A pior direita: Bolsonaro quer ser Piñera, mas é um Hugo Chávez de sinal trocado

Cópia à direita de Chávez, presidente flerta com a repressão no único polo de extrema direita da região e faz o Brasil perder a liderança no continente.

GOVERNOS LIBERAIS DE DIREITA estão na moda na América Latina. Mesmo com a onda conservadora, Jair Bolsonaro ocupa uma posição singular. O fator de espanto é o radicalismo do governo Bolsonaro, único polo de extrema direita da região desde o final do ciclo de ditaduras militares, na década de 1980.

Após os anos de domínio da esquerda durante a “onda rosa” da virada do milênio, que chegou como alternativa ao neoliberalismo dos anos 1990, a região virou o volante radicalmente. Hoje, do cone sul à América do Norte, com exceção do recém-chegado López Obrador no México, a maioria dos governos se encaixa no espaço que ocupa o novo PSDB – bem mais para João Doria do que para Fernando Henrique Cardoso. No entanto, o partido do atual presidente, o PSL, não tem nada dessa centro-direita, que até virou exemplo de moderação no Brasil diante dos meses de barbárie em 2019.

O nível baixo de política praticado por Bolsonaro fez até o autoritário e desprestigiado presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, trazer uma análise pertinente. Em uma rara entrevista a um veículo brasileiro, o líder chavista, acostumado a refutar fatos e críticas, disse à Folha de S.Paulo, que seu desafeto brasileiro é um “extremista ideológico”.

Maduro não compareceu à posse de Bolsonaro em janeiro, a pedido da própria cúpula de governo. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, chegou a dizer que o chavista não havia sido convidado para a cerimônia “em respeito ao povo venezuelano”, mas acabou desmentido pelo próprio Itamaraty e pela chancelaria em Caracas. O Ministério confirmou que, na realidade, os convites existiram, mas foram retirados a pedido da nova equipe.

Só mesmo o radicalismo de Bolsonaro seria classificado como extremista por um político que é justamente guiado por uma pauta ideológica agressiva, ainda que com sinal trocado. Maduro disse ainda que seu equivalente brasileiro não é um político “com ‘p’ maiúsculo”. Em uma gestão com discurso falocêntrico, a declaração pode até acabar sendo entendida pelo governo de outra forma.

Bolsonaro não está sozinho em contar com o rechaço de Maduro e, à primeira vista, talvez pudesse parecer que ele seguiria o script da vizinhança: um longevo governo de esquerda perde credibilidade e se vê envolvido em acusações de corrupção; a economia desaba; a população se entorpece de indignação; e um projeto desconhecido de oposição começa a se anunciar como antídoto. Bolsonaro e suas pitorescas figuras-satélite surfaram nessa mesma onda, com uma diferença crucial: cruzaram a linha do absurdo antes mesmo de tomar posse.

Só mesmo o radicalismo de Bolsonaro seria classificado como extremista por um político como Maduro, também guiado por uma pauta ideológica agressiva.

Neoliberal de pai e mãe, o presidente argentino Mauricio Macri foi o primeiro a fazer contato com o capitão recém-eleito. Logo em 16 de janeiro, três semanas depois da posse, o empresário milionário desembarcou em Brasília para falar do Mercosul (apesar de o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter dito que o tema não seria prioridade), da Venezuela e das parcerias a serem feitas com os também liberais Chile, Colômbia, Equador, Peru e Paraguai.

Para o argentino, a ida ao Brasil também foi um pedido de ajuda. Vendo seu país com quase 50% de inflação acumulada, desemprego em alta e aumento da pobreza, Macri já começava a juntar os cacos para as eleições presidenciais de outubro. Mas a estratégia não resistiu à toxicidade de Bolsonaro. Mesmo com o triunfo da Argentina nas negociações que culminaram na primeira etapa de acordo entre o Mercosul e a União Europeia, o presidente foi massacrado nas eleições primárias. Na Argentina, as primárias ocorrem meses antes do primeiro turno – que será em 27 de outubro – para eliminar chapas com menos de 1,5% nas intenções de votos. Em 2019, a chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner somou 47% dos votos, frente a 33% da chapa de Macri.

Bolsonaro se sentiu intimidado pelo possível retorno da esquerda no país vizinho, estudando rever o acordo com o Mercosul. Na reta final de agosto, suas falas sepultaram o esforço do bloco. Desprezando a crise ambiental mais grave dos últimos anos, entrou em desavença com Emmanuel Macron. O mandatário francês, que já torcia o nariz para o acordo entre europeus e sul-americanos, afirmou que na “situação atual”, o pacto não sai.

Chavismo à brasileira

O embrião do bolsonarismo começou na esquerda. Durante a campanha – cheia de memes toscos, montagens chamativas e informações falsas –, era comum ver imagens dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff ao lado dos finados Hugo Chávez e Fidel Castro. As mensagens viralizaram nas redes sociais acompanhadas de textos conspiratórios com presságios de uma aliança globalista liderada pelo PT e o Foro de São Paulo.

As mentiras criavam uma falsa ideia de “unidade opositora”, facilitando o trabalho de desprestigiar, numa tacada só, tudo o que não fosse próximo do delírio bolsonarista. A partir desse ponto, tudo estava “à esquerda”. Os críticos, os dados, a ONU, a revista The Economist, o Papa, o jornalista Reinaldo Azevedo e até mesmo os preceitos liberais dos novos presidentes que Jair Bolsonaro viria a bajular.

Mas, ainda que jamais vá admitir, Bolsonaro é uma cópia desajeitada, liberalesca e à direita de uma figura de esquerda: Hugo Chávez. São militares, ex-paraquedistas, anti-imprensa, anticiência, autoritários, homofóbicos, misóginos, populistas, nacionalistas. Apresentaram-se como alternativas antissistema, são contra o multilateralismo, devotos de causas religiosas, pautados por conspirações, apelam a um “perigo estrangeiro”, invocam pautas ideológicas e referem-se aos EUA o tempo todo.

Hoje um dos alvos mais frequentes de críticas de Bolsonaro e de seus seguidores, o líder venezuelano já chegou a ser aplaudido pelo capitão reformado em uma entrevista em 1999 à Folha de S.Paulo. Ele afirmou que o bolivariano era “uma esperança para a América Latina”, comparando-o aos militares que governaram o Brasil de 1964 a 1985. Sem poupar elogios, o então deputado disse que, assim como o “admirável” Chávez, não era anticomunista. “Gostaria que essa filosofia [militarista] chegasse ao Brasil. Acho ele [Chávez] ímpar”.

Maduro, hoje o substituto sem carisma de Chávez, disse na reportagem divulgada na segunda-feira, 16 de setembro, que Bolsonaro “não conhece a história da América Latina nem da Venezuela”. Ao que parece, o capitão reformado parece dar razão aos líderes controversos através do tempo.

Na época de sua campanha à presidência, Bolsonaro já havia subvertido o discurso – não sem antes dizer que a antiga reportagem era mentirosa. Nem mesmo o que separava o bolsonarismo do discurso chavista, o “temor imperialista” durou. Com o que o governo chamou de “ataques” de lideranças europeias, o apelo à soberania brasileira foi muito usado, principalmente em redes sociais.

Com o argumento de que a Amazônia está sob ameaça e de que deve ser um assunto exclusivo do Brasil, houve até quem questionasse os dados da Nasa. Tudo em nome de blindar o governo e suas mentiras.

É fácil ver a hipocrisia. Os mesmos trolls – robóticos ou não – que desmerecem a ajuda da Europa pedindo em, caixa alta, que a Venezuela seja invadida. Arma no quintal dos outros é refresco.

Bolsonaro repete Chávez

Em 2009, a juíza venezuelana María Lourdes Afiuni foi detida minutos após conceder liberdade ao empresário Eligio Cedeño, em prisão preventiva há três anos por uma acusação de corrupção. A medida desagradou Chávez. No dia seguinte, ele falou ao público que deveriam prender Afiuni “por 30 anos” e que, segundo a filosofia de Simón Bolívar, “os que tomam um só centavo do tesouro público deveriam ser fuzilados e os juízes que não condenam esses casos, também”. A juíza ficou presa em regime fechado, sem qualquer julgamento, por quatro anos, e segue sendo alvos de processos.

Comentários favoráveis à detenção de quem julga como oposição também saíram da boca de Bolsonaro. Ao sugerir que o jornalista Glenn Greenwald poderia pegar “uma cana” no Brasil por conta das reportagens sobre a Lava Jato, o presidente brasileiro age como Chávez. É o que pensa o relator especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Edson Lanza.

Em entrevista à BBC News, o jurista afirmou que Bolsonaro abandona “rapidamente” a defesa da liberdade de imprensa quando incomodado. E tem sido assim desde os primeiros meses: se o governo não gosta, a culpa é do jornalista, cuja reputação nenhum membro do governo tem vergonha de tentar arruinar.

No caso de Chávez, toda a culpa recaía sobre os EUA. Já para Bolsonaro, a culpa é da esquerda global. E assim o discurso vai.

A luta contra a razão tampouco é pioneira. Chávez também atacou a educação, cercando universidades autônomas com o aparelhamento do acesso ao ensino e seu conteúdo. Já sob Maduro, quando a repressão se intensificou, a situação de luta pela liberdade de ensino e formação independente foi reunida em um relatório denso, publicado pela Coalizão de Cátedras e Centros de Direitos Humanos. Como consequência da crise que afeta o ensino e a ciência, a migração venezuelana, que já supera os 3 milhões, acarreta em uma fuga de cérebros.

Diferentemente de Chávez, que governou de 1999 a 2013, quando morreu vítima de um câncer, Bolsonaro e seu desastre têm menos de um ano de vida – tempo suficiente para que um ministro da Educação já tenha caído, o Enem tenha sido posto em xeque, o MEC esteja sob o comando de um tenente brigadeiro e tenhamos uma intensa fuga de cérebros para chamar de nossa. À la Chávez, Bolsonaro também interferiu em uma decisão democrática em âmbito acadêmico. Ignorando os resultados das consultas e votações internas, indicou reitores e interventores de sua preferência em pelo menos oito universidades e colégios federais.

O ativista da oposição venezuelana, Edgar Baptista, conta que os governos só são diferentes no plano econômico e nas bases eleitorais. Hoje vivendo em Santiago por conta da repressão em Caracas, Baptista diz que sobram semelhanças. “Nos dois governos, as alas ideológica e militar convivem, ainda que não se gostem. Os dois discursos atacam a corrupção, vendendo uma ideia de antipolítica. E os dois, por meio da política, buscam seus próprios privilégios.”

O líder social também cita o início parecido na política externa dos dois. “Bolsonaro anunciou a saída da Unasul e logo em seguida se juntou aos liberais de região para criar o Prosul. Lembra muito o que Chávez fez em 2006, quando saiu da Comunidade Andina de Nações, atacando o livre-comércio. Os dois têm dificuldade de trabalhar com o que já existe e de manter a institucionalidade”.

No caso de Hugo Chávez, toda a culpa recai sobre os Estados Unidos. Já para Bolsonaro, a culpa é da esquerda global. E assim o discurso vai.

Margareth Thatcher, Pinhochet, Mandela, Euro e Epitáfios

EpitáfioBlog do Mesquita1. Estou muito consciente que você (Augusto Pinochet) trouxe de volta a democracia ao Chile. Quero agradecer por você começar uma nova era no Chile, uma era fundada em democracia verdadeira”
2. “Nelson Mandela é um terrorista”
Frases de Mrs. Thatcher

1 A. Considerar Pinhochet um democrata, e ser incensada por uns que hoje consideram Chávez, eleito é pleito fiscalizado por Jimmy Carter, como ditador, é um dos problemas próprios dos que padecem da cegueira ideológica, de todas as vertentes, e que tendem a só olhar para um único ponto que lhes seja conveniente.
Por isso é que que abomino indignação seletiva.

2 A. Quanto a Mandela, consta que Mrs. Thacher, posteriormente participou de esforços diplomáticos para a libertação do líder sul-africano, mas, no meu entender, a ação meritória, pesquisarei o fato, não invalida o destempero verbal infeliz e mentiroso, mas perfeitamente viável vindo de quem veio.

3. No campo econômico ela tomou medidas necessárias à época, considerando-se o momento em que se encontrava a economia britânica. No entanto, se por catequese dela, ou por primária absorção catequética, governantes outros aplicaram o que se convencionou adjetivar de “Thatchismo”.

4. A meu sentir o resultado foi a “debacle” econômica da Europa que se vê atualmente. Penso que só assim, aplicação generalizada do “Thachismo”, é que se chegou ao ponto de uma ‘ilhotinha’ como Chipre, colocar a economia mundial de joelhos rogando preces a todos os santos e oráculos.


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Nicolas Maduro, a múmia do Chávez e o Papa

O substituto do Chávez credita a eleição do Papa Argentino ao Chávez.

O idiota não faz nem ideia de que quem elegeu o jesuíta foi Herr Ratzinger, que para poder influenciar no conclave, renunciou.

Chávez, segundo especialistas, não serve para ser embalsamado, encerrando assim as pretensões do maluquete do caribe de se igualar à múmia de Tutancâmon.

Por outro lado me impressiona a importância que facínoras obtêm nas redes sociais.
Por que se perde tempo com esses caras? É paixão recolhida?

Não têm a menor importância, exceto para os insanos que os admiram, e aos que os odeiam aponto de destilarem bílis pelos poros.

Tanto a paixão como o ódio ideológico, cega a análise dos fatos e embotam a lógica analítica. O que disserem de mal deles nada mudará na mente dos que os idolatram, e não será novidade aos que os odeiam. E assim não adianta elogiar ou malhar tais figuritas.

Nessa madrugada, pelos lados do Rio de La Plata ouviram-se salvas de tiros em certa “Escola” no sofisticado Bairro de Nuñez. Videla, Galtieri, Viola, Massera, e demais “anjinhos” eufóricos.

Ao vivo e nas tumbas.


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Deputados vão ao não enterro de Chaves como nosso dinheiro

Ratos de colarinho branco políticos Congresso nacional Blog do MesquitaEra só o que faltava.

Enquanto a maioria da população está dedicada a desvendar os conchavos do conclave no Vaticano, suas (deles) ex-celências os depufedes federais – ainda não consegui o “nominhozinho” deles – vão à custa do seu, do meu do nosso sofrido dinheirinho participar do enterro – mas o caudilho maluquete do Caribe não vai ficar insepulto? – do Chávez.

São sete, número emblemático, os papa-defuntos do congresso que irão às nossas custas – hotel, passagem, alimentação ajuda de custo… Que república!


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Chávez e o New York Times

No NY Times:

“Chávez um político brilhante, mas incompetente. Culpou os Estados Unidos por seus fracassos na economia, na geração de empregos e na luta contra a criminalidade.”

Mas nenhuma palavra sobre o fornecimento de petróleo – 20% do consumo diário – da Venezuela de Chávez ao país do Obama.


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Chávez já morreu?

De há muito que desconfio que isso possa ser verdade.

Na Venezuela um deputado da oposição, Pablo Medina, jura por todas as almas que são hóspedes de Hades, que o maluquete das Caraíbas já passou dessa para outra há mais de 2 semanas.

A romaria das viúvas políticas, e presidentes amigos do bolivariano Chávez, que a foram a Cuba foi somente para combinar o teatro do velório.


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Chavismo sem Chávez

Ausência de Chávez não será o fim do chavismo, dizem analistas

Nicolas Maduro e Diosdado Cabello
Líderes do chavismo têm se esforçado para mostrar unidade em público

A eventual ausência em definitivo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não representará o fim do chavismo, na avaliação de analistas ouvidos pela BBC Brasil. Segundo eles, o movimento político continuará enquanto durar a unidade de seus líderes restantes, mesmo sem a presença de seu fundador.

Críticos de Chávez o acusam de adotar um estilo excessivamente centralizador e de não ter construído uma liderança alternativa ao longo de seus 14 anos no poder, capaz de dar continuidade ao projeto da revolução bolivariana. Esse perfil, acreditam eles, teria criado uma espécie de “Chávez-dependência” que gera dúvidas sobre o futuro do governo sem Chávez no comando.

“Aqueles que sonham que depois de Chávez não há chavismo tomarão um banho de água fria quando se depararem com a realidade”, afirmou à BBC Brasil o ex-ministro Jesse Chacón.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Segundo ele, se Chávez tiver que se afastar da vida pública, o chavismo terá por “necessidade” que formar uma liderança coletiva. “Por uma simples razão: na geração dirigente não há quem aglutine tudo o que é Chávez. Não há ninguém capaz disso, nem dentro, nem fora do chavismo.”

A historiadora Margarita López Maya também prevê, no início, uma união pragmática dos chavistas, sem a qual existe o risco do movimento chegar ao fim.

“Se se dividem agora, sabem que irão afundar”, disse Maya. Porém, ela acredita que os líderes “mais cedo ou mais tarde entrarão em um processo de fratura a médio e longo prazo.”

Trio do poder

A discussão sobre o futuro da Venezuela sem Chávez era assunto vetado entre os dirigentes e a base chavista há pouco mais de dois anos. Aquele que ousava criticar a “onipresença” do presidente podia ser acusado de “contrarrevolucionário” e ser expulso de qualquer assembleia ou discussão.

“Dizem que Diosdado e eu estamos nos matando (…) Estamos nos matando de lealdade a Chávez e à pátria.”

Nicolás Maduro, vice-presidente venezuelano

Chávez é considerado a única figura capaz de unificar as diferentes correntes e movimentos sociais que compõem o chavismo. Sem ele, a tendência de disputas internas é eminente.

Antecipando a tensão interna, antes de viajar a Cuba para submeter-se à sua quarta cirurgia para combater um câncer na região pélvica, Chávez deixou uma espécie de testamento político e indicou seu vice-presidente, Nicolás Maduro, como eventual sucessor na liderança chavista. A decisão, no entanto, não dá absoluta autonomia a Maduro.

O trio que compõe a cúpula da direção chavista não trabalha, por enquanto, de maneira separada. Maduro, cuja força política vem de sua origem sindical, precisa do presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, o número dois no triângulo de poder, para dialogar com os militares – um dos pilares de sustentação do chavismo.

Ambos, no entanto, necessitam do pouco carismático ministro de Energia e Petróleo, Rafael Ramirez, o número três do triângulo. Ramirez é conhecido popularmente como o “dono do talão de cheques” por controlar a estatal petroleira PDVSA, coração da economia do país.

Nas últimas semanas, dirigentes políticos opositores e os meios de comunicação privados vinham alimentando informações sobre uma suposta divisão entre Maduro e Cabello. Para responder aos rumores, os dois chegaram a se abraçar em duas diferentes manifestações públicas, para baixar a tensão na base chavista que, por enquanto, só confia em Chávez.

“Dizem que Diosdado e eu estamos nos matando (…) Estamos nos matando de lealdade a Chávez e à pátria”, disse Maduro, ao abraçar a Cabello.

O presidente venezuelano permanece hospitalizado em Cuba após sofrer complicações em sua quarta cirurgia. De acordo com o governo, a infecção respiratória que enfrenta está controlada, porém a insuficiência respiratória persiste.

Há mais de um mês Chávez não é visto ou ouvido em público, fator que aumenta a tensão no país sobre o futuro da Presidência e as consequências de uma eventual era pós-Chavez.

Mito

Outro desafio para o chavismo como movimento é a herança carismática de Chávez. Sua simbologia tende a fortalecer o governo e sua carga emotiva, porém, isso também tende a ser uma “carga pesada” para aquele que pretenda ocupar seu lugar na liderança política do chavismo.

Chávez, Diosdado Cabello (esq.) e Nicolás Maduro (dir.)Chávez, que sofre de câncer, não é visto ou ouvido em público há mais de um mês

“É um dos personagens mais importantes e significativos dos últimos cinquenta anos. Há poucos com seu calibre. No contexto latino-americano, é o mais interessante desde Fidel Castro”, afirmou o historiador britânico Richard Gott, especialista em América Latina, autor do livro À Sombra do Libertador – Hugo Chávez Frias e a transformação da Venezuela.

Para Gott, sem Chávez, a Venezuela entrará em um período de “normalização”. “Será um país normal, sem tanta projeção, sem um líder carismático”, afirmou.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil, tanto simpatizantes como críticos à revolução bolivariana, concordam com a definição do Chavismo como um movimento histórico, de bases populares, que tem como pilares ideológicos “o socialismo, o anti-imperialismo, a justiça social, soberania nacional e integração latino-americana”.

Para além dos termos conceituais, na opinião do analista político Oscar Schemel, da Consultoria Hinterlaces, “o chavismo se constitui em uma unidade emocional, numa identidade de classe e em uma nova cultura político popular”, afirmou Schemel.

Desde que foi diagnosticado com câncer, a figura política de Chávez como mito passou a se fortalecer.

Dezenas de missas, cultos, rituais indígenas e de santería (culto afro local) são realizadas diariamente em nome da recuperação da saúde do presidente.

Nas ruas, velhos e novos grafites com a imagem de Chávez disputam espaço nos muros da capital. Em algumas casas, a foto do “comandante” está colocada em um altar, sempre acompanhado de uma vela.

“Ele (Chávez) nunca vai morrer. Mesmo se não estiver mais aqui, seu pensamento nunca morrerá”, disse uma simpatizante, durante manifestação de apoio ao presidente.
Claudia Jardim/De Caracas para a BBC Brasil

Mensalão, Chávez e a indignação seletiva

Abomino indignação seletiva.

Sem fazer juízo de valor. Somente o fato em si.
Imprensa brasileira acha justo a oposição na Venezuela recorrer a OEA contra a farsa montada pelo maluquete bolivariano.

Já no Brasil, réus do mensalão ameaçarem recorrer a Tribunal Internacional é “afronta ao STF“.
O “jus sperniandi” é inerente a todo ser humano.

Na Venezuela, saliente-se, antes de usarem a marreta sobre mim, a Corte Suprema também julgou legal o fato ao qual a oposição recorre na OEA.
Repito: esse é o fato. Sem juízo de valor.


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Não chores, Argentina

Resenha portenha
Nelson Mota

Mais gostoso do que ganhar a sede das Olimpíadas, só mesmo assistir pela televisão, num bar de Buenos Aires, cercado de amigos argentinos. E depois, em todos os lugares, receber cumprimentos, e retribuir com sinceros “bienvenidos”. Qualquer gozação seria covardia, a coisa está preta no Prata.

Com sua seleção com um pé no abismo, eles adorariam trocar Maradona por Dunga, assim como cambiam dois pesos por um real. E ainda dariam Messi de troco. Embora em corrupção e políticos safados estejamos empatados, eles trocariam de bom grado dez Cristinas por um Lula. O casal Kirchner está cada vez mais para Rosinha e Garotinho do que para Perón e Evita.

Alem da gastança populista, da corrupção e do autoritarismo, a intimidade com Chávez e suas malas de dinheiro foi fator decisivo para a fragorosa derrota do casal K nas recentes eleições parlamentares. Abriram guerra contra os meios de comunicação, estatizaram os direitos das transmissões de futebol na televisão, brigaram com os produtores rurais, a maior fonte de riqueza do país, chafurdaram na crise econômica, estão com o FMI bufando no seu cangote, a inflação, a pobreza e a criminalidade crescem, as estatísticas não são confiáveis, a Argentina parece o Brasil, ontem. Um efeito Orloff revertido?

É a paixão nacional pelo confronto, que já fez a Argentina chorar tanto, a opção kirchnerista pela “democracia plebiscitária” do quem-não-está-conosco-está-contra-nós, uma medonha cruza de Bush com Chávez. Não por acaso, mas por paixão, eles são os criadores do tango. E foram à guerra contra a Inglaterra. Ou será porque são os maiores consumidores de carne vermelha — la mejor del mundo, por supuesto — do planeta? Neste caso, a Índia vegetariana deveria ser de uma harmonia e um pacifismo entediantes. O Paquistão que o diga.

Por essas e outras, a Argentina tem o maior número de psicanalistas per capita do mundo, e não lhes faltam clientes. Afinal, uma das melhores definições de “ego” que conheço é: um argentino pequenininho que vive dentro de cada um de nós. Mas apesar de tudo, assim como o Rio de Janeiro, Buenos Aires continua linda.

O Globo

Internet: os tiranos tentam censurar a web

Sai tirano entra tirano, e nem todo o poder de armas, prisões, repressões e censuras, conseguem impedir que as notícias se espalhem pelo mundo. Nenhuma ditadura até hoje se manteve por muito tempo contra o poder da informação. E é aí justamente que a WEB mostra todo o poder de informar, apesar da censura que os Cháves da vida tentam impor à grande rede.

A internet, única invenção humana que não tem botão de desligar, é hoje, a arma mais poderosa contra os tiranetes de todos os matizes.

Houvesse internet àquelas épocas, os Stalins, Maos, Hitlers,Idi Amins, Mugabes e demais escórias, não teriam infelicitado seus povos por tantos anos.

O editor


Os tiranos da Internet

Como o povo iraniano tem conseguido burlar o arsenal tecnológico dos aiatolás para blloquear o seu acesso à rede – e ao mundo.

A história mostra que qualquer ditadorzinho de aldeia sabe que sua permanência no poder exige censurar opositores. Os jornais são asfixiados economicamente ou simplesmente empastelados. As emissoras de televisão passam para as mãos do estado e vivem de cobrir eventos oficiais e de elogiar os mandatários.

Mas como censurar a internet, essa rede caótica sem comando central formada por computadores que podem se ligar por cabos, satélites, retransmissores sem fio e cujos usuários têm meios de esconder facilmente sua identidade?

A ditadura chinesa já censura a internet com um grau de sucesso apenas relativo. Mais recentemente, esse desafio foi colocado aos ditadores teocratas do Irã.

Desde que o povo começou a se manifestar nas ruas contra o resultado fraudado das eleições presidenciais, os aiatolás passam dias e noites tentando cortar as ligações via internet dos iranianos com o exterior.

Veja – Camila Pereira e Renata Betti