Tópicos do dia – 18/12/2011

10:46:06
A vida melhorou
Pesquisa do Ipespe para a CNA – Confederação Nacional da Agricultura – mostrou que, para 85% dos brasileiros da classe C, a vida deles está melhor, comparada à de seus pais.
E, para 87%, a vida de seus filhos será ainda melhor.
Para os próximos meses, 81% planejam comprar casa própria; 61%, uma TV de plasma; 60%, carro; e 56%, um computador.


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Amazônia: Senador Flexa Ribeiro do PSDB tenta dar golpe no Código Florestal

Golpe tucano

Sob a liderança do PSDB, os ruralistas tentaram dar um golpe ontem no processo de votação do Código Florestal. A discussão do Código em si já é uma ameaça.

Pior é o golpe tucano, porque ele tentava atropelar tudo e votar já a anistia para desmatadores e a permissão de plantar espécies exóticas na Amazônia. O barulho das sirenes do Greenpeace parou a votação, por uma semana.

[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]O mundo todo está discutindo como proteger as florestas tropicais, um dos itens centrais da maior e mais aguardada negociação climática do mundo. E no Brasil há uma escalada na direção oposta: a de como destruir mais facilmente.

O golpe tucano foi imaginado assim: o Código Florestal tem várias ideias ruins, mas está ainda no começo do processo. Das 45 sessões, foram realizadas apenas três. No debate democrático pode, quem sabe, ser melhorado. É uma esperança. O golpe foi pegar um outro projeto que está quase terminando a tramitação, colocar nele todas as ideias floresticidas e votar, atropelando o novo Código.

O instrumento usado para o golpe foi o PL 6.424, do senador do PSDB Flexa Ribeiro, que desde 2005 tramita no Congresso. Ele surgiu de uma péssima ideia do senador: usar palmácias em vez de espécies nativas na recomposição da reserva legal de 80% na Amazônia.

O projeto abria espaço para que a Malásia, que já fez um enorme estrago por lá, plantando palmas em áreas de vegetação nativa, viesse fazer o mesmo no Brasil. Assim, quem desmatou mais do que os 80% permitidos poderia constituir reserva legal com essas plantas exóticas. Seria um convite ao desmatamento para a plantação de espécies com uso comercial.

O projeto de Flexa Ribeiro foi aprovado no Senado e estava dormindo na Comissão de Meio Ambiente da Câmara. Recentemente, a bancada ruralista depôs o relator e nomeou o deputado Marcos Monte, do PSDB de Minas. O substitutivo dele é coincidentemente muito parecido com um documento da Confederação Nacional da Agricultura.

Se fosse aprovado na Comissão de Meio Ambiente da Câmara — recentemente dominada pelos ruralistas — não precisaria ir para o plenário, poderia voltar para o Senado na reta final da aprovação. Aí nem seria necessário mais discutir o Código Florestal porque aquelas ideias já estariam no projeto.

Em torno do substitutivo juntaram-se ruralistas de outros partidos e o presidente da Comissão, deputado Roberto Rocha, do PSDB do Maranhão. Queriam pôr em votação de qualquer maneira ontem.

Foi quando os manifestantes do Greenpeace se acorrentaram nas mesas com o corpo cheio de sirenes. O barulho acordou algumas lideranças tucanas e a votação passou para a semana que vem, mas como único item da pauta.

O que diz o projeto floresticida? Pelo cálculo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, a proposta representaria a anistia de quem desmatou algo como 34 milhões de hectares na Amazônia e no Cerrado, inclusive em áreas de preservação permanente.

Miriam Leitão/O Globo

Kátia Abreu: uma Senadora ilumina as trevas da oposição

O midiático ministro do colete, ops!, do Meio Ambiente, Carlos Minc, encontrou quem, como diz o “neo-neologista” Galvão Bueno, quem o “encare de frente”!

De dentro dos coloridos, bregas e ribaltinos coletes, sua (dele) ex-celência, procura “ambiente” que venha a garantir sua (dele) periclitante chance de se reeleger deputado pelo Rio de Janeiro.

Apesar de pertencer ao DEM — continuo acreditando ser gozação chamar de democrata um partido, filhote do PFL, onde pululam Marco Maciel, Ronaldo Caiado, os herdeiros do soba baiano ACM e outras “democráticas” figuras — a lúcida e emblemática Senadora Kátia Abreu desmonta toda e qualquer argumentação do ministro na questão da posse das terras na Amazônia.

O editor

Mais sintoma de uma pré-campanha eleitoral do que “grito” de ambientalista. Para a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), os ataques do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, aos ruralistas e aos colegas de Esplanada têm motivação eleitoral. “Ele está montando o circo para ganhar a eleição. Está com problemas de eleição no Rio.”

Kátia não ficou convencida com a demonstração de reconhecimento público feito por Minc, que afirmou ter se excedido ao chamar os ruralistas de “vigaristas” na semana passada e que iria buscar entendimento com a senadora. “Minc não pode se auto absolver; a mim, ele não engana”, disse.

De acordo com a senadora, o melhor era que o assunto se encerrasse, pois, segundo ela, está se estendendo demais. “Não quero fulanizar o tema, mas mantenho a posição de início até que esse senhor mude de comportamento”, afirmou. Para a presidente da CNA, como ministro de Estado Minc age mal não só ao expor o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, como também os demais ministros.

Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente revelou a jornalistas que, em encontro reservado com o presidente, demonstrou insatisfação em relação a alguns colegas. Ao Estado, chamou o governo de “casa da mãe joana”.

A presidente da CNA disse ter notado nas entrelinhas do discurso de Minc certa ironia. “Ele disse que falaria até com os ruralistas. Por que esse até? Não somos criminosos”, justificou. Kátia também afirmou que não está disposta a ouvir elogios do ministro, mas se mostrou disponível a conversar, assim que ele deixar de lado as ironias e vulgaridades.

Ontem, o ministro fez a seguinte pergunta: “Ora, se fiz acordo com a soja, com a cana e com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, por que não posso fazer com a senadora Katia Abreu, que é muito mais bonita, muito mais simpática e muito mais articulada?”

Célia Froufe – O Estado de São Paulo