A próxima catástrofe

Os políticos ignoram riscos distantes: eles precisam melhorar seu jogo.

Em 1993, os jornais disseram ao mundo para observar o céu. Na época, o conhecimento da humanidade de asteróides que poderiam atingir a Terra era lamentavelmente inadequado

Como guerras nucleares e grandes erupções vulcânicas, os impactos de grandes asteróides podem derrubar sete sinos do clima; se assim devastássemos alguns anos de colheitas em todo o mundo, mataria uma fração considerável da população. Tal eventualidade era reconhecidamente altamente improvável. Mas, dadas as conseqüências, fazia sentido atuarial verificar se havia algum impacto nas cartas e, na época, ninguém se preocupava em olhar.

Os ataques de asteróides foram um exemplo extremo da ignorância voluntária do mundo, talvez – mas não atípica. Eventos de baixa probabilidade e alto impacto são um fato da vida. Os seres humanos individuais procuram proteção deles para os governos e, se puderem pagar, para as seguradoras.

A humanidade, pelo menos como representada pelos governos do mundo, revela uma preferência por ignorá-los até que seja forçada a reagir – mesmo quando o preço da previsão é pequeno. É uma abdicação de responsabilidade e uma traição ao futuro.

Covid-19 oferece um exemplo trágico. Virologistas, epidemiologistas e ecologistas alertam há décadas sobre os perigos de uma doença semelhante à gripe que se espalha de animais selvagens. Mas quando o sars-cov-2 começou a se espalhar, pouquíssimos países tinham a combinação vencedora de planos práticos, o kit que esses planos exigiam e a capacidade burocrática para adotá-los. Aqueles que se beneficiaram muito. Até o momento, Taiwan viu apenas sete mortes secretas por 19; sua economia sofreu correspondentemente menos.

As pandemias são desastres com os quais os governos têm experiência. O que, portanto, de ameaças verdadeiramente novas? A ardente coroa quente que envolve o Sol – com um efeito espetacular durante os eclipses solares – lança intermitentemente vastas folhas de partículas carregadas no espaço. Eles causam as luzes do norte e do sul e podem atrapalhar as redes elétricas e as comunicações.

Mas ao longo do século em que a eletricidade se tornou crucial para grande parte da vida humana, a Terra nunca foi atingida pela maior dessas erupções solares. Se uma ejeção de massa coronal (cme) fosse atingida, todos os tipos de sistemas de satélite necessários para navegação, comunicações e avisos de ataques com mísseis estariam em risco.

Grandes partes do planeta podem enfrentar meses ou até anos sem eletricidade confiável na rede. As chances de um desastre deste século são colocadas por alguns acima de 50:50. Mesmo que não sejam tão altos, ainda são maiores que as chances de um líder nacional saber quem em seu governo é responsável por pensar em tais coisas.

O fato de nenhum governo jamais ter visto um cme realmente grande ou uma erupção vulcânica grande o suficiente para afetar as colheitas em todo o mundo – a mais recente foi Tambora, em 1815 – pode explicar sua falta de premeditação. Não desculpa isso. Manter um olho no futuro faz parte do objetivo dos governos. Os cientistas forneceram a eles as ferramentas para tais esforços, mas poucos acadêmicos realizarão o trabalho de forma espontânea, sem financiamento e desconhecida. As empresas privadas podem tomar algumas medidas quando perceber riscos específicos, mas não elaborarão planos para a sociedade em geral.

É certo que nem os vulcões da Terra nem a coroa do Sol podem ser controlados. Mas os sistemas de alerta precoce são possíveis, assim como a preparação para o pensamento. Vulcões historicamente ativos perto de grandes cidades, como Fuji, Popocatépetl e Vesúvio, são bem monitorados e há pelo menos planos para evacuação, se necessário. Não seria tão difícil estender esse tipo de atendimento a todos os vulcões com potencial de alterar o clima.

Os governos também poderiam garantir que os operadores da rede tenham planos plausíveis para o que fazer se o dscovr, um satélite que paira entre a Terra e o Sol, forneça um aviso de meia hora de que um cme está a caminho, conforme planejado. Garantir que haja backups offline para alguns bits vitais do equipamento da rede seria mais caro que um alarme de vulcão e reduziria, e não eliminaria, o risco. Mas valeria a pena o esforço.

Também não seria tão difícil fornecer um aviso prévio melhor de possíveis pandemias. Interromper toda a transmissão de novos patógenos de animais selvagens é uma tarefa fácil, embora colocar um limite na agricultura mais intensiva e na exploração flagrante de ecossistemas selvagens ajudaria. Mas, novamente, o risco pode ser reduzido.

O monitoramento dos vírus encontrados em animais e pessoas em que essas transferências parecem mais prováveis ​​é eminentemente viável (consulte o artigo). Para os países confiarem um no outro, isso pode ser um desafio; o mesmo ocorreria com o tipo de transparência que tornaria desnecessária essa confiança. Mas se alguma vez houve um momento para tentar, certamente é hoje. Antes do tsunami no Oceano Índico de 2004, havia poucos sistemas de alerta precoce para tsunamis. Agora, felizmente, existem muitos.

Pode parecer quixotesco insistir na preparação esotérica quando houver maiores ameaças que encaram o mundo, incluindo mudanças climáticas catastróficas e guerra nuclear. Mas isso não é um ou / ou. As mudanças estruturais necessárias para reduzir os riscos climáticos – mudanças que muitos países estão adotando agora, se com urgência insuficiente – são de ordem diferente das necessárias em outros itens. Além disso, as abordagens que fazem sentido para ameaças misteriosas também têm implicações para as mais familiares. Pensar na redução de riscos, e não na eliminação, deve incentivar medidas como tirar as armas nucleares de um alerta contínuo e novas abordagens para o controle de armas. Levar o monitoramento ambiental mais a sério pode ajudar a alertar antecipadamente as mudanças repentinas nos padrões de perturbação climática, assim como detectar o magma crescente sob montanhas distantes das quais o mundo pouco sabe.

Analisar o futuro em busca de riscos e tomar nota adequada do que você vê é uma marca de maturidade prudente. É também uma expansão salutar da imaginação. Os governos que levam a sério as maneiras em que o futuro próximo pode ser bem diferente do passado recente podem encontrar novos caminhos a serem explorados e um novo interesse em sustentar suas realizações muito além de algumas voltas do ciclo eleitoral. Esse é exatamente o tipo de atitude que a administração do meio ambiente e a contenção de conflitos armados exigem. Também pode ser um alívio. Quase todos os grandes asteróides que podem se aproximar da Terra já foram encontrados. Nenhuma é uma ameaça de curto prazo. O mundo não é apenas um lugar comprovadamente mais seguro do que parecia. Também é um lugar melhor para ter descoberto.

As ambiguidades da ajuda humanitária; A indústria da pobreza.

Essencial para a sobrevivência de milhões de pessoas no mundo – refugiados, deslocados, famintos, doentes etc. –, a ajuda humanitária mobiliza bilhões de dólares por ano.*

Para Estados, entidades civis e indivíduos, ela constitui com frequência um poder de fato, capaz de impor escolhas e normas. Os assistidos, porém, nem sempre saem em vantagem

Em dez anos, o montante gasto em ajuda humanitária em todo o mundo aumentou cinco vezes, atingindo US$ 28,9 bilhões em 2019.

Esse crescimento financeiro é acompanhado de uma proliferação de estruturas, desde a associação local criada por alguns voluntários até a ONG internacional, passando por agências e programas das Nações Unidas e pelo Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. No entanto, a diferença entre os fundos disponíveis e as necessidades continua a aumentar, em especial por causa do surgimento de crises: conflitos armados, desastres relacionados às mudanças climáticas e urbanização acelerada afetam mais pessoas, por mais tempo. O número de vítimas de desastres em 2018 foi estimado em 206 milhões.

A diferença se deve também às disfunções específicas da ajuda internacional, que a impedem de alcançar seus objetivos: falta de coordenação, desconhecimento em relação às áreas de intervenção, não proximidade com atores locais. Essas anomalias, embora conhecidas e identificadas há muito tempo, são repetidas sistematicamente, operação após operação. As justificativas habituais – a obrigação de agir com urgência, a rápida renovação da equipe, a ausência de memória institucional – mascaram causas estruturais, entre as quais a principal é a assimetria na relação entre os atores.

De fato, em 2017, dois terços do financiamento humanitário global foram alocados em apenas doze ONGs (entre elas Save the Children, Comitê Internacional de Resgate [IRC], Médicos Sem Fronteiras, Oxfam e Visão Mundial) e instituições da ONU,ou seja, 22 vezes mais que os recursos direcionados a operadores nacionais e locais.

Assim, certas organizações internacionais capturam o maná concentrado no hemisfério norte – sendo os Estados Unidos, a União Europeia e alguns Estados do Velho Continente, de longe, os principais doadores. Nos últimos anos, no entanto, Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos se tornaram também doadores significativos, juntando-se à lista dos vinte principais fornecedores de recursos. Isso se deve à estratégia de reposicionar esses países no cenário regional e internacional, em um contexto marcado pelas guerras da Síria e do Iêmen.

O mito da vítima desamparada
A ajuda humanitária é construída de cima para baixo, de seus financiadores e doadores, a quem é preciso prestar contas e que decidem, na prática, as prioridades e os locais de intervenção. O próprio curso da intervenção – dominado pela urgência, o uso do inglês, a convergência dos perfis sociológicos e códigos culturais de sua equipe “sem fronteiras” – reforça essa dinâmica, que floresce à custa de atores locais e, por meio deles, de assistidos.

Dos US$ 2,4 bilhões arrecadados pelas Nações Unidas após o terremoto de 2010, as ONGs haitianas e o governo local receberam diretamente apenas uma pequena fração: respectivamente 0,4% e 1%. Assim, eles se limitaram ao papel de meros subcontratados de uma reconstrução guiada remotamente em nível mundial. É um caso extremo, mas não isolado, de Estados do Norte financiando seus próprios projetos por meio de suas próprias ONGs. As capacidades locais, consideradas insuficientes em vista dos requisitos contábeis e burocráticos impostos pelas instituições de países ricos, são depreciadas, se não desprezadas. Elas recebem apenas 3% da ajuda direta.

Percebendo essa assimetria, os principais doadores e organizações, reunidos em Istambul para a Primeira Cúpula Humanitária Internacional, em 23 e 24 de maio de 2016, comprometeram-se a reservar um quarto do financiamento para estruturas locais e nacionais, às quais os subsídios seriam pagos “o mais diretamente possível” (princípio da “localização”), até 2020. Essa decisão se explica em parte pelos resultados da pesquisa citada anteriormente, realizada entre maio de 2014 e fevereiro de 2015 em cinco países do Oriente Médio e norte da África com 1.231 pessoas “beneficiárias” de ajuda humanitária internacional.

Eles foram convidados a classificar suas opiniões em uma escala de 1 a 10; a média das respostas foi inferior a 3. Essa avaliação parece confirmar outra pesquisa realizada em 2018 com cerca de 5 mil pessoas em sete países: mais de 80% dos inquiridos no Iraque e no Líbano não consideravam que o apoio obtido lhes permitia autonomia, e a maioria deles achou que sua opinião era pouco ou nada considerada.

Esses resultados revelam o lado impensado da ajuda humanitária: a figura da vítima. As vítimas são percebidas, contra todas as evidências, como impotentes e passivas, embora sejam elas mesmas que, nas primeiras 24 horas, salvam o máximo de vidas à sua volta, antes da chegada de organismos externos (e da mídia). Há tempos, em 2004, o então secretário-geral da Cruz Vermelha Internacional, Markku Niskala, clamava que a ajuda humanitária deveria “dissipar o mito da vítima desamparada e da ajuda internacional infalível e colocar as pessoas afetadas por catástrofes, bem como suas lideranças, no centro do nosso trabalho”. Se, quinze anos depois, o mito persiste, é porque esse é o cerne da representação dominante que o setor faz de si mesmo – e que lhe convém.

Imagens do caos, vítimas apáticas e estados do Sul incapazes, corruptos ou totalitários (ou tudo isso ao mesmo tempo) confirmariam a necessidade de ação no exterior. O desencanto político e a certeza de pertencer ao lado do bem confirmariam essa legitimidade – em detrimento de outros tipos de análise. Longe de ficarem calados, os assistidos são muitas vezes silenciados por seus próprios Estados, pela pretensão do setor de se autorregular e pela multiplicação de relatórios internacionais. A história oficial da ajuda humanitária pode ser resumida como uma inocência constantemente equivocada, mas sempre reabilitada em nome da pureza de suas intenções e, acima de tudo, da salvaguarda necessária de sua independência. Essa narrativa obscurece outras relações de poder em jogo em operações de socorro.

O primeiro exercício desse tipo foi a avaliação conjunta da ajuda de emergência levada a Ruanda durante o genocídio de tútsis em 1994: a ação sublinhou como os trabalhadores humanitários estrangeiros e os jornalistas recém-desembarcados, confundindo visibilidade e eficiência, construíram conjuntamente uma leitura “salva-vidas” para os acontecimentos, imediatamente compreensíveis pelos espectadores do Norte, mas obscurecendo as lógicas militar, diplomática e política em jogo por trás dos fluxos de refugiados, bem como a falta de antecipação e coordenação dos atores internacionais. A intervenção humanitária serviu de cobertura para a cegueira e paralisia ocidentais, enquanto o problema deveria ser abordado em outra linha e exigia uma solução política. No fim das contas, a grande maioria das vítimas não morreu por falta de ajuda, e sim porque foi massacrada.

Vinte e cinco anos depois, permanece o mesmo sistema narrativo, que recodifica situações de injustiça e desigualdade – fruto de escolhas políticas – como tendo causas naturais, quando não atribuídas a maldições. Em janeiro de 2006, um estudo sobre o processamento de informação por cerca de sessenta jornais e periódicos em nove países ocidentais concluiu que não havia ligação entre a escala de um desastre e sua cobertura da mídia, esta última vinculada a considerações econômicas e estratégicas dos Estados do Norte.

Assim, em 2004, o impacto do tsunami no Oceano Índico na indústria do turismo ocupou um lugar desproporcional na mídia. Inversamente, quanto mais cobertura da mídia sobre um desastre, mais organizações são atraídas e mais elas se lançam em uma corrida por visibilidade que coloca em risco qualquer esforço de coordenação entre elas. Ir para o campo é tornar-se visível (credibilidade), garantir financiamento (viabilidade) e reforçar a natureza imperativa de sua ação (legitimidade). A pertinência da ação tem pouca importância diante da oportunidade de mercado que se tornou.

O acesso privilegiado a subsídios, mídia e tomadores de decisão permite que os humanitários exerçam um poder cujas consequências são proporcionais ao não reconhecimento desse processo.12 O princípio da localização do auxílio, adotado pela cúpula de Istambul, não será eficaz se estiver “descolado das questões de injustiça, desigualdade e assimetria de poder”, diz Regina Salvador-Antequisa, diretora da Ecosystems Work for Essential Benefits Inc. (Ecoweb), uma ONG filipina.

O dinheiro e o tempo investidos na construção de infraestrutura, proteção civil, serviços públicos e preparação para desastres estão provando ser mais eficazes do que responder a eles em situações de urgência, por mais rápida que sejam essas respostas. Em 2015, a ONG norte-americana Mercy Corps enviou uma pequena equipe para avaliar as necessidades após o furacão Pam, que atingiu Vanuatu. E teve a valentia de desistir da intervenção quando descobriu que o governo e as agências locais eram suficientemente abastados e organizados.

Sem a mesma lucidez, durante o terremoto de 2015 no Nepal, os países europeus despacharam para Katmandu, sem nenhuma coordenação, quinze equipes de ajuda humanitária que desafiaram as realidades regionais: mais perto do cenário do desastre, China, Índia e Paquistão já estavam lá. O resultado: um fardo de logística e coordenação, e um aeroporto saturado, que atrasou a chegada de aviões franceses, belgas e neozelandeses em vários dias, tornando a ação inútil.

Esses descalabros podem explicar por que, após o terremoto em novembro de 2018, o governo indonésio canalizou e limitou a atuação de atores estrangeiros. A auto-organização dos “beneficiários” é inda mais estimulante: “Se quisermos resolver nossos problemas, devemos fazer isso sozinhos. As organizações internacionais são apenas coadjuvantes”, disse Mohib Ullah, anfitrião de uma greve de associações locais nos campos de refugiados rohingyas em Bangladesh, em novembro de 2018.

Como convocar tomadores de decisão quando, ao mesmo tempo, isso ajuda a despolitizar as relações sociais e promove uma eficiência que se vale da imagem de impotência pública do outro? Em paralelo, a ajuda humanitária tende a se tornar o nome oculto do que na verdade é a política: a política institucional não diz mais seu nome e segue esse caminho para compensar sua inação – a Palestina é um caso emblemático – ou, pelo contrário, para catalisar sua ação.

Parafraseando o geógrafo David Harvey, poderia se falar em privatização por meios humanitários. Nos países em questão, não estamos testemunhando uma “ONGização” de serviços sociais? A ajuda internacional, portanto, tende a substituir os sistemas públicos de saúde, que continuam sendo os meios mais eficazes de salvar vidas. O oposto da política não é o humanitário: é outra política.

*Frédéric Thomas é cientista político, pesquisador do Centro Tricontinental (Cetri) e professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Liège, Bélgica.

Moçambique,Catástrofes,Fome,Blog do Mesquita

Moçambique; Situação ainda é dramática

Moçambique,Catástrofes,Fome,Blog do MesquitaNo mês passado, o ciclone Idai devastou o sudeste da África, causando mais de mil mortes. Milhões de pessoas ainda lutam para sobreviver, relata a ativista humanitária Ninja Taprogge, em entrevista à DW.

Ninja Taprogge trabalha na seção alemã da organização de ajuda humanitária CARE. Atualmente, ela se encontra em Moçambique, em regiões que até agora não haviam recebido apoio.

Em entrevista à DW, ela relatou que apenas 23% dos 250 milhões de euros reivindicados foram garantidos pelas Nações Unidas. “Isso é muito pouco e realmente nos preocupa como organizações de ajuda.”

“É importante fornecer ajuda imediata porque algumas pessoas não comem nada há quatro semanas. Temos que distribuir comida agora mesmo”, apontou a ativista.

Deutsche Welle: Você está atualmente em Moçambique, o país mais afetado pelo furacão Idai. Qual a sua impressão da situação?

Ninja Taprogge: A situação em Moçambique ainda é dramática. Acabei de chegar da região da Beira. Muitos lugares ainda estão afetados por enchentes. Estivemos há poucos dias num pequeno vilarejo chamado Guarda Guarda.

Lá, as pessoas não receberam nenhuma ajuda. Distribuímos comida para 2 mil famílias. Cada uma delas recebeu 30 quilos de arroz, cinco quilos de feijão e dois litros de óleo.

O que as pessoas lhe dizem no local?

Falei com uma mulher que há semanas come apenas o milho que encontrou em seu cultivo. A região ao redor do vilarejo estava completamente inundada. Ela também me mostrou o milho. Ele cheirava mal e estava totalmente sujo.

Ela me disse que um de seus filhos agora está com dor de estômago e sofrendo de diarreia. Nós também visitamos as plantações – elas foram completamente destruídas.

Com são as condições de vida das pessoas?

Muitos moram em abrigos. O governo acabou de divulgar novos números hoje. As pessoas vivem juntas num espaço confinado. Mais de 240 mil casas foram gravemente danificadas ou destruídas.

Levará muito tempo até que possam ser reconstruídas. Nós ajudamos distribuindo lonas e cordas para as famílias, para que elas possam ao menos montar acomodações temporárias.

Toda a infraestrutura também foi severamente afetada pelo ciclone Idai. Muitas escolas foram destruídas. Ajudamos a montar barracas para que aulas possam ser dadas novamente às crianças.

Que outras doenças são também problemáticas?

Especialmente malária. Abrigos temporários ou mesmo famílias que dormem ao ar livre contam com mosquiteiros para se proteger da doença. A propagação da enfermidade é uma grande preocupação para nós e outras organizações de ajuda no momento.

Quanto tempo a CARE pretende atuar no local? A ajuda é suficiente?

O maior problema continua sendo o fato de as plantações estarem completamente destruídas. Segundo estimativas de especialistas, mais de 700 mil hectares de terras agrícolas foram danificadas pelas inundações. É importante fornecer ajuda imediata porque algumas pessoas não comem nada há quatro semanas. Temos que distribuir comida agora mesmo.

Mas também temos que ficar lá por mais tempo. As pessoas precisam de sementes suficientes para trabalhar em seus campos novamente. No momento, esta crise está completamente subfinanciada. Apenas 23% dos 250 milhões de euros reivindicados foram garantidos pelas Nações Unidas. Isso é muito pouco e realmente nos preocupa como organizações de ajuda.

O que precisa acontecer em termos concretos nos próximos meses?

Precisamos de dinheiro para continuar a fornecer apoio imediato, mas também para construir e ajudar as pessoas a reconstruir suas casas. Precisamos dar às pessoas algo para ajudá-las a refazer suas plantações e garantir renda para suas famílias.

Notre Dame,Incêndio,Paris,Blog do Mesquita,Victor Hugo,O Corcunda de Notre Dame

O que sobreviveu dos tesouros da Notre-Dame?

Notre Dame,Incêndio,Paris,Blog do Mesquita,Victor Hugo,O Corcunda de Notre Dame

Além da riqueza arquitetônica, catedral abrigava preciosidades religiosas e artísticas, como relíquias, esculturas e pinturas. Após o incêndio, sua estrutura foi preservada, mas há incertezas sobre vitrais e pinturas.

Após o incêndio que atingiu parte da Catedral de Notre-Dame nesta segunda-feira (15/04), a fachada principal e as torres dos sinos ainda continuam a impor-se na pequena Île de la Cité, entre as duas margens do rio Sena. A parte norte e o telhado, com a queda da chamada flecha em forma de agulha, foram as partes mais afetadas, e os bombeiros continuam os trabalhos de inspeção na estrutura.

O fogo na catedral – um dos edifícios mais icônicos de Paris, da França e da arte gótica – foi declarado extinto pelas autoridades francesas pouco antes das 10h (hora local) desta terça-feira. O incêndio teve início na segunda-feira por volta das 18h50 e, portanto, só foi extinto após cerca de 15 horas.

A estrutura básica exterior foi considerada salva pelos bombeiros. Sua importância para a França e a capital do país já se inicia na própria praça da catedral, porque dali são calculadas até hoje todas as distâncias francesas, a partir de um ponto definido como marco zero.

Mais antiga que o Louvre ou a Torre Eiffel, a Notre-Dame é considerada um dos monumentos mais emblemáticos de Paris,sendo visitada anualmente por 13 milhões de pessoas. Sua construção começou no século 12, mais precisamente em 1163, e durou mais de 180 anos, tendo sido inaugurada em 1345.

Fachada oeste da Notre-DameFachada oeste é um tesouro em si. Preservada após o incêndio, há incerteza em torno dos vitrais

Dedicada à Virgem Maria (Notre-Dame ou Nossa Senhora), a construção da igreja acompanhou o próprio desenvolvimento de Paris, pois a antiga catedral era pequena demais para a futura metrópole europeia. Além dos sinos, gárgulas, vitrais e rosáceas que também adornam muitas outras catedrais, uma das principais atrações da Notre-Dame é a sua própria arquitetura, que se difere de muitas igrejas góticas da época.

Enquanto no resto da Europa, novas formas de gótico estavam em voga no século 13, Paris não aderiu a essas tendências, resgatando formas do antigo gótico, com elementos horizontais numa proporção calculada e equilibrada.

Fachada harmônica

Marco zero marca início da contagem de distâncias a partir da praça da Notre-DameMarco zero marca início da contagem de distâncias a partir da praça da Notre-Dame

Como exemplo, o site oficial da Catedral de Notre-Dame destaca a fachada oeste como o primeiro tesouro do edifício. Felizmente, o fogo que atingiu a torre norte conseguiu ser extinto durante a noite, preservando a fachada e seus cinco portões, construídos entre 1200 e 1250.

As proporções da fachada são baseadas num arranjo especial de quadrados que formam retângulos aproximadamente na relação de lados 2: 3.

Aqui se realizou o ideal de Santo Agostinho: uma arquitetura cujas proporções são baseadas em consonâncias musicais (harmonia de tons), que por sua vez refletem a ordem harmônica do universo.

Paris introduziu uma inovação decisiva no projeto da fachada: a galeria real acima da área do portal como um símbolo da união entre igreja e monarquia. Sobre essa fachada, 28 estátuas representam os reis de Judá e de Israel, ancestrais de Cristo.

Já no século 13 as pessoas pensavam neles como os reis da França. Esta série de estátuas reais em grande formato influenciou algumas das catedrais mais importantes, como Reims e Amiens.

Acima desses personagens, em ambos os lados da fachada, estão as estátuas de Adão e Eva. No centro, uma grande rosácea, cujo diâmetro mede quase 10 metros, forma uma auréola para a estátua da Virgem Maria com seu filho, Jesus, que é emoldurada por dois anjos.

Frankreich, Paris: Architektur der Kathedrale Notre Dame (picture-alliance/E. Bömsch)Três grandes rosáceas adornam fachadas da Notre-Dame, mas liga que une peças suporta mal variações de calor

Vitrais do século 13

A Notre-Dame de Paris abrigava três grandes vitrais, construídos no século 13, representando as flores do paraíso, como rosas com pétalas de vidros coloridos. As rosáceas norte e sul são maiores, com 13 metros de diâmetro.

Cada medalhão representa um personagem: profetas, santos, anjos, reis, cenas da vida dos santos, obras de canto, virtudes – todos girando em torno do medalhão central: duas rosáceas apresentam a Virgem e o Menino Jesus, a outra, Cristo em majestade.

Ainda há incertezas quanto aos vitrais da catedral. Com o calor do fogo e a queda da estrutura de madeira do telhado, partes dos medalhões podem ter sido destruídas, assim como o chumbo que as liga pode ter derretido. Philippe Marsset, vigário-geral da arquidiocese de Paris e um dos primeiros a entrar na catedral à noite, descreveu cenas de “bombardeio” e “vitrais explodidos”.

No entanto, as rosáceas na fachada norte parecem ter sido poupadas, de acordo com várias testemunhas. Uma delas deve ser desmontada rapidamente para que não caia, escreveu o Le Figaro nesta terça-feira.

Flecha da Notre-Dame sucumbe durante incêndioFlecha projetada por Viollet-le-Duc foi um dos tesouros a sucumbir ao fogo

Torres e estátuas

Em forma de agulha, a flecha sobre o telhado da catedral foi logo consumida pelo fogo. Essa torre, com 93 metros de altura, havia sido construída em 1860 por Eugène Viollet-le-Duc, um dos arquitetos mais importantes do século 19, durante a longa restauração pela qual a igreja passou a partir de 1844.

As 16 estátuas de cobre que adornavam a torre, representando os doze apóstolos e os quatro evangelistas, escaparam das chamas. Elas haviam sido removidas de sua base há apenas alguns dias para serem restauradas.

Os sinos também são considerados um importante tesouro da catedral e fazem parte da história de Paris. São 13 no total, com nomes de santos. Três estavam na torre que desabou no incêndio, a chamada “flecha”, em forma de agulha. De acordo com Le Figaro, o sino Bourdon, com 13 toneladas, e os outros sinos restaurados em 2013 escaparam intactos.

Frankreich, Paris: Architektur der Kathedrale Notre Dame (Getty Images/AFP/M. Bureau)Estátuas de cobre foram retiradas para restauração poucos dias antes do incêndio

Tesouros religiosos e artísticos

Além de sua riqueza arquitetônica, a Notre-Dame de Paris abrigava tesouros religiosos e artísticos, como relíquias, esculturas e pinturas. Embora ainda haja incerteza sobre a extensão das perdas, muitos deles puderam ser salvos, como a coroa de espinhos que se acredita ter sido usada por Jesus Cristo antes da crucificação. Outros, no entanto, foram provavelmente perdidos para sempre no ardor das chamas, como as “grandes pinturas” do século 17 e 18, os chamados Mays.

Existiam 76 Mays no total. Treze deles eram rotineiramente expostos ao público na Notre-Dame, entre eles a Lapidação de Saint Etienne, do pintor Charles Le Brun. Segundo o reitor da catedral, quadros com grandes dimensões, como é o caso dos Mays, não puderam ser retirados durante o incêndio.

Tunika Ludwigs IX. Frankreich (picture-alliance/dpa/AKG)Manto de São Luís foi retirado a tempo, disse reitor da catedral

A preocupação também diz respeito a outro tesouro da Notre-Dame: os seus três órgãos e, em particular, ao grande órgão, com seus cinco teclados, seus 109 jogos e seus quase 8 mil tubos. Construído a partir do século 15, ele foi ampliado gradualmente, até atingir o tamanho atual no século 18.

Segundo o site da catedral, ele sobreviveu à Revolução Francesa sem danos, “graças provavelmente à interpretação da música patriótica”. Seus tubos são feitos de uma liga de estanho e chumbo, que suporta mal variações de calor e umidade.

No entanto, o grande órgão ainda estaria salvo, disse à emissora France Info Vincent Dubois, organista titular do grande órgão da catedral de Notre-Dame de Paris.

DoCoroa de espinhos que se acredita ter sido usada por CristoCoroa de espinhos que se acredita ter sido usada por Cristo antes da crucificação foi um dos tesouros salvos do incêndio

Já na noite de segunda-feira, o reitor da catedral, Patrick Chauvet, afirmou que a coroa de espinhos e a túnica de São Luís, duas relíquias de valor inestimável para o catolicismo, puderam ser salvas das chamas. A coroa foi adquirida pelo rei Luís 9° em 1238, tendo sido transferida para Notre-Dame durante a regência de Napoleão em 1806.

Além da coroa e da túnica do próprio Luís 9°, a Notre Dame conserva outras duas relíquias da Paixão: um prego e um pedaço da cruz. Segundo o jornal Le Figaro, uma cena da Paixão de Cristo, que os católicos relembram justamente nesta Semana Santa, também pôde ser salva de dentro sacristia. A Notre-Dame também tem relíquias da Santa Genoveva, padroeira de Paris, e de São Denis.

Alguns dos tesouros ainda poderão ser restaurados, como os quadros que por seu tamanho não puderam ser retirados das naves. Mas, no total, calcula-se que a catedral tenha perdido de 5% a 10% das obras do seu interior, informou o diário Le Figaro

Fotografias,Fomes,Etiópia,Blog do Mesquita,África

As catástrofes humanitárias esquecidas do planeta

Fotografias,Fomes,Etiópia,Blog do Mesquita,África

Etiópia, Madagascar, Haiti, Congo e Filipinas: estudo de ONG americana mostra as crises que acontecem longe dos olhos do grande público, praticamente ignoradas pela imprensa.

A Etiópia sofre com uma constante seca: mais de 80% da população etíope vive da agricultura

Inundações, secas, fome, violência, deslocamento: também em 2018, inúmeros países voltaram a ser palco de catástrofes naturais ou crises criadas pelo ser humano. Enquanto, por exemplo, as guerras na Síria e no Iêmen, a crise de abastecimento na Venezuela e os incêndios florestais na Califórnia dominaram as manchetes internacionais reiteradamente, outras catástrofes de dimensão parecida ou maior aconteciam longe dos olhos do grande público.

Entre outros, os motivos foram um acesso mais difícil dos meios de comunicação a certas áreas de crise que representavam um verdadeiro desafio para a cobertura internacional, além de orçamentos definhando nas redações, diz o estudo Sofrendo em Silêncio, em tradução livre, da ONG americana Care International. A análise apresenta as crises humanitárias que “obtiveram a menor cobertura midiática” em 2018.

Para realizar o estudo, a organização trabalhou em conjunto com o serviço de observação de mídias Meltwater, avaliando mais de um milhão de artigos online em inglês, alemão e francês, publicados do início de janeiro ao fim de novembro do ano passado. Concretamente, observou-se com que frequência crises que afetaram pelo menos um milhão de pessoas foram mencionadas na imprensa online.

Não foram consideradas matérias produzidas para a TV ou o rádio, nem para plataformas de redes sociais. Apesar da restrição às línguas mencionadas e aos veículos, os resultados “mostram uma tendência clara”, afirma o texto. O estudo elaborou uma lista com as dez crises sobre as quais menos se escreveu em 2018. Essas são as cinco menos noticiadas.

Haiti

Carros incendiados, ruas interditadas por barricadas, mortes: recentemente, os violentos protestos contra o governo voltaram a trazer o Haiti para os holofotes da opinião pública internacional. Mas, em 2018, uma crise alimentar causada, entre outros, por atrasos na colheita devido a uma seca no início do ano obteve muito menos atenção.

No Índice Global da Fome de 2018, o país caribenho, alvo constante de catástrofes naturais e que depende maciçamente de ajuda financeira internacional, ficou em 113º lugar entre 119 países. O país, politicamente instável, registrou “o maior nível de fome no Hemisfério Ocidental”, diz o relatório publicado pela ONG alemã Welthungerhilfe e pela ONG Concern Worldwide. A situação da segurança alimentar no país é “muito séria”, diz o índice.

Foto aérea mostra pessoas andando em caminho de terra em meio a campos agrícolas na comunidade de Kenscoff, na capital haitiana de Porto PríncipeCampos agrícolas no Haiti: crise alimentar foi ignorada, diz Care International

Segundo a lista IPC da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), entre outubro de 2018 e fevereiro de 2019, mais de 386 mil haitianos se encaixavam na categoria alimentar “emergência”. Segundo dados da FAO, atualmente, metade da população haitiana é subnutrida.

A Care denuncia que a dramática evolução praticamente não teve espaço na mídia. “Enquanto o grave terremoto no Haiti dominou as manchetes do mundo inteiro em 2010, a crise alimentar de 2018 no país caribenho quase não aconteceu nas notícias internacionais”, diz o estudo. Apenas 503 textos online teriam abordado o assunto.

Etiópia

Também o país no Chifre da África foi afetado por uma crise alimentar em 2018. Apesar do crescimento econômico acelerado, mais de 80% da população etíope vive de trabalhos relacionados à agricultura – uma fonte de renda constantemente ameaçada por secas. No ano passado, após dois consecutivos de estiagem, voltou a chover, mas em muitas regiões não foi suficiente.

Em outras áreas do país, por outro lado, colheitas foram destruídas por enchentes. Segundo dados do governo, como consequência, oito milhões de pessoas passaram a depender urgentemente de auxílio alimentar. Segundo as Nações Unidas, 3,5 milhões de pessoas estavam em situação aguda de “subnutrição moderada”, 350 mil sofriam de subnutrição “grave”.

Na lista das crises mais negligenciadas em 2018, a Etiópia figura duas vezes. Segundo o estudo da Care, apenas 986 textos na internet relatam sobre a fome no país. O deslocamento de centenas de milhares de pessoas também quase não foi tematizado. Segundo dados da ONU, entre abril e julho do ano passado, um milhão de pessoas tiveram que deixar suas casas por causa de violência étnica nas regiões de Gedeo e de Guji Ocidental. Assim, em 2018, mais pessoas se deslocaram internamente por conflitos do que em qualquer outro país do mundo.

Madagascar

No ano passado, vários incidentes meteorológicos destruidores levaram caos ao país insular no sudeste da África. Madagascar é um dos países do mundo mais afetados pelas mudanças climáticas. Em 2018, o fenômeno climático El Niño fez com que as plantações de arroz, de milho e de mandioca do país secassem.

As tempestades tropicais Ava e Eliakim obrigaram mais de 70 mil pessoas a fugirem. Pelo fato de as más condições de tempo terem impedido a produção de muitos grãos, o número de pessoas ameaçadas de fome no sul do país aumentou para 1,3 milhão, segundo a ONU.

Devido à peste pulmonar, funcionários equipados com mochilas de desinfetante percorrem as ruas de Antananarivo em 2017Peste pulmonar em Madagascar: funcionários desinfetam vias públicas e casas em 2017

Além disso, epidemias de sarampo e peste abalaram o país localizado ao largo da costa de Moçambique. Em 2017, epidemias de pneumonia e peste bubônica já haviam vitimado 200 pessoas. Na capital Antananarivo, a Organização Mundial da Saúde contou 6.500 casos de sarampo até o final de dezembro de 2018.

O motivo para a eclosão da epidemia são especialmente as baixas taxas de vacinação: apenas 58% da população são vacinados contra a doença. Segundo o relato da Care, os relatos sobre as crises em Madagascar foram bastante raros.

República Democrática do Congo

De acordo com o estudo, a situação na República Democrática do Congo também não concentrou muitas atenções da imprensa online em 2018. Apesar disso, segundo a Care, o país é dominado por um “círculo vicioso de violência, doenças e subnutrição”. O balanço do ano passado: 12,8 milhões de pessoas ameaçadas de fome, 4,3 milhões de crianças subnutridas, 500 novos casos de ebola que levaram à morte de 280 pessoas, segundo a OMS, e quase 765 mil pessoas refugiadas em países vizinhos devido à violência causada por conflitos entre milícias, especialmente nas províncias no leste do país.

Um número de menores de idade acima da média é vitima permanente do conflito: segundo uma análise recente da organização de defesa dos direitos das crianças Save The Children e do Instituto de Pesquisas da Paz em Oslo, a RDC pertence aos países do mundo em que as crianças mais sofrem com conflitos armados.

Mulheres congolesas participam de aula de ONG que reabilita, entre outros, vítimas de estupro sistemático. ONU estima em mais de 200 mil número de vítimas de violência sexual no Congo DemocráticoONU estima em mais de 200 mil número de vítimas de violência sexual no Congo Democrático

A violência sexual sistemática contra mulheres no país também não acaba. No total, as Nações Unidas estimam em mais de 200 mil o número de vítimas de estupros na antiga colônia belga. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratou 2.600 vítimas de violência sexual na cidade de Kananga entre maio de 2017 e setembro do ano passado, 80% delas teriam dito que foram violentadas por homens armados.

“Esses números são um indicador para o alto nível de violência também neste ano”, afirmou Karel Janssens, coordenador nacional do MSF para o país. Na esteira da entrega do Prêmio Nobel da Paz ao ginecologista Denis Mukwege, a violência sexual na RDC voltou a ser tematizada mais fortemente nos veículos de comunicação. Mas a Care destaca que os problemas no país integram as crises menos notadas do ano.

Filipinas

No dia 14 de setembro de 2018, o mundo olhava atônito para a costa leste dos Estados Unidos, onde o olho do furacão Florence atingiu o continente no estado da Carolina do Norte. A quase 14 mil quilômetros de distância e quase ao mesmo tempo, uma tempestade bem mais forte atingiu o litoral da ilha de Luzon, a principal das Filipinas.

A uma velocidade de 200 km/h, o tufão Mangkhut, o maior ciclone tropical do ano, tocou o solo na manhã do dia 15 de setembro. Segundo o estudo, apesar de a catástrofe ter afetado mais de 3,8 milhões de pessoas, ter matado 82 pessoas e ferido 130, pouco se ficou sabendo sobre o Mangkhut através da imprensa.

Vendedor de rua treme na chuva enquanto chuvas do tuão Yutu atingem a baía de Manila em outubro de 2018. Pouco depois do tufão Mangkhut, tempestade Yutu devastou Filipinas

Apenas um mês depois, o tufão Yutu  devastou várias comunidades já destruídas pelo Mangkhut e que já haviam iniciado os trabalhos de reconstrução. Globalmente, as Filipinas fazem parte dos países onde há maior risco de catástrofes naturais da Ásia. Vinte tempestades tropicais atingem o país insular no Pacífico ocidental todos os anos.

Segundo o Banco Mundial, os tufões matam, em média, mil pessoas anualmente. Além disso, o país está altamente exposto a riscos geológicos como terremotos e erupções vulcânicas. A Care denuncia que os furacões Mangkhut e Yutu fazem parte das crises invisíveis de 2018.
DW

Fim do mundo em 2012 é lorota

Personalidades David Morrison Cientista da NasaCientista da NASA, o Dr. David Morrison desmonta mais uma fantasia vendida por Hollywood, e tomada pelos profetas do “tremei irmãos, o fim do mundo tá bem aí”.

Arranha-céus desmoronando no chão, queda de meteoritos ardentes e ondas engolindo cidades. Esta é a visão que os filmes apocalípticos dos cinemas adoram ilustrar.

Mas, segundo um cientista da Nasa, não há motivo para temer o fim do mundo em dezembro de 2012. Segundo ele, este é um mito alimentado pelos rumores na internet.

Em um artigo publicado pela Sociedade Astronômica do Pacífico, o Dr. Morrison respondeu a algumas perguntas sobre o fim do mundo.

De acordo com as teorias da internet, o calendário usado pela antiga civilização dos Maias afirma que o mundo terminará em dezembro de 2012.

Para os teóricos da conspiração, isto coincide perfeitamente com as previsões do autor de uma obra, que escreveu sobre a antiga civilização Suméria, que afirma que um planeta chamado Nibiru irá colidir com a Terra nessa data.

A seguir a entrevista do cientista

Arranha-céus desmoronando no chão, queda de meteoritos ardentes e ondas engolindo cidades. Esta é a visão que os filmes apocalípticos dos cinemas adoram ilustrar. Mas, segundo um cientista da Nasa, não há motivo para temer o fim do mundo em dezembro de 2012. Segundo ele, este é um mito alimentado pelos rumores na internet.

Em um artigo publicado pela Sociedade Astronômica do Pacífico, o Dr. Morrison respondeu a algumas perguntas sobre o fim do mundo. De acordo com as teorias da internet, o calendário usado pela antiga civilização dos Maias afirma que o mundo terminará em dezembro de 2012.

Para os teóricos da conspiração, isto coincide perfeitamente com as previsões do autor de uma obra, que escreveu sobre a antiga civilização Suméria, que afirma que um planeta chamado Nibiru irá colidir com a Terra nessa data.

Segundo o Daily Mail, o mito tomou mais fôlego com o surgimento de mais um filme apocalíptico, chamado “2012”, estrelado por John Cusack. Uma rápida pesquisa na Amazon, revela que há 175 livros listados que lidam com o acontecimento em 2012.

Cartaz do Filme Fim do Mundo 2012

Não precisa fazer muitos esforço para descobrir que não seremos destruídos por nenhum planeta chamado Nibiru.

“O fundamental é que Nibiru é um mito, sem nenhuma base na realidade. Para um astrônomo, as alegações persistentes sobre um planeta que está ‘próximo’, mas invisível é simplesmente idiota. Mesmo que quisessem, não poderiam manter Nibiru em segredo”, disse ele.”Se fosse real, seria seguido por milhares de astrônomos amadores e profissionais. Estes astrônomos estão espalhados pelo mundo”, concluiu.

O calendário Maia não era preciso

“O ponto principal é que os calendários, se contemporâneos ou antigos, não podem predizer o futuro do nosso planeta, ou avisar de coisas a acontecer em uma data específica, como 2012. Percebo que o meu calendário de mesa termina em 31 de dezembro de 2009, mas eu não interpreto isso como uma previsão do Armagedom. É apenas o começo de um novo ano.”

Dr. Morrison também declarou que as profecias de Nostradamus, prevendo o fim do mundo em 2012, não trazem nenhuma prova de que ele previu corretamente

Crenças que circulam em fóruns da internet, que afirmam que um alinhamento dos planetas em nossa galáxia, pode, de alguma forma perturbar o campo gravitacional da Terra ou inverter a rotação da Terra também são falsas

“A inversão na rotação da Terra é impossível. Isso nunca aconteceu e nunca acontecerá”, disse ele. Ele acredita que, embora a polaridade magnética da Terra ocorra em torno de cada 400.000 anos, os cientistas não acreditam que não há nenhuma evidência que isso fará algum mal.

A publicidade para o filme ‘2012’ também tem colaborado bastante para o medo sobre a data. Como muitos filmes de Hollywood, ‘2012’ usa uma campanha de relações públicas sofisticada, incorporando elementos de marketing viral.

Além do trailer do filme, que mexe com os medos teóricos da conspiração, os telespectadores também contam com um falso site científico. O site pretende ser a casa do Instituto para a Continuidade Humana, uma organização inteiramente fictícia que permite que os visitantes se inscrevam para um sorteio que decidirá quem será salvo quando o Armagedon vier.

“O cenário de desastre total em 2012 é uma farsa. Eu só espero que as pessoas sejam capazes de distinguir ficção e realidade”, finalizou o Dr. Morrison.

Para quem não sabe qual filme o cientista está citando, o trailer abaixo mostra um pouco dele.

do blog Buteco da Net

Catástrofe em Santa Catarina. FAB monta operação de guerra

FAB monta operação de guerra; 100 mil tiveram contato com água contaminada

A maior operação aérea da Defesa Civil na história do Brasil se tornou uma operação de guerra, que tem como QG uma das salas do Aeroporto Internacional de Navegantes, onde há mapas afixados com cartas aeronáuticas, quadros com missões a serem cumpridas por pilotos e tripulantes de 12 instituições estaduais e federais, incluindo Exército e Aeronáutica. Entre domingo (23) e sábado (29), foram cumpridas 459 missões, em um total de 375 horas de vôo. Agora denominada Operação Santa Catarina, a estratégia de resgate às vítimas dos soterramentos e das enchentes no Vale de Itajaí também é, segundo o Comando Aeronáutica, a maior operação aérea deflagrada no País em todos os tempos. Na América Latina, só perde para a Guerra das Malvinas, em 1982, entre Argentina e Reino Unido.

Mais de uma semana depois do início das chuvas, a FAB acredita que terá de enfrentar uma situação de “calamidade na saúde pública”, uma vez que mais de 100 mil pessoas, segundo a Superintendência de Hospitais Públicos de Santa Catarina, tiveram contato com água contaminada. “Dá um frio na espinha não saber o que vamos encontrar aqui a partir de agora”, diz o capitão farmacêutico Cidcley Samia, que ajudava ontem a montar um dos módulos do Hospital de Campanha (Hcamp), que será aberto hoje às 8 horas. “Ninguém sabe quando essa tragédia vai acabar.”

Outro problema é o ainda difícil processo de resgate, por causa das chuvas e dos deslizamentos. Ontem, mais duas pessoas morreram soterradas no Morro do Baú, num deslizamento que levou outras nove pessoas. Os técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo sobrevoaram pela manhã o Vale do Itajaí e pediram para que a Defesa Civil e o Exército evacuassem e lacrassem imediatamente uma área de 20 quilômetros quadrados do Morro, uma localidade encravada entre dois vales que ainda sofre com quedas de barreira diárias. E ainda há vítimas que – ao ouvirem os helicópteros e sentirem a possibilidade de serem retiradas de perto de suas propriedades – fogem das equipes de socorro.

Oficialmente, a Defesa Civil registrava ontem 114 mortos, 27.410 desabrigados e 51.297 desalojados, além de 19 desaparecidos. E a chegada de uma frente fria nesta madrugada deve trazer mais chuva. Em novembro, foram registrados 919,5 milímetros de chuva, quando o normal para todo o mês é 110,4 ml. A Defesa Civil agora pede que as doações sejam feitas em dinheiro, pela falta de espaço para armazenar produtos.

do Estado de São Paulo – Por Rodrigo Brancatelli e Júlio Castro