Maduro e Isabelita Peron

Tá feia a situação na Venezuela.

Maduro, que não se perca pelo nome pra cair – assim com Isabel Peron na Argentina após a morte de Juan Peron em 1974 – recebeu um legado de caos do falecido maluquete bolivariano Hugo Chávez.

Maduro, tal e qual Isabelita transcende a incompetência, e sem portar o mínimo de carisma do caudilho anterior.


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Hugo Chávez e a bolivariana busca do poder eterno

Chávez e o poder eterno
por: Sandro Vaia ¹/blog do Noblat

Um pouco mais da metade da Venezuela mostrou,nas urnas, que é contra o projeto de socialismo do século XXI de Hugo Chavez.

Mas o espaçoso e ambíguo arremedo do clássico tiranete latino-americano mostrou que o estoque de truques da sua cartola ainda não se esgotou.

Ele guarda mais coelhos lá dentro.

O primeiro truque já estava estabelecido: embora com um pouco mais da metade dos votos, a oposição não fez a maioria das cadeiras do Legislativo por causa das tortuosas regras do processo eleitoral, que dão mais peso aos distritos dominados pelos chavistas.

Com menos votos,o PSUV, partido de Chavez, elege mais deputados do que a coalizão oposicionista,o MUD.

Ainda assim,o número de deputados eleitos pela oposição foi suficiente para impedir que o governo conseguisse a maioria qualificada de 2/3, que lhe permitiria aprovar qualquer lei que o governo quisesse aprovar.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O segundo truque está em gestação: como a atual assembléia é dominada pelos chavistas, uma vez que a oposição cometeu a estupidez estratégica de não concorrer nas últimas eleições, e como seu mandato vai até janeiro de 2011, ela está ameaçando aprovar uma lei habilitante que dê a Chavez plenos poderes para governar por decreto até o fim de seus dias no governo, que só Deus sabe quando serão.

Essa é a “democracia até demais” (apud Lula) que impera na Venezuela do tenente coronel Hugo Chavez, e que é, hoje, o fracasso econômico mais retumbante do subcontinente: a economia caiu 3,2% em 2009 e continua em recessão: o desemprego está em cerca de 10%, e a inflação passa dos 30%.

O país sofre das sístoles e diástoles de abundância e de escassez ligadas diretamente à oscilação dos preços do petróleo, a única grande riqueza do país.

Quando os preços estão em alta, o governo emite pacotes de bondades destinados a diminuir as agruras da população pobre do país e a ajudar os co-irmãos ideológicos latino-americanos, como Cuba, Bolívia, Uruguai e Equador.

Quando os preços do petróleo caem, a generosidade encolhe.

As restrições à liberdade de manifestação e à liberdade de imprensa se multiplicam e se desdobram em pequenos e grandes atos de prepotência oficial, que vão desde o fechamento de canais de televisão a atos de perseguição contra jornalistas que insistem em manter a independência.

No projeto chavista de poder não se desenha um desfecho nem um objetivo final.É um projeto de poder pessoal que não tem data para terminar e que se camufla sob a salada ideológica de um vago “socialismo do século XXI” que não tem diretrizes teóricas e que na vida prática se traduz no desdobramento de velhos programas assistencialistas e populistas ao velho estilho do caudilhismo latino-americano.

Poder absoluto e perpétuo – esse é o único e verdadeiro projeto de Hugo Chavez e de seus epígonos latino-americanos.Um projeto que alguns assumem sem disfarces e que outros acalentam em ruidoso silêncio.

¹ Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br

Uribe. Um Cháves a menos

Com uma decisão sensata o Congresso da Colômbia rejeitou a segunda reeleição de Uribe. A praga do chavismo se alastra pela sofrida latinoamérica, já infelicitada por séculos de caudilhismo ladravaz. Os mais solertes protótipos de ditadores se escudam por trás de aparente respeito ao jogo democrático. Contudo, dormita em cada um desses pulhas, a vontade cubana de perpetuação no poder.

É preciso estar ‘atento e forte’, como na música “Divino Maravilhoso” de Gilberto Gil.

Projeto aprovado autoriza referendo sobre o tema, mas para 2014. Governo colombiano quer mudar texto no Senado.

A Câmara dos Deputados da Colômbia rejeitou ontem a possibilidade de segunda reeleição do presidente Álvaro Uribe em 2010, ao aprovar um projeto de lei que autoriza um referendo sobre segundas reeleições, mas somente a partir de 2014. O referendo também decidirá se Uribe poderá concorrer às eleições de 2014 após ficar quatro anos afastado do poder.

O projeto só foi aprovado depois que o governo, em um decreto de última hora na noite de terça-feira, convocou sessão extra do Parlamento para aquela madrugada, quando obteve os votos necessários. A estratégia do governo tem uma justificativa: o projeto que veta a segunda reeleição agora vai para o Senado, onde alguns dos defensores mais fiéis de Uribe tentarão modificar o texto para abrir uma porta para a reeleição em 2010. Se fosse arquivado, as chances do presidente seriam nulas.

– Um presidente com 70% de popularidade, apoiado por milhões de assinaturas pedindo sua reeleição, não pode ser subestimado. O núcleo de seus simpatizantes vai continuar procurando os canais que lhe permitam a reeleição em 2010 – disse o analista político Mauricio Romero, da Universidade Javeriana, em Bogotá

do O Globo