Zika na saliva: alarmismo ou o prenúncio de um Carnaval mais pudico?

Na véspera do Carnaval, época do beijo, pesquisadores brasileiros anunciam a presença do zika vírus na saliva e urina de pacientes infectados.

Zika na saliva: alarmismo ou o prenúncio de um Carnaval mais pudico?
Fiocruz recomenda que grávidas evitem beijar pessoas com zika (Foto: Youtube)
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciaram nesta sexta-feira, 5, que conseguiram isolar o zika vírus ativo na saliva e urina de pacientes infectados. Se a notícia tem algum significado importante ninguém sabe ainda.
Mas, em época de epidemia e Carnaval, a informação estampou instantaneamente as manchetes dos principais sites de notícias, gerando ansiedade na população e tirando o foco do mosquito.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Leia também: Não engravidar até quando?
Leia mais: Epidemia de zika vírus seria motivo para cancelar Olimpíadas?

A notícia veio um dia depois de o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) acusar o governo brasileiro e a Fiocruz de sonegarem material genético e informações numéricas importantes sobre o zika vírus no Brasil.

Nesse contexto, a pesquisa parece uma tentativa de “mostrar serviço”, sem trazer nada de concreto para a população a não ser alarmismo. Achar vírus em cultura de célula é uma coisa, saber como ele é transmitido é outra totalmente diferente.

Após o anúncio, a Fiocruz recomendou precaução extra para grávidas: devem evitar beijar pessoas com zika, compartilhar objetos como talheres e grandes aglomerações.

Não está claro o raciocínio quanto a aglomerações, mas com ou sem epidemia de zika, de um modo geral mulheres grávidas devem tomar precauções maiores para proteger seu bebê.

O importante mesmo é que as pessoas não esqueçam do mosquito ao achar que a doença passa de qualquer jeito, como uma gripe.

Neste momento, o melhor conselho é relevar possíveis mecanismos de transmissão alternativos, seja saliva ou ato sexual, e lembrar o repelente antes de cair na folia.
ViaOpinião&Notícia

Carnaval é ‘coquetel explosivo’ para espalhar zika, alertam infectologistas

Foto: APAlta concentração de pessoas em cidades com casos de víus zika preocupa infectologistas.

Image copyright AP

A passagem de milhares de turistas por capitais com tradicionais carnavais de rua em Estados com alto número de casos de bebês nascidos com microcefalia e suspeita de ligação com o zika vírus pode representar um “coquetel explosivo” e ajudar a espalhar ainda mais a doença pelo país, alerta a coordenadora de virologia clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia, Nancy Bellei.

Até o momento há 3.530 casos de microcefalia relacionados ao zika em 21 Estados.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Para os especialistas, o Carnaval reúne fatores de risco preocupantes para o aumento da transmissão do zika, num momento em que a epidemia ainda se encontra em curva de ascensão no Brasil.

O alerta se soma a um comunicado da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, escritório regional nas Américas da Organização Mundial da Saúde), que nesta segunda-feira relatou aumento de casos da síndrome de Guillain Barré em países com epidemias de zika. Em julho de 2015, 42 pessoas foram confirmadas com a doença, que causa problemas neurológicos, na Bahia.

O “coquetel explosivo” do Carnaval inclui, segundo os infectologistas, as grandes aglomerações de pessoas, em geral com poucas roupas e mais vulneráveis às picadas do Aedes aegypti (mosquito transmissor de dengue, chikungunya e zika), a possibilidade de chuvas, a maior quantidade de lixo nas ruas e, por consequência, mais chance de potenciais criadouros do mosquito.

Isso se soma ao maior numero de relações sexuais sem proteção e risco de gestações indesejadas justamente nos locais de maior incidência do vírus relacionado à má-formação fetal, dentre outras consequências ainda pouco conhecidas.

Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, dos 3.530 casos de microcefalia relacionados ao zika em todo o país, 1.236 estão em Pernambuco, primeiro Estado a identificar o aumento do problema, onde foi decretado o estado de emergência desde novembro. Em segundo está a Paraíba, com 569 casos, e em terceiro a Bahia, com 450 ocorrências. O Rio de Janeiro fica em 9º lugar, com 122 casos.

A BBC Brasil ouviu infectologistas sobre os alertas e a preocupação com o potencial de aumento da epidemia, e questionou como estão os esforços de prevenção e contenção do problema junto ao Ministério da Saúde e às prefeituras de Recife, João Pessoa, Salvador e Rio de Janeiro – capitais com expressivos carnavais de rua e onde há forte presença do Aedes aegypti e de casos de microcefalia.

Alerta, riscos e ‘coquetel explosivo’

Nancy Bellei, coordenadora de virologia clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), cita a preocupação com a transmissão sexual devido a um estudo de 2011 que teria documentado como um cientista americano vindo do Senegal, que passava por um surto de zika, teria transmitido a doença para a mulher, nos Estados Unidos, através do sêmen.

“Ainda precisamos de mais estudos sobre a relevância epidemiológica dessa forma de transmissão, mas até pouco tempo também não sabíamos da ligação entre o zika e a microcefalia. É uma doença nova, sobre a qual ainda não se sabe muito. Não precisamos esperar para nos protegermos. Não se pode descartar a chance de termos até um aumento de casos de zika após o Carnaval justamente pelo contato sexual”, diz.

Nancy explica que o potencial de propagação do zika devido ao Carnaval também depende da existência do mosquito nos locais de origem dos turistas.

“Se a pessoa vai para uma capital com grande Carnaval de rua, é picada e infectada pelo zika e volta para sua cidade mas lá não há o mosquito, ela vai adoecer, se tratar, e tudo bem. Agora, se o local de origem tiver o Aedes, o mosquito pode picar essa pessoa, receber o vírus e introduzir a doença num local até então livre dela”, explica.

Segundo a especialista, o Aedes é encontrado em todos os Estados, mas a região Sul estaria menos vulnerável, por ter clima mais frio e tradicionalmente apresentar menor incidência do mosquito.

Foto: GettyEspecialista alerta que foliões que forem para áreas afetadas pelo mosquito Aedes aegypti procurem atendimento se tiverem febre. Image copyright Getty

A pesquisadora Elaine Miranda, professora da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fiocruz, no Rio de Janeiro, concorda que o alerta é oportuno e diz que, dadas as características de massa de um evento como o Carnaval, quando a capacidade de resposta das unidades de saúde tende a ser superada, é crucial que as cidades estejam preparadas para receber milhares de foliões em meio a uma epidemia em curso.

“Medidas de controle já vêm sendo implementadas em todas as capitais referidas. No entanto, a complexidade do controle do mosquito e consequentemente da transmissão do vírus vai muito além de medidas pontuais e pensadas para eventos de massa, tais como o Carnaval”, avalia.

Bellei afirma que é primordial que se faça um alerta muito claro. “Eu acho um erro ignorar estes riscos e não fazer um grande alerta. O Brasil tem essa cultura, de que se você fala a verdade está disseminando o pânico. Em outros países é diferente”, diz.

Para ela, é importante deixar claro que as pessoas estão viajando para uma área de alta infestação de Aedes aegypti, e que se voltarem para casa com febre sem nenhum outro sintoma de infecção precisam procurar atendimento médico para serem investigadas para dengue, chikunguya ou zika.

Precaução e recomendações

Na visão das especialistas é importante que as pessoas tentem se proteger e tomem medidas de precaução durante o Carnaval. Elas também cobram medidas do Ministério da Saúde e das prefeituras de grandes capitais acostumadas a receber milhares de turistas.

“Práticas educativas e de alertas para os foliões são tão bem-vindas como são estas mesmas práticas para a população em geral. Sem dúvida todos devem ser orientados a agir em seu próprio benefício suscitando, assim, uma mudança de comportamento e consequente redução da vulnerabilidade”, diz Elaine Miranda, da Escola Nacional de Saúde Pública.

Para os foliões, as principais recomendações são colaborar no controle do mosquito, evitando deixar água parada, além do uso de preservativos nas relações sexuais. O uso de repelentes pode ajudar, desde que o produto seja reaplicado conforme as orientações do fabricante. Usar calça e camisas compridas também pode ajudar, diminuindo a área exposta ao mosquito – algo difícil de ser colocado em prática em meio às altas temperaturas dos blocos de rua.

Quanto às prefeituras, as especialistas recomendam ações intensificadas de controle do mosquito, além de uma preparação das unidades de saúde pública e cartilhas informativas, alertando sobre riscos e a necessidade de se proteger, além das orientações de procurar atendimento médico o mais rápido possível em caso de febre sem indicações claras de outras infecções.

Consultado pela BBC Brasil, o Ministério da Saúde diz que tem fortalecido a capacidade de atendimento e articulação do SUS em cidades que recebem grande influxo de turistas e que o país está habituado a sediar eventos de massa com sucesso, tais como a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo.

Em nota, o ministério também destacou o site www.saude.gov.br/viajante, no ar desde maio de 2013, onde há dicas de prevenção e cuidados durante viagens para brasileiros e estrangeiros nos idiomas português, inglês, espanhol e francês.

Foto: AFP
Ministério do Turismo alerta turistas para que não deixem que suas casas virem criadores de mosquito quando estiverem fora. Image copyright AFP

O governo também cita um comunicado especial enviado pelo Ministério do Turismo no início de janeiro a 56 mil hotéis, bares e restaurantes, agências de viagens e transportadores turísticos em todo o país acerca dos cuidados com a proliferação do Aedes aegypti e os riscos da dengue, chikungunya e do zika vírus.

“No material estão listadas as medidas que devem ser tomadas nos locais com potencial para proliferação do mosquito como jardins, quintais, cozinhas, depósitos, animais de estimação e banheiros. Como os meses de janeiro e fevereiro são de alta temporada no Brasil, o Ministério do Turismo também tem orientado o turista, antes de viajar, a ficar atento para evitar que a própria casa transforme-se em um criadouro para o mosquito. São informações como cuidados com piscina, geladeira e caixa d’água”, acrescenta a nota.

Saiba o que cada cidade planeja:

1. RECIFE

A capital do Estado mais afetado pelo zika até o momento, com 1.236 casos de microcefalia relacionados ao vírus e estado de emergência decretado desde novembro, tem um dos carnavais de rua mais agitados do país. Em 2015 foram mais de 1 milhão de foliões, aumento de 17% em relação a 2014. A prefeitura informou as seguintes medidas à BBC Brasil:

  • Intensificação do combate ao mosquito desde o primeiro semestre de 2015;
  • Reforço das Forças Armadas que teria ajudado a controlar a epidemia em junho;
  • Mutirões para identificar focos do mosquito no circuito do Galo da Madrugada, no centro do Recife, e em palcos da Prefeitura nos bairros;
  • Trabalho de orientação e conscientização com 500 organizadores de blocos;
  • Panfletagem em todas as entradas e saídas da cidade com panfleto bilíngue orientando sobre a procura do atendimento médico assim que o indivíduo apresente qualquer sintoma;
  • Orientação do uso do preservativo e prevenção de gravidez indesejada.

2. JOÃO PESSOA

Embora não esteja entre os maiores carnavais do país, a Folia de Rua, projeto que agrega dezenas de blocos uma semana antes do Carnaval, reuniu cerca de 300 mil pessoas em João Pessoa em 2015. Capital do Estado com o segundo maior numero de casos de microcefalia relacionados ao zika (569), a cidade deve preparar com as seguintes medidas:

  • Controle de vetores e ações educativas;
  • Utilização do carro “fumacê” nas áreas de concentração e desfiles dos blocos, rodoviária e estação ferroviária, e em torno dos retiros religiosos entre 25 de janeiro a 19 de fevereiro;
  • Visitas e batidas a locais onde haja foco do mosquito em ação conjunta com soldados do Exército Brasileiro.

3. SALVADOR

De acordo com o governo baiano, o Carnaval de Salvador reuniu 700 mil foliões em 2015, e somente pelo aeroporto da cidade passaram mais de 35 mil pessoas por dia durante a festa. Capital do Estado com o terceiro maior número de casos de microcefalia relacionados ao zika (450), a cidade informou à BBC Brasil as seguintes medidas:

  • Ações diversas iniciadas no dia 4 de dezembro de 2015, com início das festas de fim de ano, que só se encerrarão no fim do Carnaval;
  • Estabelecimento de call center para receber denúncias de focos de mosquito e fornecer orientações sobre a doença (71 3208 1808);
  • Uso de inseticida em torno de todas as UPAs da cidade durante o Carnaval;
  • Inspeção e borrifação de inseticida em torno dos palcos em alguns bairros e nos três circuitos oficiais Dodô (Ondina), Osmar (Avenida Sete) e Batatinha (Pelourinho), incluindo bocas de lobo, antes e depois do período do Carnaval;
  • Trabalho educativo em aeroporto, rodoviária e nos circuitos da festa, distribuindo a “mãozinha da dengue”, que serve como um leque, com elástico, e traz orientações de prevenção;
  • Orientação sobre uso e distribuição de preservativos, além da fiscalização do descarte dos banheiros químicos;
  • Técnica do bloqueio, quando se envia uma equipe até a casa da pessoa infectada para borrifar inseticida e tentar bloquear transmissão para outras pessoas.
Foto: Getty
Carnaval do Rio de Janeiro levou 4,7 milhões de pessoas às ruas em 2015
Image copyright Getty

4. RIO DE JANEIRO

O Carnaval do Rio levou 4,7 milhões de pessoas às ruas em 2015, 300 mil a menos do que os 5 milhões registrados em 2014. Destes, 977 mil eram turistas, segundo a Riotur. Os maiores blocos da capital do Estado em 9º no ranking de microcefalia relacionados ao zika, com 122 casos, costumam reunir de 350 mil a 1 milhão de pessoas. A Prefeitura do Rio informou as seguintes medidas:

  • As ações de prevenção e combate ao mosquito intensificadas no verão, com mais de 3 mil agentes de vigilância ambiental em saúde;
  • Monitoramento diário de focos do mosquito, independentemente de grandes eventos na cidade;
  • Vistorias no sambódromo e em seu entorno, na Cidade do Samba e nas quadras das escolas de 15 em 15 dias no período do Carnaval.

Na nota enviada à BBC Brasil, a Prefeitura do Rio também aproveitou para adiantar medidas relacionadas aos Jogos Olímpicos, quando milhares de turistas passarão pela cidade.

“Em relação às Olimpíadas em agosto, apesar de ser uma época com menos incidência do mosquito, a Prefeitura vai intensificar as inspeções. Cerca de um mês antes da abertura dos Jogos, uma equipe vai percorrer todos os locais de competição para eliminar possíveis focos do vetor e, durante os Jogos, uma equipe fixa estará focada nas instalações olímpicas”, diz o comunicado.
Jefferson Puff /BBC

Senado, carnaval e orçamento

Tragédia Congresso CarnavalPenso que para que o Congresso Brasileiro produza seria necessário uma inversão de calendário:
361 dias de carnaval e quatro de trabalho.
José Mesquita – Editor


No País do Carnaval, a folia é mais importante que a votação do Orçamento.

Na primeira votação do Congresso Nacional após sua eleição para presidente do Senado, Renan Calheiros não conseguiu cumprir a promessa de votar o Orçamento da União para 2013.

Renan, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e líderes da base aliada ensaiaram o mesmo discurso: não havia acordo para votar, a presença não garantia a aprovação e havia receio de que a Oposição derrubasse a votação, alegando a necessidade de se apreciar antes os vetos presidenciais.

Com o cancelamento da sessão, o Congresso ficou às moscas e a apreciação do Orçamento ficou para depois do carnaval.

Após a eleição de Henrique Eduardo Alves para presidir a Câmara, na segunda-feira, a grande maioria dos deputados e senadores deixou Brasília.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Dessa forma, o receio dos aliados era de que membros da Oposição, que pressionavam para votar os vetos antes do Orçamento, pedissem verificação de quórum. A aprovação da matéria requer pelo menos 257 votos de deputados e de 41 de senadores.

Primeiro os vetos

“A decisão do Supremo foi clara: nenhuma proposição pode ser votada sem que sejam apreciados os vetos”, rebateu o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, representante de São Paulo.

No final do ano passado, o Congresso se viu diante de um impasse para votar o mesmo tema, depois que uma decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo, determinou que os vetos não apreciados trancavam todas as votações do Congresso.

Assim, em meio à discussão sobre a tentativa de derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff sobre os royalties do petróleo, inicialmente os parlamentares desistiram de votar o Orçamento.

Posteriormente, Fux divulgou nota em que dizia que os vetos só trancavam os próprios vetos, o que, na prática, abria espaço para votação do Orçamento.

No entanto, Carlos Sampaio afirmou que a posição do ministro do Supremo não tem efeito. “Se não está no processo, não está no mundo jurídico”, afirmou.

Walter Pinheiro, um dos vice-líderes do PT no Senado, defendeu a apreciação dos vetos presidenciais quando houver quórum e explicou os motivos que levaram ao adiamento da sessão de terça-feira. “A última sessão do Congresso se encerrou porque não se votou o veto. Alguém tinha a ilusão de que íamos começar uma sessão do Congresso e os defensores da apreciação dos vetos iam abrir mão de que os vetos não fossem apreciados? Impossível”, afirmou o senador da Bahia.

Mão dupla

Na base aliada, existe também quem esteja insatisfeito com a liberação das emendas parlamentares, o que acaba por contribuir com a pouca disposição de deputados e senadores em aprovar o Orçamento.

O senador Benedito de Lyra, do PP de Alagoas cobrou o pagamento das emendas e tornou pública a queixa antes da reunião de líderes.

“O governo tem que ser parceiro do Congresso. É só mão única? Não é possível. A vida do Congresso é de mão dupla”.
José Carlos Werneck/Tribuna da Imprensa

Carnaval: a estatística irreal dos acidentes e a palavra da presidente Dilma

A matança continua.
A cada “feriadão” a combinação, áçlcool e direção de veículos, produz uma estatística macabra.

O número de acidentes de trânsito com vítimas fatais nesse feriado de carnaval de 2012, é alarmante.

Na quase totalidade dos acidentes, o causador apresenta claros sintomas de embriaguez, e também quase todos se recusam a fazer o teste do bafômetro.

O samba segue e ninguém é punido.
José Mesquita – editor


Ainda que tenha sido observado, nos seis dias do período do Carnaval ( sexta à quarta-feira), a maior redução das estatísticas, nos últimos 14 anos, no número de acidentes e de mortos e feridos em estradas e rodovias federais, foi confirmada a nossa previsão, feita em 15/02, de que preciosas vidas seriam perdidas nas estradas durante os dias de realização da maior festa popular do mundo.

Em relação aos seis dias de operação carnaval no ano passado, houve uma queda de 22% nos números de acidentes (4.312 no ano passado contra 3.346 acidentes em2012).

O número de feridos foi 25% menor (2.690 em 2011 contra 2.001 em 2012), e as mortes caíram 18% (216 em 2011 contra 176 em 2012).

Para a Polícia Rodoviária Federal, a redução é ainda mais significativa quando se leva em conta o aumento da frota nacional de veículos no país, que pulou de 65,6 milhões de carros no ano passado para 70,5 milhões em 2012, um aumento de 7,5%.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Neste carnaval, 30.425 condutores foram submetidos ao teste do bafômetro. Desses, 1.410 foram reprovados. Dos reprovados, 494 dirigiam com níveis de teor alcoólico igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou 0,3 mg de álcool por litro de ar expelidos dos pulmões. Foram encaminhados à Delegacia Policial para se ver processados por crime. Outros 12.911 motoristas foram autuados por ultrapassagem em local proibido.

A Polícia Rodoviária Federal atribui à maior fiscalização a queda da violência nas estradas e rodovias sob sua competência, além de uma maior campanha preventiva de conscientização veiculada nos diferentes meios de comunicação social. Obviamente que o bom tempo na maioria da regiões do país também contribuiu para os resultados na redução da violência.

Dois graves acidentes foram responsáveis por um quinto dos óbitos no carnaval deste ano wem rodovis federais. No sábado, em Goiás, dois ônibus de turismo se chocaram na BR-153, causando a morte de 14 passageiros. Em São Félix, na Bahia, um carro bateu de frente com um ônibus na BR-349,na sexta-feira. Oito dos noves ocupantes do carro morreram no local.

Note-se que estamos falando apenas de acidentes que ocorreram em estradas e rodovias federais no período de carnaval e dos óbitos registrados nos locais dos sinistros.

A estatística real do número de acidentes, mortos e feridos, em todas as vias públicas, nesse período, ou seja em estradas, rodovias federais e estaduais e vias urbanas jamais saberemos.

O país não tem um sistema integrado de registro de acidentes de trânsito. Portanto, a violência, a carnificina e a imprudência, num cenário impressionante de dor, tristeza, carros retorcidos e vítimas ensanguentadas são muito maiores em números reais.

Aqui vale ressaltar as recentes declarações da presidente Dilma Rousseff, no programa “Café com a Presidente”, da última segunda-feira, 20 de fevereiro, a respeito das responsabilidades de motoristas durante o carnaval:

-No meio de tanta festa e tanta diversão, tem uma coisa que me preocupa muito nesta época: são os a acidentes de trânsito nas estradas e nas cidades. O que a gente percebe é que, na maioria das vezes, os acidentes poderiam ter sido evitados com um pouco mais de cuidado e responsabilidade dos motoristas.

Tem gente que acha que pode beber e dirigir, e que nada vai acontecer. É preciso mudar esse comportamento; álcool e volante não combinam mesmo. Se beber é melhor pegar uma carona com um amigo, ir de táxi, de ônibus ou até adiar um pouco a viagem – disse a presidente.

Dilma Rousseff alertou também para o aumento do número de veículos em circulação no país. Segundo a presidente são 70,5 milhões registrados no país, sendo 18 milhões de motos, que respondem por um quarto das mortes no trânsito.

-Isso caba gerando uma outra preocupação: o número expressivo de motociclistas envolvidos em acidentes fatais, principalmente pela falta de capacete. Isso é terrível, porque a mioria dessas vítimas é jovem, concluiu a presidente.

Não precisa dizer mais nada e nada há a comemorar, a não ser continuar afirmando, numa inevitável e real premonição, que preciosas vidas serão perdidas na Semana Santa. Já há uma macabra estatística de acidentes, mortes e feridos prevista para o próximo feriadão e pouco ou quase nada poderá se fazer para evitá-la.

Triste realidade de um país onde a irresponsabilidade e a imprudência ao volante são predominantes.

A falha humana e a ilusão de invulnerabilidade continuam sendo as grandes causas da grave epidemia social dos acidentes de trânsito.

Até quando assim vamos conviver? O que de fato podemos fazer para combater os homicidas e suicidas em potencial do volante?
Milton Corrêa da Costa/Tribuna da Imprensa 

Tópicos do dia – 11/02/2012

09:14:49
Futebol: Ceará X Fortaleza. Terrorismo?
Já disse aqui, inúmeras vezes que sou um dos poucos brasileiros que não entende nada, ou quase nada de futebol. Mas, entendo de lógica, e, como dizem os nordestinos, de “distrupiço”.
Ouça na Rádio Verdes Mares AM, continuo fiel ouvinte de rádio AM, a única mídia ainda em condições concorrer com a internet, o comentarista Wilton Bezerra anunciar as seguintes aberrações:
1. “Presidente da Federação de Futebol recomenda que torcedores não levem a família ao jogo.”
2. “Comandante da PM responsável pela segurança do evento diz que não levaria a família dele ao jogo.”
Meu Deus! Se vero, onde estará o fundo do poço?

09:39:39
Lula e Carnaval.
Leio no jornal: “Gaviões da Fiel contarão a trajetória de Lula”.
Tinha que acabar em samba mesmo. Né não!

10:28:08
Brasil: da série ” O tamanho do buraco”.
Recebo informação, sem confirmação, porém a fonte tem credibilidade, que a Prefeitura de Fortaleza gastou com propaganda, a “mincharia” de  R$127 milhões de reais, do seu, do meu, do nosso sofrido “caraminguá”.
Esse ervanário seria suficiente para:
1. Construir 10, DEZ centros profissionalizantes e de lazer. Ou;
2. Construir 02, DOIS hospitais de médio porte.
PS 1. Alguém avise à senhora prefeita que Outubro está logo ali!
Ps.2. O que será que os donos de agências de publicidade, e a mídia, que veícula a publicidade têm a dizer? Ganha um livro autografado do Sarney – mas terá quer lê-lo e fazer análise crítica – quem conseguir uma resposta.

10:49:41
Carnaval da Bahia: bandidos garantem a esbórnia.
Piada o verdade, continuará trágico.
Telefone toca.
– Alô? Jurandir?
– Colé.
– A porra inchou. Falei agora com Pé de Bode, que tá na cela da Mata Escura preso com o Prisco.
– E daí?
E daí que o cara é quente , véi…e disse que a PM não vai recuar não e que não vai ter carnaval mermo.
– Puta que pariu! Tá maluco, esse viado?
– É mermão. Fudeu.
– Fudeu o caralho. É assim, é? Que porra é essa de acabar com o carnaval? Quem esse fdp pensa que é?
– Já tá foda se virar nessa greve… o movimento caiu. Os bares vazios, a rua vazia…lojista se queixando de faturamento…nosso faturamento também caiu! Não tem gente na rua pra gente roubar… Na Ilha do Rato não tem câmera de vídeo nem fotografia pra vender…não tem turista, véi…
– Não mexa no meu carnaval, não… Porra ! Vamo perder dinheiro pra carai…
– Foda que a gente não vai pular, né, véi? Porque a gente trabalha mas também se diverte nessa porra.
– Porra, vai todo mundo se fuder… Minha tia Nalva, que me criou passou 8 horas num sol da porra pra se cadastrar pra ambulante, meu primo Nel tá com um sucesso pra estourar numa banda de pagode e aquela prima gostosa de Nova Brasília, sabe? Tá concorrendo a Musa do Carnaval…Essa greve vai fuder com a cadeia produtiva da minha família.
– Porra, véi: Ivete broca… Tem que cantar nessa porra! Como é que a gente fica sem a pipoca do Chiclete, véi? Meus menino querem ir ver Carla Perez, mermão. Essa porra vai quebrar minha guia…
– Porra, mermão, eu sou baiano nessa porra; não mexa no meu carnaval, não… essa porra é patrimônio. Esses fdp tão querendo roubar a gente… perái… sou bandido, mas sou baiano: ninguém acaba com o meu carnaval, não.
– Resolve essa porra, Jurandir… liga pros caras e negocia.Você conhece quase todo mundo da polícia. Liga pro Muqueta, pro Quebra-Cela… a galera do governo não tá acertando…
– Peraí, que eu tive uma ideia do caralho. A PM mostrou o lado bandido e, pra salvar o negócio, agora a bandidagem vai mostrar seu lado cidadão…
– Hã?
– Para garantir o carnaval de Salvador a bandidagem vai entrar em greve. Pronto. Sem bandido, esses filhos da puta não vão fazer falta nenhuma. Golpe de marketing.
– Porra, Jurandir, você é o cara. Fala bonito pra porra… Já tô até vendo o Willian Bonner dando a notícia…
– Porra de Willian Bonner… já tô vendo aquela morena gostosa nova falando:
“Bandidos entram em greve e salvam carnaval de Salvador”.
– Porra, me arrepiei … fechado.
– Deixa de viadagem e desliga logo essa disgrama, que eu vou ligar pros caras. Tá resolvido. Pode avisar pra galera que, se depender dos bandidos, o carnaval tá salvo.
por: Ana Luisa Almeida


[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Tópicos do dia – 10/02/2012

08:08:27
Brasil: da série “perguntar não ofende”!
Alguém pode me esplicar como uma pessoa se torna especialista em evolução de escola de samba, seja lá que abstração seja essa, e se torna jurado de$$e negócio de 90 minutos, que só é animado – aliás tem uma charge magistral do não menos magistral Henfil sobre a extensão métrica dessa euforia – quando frente a uma camêra da TV?

08:31:24
Brasil: da série”O tamanho do buraco”!
Graxa na Câmara: Os sapatos dos nossos parlamentares devem brilhar mais que as barrigas inchadas e verminadas das nossas crianças famintas… Acredite se quiser…
O presidente da Câmara Federal, o triste deputado Marco Maia (PT-RS), quer todos os parlametares, assessores e funcionários da casa de sapatos reluzentes. Acaba de abrir uma licitação para contratar serviços de engraxataria no prédio, num total de R$ 3.135.000,00 milhões por 12 meses, o que dá R$ 261.000,00 mil por mês ou, ainda, R$ 8.700,00 mil por dia.
A custos da iniciativa privada, são mais de 3.000 pares de sapatos engraxados diariamente.

08:39:14
Líder baderneiro da greve da polícia na Bahia é do PSDB
Ora vejam só. O líder dos policiais bahianos que comandou a invasão à Assembléia Legislativa, em salvador, e teve conversas telefônicas gravadas, nas quais conclama a outros policiais que queimem ônibus e obstruam rodovias, é filiado ao PSDB. Ao PSDB.
Se o baderneiro fosse do PT, o FaceBook estaria ardendo nas chamas da indiganção, ao invés de tão silente como se encontra, o Jornal Nacional e a Veja estariam dando ataques de histerismos. Esse tipo de comportamento parcial, é que me irrita e me tira qualquer resquício de respeito às essas omissões, e às drogas desses partidos.
Todos os porcarias desses partidos são habitantes da mesma sarjeta. Só mudam as siglas.

08:58:02
Violência nos estádios e programa no rádio
Tem um programa de rádio, em Fortaleza, sobre futebol, “singelamente” nominado de Trem Bala. O apresentador, com um voz horrosa, ao mesmo tempo que prega a paz nos estádios, começa o programa com essa sutileza de um elefante em uma loja de louças: “esse é o trem bala que não não para nem a pau e nem a bala”.
Ps. Cacófato incluso.

09:09:41
Brasil: da série “perguntar não ofende!”
Até Zé Bêdêu – o derradeiro abestado crédulo da Pç. do Ferreira, em Fortaleza – sabe que o narcotráfico e o crime organizado – caça níqueis e prostituição – financiam o desfile das escolas de samba. Aliás, a maioria dos “presidentes das escolas”, está na cadeia ou respondendo a processos penais e cíveis. Os cariocas, que fazem passeatas pela paz, e abraços simbólicos contra a violência na Lagoa Rodrigue de Freitas, irão boicotar os desfiles das tais agremiações das “comunidades”? Ou feito delilóides partícipes dessa opereta bufa, lotarão as arquibancadas do Brizolista sambódromo, e se quedarão feito ‘voyers’ anestesiados ante o desfile de pelancas siliconadas na tv do plim plim?

12:59:24
Brasil: da série “perguntar não ofende!” Escola de Samba, cariocas e as passeatas pela paz.
Até Zé Bêdêu – o derradeiro abestado crédulo da Pç. do Ferreira, em Fortaleza – sabe que o narcotráfico e o crime organizado – caça níqueis e prostituição – financiam o desfile das escolas de samba. Aliás, a maioria dos “presidentes das escolas”, está na cadeia ou respondendo a processos penais e cíveis. Os cariocas, que fazem passeatas pela paz, e abraços simbólicos contra a violência na Lagoa Rodrigue de Freitas, irão boicotar os desfiles das tais agremiações das “comunidades”?
Ou feito delilóides partícipes dessa opereta bufa, lotarão as arquibancadas do Brizolista sambódromo, e se quedarão feito ‘voyers’ anestesiados ante o desfile de pelancas siliconadas na tv do plim plim?
[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Encontro de reis: canção e contravenção

Assisti reportagem sobre o mercantilista desfile (sic) das escolas (sic) de samba — aliás, o grande Noel, ‘mestre’ da Vila Isabel, não poetou que “samba não se aprende na escola? — tratando da trajetória de vida de um cantor popular.

Não assisti aos desfiles, e pergunto aos que se quedaram madrugada adentro e assistiram toda a pantomima, se realmente todos os fatos da vida do celebrado cantor foram contados e cantados. Ou algum epsódio — cito como referência e não como exercício escatológico — por não ser midiático nem palatável ao ‘show’ foi varrido para baixo dos carros alegóricos? Afinal a vida não é feita de glórias e tragédias? Stalin redivivo apagando fatos inconvenientes da história?

O que vi de irônico, trágico e afrontoso, por parte de quem é um formador de opinião, na reportagem foi o aval promíscuo entre “reis”.
O Editor


À direita, Anísio. Foto: Ricardo Matsukama/Terra

do blog do Noblat

Está na Wikipédia, assim mesmo, e sem links para as operações policiais que resultaram na prisão dele:

Aniz Abraão David, mais conhecido como Anísio Abraão David ou simplesmente Anísio, é um empresário e contraventor brasileiro e presidente de honra da escola de samba Beija-Flor.

Vindo de uma família de origem libanesa, Anísio tinha mais oito irmãos (sete homens e duas mulheres), porém, recentemente um de seus irmãos faleceu, restando somente ele, o ex-prefeito Farid Abrão, o comerciante David Abrahão e mais duas irmãs.

Anísio é mais conhecido pela sua forte influência política de sua família na cidade de Nilópolis. Seu irmão Farid Abrão David é o ex-prefeito da cidade, seu sobrinho, Ricardo Abraão, foi deputado estadual, seu primo, Simão Sessim, é deputado federal e o outro sobrinho, Sérgio Sessim, foi eleito prefeito do município de Nilópolis.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Sua familia ja se mantém no poder há bastante tempo, sendo que o deputado Simão Sessim ocupou também a prefeitura. O outro irmão, o ex-deputado Jorge Sessim David, já falecido, também foi mandatário da cidade. O irmão de Anísio, o também falecido, Miguel Abrahão, deixou como herdeiro político o seu filho Abrahão David Neto (vereador em Nilópolis pelo segundo mandato consecutivo).

Em 2007, Anísio foi um dos bicheiros presos pela Polícia Federal na Operação Hurricane, acusado de ter ameaçado jurados para que dessem o título à sua escola de samba. além de no ano seguinte ser preso durante a Operação 1357.

Se você quiser saber o que foi a Operação Hurricane é só clicar aí. A Operação 1357, aí também.

Menos de um ano depois de ter sido preso pela Hurricane, Anísio desfilou em cima de um Carro de Bombeiros para celebrar mais um título da Beija-Flor de campeã do carnaval carioca.

Foi um dos seus momentos de glória.

O outro, certamente, foi vivido ontem ao lado do cantor Roberto Carlos, quando a Beija-Flor recuperou o título de campeã perdido há dois anos.

O Rei da canção e o Rei dos contraventores – juntos, felizes, no mesmo espaço.

Não sei não… Mas Roberto Carlos poderia ter passado sem essa.