Entenda o esquema que pode ter ‘comprado’ o futebol sul-americano

A cobertura jornalística internacional sobre o escândalo de corrupção na Fifa concentrou-se nas denúncias de suborno envolvendo altos executivos da entidade e personagens mais publicamente polêmicos, como Jack Warner, de Trinidad e Tobago, e o americano Chuck Blazer.

Nicolas Leoz
O ex-presidente da Conmebol, Nicolas Leoz, é acusado de ser um dos principais beneficiários do esquema.

No entanto, a maioria das prisões de dirigentes efetuadas durante o congresso da Fifa, em Zurique (Suíça), a pedido da Polícia Federal americana (FBI), esteve ligada aos meandros da batalha pelo controle comercial dos jogos de seleções no continente americano, em especial o mais importante torneio da região, a Copa América.

Leia mais: Escândalo sobre sede olímpica de 2002 traz lições à Fifa

Enquanto Warner, por exemplo, é acusado de receber uma propina de US$ 10 milhões para votar na candidatura da África do Sul à Copa do Mundo de 2010, um outro vice-presidente da Fifa, o paraguaio Eugenio Figueredo, é alvo de denúncias que envolvem dez vezes esse valor.

Suborno

Figueredo é um de pelo menos 11 dirigentes da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) que, segundo suspeitas, teriam recebido vultosos pagamentos para garantir à empresa de marketing esportivo Traffic Sports os direitos comerciais sobre quatro edições da Copa América, incluindo a que teve início na quinta-feira, no Chile. Um grupo que inclui o ex-presidente da CBF, José Maria Marin.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A Copa América (na qual o Brasil estreia neste domingo contra o Peru) é um dos mais assistidos torneios de futebol do mundo e, em 2011, estima-se que audiência cumulativa do torneio tenha sido de 5 bilhões de pessoas.

Presos
Leoz e os outros dirigentes que são alvo da investigação do FBI

Um torneio especial para celebrar o centenário de realização da primeira edição da Copa América, que será disputado nos EUA no ano que vem, representou um injeção extra de caixa de US$ 112,5 milhões para a Conmebol e a US Soccer.

Desde 1986, os direitos comerciais estiveram sob controle da Traffic Sports. A empresa ainda tem o nome de quando vendia publicidade estática em pontos de ônibus mas evoluiu para uma das principais agências de marketing esportivo das Américas.

Apenas para a Copa América de 2007, de acordo com informações averiguadas pelo FBI, a Traffic arrecadou cerca de US$ 75 milhões com a venda dos direitos de transmissão e marketing do torneio, com um lucro de quase US$ 30 milhões.

E o mandado de prisão expedido pelas autoridades americanas acusa a companhia de, durante 30 anos, ter usado propinas para convencer os oficiais da Conmebol.

Alega-se que os executivos da Traffic e outras companhias subornaram dois presidentes da Conmebol e presidentes de noves associações nacionais, incluindo Brasil e Argentina.

Marin
O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, foi preso na Suíça a pedido das autoridades americanas

Segundo denúncias, o caso mais antigo de pagamento de propina data de 1991, quando o paraguaio Nicolas Leoz, o então mandatária da Conmebol, pediu dinheiro ao fundador da Traffic, o brasileiro José Hawilla, para negociar os direitos comerciais.

Hawilla é réu confesso no caso e colabora com as investigações do FBI desde 2013.

Extrajudicial

De acordo com a investigação do FBI, Leoz a partir daí pediu pagamentos adicionais a cada torneio. Estima-se que até 2011, quando deixou a Conmebol, Leoz tenha recebido US$ 1 milhão por Copa América. Detalhe: entre 1989 e 2007, o torneio foi disputado de dois em dois anos.

Outros dirigentes também teriam se interessado e, durante os preparativos para a Copa América de 2007, disputada na Venezuela, o então presidente da federação de futebol do país, Rafael Esquivel, pediu US$ 1,7 milhão à Traffic. A agência pagou, segundo o FBI, usando esquemas de lavagem de dinheiro para não despertar suspeitas.

José Hawilla
O fundador e dono da Traffic, José Hawilla

Em 2010, no entanto, a agência parecia derrotada: seis presidentes de federações tentaram levar os direitos comerciais para uma empresa de marketing rival, a Full Play.

A resposta da Traffic foi levar a Conmebol e a Full Play à Justiça nos Estados Unidos, alegando que seu contrato com a entidade ia até a Copa América de 2015.

O caso nunca chegou aos tribunais: a Traffic e a Full Play fizeram um acordo extrajudicial e se juntaram a uma terceira companhia, a Torneos y Competencias, para criar uma nova companhia (Datisa) e dividir as receitas comerciais.

A partir daí, a investigação das autoridades americanas indica que a corrupção teria aumentado de forma significativa: os US$ 100 milhões que garantiram à Datisa os direitos até a Copa América de 2023 teriam sido divididos entre os presidentes das nove confederações sul-americanas (US$ 3 milhões para Brasil e Argentina e US$ 1,5 milhão para o restante a cada torneio, por exemplo).

O total de propinas teria correspondido a um terço do que a Datisa pagou oficialmente pelos direitos oficiais da Copa América (317,5 milhões).

Equivale a dizer que, em média, a Datisa pagou US$ 1 milhão por cada jogo, inclusive os da atual competição no Chile.
Paul Sargeant/BBC News

Futebol, Romário, FIFA e o Brasil caminha para o nada. Eis que nada, absolutamente nada, acontecerá para mudar o rumo dos acontecimentos

A Copa do Mundo 2014 no Brasil rendeu US$ 4,8 bilhões (R$ 15 bilhões) em quatro anos – o evento gerou um lucro de mais de US$ 2 bilhões para a Fifa, para uma organização sem fins lucrativos – que, no entanto, mantém uma grande reserva de dinheiro, que contabilizada mais de US$ 1,5 bilhão em 2014 – baseada na Suíça, onde é isenta de impostos. 

O lucro total da organização entre 2011 e 2014, de US$ 5,7 bilhões, não é tão grande em comparação com o de megacorporações – a Coca-Cola, por exemplo, que patrocina a Fifa, lucrou US$ 46 bilhões só em 2014.
No eixo deste mega negócio surge agora personagens acusados de terem praticado crime lesivo aos seus cofres.
São: Ricardo Teixeira (indiciado pela Polícia Federal), Joseph Blatter (presidente renunciado da Fifa), Jérôme Valcke (investigado pela Justiça dos Estados Unidos), José Hawilla (réu confesso) e José Maria Marin (preso na Suíça).
A organização anticorrupção Transparência Internacional (TI) concorda e afirma, em um relatório de 2011 sobre a Fifa, que a corrupção não só prejudica na imagem do esporte como também pode comprometer seu papel de “espalhar os valores do espírito esportivo”.
Em meio às manchetes em todo mundo, a sujeira protagonizada por dirigentes relapsos e ardilosos, contrasta com a humildade de milhares de clubes de futebol que minguam o mínimo possível, para poder gerar craques e renovar a nova geração de futebol.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
São micros agremiações que disputa campeonatos miseráveis de terceira e quarta série, onde sequer dispõem de verba para o transporte dos atletas para o deslocamento entre estádios em meio a campeonatos longos e sem público, e sem renda.
Abandonado a própria sorte a base do futebol mundial, raramente tem o patrocínio de clubes maiores que mantém escolinhas de base ou utilizam esses pequenos clubes como fábrica de atletas. Não pouco, centenas de milhares de agenciadores, exploram essa mão de obra desportiva de forma melancólica e criminosa, deixando querelas para os jogadores, que são na verdade o “artista do espetáculo”.
Para se ter uma ideia, avalie quanto recebe de salário um jogador que disputa uma terceira divisão estadual ou nacional? Vejam as dívidas acumuladas por esses clubes?
Há pouco o C.R. do Flamengo contratou o atacante estrangeiro Paolo Guerrero pela milionária quantia de R$ 1 milhão e 100 mil/mês. Mas deve milhões (?) Uma distorção, que se vê ate mesmo no próprio time, onde atletas que estão lado a lado desse atacante, ganham dois por cento ou menos do que ele.
O futebol tem razões que a própria consciência desconhece, Felipão, despejado do futebol português, voltou ao Brasil e protagonizou o pior espetáculo de uma seleção em Copa da Mundo no 7 a 1 da Alemanha. Em seguida assinou contratou milionário com o combalido Grêmio, saiu, e agora está na China, enganando os mandarins do dólar/metal.
Agora Romário – o senador, posa de bom menino, na carona do “caos do futebol”, coloca o dedo na “ferida” do escândalo da FIFA, faz seu marketing para se eleger prefeito da cidade do Rio de Janeiro. Mas que passado tem este craque de bola, se na vida “social”, não foi tão craque!
Raimundo, Vampeta, e tantos outros protagonizaram situações pontuais deprimentes, mas posam de “bom menino” ai nas emissoras de rádio e TV, comentando futebol, como se fossem os “mestres” dos mestres. O salário, bem este nunca foi pequeno, o português sim, “pequeníssimo”, uma agressão ao Aurélio.
É o futebol na desonra, e no momento para se rediscutir de verdade, sua nobre finalidade.
Por Roberto Monteiro Pinho/Tribuna da Imprensa

Quem é Loretta Lynch, a secretária de Justiça que escancarou a corrupção na Fifa

Credito: AP“Ninguém é grande demais para a cadeia. Ninguém está acima da lei.”
Pouco mais de um mês após pronunciar essas palavras ao ser nomeada secretária de Justiça dos Estados Unidos, Loretta Lynch – a primeira mulher negra no cargo – coordenou a operação que prendeu oito cartolas da Fifa e foi considerada o maior escândalo da história do futebol.

Lynch é a primeira mulher negra a ocupar o cargo de secretária de Justiça

Filha de um pastor protestante, Lynch nasceu quando as leis de segregação racial ainda eram vigentes nos Estados Unidos, formou-se em Direito em Harvard e ocupa hoje o principal cargo do Departamento de Justiça americano.

Ela atuava como procuradora-chefe federal no Brooklyn antes da promoção. Segundo o New York Times, Lynch supervisionou as investigações desde o início.

A decisão de dar o “ok” para a operação ir em frente e de pedir à polícia suíça que executasse as prisões foi dela.

Credito: Reuters
Lynch dá entrevista sobre operação que prendeu cartolas da Fifa

Oito dirigentes da Fifa foram presos na quarta-feira – entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marin.

Leia mais: José Maria Marin está entre dirigentes da Fifa presos na Suíça

Leia mais: Entenda o escândalo de corrupção na Fifa

Lynch nasceu na Carolina do Norte em 1959. À época, os negros dos Estados do sul dos EUA ainda era submetidos a leis de segregação entre brancos e negros.

Apesar disso, seu pai, o reverendo Lorenzo Lynch, um pastor protestante, acreditava que a lei poderia ser uma força para a mudança.

E, quando a futura secretária de Justiça era pequena, ele costumava levá-la aos tribunais locais.

“Quando eu era criança, as pessoas nos diziam para ficar longe dos tribunais”, disse Lorenzo à BBC.

Mas eu achava que era uma instituição positiva, e queria que ela tivesse uma visão diferente”, completou.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

As leis de segregação foram derrubadas no meio dos anos 1960, mas o racismo permaneceu.

Leia mais: Fifa é alvo de denúncias há mais de duas décadas; veja histórico

A mãe de Lynch, Lorine, lembra que as professoras da filha tinham dificuldade em aceitar sua inteligência.

Credito: AP
Lynch foi nomeada em momento de tensão racial nos EUA

Quando ela estava na 2ª série – tinha 7 ou 8 anos – ela teve que fazer uma prova outra vez porque tinha ido bem demais na primeira.

“As professoras acharam que algo estava errado, porque ela era afroamericana e os alunos brancos tinham tirado notas mais baixas”, disse Lorine à BBC.

Na segunda prova, ela tirou uma nota maior ainda.

Carreira

Nada disso afetou as aspirações de Lynch. Durante toda a infância, ela sonhava em estudar em Harvard, onde estudou Literatura Inglesa antes de fazer Direito.

Ela levou a sério a universidade. “Na faculdade, as pessoas costumam usar jeans, roupas despojadas, mas eu não lembro de uma vez em que Loretta estivesse desarrumada. Eu costumava implicar com ela perguntando se ela não tinha nenhuma roupa de brincar”, conta a advogada Karen Freeman-Wilson, que estudou com ela.

Trigêmeas

Os escritórios de advocacia de Nova York ainda eram muito masculinos e muito brancos quando ela começou a trabalhar no Cahill Gordon and Reindel, no meio dos anos 1980.

Havia outras duas mulheres negras entre os associados e elas mesmas se referiam a elas como “as trigêmeas” – porque as recepcionistas do local, apesar de saber o nome de todos os 250 homens, não conseguiam diferenciá-las.

Credito: AFP
Lynch foi indicada por Obama em novembro, mas Senado só aprovou indicação em abril

Seu primeiro grande caso – em 1999, pouco depois de ser nomeada pelo então presidente Bill Clinton para a procuradoria do Distrito Leste de Nova York – lembra os que provocaram protestos recentemente nos EUA.

O haitiano Abner Louim foi preso após uma briga fora de uma boate e acusado de bater em um policial.

A polícia depois admitiu que a acusação era falsa e que Louim foi espancado.

Calma sob pressão

Durante o julgamento, um dos policiais envolvidos alegou que namorava uma negra e que isso mostraria ser pouco provável que ele tivesse violado os direitos de um negro.

Alan Vinegrad, que trabalhou com Lynch no caso, diz que ela acusou o agente de “se esconder atrás da cor da pele de sua namorada”.

Foi ousado, mas feito de um jeito “calmo e comedido”, segundo ele.

Ao longo da carreira, ela esteve envolvida em processos contra terroristas e mafiosos, além de políticos acusado de corrupção – dos dois partidos dos EUA -, policiais que cometeram abusos contra prisioneiros e bancos acusados de fraude.

Credito: AFP
Cartolas da Fifa foram presos nesta quarta-feira

A capacidade de Lynch de se manter calma foi um dos pontos altos durante o longo processo de aprovação no Senado – ela foi indicada pelo presidente Barack Obama em novembro, mas sua nomeação só foi aprovada pelo Senado em abril. A demora teve relação com uma briga partidária – mas a Casa também foi acusada de racismo.

“Muitos de nós olhamos o tratamento que ela recebeu e não nos sentimos bem, não sentimos que estava sendo justo”, disse a amiga Karen Freeman-Wilson.

“Mas a reação dela foi ‘Tudo bem, vamos manter nossa cabeça e olhos no prêmio'”, completa.

Fifa

Nesta quarta-feira, exatamente um mês após assumir o cargo, Lynch ganhou as manchetes de todo o mundo com a prisões dos dirigentes da Fifa.

“O indiciamento sugere que a corrupção é desenfreada, sistêmica e tem raízes profundas tanto no exterior como aqui nos Estados Unidos”, disse ela.

“Essa corrupção começou há pelo menos duas gerações de executivos do futebol que, supostamente, abusaram de suas posições de confiança para obter milhões de dólares em subornos e propina.”

O esquema, segundo ela, prejudicou profundamente uma vasta gama de vítimas, de ligas jovens de futebol a países em desenvolvimento que deveriam se beneficiar dos recursos gerados pelo esporte.

“As ações de hoje (quarta-feira) deixam claro que o Departamento de Justiça pretende acabar com qualquer prática de corrupção, acabar com as más condutas e trazer malfeitores à Justiça”, disse Lynch, acrescentando que quer trabalhar em conjunto com outros países para alcançar este objetivo.
Ed Stourton/BBC News

Blatter adota na Fifa o bordão do ‘eu não sabia’

O escândalo da Fifa deve dar visibilidade planetária a um bordão bem conhecido dos brasileiros. Candidato à reeleição, o presidente da entidade máxima do futebol, Joseph Blatter, tenta vender a tese de que não sabia da podridão que acaba de levar à prisão sete representantes da cartolagem, entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin.

“É um momento muito difícil para a Fifa”, disse Blater nesta quinta-feira. “O que aconteceu ontem causou uma sombra sobre o futebol… Ações de certos indivíduos trouxeram humilhação e vergonha ao futebol. É preciso ações imediatas. Não podemos deixar que a reputação da Fifa seja levada a lama. Isso precisa acabar agora. Eu sei que muitas pessoas me consideram como responsável pelos problemas e pela reputação da comunidade global do futebol. Mas não podemos monitorar todos o tempo inteiro.”

Como se vê, o hábito de tratar a plateia como um amontoado de idiotas não é uma exclusividade nacional.

Por que Blatter continua à frente da Fifa?

As buscas policiais no luxuoso hotel Baur au Lac, em Zurique, na manhã de quarta-feira, não eram exatamente o que esperava Joseph Blatter dois dias antes de sua provável reeleição à presidência da Fifa.

Blatter (Getty)
Blatter deve vencer, praticamente sem concorrência, mais um mandato na Fifa.

Muitos veem a votação de sexta-feira mais como uma coroação cerimonial do que como um pleito democrático, mas a prisão de sete executivos da Fifa (entre eles o brasileiro José Maria Marin) lançará questionamentos sobre o processo.

A Fifa está, há anos, envolta em suspeitas de práticas duvidosas. E, ainda que Blatter não esteja diretamente implicado nas prisões desta quarta-feira, por que ele está tão determinado em permanecer no controle da entidade?

Quando o dirigente de 79 anos chegar ao Hallenstadion de Zurique para as eleições da Fifa, dificilmente ele enfrentará oposição real. Há apenas 209 eleitores, muitos deles representantes futebolísticos de pequenos países, e Blatter cultiva relações com eles há anos.

Após os candidatos Luis Figo e Michael van Praag terem abandonado a disputa, há apenas um candidato alternativo a Blatter: o príncipe jordaniano Ali Bin al-Hussein, que muito dificilmente conseguirá votos suficientes para ser considerado uma ameaça.

Ou seja, salvo eventos inesperados, Blatter conseguirá um inédito quinto mandato consecutivo, mantendo o controle sobre o bilionário esporte.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O que motiva um homem, próximo dos 80 anos e que chegou a dizer que não buscaria a reeleição, a tão explicitamente querer mais quatro anos em um cargo tão alto e alvo de tanto escrutínio?

“Ele claramente se considera a única pessoa capaz de liderar a Fifa”, diz o parlamentar suíço Roland Buechel, defensor de mais transparência ao comando do futebol. “Presumo que ele queira morrer na presidência.”

Em relação às prisões desta quarta-feira, Blatter disse em comunicado que este é um “momento difícil para o futebol, para os fãs e para a Fifa” que “vai impactar o modo como muitas pessoas nos veem”.

Afirmando considerar “bem-vindas as ações e investigações das autoridades dos EUA e da Suíça”, Blatter confirmou o banimento provisório dos suspeitos citados pelas autoridades.

Ele disse ainda que as ações reforçam medidas já tomadas pela FIFA para evitar ilegalidades.

Carreira

Blatter nasceu em uma família humilde na cidade alpina de Visp. Segundo relatos, ele era o “rei do playground” na escola primária, nos anos 1940, e o único menino local com talentos futebolísticos de nível profissional.

Blatter permanece sendo benquisto em sua cidade natal, na Suíça, mas é alvo de críticas diversas

Terminada a escola, Blatter seguiu um caminho comum entre homens suíços nos anos 1960 e 1970: fez o serviço militar obrigatório, chegando ao cargo de coronel. No Exército, ele fez contatos que lhe seriam úteis mais tarde.

Blatter então trabalhou na indústria de relógios e cresceu no ramo de gerenciamento esportivo, atuando na Federação Suíça de Hóquei no Gelo antes de entrar na Fifa como diretor técnico, em 1975.

Quando ele foi eleito presidente da entidade pela primeira vez, em 1998, houve – segundo Buechel – uma certa celebração nacional no país natal de Blatter.

“Ficamos orgulhosos de ter um suíço no comando de uma organização internacional tão importante”, diz ele.

Em Visp, a antiga escola de Blatter foi rebatizada em homenagem a ele. Seu retrato está pendurado na parede, e dias esportivos geralmente são batizados com seu nome. Ele costuma ser recebido afetuosamente quando visita a cidade.

Leia mais: ‘Dono do futebol brasileiro’, réu confesso J. Hawilla terá de devolver US$ 151 mi

“Ele é muito descomplicado, muito acessível”, conta Hans-Peter Berchtold, editor de esporte do jornal local Walliserbote.

No entanto, Berchtold admite que, no que diz respeito às acusações de corrupção na Fifa, até mesmo os velhos conhecidos de Blatter “não são cegos”.

“Todo o mundo sabe que há problemas na Fifa”, ele diz. “Mas eles não acham que Sepp Blatter deva ser responsabilizado por todos eles.”

Ceticismo

Berchtold argumenta que há muitos aspectos positivos na gestão de Blatter, como a promoção do futebol em países em desenvolvimento, o fato de uma primeira Copa do Mundo ter sido realizada na África e, mais recentemente, o compromisso com um processo de reforma na Fifa.

Mas é exatamente disso que alguns dos críticos de Blatter discordam. “Ele teve 17 anos para melhorar a governança na Fifa”, diz Eric Martin, chefe do setor suíço da ONG anticorrupção Transparência Internacional. “Sou cético quanto a se ele fará isso agora.”

Em 2011, um painel independente reunido pela Fifa propôs um pacote de reformas. A decisão da entidade, de ignorar as recomendações para mandatos fixos, limites de idade e divulgação total da renda obtida foi criticada pela ONG.

“Na Suíça, mudamos anualmente de presidente”, agrega Martin. “Tenho certeza que a Fifa conseguiria fazer o mesmo depois de 17 anos (de mandato para Blatter).”

E, enquanto alguns velhos amigos o descrevem como sensato e aberto, outros que trabalharam com Blatter afirmam que ele não gosta de enfrentar oposição – e citam a rápida saída de cena de colegas que ousaram questioná-lo.

Leia mais: Entenda o escândalo de corrupção na Fifa

Muitos se perguntam como presidente conseguiu se manter no poder, em meio a acusações contra a entidade

Blatter rejeitou bruscamente uma sugestão para participar de um debate televisionado ao lado dos demais candidatos à presidência da Fifa.

Questionado certa vez a respeito das críticas a seu comando da entidade – sendo as mais estridentes delas vindas de Alemanha e Inglaterra -, Blatter respondeu que ele poderia “perdoar, mas não esquecer”.

‘Don Blatterone’

Na Suíça, muitos se perguntam como Blatter conseguiu manter o controle da Fifa por tanto tempo, em meio a tantas acusações de corrupção, e ainda assim parecer intocável.

Um jornal suíço o chamou, em tom jocoso, de “Poderoso Chefão, o Don Blatterone” – mas nenhuma investigação conseguiu encontrar provas de seu eventual envolvimento em subornos.

“Ele é um sobrevivente”, diz Buechel. “Nada cola nele, sempre há alguém entre ele e (casos de) suborno.”

“Posso lhe dizer com segurança que ele não é ‘subornável'”, defende Hans-Peter Berchtold. “Dinheiro não é o que o motiva.”

O que emerge, então, é um homem que tanto críticos como simpatizantes dizem que não consegue imaginar sua vida longe da Fifa. Sua carreira foi mais longe do que seus três casamentos.

Buechel e Martin acreditam que a determinação de Blatter em manter seu cargo tornou-se prejudicial à entidade, ao não dar espaço para o surgimento de sucessores.

Até mesmo fãs, como Berchtold, lamentam que Blatter não aceite que pode ser a hora de ir embora.

“Ele poderia ter uma boa aposentadoria aqui em Visp”, diz. “Ele tem a chance de sair pela porta da frente.”

Berchtold teme que “se algo ruim acontecer na Fifa” nos próximos quatro anos, o octogenário Blatter tenha um fim de carreira ruim.

Talvez o “playground” de Blatter seja hoje a própria Fifa, e ele continua querendo ser rei. E, como se sabe, reis raramente abdicam de seus postos.
BBC

Copa do mundo 2014 e Ronaldo Fenômeno

Risada Contagiante - Blog do MesquitaOs fatos.
1. O Jogador Ronaldo, membro do Comitê Organizador da Copa, a qual agora renega e acusa, é sócio da empresa WPP do Brasil, que fatura alto com um contrato do governo federal para a divulgação da Copa-2014.
2. O senhor em questão tem participação também na 9ine, agência de publicidade e marketing esportivo.
3. Em outubro de 2010, a Ogilvy & Mathers Brasil Comunicação, que faz parte do grupo WPP do Brasil, ganhou uma licitação da Embratur, órgão do Ministério do Turismo.
4. A Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) fechou um contrato de serviços de consultoria com a Ogilvy & Mathers Brasil Comunicação, que faz parte do grupo WPP do Brasil.
5. Desde então, a empresa já recebeu R$ 33,4 milhões da Embratur.
6. Assim, o dinheiro público vai para os cofres da WPP, sócia do jogador Ronaldo.
7. O contrato começou no final de 2010 e foi estendido por meio de aditivo até junho de 2014.
8. Não há nenhuma prova de que Ronaldo tenha atuado em favor do contrato da Ogilvy com o governo federal, nem há ilegalidade no negócio. Mas as questões sobre os conflitos de interesse do jogador são levantadas desde que ele assumiu cargo no COL.

Ps. 1. Uma empresa representada pela 9ine, a Marfinite, ganhou o contrato para fornecimento de assentos na Arena Fonte Nova, um dos estádios da Copa-2014.
Ps. 2. Ensinou-me o “abestado” do meu pai, que não se deve cuspir no prato no qual se come.


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CBF, maracutais, a seleção de futebol e o Marin das medalhas

Espanto Blog do MesquiatAlô, alô para a turma que entende dos mistérios insondáveis do futebol e das maracutaias do ludopédio Tupiniquim.

Alguém pode explicar pro abestado aqui por que a Selecinha Brasileira de Futebol, joga no Rio, viaja para fazer um treino em Goiás, e depois viaja novamente pra jogar em Porto Alegre?

Dizem os entendidos que tudo é fruto do mutretero que comanda a CBF, um tal de José Maria Marin, também conhecido como Zé das Medalhas, pois embolsou – a TV mostrou – o elemento “afanando” uma medalha que seria concedida para um jogador, durante uma cerimônia de premiação.
Que país. Que república!


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Copa 2014: a taça da roubalheira é nossa

A saga da construção do estádio mais caro da Copa do Mundo

O Estádio Mané Garrincha, em Brasília, é um exemplo de como as obras públicas no Brasil são delirantes, demoradas e absurdamente caras

Em ÉPOCA desta semana, duas reportagens abordam nossa cultura de atrasos em obras públicas. Uma relata por que a construção do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, é uma das empreitadas mais delirantes já feitas com dinheiro público no Brasil. Outra investiga as principais causas do não cumprimento de prazos nos projetos públicos no país.

Leia abaixo um trecho da reportagem sobre o Estádio Mané Garrincha:   

CAPÍTULO 1
O projeto 

Em dezembro de 2006, o arquiteto Eduardo de Castro Mello descobriu pela TV que o Brasil seria candidato à sede da Copa de 2014. “A candidatura do Brasil é legítima e tem o apoio de todas as Federações da América do Sul”, disse Ricardo Teixeira, então presidente daConfederação Brasileira de Futebol, a CBF. “O presidente Lula já deu repetidas vezes prova de que será um agente fundamental para a realização da Copa do Mundo. E a iniciativa privada dará a resposta, que, tenho certeza, será positiva.” O plano inicial de Teixeira, como vendido ao público, desenhava o melhor dos mundos para o Brasil: o país, se escolhido sede da Copa, receberia um dos maiores eventos esportivos do planeta – e não pagaria nada por isso. “Não vai ter dinheiro público”, disse Teixeira.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

>>Terrorismo: pode acontecer na Copa?

Dias depois, Castro Mello ligou para o recém-eleito governador do Distrito Federal e companheiro de outras empreitadas, José Roberto Arruda. Eles se conheciam desde a construção do antigo Estádio Mané Garrincha, nos tempos em que Arruda era fiscal da Novacap, a empresa de obras do governo de Brasília. “José Roberto, é hora de retomarmos o projeto do estádio, que está parado no tempo”, disse Castro Mello. O Mané Garrincha nascera da megalomania do regime militar. As obras do “Brasil Grande” do general Emílio Garrastazu Médici, então presidente do país e um apaixonado por futebol, erguiam-se em Brasília também. O Mané Garrincha, um estádio olímpico para 140 mil pessoas, viria a integrar o complexo esportivo Médici, no centro de Brasília, que incluiria ainda um ginásio e um autódromo. Todas obras superlativas, pagas com dinheiro público – e para lá de questionáveis em termos estéticos, financeiros ou urbanísticos. O projeto do estádio coube ao escritório da família de Castro Mello, cujo pai, Ícaro, tinha experiência na construção de estádios em São Paulo. Em 1974, após um ano de obras aceleradas, o estádio foi inaugurado às pressas. Somente uma parte do anel superior ficara pronta. Isso conferia ao estádio um aspecto banguela – daí a observação de Castro Mello de que o Mané estava “parado no tempo”.

>>Ex-governador José Roberto Arruda é condenado a cinco anos de prisão

NÚMEROS O estádio Mané Garrincha, em Brasília, na semana passada. Ele será inaugurado com cinco meses de atraso – e com o dobro do custo previsto no orçamento  (Foto: Celso Junior/ÉPOCA)

Cabiam no banguela 42 mil pessoas, capacidade mais que suficiente para atender o público de clássicos como Planalto e Jaguar ou do time da gráfica do Senado contra o Coenge, um combinado dos servidores do governo de Brasília. A capital federal sempre viveu o futebol pela TV, torcendo pelos times grandes do Rio de Janeiro e de São Paulo. “Recentemente, Brasília contribuiu para a menor renda mundial verificada num campeonato, quando apenas um torcedor compareceu para assistir a uma partida final de um torneio local (Grêmio Brasiliense 2 x 1 Coenge)”, disse o então presidente da Federação Desportiva de Brasília, Wilson de Andrade, pouco antes da construção do Mané Garrincha. Ele afirmou que havia estádios inacabados na capital e que os poucos times locais não tinham torcedores nem sequer dinheiro para pagar a conta de luz. Esse estado de coisas lastimável não mudaria com o novo estádio. Logo se quebrou a promessa, feita pelo governo de Brasília, de continuar a construção dos demais anéis. Quebrou-se também a promessa, feita pela CBD, antigo nome da CBF, de promover no novo estádio jogos dos grandes times do país. Com os anos, o Mané Garrincha e suas linhas interrompidas tornaram-se apenas um elemento fora do lugar no desenho curvo da paisagem de Brasília.

>>Joseph Blatter: “Copa das Confederações é mais do que apenas um ensaio para a Copa do Mundo”

O tempo voltou a andar para o Mané no começo de janeiro de 2007, quando Arruda recebeu, em seu gabinete no Palácio do Buriti, o arquiteto Castro Mello. Do Buriti, Arruda e Castro Mello avistavam, pela janela, a silhueta do inacabado Mané, a menos de 1 quilômetro. “Apresentei um pré-estudo, e, depois de 20 minutos de reunião, ele anunciou que Brasília seria a sede da Copa, e eu o autor do novo Mané Garrincha”, disse Castro Mello numa tarde de março deste ano, ao lado do filho, Vicente, também arquiteto, terceira geração da família a desenhar o Mané. Eles estavam numa sala de reuniões no pequeno prédio que abriga a administração do novo Mané, rebatizado mais uma vez. (De Estádio Hélio Prates da Silveira, passara a se chamar Mané Garrincha em 1983, logo após a morte do jogador.) Agora, passaria a se chamar Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. Na antessala, acarpetada de verde-grama do chão ao teto, uma maquete de 4 metros quadrados materializava o projeto do novo estádio. Um vídeo institucional repetia na tela LCD os números grandiosos da obra. Faltava um número especial: R$ 1,5 bilhão – o custo, até aquele momento, do estádio mais caro da Copa (o orçamento inicial era de aproximadamente R$ 697 milhões). “Não interessa se é o mais caro, é o melhor”, disse Castro Mello. Ele assegurava que o novo Mané “colocará Brasília no mapa”. “Tem de quebrar o ovo para fazer a omelete.” Atrás da sala onde perorava, erguia-se, quase pronta, a colossal omelete de 1 quilômetro de diâmetro, cercada por 288 pilares de 36 metros de altura.

Qualquer aspecto do estádio envolve números hiperbólicos. Em sua construção, trabalharam cerca de 6 mil pessoas. Empregaram-se 177.000 metros cúbicos de concreto na obra – mais do que nas Petronas Towers, as torres gêmeas de Kuala Lumpur, na Indonésia, que estão entre os prédios mais altos do mundo. A cobertura é um espetáculo de tecnologia: 9.100 placas captam energia solar para transformá-la em 2,4 megawatts de energia, suficientes para abastecer o estádio e mais 2 mil casas da cidade. Haverá 8.420 vagas de estacionamento, 22 elevadores, 50 rampas e 12 vestiários.

Naquele momento, em março, a omelete já estava bem atrasada. Tudo atrasou na construção do Mané, como atrasou, ressalte-se, nos demais estádios da Copa. A licitação atrasou. O início das obras atrasou. O estádio deveria ficar pronto em dezembro do ano passado. Não ficou. O novo prazo da Fifa encerrava-se em abril. O governador de Brasília, Agnelo Queiroz, marcou a inauguração para o aniversário da capital, em 21 de abril. Parecia um prazo impossível de cumprir. Chove muito em Brasília nesse período. Agnelo desafiou as previsões pessimistas – e perdeu. Seis dias antes do prazo, Agnelo adiou a inauguração para 18 de maio, menos de um mês antes da abertura da Copa das Confederações, quando o Mané receberá o jogo do Brasil contra o Japão. O governo de Brasília argumenta que as obras não estão atrasadas. “Estamos oito meses adiantados”, afirma Cláudio Monteiro, secretário da Copa do Distrito Federal. O calendário de Monteiro é peculiar: estabelece que o estádio só deveria ficar pronto em dezembro, para ser usado na Copa do Mundo.

Portanto, se não houver mais um adiamento, no próximo sábado – quatro décadas após o inesquecível clássico de um só espectador entre Grêmio Brasiliense e Coenge –, o novo Mané, aquele estádio que parara no tempo, será finalmente reaberto. A ocasião é especial: final do Candangão, como é conhecido o campeonato brasiliense de futebol. Em campo, em vez de Grêmio Brasiliense e Coenge, Brasília contra Brasiliense.
Flávia Tavares/Época

Copa do Mundo de 2014: Filipão outra vez?

Já escrevi aqui várias vezes que sou talvez um dos poucos brasileiros que não entende nada, ou quase nada de futebol. Mas sobre tramoias, a vida me ensinou um pouco.

Ouço em programa de rádio que o tal senhor Felipão – o aumentativo procede, mas isso é outra estória – será o novo técnico da selecinha.

E daí? Nada!

A Copa do Mundo de Futebol é somente ‘business’.

Acabou a seriedade nos 6 X 0 da Argentina sobre o Peru na copa de 1978 nos campos platinos.

O mais é pantomima para engabelar os Zés, Johns, Pierres, Abduls, Manés, Juans, Kimuras, Xings, e demais abestados.


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