Donos de jornais são mais nocivos que a ditadura

Mídia,Cidadão Kane,Orson Welles,Blog do MesquitaJá que falamos aqui dos jornalistas cooptados por Lula para o seu exército vermelho da comunicação chapa-branca, nada mais natural do que comentar também sobre os patrões da imprensa, vassalos que vivem a soldo do governo desde que o Brasil é república.

Quem resumiu muito bem o caráter dos donos de jornais nas últimas década foi o escritor Graciliano Ramos lá pelos anos de 1950, quando era revisor do Correio da Manhã, no Rio, um dos jornais mais influentes do país à época.

Avesso a bajulações, sisudo, conciso, amargo e cortante, como se mostra em seus textos literários, Mestre Graça foi convidado por Paulo Bitencourt, o dono do jornal, para fazer uma saudação em nome dos empregados numa data festiva do periódico.

Graciliano relutou. Dizia modestamente não ter o dom da oratória. Paulo, porém, insistiu que o alagoano falasse para a plateia que se aglomerava no local da festança aos gritos de “fala”, “fala”, “fala”…, quando o autor de Vidas Secas, profundamente encabulado pelo apupo, interrompeu a animação e iniciou suas primeiras palavras:

– “Paulo, de todos os patrões que já tive, você é o menos filho da puta que conheço…”

O discurso lacônico do Mestre Graça pode ser a síntese do que o povo brasileiro pensa dos seus empresários da mídia. A história da imprensa no Brasil mostra, pelos menos nas últimas décadas, que alguns donos de jornais foram mais perversos e danosos ao povo brasileiro do que mesmo os tiranos que em momentos diversos ocuparam o poder no país.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Veja alguns exemplos: Carlos Lacerda, na Tribuna da Imprensa, espinafrou Getúlio Vargas até levá-lo ao suicídio, enquanto Samuel Wainer o defendia na Ultima Hora, jornal criado com dinheiro do BB facilitado por Vargas; Assis Chateaubriand, criador dos Diários Associados, achacava empresários e governo para manter o seu poderio de comunicação, como revela Fernando Morais no “Chatô, o Rei do Brasil”; os Frias, do grupo Folha de S. Paulo, mantinham Notícias Populares para empregar policiais da repressão; O Estado de S. Paulo defendeu em seus editoriais a tomada do poder pelo regime militar; e o Roberto Marinho, o mais astuto de todos eles, aliou-se à ditadura para expandir seu império.

Como se vê, cada grupo sempre defendeu interesses próprios. Como a televisão, como força popular e de persuasão, ainda engatinhava, os jornais deram as cartas durante muito tempo com a palavra final da verdade. Enquanto um grupo atacava determinado governo, outro defendia para se abastecer das verbas publicitárias e das benesses do submundo oferecidas tanto por governos militares como civis.

Dono de jornal nunca teve ideologia nem partido. Ele se movimenta pela conta bancária. Seu interesse, ao contrário do que pensam os ingênuos, nunca foi o de defender os interesses do povo e nem o de estar ao seu lado, mas expandir seus impérios de comunicação para formar um poder paralelo, como fazem até hoje, em proporções menores, os grupos que dominam a comunicação no país.

Imprensa independente é balela. A mais independente de todos os tempos, os jornais alternativos editados durante a ditadura, desapareceu com ela. O conteúdo que vendia, a contestação ao regime, acabou. Com o fim do militarismo, a pauta desses jornais se esgotou e eles começaram a ficar iguais à imprensa convencional e, por causa disso, sucumbiram, deixaram de ser alternativos.

Mas não devemos confundir imprensa com liberdade de imprensa. Esta deve ser defendida com unhas e dentes contra todas as tentativas de silenciá-la por governos déspotas ou pela esquerda festiva. A imprensa escrita, a do Gutemberg, infelizmente está com os dias contados com o surgimento da globalização que digitaliza a notícia em tempo real. Essa nova geração não quer sujar as mãos com tinta, como faz diariamente o pequeno contingente de velhos e saudosos leitores de jornais.

Mas a imprensa brasileira – pelos menos os três grupos mais importantes desse segmento – procura caminhos alternativos ao do papel impresso. E não se engane, durante muito tempo essas organizações ainda vão mandar no país, mexendo no tabuleiro do poder ao seu bel-prazer. E nós, os mortais, ainda seremos manipulados por elas por várias décadas.

O que está por trás do ataque de Míriam Leitão à ‘direita hidrófoba’ que emburrece o país

Ela defendeu corajosamente JB, aspas

Faltou citar Jabor
Por Paulo Nogueira ¹

Tinha já prometido a mim mesmo não falar mais num determinado blogueiro de extrema direita que, em poucos dias, foi transformado num minizoo por três mulheres.

Uma o chamou de rottweiller, por latir, outra de pato, por fazer várias coisas e todas mal, e a terceira de burro, por razões fáceis de entender.

Mas a repercussão alcançada sobretudo pela última delas – a que chamou o blogueiro de burro, Míriam Leitão — me obriga a voltar a ele. Porque se instalou uma perplexidade: o que está acontecendo na mídia corporativa e conservadora? Por que a dissonância recente depois de tanta concordância?

O marco zero, para mim, foi um artigo em que Noblat bateu forte em Joaquim Barbosa, tratado como semideus pela mídia. Aquilo não estava no roteiro, não em Noblat, não no Globo.

Notei. E especulei, na época, que poderia estar havendo um cansaço nos colunistas que, para encurtar, são pagos para defender os interesses e privilégios de seus patrões.

Mesmo os melhores salários são insuficientes quando você olha o espelho pela manhã e se diz: lá vou eu contribuir, como faço todos os dias, por um país tão iníquo quanto este.

E existe também a questão da posteridade. Carlos Lacerda fez o mesmo em seu tempo: hoje é amplamente desprezado pela história como um canalha que usou o jornalismo para defender os poderosos.

Ninguém quer ser tido pela posteridade como um canalha, um vendido, um homem vil como Carlos Lacerda.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Que os bilionários donos de empresas de mídia se batam fervorosamente pelas mamatas – benesses estatais — que os fizeram acumular fortunas fabulosas é compreensível. Mas que jornalistas assalariados os ajudem nisso, em detrimento da sociedade, dos pobres, dos favelados, isso é outra questão.

Chega uma momento em que você explode.

É dentro desse contexto que entendo Suzana Singer qualificar certo novo colunista como ‘rottweiler’. Ela não aguentou. Jorrou dela, no instinto e não na razão, a coluna revoltada não contra o colunista, mas contra o jornal que o convidou.

Tenho para mim que este tipo de coisa vai acontecer cada vez mais: revoltas nas redações explosivas, súbitas contra empresas jornalísticas que, como a Folha de Singer, radicalizaram sua luta por privilégios e contra um Brasil socialmente justo.

Também Míriam Leitão escreveu com o instinto, mas com seus cuidados habituais de boa funcionária da Globo. Falou na “direita hidrófoba” representada por certo colunista, mas não citou expoentes desse grupo dentro da Globo, como Jabor. Falou em Rodrigo Constantino, mas para este ninguém liga, dada sua irrelevância.

É divertido ler, em retrospectiva, um catatau em que o alvo de Míriam Leitão a atacava. Nele, era cobrado dela que se desculpasse ao senador Demóstenes Torres, que ela chamara de ‘famoso sem noção’. Ela é tratada como vigarista, mentirosa, falaciosa,  e recebe patéticas lições de economia sobre a questão cambial — tudo isso na defesa de Demóstenes.

Veja aqui quem quiser.

Há, também, uma outra lógica no ataque aos hidrófobos. Eles atrapalham a causa pela qual atabalhoadamente se batem. Não conquistam adeptos, mas afastam as pessoas que não são fundamentalistas como eles mesmos.

O certo polemista tratado como burro, pato e rottweiler: que eleição ele ganhou desde que apareceu, já na meia idade, para o jornalismo hidrófobo graças à radicalização da Veja?

Me parece que Míriam Leitão está sugerindo ao PSDB que se afaste dos hidrófobos de direita. Serra, por exemplo, é amplamente associado ao blogueiro-zoológico, e tão rejeitado na política como ele é entre os jornalistas de verdade.

Nisso, e pelo menos nisso, Míriam Leitão está certa: ou o PSDB se afasta dos hidrófobos, e sai da direita vociferante rumo ao centro em que surgiu, ou os hidrófobos acabam com o PSDB.

¹ O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Arnaldo Jabor: O ódio do bobo da corte

A desconstrução científica da dialética de boutique do pornógrafo da Embrafilme, de repente, e não mais que de repente, transformado em vestal, hipócrita, da neomoralidade, e, pasmem, referência, furada para regras de comportamento.

Dos bares pseudo intelectuais dos alcoólatras de Ipanema para as câmeras de uma televisão comprometida e enlameada até o pescoço com dívidas monumentais e dependência amoral das verbas publicitárias estatais.

O Editor


O ódio do Bobo da Corte
por Francisco Barreira

Arnaldo Jabor não chega a ter o brilho de um Nelson Rodrigues ou de um Carlos Lacerda, mas defende bem o script da Direita Brasileira, fazendo-se de bobo da Corte Global o que lhe permite dizer qualquer coisa, por conta da irreverência.

Não é que o pobre Jabor e a acanalhada Direita Brasileira odeiem o Lula pelo que ele é. O ódio é pelo que Lula representa E ele representa o Brasil que finalmente deu certo.

O mulato que não acha importante falar inglês (já houve tempo que parecia que não poderíamos respirar se não falássemos francês) e não vive animalescamente, apenas para um dia levar seus pobres rebentos à Disney Word, fazendo, de passagem, suas comprinhas em Miami.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Um mulato boêmio, malemolente, que não acha tanta graça assim nesses Beatles, e não sabe o que é é Pop.

E o que é Pop? Mulato empreendedor e indomável que construiu uma das maiores, mais generosas e respeitadas potências do Planeta.

Um mestiço sem raça, graças a Deus, e que troca esse tal de Sting (o que é Sting?) pela Calcinha Preta devidamente misturada com o Luar do Sertão.

Há noventa anos, Lima Barreto, um dos maiores escritores brasileiros, internou-se num hospital para tratamento de doenças mentais que existe até hoje no Engenho de Dentro (Rio).

O médico que o atendeu uma anta preconceituosa de classe média, igualzinha à que existe até hoje e que poderia chamar-se Jabor, escreveu na ficha:

“Mulato, alcoólatra, aparentes quarenta anos. Diz que é escritor”.

E Jabor, aquele médico preconceituoso atualizado, descreve Lula: mulato, cachaceiro, malemolente, pensa que é estadista e que vai continuar influindo.

E vaticina: “Nada disso, Lula. Vá para casa e tome sua pinguinha serena, ao lado de dona Marisa”.

O coitado do Jabor, como o médico idiota que examinou Lima Barreto, não consegue ver que Lula é estadista sim e não vai para casa, não.

Vai continuar influindo e viajado pelo País, pelo Mundo e, principalmente, pela América Sul, onde consolidará aquilo que transformou-se no verdadeiro projeto de sua vida: a construção da União Sul-Americana, a Pátria Grande.

Jabor, Lacerda e Nelson Rodrigues não entendem isso.

Não entendem que o Brasil e esse mulato sem curso superior podem dar certo.

Eles e nossa ridícula classe média alienada carregam a herança cultural dos senhores de engenho e dos fazendeirões do café.

Seu raciocínio síntese é o do “complexo de vira lata”. Mas eles se colocam fora disso. Acham que o complexo é só da negrada e dos mestiços sem rumo e sem prumo na vida.

Eles não, eles se consideram iguais aos europeus e americanos: vestem a mesma roupa, comem a mesma comida e curtem a mesma música.

Entretanto, no fundo, eles são vassalos e, como diz o Chico Buarque, falam grosso com os bolivianos e fino com os americanos. Gentinha da pior qualidade.

blog fatos novo novas ideias

Tribuna da Imprensa deixa de circular

Tribuna da Imprensa, o jornal mais combativo do país, dirigido pelo mais combativo dos jornalistas, Hélio Fernandes, deixou de circular. O jornal, conhecido pela luta contínua em favor do Brasil, foi constantemente perseguido pelos vendilhões diversos que exerceram o poder. Endividado, o jornal fundado por Carlos Lacerda, é obrigado a abandonar a trincheira do jornalismo comprometido com as causas nacionais e a democracia.

Endividado, jornal fundado por Lacerda deixa de circular
da Folha de São Paulo

A “Tribuna da Imprensa”, jornal fundado por Carlos Lacerda em 1949, deixou de circular ontem no Rio. Em sua última edição, na segunda-feira, o diário anunciou a suspensão temporária com um artigo de primeira página repleto de críticas ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa.

O dono Hélio Fernandes acusa o magistrado de protelar o julgamento de uma ação contra a União no valor de R$ 10 milhões por conta de perseguições durante a ditadura. Fernandes conta com a indenização para tirar o jornal da crise.

Os 90 funcionários entraram em férias coletivas sem salários. A “Tribuna” estava vendendo 800 exemplares por dia.

A “Tribuna” teve seu grande momento nos anos 50, quando foi um dos principais instrumentos da oposição ao segundo governo Getúlio Vargas (1951-1954). Em 5 de agosto de 1954, Lacerda foi baleado no pé num atentado que custou a vida do major da Aeronáutica Rubens Vaz e aumentou a pressão sobre Vargas, acusado diariamente nas páginas do jornal de comandar um governo corrupto. O presidente se matou no dia 24 do mesmo mês.

Leia aqui o artigo do jornalista Hélio Fernandes na versão online da Tribuna  de hoje