Cerveja – Senador Geraldo Mesquita enfrenta o lobby cervejeiro

Salve!

Eu, que costumo ser crítico mordaz da atuação dos parlamentares brasileiros, tenho, contudo, o discernimento de reconhecer quando um membro do parlamento atua no interesse real da população.

É o caso do Senador Geraldo Mesquita Jr. – não é meu parente e, faço essa ressalva, não por escusa, mas, para o elogio verter imparcial – que honrando o mandato recebido, vai a tribuna do Senado e combate o bom combate. É preciso coragem cívica para enfrentar o mais poderoso lobby atuante no Congresso Nacional, o dos fabricantes de bebidas alcoólicas.

Hélio Fernandes – Tribuna da Imprensa

O Senador Geraldo Mesquita fez brilhante e duríssimo discurso contra o que chamou de “lobismo cervejeiro”. Pediu que o “Brasil inteiro participe de uma campanha para que seja proibida a publicidade cervejeira”, como aconteceu com a droga chamada cigarro. Foi muito aparteado, todos considerando as ameaças dos proprietários “cervejeiros”, audácia inominável.

Um só exemplo de como os “cervejeiros” embriagam, principalmente os jovens. Imbev-Ambev querem comprar a fabricante da Budweiser, pagando 46 BILHÕES DE DÓLARES.

É um círculo “viciado e embriagador”: vão vender mais, anunciar mais, criar mais, mistificar mais ligando “cervejeiro” com liberdade de imprensa.

17% dos deputados estão ligados a “lobby” da cerveja

Brasil: da série “o tamanho do buraco”
Lei que limita publicidade de bebida é afogada por “lobby” no Congresso.

Inúmeros estudos médicos, sociológicos e antropológicos, entre outros, comprovam o dano causado pelo consumo de álcool. Desde simples discussões, passando por lesões corporais e homicídios, até a cataclismíca tragédia dos acidentes de trânsito.

A influência altamente perniciosa na formação de corações e mentes das crianças e adolescentes, já é motivo suficiente para assim com foi feito com o cigarro, a publicidade de bebidas seja definitivamente proibida.

Impressiona, entristece e decepciona, assistir artistas famosos e formadores de opinião, emprestarem sua imagem e credibilidade para em troca de generosos cachês, induzirem os jovens ao consumo de bebidas alcoólicas.

Para entender porque não se consegue legislar sobre esse assunto, veja os dados obtidos por pesquisa publicada na Folha de São Paulo
Por Angela Pinho e Maria Clara Cabral

Levantamento na Câmara aponta que, dos 513 parlamentares, 87 (16,96%) estão ligados a empresas com interesses contrários à regulamentação da publicidade de cerveja.

A pesquisa, realizada pela Folha a partir de dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostra que quase um em cada cinco deputados têm concessões de rádio e televisão e/ou receberam doações de campanha da indústria de bebidas e de comunicação – que em 2006 superou os R$ 2 milhões.

Nesta semana, o projeto que restringe a propaganda de bebidas com baixo teor alcoólico, inclusive a cerveja, entre as 6h e as 21h em rádio e televisão, foi retirado da pauta de votações da Câmara, a pedido do governo, após resistência de líderes partidários.