Eduardo Galeano: como funciona a ditadura do consumo

A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. 

Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina na tela do televisor.

A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?

A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia. E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar.

A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam o ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho.

O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.

“Gente infeliz os que vivem a comparar-se”, lamenta uma mulher no bairro do Buceo, em Montevideo. A dor de já não ser, que outrora cantou o tango, abriu passagem à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, de Buenos Aires. E outro comprova, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: “Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem suando em bicas para pagar as prestações”.

Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde a quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a “obesidade severa” aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou uns 40% nos últimos 16 anos, segundo a investigação recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado.

O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar só sai do automóvel par trabalhar e para ver televisão. Sentado perante o pequeno écran, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.

Triunfa o lixo disfarçado de comida: esta indústria está a conquistar os paladares do mundo e a deixar em farrapos as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que veem de longe, têm, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade, são um patrimônio coletivo que de algum modo está nos fogões de todos e não só na mesa dos ricos.

Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão a ser espezinhadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald’s, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.

O campeonato mundial de futebol de 98 confirmou-nos, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola brinda eterna juventude e o menu do MacDonald’s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército de McDonald’s dispara hambúrgueres às bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O arco duplo desse M serviu de estandarte durante a recente conquista dos países do Leste da Europa. As filas diante do McDonald’s de Moscou, inaugurado em 1990 com fanfarras, simbolizaram a vitória do ocidente com tanta eloquência quanto o desmoronamento do Muro de Berlim.

Um sinal dos tempos: esta empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. A McDonald’s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama a Macfamília, tentaram sindicalizar-se num restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas em 1998, outros empregados da McDonald’s, numa pequena cidade próxima a Vancouver, alcançaram essa conquista, digna do Livro Guinness.

As massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite. No último quarto de século, os gastos em publicidade duplicaram no mundo. Graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório.

Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra. Comprados a prazo, esse animalejo prova a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de juros que este ou aquele banco oferece.

Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o automóvel é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.

As angústias enchem-se atulhando-se de coisas, ou sonhando fazê-lo. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas te escolhem e te salvam do anonimato multitudinário.

A publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz. Isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias: Em quem o senhor quer converter-se comprando esta loção de fazer a barba? O criminólogo Anthony Platt observou que os delitos da rua não são apenas fruto da pobreza extrema. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social do êxito, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Sempre ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.

Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX pôs fim a sete mil anos de vida humana centrada na agricultura desde que apareceram as primeiras culturas, em fins do paleolítico. A população mundial urbaniza-se, os camponeses fazem-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação, e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em toda parte, mas por experiência sabem que atende nas grandes urbes.

As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os que esperam veem passar a vida e morrem a bocejar; nas cidades, a vida ocorre, e chama. Apinhados em tugúrios [casebres], a primeira coisa que descobrem os recém chegados é que o trabalho falta e os braços sobram.

Enquanto nascia o século XIV, frei Giordano da Rivalto pronunciou em Florença um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam “porque as pessoas têm o gosto de juntar-se”. Juntar-se, encontrar-se. Agora, quem se encontra com quem? Encontra-se a esperança com a realidade? O desejo encontra-se com o mundo? E as pessoas encontram-se com as pessoas? Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente se encontra com as coisas?

O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. As estações de ônibus e de comboios, que até há pouco eram espaços de encontro entre pessoas, estão agora a converter-se em espaços de exibição comercial.

O shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as vitrines, impõe a sua presença avassaladora. As multidões acorrem, em peregrinação, a este templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e extenuante.

A multidão, que sobe e baixa pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago, e para ver e ouvir não é preciso pagar bilhete. Os turistas vindos das povoações do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas bênçãos da felicidade moderna, posam para a foto, junto às marcas internacionais mais famosas, como antes posavam junto à estátua do grande homem na praça.

Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam ao centro. O tradicional passeio do fim de semana no centro da cidade tende a ser substituído pela excursão a estes centros urbanos. Lavados, passados e penteados, vestidos com as suas melhores roupas, os visitantes vêm a uma festa onde não são convidados, mas podem ser observadores. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.

A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.

O dinheiro voa à velocidade da luz: ontem estava ali, hoje está aqui, amanhã, quem sabe, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. Paradoxalmente, os shopping centers, reinos do fugaz, oferecem com o máximo êxito a ilusão da segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, para além das turbulências da perigosa realidade do mundo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?

A sociedade de consumo é uma armadilha caça-bobos. Os que têm a alavanca simulam ignorá-lo, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta.

A injustiça social não é um erro a corrigir, nem um defeito a superar: é uma necessidade essencial. Não há natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

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Falso Adidas e Hello Kitty: um gosto do consumismo para a elite da Coréia do Norte

Kim Jong-Un está silenciosamente permitindo que poucos bem-sucedidos controlados em Pyongyang tenham acesso a imitações de estilistas, smartphones e até mesmo uma versão do Amazon.Kim Jong-Un,Consumo,Economia,Capitalismo,Ditaduras,Coreia do Norte

NA fábrica de sapatos Ryuwon, em Pyongyang, os treinadores da Adidas brilham em um suporte ao lado da linha de produção, um presente pessoal do ditador Kim Jong-un para inspirar os trabalhadores que produzem imitações para os fiéis norte-coreanos.

“O Grande Marechal enviou sapatos de outros países para que os trabalhadores possam vê-los e tocá-los”, disse o guia da fábrica. As sugestões de estilo de Kim foram adotadas. O showroom de fábrica possui cópias virtuais de marcas ocidentais da Puma à Nike, juntamente com híbridos mais experimentais, incluindo padrões da Asics em sola de vadio.

O design de calçados pode parecer uma preocupação incongruente para um homem mais famoso por construir seu arsenal nuclear , assassinar parentes e jogar jogos diplomáticos de alto risco com o presidente dos EUA, Donald Trump. Mas Kim tem administrado uma espécie de transição para sua nação eremita.

Sua visão de mudança não é política. Kim manteve firme o culto da personalidade dinástica, o brutal estado policial apoiado por uma rede gulag e a ideologia oficial de auto-suficiência isolacionista transmitida por seu pai e seu avô.

Kim Jong-Un,Consumo,Economia,Capitalismo,Ditaduras,Coreia do NorteKim manteve firme o culto da personalidade dinástica herdada de seu pai e avô.
Foto: Ekaterina Ochagavia para o The Guardian.

Em vez disso, ele aparentemente decidiu que a vida deveria se tornar um pouco mais agradável para a minúscula e rigidamente controlada elite – um pouco mais parecida com a visão da sociedade de consumo ocidentalizada que entra no país através de filmes estrangeiros estritamente proibidos, mas avidamente consumidos. mostra.

A natureza opaca da sociedade norte-coreana significa que não houve reconhecimento oficial do surgimento dessa versão cuidadosamente gerenciada da sociedade de consumo, muito menos qualquer percepção de por que Kim permitiu que ela florescessem em seu relógio. Mas na semana passada uma explicação possível veio de Oh Chong Song, um soldado que fez uma corrida dramática pela fronteira em uma chuva de balas no ano passado.

Em sua primeira entrevista desde a deserção extraordinária, Oh, que parece ter pertencido a esse mundo dourado, Kim disse que enfrentava a falta de lealdade de seus colegas, mesmo que eles devessem falar em público para a dinastia.

Luxo importado oferece a Kim uma maneira de cooptar sua elite – ou pelo menos distraí-los
“Pessoas da minha idade, cerca de 80% delas são indiferentes” , disse ele ao jornal japonês Sankei Shimbun . “Não ser capaz de alimentar as pessoas adequadamente, mas a sucessão hereditária continua – isso resulta em indiferença e sem lealdade”.

Filho de um grande general, Oh descreveu-se como “classe alta” e disse que a maioria dos membros da elite norte-coreana tinha um gosto bem desenvolvido pelos prazeres importados, apesar da doutrina formal de autoconfiança .

“O povo norte-coreano condena o Japão na política, mas respeita o Japão em economia”, disse ele, citando os utilitários esportivos da Patrulha da Nissan usados ​​exclusivamente por oficiais militares como um exemplo do gosto pelos produtos japoneses.

Durante décadas, uma indulgência limitada à dinastia Kim e seu círculo íntimo, esse tipo de luxo importado hoje oferece a Kim uma maneira de cooptar sua elite – ou pelo menos distraí-los. Facebook Twitter Pinterest

Kim Jong-Un,Consumo,Economia,Capitalismo,Ditaduras,Coreia do NorteOs táxis – cujas tarifas mais baixas são o equivalente a um mês de salário para muitos trabalhadores – esperam do lado de fora de uma loja que vende alimentos importados caros.
Foto: Ekaterina Ochagavia para o The Guardian

Em supermercados estatais na capital, Pyongyang – onde a maioria dos clusters de elite – jornalistas em uma turnê oficial no início deste ano, viu compradores de prateleiras de Pumas e Nikes falsificados, pasta de dente Colgate e fraldas Pampers, uísque japonês e até mesmo latas de californiano La Tourangelle óleo de noz, à venda por cerca de US $ 30 (£ 23).

Táxis esperavam do lado de fora para levar os poucos afortunados ao redor das vastas estradas vazias da cidade. A tarifa para uma única viagem começa em torno de 16.000 won, o equivalente a pouco menos de 2 dólares na taxa de câmbio do mercado negro usada pelos norte-coreanos, mas em torno de um mês de salário para muitos trabalhadores na capital.

Kim Jong-Un,Consumo,Economia,Capitalismo,Ditaduras,Coreia do Norte (4)Em parques e monumentos, as famílias desfrutam de um dia tirando fotos em smartphones, como fazem ao redor do mundo, e nos passageiros do metrô, olhando para as telas, digitando mensagens e folheando as fotos. Foto: Ekaterina Ochagavia para o The Guardian

A crescente presença de smartphones e o afrouxamento de restrições não oficiais ao redor de roupas e joias são marcas de mudança – para a elite, pelo menos.

A comunicação com o mundo além da Coréia do Norte é estritamente proibida, mas há uma rede interna com dados, além de chamadas, e até mesmo uma resposta norte-coreana à Amazon, vendendo de tudo, desde cabos de conexão até roupas.

Os visitantes do país, incluindo jornalistas, só podem participar de tours rigorosamente controlados, onde eles são constantemente monitorados por guardas do governo e devem seguir um itinerário rigoroso. Isso sugeria que as autoridades norte-coreanas queriam que os jornalistas vissem algo dessa sociedade de consumo em expansão, e sua inclinação para o individualismo.

Está muito longe das imagens de frugalidade, uniformidade e coordenação de massa ao estilo militar – sintetizadas em desfiles de armas e “ jogos de massa ” – que o país tradicionalmente apresenta ao mundo.

Kim Jong-Un,Consumo,Economia,Capitalismo,Ditaduras,Coreia do Norte (5)“Eu acho que ele (Kim) realmente quer esse estilo de vida; ele não é fã de austeridade, ele cresceu na cultura do consumo do Ocidente e vê isso como normal e bom ”, disse o professor Andrei Lankov, da Universidade Kookmin, em Seul. Hello Kitty e outros personagens aparecem agora em roupas e acessórios da elite – símbolos de um mundo capitalista que os norte-coreanos denunciaram há muito tempo. Foto: Ekaterina Ochagavia para o The Guardian

“É assim que a elite, o velho apparatchik e a nova burguesia estão vivendo agora. Eles querem consumo, prazeres materiais e uma medida de escolha do consumidor, e estão conseguindo. ”

O afrouxamento dos controles é apenas para poucos afortunados. A maioria dos norte-coreanos ainda enfrenta uma rotina diária de pobreza e privação. Uma em cada cinco crianças do país é raquítica, um indicador de desnutrição, de acordo com Unicef, e 40% dos adultos são subnutridos.

As estatísticas são difíceis de encontrar em Pyongyang, mas analistas que seguem a Coréia do Norte pensam que talvez 10% dos 25 milhões de habitantes pertençam ao que efetivamente é uma nova classe média.

Em um prédio alto de casas modelo, o abastecimento de água é intermitente, embora ninguém se queixe. Apenas uma pequena fração dessa elite pode viajar pela capital em táxis comprando imitações de estilistas, e mesmo os mais luxuosos benefícios fornecidos pelo Estado podem parecer relativamente modestos para os padrões ocidentais.

Num prédio alto de casas modelo, os moradores tinham todos os móveis e móveis atribuídos pelo estado, e mantinham o banho e os baldes de reserva cheios de água, porque o fornecimento é intermitente, embora ninguém se queixe.

“A água é fornecida três vezes ao dia”, explicou a dona de casa Ro Kyong Ae, cujo marido é um proeminente professor de ciências. “Eu amo este apartamento.”

O jovem líder, que tinha seu próprio tio expurgado e, provavelmente, ordenou o dramático assassinato de seu próprio irmão , não demonstrou nenhum interesse pela democracia nem afrouxou os controles que reforçam seu governo. Em vez disso, são provavelmente o resultado de cálculos cuidadosos.

No entanto, mesmo uma vida um pouco mais confortável dá a uma fatia da sociedade norte-coreana mais interesse na sobrevivência do regime e menos razão para considerar a deserção ou a oposição.

Kim Jong-Un,Consumo,Economia,Capitalismo,Ditaduras,Coreia do Norte (6)Kim pode, em parte, estar abraçando as realidades econômicas de seu país, em um mundo onde nenhum país patrocinará provisões estatais como a União Soviética. O comércio informal e semi-legal tornou-se vital para alimentar a Coreia do Norte, e o mercado negro canaliza dinheiro para a Coreia do Norte, incluindo propinas que alimentam o estado.

Usando turnês cuidadosamente gerenciadas para estrangeiros e um pouco de liberdade para uma classe de elite, a Coréia do Norte parece estar tentando diluir a imagem de seu povo como autômatos virtuais. Foto: Ekaterina Ochagavia para o The Guardian.

“Provavelmente não é apenas uma questão de política, eu também não acho que, mesmo que ele queira pará-lo, ele pode, porque há limites sobre o que ele pode controlar e também a Coréia do Norte precisa de dinheiro”, disse Lankov.

“Ele é o líder mais pragmático que a Coreia do Norte teve em décadas. Ele sabe que se ele começar a fechar as oportunidades de ganhar dinheiro, eles perderão o desejo de trabalhar. Se as pessoas não têm coisas para comprar, por que elas vão tentar ganhar dinheiro? ”

Outra consideração pode ser relações públicas. Para um país que vive constantemente em busca de ajuda internacional e combate as sanções impostas sobre armas nucleares e outros programas, a visão do mundo sobre o seu governo é extremamente importante.

Ele transformou a face que a Coreia do Norte mostra para estrangeiros com viagens curadas cuidadosamente, a maioria das turnês tem projetos de prestígio incluindo um novo parque aquático, um amplo museu da ciência, apartamentos altos e novas feiras.

Alguns foram iniciados sob seu pai, mas juntos eles se tornaram emblemas de um país que quer diluir a imagem de seu povo como autômatos virtuais, projetando o máximo de proficiência em construir armas nucleares do que as montanhas-russas do estilo “super-homem” .

O projeto Pyonghattan: como a capital da Coréia do Norte está se transformando em uma “terra das fadas socialista”

As mulheres usam brindes mais sutis de mudança em suas orelhas e em torno de seus pescoços. Durante décadas, distintivos com retratos da dinastia Kim eram o único adorno permitido na Coreia do Norte – sob um código de vestimenta não oficial que também proibia calças e cores brilhantes para mulheres jovens.

Agora, calças, colares e um ocasional toque de cor ou conjunto de brincos podem ser vistos nas jovens mulheres mais elegantes de Pyongyang, possivelmente inspiradas pela esposa de Kim Jong-un, Ri Sol Ju . O casal rompeu décadas de precedentes ao aparecer juntos em público, com Ri muitas vezes usando jóias e carregando bolsas de grife.

Para crianças da elite, imagens de Hello Kitty e Winnie the Pooh são pintadas em bolsas e guarda-chuvas – símbolos duradouros de um mundo capitalista que os norte-coreanos há tempos são ensinados a denunciar. E assim como as fronteiras da moda foram estabelecidas pelo primeiro casal, fica claro que uma diretiva para gastar – para os poucos que têm dinheiro – vem direto do topo.

O lugar de destaque na fábrica de bolsas Pyongyang é uma foto do tamanho de um mural de Kim Jong-un radiante em uma mochila infantil com um animado desenho de coelho estampado na frente, aparentemente tomado pelo desejo de gastar.

“Quando o líder supremo Kim Jong-un estava aqui, ele estava realmente satisfeito com a bolsa com o coelho”, explicou o guia da fábrica. “Ele até disse que teve a sensação de que quer comprá-lo.”

Uber prepara sua frota de helicópteros nos Estados Unidos

Empresa concorrente dos táxis se alia à Airbus para oferecer transporte aéreo

Travis Kalanick, consejero delegado y fundador de Uber
Travis Kalanick, fundador e executivo-chefe do Uber. REUTERS

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O Uber não quer mais se limitar à terra firme. O ar é o seu próximo objetivo. O aplicativo de transporte sob demanda quer ter uma frota própria de helicópteros, e para isso fechou um acordo com o fabricante europeu Airbus para que forneça e gerencie os aparelhos.

Os Uberchoppers, como são chamados pela empresa (fusão do nome Uber com a palavra inglesa choppers, helicópteros), já foram oferecidos durante a última edição da feira tecnológica CS, em Las Vegas. Por 99 dólares, era possível sobrevoar a Vegas Strip, principal avenida da cidade.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O primeiro teste, porém, havia sido feito antes, durante o festival musical Coachella de 2014. A diferença com o serviço comum do Uber é que Travis Kalanick, fundador da start-up de San Francisco, não quer terceirizar o serviço a empresas locais, geralmente dedicadas a voos turísticos.

No próximo fim de semana, durante o festival de cinema de Sundance, o Uber voltará a oferecer esse transporte que evita congestionamentos, num trajeto fixo entre o aeroporto de Salt Lake City e Park City, onde o evento acontece. Segundo o Uber, o deslocamento irá durar 15 minutos e custará 200 dólares se for de dia, e 300 à noite (813 e 1.219 reais, respectivamente). Como cortesia, a empresa oferecerá um veículo 4 x 4 para o trecho entre o heliporto e o hotel ou outro destino desejado.

É uma tarifa muito mais acessível do que na primeira vez em que o Uber tentou decolar. Foi numa viagem de Nova York à sofisticada região litorânea dos Hamptons, no feriado norte-americano de 4 de julho de 2013. Na época, a viagem custou 3.000 dólares, com a possibilidade de levar até cinco passageiros.

O novo movimento marca uma mudança de estratégia da companhia, avaliada em mais de 50 bilhões de dólares. Com os carros, muito mais econômicos, ela compartilha a tarifa com os motoristas, que são donos dos veículos; no ar, a divisão será com o fabricante.

A Airbus, por sua vez, pretende alavancar sua imagem nos Estados Unidos, onde a indústria aeronáutica se considera mais ligada ao setor armamentista do que à produção comercial de aeronaves.

O Uber não oferece apenas uma alternativa ao táxi, embora esse seja o seu produto mais popular. A empresa começa a prestar serviços de entregas – é comum, durante as manhãs, ver seus carros distribuindo compras feitas on-line.

Na hora do almoço, em vários bairros de San Francisco a empresa oferece um menu com poucas opções, mas com preços fixos e entrega quase imediata. Periodicamente, o Uber também oferece gatos para adoção ou sorvete para acompanhar um filme.

Durante a feira ArtBasel, de Miami, o aplicativo foi adaptado para disponibilizar lanchas, algo que acontece também na Turquia.

Na Índia, ele inclui os famosos riquixás, além de bicitáxis.

Na Colômbia, sua base de operações para a América Latina, oferece um leque de serviços que transformou Bogotá em seu laboratório.
Rosa Ximenes/El País

Mujica: ‘essa cultura nos transforma em compradores compulsivos’

Durante viagem à Guatemala, Mujica fez um apelo em favor do combate à desigualdade e atacou o consumismo na América Latina
Mujica: ‘essa cultura nos transforma em compradores compulsivos’

Durante viagem à Guatemala, o ex-presidente do Uruguai, José Mujica (2010-2015), fez um apelo em favor do combate à desigualdade e atacar o consumismo na América Latina, em seu discurso no VI Fórum Centro-americano Esquipulas, em um debate sobre a integração regional.

“A liberdade é o ponto de vista individual, quando nós tomamos as rédeas das nossas vidas e a orientamos, não o que as demandas do mercado impõem a elas”, expressou o carismático ex-governante, em sua intervenção de mais de uma hora, num hotel da capital guatemalteca.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Para José Mujica, “(os mercados) tentam se apropriar do tempo, das nossas vidas, e transformar esse tempo de vida numa mercadoria, numa corrida infinita”.

“Estamos rodeados, por um lado, de injustiça social, por outro lado, de ofertas que nos empurram dia e noite, essa cultura nos transforma em compradores compulsivos”, insistiu.

O famoso político também criticou a falta de recursos fiscais e a negativa dos empresários em pagar impostos para que os governos invistam nos setores mais vulneráveis.

“A integração é uma necessidade estratégica desde o ponto de vista político, e só haverá integração se houver vontade política. Na América Latina, os partidos de esquerda só serão realmente progressistas se são capazes de lutar com todas as suas forças pela integração”, afirmou.

Finalmente, o ex-tupamaro guardou algumas palavras para aqueles que insistem em qualificá-lo como o “presidente pobre”. “Dizem por aí que sou o presidente pobre, e eu não sou pobre, caramba!”, sentenciou Mujica, despertando os aplausos do público presente.

Para salvar o mundo, precisaremos de uma ‘economia de guerra’?

O dia 13 de agosto marcou a data em que a conta da humanidade com a natureza entrou no vermelho em 2015. Foi ali que nós esgotamos todos os recursos que nosso planeta deveria oferecer durante todo o ano.


Desabrigados fazem fila por alimentos após perderem suas casas por enchentes no Paquistão – Image copyright EPA

De agora em diante, vamos começar a usar alimentos, terra arável e outros recursos naturais que deveriam estar guardados para as próximas gerações. Foi o momento mais cedo ao longo de um ano em que esse limite foi ultrapassado.

O centro de estudos americano Global Footprint Network é quem calcula anualmente o que chama de “Earth Overshoot Day” (algo como “dia em que se ultrapassa os limites da Terra”).

A data é determinada a partir da comparação entre nossas demandas pelo que vem da natureza – para atividades como construção, manufatura e absorção do lixo e do gás carbônico liberados por nós – e o que pode ser realmente gerado e reposto pelas florestas, mananciais, reservas pesqueiras e terras cultiváveis.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Nossa superexploração dos recursos da Terra começou em 1970, quando a capacidade total do planeta para aquele ano foi esgotada no fim de dezembro. Isso significa que hoje, a cada ano, o ser humano usa mais do que 150% do que o planeta oferece. E o Earth Overshoot Day tem acontecido cada vez mais cedo.

Cientistas afirmam que esse desequilíbrio já leva ao desmatamento, a secas e à extinção de espécies. Isso sem falar no acúmulo de poluentes no ar e no mar, porque os mecanismos naturais do planeta para lidar com toda essa pressão estão sobrecarregados.

Cada país contribui de maneira diferente para esses dados, dependendo de seu modo de vida. A Grã-Bretanha, por exemplo, precisa de três vezes mais recursos naturais do que é capaz de suprir. Se o resto do mundo vivesse assim, a data limite teria sido rompida em maio, em vez de agosto.

Economia de guerra?


Durante Segunda Guerra Mundial, países europeus sofreram extrema falta de recursos – Image copyright Getty

A última vez que os britânicos sofreram uma extrema falta de recursos foi durante a Segunda Guerra Mundial. O governo foi obrigado a implementar um racionamento para poder controlar a distribuição de alimentos, combustível e outros bens, com cotas individuais rígidas.

Será, então, que deveríamos embarcar em algum esquema semelhante para compartilhar de maneira justa os recursos que nos restam?

“Racionar implica em limitar. É uma restrição à autonomia. E sabemos que a autonomia é fundamental para o bem-estar, então essa não parece ser uma solução sustentável a longo prazo”, afirma Saamah Abdallah, pesquisador sênior da New Economics Foundation, centro de estudos britânico que defende que o sucesso econômico deveria ser medido com base em parâmetros como a felicidade das pessoas.

Mas, por causa da gravidade da situação atual de muitos dos recursos, ele defende algum tipo de medida mais rígida.

“Uma possível solução é o comércio de emissões – isso estabeleceria uma quantidade de carbono que cada pessoa pode emitir durante um ano. Como seria possível comprar ou vender partes dessas ‘cotas’, é um sistema com mais flexibilidade”, explica.

“Em vez disso, no entanto, estamos criando impostos sobre as emissões de carbono. É uma ferramenta útil, mas que não evita que as pessoas continuem consumindo, além de não ter um impacto sobre a população mais rica. Precisamos ter uma solução entre esses dois extremos.”

Consumo controlado


O consumo exagerado e desnecessário é um dos motores da escassez de recursos
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A New Economics Foundation realizou estudos comparando o nível médio de saúde e bem-estar de alguns países com o uso que cada um faz dos recursos naturais à sua disposição.

A Costa Rica foi o mais bem colocado, com níveis de qualidade e expectativa de vida iguais aos da Grã-Bretanha, mas utilizando metade dos recursos gastos pelos britânicos.

Como o consumo é normalmente provocado por desejos competitivos, talvez fosse interessante mudarmos nosso hábito de nos compararmos com outras pessoas.

“Se você troca de celular todo ano ou enche o armário de roupas que só usa uma vez, ou compra mais comida do que precisa e acaba jogando o resto fora, não está contribuindo para o bem-estar geral e sim aumentando o alto nível de consumo”, afirma Abdallah.

E quanto mais rica uma pessoa, mais ela tende a ter casas e carros grandes, e a viajar mais e para lugares mais distantes. “Os 10% mais ricos da Grã-Bretanha, por exemplo, respondem por quase o dobro das emissões de carbono das pessoas mais pobres”, aponta o especialista.

Alguns países incentivam seus cidadãos a diminuir o consumo restringindo a publicidade direcionada a crianças, como a Suécia e a província de Québec, no Canadá. Outros locais restringem a publicidade em espaços públicos, como São Paulo e a cidade francesa de Grénoble.

“Nosso desejo de consumir é alimentado por empresas que querem que compremos mais e mais, e isso é promovido pela publicidade”, afirma Abdallah. “A maneira como a propaganda funciona é sugerir que o que temos não é bom o suficiente e que deveríamos substituir tudo por algo novo”.

O papel de cada um

Se, como nação, é praticamente impossível que aceitemos medidas tão drásticas como o racionamento, há ações menos ameaçadoras que os governos poderiam adotar para incentivar a redução do consumo, como melhorar o transporte público e oferecer alternativas para o uso da bicicleta ou da caminhada. Outra área fundamental é a do uso de energias de fontes renováveis.

Então, o que nos impede de tomar as rédeas da situação e reduzir nosso consumo, equilibrando-o o que queremos com o que precisamos?

Abdallah afirma que os estudos apontam que a população britânica, por exemplo, se preocupa com o meio ambiente, mas sua disposição para fazer mudanças em seu próprio estilo de vida depende da disposição dos outros.

“Há no ar a sensação de que se houver um ‘sim’ coletivo, todos passarão a aderir. Mas na realidade cada um de nós deve pensar no que realmente importa para o nosso bem-estar e não consumir mais do que isso. Precisamos fazer isso como indivíduos, além de como nação”, sugere.
BBC

Consumo e Tecnologia: internet facilita a compra, a escolha e a economia

Economia - e-Commerce Blog do MesquitaNos dias atuais ninguém quer perder tempo e dinheiro na hora da comprar.

Muitas pessoas não querem mais ficar horas andando em busca de produtos e ofertas quando necessitam adquirir algo. Há também aquelas que simplesmente não têm tempo para perder em centros comerciais ou shoppings; outros gostam de pesquisar o melhor preço antes de adquirir ou preferem a comodidade de fazer tudo sem sair do lugar.

Por causa deste comportamento, em 2014 houve um crescimento de 200% nos acessos a lojas virtuais via celulares e tablets.

Os cinco Estados que mais recorrem à internet para comprar são, respectivamente, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.

Os paulistas são os maiores adeptos a compras online e o Estado sozinho é responsável por 50% do total de pedidos e responde por 45% da movimentação financeira nos sites de comércio eletrônico.

É interessante destacar também que as pesquisas e estudos ainda demonstram que os consumidores brasileiros adquiriram o hábito de pesquisar antes de comprar pela internet.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Segundo dados, 58% das vendas foram realizadas após consulta dos compradores a um mecanismo de busca. Pela web, em pouco tempo, dá para conferir preços e produtos em diferentes ferramentas e até mesmo em redes sociais, onde os consumidores trocam informações de ofertas.

Há aplicativos que funcionam de forma totalmente gratuita, como é o caso do Dica de Preço, onde as pessoas trocam informações sobre valores e assim comparam o mesmo produto em locais diferentes, escolhendo sempre pela melhor oferta.

O mecanismo pode ser acessado em navegadores tradicionais, como Safari e Google Chrome, ou instalado nos sistemas Android e iOS, de smartphones e iPhones.

Além disso, a crise tem levado os consumidores a tomar mais cuidado com o que compram e quanto pagam pelos produtos. Mesmo quando estão dentro de lojas de centros comercias, estão consultando valores em aparelhos móveis.

Já os que são adeptos à compra pela internet, também avaliam o gasto da locomoção até o comércio e o tempo perdido em filas e trânsito encarecem um pouco mais o produto.

Fora isso, na correria da atualidade, principalmente em grandes centros, o tempo é realmente muito precioso e, quando bem administrado, pode ser usado para trabalhar, curtir momentos de lazer com a família, descansar, entre tantas outras atividades
JB

O amor nos tempos da frescura

Peões,Blog do MesquitaNum passado remoto, pré-frescuras e confortos, conseguíamos ser felizes de fato. Na carne, no roots, na frugalidade de um amor sem loja de conveniência.

Lembra? Quando a gente sentia prazer sem firula, você se lembra?

Na época em que nem se sonhava com colchões box super queen king e todo um baralho de micagens, com pillow tops, lençóis egípcios, impensadas molas individuais ensacadas.

A gente queria mais, no passado, era se mexer e o outro sentir mesmo, rolar pro lado caindo no buraco da cama velha. Amassar o cônjuge e dormir apertado.

E dormir, na verdade, era o que a gente menos fazia, pelo que me lembro.

Não só porque conforto não era o forte do passado, mas porque naqueles tempos, aqueles de que a gente sente falta, nós, amantes, nos ocupávamos mais de amar e ranger a madeira barulhenta do que deitar pra ver filme numa tela imensa na parede em frente.

Aliás, tinha vezes em que a gente não tinha TV. E tinha outras em que a gente não tinha parede. Um cômodo só, qualquer que fosse ele, era o suficiente pra felicidade.

Ser feliz, no pretérito perfeito, se traduzia no xodó do lado e mais nada. Zero exigências.

O sofá não precisava ter chaise, que dirá ser de quatro lugares.

Melhor ainda se fosse de dois, se fosse poltrona, cadeira de balanço embalada num ritmo bom, um pufe, uma banqueta da cozinha – onde desse pra se apoiar e se amar já tava ótimo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Quando foi mesmo que a gente criou essas necessidades?

Quando alguém decidiu que só dá pra tomar banho junto numa banheira cafona de hidro?

Que cortem-lhe a cabeça do canalha que caluniou e acabou com a ducha a dois. Que alegou frio nos poucos minutos que passou fora do raio de alcance da água quente do chuveiro.

Ora, homem, não era só abarcar a mulher? Não era só dividir o banho que nem banho é, porque quem é que pensa em higiene numa hora dessas?

O negócio mesmo é ensaboar a moça. É lavá-la, esfregá-la, encostar no azulejo gelado e correr pro abraço.

Eu quero uma casa no campo. Quero um chalé, uma barraca, um lençol na grama. Às favas os casais que só sabem bem querer no luxo. Comigo, o amor será sempre agreste.
do blog Bonitinha Mais Ordinária, da Marcella Franco

O consumo do lixo ou o lixo do consumo?

Em épocas de festividades exacerbadas, a humanidade auto injeta frenéticas doses de consumo para quem sabe conseguir manter afastada de si a simplicidade de uma vida amena. O que sobra deste processo nauseante, são os resquícios de uma civilização desprovida de sensibilidade que conta as horas para a chegada de um feliz e admirável ano novo.

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Um dos resultados do consumismo desenfreado é a geração excessiva de resíduos descartáveis, em outras palavras, o LIXO, que pode ser de origem gasosa, sólida ou líquida. Depositados em terrenos destinados a recebê-los ou simplesmente largados na rua, causam enorme impacto à natureza.

É o que vem ocorrendo nos Oceanos, com as Ilhas de Plástico que aumentam a cada dia. Por ser tão barato, popular e descartável, o plástico torna-se o elemento mais volumoso em nossa rotina cotidiana, e consequentemente também em ruas, aterros, lixões, rios e oceanos.

A tão sonhada “comodidade” da vida moderna vende a ilusão de quão gratificante é viver no mundo hoje. A vida mais fácil trasformou-se na dádiva existencial. Sacos, sacolas, garrafas, caixas e embalagens, tudo é lixo descartável.

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A conveniência estimula o consumo impulsivo: imagine-se você entrando em supermercado para comprar uma escova de dente, por exemplo, e passando em frente a prateleira de refrigerante sente vontade de beber agua açucarada e gaseificada, você segue até aquele imenso painel colorido onde ficam expostas as latas e garrafas plásticas, apanha aquele de sua preferência, vai ao caixa paga e sai bebendo, depois disso, com altas doses de açúcar na corrente sanguínea, a embalagem é descartada; que tamanha praticidade não é mesmo, agora imaginemos, se em vez de lata, esse líquido aditivado e colorido fosse vendido em embalagens retornáveis, vidro por exemplo, você teria que ter junto a embalagem retornável para poder fazer a compra, ou pagar mais caro para levá-lo consigo, e consequentemente não iria descartá-lo por que da próxima vez ele seria reutilizado e assim sucessivamente, porém muitos tem seus motivos para divergir desta tese, dizendo que seria um retrocesso, uma regressão, até mesmo falta de liberdade de escolha, mas agora vamos inverter a relação desta cadeia consumista, em vez disso, as empresas teriam que arcar com o custo ambiental – que aliás não existe no cenário capitalista contemporâneo – os fabricantes seriam obrigados a recolher todo o material descartado oriundo deste processo de fabricação e consumo. Será que a tese do retrocesso seria mantida?

Infelizmente estas ideias parecem ser utópicas, mas servem para demonstrar o quanto a máquina consumista exerce influência sobre o comportamento de compra e estilo de vida de seus integrantes. E tudo isso acontecendo dentro de um planeta finito, de recusrsos finitos, onde o lixo cresce de maneira proporcional a uma população colossal, e consequentemente vai se tornando parte das paisagens e dos ecossistemas.

Aliado a esse fator existe ainda a precariedade de políticas públicas de descarte de resíduos, o descaso dos regentes sistêmicos, e além sisso existe ainda a influência das grandes corporações envolvidas no processo ganacioso do consumo exacerbado. Tem também o problema de base educacional de uma população que sofre amnésia crítica, sendo assim, vamos convivendo com as consequências desse lamentável cenário, causando danos irreparáveis ao planeta, à fauna animal e consequentemente a nós mesmos.

Sendo assim, milhões de toneladas de resíduos plásticos boiam pelos oceanos da Terra, e em alguns lugares formam amontoados colossais de lixo, como a Ilha de Plástico do Pacífico, situada entre a costa da Califórnia a meio caminho do Japão, com uma área maior do que o tamanho dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo juntos, e a Ilha de Plástico do Atlântico Norte, mais recentemente descoberta, localizada numa área de convergência próxima ao Estado norte americano da Geórgia.

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Grande quantidade desta matéria plástica acaba de certa forma voltando ao ser humano através dos peixes – daqueles que conseguem sobreviver – os quais ingerem minúsculos detritos oriundos da decomposição do plástico. Isso significa, que, em outras palavras, quem se alimenta de peixe também corre o risco de estar comendo plástico e todas suas toxinas, que podem trazer efeitos nocivos ao organismo.

Esse infortúnio representa o ciclo vicioso que molda a rotina “humanóica” de seres que se julgam racionais e sociais, nutrindo a necessidade consumista para aumentar e gerar riqueza para uma minoria, e mais emprego alienante para trazer renda econômica a uma maioria que consequentemente irá revertê-la em consumo novamente. E o ciclo econômico, em meio ao consumo e ao lixo, segue sua deteriorante trajetória.

Mudar este atual paradigma, dependerá da emersão de uma consciência coletiva sobre a compreensão das conexões da vida, um rompimento com certas práticas inquestionáveis até então. Avançamos rumo a uma nova era, onde teremos que fortificar nossa bagagem de conhecimento, ter paciência para perceber e ter domínio sobre desejos e vontades.

Portanto eis um antigo ditado oriental para reflexão: “O seu lixo sempre volta à sua porta, cabe a você escolher a cara dele!”
/Obvius

O Futuro Frugal – Neofrugalismo: Modismo ou tendência do consumo?

consumismo-consumo-compras-frugal-tendencia-2009Em um cenário de crise econômica, recessão e gastos comedidos, David Rosenberg, autor do relatório “O Futuro Frugal”, prevê que a farra consumista dos últimos anos está definitivamente sepultada e em 2009 os consumidores valorizarão cada centavo gasto nos produtos que compram – seja um frasco de xampu, seja num aparelho de TV.

Segundo este relatório, o neofrugalismo como tendência de comportamento que começou a ser observada por especialistas americanos em marketing e consumo após a crise das hipotecas podres, no final de 2007, não é algo episódico, mas veio para ficar.

Nesta tendência, consumidores têm adotado comportamento semelhante em países europeus em recessão.

Por exemplo, os consumidores tornaram-se mais seletivos e passaram a buscar produtos e serviços com diferenciais tangíveis.

Seguindo esta lógica, as pessoas devem passar mais tempo em casa como forma de economizar em despesas supérfluas e isso abre uma perspectiva a toda uma gama de produtos voltados para a diversão doméstica – vasta categoria que envolve de computadores que funcionam como central de entretenimento a videogames e sistemas de som digital.

Os consumidores neofrugais, ao que parece, deverão fazer com que empresas de todos os ramos, reajustem e repensem suas estratégias de marketing, e ressignifiquem os produtos e serviços que oferecem à seus clientes.

Bem, vamos tentar aproximar um pouco mais este conceito do nosso dia-a-dia, pois o fato é que alguns aspectos são fundamentais para o entendimento desta nova tendência de consumo: busca por benefícios tangíveis e maior seletividade.

Neste ponto é interessante pensarmos que o conceito de benefício tangível não deve restringir-se apenas ao fato de ser um benefício “palpável”, “corpóreo”, e sim, principalmente um benefício que seja sensível e perceptível ao consumidor.

A partir deste entendimento podemos fazer alguns ensaios dos ajustes que empresas de alguns ramos podem fazer para acompanhar esta tendência. Mas independente deste ensaio, é importante que as empresas foquem na resposta à seguinte pergunta: “Qual é o benefício tangível para o meu público?“.

Fonte: Omelhordomarketing