Em Fortaleza, o Réveillon virou batalha política

Nariz de palhaço Blog do MesquitaNum instante em que está todo mundo com Jingle-bell na cabeça, os políticos cearenses conspiram contra a magia do copo erguido do Réveillon.

O deputado estadual Fernando Hugo (Solidariedade) acusa o grupo da ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT) de organizar um ‘vaiaço’ contra o sucessor Roberto Cláudio (ex-PSB, hoje no Pros).

Segundo ele, o atentado sonoro ocorrerá na festa de queima de fogos, no aterro da Praia de Iracema.

Fernando Hugo, o acusador, não dá nome aos bois. Diz apenas que “asseclas” de Luizianne Lins estariam tramando constranger Roberto Cláudio, um político do grupo do governador Cid Gomes (Pros).

Mirando abaixo da linha da cintura, o deputado disse que os petistas do Ceará deveriam “passar o Ano Novo na Papuda.” Luizianne e seus correligionários ainda não se manifestaram sobre o ataque.

Aos pouquinhos, turistas e moradores de Fortaleza vão perdendo o direito de usufruir do 31 de dezembro como uma Tordesilhas anual, linha imaginária que separa com um abraço de afeto os infortúnios do ano velho do Feliz Ano Novo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Na virada de 2011 para 2012, Luizianne foi vaiada na Praia de Iracema.

Na passagem para 2013, na bica de deixar a prefeitura, Luizianne cancelou a festa. Seu desafeto Cid Gomes remarcou o evento, assumiu o investimento e comandou a contagem regressiva do Réveillon ao lado de Roberto Cláudio, que prevalecera na briga contra o PT nas urnas de dois meses antes.

Mais um pouco e o povo perceberá que talvez não valha a pena bater palmas para maluco dançar.
Josias de Souza

Tópicos do dia – 11/12/2011

08:25:59
Fogo amigo?
Dona Dilma e o Governador Cid Gomes, do Ceará, colocam bombeiros de prontidão.
O incendiário Ciro Gomes agora é comentarista da Rede TV!!!
Polêmicas incendiárias a vista!

08:43:32
Eu mamo, tu mamas… errados são os outros!
A atriz Maitê Proença tem uma pensão vitalícia de 13 mil reais por ser filha de funcionário público e solteira. Está na lei, e, friamente, ela tem direito ao nosso dinheiro de contribuinte.
A SPPrev, autarquia vinculada à Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, tentou suspender o benefício em 2009, com base em um trecho de um livro da Sra. Maitê no qual registrava que tinha vivido em relação estável por 12 anos.
A declaração deveria ser suficiente para excluí-la da categoria “solteira”, no entendimento da SPPrev. Numa decisão em meados do ano passado, a Justiça brasileira suspendeu a decisão da autarquia e concedeu o direito à pensão para a Senhora Proença.

10:05:05
Pimentel sem pimenta.
Sem pré-julgamento, mas já cansado dessa cantilena:
“Estou dizendo, alto e bom som: sou amigo da maioria dos empresários de Belo Horizonte – e talvez de Minas Gerais. Se isso for crime, sou um criminoso!”
Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, ao rebater suspeita de que fez tráfico de influência.

10:12:04
Plebiscito no Pará
Espero que tamanha estupidez seja rejeitada pela população do Pará. Somente trará mais custos para o contribuinte.
Mais 2 governos e respectivos poderes legislativos: + deputados estaduais, + deputados federais, + senadores, + mais estruturas físicas para alojar as novas máquinas admistrativas…e, certamente, + desvios de verbas, nepotismos e corrupção.

10:19:35
Pesquisa DataFolha: Lula aumenta força em SP, e Serra tem maior rejeição.
Apoio de ex-presidente pode influenciar 48% dos votos a prefeito, diz Datafolha. Índice dos que dizem não votar em tucano vai a 35%; Russomanno lidera disputa em 4 dos 5 cenários pesquisados.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua força em São Paulo e poderia influenciar hoje o voto de quase metade do eleitorado na corrida à prefeitura, mostra pesquisa Datafolha concluída na sexta-feira.

A rejeição ao ex-governador José Serra (PSDB) nunca foi tão grande. Ela atingiu 35% -quase o dobro do seu índice de intenção de votos, de 18%. Ele diz não cobiçar o cargo, mas é pressionado por tucanos a entrar na disputa.
Se a eleição fosse hoje, 48% dos eleitores dizem que poderiam escolher o indicado de Lula. O número é recorde considerando as 11 vezes em que o instituto pesquisou a influência do petista sobre a disputa municipal, desde 2003.
Apresentado há um mês como o pré-candidato do PT, o ministro da Educação, Fernando Haddad, tem entre 3% e 4% das intenções de voto. Ele ainda é desconhecido por 63% dos paulistanos.
Bernardo Mello Franco/Folha de S.Paulo 


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Cid Gomes, Governador do Ceará poderá ser cassado por doações ilegais

Cid Gomes pode ser cassado por haver recebido doações ilegais na campanha

CID: ABUSO DE PODER, CORRUPÇÃO, FRAUDE, DOAÇÕES ILEGAIS…

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), pode ter o mandato cassado por haver recebido doação de duas empresas que têm autorização da Antaq (Agência Nacional de Transporte Aquaviários) para funcionar.

A lei proíbe empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público de doarem recursos para campanhas eleitorais.

Cid Gomes agora é réu em ação de cassação de mandato, no Tribunal Regional Eleitoral.

Curiosamente, a ação corre em “segredo de Justiça”, sabe-se lá porquê.

Só a empresa CNA (Companhia de Navegação da Amazônia) doou ilegal e oficialmente R$ 500 mil, enquanto a Aliança Navegação e Logística contribuiu com R$ 200 mil.

As doações foram questionadas pela coligação PR/PPS, que ingressou com pedido de impugnação de mandato, apontando ainda outros fatos que indicariam abuso de poder econômico, corrupção e fraude na campanha do governador, como o uso de um jatinho da mesma empresa que tem contrato com o governo do Estado para transportá-lo.

A campanha informou à Justiça Eleitoral haver arrecadado R$ 28,9 milhões.

Coluna Claudio Humberto

Eleições 2010: Ciro Gomes, coordenador da campanha de Dilma chama PMDB de “ajuntamento de assaltantes”

Se os políticos soubessem, em tempos idos, que um dia haveria o YouTube, teriam posto freios à língua.

Conhecido pelo destempero verbal, e pelo hábito de só pensar no que diz após ter se pronunciado, Ciro Gomes é a mais completa tradução da evaporação da consistência das certezas absolutas.

Ou será mais um dos iguais aos que já acusou?
O Editor


Operador de Dilma, Ciro vai à web em versão ‘tóxica’

Depois de ter sido empurrado para fora do tabuleiro presidencial, Ciro Gomes (PSB) levou os lábios ao trombone.

Alvejou PT, PMDB e a própria Dilma Rousseff. Depois, submergiu. Ao longo do primeiro turno da eleição, Ciro ausentou-se da cena nacional. Cuidou da reeleição do irmão, Cid Gomes (PSB), ao governo do Ceará.

Na semana passada, Ciro reapareceu em Brasília. Reuniu-se com Lula. E foi alçado à coordenação do comitê eleitoral de Dilma.

Para infortúnio do neo-coordenador, as palavras ditas não podem ser desditas.

Assim, Ciro foi à web como estrela de um vídeo “tóxico” (assista lá no alto).

Tornou-se vítima da própria língua.
blog Josias de Souza


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Eleições 2010: Comunistas apóiam Tasso Jereissati no Ceará

A política brasileira é formada no caldeirão da incoerência e das conveniências mais espúrias. Em nome do “fazemos qualquer negócio”, as mais inacreditáveis alianças interesseiras são firmadas. Os Tupiniquins, merecemos.
Argh!
O Editor


NO CE, lideranças do PCdoB apóiam Tasso Jereissati

Em política, todo mundo sabe, o ilógico tem razões que a lógica desconhece.

Mas certos gestos, por absurdos, desafiam a capacidade de compreensão do eleitor.

Vem do Ceará a penúltima aparição do fantasma da incoerência.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Duas lideranças regionais do PCdoB declararam apoio à chapa tucana de Tasso Jereissati.

Repetindo: uma dupla de mensageiros da foice e do martelo se associou ao grupo do capitalista que, bem sucedido nos negócios, adota a política como passa tempo.

Haroldo Celso e José Mardônio, eis os nomes dos comunistas que se achegaram a Tasso.

Fazem política na cidade cearense de São Benedito. Haroldo é ex-prefeito. José, ex-vice-prefeito.

Nadam na contramaré do partido. No Ceará, o PCdoB está fechado com o grupo do governador Cid Gomes (PSB).

Além de apoiar Tasso, os comunistas se dizem fechados com o candidato tucano ao governo cearense, Marcos Cals –contra Cid, que disputa a reeleição.

Diante de um fato como esse, o eleitor é como que assaltado pela dúvida: enlouqueci eu ou enloqueceram os políticos?

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Ciro Gomes diz se sentir como o bobo da corte

Ciro Gomes, com tantos anos de estrada, não percebeu a armadilha  engendrada pelo grande chefe dos Tupiniquins.

O esperto retirante de Garanhuns fez um pajelança e deixou o político cearense sem mandato nas próximas eleições, e sem sequer poder ser eleitor do irmão Cid, um vez que cometeu a tolice de transferir o título pra terra da garoa.
O Editor


Submerso desde que Lula o empurrou para fora do tabuleiro da sucessão, Ciro Gomes voltou à tona num ato político do Ceará.

Reapareceu em Fortaleza, na inauguração do comitê de campanha do irmão Cid Gomes, candidato à reeleição para o governo do Ceará.

Revelou seu plano mais imediato: “Eu tenho um projeto que é não fazer campanha pra ninguém. Eu vou fazer campanha para o Cid e para a chapa dele”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mas nem para Dilma Rousseff pedirá votos? “Não, não”. Repisou: vai “tomar conta” da campanha do irmão. E ponto.

Aparentemente, Ciro cansou de fazer papel de bobo: “Isso tudo que aconteceu comigo, nesses passos da vida nacional, me machucou profundamente…”

“…Eu passei um momento de grande tristeza pessoal. Cheguei a negar a minha própria vocação. Eu me senti feito de bobo, que é uma sensação terrível…”

“…Mas tudo isso já passou, não sou de cultivar mágoa nem de lamber ferida, estou inteiro, de volta”.

Resumiu assim sua condição política atual: “Eu sou um ninguém nesse momento. Nem candidato sou, a nada”.

Pelo menos o deputado já reconhece que o fizeram de bobo. Está a meio caminho de deixar de sê-lo.

blog Josias de Souza

Tasso Jereissati irrita o PSDB e o DEM devido aliança com Cid Gomes nas eleições de 2010

Para Ruy Câmara, a articulação de Tasso conspira contra os interesses de José Serra, cuja candidatura o senador deveria fortalecer.

Arma-se no Ceará uma rebelião em torno do palanque que deveria servir à campanha presidencial de José Serra (PSDB).No centro da encrenca está o grão-tucano Tasso Jereissati.Lideranças locais do DEM e do próprio PSDB criticam o senador.

Candidato à reeleição para o Senado, Tasso costura uma aliança com o governador cearense Cid Gomes (PSB).

Foto:José Cruz/ABr

Vem a ser o irmão de Ciro Gomes, velho amigo de Tasso e suposto candidato à Presidência pelo PSB.

A movimentação de Tasso gerou uma onda de críticas. Vinham sendo pronunciadas nos subterrâneos. Mas começaram a ganhar o meio-fio.

Vice-presidente do diretório do DEM no Ceará, Ruy Câmara declara: “O Tasso terá de explicar claramente essa ambiguidade política.”

“…Como podemos ter uma oposição ao PT no plano nacional e, no plano estadual, dar apoio a um candidato da base de sustentação da Dilma?”[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A manifestação de Ruy Câmara ganha o noticiário como um desafio ao colega de partido Chiquinho Feitosa, presidente do DEM-CE.

Chiquinho é amigo e aliado político de Tasso. Assiste passivamente à costura do acordo do senador tucano com Cid Gomes.

Algo que deixa o vice-presidente do DEM cearense ainda mais abespinhado. Ele diz que Tasso “não tem o direito de levar o DEM de reboque no seu projeto”.

“É uma incoerência não ter um palanque sólido no Estado para o José Serra. Não podemos dar um palanque falso para ele subir”, afirma o líder ‘demo’.

Ruy Câmara não está só. Em declaração ao diário cearense “O Povo”, o presidente regional do PSDB, Marco Penaforte, clamou de “suicídio” a aliança com Cid.

No início do ano, Tasso reunira-se com Serra em São Paulo. Ouviu do colega paulista um apelo para que se candidatasse, ele próprio, ao governo do Ceará.

Tasso refugou o pedido. Mas disse a Serra que arrumaria um candidato para representar o PSDB na eleição de governador. Escolheria um empresário.

Simultaneamente, Tasso, opositor de Serra na política doméstica do tucanato, flertava com a candidatura alternativa de Aécio Neves.

Inviabilizado, Aécio sugeriu o nome de Tasso para vice de Serra. Uma forma de atenuar as pressões que se abatiam sobre Minas.

Pendurado no noticiário, o balão da candidatura de Tasso a vice foi furado pelo tucanato de São Paulo.

A direção nacional do PSDB deu carta branca a Tasso para fazer no Ceará o que lhe parecesse mais conveniente.

E Tasso intensificou o tricô com Cid Gomes. Um governador que, na briga para se reeleger, dará palanque a Ciro ou a Dilma, jamais a Serra.

Daí a irritação que toma conta de um pedaço do DEM e de um naco do PSDB do Ceará.

blog Josias de Souza

Eleições 2010. Ciro será candidato à presidência segundo o irmão Cid Gomes, governador do Ceará

Cid Gomes diz que Ciro mantém projeto presidencial

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Para desassossego de Lula, o governador do Ceará, Cid Gomes, disse que seu irmão Ciro Gomes mantém em pé o projeto de disputar a presidência da República.

A declaração de Cid, filiado ao PSB, o mesmo partido do irmão, chega num instante em que Lula ensaia um derradeiro apelo a Ciro.

O presidente decidiu realizar uma nova investida, para convencer Ciro a concorrer ao governo de São Paulo em vez de ir às urnas como presidenciável.

No dizer de Cid, reproduzido pelo repórter Pedro Alves, a candidatura governista única de Dilma Rousseff imporia ao Planalto um “risco desnecessário”.

“Nos cenários sem o Ciro, as pesquisas mostram que a maioria dos votos que seria dele migram para o [tucano] José Serra…”

“…Então, a preço de hoje, é um risco desnecessário o governo lançar apenas uma candidatura”, disse Cid, filiado ao mesmo PSB em que se abriga o irmão.

Segundo Cid, a tese do “risco” já foi exposta a Lula numa primeira reunião. Combinou-se que a decisão seria tomada noutro encontro “mais lá na frente”.

“Em algum momento”, disse o governador, “o Lula vai convencer o PSB ou o PSB vai convencer o Lula”.

De fato, o PSB acertara com Lula que o destino de Ciro seria definido em março. Mas o presidente agora deseja encurtar esse prazo.

Vai ao governador Eduardo Campos (Pernambuco), presidente do PSB, nesta quarta (27). E chamará o próprio Ciro para conversar.

A julgar pelo que disse na semana passada, em reunião ministerial, Lula não contempla a hipótese de ser convencido. Quer convencer.

O melhor lugar para Ciro, acha Lula, é o ringue de São Paulo. E para o PSB, a supercoligação que dará suporte à candidatura presidencial de Dilma.

Ciro tomou chá de sumiço. A última mensagem que veiculou em seu microblog é datada de 15 de dezembro.

Anotou: “Visitei ontem três cidades do Maranhão. Candidatíssimo a presidente!”

blog Josias de Souza
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Eleições 2010. Tasso Jereissati admite disputar o governo Ceará

Personalidades - Políticos Tasso JereissatiReunido neste domingo (25), o PSDB do Ceará ungiu o seu novo presidente: o médico Marco Penaforte.

A discursar, Penaforte conclamou o tucanato cearense a retomar a condição de protagonista na política cearense.

Nas pegadas de Penaforte, foi ao microfone o senador Tasso Jereissati, principal liderança do PSDB local.

Tasso endossou Penaforte: “Estamos dispostos a construir esse desafio. Um novo projeto sem cooptação, com idealismo. Estou aí para segui-lo”.

Uma declaração de Tasso deixou eriçadas as plumas da platéia: “Estou à disposição para fazer o necessário…”

“…E, assim, assim recuperar o espaço de poder no Estado, para que o cearense volte a ter orgulho, a ter dignidade e a pensar no seu futuro”.

Em declínio no Ceará, os tucanos viram na frase de Tasso uma insinuação. Acham que o senador deixou no ar a hipótese de candidatar-se a governador.

Depois de uma hegemonia de 20 anos, o PSDB flerta com o ostracismo no Ceará. Até aqui, o caminho natural de Tasso era uma incerta recandidatura ao Senado.

Em 1986, ainda no PMDB, Tasso elegera-se governador do Ceará. Em 1990, já como grão-tucano, Tasso fez o sucessor: Ciro Gomes, à época no PSDB.

Em 1994, Tasso voltou à cadeira de governador. Reelegeu-se em 1998. Em 2002, o tucanato elegera Lúcio Alcântara.

Em 2006, começou o declínio. Brigado com Alcântara, à época candidato à reeleição, Tasso conspirou nos subterrâneos para eleger Cid Gomes (PSB).

Hoje, convertido em força auxiliar de Cid, o tucanato vai a 2010 dividido em três pedaços.

Um naco do partido defende o apoio à reeleição de Cid, irmão de Ciro Gomes, agora um candidato multiuso do PSB.

Outra parte flerta com o apoio à candidatura do prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, do PR.

Uma terceira ala do PSDB advoga a tese da candidatura própria. O nome de Tasso seria o único capaz de empolgar a legenda.

Daí a excitação com o comentário feito pelo senador no encontro deste domingo. Resta saber o que o senador quis dizer.

O miolo da frase de Tasso –”Estou à disposição para fazer o necessário”— pode significar qualquer coisa.

De resto, é preciso combinar com o eleitor. Hoje, nem mesmo a reeleição de Tasso ao Senado é vista como coisa certa.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Tasso Jereissati, Arthur Virgílio e Marcondes Perillo na mira de Lula

Lula mira Tasso, Virgílio e Perillo

Presidente articula palanques regionais para evitar a reeleição de senadores considerados inimigos políticos

A agenda eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não trata só da articulação de palanques regionais fortes para a candidata oficial, Dilma Rousseff. O planejamento estratégico também cuida de uma espécie de “lista negra” com alvos a abater nas urnas. A lista tem três senadores tucanos – Marconi Perillo (GO), Tasso Jereissati (CE) e Arthur Virgílio (AM).

Todos os acordos eleitorais patrocinados pelo Planalto nas regiões desses candidatos miram a derrota dos inimigos políticos. O jogo do Planalto fica visível sobretudo no Ceará, onde o presidente não esconde nem dos velhos aliados de Tasso a disposição de tirar-lhe a cadeira de senador.

Como são duas vagas em cada Estado, além de apoiar a eleição do peemedebista Eunício Oliveira, o presidente decidiu lançar a candidatura de seu ministro da Previdência Social, deputado José Pimentel (PT). Não satisfeito, ainda procurou os irmãos Gomes – o governador cearense, Cid Gomes (PSB), e o pré-candidato do PSB a presidente, deputado Ciro Gomes – pedindo apoio para Pimentel.

Fechados com Eunício, os irmãos acusaram a pressão, argumentando que gostariam de manter apenas um compromisso, para poder compor informalmente com o parceiro de sempre, Tasso. “Mas é este mesmo que eu quero derrotar”, teria dito Lula, segundo relato da conversa levado ao senador tucano. “O Lula está articulando com o fígado, contra os que lhe fazem oposição”, protesta Tasso, que na eleição passada rompeu com o candidato tucano ao governo, Lúcio Alcântara, e conservou a parceria com Cid e Ciro. “Não sei se o presidente se move por puro rancor ou se a estratégia dele é para diminuir a oposição e o Brasil ficar cada vez mais parecido com a Venezuela de Chávez.”

Não por acaso, quem encabeça a lista negra há quase quatro anos é Perillo. Lula não perdoa o fato de o ex-governador de Goiás ter “jogado” para derrubá-lo da Presidência nos tempos difíceis da crise do mensalão, quando chegou-se a falar em impeachment.

Na campanha de 2006, quando Lula jurava não ter conhecimento do pagamento de uma espécie de mesada para comprar votos de aliados na Câmara, Perillo engrossou o coro do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e revelou que alertara o presidente sobre o mensalão.

O troco está sendo dado agora, com o apoio do Planalto aos principais adversários de Perillo no Estado. Além da parceria com o PMDB do prefeito de Goiânia, Iris Resende, Lula também está empenhado em lançar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao governo de Goiás, só para dificultar ainda mais a volta do tucano ao governo estadual.

Virgílio é outro que Lula faz gosto em despejar do Senado. Ele foi para a lista negra quando, em meio a uma explosão de indignação com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o dossiê da Casa Civil contra tucanos, subiu à tribuna e ameaçou “bater na cara” do presidente.

MAIS ALVOS

Há outros nomes que o presidente pretende abater nas urnas, como o líder do DEM, José Agripino (RN), e o ex-petista Cristovam Buarque (PDT-DF).

Os petistas dizem que o presidente “acumula” raiva contra Agripino. Lula já subiu nos palanques de Natal determinado a derrotar a candidata de Agripino, Micarla de Souza, mas ela se elegeu prefeita em 2008.

A motivação maior do rancor contra Agripino foi o caixa, já que o presidente responsabiliza o líder do DEM pela derrubada da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) – o imposto do cheque, que daria ao governo mais R$ 40 bilhões anuais. Lula disse à época que o parlamentar virou os votos de alguns indecisos, como o senador Romeu Tuma (PTB-SP).

Ex-ministro e ex-petista, Cristovam também se queixa da intervenção de Lula na política do Distrito Federal. Em Brasília, petistas falam até em aliança com o PMDB do ex-governador Joaquim Roriz, justamente aquele que derrotou Cristovam no projeto do próprio PT de reeleição para o governo do DF.

“De fato, Lula está usando um certo ódio pessoal que pode atrapalhar os arranjos locais”, acusa o senador pedetista. Ele diz que a sua ideia era disputar uma vaga de senador com o apoio do PT local, mas o cenário mudou. “Hoje, essa aliança está praticamente descartada.”

Estadão – Christiane Samarco