Imprensa Brasil: O efeito dos assassinatos de reputação sobre as famílias

Nessa loucura que tomou conta da mídia, de sair atirando contra quem passa pela frente, o maior fator de pressão é o que ocorre com as famílias das vítimas. É por aí que esses assassinos da honra atuam.

Acabo de chegar de um evento em que estava a sogra do ex-Ministro Orlando Silva. Primeiro, as reportagens falsas e escandalosas em torno do terreno que adquiriu. Depois a história jamais confirmada, do dinheiro que teria recebido na garagem do Ministério. Finalmente, os ataques à família, acusando a esposa, pelo fato de trabalhar em uma peça de teatro que tinha patrocínio de uma estatal.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A CBN abriu espaço para o senador Demóstenes Torres dizer que a família inteira teria que ser presa. Durante todo o tiroteio, a esposa de Orlando quedou em depressão brava, assim como outros familiares.

No Brasilianas de segunda, a procuradora federal Eugênia Gonzaga contando que, depois que entrou com uma representação contra um abuso em TV, foi alvo de ataques do colunista Arthur Xexéo, tentando demoraliza-la. Depois do programa narrou o drama em família, os efeitos dos ataques sobre ela própria e sua mãe.

Até hoje, entrando-se no Google, o nome da juíza que deu a sentença favorável à representação aparece com dezenas de links depreciativos. O mesmo aconteceu com o presidente do TRF3, Newton de Lucca, quando ousou propor uma habeas mídia – um procedimento que permitisse às vítimas ter direito rápido de resposta.

Em Manaus, a médica Bianca Abinader é alvo, há anos, da campanha sistemática movida por um lunático, o radialista Ronaldo Tiradentes, valendo-se de uma concessão pública e da representação da CBN Manaus. Sem que as Organizações Globo movam uma palha para interromper a escalada insana.

Há dois anos conversei com o diretor de uma estatal, alvo de uma dessas campanhas sistemáticas. Ele me contava o drama que era a filha chegar da escola ouvindo das coleguinhas ataques aos pais.

Eu mesmo vivi essa realidade, quando Roberto Civita colocou um desequilibrado para me atacar. As filhas mais velhas se reuniram com a esposa e montaram um pacto de não me trazer os dramas que viviam, para não me derrubar. Toda manhã, as caçulas iam para a escola nos deixando com o coração na mão, sem saber se as infâmias chegariam até elas. Durante a noite, o sofrimento surdo e obsessivo da esposa, ficando até de madrugada lendo o esgoto que escorria do portal da Abril e impotente, indignada com a falta de limites e de lei.

No dia em que a atacaram, escrevi um post indignado. Pressentiram que poderia estar ali a vulnerabilidade emocional da família e concentraram ataques em seu blog.

É por aí que esses assassinos de reputação atuam, afetando diretamente familiares. Pessoas que estão dispostas a enfrentar esse banditismo, quando veem o que os familiares estão sofrendo, perguntam-se se têm o direito de continuar a lutar. Mesmo assim, há os que resistem movidos por um único sentimento: o da indignação.

Guardarei para sempre a reação da caçula, de apenas 9 anos. Como é desligadinha, ficamos tranquilos achando que o clima terrível não a afetaria. Até o dia em que, na aula, alguém comentou que o pai assinava a revista Veja. Na mesma hora ela se levantou e informou:

– Não gosto da Veja porque falou mal de meu pai.

Em nome de todas as vítimas, em reação a todas essas infâmias continuadas, é que não se pode mais demorar na regulamentação da mídia, do direito de resposta.

O STF não pode ficar surdo a esses abusos continuados.
por Luis Nassif

Eleições Americanas – Obama é o Lula dos gringos

Em seu comentário na CBN sobre a eleição americana, a jornalista Míriam Leitão, que também é colunista do O Globo e comentarista da TV Globo, traça um paralelo entre as eleições americanas e a brasileira que colocou um metalúrgico no Planalto.

Diz ela que, “se Barack Obama for eleito o primeiro presidente negro da história americana, produzirá transformações sociais muito além da fronteira. Toda criança negra, de qualquer país do mundo,toda criança de qualquer grupo discriminado, crescerá recebendo a mensagem de que barreiras podem ser superadas. Mesmo as que pareciam intransponíveis”.

Você pode gostar ou não gostar de Lula. Mas, a meu ver, foi o que ocorreu no Brasil com a eleição dele em 2002. A sua vitória marcou a possibilidade de um brasileiro de origem humilde, fora dos quadros, então, da elite econômica ou intelectual tradicional, ocupar a presidência da República. Viva a democracia !

Artigo – Entre Abaetetuba e o Panopticum

O absurdo caso da menor presa no Pará, em uma cela com outros presos do sexo masculino, continua repercutindo, negativamente, é claro, mundo afora.

Sua (dela) excelência Ana Carepa, Governadora do Pará, “inovou” em matéria de decisões “enérgicas” de governo. Mandou demolir a prisão da cidade de Abaetetuba. Quer dizer, mandou tirar o sofá da sala.

A governadora nada fica a dever, em matéria de justificativas, aos seus auxiliares. Um, o delegado da cidade, declarou em audiência na Comissão de Justiça do Senado que “a menor devia sofrer de problemas mentais”. Um outro, indiretamente, deixou implícito que a vítima era a culpada da violência sofrida – teve que prestar favores sexuais aos presos em troca de alimentação – por não ter se declarado menor de idade.

Uáu!

Sobre o assunto leia abaixo o excelente artigo do blog Wálter Maierovitch¹

“Hoje cedo apanhei um material empoeirado. Do tempo que dava aulas de direito penitenciário e de processual penal. Isto no curso de preparação para ingresso na Magistratura e no Ministério Público. O curso era patrocinado pelo Instituto dos Advogados de São Paulo, que teve como um dos fundadores Rui Barbosa e dele nasceu a Ordem dos Advogados do Brasil.

Referido curso levava o nome do falecido desembargador Arruda Sampaio, que é pai do ilustre Plínio de Arruda Sampaio, ex-PT e agora no Psol. O material supracitado estava dentro do livro do Jeremias Bentham, filófoso inglês cujo pensamento influenciou a Revolução Francesa.

Em 1818, Benthan escreveu a obra “Teoria das Penas e das Recompensas”. E com a sua genialidade elaborou o projeto do “Panopticum”.

Bentham era contra os excessos punitivos. Para ele bastava o castigo da pena. Nada de extras, como jogar mulher em cela masculina (caso de Abaetetuba), ou outras barbáries do tempo da Inquisição: o arrancamento da língua e a fogueira, como ocorreu com Giordano Bruno, no “Campo dei Fiori”.

Em face disso, Bentham arquitetou um presídio circular, o “Panopticum”. No centro do presídio ficaria o diretor. Assim, esse diretor teria a visão completa de todas as celas, de modo a impedir eventuais abusos.

Evidentemente, o “Panopticum” de nada serviria para conter os abusos de poder em Abaetetuba. Lá, o problema é que as autoridades,– envolvidas no caso da menor violentada–, não sabiam que o Direito Natural do Ser Humano (que não precisa ser escrito, pois é da essência do homem), a Constituição da República e a Lei de Execução Penal, proíbem a colocação de homens e mulheres na mesma cela.

E a prova do desconhecimento ficou patente pelo Jornal da Globo de ontem: a delegada que trancafiou a menor disse que não tinha outra saída legal.

Outro ponto decorrente. A governadora do Pará anunciou que vai destruir a carceragem de Ibaetetuba. Coitados dos paraenses. A governadora ainda não percebeu que o problema está no despreparo das autoridades e não na destruição do sofá, ou melhor, da carceragem. Seria melhor a governadora iniciar, imediatamente, cursos para educar os agentes da sua autoridade à legalidade, ou seja, ao conhecimento e ao cumprimento da lei.

Hoje, no boletim Justiça e Cidadania da CBN, fiz uma bricadeira, tipo “quiz”, com o jornalista Milton Jung, que acabou de voltar de Estocolmo.

A pergunta: A lei que estabelece a obrigatoriedade de celas individuais, com área mínima de 6 metros quadrados, salubridade, aeração, insolação e condicionamento térmico, é da Suécia ou do Brasil ? Essa disposição está no artigo 87 da brasileríssima e vigente Lei de Execução Penal, que é de 1984. E a lei de execução penal estabeleceu, – e nunca foi cumprida no particular -, que a União não daria nenhuma ajuda financeira ao Estado que deixasse de cumprir suas regras.

¹Sobre Wálter Maierovitch Continue lendo