51 anos sem Constituição soberana, ditadura da Globo e outras mídias continua

Completamos 51 anos sem uma Constituição Soberana fruto de uma Assembléia Nacional Constituinte Soberana e Independente elaborada apenas por Constituintes preparados e não por políticos e partidos ou deputados e senadores como foi a atual congressual e golpista.

Constituição Federal,Blog do Mesquita

Numa Constituinte Soberana e Independente o povo elege constituintes somente para elaborar a nova Constituição e depois convoca-se eleições gerais e ela é dissolvida (sem político profissional e vigarista no meio e apenas cidadãos de bem).

Mas logo após o afastamento dos militares articulado pelas mesmas elites que articularam o golpe de 64 depondo Jango da linha do trabalhismo e de Getúlio Vargas e Brizola, engavetaram as eleições diretas e uma Constituinte Soberana e Independente.

Fabricaram o colégio eleitoral e elegeram Tancredo mas este morreu muito antes da sua posse e cinicamente foram em frente e deram posse ao vice, Sarney, presidente da Arena, o partido do regime militar, sem que o titular tivesse tomado posse, em mais um golpe contra a democracia.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

E quem comandou todo o processo desde o regime militar senão a Globo e as mídias atuais todas fazendo enorme lavagem cerebral no povo levando todos a acreditarem que de fato tínhamos entrado na democracia…para inglês ver apenas.

A choradeira durante a doença e morte e enterro do Tancredo foi a prova da manipulação para tapear ou iludir os brasileiros quanto as armações golpistas sendo preparadas a cada etapa desde que os militares foram botinados pelas elites corruptas de 515 anos no poder, e suas mídias amestradas.

E botinaram os militares devido ao nacionalismo e maior respeito pela legislação trabalhista e queriam a farra ou zona que tem ocorrido nos últimos trinta anos com enorme rotatividade da mão de obra, terceirização, privatização, e agora tentam até regular a terceirização acabando de detonar a CLT trabalhista de Getúlio Vargas, Jango e Brizola.

Em seguida tiraram outro coelho da cartola e bolaram a famigerada constituinte congressual a ser rascunhada por deputados e senadores e não por Constituintes Soberanos e Independentes ou sem deixar o Congresso que vinha desde o regime militar controlando tudo e dando continuidade ao mesmo regime.

Significa que praticamente os mesmos do congresso do regime militar continuaram o mesmo regime rascunhando a constituição atual enquanto deputados e senadores ou legisladores ordinários, das leis comuns.

A função do legislativo ou do Congresso com deputados e senadores seria apenas legislar as leis comuns, ordinárias, abaixo da lei maior que é a Constituição, o norte, o rumo, a bússola da nação, a carta ou lei maior, mas eles enquanto legislavam ordinariamente também deram uma de constituintes e rascunharam a lei maior e acima de todas, misturando alhos com bugalhos gerando a enorme e grave crise atual.

Como puderam elaborarem ao mesmo tempo a lei maior e acima de todas e as leis comuns ou ordinárias, abaixo da Constituição, na maior cara de pau?

Quem deveria ter elaborado a lei maior ou Constituição seria apenas os Constituintes Soberanos e Independentes eleitos para elaborarem a lei maior e acima das demais, acima dos legisladores ordinários ou do Congresso.

E deputados e senadores desta constituinte congressual foram eleitos na esteira do sucesso popular do plano cruzado do governo Sarney, congelando os preços, mas que durou somente mais seis dias após as eleições em mais um golpe contra o povo e a democracia, e as eleição deveria ter sido anuladas pois foi uma farsa ou fraude.

E tais armações golpistas e picaretas somente foram possíveis graças as elites corruptas e a Globo e as mídias traindo a nação e a democracia.

As elites corruptas dispensaram os militares, os tanques, depois que não precisavam mais deles, pois já tinham a GLOBO e as mídias adestradas.

E rascunharam a constituição atual pensando somente neles mesmos, nos políticos e partidos, dando-se poderes para tudo, inclusive atribuindo-se salários, mordomias mil, aposentadorias, etc, como se fossem funcionários públicos, quando não passavam de meros representantes do povo.

E pior ainda chegaram ao cúmulo de se darem poderes até para derrubarem presidentes eleitos pelo povo violando a regra básica da república quanto a inter dependência entre os 3 poderes, executivo, legislativo e judiciário, que devem funcionar harmonicamente mas de forma independente ou sem estarem subordinados a um outro poder da república.

Com a constituição congressual atual significa que o legislativo colocou uma faca no pescoço do executivo como forma de fatiar, queimar, ameaçar, e até derrubar, se não abrir os cofres para os políticos do Congresso como foi o caso de Collor e agora da Dilma.

E mais uma vez a Globo e as mídias em geral fizeram lavagem cerebral no povo e foram coniventes com tais ações golpistas traindo a nação e a democracia.

 

Deixaram armados o dispositivo golpista para ser usado pelas mesmas elites corruptas no poder desde 64 ou desde sempre, e usaram para depor Collor somente para evitar que Brizola fosse o próximo presidente do Brasil, como teria sido, não fosse o golpe.

Depois das trapalhadas do plano Collor este fez acordo com Brizola para apoiá-lo na próxima eleição, querendo resgatar a imagem do trabalhismo do seu avô que foi ministro de Getúlio e seu nome consta inclusive da CLT atual, rompendo o isolamento de Brizola desde a volta do exílio e soltando dinheiro para a despoluição da baia da Guanabara, a construção da linha vermelha e assumiu a escola de tempo integral, o CIEPS, de Darcy Ribeiro e Brizola, a nível nacional.

Brizola sofria ataques cerrados da Globo e das mídias e era isolado pelos governos federais e os militares que lhe negaram até a sigla do velho PTB de Getúlio, Jango e Brizola, razão porque teve que criar o PDT que depois da sua morte desfigurou-se completamente, traindo Brizola e o trabalhismo histórico.

Não tinha como Brizola não ser eleito e Collor estava na metade do mandato que era ainda de 4 anos ou antes de FHC ter comprado a reeleição e torrado as empresas públicas nas privatizações ou privataria ou o maior desvio do dinheiro público já´visto na história mas abafado pelas mesmas elites e suas mídias e pela Globo.

Ainda assim o golpe somente foi possível graças a cumplicidade do PT e da esquerda brotada no asfalto do ABC e cuspindo na história ou em GETÚLIO VARGAS, JANGO E BRIZOLA e no trabalhismo.

Os dois lados golpistas traindo a nação e a democracia eram sociais democratas, ou ex-comunistas e socialistas…

FHC e o PSDB, e o PT e cia, e passaram a dividir o poder desde o golpe há 21 anos…

Embora fiquem aparentando serem diferentes ou um oposição ao outro, conquanto o PSDB certamente acabou tomando um rumo de extrema direita golpista ou neo liberal claro desde que chegou ao poder, traindo o povo e a democracia, graças a GLOBO e as mídias em geral.

E o PT tomou o rumo de direita quando chegou ao poder….

A GLOBO e as mídias das elites corruptas no poder desde o golpe de 64 fizeram o mesmo barulho que fazem agora para derrubar DILMA acusando COLLOR disto e daquilo, até de ler louco e cheirador de cocaína, mas COLLOR foi absorvido depois pelo STF por falta de provas…

Quando deveria ter sido reconduzido ao cargo e os que o acusaram sem provas serem punidos, incluindo a GLOBO e as mídias golpistas, inclusive com o fechamento.

Em 12 anos no poder o PT, embora se diga partidos dos trabalhadores, sequer mudou alguma coisa na estrutura sindical como comentamos em outro texto na Tribuna de Imprensa Online:

SINDICATOS, ENTIDADES DE CLASSE, VÁRIAS ONGS, ASSOCIAÇÕES E ATÉ PARTIDOS FUNCIONAM COMO IGREJAS… SEM DEMOCRACIA

Em resumo ainda não temos democracia efetiva e a ditadura ou o mesmo regime continua intacto há 51 anos graças a GLOBO e as mídias golpistas das mesmas elites corruptas de sempre traindo a nação e a democracia.

O único caminho a seguir em meio ao atoleiro social democrata em que entramos nos últimos 21 anos seria fechar todos os legislativos, inclusive este Congresso golpista, e convocar uma ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE SOBERANA E INDEPENDENTE, para elaborar uma nova Constituição legitima e democrática de fato.

Mas sem permitir que político ou partido algum do regime atual participe e isto dos últimos 20, 30 ou 50 anos, senão melariam tudo novamente.

E não deixar participar ninguém que tenha sido vereador, prefeito, deputado estadual, governador, deputado federal, senador e presidente.

Em resumo os candidatos a disputarem a eleição constituinte seriam independentes de partidos, e sem rádio e tv e sem dinheiro público ou privado, e gente preparada para este trabalho de elaborar uma nova constituição, talvez até exigindo curso superior ou então das áreas jurídicas.

Não convém vacilar ou brincar com algo sério e deixar qualquer um ser eleito para importante missão e acabar avacalhando como aconteceu quando rascunharam a constituição atual com o poder do dinheiro e cobertura da GLOBO e das mídias das elites corruptas desde sempre há 51 anos ou 515 anos.
João Luiz Garrucino/Tribuna da Imprensa

Mensalão, Lula e Dilma Rousseff

Roberto Gurgel Procurador Geral da República Blog do MesquitaImpressiona como, principalmente na imprensa, há sempre alguém querendo ensinar ao Lula como ele deve agir, e o que ele deve fazer.

O comentário é a propósito da notícia segundo a qual o Ministério Público irá apresentar finalmente a denúncia contra o ex-presidente Lula no chamado “Rosegate”.

O articulista autor da matéria no jornal, Newton Carlos, Tribuna da Imprensa, além de fazer a ilação que o fato seria do agrado da presidente Dilma Rousseff, põe-se a dar diretivas de como Lula deveria agir diante do fato político conseqüência da provável ação judicial.
O que espanta é que essas pessoas, e a mídia em geral, ficam silentes em relação às acusações que o senador Collor fez, e faz, ao Procurador Geral da República.

Em qualquer outro país a fala virulenta, e recheada de acusações cabeludas seria motivo permanente de pautas editoriais.


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Tópicos do dia – 14/08/2012

09:26:47
Julgamento do Mensalão: “Se fosse o Collor, estaria preso, mas no Lula não pega”.

Um abatido Roberto Jefferson, em seu apartamento, na Barra da Tijuca, fez esse comentário no momento em que seu advogado no caso do mensalão, Luiz Francisco Barbosa, disse que o ex-presidente Lula deveria estar entre os réus.
Apesar da aparente contradição entre a versão que sustentou durante sete anos – a de que Lula era inocente –, Jefferson mantém o discurso de que, em sua opinião, o petista não tinha conhecimento do mensalão.

12:17:44
Não escapa ninguém: Declarada inidônea empresa ligada ao PSDB

Em razão de “ações ilícitas”, a empresa Diana Paoluci S/A foi declarada inidônea pelos Correios e Telégrafos e proibida de participar de novas licitações na estatal. Essa e outras duas, Mercosul Comercial e Capricónio, controlam o milionário negócio de fornecimento de uniformes escolares ao governo paulista, que lhes rendeu mais de R$ 200 milhões, com evidências de superturamento, quando era secretário de Educação Alexandre Schneider, o “vice problema” de José Serra.

Máfia da Mooca
As empresas que monopolizam o fornecimento de uniformes ao governo são conhecidas no mercado como a “máfia da Mooca”.

Investigação
Reportagem de Claudio Dantas Sequeira, para a revista IstoÉ desta semana, revela que a Policia Federal investiga a Máfia da Mooca”.

Gastos elevados
Segundo as investigações, só um contrato com aval de Alexandre Schneider pode ter custado R$ 33,5 milhões a mais ao Estado.

Doações eleitorais
Consulta ao TSE revelou que sócios de empresas da “Máfia da Mooca” fizeram doações expressivas em dinheiro ao PSDB nacional.
coluna Claudio Humberto

15:39:53
Marconi Perillo: STJ autoriza diligências contra o governador de Goiás.

O ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, autorizou diligências do inquérito para apurar as relações do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), com o empresário Carlinhos Cachoeira. A decisão de Martins atende a solicitação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, baseando-se em gravações telefônicas feitas durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que investigou Cachoeira e esbarrou em suas relações com políticos. Perillo alega que ele pediu a investigação da Procuradoria e reafirma não ter relações com Cachoeira.

16:15:12
Lula mensalão e miragens.

Então fica acertado assim:
As pirâmides do Egito são uma miragem, o homem na Lua é truque que a Nasa encomendou a Hollywood, e o Lula não fazia a menor ideia que existia o mensalão.


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Collor volta a pedir convocação de Gurgel e diretor da Veja no caso Cachoeira

Senador Fernando Collor.

Em discurso no Plenário, nesta sexta-feira, o senador Fernando Collor (PTB-AL) pediu a aprovação de requerimentos de sua autoria que convocam o procurador-geral de República, Roberto Gurgel Santos, a subprocuradora-geral Cláudia Sampaio Marques, esposa de Gurgel, e o jornalista editor da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, para deporem na CPMI do Cachoeira.

A comissão se reúne na próxima terça-feira para votar requerimentos.

Collor também requer a convocação dos procuradores da República Daniel de Resende Salgado e Léa Batista de Oliveira; do presidente e editor do grupo Abril, Roberto Civita; e dos funcionários da revista Veja Lauro Jardim, Gustavo Ribeiro e Rodrigo Rangel.

O senador informou que os requerimentos foram apresentados no início das atividades da comissão e, para ele, não podem mais ter a votação adiada.

Na opinião de Fernando Collor, a CPMI não deve atuar com limitação de foco e investigar apenas alguns ramos da rede de relacionamento de Carlos Cachoeira.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O senador afirmou que as relações entre o contraventor com setores do Ministério Público e da imprensa são “mais perniciosas do que se imagina”.

Para ele, as investigações precisam atender aos interesses da sociedade e não aos de grupos midiáticos.

– Precisamos de uma verdade definitiva sobre todo esse conluio de autoridades e jornalistas que se emaranharam, que se mesclaram, que se misturaram com criminosos, tornando-se também criminosos.

E essa verdade, essa rede completa de intrigas e crimes, somente virá à tona se a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito for capaz de ampliar seus horizontes de investigação, começando por ter a coragem, sem medo, de trazer o testemunho pessoal e as informações de que dispõem os membros do Ministério Público, especialmente o de seu comandante, e os ditos servidores da revista Veja envolvidos em toda esta grande tramoia, que é a organização criminosa investigada – disse o senador.

Em aparte, a senadora Ana Amélia (PP-RS) ressaltou que a prática de alguns membros da Justiça e da imprensa não deve afetar a imagem dessas instituições.

Na avaliação dela, a imprensa e o Ministério Público contribuem para a consolidação da democracia no país.

– Casos isolados não podem contaminar e nem prejudicar a imagem de duas instituições que têm contribuído, sim, para o país evoluir, ampliar a democracia e consolidar os princípios democráticos: a instituição da imprensa, mídia de um modo geral, e o Ministério Público como instituição.

São dois pilares fundamentais para a democracia – observou Amélia.
Ag.Senado/Correio do Brasil

Brasil: miséria e despachantes de luxo

Helio Fernandes mostra como lobistas e despachantes de luxo perpetuam a miséria do povo.

Por sugestão do comentarista Carlos Cazé, que enviou o texto, e por cortesia da comentarista Viviane Ramos, que digitou a matéria, vamos republicar hoje mais um memorável artigo de Helio Fernandes, publicado em 1995, no tempo da Tribuna da Imprensa, quando Fernando Henrique Cardoso ainda estava na Presidência, antes da privatização da Vale.
Notem que o artigo continua atual.

Matérias de denúncias como esta demonstram por que Helio Fernandes é considerado o maior jornalista do país. Puxa, que falta ele nos faz!

O PARADOXO DO BELÍNDIA
Helio Fernandes

O paradoxo da Belíndia (país riquíssimo em minérios e terras férteis, ondem vivem alguns “bolsões” e milionários, cercados por um povo paupérrimo e faminto) se explica pela perversa transferência de renda, das atividades diretamente produtivas, que criam empregos e pagam salários a milhares de trabalhadores, como a agricultura e a indústria, para os setores intermediários não produtivos, como bancos, corretoras, “promoters”, e especuladores de toda ordem. Essa transferência de renda se processa por meio dos mecanismos de rolagem das “dívidas” externa e interna.

Sobre a “dívida externa”, já escrevi dezenas de artigos, demonstrando sua ilegitimidade, principalmente pelo fato de ter sido contraída por governos desprovidos de mandato constitucional. E por suas dimensões, que chegaram a níveis absurdos, por força de juros flutuantes, que podiam ser elevados ao bel-prazer dos “banqueiros-exploradores”.

Só durante o “Governo” Sarney, pagamos mais de 100 bilhões de dólares, a título de juros dessa “dívida”. Não obstante, no mesmo período, a “dívida” subiu de 110, para 130 bilhões de dólares. Atualmente (em 1995), estamos pagando, anualmente, mais de 13 bilhões de dólares só de juros da “dívida externa”. Apesar de FHC e Malan (então, respectivamente, ministro da Fazenda e presidente do Banco Central) terem, na campanha, enganado os eleitores, com declarações de que “a dívida tinha sido renegociada em condições vantajosíssimas para o Brasil” e que “nos próximos anos, não pagaremos nada”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Quanto à chamada “dívida interna”, sua rolagem é uma das mais monstruosas injustiças sociais de que se tem notícia, em qualquer época e em qualquer país. Trata-se do “refinanciamento” de “dívidas” contraídas por governantes corruptos, em geral para construir obras superorçadas, quase sempre prematuras, quando não totalmente supérfluas ou desnecessárias. E o pior é que esse “refinanciamento” é feito a juros extorsivos, que nunca encontraram paralelo em parte alguma.

Usando os mais cínicos argumentos, os ministros da Fazenda, presidentes do Banco Central e demais autoridades da área econômica, defendem os juros extorsivos, como “instrumento essencial para manter a inflação “sob controle”. Falam também que “precisam dos juros altos para INIBIR o consumo”. Mistificam a opinião pública, cometem crime de traição, pois o mercado consumidor interno é a melhor e a mais eficiente forma de desenvolvimento. Nenhum país pode crescer sem ter um poderoso mercado consumidor interno.

Não precisamos recuar muito no tempo para encontrar três notórios “ministros da Fazenda”, rigorosamente engajados com os interesses de seus patrões, banqueiros ou empreiteiros.

1º – Maílson “Simbrega” da Nóbrega. Passou toda a sua “gestão” no Ministério da Fazenda, como teleguiado da FIESP e da Febraban. Graças a isso, conquistou prestígio junto ao “empresariado-de-papel”, que vive de privilégios do Banco Central, do BNDES e do Banco do Brasil. Quando saiu do “Governo” Sarney, abriu um escritório de “consultoria” em São Paulo, que, na verdade, é um escritório de lobby e informações governamentais privilegiadas, que vai indo muito bem. E irá ainda melhor quando seu sócio, Gustavo Loyola, começar a dar as cartas no Banco Central.

2º – Marcílio Marques Moreira da Silva, que toda vida foi “assessor-carregador-de-pasta” de Walter Moreira Salles. Esse tinha muito prestígio com Tancredo. Graças a isso, Marcílio foi nomeado “embaixador” em Washington e depois “ministro” da Fazenda. Agora ele é “abridor-de-portas” da corretora Merril-Lynch no Brasil. E quer “privatizar-doar” a Vale do Rio Doce e a Petrobras, para que seus patrões o mantenham no cargo.

3º – Eliseu Rezende, que, depois de ter sido diretor geral do DNER (no tempo de Andreazza, lembram-se?), e “ministro” dos Transportes do General Figueiredo, passou a ser “alto executivo” do Grupo Odebrecht. Nessa função, “ajudou” muito a campanha de Collor em Minas Gerais. Essa ajuda serviu também para eleger o vice-presidente Itamar Franco. O qual, como homem honrado e leal que é, ao assumir a Presidência, viu-se quase na obrigação de retribuir-lhe a ajuda. E convidou-o para o Ministério da Fazenda. Mas, justamente por ser honrado, demitiu-o poucos meses depois, quando ficaram claras as ligações do “ministro” com a Odebrecht. De volta ao setor privado, Eliseu agora trabalha 24 horas por dia pelas “privatizações-doações”.

Em suma: a chave do que se chama de Belíndia é essa ligação permanente dos homens da área econômica, que ficam pulando do governo para a iniciativa privada, da iniciativa privada para os governos.

SERVINDO A UM LADO E AO OUTRO

Examinem a lista abaixo, e constatem a “alternância” de todos de um lado para o outro.

1 – Elmo de Araújo Camões – É o exemplo clássico de relação promíscua entre o Banco Central (BC) e o setor privado. Quando as bolsas estouraram, em 1989, por conta do Caso Nahas, sua distribuidora, a Capitânea, era o pivô do escândalo. Ele era presidente do BC e amigo do então presidente da República, José Sarney.

2 – Keyler Carvalho Rocha – Era diretor do BC na gestão de Camões. A CVM chegou a investigar suas operações.

3 – José Luiz Miranda – Foi para o Banco Interatlântico, depois de sair do BC.

4 – Alkimar Moura – Deixou a Diretoria da Dívida Pública para dirigir uma distribuidora, ligada ao grupo Pirelli. Volta ao banco, em 1993, ocupando a mesma função.

5 – Claudio Haddad – Virou sócio do Banco Garantia, cujo grupo controla a Brahma e a Lojas Americanas.

6 – Carlos Brandão – Integrante do conselho de administração do Banco Econômico.

7 – Fernão Bracher – Dono do Banco BBA.

8 – Luiz Carlos Mendonça de Barros – Foi diretor no Plano Cruzado, em 1986. É sócio do Banco Matrix.

9 – Pérsio Arida – Também foi diretor durante o Cruzado. De lá rumou ao Unibanco. É presidente demissionário do BC.

10 – Geraldo Langoni – Foi presidente do Banco Central. Atualmente é diretor do Instituto de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas. Usa o prestígio da Instituição para atuar como “promoter” do Grupo Rotschild, um dos maiores exploradores do Brasil em todos os tempos. É um dos maiores defensores da “privatização-doação”.

11 – André Lara Resende – É sócio do Banco Matrix, que teve um bom desempenho em 1994. O Banco Matrix teve um lucro de 100 milhões de dólares, em 1994.

12 – Antônio Carlos Lemgruber – É diretor do Banco Liberal. Presidiu o BC no início do governo Sarney.

13 – José Julio Senna – É diretor do Banco Graphus, depois de passagens pelo Boavista e pelo Banco da Bahia.

14 – Roberto Castelo Branco – Trabalha no Interatlântico.

15 – Luís Eduardo de Assis – Da diretoria de Política Monetária, no governo Collor, pulou para o Citibank, o maior credor externo do país.

16 – Pedro Bodin – Largou o governo para aterrissar no Icatu, da família Almeida Braga.

17 – Francisco Pinto – Foi executivo do Banco da Bahia de Investimentos.

18 – Armínio Fraga Neto – É um dos mais influentes executivos do especulador húngaro Georges Soros. Ganhou o emprego após ser diretor da Área Internacional do BC. Já trabalhou no Garantia e na corretora americana Salomon Brothers. Está cotadíssimo para retornar ao governo.

19 – Francisco Gros – Deixou a presidência do BC para ser executivo do banco americano Morgan Stanley. Antes, vendeu suas ações no Banco BFC. O Morgan Stanley é um dos maiores interessados nas “privatizações-doações”. Trabalhou com o gângster Sami Khon e foi pela segunda vez presidente do Banco Central.

Privataria Tucana: análise inicial do livro contesta sua relevância

O comentarista Mario Assis nos envia este artigo de Luiz Borges sobre o livro “Privataria Tucana”, que tanta emoção tem causado nos últimos dias, motivando inclusive a convocação de uma CPI na Câmara dos Deputados.
Tribuna da Imprensa/Luiz Ferreira Borges ¹

O livro tem 340 páginas e somente 13 folhas sobre os processos de Desestatização (que segue tendo aplicação até hoje), confundidos com a privatização brasileira dos anos 1990, envolvendo os governos Collor, Itamar e Fernando Henrique Cardoso.

O autor trata, como parte de seu tema, privatizações realizadas por governos do PDT (Eselsa), do PMDB (CSN) entre outros.

O autor, embora alegue dez anos de pesquisa, não fez qualquer trabalho dessa natureza nos arquivos do Programa Nacional de Desestatização – PND existentes no BNDES e cita o nome só de membros de sua alta administração, sem nenhuma acusação fundamentada.

Teria sido fácil entrevistar pelo menos um dos mais de cem técnicos envolvidos com o processo no BNDES, nos bancos estaduais, no CADE e em outros órgãos do Estado ligados à gestão do programa.

O autor não cita uma só vez nada das sete toneladas de documentos que foram enviadas à CPMI da Privatização realizada no Congresso Nacional durante o Governo Fernando Henrique Cardoso.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Também não leva em conta a existência de aprovações de contas do programa pelo TCU ou os inquéritos arquivados que foram abertos pela Polícia Federal.

Não há qualquer extrato dos milhares de processos judiciais movidos contra o PND.

Também foram ignoradas as legislações federal, estadual e municipal aprovadas para dar sustentação à gestão do PND.

Exceto duas obras citadas em pé de página, não houve a preocupação de consulta bibliográfica aos milhares de livros, monografias, artigos e comentários feitos na Academia sobre o tema, no Brasil e no exterior.

Aliás, o livro não traz bibliografia consultada ou indicações de acesso à internet.

As 50 indicações de pé de página usam jornais cinco vezes, revistas semanais dez vezes, livros duas vezes, internet duas vezes e transcrições de autos duas vezes (não relacionados ao PND).

O autor também não se deu ao trabalho de ler as prestações de contas feitas à sociedade pelo BNDES sobre o PND e, especificamente, sobre os processos de venda citados.

As demonstrações financeiras das empresas desestatizadas também não foram utilizadas para qualquer referência sistemática no texto do livro.

O livro trata de outros assuntos, com diferentes graus de profundidade, como a família do então ministro José Serra, o próprio Amaury Ribeiro Junior (que se cita em diversos pés de página), o banco Opportunity e os seus controladores, o Banestado, o traficante João Arcanjo, o senhor Marcus Valério, a família Maluf, o caso Baumgarten, as brigas internas de PSDB e PT, inclusive quanto ao uso do aparelho do Estado, a operação Satiagraha da Polícia Federal, a descrição dos instrumentos sobre lavagem de dinheiro, o caso INSS versus Jorgina Freitas entre inúmeros outros.

Os três capítulos que tratam da Privatização serão analisados de forma mais detalhada, mas não encontrei mais do que opiniões ou ilações mal costuradas.

Minha conclusão é de que, pela sua irrelevância para a história do BNDES, o livro Privataria Tucana não traz nenhuma acusação que mereça ser oficialmente rebatida pela APA, embora possa pensar em ações em caráter pessoal para questioná-lo sobre esses pontos.

Nesse sentido pergunto se algum dos colegas foi procurado pelo autor na montagem de sua obra?

¹ Luiz Borges é ex-funcionário do BNDES e passou o dia do Natal analisando o livro.