Lixão tóxico: ferro-velho de primeiro mundo no Gana coloca milhares em risco de câncer

 Gana se tornou um dos maiores depósitos de lixo do mundo para lixo eletrônico, criando uma indústria mortal que colocou milhares em risco.

O ferro-velho de eletrônicos perto da capital do Gana, Accra, deixou a região circundante contaminada com toxinas perigosas que poluíram o meio ambiente e criaram sérios problemas de saúde para os moradores.

Segundo uma estimativa, cerca de 200.000 toneladas dos eletrônicos descartados do mundo chegam a uma favela em Accra – o peso equivalente a mais de mil baleias azuis.

O enorme depósito de lixo é a principal fonte de renda para muitos trabalhadores, que escolhem montanhas de eletrônicos descartados e os derretem em metais como ferro e latão.

O processo de extração é altamente perigoso, liberando toxinas no ar que estão ligadas a uma série de problemas ambientais e de saúde sérios, incluindo dores crônicas, natimortos, poluição generalizada e danos à cadeia alimentar.

Os trabalhadores explicaram que sofrem de uma série de doenças, respirando a fumaça dos incêndios usados para queimar os aparelhos eletrônicose que causa dores no peito – e também dores de cabeça debilitantes.

Um estudo realizado por grupos de redes ambientais, o IPEN e a Rede de Ação da Basiléia, constatou que a exposição a longo prazo a vapores perigosos pode levar a sérios problemas de saúde, incluindo câncer ou danos aos sistemas imunológico e neurológico. Jindrich Petrlik, co-autor de um estudo ambiental, disse que não há sinais de que a situação esteja melhorando.

O crescimento do ferro-velho e a quantidade de lixo eletrônico … estão aumentando ano a ano; portanto, se nada for feito, o problema será maior e uma população maior poderá ser afetada pela contaminação geral do local e de seus arredores.

Os pesquisadores também descobriram que as toxinas mortais já entraram na cadeia alimentar. Galinhas que se alimentam perto do solo altamente contaminado em torno do lixão maciço absorveram o lixo em seus sistemas – expondo os humanos que os comem, ou seus ovos, a sérios riscos à saúde. Os poluentes também foram detectados no leite materno, o que significa que as toxinas estão sendo repassadas aos filhos dos trabalhadores.

Enfrentando problemas ambientais e de saúde que poderiam facilmente se estender por gerações, os habitantes locais disseram a que estavam desesperados por uma solução. Infelizmente, não há sinal de que o despejo maciço esteja indo a lugar algum.

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Fabricante de agrotóxicos é condenada a pagar mais de R$ 1 bi a jardineiro com câncer

Olha o prejuízo (merecido!) aí, gente! Em uma decisão histórica e inédita nos tribunais americanos, a gigante Monsanto, que fabrica herbicidas, foi condenada a pagar indenização de US$ 289 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) a Dewayne Johnson.Blog do Mesquita,Meio ambiente,Ecologia,Agrotóxico,Veneno,Agricultura,Saúde,Câncer

O motivo? Depois de anos trabalhando como jardineiro em uma escola na Califórnia, utilizando Ranger Pro, um agrotóxico comercializado pela Monsanto, Johnson foi diagnosticado com câncer.

Os advogados do jardineiro entraram com processo contra a fabricante, alegando que ela conhece os malefícios que seus herbicidas causam à saúde, mas não os comunica aos consumidores, favorecendo tristes episódios como o que aconteceu com Johnson.

A Monsanto negou que a substância que fabrica seja cancerígena, mas ninguém caiu no blá blá blá. Depois de um julgamento de oito semanas, os jurados decidiram a favor de Johnson, alegando que a empresa está sim “mal intencionada” e que seus herbicidas contribuíram “substancialmente” para a doença do jardineiro.

E o pesadelo da Monsanto não acaba na indenização de R$ 1,1 bilhão que terá que pagar, não… Desde a condenação, as ações da Bayer, que é dona da Monsanto, já caíram 9% na bolsa e prometem despencar cada vez mais. Isso porque há cerca de outros 5 mil casos similares ao de Johnson em andamento nos tribunais dos EUA, que ganharam mais força agora que a primeira vítima venceu a um processo do tipo. Abriu-se precedente e a gente acha é pouco!

Foto: Reprodução/AP

Controle populacional: “Cura do câncer existe há 80 anos e está em poder dos Rockefeller”

As revelações do falecido Dr. Richard L. Day em 1969 foram chocantes na época, mas agora começaram a se tornar realidade

O Dr. Day era um médico eminente, professor de pediatria na Mount Sinai School of Medicine (em Manhattan) e diretor médico da organização ‘Planned Parenthood’.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Ele foi descrito como um “membro da Ordem dos Bárbaros” (que é um grupo de elite comprometido com a “Nova Ordem Mundial).

Durante uma palestra fechada para outros médicos em 1969, o Dr. Day disse que a cura para o câncer foi arquivada no Rockefeller Institute.

A platéia ficou chocada ele quando disse:

“Nós podemos curar quase todos os cânceres agora mesmo. A informação está no arquivo do Instituto Rockefeller esperando autorização para ser lançada”.

Um segundo médico, Dr. Dunegan, lembra o que o Dr. Day foi muito claro em sua afirmação e, tanto ele quanto os outros participantes da palestra ficaram atônitos quando souberam que um instituto que tratava efetivamente de uma gama de doenças destrutivas também estaria retendo todo esse conhecimento .

Uma outra frase do Dr. Day que chamou muita atenção foi:

“Se as pessoas que têm câncer começarem a ser curadas, nos tornamos superpopulados rapidamente.”

Ele então explicou que o tratamento seria mais orientado para aliviar alguns dos sintomas e tornar o sofredor confortável ao invés de uma cura.

Embora o Instituto Rockefeller tenha tomado precauções para esconder a informação dentro de suas instalações, o Dr. Day disse que um dia tudo poderia ser descoberto caso pesquisadores independentes se aproximarem do desenvolvimento da mesma tecnologia de cura:

“Por enquanto, os poderosos preferem deixar as pessoas morrerem de câncer porque isso retardaria o problema da superpopulação.”

Qualquer pessoa normal jamais acreditaria que uma organização que pesquisa novas curas e novos tratamentos médicos reteria uma informação tão vital como essa.

Mas, já vimos muitas vezes que, onde há poder e dinheiro, tudo pode acontecer, especialmente se tratando de membros da Nova Ordem Mundial.

Rockefeller tem a ‘cura’?

É difícil obter informações sobre uma possível cura direta do câncer pela Universidade Rockefeller, o que é compreensível se a declaração do Dr. Day estiver correta – e não há motivo para não ser.

A universidade está envolvida na pesquisa do câncer através do Centro Anderson para Pesquisa do Câncer, que foi criado para encorajar e apoiar colaborações e abordagens no desenvolvimento de tratamento e pesquisa de curas.

O câncer é pesquisado na Universidade Rockefeller  desde 1911 e vários marcos da pesquisa de câncer foram atribuídos aos cientistas da Rockefeller.

Uma vez que o câncer foi pesquisado na era relativamente moderna, tem havido muitas reivindicações de “tratamentos” que dizem curar o câncer, e muitas afirmações de que as curas estão sendo suprimidas por grandes empresas farmacêuticas e outras organizações (como o Instituto Rockefeller / Universidade).

Infelizmente, há cada vez mais pessoas inescrupulosas na sociedade que se aproveitam das pessoas e promovem “terapias” ou “remédios” que terão pouco ou nenhum efeito – além de causar diversos danos colaterais para a saúde.

É altamente provável que tratamentos eficazes contra o câncer tenham sido suprimidos no passado com o objetivo de manter uma agenda de controle populacional na Terra.

Repetindi o que o Dr. Day disse:

“Se as pessoas deixam de morrer de câncer, com rapidez nos tornamos superpopulados”

Cortesia de The Revelations of Dr Richard Day

 

Cigarro: Uma em cada Dez mortes no mundo

Estudo diz que cigarro causa uma em 10 mortes no mundo e coloca Brasil como ‘história de sucesso’

cigarros no cinzeiro
Um em quatro homens e uma em 20 mulheres fumavam diariamente em 2015
Direito de imagemGETTY IMAGES

O cigarro é responsável por uma em cada 10 mortes no mundo e metade das mortes causadas pelo fumo ocorre em apenas quatro países.

China, Índia, Estados Unidos e Rússia concentram mais da metade das mortes atribuídas ao tabaco, de acordo com estudo divulgado esta semana pela publicação científica The Lancet.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O Brasil, por sua vez, aparece na pesquisa – que analisou 195 países entre 1990 e 2015 – como “uma história de sucesso digna de nota” por causa da redução significativa no número de fumantes nos últimos anos.

O estudo, financiado pela Bill & Melinda Gates Foundation e pela Bloomberg Philanthropies, constatou que, em 2015, aproximadamente 1 bilhão de pessoas no mundo fumavam diariamente: um em quatro homens e uma em 20 mulheres.

A proporção é ligeiramente diferente da registrada 25 anos antes. Em 1990, eram um em cada três homens e uma em cada 12 mulheres.

O aumento populacional, contudo, representou um incremento no número total de fumantes, de 870 milhões em 1990 para o quase 1 bilhão de 2015.

E o número de mortes representa um aumento de 4,7% de 2005 a 2015.

Segundo os pesquisadores, a mortalidade pode ter aumentado porque as companhias de tabaco adotaram estratégias mais agressivas em novos mercados, em especial em países em desenvolvimento.

“Apesar de mais de meio século de evidências dos efeitos prejudiciais do tabaco na saúde, atualmente, um em cada quatro homens no mundo fumam diariamente”, diz uma das autoras do estudo, Emmanuela Gakidou.

“Fumar cigarro continua sendo o segundo maior fator de risco de mortes prematuras e deficiências e, para reduzir seu impacto, devemos intensificar seu controle”, avalia a pesquisadora.

Adolescente fumando na Indonésia
Indonésia ainda está entre os países que lutam para reduzir o número de fumantes
Direito de imagemGETTY IMAGES

Brasil

O estudo conclui que alguns países conseguiram ajudar pessoas a parar de fumar, em geral combinando impostos mais altos com avisos sobre os danos à saúde nos maços e programas educacionais.

Um exemplo é o Brasil, que, em 25 anos, viu a porcentagem de fumantes diários despencar de 29% para 12% entre homens e de 19% para 8% entre mulheres.

O país ocupa o oitavo lugar no ranking de número absoluto de fumantes (7,1 milhões de mulheres e 11,1 milhões de homens), mas a redução coloca o Brasil entre os campeões de quedas do número de fumantes.

Por outro lado, de acordo com o estudo, Bangladesh, Indonésia e Filipinas não viram nenhuma mudança relativa em 25 anos.

Na Rússia, houve aumento no número de mulheres que fumam e tendências similares foram identificadas na África.

Carne podre e o ministro da Justiça

Após assistir o vídeo com a desculpa pra lá de amarela, e podre, do ministro da justiça Serraglio, sobre o conteúdo do grampo telefônico que a PF gravou

entre o ministro e o chefe da quadrilha da carne podre, você compraria uma sandália de rabicho, usada, dessa “otoridade”?

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Brasil: Um país putrefado

Em qualquer lupanar em Brogodó do Brejo Podre, o ministro da Agricultura – ministério encarregado da fiscalização dos produtos de origem animal – já estaria sumariamente demitido.

O secretário executivo do Ministério da Agricultura em entrevista coletiva, com a maior cara de pau, disse que cabe à população verificar os alimentos nos supermercados.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Como cara de pau?

Que competência temos nós, consumidores comuns, para testar e identificar a integridade desses produtos?

Saúde: Fumar gera mutações genéticas, diz estudo

Pesquisadores demonstram como cigarro altera o DNA e que não apenas órgãos diretamente atingidos pela fumaça são afetados.Symbolbild Grundsatzurteil USA zur Patentierung menschlichen Erbguts (Fotolia/majcot)

Marcas do tabagismo podem ser detectadas até 30 anos depois.

Que fumar aumenta os riscos de pelo menos 17 tipos de câncer – sobretudo na garganta, na boca e no pulmão – já foi provado por vários estudos. Mas agora cientistas conseguiram demonstrar, pela primeira vez, que o cigarro gera mudanças celulares nos tecidos dos órgãos – estejam eles expostos direta ou indiretamente à fumaça.
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Cientistas do Instituto Britânico Wellcome Trust Sanger e do Laboratório Los Alamos, nos Estados Unidos, analisaram cinco mil tumores, comparando o câncer de fumantes com o de não fumantes. A análise ofereceu informações relevantes a partir dos traços genéticos encontrados nos tumores dos pacientes fumantes.

O estudo, publicado pela revista Science, verificou que o dano genético poderia ser causado por diferentes mecanismos. Os pesquisadores descobriram que determinadas “impressões digitais” moleculares, também conhecidas como “assinaturas”, eram predominantes no DNA dos fumantes.

“Os resultados são uma mistura do esperado e inesperado, e revelam uma imagem de efeitos diretos e indiretos”, diz o coautor Dave Phillips, professor de Carcinogênese no King’s College, em Londres.

Segundo a análise dos pesquisadores, as células que entram em contato direto com a fumaça inalada foram as mais prejudicadas pelas substâncias cancerígenas que diretamente causam a alteração no DNA da célula. Isso se verificou não apenas nos pulmões, mas também na cavidade oral, faringe e esôfago.

As marcas genéticas observadas nesses órgãos não estavam presentes em tumores de outras partes do corpo, como o estômago ou o ovário, no caso das mulheres. Contudo, outros órgãos foram afetados.

“Outras células do corpo sofreram apenas danos indiretos. O tabagismo parece afetar mecanismos-chave nessas células, que por sua vez alteram o DNA”, diz Phillips.

O estudo também revelou que há pelo menos cinco processos diferentes de danos ao DNA devido ao tabagismo. O mais verificado foi um processo que pareceu acelerar o relógio celular, envelhecendo e alterando de forma prematura o material genético.

Histórico genético

 

De acordo com os pesquisadores, os tumores contêm pistas genéticas sobre os caminhos que os levam a se tornar canceroso. Os cientistas, agora, esperam se aprofundar ainda mais nesse campo.

“O genoma de cada câncer provê uma espécie de ‘registro arqueológico’ no próprio código de DNA, das exposições que causaram as mutações que causaram o câncer”, explica o professor Mike Stratton, autor principal do estudo publicado na Science. “Nossa pesquisa indica que a forma como o tabagismo causa câncer é mais complexa do que pensávamos.”

“Na verdade, não entendemos completamente as causas subjacentes de vários tipos de câncer e existem outras causas conhecidas, como a obesidade, sobre a qual entendemos pouco do mecanismo subjacente. Este estudo pode fornecer novas pistas provocantes sobre como os cânceres se desenvolvem e, portanto, como podem ser evitados”, diz Stratton.

Duração das sequelas 

Os pesquisadores descobriram que quem fuma um maço por dia acumula 150 mutações adicionais por célula pulmonar a cada ano.

“Até então, tínhamos um grande número de evidências epidemiológicas que ligavam o tabagismo ao câncer, mas agora podemos realmente observar e quantificar as mudanças moleculares no DNA devido ao fumo”, afirma Ludmil Alexandrov, do Laboratório Nacional de Los Alamos, outro autor do estudo.

Embora os efeitos do tabagismo sobre os pulmões sejam particularmente acentuados, o alto risco de alterações em outros órgãos é considerado evidente a partir deste estudo.

Houve uma média estimada de 97 mutações em cada célula da laringe, 39 mutações para a faringe, 23 mutações para a boca, 18 para a bexiga e seis mutações em cada célula do fígado para cada ano em que o paciente fumou um maço de cigarros por dia.

Uma pesquisa publicada em setembro mostrou que as marcas do tabagismo podem ser detectadas até 30 anos depois que o indivíduo parou de fumar.

Nova terapia contra câncer é mais eficaz que quimioterapia

Tratamento: a droga imunoterápica ainda terá que ser aprovada por órgãos de saúde para ser disponibilizada em clínicas.

Mulher recebendo tratamento em hospital

 Cientistas desenvolveram um novo tratamento que promete aumentar o tempo de vida de pacientes com tipos agressivos de câncer. O estudo revelou que os voluntários que receberam a droga imunoterápica Nivolumab viveram, em média, dois meses a mais do que aqueles que receberam quimioterapia tradicional.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A pesquisa, que foi publicada no New England Journal of Medicine, teve a participação de 361 pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Todos eles já haviam passado pelo tratamento quimioterápico e não mostraram melhora. De acordo com o estudo, 600 mil casos da doença são diagnosticados todo ano no mundo, sendo que os pacientes nessa condição vivem cerca de seis meses.

Dos 361 voluntários, 240 foram tratados com Nivolumab e 121 receberam tratamentos com um de três tipos diferentes de quimioterapia durante quase dois meses. De todos os participantes que receberam a droga imunoterápica ao longo de um ano, 133 morreram (55,4%), enquanto 85 pessoas (70,2%) das que fizeram quimioterapia faleceram.

A pesquisa também revelou que, em média, a taxa de sobrevivência dos pacientes que tomaram o Nivolumab foi de 7,5 meses, enquanto a mesma taxa das pessoas que fizeram o tratamento quimioterápico foi de 5,1 meses.

Além de aumentar o tempo de vida dos pacientes, o Nivolumab também melhorou a qualidade de vida deles. Os pesquisadores notaram que apenas 13% dos pacientes que fizeram o novo tratamento tiveram efeitos colaterais – como enjoo e falta de apetite – em comparação com 35% dos voluntários que passaram pela quimioterapia.

Kevin Harrington, um dos autores do estudo, disse em um comunicado que os resultados indicam que a os médicos agora tem um novo tratamento que pode prolongar significativamente a vida dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço. “Eu estou ansioso para vê-lo (o tratamento) nas clínicas.”

O Nivolumab faz parte de um grupo de medicamentoschamado de inibidores de checkpoint. Eles bloqueiam a ligação entre receptores nas células imunológicas e suas proteínas irmãs – essa inativa as células de defesa do corpo. Esse bloqueio faz com que as células imunológicas identifiquem as células cancerosas e as destruam.

Essa não é a primeira vez que cientistas fazem pesquisas com o Nivolumab para o tratamento de câncer. Um estudo, também publicado no New England Journal of Medicine, mostrou que pessoas com câncer de pulmão que receberam o medicamento viveram, em média, 3,2 meses a mais do que aqueles que receberam quimioterapia.

O Nivolumab ainda terá que passar por aprovação pela Agência Europeia de Medicamentos antes de ser disponibilizado para pacientes com câncer de cabeça e pescoço do sistema nacional de saúde do Reino Unido (NHS).
Marina Demartini/EXAME

Zeitgeist: Glifosato, transgênicos e a ascensão da Monsanto

Empresa americana faturou bilhões de dólares com fabricação do herbicida mais usado no mundo e venda de sementes geneticamente modificadas para serem resistentes a ele. Mas ganhou também um problema de imagem.

Planta de soja geneticamente modificadaPlanta de soja geneticamente modificada

Nenhuma empresa desperta mais a ira de ambientalistas de todo o mundo do que a americana Monsanto, a fabricante do herbicida Roundup e de sementes modificadas geneticamente para serem resistentes a ele – principalmente de milho, algodão e soja.

O princípio ativo do Roundup é o glifosato, um organofosforado sintetizado pela primeira vez nos anos 1950 por um químico suíço. Em 1970, pesquisadores da Monsanto redescobriram o glifosato, desta vez como herbicida. A descoberta foi patenteada e, em 1974, ela foi lançada no mercado americano com o nome de Roundup.
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O poderoso efeito secante do herbicida fez com que ele logo passasse a ser usado na agricultura para “limpar o solo” antes do plantio. Ele obviamente não podia ser novamente usado depois do plantio, para eliminar ervas daninhas, pois aí também mataria a própria planta cultivada.

Essa situação mudou em 1996, quando os cientistas da Monsanto isolaram o gene que tornava uma bactéria resistente ao glifosato e o introduziram em sementes de soja – surgiam, assim, as primeiras plantas transgênicas resistentes ao glifosato. Para a Monsanto, uma descoberta que valeu ouro: a venda combinada do herbicida com as sementes resistentes a ele gerou bilhões de dólares para os cofres da empresa.

Agricultores de todo o mundo adotaram a novidade, argumentando que o plantio de sementes transgênicas, combinado com o uso do glifosato, diminuía os custos de produção. Nos Estados Unidos, por exemplo, praticamente não se planta mais soja, milho e algodão que não seja transgênico. Também no Brasil e na Argentina quase toda a soja cultivada é geneticamente modificada.

Assim, o uso do glifosato, tanto para limpar o solo como para matar as ervas daninhas, espalhou-se pelo mundo, a ponto de ele se tornar o herbicida mais usado no planeta. Na Alemanha, o glifosato é utilizado em cerca de 30% a 40% das lavouras.

Desconfiança e ceticismo

Mas, junto com a ascensão dos transgênicos e do uso do glifosato, cresceu também a desconfiança e o ceticismo em relação a esses dois produtos, principalmente em países de forte tradição agrícola e consciência ambiental, como a Alemanha e a França. E os críticos logo encontraram o seu vilão: a Monsanto.

Quando, em julho de 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, pertencente à Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que o glifosato provavelmente é cancerígeno, esses críticos viram suas posições confirmadas.

Porém, poucos meses depois, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, que é uma agência da União Europeia, considerou improvável que o glifosato seja cancerígeno. Já a Monsanto afirma que os herbicidas à base de glifosato são os mais exaustivamente estudados do mundo, e que nunca foi comprovado que eles provocam câncer.

Essas posições pouco devem mudar a péssima imagem do glifosato, dos transgênicos e da Monsanto entre boa parte dos consumidores, principalmente na Europa. A Bayer, ao comprar a empresa americana, adquiriu também esse problema. Mas já há sinais de que a empresa alemã poderá simplesmente acabar com a marca Monsanto, que, além do glifosato, é associada também a outros produtos polêmicos, como o agente laranja, usado na Guerra do Vietnã.

A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que ele recebe no dia a dia.

Potenciais efeitos da união Bayer-Monsanto

Críticos temem que a aquisição da Monsanto pela Bayer eleve a pressão a favor do plantio de transgênicos em países da União Europeia. Concentração no mercado de sementes e pesticidas também preocupa.

Ativista protesta contra a Monsanto na Alemanha, em 2014Ativista protesta contra a Monsanto na Alemanha, em 2014

Em maio deste ano, ambientalistas saíram mais uma vez às ruas de cidades de todo mundo em sua “Marcha contra a Monsanto”, que nos últimos quatro anos tem protestado contra o mais odiado produtor de organismos geneticamente modificados (OGMs).

Os ataques dos manifestantes nunca foram bem-sucedidos. Pelo contrário, a empresa se tornou tão bem-sucedida que deve ser adquirida pela Bayer, uma das maiores companhias alemãs, por 66 bilhões de dólares.
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Trata-se da maior oferta já feita por uma firma alemã para a aquisição de uma companhia estrangeira. Ambas as empresas produzem pesticidas e, juntas, controlariam 28% desse mercado em todo o mundo. A oferta da Bayer foi selada nesta quarta-feira (14/09), e a fusão ainda precisa ser aprovada por autoridades antitruste.

O tamanho da empresa conjunta deverá ser objeto de escrutínio pelos reguladores do mercado. E a posição potencialmente dominante no campo de agroquímicos também soou o alarme por motivos ambientais.

Enterrando uma marca denegrida

A reação foi particularmente forte na Alemanha, onde a população é amplamente contra alimentos transgênicos. A americana Monsanto se retirou do mercado europeu há alguns anos devido à moratória que a União Europeia (UE) aplicou ao plantio dos chamados OGMs. Mas a companhia ainda continua envolvida na importação de transgênicos para a UE.

A Monsanto se tornou o principal alvo do movimento global contra os transgênicos – particularmente na Europa, onde é alvo de grande controvérsia em torno do glifosato, seu herbicida mais usado e que os ambientalistas continuam tentando proibir.

Sementes de sojaConcentração no mercado de sementes é uma das maiores preocupações dos críticos

Embora a autorização do uso de glifosato na UE tenha expirado em junho deste ano, a Comissão Europeia aprovou uma prorrogação de uso por 18 meses.

Mudança de nome

Muitos observadores esperam que a Bayer desista do nome Monsanto. Indagado pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) se a empresa alemã iria enterrar a marca, o presidente da Bayer, Werner Baumann, afirmou: “Basta dizer que a Bayer goza de excelente reputação e apelo mundiais. Precisamos tirar proveito disso.”

Embora a Bayer esteja envolvida em muitas atividades semelhantes, ela escapou de uma percepção pública negativa na Europa, ao contrário de sua homóloga americana.

O ativista Jan Pehrke, da ONG alemã Coalizão contra os Perigos da Bayer, diz que é mais difícil conscientizar a população das atividades da Bayer na produção de pesticidas porque a empresa está envolvida em muito mais áreas que a Monsanto – que lida basicamente com sementes e transgênicos.

“Nós tentamos colocar o foco não somente na Monsanto e conscientizar o público de que, além dela, há muitas multinacionais agroquímicas que são enormes e também têm produtos perigosos”, afirmou Pehrke à DW.

Ele diz temer que, com um nome menos “manchado” e mais poderoso, como Bayer, à frente dos produtos da Monsanto, países europeus estejam mais sujeitos a aprovar o plantio de transgênicos. “Tememos que, se uma grande empresa alemã, como a Bayer, for tão forte no setor de transgênicos, haverá mais pressão para colocar esses produtos no mercado europeu”, afirmou.

Katherine Paul, diretora associada da Organic Consumers Organization, que organiza o movimento Milhões contra a Monsanto, afirma que uma mudança de nome não fará com que os ativistas antitransgênicos mudem de foco. “Podemos mudar da nossa campanha Milhões contra a Monsanto para Bilhões contra a Bayer”, diz. Pehrke também afirmou que a Coalizão contra os Perigos da Bayer irá mudar o nome da “Marcha contra a Monsanto” para “Marcha contra a Bayer.

Lições aprendidas

Os executivos da Bayer, por sua vez, parecem estar propensos a evitar os erros que levaram ao problema de imagem da Monsanto na Europa – como a falta de envolvimento com responsáveis políticos e grupos ambientalistas.

Na entrevista ao FAZ, o presidente da Bayer declarou que a empresa está convidando ativistas para conversar com os administradores da companhia. “Assim como falo com nossos investidores para convencê-los dos planos, a oferta também vale para organizações ambientais e outras ONGs”, disse Baumann.

Protestos contra a Monsanto foram realizados mundo afora. Na foto, uma manifestação no México, em 2013 Protestos contra a Monsanto foram realizados mundo afora. Na foto, uma manifestação no México, em 2013

“A nossa forma de fazer negócios pode diferir da da Monsanto. Posso assegurá-los de que conduziríamos esses negócios com base nos mesmos padrões das nossas demais operações.”

E exatamente essas outras áreas em que a Bayer atua a protegeram da crítica por parte da opinião pública, mesmo tendo sido alvo de controvérsia por algumas partes de seus negócios agrícolas. Isso inclui a produção de pesticidas neonicotinoides, acusados de matar abelhas e afetar a biodiversidade.

“A Monsanto, a Bayer, a Syngenta e outras empresas estão todas no mesmo barco quanto à necessidade de defender nossas atividades na agricultura”, afirma Brandon Mitchener, porta-voz da Monsanto na Europa. “As pessoas que se opõem a qualquer inovação na agricultura se opõem da mesma maneira aos neonicotinoides fabricados pela Bayer e a Syngenta, ao glifosato e a sementes transgênicas vendidas por todas as três [empresas].”

Mercado de sementes

Além do peso político reforçado da nova empresa conjunta, a concentração de patentes de sementes também é uma das principais preocupações. A incorporação proposta vem numa hora de recentes fusões e aquisições no setor agroquímico, com os investidores procurando cortar custos em face do declínio dos preços das commodities agrícolas.

Em fevereiro, a ChemChina comprou a Syngenta, assumindo a primeira posição no mercado de produtos químicos agrícolas. No ano passado, as empresas americanas Dow e DuPont anunciaram uma fusão de 13 bilhões de dólares para criar a DowDuPont, que irá controlar cerca de 40% do mercado de sementes de milho e soja nos EUA.

Sven Giegold, deputado alemão no Parlamento Europeu pelo Partido Verde, trabalhou numa petição online contra a fusão Bayer-Monsanto. Ele afirma que as uniões de empresas no setor agroquímico está fora de controle e coloca o futuro da agricultura em risco.

“O Partido Verde defende a ideia de que, numa economia de mercado, deve haver uma competição ferrenha”, afirmou Giegold à DW. “Já existe um forte monopólio no setor de sementes e pesticidas – mais concentração no mercado é indesejável.”

Giegold afirma que se houver somente alguns poucos competidores no mercado de sementes, os agricultores serão forçados a comprar deles, muitas vezes em combinação com pesticidas.