Kátia Abreu: senadora sai de audiência com Dilma Rousseff elogiando o MST

Brasil: da série “me engana que eu gosto!”

Lembram da Senadora Kátia Abreu? O cabelo continua o mesmo, mas a ideologia…

A também presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), e uma iracunda, implacável e ferina opositora de quaisquer coisas que se relacionem ao Lula e ao PT, MST incluso. Pois não é que leio que a referida senhora saiu de uma reunião com a Gran Petista Presidente Dilma Rousseff, no Palácio, elogiando o MST! O que terá se passado nessa audiência?

A Senadora também afirmou que são “justas” as atuais reivindicações do movimento liderado pela Via Campesina – que reúne o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à igreja católica, e o chamado Movimento dos Pequenos Agricultores.

Sua (dela) excelência também assumiu com a presidente o compromisso de não se opor ao governo na votação do Código Florestal no Senado, pauta polêmica que divide ambientalistas e ruralistas.

Mais uma que desembarcou da oposição.

O sábio maluco beleza continua lúcido: “parem o mundo que eu quero descer!”

PS. A senadora divulgou a seguinte nota sobre as polêmicas declarações:

“A respeito das declarações a mim atribuídas sobre pretenso apoio às reivindicações do MST e da Via Campesina e suposto compromisso de não me opor ao governo na votação do Código Florestal, no Senado, que teriam sido manifestadas depois da audiência, na última terça-feira, dia 23/8, com a presidente da República, Dilma Rousseff, considero de fundamental importância restabelecer a verdade dos fatos, esclarecendo que:

1) Sempre defendi a importância da assistência técnica para os pequenos produtores rurais, pois é a única forma de adotarem boas práticas agronômicas e obter renda. Da mesma forma, defendo a adoção de políticas públicas que ofereçam soluções para o endividamento dos chamados “pronafianos”. E isto coincide com reivindicações de alguns destes movimentos sociais;

2) Quanto à votação do novo Código Florestal, creio que não é do interesse de ninguém derrotar o governo. Confio que encontraremos um caminho para que todos saiam vencedores deste debate. Estarei, em todo o momento, como me compete, defendendo as prerrogativas do setor agropecuário e do Brasil.

Por fim, saí da audiência com a presidente Dilma Rousseff convicta de que encontraremos um bom caminho para promover a maior e mais sustentável agropecuária do planeta. Fiquei especialmente feliz com a oportunidade que finalmente se abriu de lhe apresentarmos pessoalmente as demandas do nosso setor para a necessária revisão do Código Florestal brasileiro.

Brasília, 25 de agosto de 2011

Senadora Kátia Abreu

Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

Senadora Kátia Abreu afirma que o PSD de Kassab “não tem dono”

Oposicionista de carteirinha, até ontem critica feroz do governo, PT e de tudo que não estivesse na cartilha da iracunda do DEM e da direita mais conservadora brasileira, eis que , numa demonstração de que fidelidade partidária, ideologia e coerência são coisa pra inglês ver, a senadora Kátia Abreu agora começa um voo em direção às plagas “acolhedoras” do governo, nas asas do oportunista PSD de Gilberto Kassab.

O Editor


A senadora Kátia Abreu (TO) entrega hoje sua carta de desfiliação do DEM, onde era uma das principais lideranças nacionais, para aderir ao projeto do PSD, lançado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

A migração para a nova legenda será oficializada amanhã, em discurso no plenário do Senado.

A filiação ocorre em meio ao descrédito provocado pelo anúncio de fusão com o PSB, ideia que não vingou, e a leitura de que a nova sigla será linha auxiliar do governo.

Ela garante que a fusão com o PSB jamais existiu como proposta séria e que o PSD será de oposição, mas afirma: “Oposição não é empresa de demolição: não precisa de adjetivos, mas de caráter”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Por que deixar o DEM?

Em busca de uma tribuna mais eficaz para defender meu ideário. O DEM cumpriu missão histórica admirável, viabilizando a transição democrática com Tancredo Neves e José Sarney, e garantindo a estabilidade dos três governos seguintes. Mas vive turbulência interna. Deixo o partido, mas não mudo: as ideias e objetivos são os mesmos.

Se é assim por que não foi possível uma solução interna?

O convívio partidário é como um casamento. Quando o desgaste ultrapassa determinado ponto, em que a confiança é atingida, não adianta insistir. O DEM não pratica internamente a democracia que prega externamente. Se mostra constrangido em assumir o ideário liberal.

O PSD surge num contexto que já abriga 27 legendas. Não há partidos demais?

Não é questão de quantidade, mas de qualidade. O quadro partidário brasileiro passará inevitavelmente por um rearranjo. O PSD apenas deu a partida. Outras siglas surgirão, outras desaparecerão. É questão de tempo.

Mas o PSD já nasceu provisório, anunciando fusão com o PSB.

O PSD nasce com ânimo definitivo, para ocupar um espaço que precisa ser preenchido no cenário partidário: os ideais da economia de mercado e do Estado de Direito. Será o partido da classe média, que se expandiu desde o Plano Real e hoje reúne mais de 100 milhões de brasileiros.

Por que o PSD desistiu da fusão com o PSB?

A ideia de fusão foi apenas uma hipótese inicialmente colocada, em ambiente de tempestade de ideias, em decorrência das dificuldades operacionais de se criar uma nova legenda. Mas, na medida em que se aprofundou a discussão, foi posta de lado. Eu mesma jamais pensei em ingressar num partido cujo ideário é bem distinto do meu.

Então será um partido de centro-direita?

Essa nomenclatura está inteiramente ultrapassada. O PSD não vem estabelecer um duelo ideológico, esquerda versus direita. Não vem lutar contra, mas a favor – não do governo, mas do País. Essa classificação é falsa, anacrônica. Basta lembrar que o PT, que se define como de esquerda, aliou-se ao Partido Liberal, que estaria à direita, para eleger Lula e José Alencar em 2002.

O prefeito Kassab se definiu como um político “de centro, com uma leve tendência para a esquerda”. E a sra.?

Kassab, ao mencionar essa tendência à esquerda, quis enfatizar sua preocupação com o social, não estabelecer um vínculo ideológico. Ele é um homem da economia de mercado, que sabe dos benefícios sociais que ela gera onde é de fato praticada. Esse é um mito que precisa ser desfeito: o de que a preocupação com o social é monopólio dos socialistas, da esquerda. Não é.

Mas seu vínculo com o agronegócio é frequentemente interpretado como uma contradição com o discurso social.

Essa é mais uma falácia dos que querem atribuir aos socialistas o monopólio do bem e vilanizar seus adversários. Os produtores rurais, que tenho a honra de representar, são muito mais eficazes na erradicação da pobreza que os seus críticos. São responsáveis pela produção da melhor e mais barata comida do mundo, gerando emprego e renda.

Outra leitura é a de que o partido será linha auxiliar do governo.

Faremos oposição, mas não como um fim em si mesmo. Oposição não é empresa de demolição. Quem assim pensava e agia era o PT. Oposição é parte da ação governativa.

Numa linha “oposição generosa”, como alguns propuseram?

Oposição não precisa de adjetivos, mas de caráter. É preciso compromisso com princípios e metas. Quando o governo estiver em consonância com nosso programa, terá nosso apoio. Quando não estiver, não terá. Ter caráter é ser fiel a si mesmo e aos próprios princípios.

Como fica a relação com o PSDB, parceiro histórico do DEM? Com Serra ou com Aécio?

Manteremos a interlocução, com certeza. Construímos etapa fundamental da história contemporânea do País, que foram os dois governos de FHC. Mas não seremos satélite de ninguém.

Diz-se que uma das condições de seu ingresso no PSD foi a garantia de presidi-lo.

O PSD não terá dono. Queremos um partido que tenha nas prévias um instrumento para decisões.

QUEM É

Formada em psicologia, foi presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins, de 1995 a 2005. Em 2008 foi eleita presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ingressou na política em 1998, como primeira suplente na Câmara. Assumiu a vaga duas vezes entre abril de 2000 e abril de 2002. Foi escolhida para presidir a bancada ruralista no Congresso. Em 2006 venceu a eleição para o Senado.

João Bosco Rabello/O Estado de S.Paulo

Quem bancou a campanha da senadora Kátia Abreu?

Não tem como evitar. O tempo passa e o que se pensava ser artimanha de “delubianos recursos não contabilizados”, restrito aos petistas, mensaleiros e cuecões, mostra-se, agora, um polvo cujos tentáculos valerianos, “abraçou” corações, mentes e bolsos de diferentes partidos.

Vamos assistir, novamente, um festival de “eu não sabia”, “é problema do tesoureiro da campanha”, “meu caso é diferente”…

Depois de do Senador Azeredo do PSDB, a bola da vez é a Senadora Kátia Abreu do DEM.

Da Revista Veja
De Diego Escosteguy:

A pecuarista Kátia Abreu, eleita senadora pelo estado do Tocantins nas últimas eleições, ganhou recentemente o apelido de Ivete Sangalo do Congresso, graças ao seu jeito barulhento de fazer política – e se projetou como estrela do Democratas. Kátia Abreu emplacou seu primeiro hit no fim do ano passado, quando ajudou a articular a derrubada da CPMF no Senado. Ela já partiu atrás do segundo: conquistar a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade que representa os ruralistas, financiada compulsoriamente por 1,7 milhão de produtores agrícolas.

A eleição para o cargo será em outubro. A senadora, que é diretora da entidade há três anos, aparece como favorita para comandar um orçamento de 180 milhões de reais. Não se pode dizer que não seja um palco adequado aos seus talentos. Na semana passada, VEJA teve acesso a documentos internos da CNA que apontam fortes evidências de que a entidade bancou ilegalmente despesas da campanha dela ao Senado, nas eleições de 2006. A papelada revela que a CNA pagou 650.000 reais à Agência Talento, em agosto de 2006 – na mesma ocasião em que essa empresa prestava serviços de publicidade à campanha de Kátia Abreu ao Senado.

Para justificar os pagamentos, a Talento emitiu duas notas fiscais em nome da CNA: uma de 300.000 reais e outra de 350.000. Nas notas, a agência descreve os serviços como “produção de peças para a campanha de estímulo do voto consciente do produtor rural nas eleições 2006”. O problema é que, dentro ou fora da CNA, não há vestígio da tal campanha de “voto consciente”. Durante três dias, VEJA pediu à entidade acesso ao trabalho supostamente entregue pela agência. Ninguém achou nada. Diante disso, o presidente da CNA, Fábio Meirelles, afirmou: “Abrimos uma investigação para descobrir por que os pagamentos foram feitos”. A entidade promete respostas em duas semanas.

O marqueteiro César Carneiro, dono da agência, garante que os serviços foram feitos, mas diz que não guardou cópia de nenhuma peça. Também admite que fez a campanha da senadora – mas tudo na base da amizade: “Ela não me pagou e eu nunca cobrei.

Foi um bônus”. Kátia Abreu apresentou outra versão: “Quem pagou os serviços da Talento foi a minha campanha ou o comitê do partido no estado”. Não foi – pelo menos não oficialmente. A prestação de contas dela e do Democratas à Justiça Eleitoral não mostra despesa alguma com o marqueteiro. Nem doações da CNA, é claro.