes elétricas circulam constantemente pelo seu iPhone, pela sua assistente virtual Alexa e pelo seu notebook — e quem transporta essas correntes é o ouro, um fantástico condutor de eletricidade que também é resistente à corrosão.

Embora não haja muito ouro dentro de um único dispositivo — um iPhone 6, por exemplo, contém 0,014 gramas, ou cerca de R$ 2 —, no total, o valor é espantoso. Segundo o pesquisador de mercado Gartner, mais de 1,5 bilhão de smartphones foram vendidos no ano passado, com 1,3 bilhão deles sendo dispositivos Android. Estes foram seguidos por 215 milhões de dispositivos iOS.

Portanto, a indústria de tecnologia, que consome quase 335 toneladas de ouro por ano, simplesmente precisará cada vez mais do metal.

“Há uma corrida do ouro na Amazônia no momento, exatamente como a corrida do ouro que aconteceu na Califórnia na década de 1850”, disse Silman.

De acordo com um estudo do CINCIA de 2018, a mineração artesanal, ou mineração em pequena escala conduzida por garimpeiros independentes, desmatou quase 250 mil acres de floresta tropical na região de Madre de Dios, no Peru, onde Silman concentra seu trabalho. Outro estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Porto Rico em 2015, descobriu que aproximadamente 415 mil acres de floresta tropical na América do Sul foram perdidos pela mineração de ouro. Um mapa compilado pelo grupo ambiental Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada mostra 2.312 locais de garimpo ilegal em 245 áreas em seis países, o que o grupo chamou de “epidemia”.

E assim como a corrida do ouro na Califórnia deu origem a uma ilegalidade que levou gerações até ser controlada, os fornecedores da indústria de tecnologia nem sempre conseguem atender à demanda, e às vezes recorrem à economia do garimpo ilegal da Amazônia.

Afp / AFP / Getty Images

Um garimpeiro mostra um pedaço de ouro após extração e processamento, em 6 de maio de 2008 em El Ingenio, Peru, 420 km ao sul de Lima. A mineração artesanal é responsável pela subsistência de mais de 40 mil famílias peruanas, e quase 15% da produção de ouro do país venha dessa atividade. Desde os anos 80, muitos campos de extração foram convertidos em pequenas cidades mineiras, sem serviços básicos e com altos níveis de poluição.

Uma investigação do Miami Herald em 2018 detalhou como vários negociantes da empresa de metais preciosos do sul da Flórida, a NTR Metals, compraram US$ 3,6 bilhões em ouro de minas ilegais na América do Sul. A NTR Metals desde então foi fechada e os negociantes presos. A empresa era uma subsidiária da Elemetal, uma importante refinaria de ouro dos EUA fornecedora da Tiffany & Co. e outras marcas de consumo, como a Apple, a qual disse que parou de trabalhar com a fornecedora, em divulgações corporativas para o ano de 2017 e 2018.

A Apple está longe de ser a única gigante da tecnologia que obtém ouro da região amazônica. Uma análise das divulgações corporativas feita pelo BuzzFeed News descobriu que Amazon (a empresa), Apple, Samsung, Sony e Google listam as refinarias Asahi e Metalor como fornecedores. Por sua vez, essas empresas, com sede respectivamente no Japão e na Suíça, compram parte de seu ouro das minas sul-americanas. De acordo com o Herald, essas empresas compram de corretores, que obtêm seu ouro de uma variedade de minas legais e ilegais na região.

Empresas como a Alphabet, controladora do Google, estão cientes dos impactos da mineração de ouro na Amazônia, e têm tomado medidas para resolver isso. Um porta-voz da empresa do Google apontou para sua política de minerais de conflito, e diz que conta com auditorias de terceiros para garantir que as fundições estejam em conformidade. Samsung, Sony e Amazon não responderam a um pedido para comentar o assunto. A Apple disse ao BuzzFeed News que todas as suas refinarias de ouro participam de auditorias de terceiros. “Se uma refinaria não for capaz ou não estiver disposta a cumprir nossos padrões, ela será removida da nossa cadeia de suprimentos”, disse um porta-voz da Apple. “Desde 2015, paramos de trabalhar com 60 refinarias de ouro por esse motivo.”

O ouro sujo não acaba apenas nos eletrônicos. Um relatório de 2015 do Ojo Público relatou que empresas vinculadas à London Bullion Market Association — uma organização que determina o preço internacional do ouro — adquiriram metais preciosos em campos de mineração ilegais no Peru, Bolívia e Brasil.

Estima-se que de 15% a 20% do ouro em joias e eletroeletrônicos inadvertidamente vem de minas de ouro de pequena escala, de acordo com a Fairtrade Gold, uma organização que defende o uso de metais preciosos de origem responsável.

“Uma parte do problema do ouro é que tudo vai para um caldeirão de derretimento. Assim, você pode ter uma barra de ouro onde parte dela vem de fontes responsáveis e parte de fontes ilegais, mas que se parece com qualquer barra de ouro”, disse Sarah duPont, presidente da Amazon Aid Foundation.

Essa extração ilegal e suja de ouro afeta o meio ambiente e os seres humanos que o mineram. Comparado à agricultura de soja ou à pecuária, o setor de mineração desmata menos acres de floresta da Amazônia.

No entanto, diz Silman, as emissões de carbono da mineração podem tornar o impacto ambiental da indústria entre 3 a 8 vezes maior do que os acres de superfície perdidos para a mineração podem sugerir.

Além de arrancarem árvores e outras plantas, os mineradores cavam de dois a quatro metros de profundidade no solo, onde o solo é rico em carbono. Esse solo pode ter milhares de anos, e a mineração do ouro libera esse carbono de volta à atmosfera, matando nutrientes na terra que são vitais para as plantas da floresta tropical.

“Se você se preocupa com a Floresta Amazônica, não há nada que faça mais mal a ela do que a mineração aluvial.”

“As taxas de crescimento nas minas são muito lentas, porque você lavou tudo o que é bom do solo”, disse Silman.

A mineração do ouro também transforma a paisagem de outra forma: “1 em cada 5 acres convertidos pela mineração não pode ser reflorestado porque ele é convertido em um corpo d’água. Então, acaba ficando igual a Minnesota, com milhares de lagos por toda a paisagem”, disse Silman. “Se você se preocupa com a Floresta Amazônica, não há nada que faça mais mal a ela do que a mineração aluvial. Você poderia jogar uma bomba nuclear na floresta, e isso seria melhor do que minerá-la.”

Além da devastação ambiental, o mercúrio, usado como amálgama para extrair o ouro da terra, contamina o suprimento de água e alimentos da região. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA, a mineração artesanal e em pequena escala de ouro é a principal fonte de mercúrioliberada no meio ambiente. Pesquisadores descobriram altos níveis de mercúrio, o qual tem efeitos sérios à saúde nos sistemas nervoso, digestivo e imunológico, em pessoas vivendo ao longo da fronteira Brasil-Venezuela, na área de Madre de Dios do Peru e no Suriname.

Joao Laet / AFP / Getty Images

Vista aérea do campo informal de mineração de ouro Esperança IV, próximo ao território indígena Menkragnoti, em Altamira, Pará, Brasil, na bacia amazônica, em 28 de agosto de 2019.

Apesar dos perigos, é improvável que a mineração do ouro na região amazônica diminua. O presidente Jair Bolsonaro está trabalhando para abrir mais da Amazônia à mineração.

O que pode ser feito? Segundo Kevin Telmer, diretor executivo do Artisanal Gold Council, uma organização que trabalha para profissionalizar e treinar o setor, o problema ambiental está vinculado ao da pobreza extrema.

Proibir a mineração em pequena escala não seria eficaz, de acordo com a Telmer: “As pessoas têm pedido a saída dos garimpeiros há 40 anos, e eles não saíram. O que a proibição faz é levar a economia ao mercado negro.”

“O que realmente é necessário são caminhos econômicos sustentáveis para os indivíduos que atualmente praticam o garimpo ilegal”, disse Payal Sampat, diretora do programa de mineração da Earthworks, uma organização sem fins lucrativos que iniciou uma campanha chamada No Dirty Gold (Sem Ouro Sujo, em tradução livre) em 2008. Sampat acrescentou que a compra de joias antigas e a manutenção de aparelhos eletrônicos por mais tempo é uma boa maneira de as pessoas reduzirem o consumo de ouro.

Silman, pesquisador do CINCIA, concorda. As minas exploradas legalmente, disse ele, estão pelo menos confinadas a uma pequena área, em vez de milhares de minas espalhadas pela paisagem. A tributação das operações de mineração também pode ajudar o fluxo de dinheiro a voltar para a colocação de empregos e outros programas: “Foram arrecadados US$ 3 bilhões em Madre de Dios, e muito disso escoou através das máfias. Há pouco mais de 100 mil pessoas vivendo naquela terra, e elas teriam recebido US$ 300 milhões em receita tributária”, disse ele.

O Artisanal Gold Council, disse Telmer, está trabalhando para fornecer treinamento e educação para os mineradores, reflorestar áreas mineradas e introduzir processos mais eficazes que o uso de mercúrio.

A formalização e a profissionalização do setor podem ajudar os mineradores a serem mais produtivos e também menos impactantes para o meio ambiente, disse Silman: “Depois de fazer tudo isso, pelo menos você pode tirar um bom proveito da mineração e ainda não destruir todas as oportunidades para o futuro dependentes da biodiversidade.”
Nicole Nguyen

Carne podre e o ministro da Justiça

Após assistir o vídeo com a desculpa pra lá de amarela, e podre, do ministro da justiça Serraglio, sobre o conteúdo do grampo telefônico que a PF gravou

entre o ministro e o chefe da quadrilha da carne podre, você compraria uma sandália de rabicho, usada, dessa “otoridade”?

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Economia: O que aconteceria se o transporte público desaparecesse?

Todos os dias, 185 milhões de europeus usam um meio de transporte público para se locomover

Um ônibus da empresa EMT, em Madri, capital da Espanha.Um ônibus da empresa EMT, em Madri, capital da Espanha.
Foto Álvaro Garcia
Existe gente que nunca o utilizou e há quem não poderia viver sem ele. Caluniadores ou partidários, o transporte público urbano é uma realidade em constante crescimento, e uma opção diária de 185 milhões de passageiros europeus, que o utilizam para se locomover durante os dias úteis do ano.
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Os dados divulgados pela União Internacional do Transporte Público (UITP) revelam que, em 2014, 58 bilhões de deslocamentos foram registrados em territórios da União Europeia (UE) a bordo de trens, ônibus e metrô. E se, de repente, todos esses meios desaparecessem e só pudéssemos nos mover usando nossos veículos particulares ou não motorizados?

Além de facilitar a locomoção, os meios públicos de transporte são aliados bastante válidos para reduzir o trânsito e os níveis de poluição. A extinção desses pilares da urbanização e impulsores da industrialização teria consequências econômicas, ambientais e sociais relevantes.

As grandes cidades seriam as primeiras a sofrer com o seu fim: ficariam totalmente engarrafadas devido ao aumento da circulação de carros e motos pelas ruas, e sucumbiriam com a alta emissão de gases nocivos.

“Mas isso não vai acontecer”, tranquiliza o secretário-geral da Associação de Empresas Gestoras de Transporte Urbano Coletivo da Espanha (ATUC), Jesús Herrero.

Durante a Semana Europeia da Mobilidade 2016, um evento organizado, todos os anos, pela UE e cuja última edição teve início na sexta-feira, a ATUC publicou um estudo que analisa as consequências negativas de um hipotético desaparecimento do transporte público urbano. “É um exercício para refletir sobre algo que é muito importante em nossas vidas, apesar não nos darmos conta por estarmos acostumados a ele”, afirma Herrero.

O preço de se privar do transporte público

O último Liveability Ranking 2016 – a lista de cidades com a melhor qualidade de vida do mundo elaborada, todos os anos, por The Economist Intelligence Unit – menciona, entre as razões para não incluir os grandes centros internacionais de negócios entre as primeiras posições de sua classificação, a sobrecarga das infraestruturas relacionada à elevada densidade da população.

Esse cenário não é uma realidade longínqua que só afeta cidades das dimensões de Nova York ou Tóquio: as previsões da ONU apontam um progressivo aumento da população urbana, que, em 2050, chegaria a representar dois terços do total, e fomentaria o nascimento de megacidades.

O relatório da ATUC toma Madri como referência, e reúne os dados do Observatório de Mobilidade Metropolitana (OMM) para analisar como os habitantes da capital espanhola se deslocam.

A escolha do meio de transporte a ser utilizado não se baseia apenas na disponibilidade, mas também varia em função da distância a ser percorrida: quando o trajeto é interno, prevalece o uso do transporte público e dos meios não motorizados, mas o carro e a moto ganham de lavada quando o deslocamento é entre a cidade e algum outro ponto da zona metropolitana, apesar de os veículos privados terem os mais elevados custos unitários por passageiro, tanto sociais (tempo de viagem e acidentes) quanto econômicos (infraestrutura e operação) e ambientais, em comparação com ônibus, metrô e trem.

Assim, se o metrô e os ônibus urbanos da empresa EMT deixassem de funcionar – 2.000 vagões e 2.000 veículos a menos –, seria preciso encontrar uma solução alternativa para oferecer transporte às 3,4 milhões de pessoas fazem uso desses meios diariamente (de segunda a sexta-feira).

Nenhuma das possibilidades consideradas pelo relatório da ATUC é positiva: 2,5 milhões de veículos a mais nas ruas – a Direção Geral de Tráfico contabilizou mais de três milhões em Madri, em 2014 –, o que congestionaria os pontos nevrálgicos da cidade. Isso também dobraria o número de acidentes, aumentaria a quantidade de motos e ciclomotores, e afetaria, até mesmo, a rotina de trabalho dos cidadãos, que teriam que modificá-la com o objetivo de reduzir os tempos de viagem. Isso sem mencionar as consequências ambientais e os problemas para estacionar.

Em 2013, havia cerca de 170.000 vagas, controladas pelo Serviço de Estacionamento Regulado, na zona central da capital, e outras 18.000 entre as destinadas a pessoas com mobilidade reduzida e as reservadas para carga e descarga, das quais apenas 111.000 eram utilizadas. No entanto, se houvesse apenas um milhão de veículos a mais em circulação, esse número de vagas já não atenderia à demanda. Além disso, mais carros e motos nas ruas implicaria um aumento de episódios de altos níveis de contaminação do ar, o que resultaria em mais frequentes proibições do acesso de veículos ao centro da cidade.

A essas externalidades negativas “tangíveis”, se acrescentariam outros efeitos “nocivos”: desde a perda generalizada da qualidade de vida devido à maior duração dos traslados e à pior qualidade do ar, até a impossibilidade, de certos coletivos, como cegos e pessoas com mobilidade reduzida, de se locomoverem de maneira autônoma. Além disso, ter carteira de motorista e um meio de transporte privado se tornaria um requisito indispensável para trabalhar ou satisfazer qualquer outra das necessidades das pessoas que não vivem perto de uma zona comercial.

E se o transporte não fizesse falta? O desafio da eficiência

Herrero diz que o estudo realizado pela ATUC não “é uma campanha contra o carro”, e também não aponta o transporte público como o remédio contra todos os males. “É uma maneira de dizer que há alternativas, porque, além do transporte público, acreditamos que caminhar é fundamental, e essa é uma atividade que deve ser incentivada, assim como andar de bicicleta, usar o carro de forma compartilhada (carona) e tudo aquilo que possa reduzir o número de veículos na cidade”, afirma.

“É possível traçar uma rota de maneira quase instantânea”

“A Semana Europeia da Mobilidade é uma ocasião extraordinária para dedicar alguns dias a esse tema, mas o transporte urbano também pode melhorar sua eficiência”, ressaltou Herrero.

De acordo com um estudo elaborado pelo Institute for Transportation and Development Policy (ITDP) e pela Universidade da Califórnia, se o transporte público fosse melhorado, e o uso de meios não motorizados impulsionado, as emissões de dióxido de carbono poderiam ser reduzidas em 40%, a nível mundial, até 2050.

Do mesmo modo, a possibilidade de ir de um lugar ao outro a pé ou de bicicleta, ou aproveitar o trajeto em transporte público entre a casa e o trabalho para se dedicar, de maneira cômoda, a outras atividades – ler, escutar música, etc – reduz o estresse e melhora a saúde, de acordo com o estudoHousing for Inclusive cities: the economic impact of high housing costs (Moradias para cidades inclusivas: o impacto econômico dos altos custos das residências,em tradução livre), da Global Cities Business Alliance.

São vários os projetos direcionados a melhorar os serviços de transporte de uma maneira geral, que vão desde o investimento em infraestrutura, como novas ciclovias, até a implantação de métodos de pagamento mais rápidos e integrados a nível geográfico, e projetos menos específicos, como o de cidades inteligentes.

“Tudo vai estar conectado, sensores serão utilizados e a tecnologia permitirá que o transporte público também seja, cada vez mais, sob demanda”, garante Herrero. “É possível traçar uma rota de maneira quase que instantânea”, insiste. “Esse é o futuro: transformar a mobilidade em algo muito mais fácil para as pessoas”.
El Pais/LAURA DELLE FEMMINE

O declínio do carro particular

Escândalos na indústria automotiva e a proteção do ambiente convidam a imaginar uma cidade diferente.

Matthias Mueller, CEO da Volkswagen, na conferência de imprensa em outubro, após o escândalo da falsificação dos motores diesel.
Matthias Mueller, CEO da Volkswagen, na conferência de imprensa em outubro, após o escândalo da falsificação dos motores diesel. ODD ANDERSEN AFP

Essa engenhoca conhecida como carro, grande protagonista do crescimento urbano, da livre circulação e do status social, parece que precisa passar por uma revisão geral.

A crise do setor, junto com a preocupação, cada vez maior, de seu impacto ambiental deram origem a propostas inusitadas: carros de uso público compartilhados, proprietários de veículos que oferecem a outros passageiros a divisão de despesas em suas rotas habituais, ou particulares que se oferecem como motoristas a baixo preço.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Estas novas práticas já estão entre nós com nomes como carsharing, Blablacar ou Uber, respectivamente.

Acrescente a isso o aumento da bicicleta como meio de transporte urbano. Seu crescimento — com pior ou melhor sinalização — entre o trânsito foi acompanhado de subsídios para promover o aluguel para trajetos na cidade. Tudo isso pinta um panorama no qual o carro particular poderia ser visto não mais como um luxo, mas como um incômodo.

A ideia de que o uso do carro seja limitado nas cidades pode soar tão incrível quanto parecia impossível há duas décadas que o tabaco acabasse sendo banido dos lugares públicos. Mas a cidade sem carros já está entre nós.

Ou melhor: sempre esteve aqui, desde o início. Há cidades que foram construídas em espaços com topografias inacessíveis, com a densidade de uma cidade medieval, cidades nas montanhas, cidades fortaleza, cidades proibidas, na qual os carros nunca entraram. Também foram fundadas cidades isoladas ou em arquipélagos que só tinham comunicação pelo mar; eram cidades ilhas e cidades mar. Nesses lugares não havia o barulho, a poluição e o perigo inerentes ao transporte por carro.

Tudo isso pinta um panorama no qual o carro particular poderia ser visto não mais como um luxo, mas como um incômodo

Imaginemos agora uma cidade visível, real, contemporânea, onde, exceto em casos de necessidade, as pessoas se movem sem o auxílio de qualquer força motriz artificial. Um lugar onde a rua seja em si mesma um meio de transporte, ruas pavimentadas ou canais de Veneza.

Paradoxalmente, o lugar de onde parte o narrador de As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, é hoje, por incrível que pareça, um modelo de futuro. Essa ideia é impensável para as pessoas de uma cidade histórica invadida e mutilada pelos automóveis. Também poderia ser uma utopia para quem vive na cidade do século XX, construída por e para o carro, e onde não possuir um pode quase relegá-lo a ser um cidadão de segunda classe.

Mas o declínio do carro particular e seu impacto é uma questão multidisciplinar. Seus benefícios em termos de saúde, ambiente, energia e justiça social estão começando a passar por uma discussão mais profunda. Para que a cidade sem carros seja algo real, só precisamos resolver o fator econômico, ou seja, o impacto sobre o setor, mas não a viabilidade da ideia.

Temos a tendência a ver a cidade como algo que é construído, quando também é uma sucessão de quedas. Quanto mais bem-sucedida, de longa duração e vital é uma cidade, maior é o número de transformações que experimentou.

A restrição a estacionar veículos de não residentes no centro de Madri, implementada por Manuela Carmena há algumas semanas, mostrou que o tema de limitar o uso do carro na cidade não é algo visionário, complexo ou de ficção científica, é na verdade uma questão de mudança de mentalidade.

O nascimento dos Estados-nação derrubou as muralhas e o desenvolvimento industrial solucionou o problema do saneamento, agora chega a hora da derrubada dos veículos particulares na cidade. Começa o tempo para refletir sobre este novo espaço público.

Luis Feduchi é arquiteto e decano da Faculdade de Arquitetura da Universidade Camilo José Cela. Colabora com a Universidade Humboldt de Berlim.
ElPaís

Má qualidade do meio ambiente causa 12,6 milhões de mortes por ano

A OMS calcula que 23% das mortes por ano se devem a ambientes pouco saudáveis.

Em Pequim, moradores aderem ao uso de máscaras.
Em Pequim, moradores aderem ao uso de máscaras. Kevin Frayer (Getty Images)

As más condições ambientais são responsáveis por 12,6 milhões de mortes por ano no planeta, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentado nesta terça-feira. Isso significa que cerca de 23% das mortes no mundo ocorrem por se “viver ou trabalhar em ambientes poucos saudáveis”.

Os fatores de risco ambientais —como a poluição do ar, da água, do solo, a exposição a produtos químicos, a mudança climática e a radiação ultravioleta— “contribuem para mais de 100 doenças ou traumatismos”, afirma esta organização internacional em seu estudo A prevenção de doenças por meio de ambientes saudáveis.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Trata-se da segunda edição deste relatório, que parte de dados de 2012. O estudo anterior foi realizado há quase uma década. Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Determinantes Sociais da OMS, ressalta que nestes dez anos essa porcentagem de 23% de mortes por causas ambientais não variou.

Mas mudaram os tipos de doenças. “Atualmente, dois terços das mortes são por doenças crônicas, como as cardiovasculares, enfartes, câncer ou doenças respiratórias crônicas”, afirma. De concreto, segundo aponta o estudo, as mortes por doenças não transmissíveis que podem ser atribuídas à contaminação do ar (incluída a exposição à fumaça do tabaco alheio) aumentaram até a cifra de 8,2 milhões”.

Nesta última década, paralelamente, a OMS ressalta que “reduziram-se as mortes devido a doenças infecciosas como diarreia e malária”, que estavam vinculadas à má qualidade da água, do saneamento e da gestão do lixo. Supõe-se que por trás dessa redução está “a melhoria do acesso à água potável e ao saneamento, assim como a imunização, a focos de mosquito tratados com inseticidas e a medicamentos essenciais”, afirma a organização internacional.

A mudança no padrão das mortes causadas por problemas ambientais propõe desafios. “As doenças crônicas são mais custosas para um país”, ressalta Neira ao compará-las com as infecciosas. “Têm um custo altíssimo para a sociedade”, acrescenta.

Epidemia

A responsável da OMS recorda que as doenças crônicas —como as cardiovasculares ou o câncer— se associam a “causas pessoais”, como o sedentarismo ou o fumo. Mas o relatório também destaca que há componentes ambientais, como a má qualidade do ar, a exposição a produtos químicos e a queima de combustíveis fósseis nas casas. “É preciso controlar esses fatores de risco”, recomenda Neira.

Os mais afetados pela má qualidade do ambiente são as crianças e as pessoas mais velhas

Em sua opinião, a maioria das medidas têm de ser aplicadas nas cidades. “É preciso melhorar e planejar as cidades”, onde se concentram muitos dos fatores de risco ambientais. Além disso, a especialista recorda que, em 10 anos, calcula-se que “70% da população viverá em cidades”. “É preciso melhorar o transporte e os combustíveis para ter uma economia com menos dióxido de carbono.”

Crianças e idosos

Os mais afetados pela má qualidade do ambiente são as crianças e as pessoas mais velhas. A OMS sustenta que por ano poderiam ser evitadas 1,7 milhão de mortes de menores de cinco anos e 4,9 milhões de adultos entre 50 e 75 anos se a gestão do meio ambiente for melhorada. “As infecções das vias respiratórias inferiores e as doenças diarreicas afetam sobretudo os menores de cinco anos, enquanto que as pessoas mais velhas são as mais afetadas pelas doenças não transmissíveis”, afirma a organização.

Por áreas geográficas, a que mais sofre com a má qualidade ambiental é o Sudeste Asiático, com 3,8 milhões de mortes anuais. Atrás dela está o Pacífico Ocidental (3,5 milhões) e a África (2,2 milhões). Nos últimos lugares estão o Mediterrâneo oriental (854.000) e os Estados Unidos (847.000). Na Europa, segundo a OMS, as más condições ambientais causam 1,4 milhão de mortes por ano.

Doenças

O estudo identifica uma centena de doenças ou traumatismos vinculados às condições ambientais negativas. À frente em relação à mortalidade relacionada ao meio ambiente, estão, segundo a OMS, os “acidentes vasculares cerebrais”, que representam 2,5 milhões de mortes por ano. Atrás deles estão as cardiopatias isquêmicas, com 2,3 milhões. Em terceiro lugar estão os chamados “traumatismos involuntários”, por exemplo, “mortes por acidente de trânsito”, que respondem por 1,7 milhão de mortes anuais, número semelhante ao de vários tipos de câncer.
El País/Manuel Planbelles

Fukushima e a mariposa mutante

Mutações genéticas: isso é somente a ponta da catástrofe.

A nuvem radioativa das 3 usinas de Fukushima no Japão está em suspensão na atmosfera, mas movendo-se lentamente em direção à costa dos USA.

Quando houver uma convergência de fatores climáticos – umidade relativa do ar, zonas de baixa pressão, etc. – haverá chuva radioativa sobre a região.

Saliento que a água do mar usada no resfriamento dos reatores das usinas também está contaminada, e ao evaporar leva partículas radioativas à atmosfera, principalmente césio.

Estranha mariposa que foi capturada recentemente na Rússia

Outros “monstros” frutos de mutações genéticas, penso, já devem estar perambulando por lugares nos quais o homem não tem andado.

Ou já são sabidos, mas não divulgados.

Teorias conspiratórias? Sim, sou adepto, mais por lógica dedutiva que por intuição ou misticismo apocalíptico.


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