Paz na Colômbia?

‘Colômbia é uma sociedade totalmente traumatizada’

Pesquisadora Josefina Echavarría diz que resultado do plebiscito não é racionalmente explicável: há um conflito profundo no país, marcado por raiva e luto – EFE

Na prática, portanto, após penosas negociações e a recente assinatura do documento, o povo disse “não” à chance de dar fim a 52 anos de um conflito interno que já custou centenas de milhares de vidas e consome recursos preciosos.

A DW entrevistou a pesquisadora da paz Josefina Echavarría, nascida na Colômbia, que trabalha na Universidade de Innsbruck, na Áustria. Para ela, o profundo trauma da sociedade colombiana explica, em parte, a decisão popular, difícil de justificar com argumentos racionais.

Mas nem tudo está perdido: há iniciativas para implementar o acordo por outros meios. E o processo de paz viu nascer várias pequenas iniciativas de pacificação, em localidades e junto às famílias, que deverão sobreviver ao resultado das urnas. “Espero que esses movimentos não sejam afetados pela grande rejeição ao acordo de paz, em nível nacional”, torce Echavarría.

DW: O acordo de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo da Colômbia foi negociado a duras penas. Apesar disso, diversos grupos faziam campanha contrária. Como se explica isso?

Josefina Echavarría: Havia no país uma oposição, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, que movimentava os ânimos contra o governo. Essa posição fundamental, em princípio, nada tinha a ver com as negociações de paz. Além disso, uma série de grupos menores simplesmente consideravam injusto o acordo de paz.

Mas esse conflito dura mais de 50 anos, custou mais de 220 mil vidas. Depois de todo o sofrimento que ele tem causado na Colômbia, como alguém pode, a sério, ser contra um acordo de paz?

Não acho que esse resultado seja racionalmente explicável. Para compreendê-lo, é preciso considerar os diferentes estados de espírito entre os diversos grupos colombianos. A Colômbia é uma sociedade totalmente traumatizada, há tanta raiva, tanto luto no país. Muitos não se sentem escutados. E está claro que o governo e todos os que eram a favor do acordo subestimaram o tamanho desse grupo.

Agência Efe

Pesquisadora acredita que sociedade colombiana deve aprender a solucionar problemas de maneira democrática

O que o resultado do plebiscito significa para o processo de paz colombiano?

Já há tentativas para dar forma de lei ao acordo por outros caminhos. É também preciso enfatizar: graças a esse processo de paz, nos últimos anos foram fundadas numerosas iniciativas, a maioria trabalhando em nível local, que deram grande impulso a todo o processo. Justamente por atuarem nas pequenas localidades e, especificamente, com as famílias locais, eu espero que esses movimentos não sejam afetados pela grande rejeição ao acordo, em nível nacional.

A senhora acaba de voltar da Colômbia. Como se anuncia o futuro para as próximas gerações?

Acho que depende inteiramente de como os colombianos se comportarão após essa consulta popular. No momento, todos só estão olhando para esse resultado eleitoral. Vê-se nas urnas que a população estava totalmente dividida. Isso significa que há um conflito profundo na nação. Os colombianos precisam olhar para si e se perguntar: o que esse resultado representa agora, para o dia a dia no país? Acima de tudo, eles precisam aprender, ainda mais, a solucionar todos os seus conflitos de forma democrática.

Ainda há esperança para esse país sul-americano?

Acho que há muitas pequenas ilhas de esperança. A Colômbia é um país marcado por grandes disparidades. Há, por exemplo, em acentuado abismo entre as condições de vida no campo e nas grandes cidades. E, apesar dessas diferenças, dessa polarização da sociedade, sente-se, já agora, a paz em muitíssimos setores da vida quotidiana.

Guerra às drogas: Cinco ex-presidentes defendem o fim da guerra às drogas

Ex-chefes de Estado divulgaram um relatório pedindo o fim da guerra às drogas. Mas há pouca esperança de mudança para a próxima conferência da ONU sobre o tema.

Cinco ex-presidentes defendem o fim da guerra às drogas
Mudar a abordagem proibitiva da ONU requer apoio dos 193 países-membros
(Foto: Flickr/Neal Jennings)
Após muito dinheiro gasto e muita violência a guerra às drogas mostrou poucos resultados. Por conta disso, a ideia de mudança de abordagem vem ganhando adeptos em vários países.

A última crítica ao modelo vigente veio nesta quinta-feira, 24, através de um grupo de ex-presidentes e empresários que divulgou um relatório chamado “Ending the War on Drugs” (“Finalizando a Guerra às Drogas”).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O documento reúne vários artigos sobre o tema publicados pelos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, César Gaviria, da Colômbia, Ernesto Zedillo, do México, Olusegun Obasanjo, da Nigéria e Ruth Dreifuss, da Suíça, além de um grupo de especialistas.

O empresário George Soros, que já financiou vários grupos pró-legalização, também participou do relatório. Todos eles condenam o que enxergam como uma derrota política, econômica e de saúde pública.

A divulgação do relatório tem como objetivo influenciar os diplomatas que no mês que vem se reunirão em Nova York para a próxima conferência especial da Assembleia Gera da ONU sobre o tema.

A última conferência ocorreu em 1998, com o slogan “Um Mundo Livre de Drogas”.

Apesar do estímulo a uma nova abordagem, a próxima conferência não gera muitas expectativas.

A mais recente conferência da Comissão de Narcóticos da ONU, encerrou na última terça-feira, 22, com um projeto de declaração que sequer critica o uso de pena de morte para crimes relacionados às drogas, algo que era o mínimo esperado por aqueles que advogam por mudanças.

Os argumentos usados pelos ex-presidentes conseguiram persuadir um considerável número de pessoas a repensar o assunto, incluindo os Estados Unidos.

O país, que antes liderava a guerra às drogas, legalizou o uso medicinal e recreativo da maconha em vários estados e atualmente metade da população americana defende essa ideia.

Porém, mudar a abordagem proibitiva determinada pela ONU requer o apoio de todos os 193 países-membros, muitos deles firmes na decisão de manter a política atual.

O mais provável é que a discussão da reunião do mês que vem seja superficial e leve a entender que as demais conferências não serão reformadas, mas sim ignoradas.
Fonte:Opinião&Notícia

FARCs: até o PSDB pede a intervenção de Lula

Ora, ora, ora! Quando eu penso que já vi e ouvi de tudo, os caciques que batem o bumbo nas tabas dos Tupiniquins, sempre surpreendem. Na maioria das vezes, pra pior. Em outras, o oportunismo ou simplesmente o interesse eleitoreiro chega às raias do surrealismo.
O Editor


Agora todos querem que Lula vá conversar com Chávez

Há pelo menos oito anos nossa mídia calhorda, em perfeita sintonia com os interesses estratégicos dos Estados Unidos, tenta demonizar Hugo Chávez.
Até certo ponto conseguiu, sendo certo que o presidente venezuelano é realmente uma figura difícil.
Mas não é só isso: durante este mesmo período jornalistas brasileiros pouco confiáveis e tucanos idiotizados por um neoliberalismo desvairado criticaram a amizade de Lula com o líder bolivariano.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O PSDB , pela voz de seus principais líderes, inclusive José Serra, tentaram torpedear o ingresso da Venezuela no MERCOSUL, ignorando a noção elementar de que este tratado de livre comércio é indissociável da UNASUL (União Sulamericana), assim como o Mercado Comum Europeu é indissociável e foi o embrião da União Européia.

Pois agora, a mídia e os tucanos, inclusive o senador Eduardo Azeredo, presidente da Comissão das Relações Exteriores do Senado, um dos maiores adversários do ingresso de Caracas no MERCOSUL, exigem que Lula se utiliza da amizade com Chávez para evitar um conflito com a Colômbia.

No mais, é preciso esclarecer que os gestos agressivos, tanto de Uribe quanto de Chávez,são apenas isto, gestos para o público interno.

E é a segunda vez que isto acontece em menos de 24 meses. Álvaro Uribe resolve endurecer, quando faltam dez dias para que ele deixe o poder.

E Chávez encontrou um bom pretexto para, ao lado de Maradona, melhorar sua posição nas eleições legislativas que se aproximam.

Assim, o rompimento de relações entre os dois países pode ser considerado uma farsa.

Por: Francisco Barreira
blog FatosNovos Novas Ideias

Cocaleiros ameaçam o Acre e Rondônia

Por Hiram Reis e Silva ¹

“Enquanto Lula fica se imiscuindo nos problemas da vizinha Colômbia, fazendo coro com o lunático do Chávez, vendo ameaça aonde não existe, dois Estados brasileiros correm grande perigo de fato com os projetos do índio cocaleiro, que afora estar usando da violência para expulsar agricultores brasileiros do território boliviano, está colocando em risco nossas fronteiras ao criar assentamentos para plantação de coca, o que irá incentivar ainda mais a violência e o crime na região. E Lula preocupado com Uribe”.

– Assentamento de Cocaleiros

Neste final de semana, aviões da Força Aérea Boliviana aterrissaram no Aeroporto Internacional de Pando, transportando centenas de cocaleros que ocuparão lotes de terras na fronteira do Acre. O projeto de reforma agrária de Evo Morales prevê o assentamento de quatro mil plantadores de coca nas áreas de fronteira, ocupando, numa fase inicial do projeto, cem mil hectares.

Os assentamentos na região da fronteira agravarão os ilícitos decorrentes da rota do tráfico internacional. Os cocaleros, certamente, irão incentivar o tráfico no território brasileiro, aumentando significativamente os índices de criminalidade.

– Nación Camba

A ‘Nación Camba’ é uma região da Bolívia Oriental que cobre dois terços do país e é formado pelos Estados de Santa Cruz, Beni, Pando, e Departamentos de Chuquisaca e de Tarija. Em pouco mais de um século a região se converteu na primeira potência econômica do país graças, sobretudo, à venda do gás e da soja. As características históricas e culturais singulares existentes entre o Altiplano boliviano e as Zonas Baixas deram origem a movimentos autonomistas e separatistas. Evo, ao deslocar seus simpatizantes antes das eleições para Pando, neutraliza as correntes políticas que lutam pela independência e procura garantir sua reeleição.

– Enfretamento

Morales afirma que seu projeto de assentamento visa a manutenção da soberania ameaçada pelos brasileiros, assumindo uma clara postura de quem não ficou satisfeito com a solução relativa à questão das refinarias da Petrobras e de quem contesta o Tratado de Petrópolis, que pos fim à Questão Acreana.

Numa verdadeira operação militar, os brasileiros estão sendo expulsos e os plantadores de coca ocupam, de imediato, terras que pertenciam a agricultores brasileiros.

“(…) Prado (deputado estadual do PSB) disse que está surpreso com a ONU, pois um de seus braços auxiliares, a Organização Internacional para Migrações (OIM), está atuando com truculência no deslocamento das famílias de brasileiros. Além disso, Prado quer saber o que está sendo feito com os dez milhões de dólares que o Governo brasileiro repassou à OIM e que deveriam custear o deslocamento das famílias. ‘Não estão indenizando ninguém e ainda extorquem e fazem ameaças’, acusa o deputado.

Segundo relato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Plácido de Castro, Francisco de Assis, quando alguém pergunta aos funcionários da OIM o que acontecerá, caso não queiram deixar suas terras, a resposta é a mesma: então podem ir preparando o peito para a bala.

‘Eles usam um uniforme com o emblema da OIM e são de cinco nacionalidades diferentes, mas não tem nenhum brasileiro’, informa Sebastião Vieira de Pinho, presidente da Associação dos Seringueiros de Plácido de Castro. Sebastião, 42 anos, mora desde os três em uma propriedade de mil hectares onde sobrevive do extrativismo de borracha e castanha. ‘Toda a produção de borracha de Plácido de Castro vem dos seringais da Bolívia’, explica. No ano passado, a associação, de 40 famílias, produziu 150 toneladas de borracha e 29 mil latas de castanha.

O vereador Raimundo Lacerda (PC do B) de Brasileia, também teme que os ânimos se exaltem nas colocações mais distantes por falta de comunicação. ‘Tem gente que passa seis meses sem vir à cidade e pode ser vítima de especuladores interessados em ficar com suas propriedades. Tem muitos falando que não vão sair. Além disso, a população de Brasileia está indignada e querendo expulsar os bolivianos. Aí vão médicos, dentistas, enfermeiros que trabalham lá’, disse”. (Arthur/Gabriela)

Enquanto isso, o governo ‘companheiro’ cede aos pedidos de Fernando Armindo Lugo de Méndez, do Paraguai, propondo a alteração de Tratado de Itaipu e sugere a ‘convocação’ do Presidente dos EUA para discutir o aumento da presença militar norte-americana na Colômbia. O governo parece estar mais preocupado com seus vizinhos do que com seus próprios cidadãos.

¹ Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Site:
http://www.amazoniaenossaselva.com.br

Só Chavez protesta?

O singular presidente Hugo Chavez prepara nova investida retórica contra a Colômbia, pelo fato daquele país haver permitido aos Estados Unidos implantarem em seu território mais quatro bases militares. Serão “marines” e paraquedistas aos montes, mais mísseis, tanques e toda a parafernália bélica da maior força armada do planeta. Sem falar na recém-criada Quarta Frota Naval patrulhando as costas da América do Sul, pouco inclinada a chegar perto do litoral africano.

Terá o presidente da Venezuela motivos para ficar temeroso, mas a pergunta que se faz é: “e nós?” Nós somos chefiados pelo “cara”, o presidente mais admirado por Barack Obama, alguém, tão confiável para os gringos a ponto de servir de exemplo para o resto do mundo.

Só que a Colômbia não faz fronteira apenas com a Venezuela. Está colada no Brasil em milhares de quilômetros de selva desabitada. E sem esquecer que a Quarta Frota poderá desestimular aventuras pouco claras do coronel Chavez, mas, também, navegar por cima das mais fabulosas reservas de petróleo descobertas no nosso pré-sal. Um pouco de atenção não faria mal ao ministro Nelson Jobim, até porque os submarinos a ser construídos na França levarão dez anos para cruzar o Atlântico, enquanto os caças franceses que vamos comprar não terão autonomia para voar de Paris até a Amazônia…

Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

Uribe. Um Cháves a menos

Com uma decisão sensata o Congresso da Colômbia rejeitou a segunda reeleição de Uribe. A praga do chavismo se alastra pela sofrida latinoamérica, já infelicitada por séculos de caudilhismo ladravaz. Os mais solertes protótipos de ditadores se escudam por trás de aparente respeito ao jogo democrático. Contudo, dormita em cada um desses pulhas, a vontade cubana de perpetuação no poder.

É preciso estar ‘atento e forte’, como na música “Divino Maravilhoso” de Gilberto Gil.

Projeto aprovado autoriza referendo sobre o tema, mas para 2014. Governo colombiano quer mudar texto no Senado.

A Câmara dos Deputados da Colômbia rejeitou ontem a possibilidade de segunda reeleição do presidente Álvaro Uribe em 2010, ao aprovar um projeto de lei que autoriza um referendo sobre segundas reeleições, mas somente a partir de 2014. O referendo também decidirá se Uribe poderá concorrer às eleições de 2014 após ficar quatro anos afastado do poder.

O projeto só foi aprovado depois que o governo, em um decreto de última hora na noite de terça-feira, convocou sessão extra do Parlamento para aquela madrugada, quando obteve os votos necessários. A estratégia do governo tem uma justificativa: o projeto que veta a segunda reeleição agora vai para o Senado, onde alguns dos defensores mais fiéis de Uribe tentarão modificar o texto para abrir uma porta para a reeleição em 2010. Se fosse arquivado, as chances do presidente seriam nulas.

– Um presidente com 70% de popularidade, apoiado por milhões de assinaturas pedindo sua reeleição, não pode ser subestimado. O núcleo de seus simpatizantes vai continuar procurando os canais que lhe permitam a reeleição em 2010 – disse o analista político Mauricio Romero, da Universidade Javeriana, em Bogotá

do O Globo

Ingrid Betancourt. Metamorfose milagrosa

Olhe essa.
Conforme escrevi em post anterior, não sou só eu que estranha a saudável aparência da ex-prisioneira das Farc.

A história ainda vai explicar essa estória.

De Hélio Fernandes – Tribuna da Imprensa

PS – Transformação mesmo foi a de Ingrid Betancourt. Em 2006 os vídeos mostravam uma mulher abatida e desesperançada. Agora, desceu do avião em plena forma, com as sobrancelhas aparadas e muito bem penteada. Há mais de 1 ano, o filho dizia que ela “duraria poucas horas, têm que SOLTÁ-LA ou ENTERRÁ-LA”.

PS 2 – Agora, suas primeiras palavras, políticas e eleitorais: “Uribe merece o TERCEIRO MANDATO. Não sei se serei candidata”. E todas aquelas doenças que haviam atacado Ingrid Betancourt, desapareceram? Se foi milagre devem comunicar ao papa. Se foi algum remédio maravilhoso, o certo é dividir a fórmula com as multidões que estão aplaudindo.

Álvaro Uribe. Mais um de olho num terceiro mandato

Após o rocambolesco resgate de Ingrid Betancourt — aliás, esperemos que a história explique direitinho essa estória. Não impressiona o ar de quem acabou de sair de um spa para quem passou 6 anos prisioneira na selva? — agora, é a vez do presidente colombiano sonhar com um terceiro mandato.

O relativismo da mídia, também espanta. Quando o maluquete das Caraíbas, Hugo Cháves, tentou um terceiro mandato, o mundo democrático desabou sobre o protótipo de ditador. Agora, manifesta a possibilidade de Álvaro Uribe, guindado ao panteão dos heróis andinos, almejar um inconstitucional terceiro mandato, poucos os jornalistas que abordam o assunto. Exceção, até agora, a jornalista Eliane Catanhêde na Folha de S.Paulo.

Los hermanos
De Eliane Cantanhêde:

O venezuelano Hugo Chávez acaba de fazer elogios públicos ao colombiano Álvaro Uribe, a quem chamou de “irmão”. Irmãos eles não são; são frente e verso. Tão diferentes, tão parecidos. Chávez, pró-Cuba, anti-Washington, interlocutor das Farc. Uribe, pró-Washington, anti-Cuba, o presidente que entra para a história por aniquilar as Farc moral, política e militarmente.

Chávez, esfuziante, ocupa as páginas internacionais, enquanto racha a sociedade venezuelana ao meio. Uribe é o oposto: opaco, tem espaços modestos na mídia e isolou-se ao apostar todas as fichas nos EUA e violar o território do Equador contra as Farc. Mas, se Chávez divide, ele uniu a Colômbia como nunca se viu.

Derrotado por unanimidade na OEA (Organização dos Estados Americanos) pela ousada operação no Equador, Uribe teve uma reação de “bom cabrito não berra”: calmo, conformado. Hoje se sabe por quê: a invasão foi um risco calculado. A perda externa seria fartamente compensada internamente. Como foi. Chegou a mais de 80% de aprovação e, com o resgate de Ingrid Betancourt, pode chegar aos 90%.

O mundo inteiro, e as Américas em particular, rechaçaram a tentativa (afinal malsucedida) de Chávez de se eternizar no poder. Mas já pipocam apoios aos esforços do vizinho Uribe para mudar mais uma vez a Constituição e desfrutar um terceiro mandato.

Chávez não podia, Uribe pode. E os princípios democráticos? A alternância de poder? Apliquem-se a um, deixem o outro em paz?

Terceiro mandato. A reeleição de Lula tá se formando na Colômbia de Uribe por conta do Tio Sam

Nem só de Cháves vive a ameaça à democracia na, quase sempre, caudilhesca e infelicitada América Latina.

Agora, sob as bençãos do grande chefe do norte, a politicalha colombiana prepara um golpe constitucional para dar ao Presidente Uribe um terceiro mandato.

Na enxurrada de demo-dólares na Colômbia, quem escapa do demo-tráfico de Uribe cai no narco-tráfico da guerrilha.
Do blog do Campello

Se Lula quiser a reeleição poderá ter o voto de mais três Senadores para mudar a Constituição.

Pelos discursos de apoio à política do Presidente Álvaro Uribe, mamulengo dos Estados Unidos, na Colômbia , e também pelos discursos de apoio de à “Democracia” instalada de cima para baixo naquele país, certamente Heráclito Fortes, do PFL do Piauí, José Agripino Maia, do PFL do Rio Grande do Norte e Arthur Virgílio Neto, do PSDB do Amazonas, votarão com a Emenda Constitucional que permite a reeleição infinita.

Com orientação e apoio total do Governo Bush, que impõe (?) a “Democracia Americana” na Colômbia, a Assembléia Nacional daquele país se prepara para alterar a Constituição e conceder um 3º mandato a Uribe. Álvaro Uribe teve suas duas primeiras eleições sob suspeita de fraude, com vitórias apertadas. Mas nossos Senadores atestam que ele é um democrata, e que o regime daquele país é uma democracia. Terceiro mandato portanto é democracia. Por coerência de princípios deverão apoiar também, aqui, no Brasil, essa novidade “democrática”.

Em tempo. O Senador José Sarney, PMDB do Amapá, aquele que luta para ter um Maranhão bem grande só para sí, também faz discursos inflamados em favor de Uribe e diz que 3º mandato só não presta se for para Hugo Chavez, da Venezuela. Na Colômbia pode.

Gabriel Garcia Marques – Reflexões na tarde

Citações
Garcia Marques¹

– Te amo não por quem tu és, se não por quem sou quando estou contigo.

– Nenhuma pessoa merece tuas lágrimas, e quem as mereça não te farão chorar.

– Só porque alguém não te ama como tu desejas, não significa que não te ame com todo seu ser.

– Um verdadeiro amigo é quem te pega da mão e te toca o coração.

– A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca o poderás ter.

– Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estejas triste porque nunca sabes quem poderá enamorar-se de teu sorriso.

– Podes ser somente uma pessoa para o mundo, mas para alguma pessoa tu és o mundo.

– Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo.

– Quem sabe Deus queira que conheças muita gente enganada antes de que conheças à pessoa adequada, para que quando no fim a conheças , saibas estar agradecido.

– Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.

– Sempre haverá gente que te machuque, assim, o que tens de fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso com em quem confias duas vezes.

– Converte-te em uma melhor pessoa e assegura-te de saber quem és antes de conhecer mais alguém e esperar que essa pessoa saiba quem és.

– Não te esforces tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperas.

¹Gabriel José Garcia Marques
* Aracataca, Colômbia – 06 Março 1928 d.C
Prêmio Nobel de Literatura 1982
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