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Seu celular também está destruindo a Amazônia

“Se você se preocupa com a Floresta Amazônica, não há nada que faça mais mal a ela do que a mineração aluvial. Você poderia jogar uma bomba nuclear na floresta, e isso seria melhor do que garimpá-la.”Ambiente,Amazônia,Ouro,Contaminação,Celulares,Ecologia,Meio Ambiente,Natureza,Brasil,Crimes Ambientais,BlogdoMesquita

Cris Bouroncle / AFP / Getty Images

Vista aérea de uma área quimicamente desmatada da floresta amazônica causada por atividades ilegais de mineração na bacia hidrográfica da região de Madre de Dios, no sudeste do Peru, em 17 de maio de 2019, durante a operação conjunta “Mercúrio” realizada por militares e policiais peruanos em andamento desde fevereiro de 2019.

Os incêndios florestais que estão assolando a Amazônia atraíram a atenção do mundo. Muitos cientistas acreditam que os pecuaristas, para limpar as terras, tenham causado os incêndios, estimulando grupos em todo o mundo — incluindo o governo da Finlândia — a pedirem um boicote à carne brasileira. Mas, para boicotar todos os produtos que estão destruindo a Amazônia, você precisaria fazer muito mais do que desistir da carne.

Você precisaria jogar fora seu celular, seu notebook, sua aliança de casamento e qualquer outra coisa contendo ouro.

“Não há como extrair o ouro sem destruir a floresta. Quanto mais acres você destrói, mais ouro obtém. É diretamente proporcional”, disse Miles Silman, cofundador do Centro de Inovação Científica da Amazônia (CINCIA) da Universidade Wake Forest.

“Não há como extrair o ouro sem destruir a floresta.”

O que alimenta essa demanda não é apenas o apetite mundial por barras e joias de ouro — as maiores finalidades dadas ao ouro —, mas também da alta tecnologia. Pequenas correntes elétricas circulam constantemente pelo seu iPhone, pela sua assistente virtual Alexa e pelo seu notebook — e quem transporta essas correntes é o ouro, um fantástico condutor de eletricidade que também é resistente à corrosão.

Embora não haja muito ouro dentro de um único dispositivo — um iPhone 6, por exemplo, contém 0,014 gramas, ou cerca de R$ 2 —, no total, o valor é espantoso. Segundo o pesquisador de mercado Gartner, mais de 1,5 bilhão de smartphones foram vendidos no ano passado, com 1,3 bilhão deles sendo dispositivos Android. Estes foram seguidos por 215 milhões de dispositivos iOS.

Portanto, a indústria de tecnologia, que consome quase 335 toneladas de ouro por ano, simplesmente precisará cada vez mais do metal.

“Há uma corrida do ouro na Amazônia no momento, exatamente como a corrida do ouro que aconteceu na Califórnia na década de 1850”, disse Silman.

De acordo com um estudo do CINCIA de 2018, a mineração artesanal, ou mineração em pequena escala conduzida por garimpeiros independentes, desmatou quase 250 mil acres de floresta tropical na região de Madre de Dios, no Peru, onde Silman concentra seu trabalho. Outro estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Porto Rico em 2015, descobriu que aproximadamente 415 mil acres de floresta tropical na América do Sul foram perdidos pela mineração de ouro. Um mapa compilado pelo grupo ambiental Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada mostra 2.312 locais de garimpo ilegal em 245 áreas em seis países, o que o grupo chamou de “epidemia”.

E assim como a corrida do ouro na Califórnia deu origem a uma ilegalidade que levou gerações até ser controlada, os fornecedores da indústria de tecnologia nem sempre conseguem atender à demanda, e às vezes recorrem à economia do garimpo ilegal da Amazônia.

Afp / AFP / Getty Images

Um garimpeiro mostra um pedaço de ouro após extração e processamento, em 6 de maio de 2008 em El Ingenio, Peru, 420 km ao sul de Lima. A mineração artesanal é responsável pela subsistência de mais de 40 mil famílias peruanas, e quase 15% da produção de ouro do país venha dessa atividade. Desde os anos 80, muitos campos de extração foram convertidos em pequenas cidades mineiras, sem serviços básicos e com altos níveis de poluição.

Uma investigação do Miami Herald em 2018 detalhou como vários negociantes da empresa de metais preciosos do sul da Flórida, a NTR Metals, compraram US$ 3,6 bilhões em ouro de minas ilegais na América do Sul. A NTR Metals desde então foi fechada e os negociantes presos. A empresa era uma subsidiária da Elemetal, uma importante refinaria de ouro dos EUA fornecedora da Tiffany & Co. e outras marcas de consumo, como a Apple, a qual disse que parou de trabalhar com a fornecedora, em divulgações corporativas para o ano de 2017 e 2018.

A Apple está longe de ser a única gigante da tecnologia que obtém ouro da região amazônica. Uma análise das divulgações corporativas feita pelo BuzzFeed News descobriu que Amazon (a empresa), Apple, Samsung, Sony e Google listam as refinarias Asahi e Metalor como fornecedores. Por sua vez, essas empresas, com sede respectivamente no Japão e na Suíça, compram parte de seu ouro das minas sul-americanas. De acordo com o Herald, essas empresas compram de corretores, que obtêm seu ouro de uma variedade de minas legais e ilegais na região.

Empresas como a Alphabet, controladora do Google, estão cientes dos impactos da mineração de ouro na Amazônia, e têm tomado medidas para resolver isso. Um porta-voz da empresa do Google apontou para sua política de minerais de conflito, e diz que conta com auditorias de terceiros para garantir que as fundições estejam em conformidade. Samsung, Sony e Amazon não responderam a um pedido para comentar o assunto. A Apple disse ao BuzzFeed News que todas as suas refinarias de ouro participam de auditorias de terceiros. “Se uma refinaria não for capaz ou não estiver disposta a cumprir nossos padrões, ela será removida da nossa cadeia de suprimentos”, disse um porta-voz da Apple. “Desde 2015, paramos de trabalhar com 60 refinarias de ouro por esse motivo.”

O ouro sujo não acaba apenas nos eletrônicos. Um relatório de 2015 do Ojo Público relatou que empresas vinculadas à London Bullion Market Association — uma organização que determina o preço internacional do ouro — adquiriram metais preciosos em campos de mineração ilegais no Peru, Bolívia e Brasil.

Estima-se que de 15% a 20% do ouro em joias e eletroeletrônicos inadvertidamente vem de minas de ouro de pequena escala, de acordo com a Fairtrade Gold, uma organização que defende o uso de metais preciosos de origem responsável.

“Uma parte do problema do ouro é que tudo vai para um caldeirão de derretimento. Assim, você pode ter uma barra de ouro onde parte dela vem de fontes responsáveis e parte de fontes ilegais, mas que se parece com qualquer barra de ouro”, disse Sarah duPont, presidente da Amazon Aid Foundation.

Essa extração ilegal e suja de ouro afeta o meio ambiente e os seres humanos que o mineram. Comparado à agricultura de soja ou à pecuária, o setor de mineração desmata menos acres de floresta da Amazônia.

No entanto, diz Silman, as emissões de carbono da mineração podem tornar o impacto ambiental da indústria entre 3 a 8 vezes maior do que os acres de superfície perdidos para a mineração podem sugerir.

Além de arrancarem árvores e outras plantas, os mineradores cavam de dois a quatro metros de profundidade no solo, onde o solo é rico em carbono. Esse solo pode ter milhares de anos, e a mineração do ouro libera esse carbono de volta à atmosfera, matando nutrientes na terra que são vitais para as plantas da floresta tropical.

“Se você se preocupa com a Floresta Amazônica, não há nada que faça mais mal a ela do que a mineração aluvial.”

“As taxas de crescimento nas minas são muito lentas, porque você lavou tudo o que é bom do solo”, disse Silman.

A mineração do ouro também transforma a paisagem de outra forma: “1 em cada 5 acres convertidos pela mineração não pode ser reflorestado porque ele é convertido em um corpo d’água. Então, acaba ficando igual a Minnesota, com milhares de lagos por toda a paisagem”, disse Silman. “Se você se preocupa com a Floresta Amazônica, não há nada que faça mais mal a ela do que a mineração aluvial. Você poderia jogar uma bomba nuclear na floresta, e isso seria melhor do que minerá-la.”

Além da devastação ambiental, o mercúrio, usado como amálgama para extrair o ouro da terra, contamina o suprimento de água e alimentos da região. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA, a mineração artesanal e em pequena escala de ouro é a principal fonte de mercúrioliberada no meio ambiente. Pesquisadores descobriram altos níveis de mercúrio, o qual tem efeitos sérios à saúde nos sistemas nervoso, digestivo e imunológico, em pessoas vivendo ao longo da fronteira Brasil-Venezuela, na área de Madre de Dios do Peru e no Suriname.

Joao Laet / AFP / Getty Images

Vista aérea do campo informal de mineração de ouro Esperança IV, próximo ao território indígena Menkragnoti, em Altamira, Pará, Brasil, na bacia amazônica, em 28 de agosto de 2019.

Apesar dos perigos, é improvável que a mineração do ouro na região amazônica diminua. O presidente Jair Bolsonaro está trabalhando para abrir mais da Amazônia à mineração.

O que pode ser feito? Segundo Kevin Telmer, diretor executivo do Artisanal Gold Council, uma organização que trabalha para profissionalizar e treinar o setor, o problema ambiental está vinculado ao da pobreza extrema.

Proibir a mineração em pequena escala não seria eficaz, de acordo com a Telmer: “As pessoas têm pedido a saída dos garimpeiros há 40 anos, e eles não saíram. O que a proibição faz é levar a economia ao mercado negro.”

“O que realmente é necessário são caminhos econômicos sustentáveis para os indivíduos que atualmente praticam o garimpo ilegal”, disse Payal Sampat, diretora do programa de mineração da Earthworks, uma organização sem fins lucrativos que iniciou uma campanha chamada No Dirty Gold (Sem Ouro Sujo, em tradução livre) em 2008. Sampat acrescentou que a compra de joias antigas e a manutenção de aparelhos eletrônicos por mais tempo é uma boa maneira de as pessoas reduzirem o consumo de ouro.

Silman, pesquisador do CINCIA, concorda. As minas exploradas legalmente, disse ele, estão pelo menos confinadas a uma pequena área, em vez de milhares de minas espalhadas pela paisagem. A tributação das operações de mineração também pode ajudar o fluxo de dinheiro a voltar para a colocação de empregos e outros programas: “Foram arrecadados US$ 3 bilhões em Madre de Dios, e muito disso escoou através das máfias. Há pouco mais de 100 mil pessoas vivendo naquela terra, e elas teriam recebido US$ 300 milhões em receita tributária”, disse ele.

O Artisanal Gold Council, disse Telmer, está trabalhando para fornecer treinamento e educação para os mineradores, reflorestar áreas mineradas e introduzir processos mais eficazes que o uso de mercúrio.

A formalização e a profissionalização do setor podem ajudar os mineradores a serem mais produtivos e também menos impactantes para o meio ambiente, disse Silman: “Depois de fazer tudo isso, pelo menos você pode tirar um bom proveito da mineração e ainda não destruir todas as oportunidades para o futuro dependentes da biodiversidade.”
Nicole Nguyen

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O celular se reinventará em 2019: estas são as novidades que veremos

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O mundo dos smartphones pode se deparar com uma necessária reinvenção em 2019. Os fabricantes estão fazendo tudo o que podem para atrair um cliente que já parece ter perdido o incentivo para mudar de aparelho antes do tempo. Em média, o celular é trocado a cada 22 meses (de acordo com dados da Kantar nos Estados Unidos), um prazo inferior ao realmente necessário se nos ativermos à vida útil do equipamento. No entanto, este ritmo frenético de crescimento começou a se desacelerar por um duplo motivo, segundo os especialistas: por um lado, porque os mercados do Primeiro Mundo praticamente atingiram o nível de saturação; por outro, porque os consumidores deixaram de encontrar incentivos para renovar o celular, dada a ausência de novidades substanciais.

Mas os fabricantes (e as operadoras) podem influenciar o segundo motivo e esta batalha hercúlea tem sido preparada com a encomenda para o próximo ano de uma série de novidades que justificariam a troca de celular. Convém lembrar também que as marcas, diante de uma demanda cada vez menor em volume, se viram forçadas a aumentar o preço de venda de telefones celulares para manter as margens. Como resultado dessa estratégia, a Apple anunciou que deixará de informar o número de unidades vendidas de seu iPhone e se concentrará apenas no volume de faturamento.

Quais são as novidades que podem reverter essa tendência?

Celulares dobráveis
Este é possivelmente o maior efeito-trator que o mercado vê em 2019: tanto a Samsung como outras empresas do setor vão comercializar as primeiras unidades de um novo formato que tem boa perspectiva de se consolidar no mercado. Um celular que se carrega dobrado no bolso e é desdobrado na hora do uso oferece muitas vantagens e multiplica a utilidade do dispositivo. No entanto, o novo formato enfrenta desafios poderosos que ainda não abriram o caminho para este tipo de equipamento: 2019 será o ano da estreia oficial deste tipo de celular.

Telas perfuradas
O mercado exige celulares cada vez mais finos e compactos, e os fabricantes não sabem muito bem como resolver um problema de fabricação: o espaço dedicado no chassi para as câmeras, em especial a frontal, a das selfies. A Apple optou por uma solução controversa no iPhone X: o polêmico entalhe (notch), uma área inserida na tela frontal e que ocupa uma parte mínima na qual se localiza a ótica frontal. Esta solução foi considerada tosca pelos rivais e, nessa busca pelo minimalismo, o último grito consiste em integrar a câmera na tela através de um entalhe que ocupe espaço mínimo.

5G, a hipervelocidade
As novidades relacionadas ao hardware foram necessárias para incentivar um mercado um tanto entediado por ver sempre a mesma coisa, mas as operadoras desempenham um papel fundamental no que diz respeito à experiência do usuário. Nesse sentido, a próxima coisa que veremos será uma revolução absoluta na rede: o 5G. É uma evolução na rede atual, o 4G, que fará disparar a utilidade dos telefones celulares, mas, acima de tudo, a velocidade de conexão: o 5G é até cem vezes mais rápido que a rede anterior. Mas esta rede está muito mais bem preparada para a conhecida Internet das coisas e a conexão com múltiplos dispositivos será muito mais econômica, permitindo o uso de módulos mais baratos. O consumo da bateria será muito menor.

Câmeras incríveis à espreita
Você não será pego desprevenido se ficar sabendo que os celulares revolucionaram o mundo da fotografia e que, em 2017, estimativas indicavam que 85% das fotos do mundo foram tiradas de dispositivos móveis. Como as coisas estão, é compreensível que os fabricantes se esforcem para oferecer câmeras cada vez mais potentes e inteligentes. No primeiro caso, algumas marcas embarcaram em uma corrida louca por megapixels e, em 2019, veremos vários modelos atingirem a figura inimaginável de 48 MP, algo impensável há alguns anos. Em relação ao segundo, o Google e a Apple, especialmente o primeiro, mostraram ao mundo que a inteligência artificial é ótima para o mundo da fotografia móvel: em dispositivos como os Pixel da empresa Mountain View, quando se clica no disparador entram em ação uma série de processos nos quais a fotografia resultante é analisada e otimizada, contemplando todas as variáveis.

A guerra dos robôs se trava na Wikipédia

Até 4,7 milhões das mudanças da enciclopédia digital são feitas por programas de computador

Captura de tela da página inicial da Wikipédia em seu 15º aniversário.Captura de tela da página inicial da Wikipédia em seu 15º aniversário.

Cada vez são mais os sites da web que incorporam bots, robôs que são programas de computador que se comportam como humanos, para executar tarefas como responder perguntas dos usuários, fazer publicidade ou abrir contas de e-mail. Mas, apesar dos esforços e de seu uso generalizado, ainda estão muito longe de atuar na rede como se fossem uma pessoa. Essa é a conclusão à qual chegou um grupo de engenheiros do Instituto Alan Turing do Reino Unido, que estudou o comportamento desses robôs na Wikipédia e descobriu que até 4,7 milhões das edições dos artigos são correções que os robôs estão fazendo constantemente entre si, caindo em um tipo de edição interminável nada produtiva.

Captura de tela de uma das edições realizada por um bot.
Captura de tela de uma das edições realizada por um bot. WIKIPEDIA

Os robôs que trabalham na Wikipédia são responsáveis por tarefas que podem ser tediosas para as pessoas, como identificar e desfazer casos de vandalismo, adicionar links, verificar a ortografia e cuidar da concordância sintática das orações. O problema surge quando as edições que eles fazem estão condicionadas pelo país e idioma em que foram programados e são influenciadas por alguns aspectos culturais. Por exemplo, algumas dessas reversões são feitas para mudar Palestina por território palestino ou Golfo Pérsico para Golfo Árabe e assim com vários milhões de conceitos que não coincidem nas diferentes regiões do mundo.

Também estão programados para revisar as mudanças feitas cada certo tempo, o que ajuda a aparição de confrontos com outros robôs que fazem exatamente o mesmo e se corrigem entre si quando veem que sua última edição voltou a ser modificada. Nas mudanças que fazem as pessoas não acontecem esse tipo de conflito porque os usuários da Wikipédia raramente voltam a verificar se os dados que corrigiram estão atualizados.

Uma das curiosidades que mostra o estudo é que o número de edições depende do idioma do texto. Os escritos em alemão são os menos modificados, com uma média de 24 por entrada. No lado oposto estão os artigos em português, que acumulam até 185 reversões por artigo. De acordo com especialistas, uma das possíveis soluções para essas intermináveis batalhas é que a Wikipédia permita o uso de robôs cooperativos que podem gerir os desentendimentos e permitir que as tarefas possam ser cumpridas de forma eficiente.

O estudo mostra que os robôs podem trabalhar de forma completamente imprevisível. “O mundo on-line se tornou um ecossistema de robôs e, no entanto, nosso conhecimento sobre como interagem esses agentes automatizados é muito pobre”, reconhece Taha Yasseri, uma das responsáveis pela pesquisa.

Yasseri fala de todo um ecossistema e não exagera: um estudo de 2009 estimou que naquele ano os robôs geraram 24% de todos os tuites publicados; uma empresa de análise de audiências descobriu que 54% dos anúncios exibidos entre 2012 e 2013 foram vistos por robôs em vez de seres humanos; e, segundo uma empresa de segurança da web, os robôs realizaram 48,5% das visitas aos sites de 2015.

O número de incidências causadas por esses programas de computador aumentou de maneira constante nos últimos anos, indicando, de acordo com os pesquisadores, que seus criadores não estão fazendo o suficiente para melhorá-los ou que não conseguiram identificar os problemas que geram.

Alguns conflitos, como os da Wikipédia, podem ser considerados inócuos. Outros são mais problemáticos e virais, como o que aconteceu no Twitter em março deste ano, quando a Microsoft precisou retirar um dos seus robôs por tuitar mensagens com conteúdo racista, sexista e xenófobo. Tinha sido programado para responder perguntas e estabelecer conversas com os mais jovens da web e aprendeu com eles esse comportamento.se tornou um ecossistema de robôs e, no entanto, nosso conhecimento sobre como interagem é muito pobre”

Apesar das falhas e da falta de eficiência demonstrada em muitas ocasiões, os robôs são ainda uma opção muito útil em tarefas de conversação. O exemplo mais claro é Siri, a assistente da Apple que resolve as dúvidas do usuário através de mensagens de voz. Mas também há outros casos, como o criado por um estudante da Universidade de Stanford, que está programado para ajudar as pessoas a recorrer das multas de estacionamento. Em um ano conseguiu cancelar 160.000 multas e já funciona em Londres e Nova York.
Victoria Nadal/ElPais

Segurança: Celulares e aviões

Incidente deixou passageira com manchas negras no rosto e bolhas nas mãos

Incidente deixou passageira com manchas negras no rosto e bolhas nas mãos

Autoridades australianas alertam para o risco de usar aparelhos com bateria em voos, depois que o fone de ouvido de uma passageira pegou fogo e a deixou ferida.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O avião voava de Pequim, na China, a Melbourne, na Austrália.

A passageira, que não foi identificada, relatou à Agência de Segurança de Transporte da Austrália (ATSB na sigla inglesa) que estava ouvindo música quando ocorreu a explosão.

“Levei as mãos ao rosto, o que fez com que o fone de ouvido ficasse em volta do meu pescoço. Mas continuei a me sentir queimando, então arranquei o fone e o joguei no chão. Ele estava soltando faíscas e pegando fogo”, disse ela.

O incidente a deixou com manchas negras no rosto e bolhas nas mãos.

Membros da tripulação correram para ajudá-la. Para apagar o fogo, jogaram um balde de água sobre os fones. A bateria e o revestimento de plástico derreteram e grudaram no chão da aeronave.

“Os passageiros passaram o restante do voo sentido cheiro de plástico derretido e cabelo queimado,” informou a agência australiana.

O relatório não menciona a marca do fone de ouvido, mas aponta que uma das possíveis causas da explosão teria sido uma falha nas baterias de íon-lítio.

A ATSB alertou que “à medida que cresce a gama de produtos que usam baterias, aumenta o potencial de problemas em voos” e divulgou outros casos com problemas semelhantes ocorridos em voos.

No ano passado, a decolagem de um avião em Sydney foi interrompida quando foi detectado que estava saindo fumaça do compartimento de bagagem de mão. Descobriu-se que uma bateria de lítio pegara fogo dentro de uma peça de bagagem.

Em outro voo, nos Estados Unidos, um aparelho eletrônico começou a soltar fumaça depois de ser esmagado sob um assento.

Uma falha das baterias do modelo Galaxy Note 7, da Samsung, fez com que vários aparelhos superaquecessem, pegassem fogo e derretessem – como incidentes registrados no ano passado também ocorreram dentro de aviões, esse modelo específico foi banido de voos internacionais.

A Samsung fez um recall do Galaxy Note e a produção desse modelo foi interrompida.

Golpe que oferece chamada de vídeo no WhatsApp atrai 10 mil vítimas em 1 hora

De acordo com a empresa de segurança ESET, uma das campanhas maliciosas atraiu 10 mil vítimas em apenas uma hora no Brasil.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

“Os cibercriminosos aproveitam lançamentos populares como esse para aplicar golpes que afetem o maior número de pessoas.

Isso porque, na ânsia de acessar a nova funcionalidade, nem sempre os internautas checam a procedência do site e acabam fornecendo informações pessoais ou se inscrevendo em serviços não solicitados”, explica Camilo Di Jorge, presidente da ESET Brasil.

A página da web que promete ativar a funcionalidade pede que os usuários compartilhem o link com seus contatos e enviem uma mensagem SMS a determinado número.

Assim, o usuário é inscrito em um serviço pago não solicitado e acaba tendo valores descontados de seus créditos, em caso de conta pré-paga, ou adicionados ao seu gasto mensal, em linha pós-paga.

Algumas páginas verificadas pela ESET tinham um layout bastante parecido com o da página oficial do WhatsApp, incluindo funcionalidades como escolha de idioma segundo a geolocalização do IP a partir de qualquer dispositivo conectado à internet.

“É importante destacar que não se trata de um vírus de WhatsApp, já que nenhum arquivo é executado. Também não verificamos evidências de que os sites fraudulentos estejam tentando explorar vulnerabilidades nos equipamentos conectados. O único objetivo é o ganho financeiro, com a inscrição no serviço de SMS Premium”, explica o presidente da empresa de segurança.

O que fazer?

Para quem já caiu no golpe, a dica é avisar os contatos e entrar em contato com a operadora para evitar a inscrição em qualquer serviço SMS Premium. Caso positivo, é necessário solicitar a remoção do serviço.

Lembre-se: para ativar a novidade no WhatsApp, é necessário atualizar o aplicativo, mas é importante fazê-lo de fontes confiáveis.

Novo presidente dos EUA, Trump anunciou medidas que vão encarecer o iPhone

A confirmação de que Donald Trump será o próximo presidente dos Estados Unidos deve trazer impactos diretos para o mercado de tecnologia pessoal, uma vez que, quando candidato, o republicano afirmou que obrigaria as empresas americanas a repatriar suas linhas de produção.

“Nós vamos fazer a Apple construir os seus ‘malditos’ computadores e coisas neste país, em vez de outros países”, afirmou Trump no início do ano.

“A Apple e todas estas grandes empresas terão de fazer seus produtos nos Estados Unidos e não na China ou Vietnã.”

Na época, o professor Jason Dedrick , da Syracuse University, ressaltou à Wired que a Apple não apenas terceiriza sua produção a um único fornecedor em um único país, ela conta com uma vasta e complexa cadeia de fornecimento para compilar um iPhone.

Além de o próprio equipamento de fabricação custar bilhões de dólares e os conhecimentos necessários para executá-lo praticamente só existirem nesses locais, as cadeias de fornecimento são lucrativas para a companhia, que consegue reter cerca de 60% do valor de cada smartphone vendido.

Mais problemático que a “falta de patriotismo”, o impedimento de produzir fora dos Estados Unidos seria logisticamente impossível para as empresas, que aproveitam a mão de obra barata de outros locais para reduzir os preços de seus produtos.
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Galaxy J5 Metal tem boa câmera e longa duração de bateria

Gadget tem fôlego para o dia todo e custa por volta de mil reais

O Galaxy J5 Metal é a evolução do smartphone lançado pela Samsung no ano passado. O design está mais resistente e a câmera ficou melhor.

O preço pouco mudou, ele continua por volta dos mil reais.

Confira mais detalhes sobre o aparelho no vídeo a seguir.


Lucas Agrela/Exame

“Galaxy-gate” arranha imagem da Samsung

Escândalo dos aparelhos que pegam fogo abre espaço para mudanças no mercado de celulares, mas é improvável que cause impacto significativo nas contas da companhia, responsável por um quinto do PIB da Coreia do Sul.

Perfill feminino diante de anúncio do Samsung Galaxy Note 7

Ninguém quer enfiar no bolso ou carregar na tomada um smartphone que pega fogo de repente. E não é lisonjeiro para a reputação de nenhuma marca quando o usuário literalmente queima os dedos ao manusear seus produtos. Notícias como essa são uma verdadeira catástrofe para uma empresa.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Por isso, a sul-coreana Samsung jogou a toalha: constatado o problema com a bateria de seu Galaxy Note 7, ela primeiro ofereceu aos compradores um novo aparelho, grátis. Depois que esse provou ser igualmente defeituoso, ela suspendeu a produção e a venda do smartphone em todo o mundo.

Tal procedimento é típico do antigo “tigre asiático” Coreia do Sul, explica Alexander Hirschle, que trabalha na capital Seul para a GTAI, a agência de comércio externo do governo alemão. “Os coreanos são conhecidos por agir rápido e providenciar uma solução, assim que reconhecem um problema.”

O Galaxy Note 7 era a resposta asiática à líder de mercado Apple, cujos aparelhos são considerados símbolo de status num setor altamente competitivo. Agora a firma californiana recupera a vantagem na “classe A” dos smartphones: suas ações alcançaram a cotação mais alta desde dezembro de 2015, enquanto as da Samsung estão despencando.

Phil Schiller apresenta Phone 7Usuários da Apple não precisam ter medo nem dos bombeiros: novo iPhone é a prova d’água

No outro extremo da escala, dos celulares econômicos, as concorrentes chinesas esfregam as mãos: Lenovo, Xiaomi e Huawei acalentam agora a justificada esperança de abocanhar para si uma parcela do mercado da Samsung. Além disso, essas marcas agora já oferecem aparelhos mais sofisticados, aptos a transformar numa competição mais ampla a briga Apple versus Samsung.

Faturamento: 20% do PIB nacional

Em apenas algumas décadas, a Samsung evoluiu de pequena loja de alimentos a maior multinacional de eletrônica do mundo. Até 2008, quando um escândalo o forçou a renunciar, o filho do fundador do negócio familiar Lee Kun-Hee era o presidente. Desde então, o conglomerado Samsung é dirigido pelos chefes das diferentes empresas que o compõem.

Hoje, ele fabrica e vende navios e arranha-céus, televisores e celulares, moda e produtos farmacêuticos, e muito mais. Mais de 80 firmas operam sob seu nome, com um total de quase meio milhão de funcionários e um faturamento anual superior a 300 bilhões de dólares.

“O faturamento do conglomerado equivale a mais ou menos 20% do Produto Interno Bruto do país”, afirma Alexander Hirschle, da GTAI. “Ela é, com segurança, um dos pilares da economia sul-coreana.”

Perda suportável

A ascensão da Samsung e da Coreia do Sul transcorreram paralelas, desde o princípio da industrialização do país, na década de 1970. Com apoio estatal, a companhia se desenvolveu de forma excelente, assim como a Hyundai, LG e outras.

“Desse modo, o progresso da Samsung pode ser visto como um sismógrafo da economia coreana como um todo”, compara Hirschle. Por outro lado, afirma, também cabe “não subestimar o significado psicológico da Samsung para a sociedade coreana”.

Samsung Galaxy Note 7Só a Samsung Electronic fatura 160 bilhões dólares ao ano

Pelo menos no médio prazo, os danos econômicos do Galaxy Note 7 para a multinacional deverão ser suportáveis.

No começo da ação de recall, analistas do mercado calcularam os custos em 1 bilhão de dólares.

Ao mesmo tempo, porém, a Samsung se desfez de suas participações em algumas empresas de tecnologia, angariando cerca de 880 milhões de dólares.

A suspensão das vendas deverá custar mais alguns bilhões. O que não deverá ser um prejuízo dramático, considerando-se os mais de 160 bilhões de dólares que só a Samsung Electronic fatura por ano. Ainda é impossível prever, porém, as perdas em termos de fatias do mercado global.

A importância de ser pioneira

Inevitavelmente, o caso “Galaxy gate” é tema de debate na Coreia do Sul. No entanto, as baterias defeituosas não constituem um problema fundamental para a Samsung nem para o país: outras crises ocupam a economia coreana muito mais, afirma Hirschle.

“A indústria construção naval, por exemplo, assinala quedas de 90% nas encomendas. Números como esses são bem mais preocupantes”, lembra.

O escândalo é, obviamente, um problema, porém o especialista alemão em comércio externo vê os desafios para a companhia num contexto mais amplo:

“Para a Samsung, assim como a economia como um todo, será decisivo conseguir dar um salto qualitativo: de fast follower  [seguidor veloz], o que fez a Coreia do Sul crescer, a um first mover[pioneiro]. Quer dizer: no futuro, lançar, ela própria uma tendência, criar um branding, ganhando, assim, a dianteira em relação aos seguidores mais baratos.”
DW

Daydream View: a realidade virtual do Google simples, acessível e móvel

O kit do Google, chamado Daydream View, se destaca por seu design, quase todo baseado em tecidos.

O kit para usar a plataforma de realidade virtual Daydream. GOOGLE

Aposta do buscador é um kit mais barato, cômodo e fácil de usar que o da Samsung.

O Google apresentou nesta terça-feira em San Francisco os primeiros celulares compatíveis com o Daydream, sua plataforma de realidade virtual para smartphones, e seu primeiro kit. O objetivo desses produtos é “simplificar a complexidade da realidade virtual”.

Segundo Clay Bavor, vice-presidente da divisão de realidade virtual do Google, esta “deve se basear no celular para que você possa levar a experiência de forma simples e acessível”.

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Isso significa tomar a direção contrária da Oculus, empresa subsidiária do Facebook, e da HTC, que apostam numa tecnologia de ponta para oferecer a melhor experiência possível, embora seus kits exijam conexão constante com computadores muito potentes.

O Google tem claro que prefere chegar a todos através da inclusão de fabricantes e criadores de conteúdo na sua plataforma e com um kit centrado na comodidade, a um preço acessível (na Europa, será equivalente a 250 reais).

A estratégia é semelhante à adotada pelo Google com o Android: oferecerá uma plataforma, que pretende ser um padrão, para os desenvolvedores, com especificações mínimas que os fabricantes precisam incluir para ter o selo Daydream, que garante ao consumidor uma experiência de qualidade.

Só serão compatíveis aparelhos com telas de alta resolução, processadores potentes e sensores preparados para a realidade virtual que a empresa proprietária do popular mecanismo de buscas pretende oferecer. O Pixel e o Pixel XL, seus dois novos celulares, são os primeiros dispositivos compatíveis, mas “chegarão muitos outros no futuro”, diz o Google.

O Google tem claro que prefere chegar a todos através da inclusão de fabricantes e criadores de conteúdo na sua plataforma

Com o Daydream, o Google se certifica de oferecer uma realidade virtual de todos e para todos, mas sem perder o controle para assegurar a inclusão de seus serviços, algo vital para o negócio da companhia. Os clientes o acharão mais simples, e os fabricantes e criadores de conteúdo terão um padrão de qualidade ao qual se apegar no maior mercado potencial de realidade virtual: o celular.

Uma das exceções pode ser a Samsung, que já tem um acordo com a Oculus e uma plataforma própria de conteúdos em realidade virtual para rentabilizar. O Google precisará de todos os outros para que a oferta de dispositivos que compõem o Daydream seja suficientemente variada em termos de preço, acabamentos e características.

O kit do Google, chamado Daydream View, se destaca por seu design, quase todo baseado em tecidos. Isso lhe dá um aspecto mais cotidiano e menos futurista que o Gear VR da Samsung, e o torna mais leve. Outros dos seus pontos fortes é a facilidade de uso: o telefone é colocado dentro do kit, mas não é necessário conectar nenhum cabo.

“O Google fez uma grande e acertada proposta centrada na comodidade e no design, um dos pontos fracos do seu principal rival, a Samsung”, diz ao EL PAÍS Roberto Romero, fundador da Future Lighthouse, companhia pioneira na criação de conteúdos de realidade virtual na Espanha.

O Daydream View conta com um controle sem fio como principal diferença em relação ao Gear VR, oferecendo a possibilidade de criar experiências interativas nas quais o usuário possa agir com maior liberdade e precisão. “O controle é a chave. Os desenvolvedores sabem as oportunidades que ele nos oferece, e é uma ferramenta estupenda para fazer do usuário uma parte ativa das nossas experiências”, afirmou Romero. Seu funcionamento é semelhante ao de um controle do Wii, o console da Nintendo que alcançou uma grande fatia de mercado graças a essa tecnologia.

“O Youtube só está disponível no Daydream e é o principal portal de vídeos em 360 graus, o conteúdo estrela para um kit de realidade virtual móvel. O aplicativo não está disponível na loja da Samsung, e pode ser uma grande cartada para o Google”, diz Romero. A plataforma contará também com conteúdo do The New York Times, Wall Street Journal, NBA (liga de basquete) e MLB (beisebol), além dos aplicativos do Netflix e Hulu para ver séries e filmes como numa sala de cinema.

As propostas do Google e da Samsung baseadas na portabilidade contam com “as especificações suficientes para que os usuários desfrutem de experiências de qualidade”, concluiu Romero. Estão longe do que oferecem Vive e Oculus, mas “é o caminho a seguir para que a tecnologia chegue ao ponto de ser adotada pela massa crítica, de modo que tanto os fabricantes como os criadores de conteúdo possam tornar seus negócios rentáveis”.

O Daydream View conta com um controle sem fio como principal diferença em relação ao Gear VR, oferecendo a possibilidade de criar experiências interativas

O mercado é muito imaturo ainda, mas começa a se consolidar em razão dos três grandes investimentos que estão sendo feitos em empresas como Facebook, Google e Sony Interactive Entertainment, que colocará à venda seu kit PSVR para o console PlayStation 4 em 13 de outubro.

“A Oculus é pioneira e conta com o apoio do Facebook e da Samsung para seu ecossistema. Por outro lado, a HTC Vive e a PlayStation VR prometem experiências Premium, mas a plataforma Daydream é a mais focada na economia de escala”, declarou a EL PAíS Neil Shah, diretor de pesquisa de dispositivos e ecossistemas na Counterpoint. Considera que tal fator, “com os aplicativos próprios do Google, como YouTube e Play Store, a transforma em uma plataforma mais atraente, que pode suscitar um maior interesse e consumo de conteúdos”.

Outra das vantagens que o Google poderia incluir no Daydream é seu novo assistente e seus algoritmos de aprendizagem automática para fazer com que a experiência esteja baseada no contexto. “O Google Assistant será o cabo que liga todas as plataformas, propriedades e conteúdos em uma experiência unificada e diferente da oferecida pela concorrência”, diz Sash, ao alertar que o “Facebook pode não ser capaz de oferecer algo semelhante logo”.

O Google simplifica a realidade virtual, cria um padrão para usuários e fabricantes e tenta adotar o papel de líder de um segmento cada vez maior e disputado. Fez isso com um kit barato e centrado na comodidade, e seu primeiro Smartphone desenhado por completo, hardware e software, dentro de suas instalações. Porque o Google já não faz somente serviços, também faz produtos.
Felix Paluzuelo/ElPais

O Quantum Fly vale a pena? Tudo sobre o celular que esgotou em 24 horas

Lançado semana passada, aparelho teve o primeiro lote esgotado; modelo sai por R$ 1,5 mil

Quantum Fly volta a trazer o corpo fino e leve que consagrou o primeiro modelo da marca, o Quantum GO | Divulgação

Quantum Fly volta a trazer o corpo fino e leve que consagrou o primeiro modelo da marca, o Quantum GO.

A curitibana Quantum teve uma dupla comemoração na última semana. Completou um ano de existência, no mesmo momento em que traz para o mercado um novo smartphone, o terceiro modelo de seu portfólio.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Batizado de Quantum Fly, o aparelho é um passo importante para a consolidação da marca, que tenta mirar em um novo perfil de público, mais exigente e disposto a gastar mais.

Abaixo, confira os principais pontos que você deve considerar antes de adquirir (ou não) um Quantum Fly:

Intermediário ou high end?

Os executivos da Quantum têm sido bastante “ambiciosos” na maneira como tentam posicionar o novo smartphone. No material de divulgação do aparelho e no evento de lançamento, a marca faz questão de destacar que o Quantum Fly é um produto high end (jargão usado para o segmento de aparelhos top de linha das marcas) e não intermediário. Para reforçar a tese, a Quantum mostra tabelas em que compara as configurações do Fly com o iPhone 6 (Apple), G5 (LG) e Galaxy S6 (Samsung), entre outros.

O principal ponto a favor do Fly, defende a marca, é que o celular oferece um desempenho no mesmo patamar (ou até melhor) desses concorrentes, mas pela metade do preço. Faz sentido? Em parte. As configurações do smartphone são de fato acima da média do segmento intermediário, assim como seu design; por outro lado, um top de linha como o iPhone 6 ainda tem mais recursos e um melhor acabamento, e qualquer comparação, neste sentido, parece ser mais uma jogada de marketing do que uma disputa justa.

Até por mirar em um público diferente dos “Apple maníacos”, a Quantum talvez tivesse mais a ganhar ao destacar a diferença entre o Fly e outros modelos intermediários que saem pela mesma faixa de preço: aí sim a diferença em termos de configurações e visual salta aos olhos e faz bastante sentido.

Qual é a “pegada”?

A Quantum não é boba e, ao preparar o novo smartphone, apostou boa parte de suas fichas no design do aparelho – afinal, esse é o primeiro quesito que é percebido por qualquer consumidor que coloca as mãos em um celular ou vê imagens na internet. A aposta deu certo. O Quantum Fly tem sim, neste sentido, cara de aparelho high end. É um celular com visual refinado, elegante, sem firulas, que se destaca em qualquer mostruário.

O aparelho tem bordas curvas, acabamento metálico e nenhum botão aparente na parte frontal. É bastante fino (0,75 cm de espessura) e leve (140 gramas) a ponto de parecer frágil até (vale garantir uma capinha ou película). Na parte de trás, uma surpresa interessante: um sensor de impressões digitais, que permite, por exemplo, desbloquear o aparelho apenas passando a ponta do dedo por ali.

“Bonito” é um adjetivo deveras subjetivo, mas que se aplica muito bem ao Fly.

O tal “deca-core” faz diferença?

Outro diferencial destacado pela Quantum é o processador da Media Tek deca-core – o que significa que ele tem dez núcleos de processamento. Além disso, o Fly vem com 3 GB de memória RAM e 32 GB de espaço interno.

É um conjunto que pode não significar muita coisa para quem usa o celular de forma ocasional, fazendo ligações e checando redes sociais vez ou outra. Mas que faz toda a diferença para o usuário “hardcore”, que costuma deixar 10 aplicativos abertos ao mesmo tempo e gosta de jogar games com visuais potentes, que exigem bastante do aparelho.

A configuração permite que a navegação pelo celular seja bastante rápida e fluida, sem travamentos, lentidão ou bugs, mesmo depois que o smartphone estiver lotado de aplicativos e arquivos. E que também estende um pouco a vida útil da bateria, já que os processadores são acionados individualmente conforme o tipo de uso (apesar de que jogar Pokémon Go vai torrar sua energia em poucas horas, do mesmo jeito).

Outro aspecto importante em qualquer celular, as câmeras são competentes, mas parecem ser o quesito mais fraco neste trio principal formado por design-processador-câmera. Em condições ideais (ambiente bastante iluminado, objeto totalmente imóvel, etc), o resultado é satisfatório, mas longe de ser surpreendente.

A câmera traseira tem 16 MP e a frontal, 8 MP, com flash – as selfies são de fato o ponto alto, permitindo imagens bem balanceadas, coloridas e definidas (sem aquele aspecto “lavado” comum em muitas câmeras frontais). A Quantum afirma que o celular possui uma tecnologia chamada Quantum Resolution, que usa “sofisticados algoritmos de processamento” para simular uma câmera de até 24 MP. Colocando as fotos lado a lado, no entanto, a diferença é bastante difícil de distinguir pela tela do celular.

Afinal, é da Positivo ou não?

Ao mesmo tempo em que compete com gigantes multinacionais, a Quantum precisa driblar a desconfiança de alguns consumidores em relação à procedência da marca. Afinal, trata-se de uma espécie de spin-off da paranaense Positivo Informática, conhecida de grande parte dos usuários por ser uma fabricante de computadores de baixo custo e que também atua no ramo de celulares.

Sim, a Quantum faz parte da Positivo Informática e seus celulares são fabricados na mesma linha de produção de outros aparelhos da companhia. Ao mesmo tempo, é preciso deixar claro que a Quantum funciona como uma unidade de negócios independente, com autonomia para decidir que tipo de especificação e produto quer trazer para o mercado. Óbvio que a estratégia da Positivo de lançar uma nova marca levou em consideração esse “pé atrás” de alguns consumidores, mas não se trata de uma mudança somente no papel – tanto que os aparelhos da Quantum têm especificações e acabamento bem acima de qualquer outro celular lançado pela marca Positivo.

Dá pra encontrar fácil?

Aqui está um detalhe que precisa ser levado em consideração se você quer trocar seu celular neste exato instante. O Quantum Fly está sendo vendido apelas pela internet, no site oficial, ou em quiosques espalhados em shoppings (em Curitiba, há um no Shopping Mueller). Ou seja, ao contrário de outras marcas, você não vai encontrar o aparelho em qualquer loja de departamentos.

Além disso, o primeiro lote do Quantum Fly esgotou na internet e a marca ainda não deu previsão de quando um novo lote estará disponível – é possível se cadastrar no site para ser avisado. O fato do estoque ter acabado em menos de 24 horas é um bom sinal de interesse dos consumidores (apesar de que provavelmente nunca saberemos se havia apenas centenas ou milhares de aparelhos no lote), mas também é um ponto de atenção, que pode dificultar o acesso ao smartphone ao longo do tempo.

Vale o preço?

O Quantum Fly foi anunciado por R$ 1.299, mas esse é um “preço especial de lançamento”, apenas para compras no boleto à vista. O preço regular, que pode ser parcelado em até dez vezes, é de R$ 1.499.

Considerando o design do aparelho e suas especificações, é preciso reconhecer que o celular tem um ótimo custo-benefício. O popular Moto G4, por exemplo, sai por R$ 1.299, mas tem 2 GB de memória RAM, 16 GB de espaço, câmera traseira de 13 MP e frontal de 5 MP.

Já a Samsung acabou de trazer ao Brasil o modelo Galaxy A3, com processador quad-core, 1.5 GB de RAM, 16 GB de espaço e câmeras com a mesma especificação do Moto G4 – o preço é de R$ 1.399. Mesmo valor, aliás, do Zenfone 2, da Asus, que tem 4G de RAM (acima do Fly), mas sai atrás em espaço de armazenamento (16 GB) e conjunto de câmeras (13 MP e 5 MP).

Ou seja, as concorrentes têm motivos de sobra para se preocuparem, já que há uma diferença clara entre as especificações (a favor do Quantum Fly), apesar dos preços serem muito semelhantes. É esperar pra ver qual será, agora, a resposta das “grandes”.

Conheça as principais especificações do Quantum Fly

  • Processador Media Tek Helio X20 deca-core de 64 bit a 2,1 GHz
  • Memória RAM de 3 GB
  • Armazenamento interno de 32 GB
  • Tela de 5,2 polegadas com resolução Full HD (1080×1920), com proteção Gorila Glass 3
  • Câmera traseira de 16 MP e abertura f/2.0
  • Câmera frontal de 8 MP com flash
  • Bateria de 3.000 mAh
  • Conexão 4G
  • Dual SIM
  • Sistema operacional Android 6.0 Masmallow
  • Disponível nas cores cinza, azul e rosa
  • Corpo com 140 gramas e 0,75 cm de espessura

Rafael Waltrick/Gazeta do Povo