“E assim acaba o mundo…”

“… não com uma explosão, mas com um gemido”, concluía T. S. Eliot, em The Hollow Men .

Uma pandemia não é menos destrutiva que uma guerra. Pode, no entanto, ser desqualificada, total ou parcialmente. Sejamos claros: em nenhum momento a COVID-19 assolou o Brasil como agora. Crescem as internações e mortes. Disseminam-se variantes virais, provavelmente mais transmissíveis e talvez causando doença mais grave. Pior: é possível que essas variantes escapem à imunidade conferida pelas vacinas.

Que essa não é uma situação sem esperança demonstram os exemplos da Nova Zelândia, Alemanha e Espanha. E o movimento coerente (ainda que tardio) do município de Araraquara, no interior paulista. Porém vivemos uma epidemia de cegueira que ultrapassa as previsões de Saramago. O pacto coletivo de autoengano consistia em negar o que ocorre na Europa. Agora se estende a ignorar o colapso da cidade vizinha.

Como entender que Araraquara e Jaú estejam em lockdown enquanto Bauru, a 55Km da última, faz passeatas pelo direito de aglomeração? Sem dúvida esse é um caso para análise em antropologia e ciências do comportamento. Não que se menosprezem os danos econômicos, sociais e psicológicos do distanciamento. Mas na emergência da saúde pública, o valor intrínseco da vida deve ser reforçado. Não sabemos tudo, mas já acumulamos fortes evidências. As “medidas não farmacêuticas”, incluindo distanciamento social por fechamento de comércio, inibição de aglomerações e uso rigoroso de máscaras são o único (amargo) caminho para interromper a progressão da COVID-19.

Não conseguiremos vacinar a tempo. É possível que o vírus se antecipe à vacina, com suas mutações de escape. A transmissão do coronavírus gera oportunidades para surgimento de variantes. É urgente, pois, interrompê-la. Mas se continuarmos a pensar que Araraquara e Jaú são longínquas ilhas do Pacífico marcharemos rapidamente para o colapso da saúde. Não no Estado de São Paulo, mas no país.

Passamos pela fase da ilusão de “enterros falsos”. Muitos de nós já tiveram vítimas fatais na família. Também já estão soterradas as pílulas milagrosas, cloroquina, ivermectina e nitazoxanida. Os antivirais com resultados promissores são novos, caros, inacessíveis. O prefeito de Araraquara já menciona dificuldade em conseguir oxigênio. O caos está aqui, está em todo lugar.

Pesa sobre nós uma escolha. De um lado temos o darwinismo social, em que aceitaremos a morte de centenas de milhares como uma pequena inconveniência suportada em nome da economia. Do outro, a chance de aprender com as lições positivas e negativas de outros países. Como bom exemplo, temos a Nova Zelândia. No extremo oposto, os Estados Unidos. Ainda há tempo para deixarmos de bater continência a réplicas da Estátua da Liberdade e reconhecermos que Trump levou seu país ao fundo do poço da saúde pública.

Não será o fim do mundo, mas já é uma catástrofe sem precedentes. Silenciosa, exceto pelos ruídos de ambulâncias e ventiladores mecânicos, quando existem. Ou pelos gemidos daqueles a quem falta o ar. Uma agonia tão intensa e destrutiva quanto bombardeios.

Manipular politicamente o boicote às medidas óbvias de contenção da COVID-19 foi a receita para o caos, tanto nos Estados Unidos quanto no Amazonas. Não é muito desejar que aprendamos com nossos erros. “O que a vida quer da gente”, diria Guimarães Rosa, “é coragem”.

Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza , Professor Associado da Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (UNESP). Presidente Eleito da Sociedade Paulista de Infectologia, diretor da International Federation of Infection Control (IFIC) .
Luís Fernando Aranha Camargo , Professor Adjunto de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Dimas Tadeu Covas , Professor Titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP). Diretor do Instituto Butantan.
Marcos Boulos , Professor Titular aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)
Rodrigo Nogueira Angerami , Médico infectologista, Coordenador do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Hospital de Clínicas, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Coordenador Nacional do Program for Monitoring Emerging Diseases (ProMED) da International Society of Infectious Diseases .
Benedito Antônio Lopes da Fonseca , Professor associado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP)
Eduardo Massad , Professor Titular da Fundação Getúlio Vargas- RJ, Professor Titular Aposentado da Universidade de São Paulo, Professor Honorário da London School of Hygiene and Tropical Medicine.
Francisco Coutinho , Professor Senior do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina de Universidade de São Paulo (USP)
Gonzalo Vecina , Professor da Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo (USP)

Fatos & Fotos – 16/02/2021

Não há como derrotar Bolsonaro sem construir uma nova maioria. Ela será heterogênea ou não será maioria. Sendo heterogênea, nela haverá gente que pensa de modo diferente de você. Muito diferente, inclusive. Do contrário Bolsonaro se perpetuará no poder. Frente ampla é isso


Governo diz que gasto de R$ 1,8 bi com comida inclui Ministério da Defesa — as tropas. Ok. Os R$ 18,3 milhões gastos com sal compram 8.618.704 quilos do produto. 8.614 toneladas por ano. Gasto de 23,6 toneladas por dia. R$ 2,203 milhões com chicletes compram mais de 4,4 milhões


A explicação do Eduardo Bolsonaro sobre a compra do leite condensado é tão, mas tão sem sentido que agora eu tenho certeza absoluta que tem alguma coisa de errado aí.


Está explicado porque a mídia tradicional esconde o escândalo das toneladas de cravo da índia superfaturadas, porque quem autorizou a compra foi o Ministério da Economia, ou seja, está na conta do Paulo Guedes.


8 anos de boateKiss;
5 anos de Mariana;
3 anos de Mariele;
2 anos de Brumadinho.
Todos seguem sem julgamento… E esses são apenas alguns..


O capitalismo descarta pessoas que n conseguem mais gerar lucro. Faz com que idosos se sintam um peso, um fardo e a expectativa de vida subir se torna mais um motivo de angústia do que de comemoração. Isso aqui não é motivacional e nem inspirador. Isso aqui é a barbarie


Escrúpulos? Não bastasse o engulho da cloroquina, Bolsonaro vai enviar comitiva a Israel para comprar spray nasal anticovid. Mas a mãe dele ele já vacinou.


Xilogravura de Clement Schoevaert


Porque eu não aguento mais: – Gente que mal sabe soletrar o próprio nome questionando fatos científicos; – Gente que se comporta como se estivéssemos no século 12; – Gente que acha que a ciência é uma grande conspiração.



Gilmar Mendes diz que Lava Jato corrompeu a democracia ao agir contra o PT para eleger Jair Bolsonaro


Sempre que um picareta disser que o certo é tirar de circulação veículos de imprensa de que não gosta e que não o faz por ser democrata, saiba de algo: não faz porque não consegue. É por falta de poder mesmo, não por amor à democracia. Nada irrita mais um tirano que limites.


Paul Gauguin – Flowers & Idol – s/d


No dia de hoje, mas em 1945, a ONU estabeleceu o Tribunal Internacional de La Haya. Também chamado de Corte Internacional de Justiça, esse é o principal órgão judicial das Nações Unidas. Suas funções principais são a resolução de disputas submetidas pelos Estados e a emissão de sentenças ou opiniões consultivas em resposta a questões jurídicas apresentadas pela Assembleia Geral ou pelo Conselho de Segurança.
Ps. Será que algum dia veremos o genocida Tapuia, e gangue, por lá no banco dos reus?


Privatização do Banco Central vai aumentar privilégios dos banqueiros e sacrificar os mais pobres. Reforma administrativa aumenta privilégios dos marajás e aparelha o Estado cOM apadrinhados sem concurso


Pintura de Zhiyong Jing


“A flexibilização na política de armas institucionaliza a falta de fiscalização e os efeitos serão sentidos quando entrarem via mercado legal para as mãos de criminosos”.
Observação é de Ivan Contente Marques, advogado integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Não à toa, o Legislativo reage à aventura da irresponsabilidade do Executivo.


Negacionista para ferrar os outros: filha de Olavo de Carvalho diz que ele vai tomar vacina contra Covid-19.
Esse escr*oto é a mais perfeita imagem da ectrema direita “civilizada”.


Livro do ex-comandante do Exército ilustra de modo preocupante crescente partidarização dos militares brasileiros ao longo dos últimos anos. Impressiona a radicalização ideológica do general, tido como moderado por seus pares. Há trechos dignos de teorias conspiratórias.


Até as emas dos jardins milicianos de Brasília sabiam que o golpe de marketing do governo com as vacinas não passava de espetáculo fake e não havia, nem há vacinas para imunizar o povo. Como teríamos vacina, se o governo sabotou a compra permanentemente e investiu em cloroquina?



Foto do dia

Flickr


Bolsonaro amplia porte de armas para suas milícias. As Forças Armadas se calam apesar de tema de segurança nacional. O STF se cala. O Congresso endossa. A mídia minimiza para não atrasar os negócios da privatização E os idiotas da objetividade dizem que as instituições funcionam.


O executivo federal do Brasil distópico gastou de leite condensado em um ano (R$ 15 milhões) quase o mesmo que está previsto como orçamento integral de fomento para a principal agência de apoio à pesquisa científica do país, o CNPq. Já pensaram nisso?


Pintura de Karolina Kurkova


Lembram o começo da pandemia, quando a maioria tinha medo de pegar covid porque o número de mortes era alto? Pois bem, agora estamos piores. Média diária de 1105 mortes, a pior da pandemia. Só q agora banalizamos as mortes e perdemos o medo. Duas coisas que, somadas, agravarão a situação.


Nem em bordel é assim! E depois de tudo, o ex-Ministro Moro tornar-se advogado e sócio-diretor da Alvarez & Marsal, consultoria norte-americana responsável pela recuperação judicial da Odebrecht, da Queiroz Galvão e de outras empresas que foram devassadas pelas mãos do ex-juiz Sérgio Moro.

Fatos & Fotos – 12/02/2021

A paixão como ofício
José Mesquita

No espaço finito do espanto
Descoberto no brilho do olhar,
A paixão não exige o absoluto.
Contenta-se com a incredulidade.

Aprisiona o espaço, subverte
o tempo a uma monumentalidade
totêmica. Reinventa a palavra
que afaga e consola cansaços.

Não existirão vastidões
bastantes que impeçam
a travessia dos desejos,

nem tangenciam esquinas
que desviem de sua pele
as veredas da minha paixão.



Bolsonaro diz que também quer acesso a conversas hackeadas da Lava-Jato.
Se ele não faz parte do processo, porque o tribunal liberaria o acesso às mensagens?
O que ele quer provar? Do que ele tem medo? Fiquemos de olho


Estudo revela que Trump foi responsável pelo grande número de mortes pela Covid-19 nos EUA

O estudo publicado pela revista The Lancet, uma das publicações científicas de maior renome no mundo, cita “uma lista assustadora” de políticas que levaram ao aumento astronômico de mortes. Entre estes fatores estão o desmonte da saúde pública, o racismo e a desigualdade social


O Twitter suspendeu ontem a conta “Médicos pela Liberdade” que propagava fake news sobre a Covid-19. A conta já tinha 60 mil seguidores e postava informações falsas sobre medicamentos, isolamento e sobre vacinas.


Ex-Libris


O ex-libris é uma espécie de gravura inserida geralmente nas primeiras folhas de um livro ou na contracapa, contendo o nome ou as iniciais do proprietário e podendo, através de uma imagem ou texto, indicar sua profissão, seus gostos, seu ideário. Por meio do ex-libris é que os bibliófilos, ou os leitores que prezam os seus livros e se orgulham da sua biblioteca, costumam personalizar cada um dos seus volumes. Daí, justamente, a origem do nome: em latim, ex libris significa “dentre os livros de”, “da biblioteca de”. A expressão – às vezes também se usava ex dono ou ex biblioteca – inscrita no corpo da obra seguida do nome do proprietário, indicava a sua proveniência.


Senadora Soraya qualquer coisa, do PSL pede fim de discriminação contra brancos. Uáu! Que coisa, né? Um país onde homens brancos e ricos,coitados, não têm um minuto de sossego.Não é mesmo?


O dia está cinzento, a chuva não para de cair e mesmo assim eu tenho um sorriso para entregar ao mundo. Há muito tempo eu percebi que quem determina a felicidade de um dia são as pessoas. É cada um de nós. E talvez por isso a chuva não esteja me incomodando; talvez por isso eu continue sorrindo e com o coração cheio de alegria. O que de verdade me inquieta é desesperança e a negrura de algumas pessoas. Vamos viver este dia e aproveitar a chuva porque até ela pode representar prazer e bem-estar.
Aquarela de José Mesquita


No dia de hoje, mas em 1809, nascia – para desmontar os futuros criacionista – um dos cientistas mais importantes da história, Charles Darwin. O inglês estudou medicina, artes e religião seguindo os desejos de seu pai, mas só se interessou mesmo por botânica, entomologia – estudo de insetos – e geologia. Em 1831, Darwin partiu em uma expedição que mudou sua vida. Durante a viagem, ele percebeu semelhanças entre várias espécies em diferentes locais. Darwin passou a estudar a questão e publicou sua obra mais famosa, “A Origem das Espécies”, na qual apresentou sua teoria de seleção natural.


Governo Bolsonaro gasta 13 milhões com publicidade de remédios ineficazes contra a Covid-19,
Maior contrato firmado por agência foi com a TV Record. O governo confirma valores.
O nome dessa excrescência é improbidade administrativa.


Essa vai para a conta do genocida.

Encalhe de cloroquina é superior a 1,8 milhões de comprimidos.
O inferno o aguarda e satanás sem K&Y na ponta do tridente. Mas laboratórios do Exército deixaram faltar outro medicamento, imunossupressor, cuja escassez pode matar transplantados. Estoque de vacina dá para apenas mais uma semana. Idiotia fascista negacionista custa milhares de vidas. Milhares.


O general Pazuello vai ao senado. E mente. Mais uma vez. Disse cinicamente que foram surpreendidos pelo aumento da crise do covid em Manaus. Mentira. Sabiam desde maio que o quadro era muito grave.



Eric Clapton – Over the Rainbow


General Villas Bôas revela que houve em abril de 2018 uma articulação golpista para pressionar o STF a recusar um habeas corpus que poderia ter impedido a prisão do ex-presidente Lula. Bora combinar que nem deve ter sido muita pressão, né?


2022 – De um lado Capitão Cloroquina, paraquedista expulso do exército, do outro Haddad, o professor com 3 faculdades pós graduadas, mestrado em economia, falando 5 idiomas, ex ministro de 2 governos, ex prefeito premiado de São Paulo


Fotografia de Mèlanie Hoepffner


PQP. Com dinheiro público, militares compraram 80 mil cervejas e 700 toneladas de picanha.


Pintura de Liza Hirst – Two and Two


É do “carvalho”! 700 toneladas de picanha e 80 mil garrafas de cerveja em 2020?


Vixi! É pra ter pesadelo.


Moonlight in Vermont (Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

O Brasil não lhe dará o direito ao esquecimento, Bolsonaro

Por: Mariana Tegon

É curioso nos darmos conta de que antes da internet não pensávamos muito em ter o direito de esquecer algo, pois, no passado, se não queríamos lembrar-nos de algo, bastava restringir o que contávamos aos outros.
Presidente exibe caixa de cloroquina, o ‘tratamento precoce’ para Covid-19, para a ema no Palácio da Alvorada.

Com a internet, perdemos algum tipo de controle de como as pessoas podem influenciar nossas vidas privadas. Qualquer pessoa pode puxar um conteúdo seu, em qualquer época, sem o seu conhecimento, você nem imagina em quantos níveis uma publicação pode afetar outra pessoa e o quão isso já é o bastante para que peguem algo, fora de contexto, e usem em uma situação desfavorável a você.

Desde os primórdios ocorriam fofocas e vazamentos com gente famosa, políticos e celebridades que eram perseguidas (por paparazzi ou imprensa). Porém são pessoas que geralmente estão preparadas para lidar com o julgamento público, são psicologicamente estruturadas e têm uma vida pública por opção. Hoje, com as redes sociais, é quase impossível distinguir o público do privado.

Quando postamos uma foto, texto, vídeo ou frase, estamos, automaticamente, à mercê de julgamentos que com certeza sairão do controle, seja porque o conteúdo bombou negativamente ou porque alguém vazou alguma intimidade do seu perfil privado. Junto a isso vem um reconhecimento às avessas.

Casos vão de B.Os que vazam, antes de mesmo de um profissional qualificado (escrivão ou juiz) ouvir qualquer fato ou versão, até conversas banais de WhatsApp.

Processos por calúnia e difamação são, cada vez mais, abertos por pessoas que sequer conheciam algum advogado até precisar agir para proteger sua integridade física, moral e intelectual. E, quando a história corre e tudo vira uma avalanche, somos obrigados a lidar com tudo — não em silêncio, mas criando mais e mais conteúdos na tentativa de soterrar a bomba que explodiu anteriormente.

Mas os sites de buscas armazenam tudo, os sites arquivam tudo e todos podem ficar voltando anos da sua vida apenas pelo prazer de torturar uma pessoa que só quer encontrar paz, silêncio e amizades sinceras após uma turbulência.

Em casos de fatos históricos e vida política/pública, o direito ao esquecimento ganha outro contexto, pois o que seria de nós, e das futuras gerações, se “o direito ao esquecimento do Holocausto” fosse dado, por exemplo? Sim, um exemplo extremo, mas temos vivido tempos estranhos.

O que acontecerá com Bolsonaro se o direito ao esquecimento for aprovado pelo STF? Quais serão os impactos in memoriam das vítimas, e de seus parentes, do genocida-negacionista, que a pandemia do coronavírus criou?
Que impacto histórico está embutido nesta decisão que poderá mudar o futuro do Brasil? Estamos numa Era onde tudo pode ser editado após a publicação. Fatos são distorcidos, negados ou até mesmo desmentidos.
Para exemplificar basta lembrar de entrevistas onde o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, falava uma coisa e semanas depois desmentia que havia dito. Mas estava gravado.

Aqui no Brasil, Bolsonaro deu os mesmos passos do ídolo político e, mesmo com material gravado em vídeo e áudio voltava atrás em declarações alegando que “nunca havia dito” algo sobre determinado assunto (geralmente sobre a pandemia), como é o caso do “tratamento precoce com cloroquina”, que agora a esfera federal desmente que tenha ajudado a difundir na área da saúde e para a população.

Esquecer é muito grave.
Fere a história do país.
Fere a história de pessoas que lutam pela vida enquanto estão entubadas em leitos de UTI.
Fere a história de famílias que precisam enterrar seus entes com velório para 10 pessoas e caixão lacrado.
Fere a história de cientistas que estão debruçados dia e noite à procura de uma vacina eficaz que freie, em massa, o pandemônio em que vivemos.
Fere a história dos profissionais da saúde que, exaustos, deixam de cuidar de sua própria vida e família para cuidar dos outros, para exercer um ofício de internar e conseguir providenciar oxigênio para quem está acamado e até mesmo em coma.

Bolsonaro precisa entrar para a história como o pior presidente que o Brasil já teve. Mesmo porque ele costumava dizer, publicamente no parlamento, que “a ditadura no Brasil matou pouco”, para compensar, ele deixou que mais de 260 mil brasileiros tivessem uma morte completamente indigna. Não satisfeito, exigiu sigilo de 100 anos para sua carteira de vacinação. Uma vergonha.
Até onde o “direito ao esquecimento” dará anistia a quem comete crimes, recorre e pede para que a nação esqueça?

Ministério da Saúde pressiona Manaus a usar cloroquina contra COVID-19

Método chamado de ‘tratamento precoce’ não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI)

Medicamentos sem comprovação científica, como ivermectina cloroquina, estão sendo indicados pelo Ministério da Saúde para o chamado “tratamento precoce” contra o novo coronavírus, mesmo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) contestando esse tipo de tratamento. A Prefeitura de Manaus, capital do Amazonas, foi quem recebeu a “indicação”.

A informação é da Folha de São Paulo. A pasta ainda pediu autorização para fiscalizar as Unidades Básicas de Saúde como forma de “encorajar” esse tipo de tratamento.

A ideia da visita, que seria iniciada nesta segunda-feira (12/01), é de “que seja difundido e adotado o tratamento precoce como forma de diminuir o número de internamentos e óbitos decorrentes da doença”.
“Aproveitamos a oportunidade para ressaltar a comprovação científica sobre o papel das medicações antivirais orientadas pelo Ministério da Saúde, tornando, dessa forma, inadmissível, diante da gravidade da situação de saúde em Manaus a não adoção da referida orientação”, continua documento enviado à Prefeitura de Manaus, mesmo sem comprovação de autoridades científicas.
Segundo dados divulgados nessa segunda-feira (11/01) pelo Ministério da Saúde, o Brasil tem 8,13 milhões de casos de COVID-19, com 203,5 mil mortes.

Em ofício, Exército defendeu sobrepreço de 167% em insumos da cloroquina por necessidade de ‘produzir esperança’

Embalagem com compromidos de cloroquina em hospital de Porto AlegreCredit…Foto: Reuters/Diego Vara

A necessidade de “produzir esperança para corações aflitos” e uma suposta crescente demanda internacional por cloroquina foram apontadas como justificativas do Exército para ter pago 167% a mais pelo principal insumo para produção do medicamento, de acordo com ofício enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), que investiga uma suspeita de superfaturamento na negociação.

O ofício foi enviado ao TCU no final de julho deste ano e tornado público agora, depois de demanda da agência de dados públicos Fiquem Sabendo, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).

Em maio deste ano, o Exército comprou 600 quilos de difosfato de cloroquina, o insumo para produção do medicamento, a 1.304 reais o quilo, do grupo Sul Minas, que importa o insumo da Índia. Em março, o mesmo grupo havia cobrado 488 reais o quilo, mesmo valor da compra feita em 2019. De acordo com o ofício do Exército, a empresa mantivera o mesmo valor porque ainda teria estoque do produto.

Na justificativa enviada ao TCU, o Exército apontou o aumento do valor do dólar  – 45% no período – e uma suposta crescente demanda pelo insumo como responsáveis pelo aumento.

Citou, ainda, a necessidade da compra emergencial – que foi feita com dispensa de licitação com base na Medida Provisória 926 que permitiu a aquisição de bens e insumos emergencialmente para combate à pandemia – o mais rapidamente possível por uma determinação do governo da Índia de suspender a exportação dos insumos.

No entanto, em outro pedido feito com base na LAI e tornado público no site de acesso à informação do governo federal, um ofício do Ministério das Relações Exteriores à assessoria internacional do Ministério da Saúde, após contato com o governo indiano, informa que não havia restrição alguma.

Ao contrário, de acordo com o MRE, o governo do país indicou três empresas para fornecer o insumo, e uma delas faz uma oferta de 190 dólares por quilo. Em resposta ao TCU, o Exército disse que a oferta foi descartada porque não incluiria transporte e outros custos de importação.

O ofício do MRE cobra, ainda, uma resposta do ministério de uma oferta de venda, por parte da Índia, de 5 milhões de comprimidos prontos de hidroxicloroquina, uma versão mais moderna e com menos efeitos colaterais da cloroquina. Essa possibilidade não é tratada na resposta do Exército ao TCU.

O governo brasileiro ainda recebeu uma doação de 3 milhões de doses de hidroxicloroquina do governo norte-americano e do laboratório Novartis, o que põe em cheque a alegação de demanda global crescente e urgente pelos insumos.

SEM COMPROVAÇÃO

Para justificar a pressa em fechar a compra, o Exército alegou que não fazê-lo poderia causar “dano irreparável ou de difícil reparação”, já que não se poderia produzir o medicamento que seria usado para “salvar vidas na pandemia causada pela covid-19.”

Apesar da alegação, o próprio Exército reconhece no ofício que não há eficácia comprovada do uso de cloroquina no tratamento para covid-19.

“Impõe registrar que, até a presente data, não há tratamento consagrado pela comunidade científica para a covid-19”, diz o ofício, afirmando ainda que tratamentos experimentais não foram concluídos.

Ainda assim, justificou o Exército, a compra dos insumos e a produção do medicamento teria sido uma decisão para agir “proativamente” e responder às “prementes necessidades de produção” da cloroquina que, por ter baixo custo, “seria o equivalente a produzir esperança a milhões de corações aflitos com o avanço e os impactos da doença no Brasil e no mundo.”

De julho para cá, apesar da insistência do presidente Jair Bolsonaro no uso da cloroquina, a comunidade científica internacional praticamente abandonou qualquer esperança de eficiência do medicamento.

Ainda assim, o governo brasileiro mantém a cloroquina como uma possibilidade em um suposto tratamento precoce da covid-19.

Até novembro, de acordo com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o Ministério da Saúde já teria distribuído 5,8 milhões de comprimidos de cloroquina para Estados e municípios – segundo ele, sob demanda, apesar de, inicialmente, os secretários estaduais terem reclamado que o governo federal estaria empurrando o medicamento.

O excesso de produção de cloroquina pelo laboratório do Exército, e o alto custo dos insumos, levou à investigação do TCU, a pedido do subprocurador-geral do Ministério Público de Contas da União Lucas Furtado, por possibilidade de superfaturamento.

O subprocurador pediu ainda que seja apurada possível responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro na superprodução de cloroquina.

No ofício, o Exército não trata sobre a origem da ordem para que se multiplicasse exponencialmente a fabricação do remédio.

Outros pedidos feitos com base na LAI e disponibilizados no site do governo federal mostram reiterados pedidos de estabelecer a corrente de comando para se estabelecer de onde veio a ordem para a produção, mas ou tiveram respostas indeferidas ou parcialmente respondidas, sem apontar para Bolsonaro.

Em março de 2020, logo depois de voltar de viagem aos Estados Unidos, o presidente disse a jornalistas que, em uma reunião com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, decidiu que o Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército iria ampliar a produção. Dois dias antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmara que havia testes promissores com a cloroquina contra a Covid-19.

Procurados, o Palácio do Planalto e o Ministério da Defesa não responderam de imediato a pedidos de comentários. (com agência Reuters)

Clique Aqui>> Um olhar fora da bolha: Fatos & Fotos 16/07/2020

Boa noite.
Manhã
Guilherme Pavarin

amanheceu na minha esquina
um tanque pixado com flores
e mortalhas sobre o canhão

vizinhos posaram para selfies
homens montaram seus filhos
repórteres alisaram ferrugem

geométrico e tetânico
ele foi ficando jardim
dentadura de pneus

ao lado ergueu-se uma praça
com trânsito, louvores e pipocas
de domingo a domingo

todos à espera dos cuidados
do motorista que lá estacionou
para menos dia

num brecha de nossa vigília
botar outro tanque, mais novo
em seu lugar

Ilustração de Oleg Denisenko

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Su Xinping – s/t 2013

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Nas plagas dos Tapuias, com cacique representando a direita-jeca-sertaneja-petencostalibão, a Novilíngua ou novafala, penetra sem K&Y.

Paulo Jegues, ops!, ato falho, Guedes faz mega pedalada fiscal e a imprensa – imprensa? Hahaha – chama de ‘drible’. Hahaha.
Pelo menos R$ 55 bilhões em despesas fora do limite estabelecido pelo teto de gastos. A pedalada fiscal do ministro Paulo Guedes, deve se repetir nos próximos anos.
Impeachment? “Cês taun” delirando é? Hahaha.
A distopia do Estado de Exceção é um assombro!

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Uma coisa o Tenebroso está fazendo certo. A cloroquina é jujuba para o virus da covid-19. Ela é ineficaz tal e qual.

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Não estudou história, excelência?

Mourão disse que retirar 3.500 garimpeiros da terra Yanomami é “complexo”. Há 23 anos, sem tecnologia, o Ibama e a PF retiraram 8.000 garimpeiros da terra Nambikwara Sararéi. Nos anos 90, a PF retirou milhares de garimpeiros dos Yanomami. É impressionante o desconhecimento do Brasil nesse (des)governo ancorado nas trevas Idade Média! O senhor vice-presidente seria aprovado no ENEM?

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Da série: “Fique Em Casa”
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Soberano

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“Você queimará no inferno!”: O caso do professor condenado por ensinar a teoria de Darwin. Há 95 anos, o professor de biologia John Thomas Scopes foi preso e acusado de ter ensinado “uma teoria que nega a história da Criação Divina do Homem, conforme explicado na Bíblia“. Três dias depois, Scopes estava na prisão e o banco da acusado estava esperando por ele no Tribunal do Tenessee, USA.
Qualquer semelhança com o Bananil das trevas, não é mera coincidência.

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Cerâmica de Greet Ketelaers

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Brasil da série: “A vida como não devria ser”, ou “O Brasil é um Estado em estado terminal”!
À esquerda, o miliciano Queiroz. À direita, uma mãe amamentando filho na prisão e através das grades da incesatez. Esta, é a justiça brasileira. Uma porcaria! Quem tem padrinho forte, não morre pagão.

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E o Trofeu Febeapá do dia vai para o secretário do Ministério da Morte, ops!, ato falho – Saúde do desgoverno do langanhento;
“Brasil é um grande exemplo de combate à covid-19”

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Pintura de Carl Fredrik Hill
Villa at Seine, Fontainebleau – 1877

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O Brasil tem hoje apenas dois países aliados: Estados Unidos e Israel. Pelo menos, assim são considerados por nosso dejeto presidencial. Todas as outras importantes parcerias foram arruinadas por uma diplomacia vergonhosa, baseada em ofensas, infâmias e deboches.

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Só para lembrar que foi aqui que o Osmar Terra disse que o Brasil tinha chegado no pico da pandemia.

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Monalisas

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Paulo da Costa Domingos Quarentena – Poesia

É um ribeiro, uma harpa
com penugem sobre corolas
que despertam par’a Lua.
Um mar gigante com arca,
uma metrópole flutuante,
quarentena de aventura
Eu sozinho, mestre, perplexo
ante a ciência que me deste
do compasso, pétala e agulha.
Paulo da Costa Domingos, Ilícito, Averno, 2020

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Ontem foi uma mulher de 51 anos; hoje, um motoboy. Ambos negros. Agredidos e humilhados pela milícia de João Doria. Qualquer projeto político que se preze tem que ter uma agenda de combate radical ao racismo. Ou isso ou uma guerra civil represada há séculos.

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