O obscuro uso do Facebook e do Twitter como armas de manipulação política

As manobras nas redes se tornam uma ameaça que os governos querem controlar

A manipulação das redes sociais está afetando os processos políticos.
A manipulação das redes sociais está afetando os processos políticos.
Tudo mudou para sempre em 2 de novembro de 2010, sem que ninguém percebesse. O Facebook introduziu uma simples mensagem que surgia no feed de notícias de seus usuários. Uma janelinha que anunciava que seus amigos já tinham ido votar. Estavam em curso as eleições legislativas dos Estados Unidos e 60 milhões de eleitores vieram aquele teaser do Facebook. Cruzando dados de seus usuários com o registro eleitoral, a rede social calculou que acabaram indo votar 340.000 pessoas que teriam ficado em casa se não tivessem visto em suas páginas que seus amigos tinham passado pelas urnas. 

Dois anos depois, quando Barack Obama tentava a reeleição, os cientistas do Facebook publicaram os resultados desse experimento político na revista Nature. Era a maneira de exibir os músculos diante dos potenciais anunciantes, o único modelo de negócio da empresa de Mark Zuckerberg, e que lhe rende mais de 9 bilhões de dólares por trimestre. É fácil imaginar o quanto devem ter crescido os bíceps do Facebook desde que mandou para as ruas centenas de milhares de eleitores há sete anos, quando nem sequer havia histórias patrocinadas.

Há algumas semanas, o co-fundador do Twitter, Ev Williams, se desculpou pelo papel determinante que essa plataforma desempenhou na eleição de Donald Trump, ao ajudar a criar um “ecossistema de veículos de comunicação que se sustenta e prospera com base na atenção”. “Isso é o que nos torna mais burros e Donald Trump é um sintoma disso”, afirmou. “Citar os tuítes de Trump ou a última e mais estúpida coisa dita por qualquer candidato político ou por qualquer pessoa é uma maneira eficiente de explorar os instintos mais baixos das pessoas. E isso está contaminando o mundo inteiro”, declarou Williams.

“Citar a coisa mais estúpida que qualquer político diga é uma maneira de explorar os instintos mais baixos das pessoas. Isso está contaminando o mundo inteiro”, declarou o fundador do Twitter

Quando perguntaram a Zuckerberg se o Facebook tinha sido determinante na eleição de Trump, ele recusou a ideia dizendo ser uma “loucura” e algo “extremamente improvável”. No entanto, a própria rede social que ele dirige se vangloria de ser uma ferramenta política decisiva em seus “casos de sucesso” publicitários, atribuindo a si mesma um papel essencial nas vitórias de deputados norte-americanas ou na maioria absoluta dos conservadores britânicos em 2015.

O certo é que é a própria equipe de Trump quem reconhece que cavalgou para a Casa Branca nas costas das redes sociais, aproveitando sua enorme capacidade de alcançar usuários tremendamente específicos com mensagens quase personalizadas. Como revelou uma representante da equipe digital de Trump à BBC, o Facebook, o Twitter, o YouTube e o Google tinham funcionários com escritórios próprios no quartel-general do republicano. “Eles nos ajudaram a utilizar essas plataformas da maneira mais eficaz possível. Quando você está injetando milhões e milhões de dólares nessas plataformas sociais [entre 70 e 85 milhões de dólares no caso do Facebook], recebe tratamento preferencial, com representantes que se certificam em satisfazer todas as nossas necessidades”.

E nisso apareceram os russos

A revelação de que o Facebook permitiu que, a partir de contas falsas ligadas a Moscou, fossem comprados anúncios pró-Trump no valor de 100.000 dólares colocou sobre a mesa o lado negro da plataforma de Zuckerberg. Encurralado pela opinião pública e pelo Congresso dos Estados Unidos, a empresa reconheceu que esses anúncios tinham alcançado 10 milhões de usuários. No entanto, um especialista da Universidade de Columbia, Jonathan Albright, calculou que o número real deve ser pelo menos o dobro, fora que grande parte de sua divulgação teria sido orgânica, ou seja, viralizando de maneira natural e não só por patrocínio. A resposta do Facebook? Apagar todo o rastro. E cortar o fluxo de informações para futuras investigações. “Nunca mais ele ou qualquer outro pesquisador poderá realizar o tipo de análise que fez dias antes”, publicou o The Washington Post há uma semana. “São dados de interesse público”, queixou-se Albright ao descobrir que o Facebook tinha fechado a última fresta pela qual os pesquisadores podiam espiar a realidade do que ocorre dentro da poderosa empresa.

Esteban Moro, que também se dedica a buscar frestas entre as opacas paredes da rede social, critica a decisão da companhia de se fechar em vez de apostar na transparência para demonstrar vontade de mudar. “Por isso tentamos forçar que o Facebook nos permita ver que parte do sistema influi nos resultados problemáticos”, afirma esse pesquisador, que atualmente trabalha no Media Lab do MIT. “Não sabemos até que ponto a plataforma está projetada para reforçar esse tipo de comportamento”, afirma, em referência à divulgação de falsas informações politicamente interessadas.

“Seus algoritmos são otimizados para favorecer a difusão da publicidade. Corrigir isso para evitar a propagação de desinformação vai contra o negócio”, explica Moro

O Facebook anunciou que contará com quase 9.000 funcionários para editar conteúdos, o que muitos consideram um remendo em um problema que é estrutural. “Seus algoritmos estão otimizados para favorecer a difusão de publicidade. Corrigir isso para evitar a propagação de desinformação vai contra o negócio”, explica Moro. A publicidade, principal fonte de rendas do Facebook e do Google, demanda que passemos mais tempos conectados, interagindo e clicando. E para obter isso, essas plataformas desenvolvem algoritmos muito potentes que criaram um campo de batalha perfeito para as mentiras polícias, no qual proliferaram veículos que faturam alto viralizando falsidades e meia-verdades polariza

“É imprescindível haver um processo de supervisão desses algoritmos para mitigar seu impacto. E necessitamos de mais pesquisa para conhecer sua influência”, reivindica Gemma Galdon, especialista no impacto social da tecnologia e diretora da consultoria Eticas. Galdon destaca a coincidência temporal de muitos fenômenos, como o efeito bolha das redes (ao fazer um usuário se isolar de opiniões diferentes da sua), o mal-estar social generalizado, a escala brutal na qual atuam essas plataformas, a opacidade dos algoritmos e o desaparecimento da confiança na imprensa. Juntos, esses fatos geraram “um desastre significativo”. Moro concorda que “muitas das coisas que estão ocorrendo na sociedade têm a ver com o que ocorre nas redes”. E aponta um dado: “São o único lugar em que se informam 40% dos norte-americanos, que passam nelas três horas por dia”.

A propaganda informática é “uma das ferramentas mais poderosas contra a democracia”, segundo especialistas de Oxford, e por isso as redes “precisam se redesenhar para que a democracia sobreviva”

A diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, braço direito de Zuckerberg, defendeu a venda de anúncios como os russos, argumentando que se trata de uma questão de “liberdade de expressão”. Segundo a agência de notícias Bloomberg, o Facebook e o Google colaboraram ativamente em uma campanha xenófoba contra refugiados para que fosse vista por eleitores-chave nos estados em disputa. O Google também aceitou dinheiro russo para anúncios no YouTube e no Gmail. Não em vão, o Facebook tem pressionado há anos para que não seja afetado pela legislação que exige que a mídia tradicional seja transparente na contratação de propaganda eleitoral. Agora, o Senado pretende legislar sobre a propaganda digital contra a pressão dessas grandes plataformas tecnológicas, que defendem a autorregulação. Tanto o Twitter quanto o Facebook expressaram recentemente a intenção de serem mais transparentes nesta questão.

A responsabilidade do Twitter

Em meados deste ano, o Instituto de Internet da Universidade de Oxford publicou um relatório devastador, analisando a influência que as plataformas digitais estavam tendo sobre os processos democráticos em todo o mundo. A equipe de pesquisadores estudou o que aconteceu com milhões de publicações nos últimos dois anos em nove países (Brasil, Canadá, China, Alemanha, Polônia, Taiwan, Rússia, Ucrânia e Estados Unidos) e concluiu, entre outras coisas, que “os bots [contas automatizadas] podem influenciar processos políticos de importância mundial”.

Facebook, Twitter, YouTube e Google tinham funcionários com escritório próprio no quartel-general de Trump: “Quando você injeta tantos milhões, tem tratamento preferencial”

Nos EUA, os republicanos e a direita supremacista usaram exércitos de bots para “manipular consensos, dando a ilusão de uma popularidade on-line significativa para construir um verdadeiro apoio político” e para ampliar o alcance de sua propaganda. E concentraram seus esforços nos principais estados em disputa, que foram inundados com notícias de fontes não confiáveis. Em países como a Polônia e a Rússia, grande parte das conversas no Twitter é monopolizada por contas automatizadas. Em estados mais autoritários, as redes são usadas para controlar o debate político, silenciando a oposição e, nos mais democráticos, aparecem as cibertropas para intencionalmente contaminar as discussões. As plataformas não informam nem interferem porque colocariam “sua conta em risco”.

“Os bots utilizados para a manipulação política também são ferramentas eficazes para fortalecer a propaganda on-line e as campanhas de ódio. Uma pessoa, ou um pequeno grupo de pessoas, pode usar um exército de robôs políticos no Twitter para dar a ilusão de um consenso de grande escala”, afirma a equipe da Oxford. E concluem: “A propaganda informática é agora uma das ferramentas mais poderosas contra a democracia” e é por isso que as plataformas digitais “precisam ser significativamente redesenhadas para que a democracia sobreviva às redes sociais”.

Zuckerberg diz que é “loucura” pensar que o Facebook pode definir eleições, mas se gaba de fazer isso em seu próprio site

O Twitter também deletou conteúdo de valor potencialmente insubstituível que ajudaria a identificar a influência russa na eleição de Trump. Mais recentemente, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia alertaram sobre o desenvolvimento de um mercado paralelo de bots políticos: as mesmas contas que antes apoiaram Trump, tentaram mais tarde envenenar a campanha na França a favor de Le Pen e, depois, produziram material em alemão colaborando com o partido neonazista Afd. Zuckerberg prometeu fazer o possível para “garantir a integridade” das eleições alemãs. Durante a campanha, sete das 10 notícias mais virais sobre a primeira-ministra alemã Angela Merkel no Facebook eram falsas. O portal ProPublica acaba de revelar que a rede social tolerou anúncios ilegais que espalhavam informações tóxicas contra o Partido Verde alemão.

Galdon trabalha com a Comissão Europeia, a qual considera “muito preocupada” nos últimos meses em dar uma resposta a esses fenômenos, pensando em um marco europeu de controle que, atualmente, está muito longe de ser concretizado. “Há quem aposte pela autorregulação, quem acredite que deve haver um órgão de supervisão de algoritmos como o dos medicamentos e até mesmo quem peça que os conteúdos sejam diretamente censurados”, diz a pesquisadora. Mas Galdon destaca um problema maior: “Dizemos às plataformas que precisam atuar melhor, mas não sabemos o que significa melhor. As autoridades europeias estão preocupadas, mas não sabem bem o que está acontecendo, o que mudar ou o que pedir exatamente”.

SAIR DA BOLHA

Tem sido muito discutido o verdadeiro impacto do risco das bolhas de opinião geradas pelas redes, depois do alerta do ativista Eli Pariser. “Esse filtro, que acaba reforçando nossos próprios argumentos, está sendo decisivo”, alerta Galdon. Recentemente, Sheryl Sandberg, do Facebook, disse que a bolha era menor em sua plataforma do que na mídia tradicional (embora tenha negado categoricamente que sua empresa possa ser considerada um meio de comunicação). Cerca de 23% dos amigos de um usuário do Facebook têm opiniões políticas diferentes desse amigo, de acordo com Sandberg.

“Sabemos que as dinâmicas do Facebook favorecem o reforço de opiniões, que tudo é exacerbado porque buscamos a aprovação do grupo, porque podemos silenciar pessoas das quais não gostamos, porque a ferramenta nos dá mais do que nós gostamos. E isso gera maior polaridade”, diz Esteban Moro. Um exemplo: um estudo recente do Pew Research Center mostrou que os políticos mais extremistas têm muito mais seguidores no Facebook do que os moderados. “Vivemos em regiões de redes sociais completamente fechadas, das quais é muito difícil sair”, afirma. E propõe testar o experimento de seus colegas do Media Lab, do MIT, que desenvolveram a ferramenta FlipFeed, que permite entrar na bolha de outro usuário do Twitter, vendo sua timeline: “É como se você fosse levado de helicóptero e lançado no Texas sendo eleitor de Trump. Assim você percebe o quanto vivemos em um ecossistema de pessoas que pensam exatamente como nós”.

Como o Facebook pode ter ajudado Trump a ganhar a eleição

Nos Estados Unidos, a mídia impressa leva muito a sério seu papel no processo democrático.

Donald Trump discursa durante a campanhaTrump fez das redes sociais uma arma para “driblar” a mídia tradicional
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Quando chega o momento de uma eleição presidencial, jornais e revistas acreditam que seu apoio formal a um ou outro candidato é repleto de significância, e que suas recomendações serão analisadas com seriedade por seus leitores.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Bem, nós agora sabemos que não é bem assim – praticamente todos os grandes jornais dos EUA ou declararam apoio a Hillary Clinton ou deixaram de endossar Donald Trump na campanha de 2016. E isso inclui veículos de mídia que no passado foram fiéis a candidatos do Partido Republicano.

Na verdade, a mídia impressa americana, assim como os veículos de TV, estão despertando para o fato de que sua influência pode ser mínima em comparação com o Facebook.

Manchetes de jornais em Nova YorkJornais americanos em sua maioria se recusaram a apoiar Trump
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Em 1992, na eleição-geral do Reino Unido, o tablóide The Sun gabou-se de ter “vencido” a eleção para o Partido Conservador, que estava em situação delicada na disputa com os trabalhistas. Nos EUA, agora, há quem pergunte se a rede social mais popular do mundo não fez o mesmo no triunfo de Trump.

Eis o argumento principal: 156 milhões de americanos têm contas no Facebook e, de acordo com pesquisas, pelo menos dois terços deles usam a rede social como fonte primária de notícias.

Essas notícias podem, volta e meia, vir de veículos mais tradicionais de mídia – incluindo os jornais que endossaram Hillary. Mas o que cada usuário vai ver dependerá de quem são seus amigos e do que eles compartilham.

Daí vem a noção de uma “bolha”: pessoas que estavam inclinadas a votar em Trump na eleição da última terça-feira apenas viram histórias que refletiam sua visão do mundo. E o mesmo se deu com aqueles que simpatizavam com Hillary.

É claro que podemos dizer que esse tipo de filtragem sempre ocorreu – pessoas de orientação liberal tendiam a ler jornais liberais. Pessoas mais conservadores encontravam suas ideias refletidas pelo que liam. A diferença é que a maioria dos editores tentava fazer duas coisas – apresentar ao menos algumas opiniões alternativas e assegurar que os fatos de qualquer história fossem checados.

Imagem de escritório do Facebook nos EUARede social é criticada por não checar fatos ou zelar por diversidade de opiniões
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O Facebook não leva a cabo nenhum desses dois procedimentos. O algoritmo do feed de notícias veicula o que “pensa” ser a sua opinião e a de seus amigos e certamente não checa fatos. Um exemplo é que, durante a campanha presidencial americana, histórias acusando Hillary de assassinato ou que “revelavam que o presidente Barack Obama é muçulmano” apareceram nas páginas de pessoas com tendência de apoio a Trump.

Também ocorreu o contrário. Um falsa declaração supostamente feita pelo bilionário em 1998, em que ele dizia que seria simples ser candidato pelo Partido Republicano “porque seus eleitores são burros”, continua circulando na rede social graças ao compartilhamento de americanos que não gostam de Trump.

Os dois grandes partidos americanos (Democrata e Republicano) vêm usando extensivamente o Facebook como arma eleitoral nos últimos anos. Porém, para Trump, as redes sociais ofereceram uma maneira poderosa de levar sua mensagem diretamente ao eleitorado. Ainda mais porque sua campanha considerava a maior parte da mídia tradicional como hostil e parcial.

Donald Trump posa para fotosFacebook e Twitter podem ajudaram Trump a capturar eleitores indecisos
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É possível dizer que, sem o Facebook, Trump não seria o próximo ocupante da Casa Branca?

É difícil responder, mas parece provável que as mídias sociais serviram para polarizar opiniões em uma campanha eleitoral já acalorada. E que podem ter ajudado a trazer eleitores indecisos para o lado do bilionário. E isso questiona a alegação do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, de que a rede social se trata apenas de uma plataforma tecnológica, não de uma poderosa empresa de mídia.

Mas há alguns sinais de que o Facebook está pronto para encarar essa imensa responsabilidade ou ao menos refletir sobre os recentes eventos. Na quarta-feira, a jornalista da BBC Jane Wakefield entrevistou o diretor de Tecnologia da empresa, Mike Schroepfer, durante uma passagem por Londres. E ela perguntou a Schroepfer qual o papel que, na sua opinião, a mídia social tinha desempenhado na eleição.

“É difícil especular. Nossa premissa é que as pessoas podem publicar e comunicar o que elas querem discutir”, disse o executivo.

Mas Zuckerberg também falou. Em um post revelando o sentimento de “estar esperançoso” – e com uma foto dele segurando sua filha bebê enquanto assistia à cobertura da eleição – o criador do Facebook contou-nos que estava “pensando em todo o trabalho à frente para criarmos o mundo que queremos para nossas crianças”.

Mark Zuckerberg
Post de Mark Zuckerberg na noite da eleição Image copyrightFACEBOOK

Zuckerberg falou especificamente em curar doenças, melhorar a educação, conectar as pessoas e promover oportunidades iguais – e definiu esta missão como “maior do que qualquer presidência”.

Nos comentários, diversas pessoas pareceram apreciar o pensamento de Zuckerberg. “Obrigado por estar usando sua influência para o bem” foi uma resposta típica.

Mas Zuckerberg não apresentou ainda uma reflexão sobre como ele influenciou a maneira como americanos viram a campanha eleitoral e seu impacto foi positivo para o processo democrático. Magnatas da mídia ao longo da história, como William Randolph Hearst e Rupert Murdoch, vem tentando dominar a política. E se orgulharam desse poder.

Mas Mark Zuckerberg parece determinado a fingir que ele não é nem mais nem menos influente que qualquer uma das 1,6 bilhão de pessoas que são suas “leitoras”.

E que nos últimos dias viram o mundo mudar.
Rory Cellan-Jones/BBC

Eleições 2017: Platão, Rousseau, Marx e o Bode Ioiô

Assisti o último dia de propaganda política – lembrem-se; não é grátis. Nós que pagamos, pois as emissoras abatem o valor da exibição no IR – , espantado, e, compungido, com as apresentações dos diversos candidatos a Prefeito dessa infelicitada Fortaleza.

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Alvíssaras! Estamos salvos!

Os pretendentes à ex-celências – a exemplo das já ficcionais publicidades oficiais que nos bombardeiam, e esbanjam nossos impostos com delícias existenciais que nem a mítica Shangrilá possuía – , também nos acenam, os candidatos, à pantomima de outubro, com o paraíso na taba dos Alencares.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

De educação em padrões Suíços, a hospitais para humilhar Suecos, tudo será
possível. Penso em convencer meus filhos a abandonarem a “paleolítica” vida na Europa, e voltarem a habitar sob os coqueirais que um dia sombrearam o romance entre Ceci
e Peri.

Também eu, com tantos corredores exclusivos, ciclovias e ônibus fabricados pela RollsRoyce, penso seriamente em vender meu prosaico Ford K 2008, e desfrutar da fantástica mobilidade urbana que brotará da canetada do eleito.

Continuo afirmando que não há diferença entre partidos e candidatos. É uma grande, enorme, descomunal ópera bufa. A elite informada e a mídia, que oscila entre o parcial e o venal – saliento aqui, contudo, que não existe lei em nosso ordenamento jurídico que obrigue a nenhum órgão de imprensa ser imparcial – sabem disso.

Assim mantêm essa alternância entre os mesmos, locupletam-se nas concorrências, e esbravejam indignação nos convescotes sociais.

Agora que o PT foi obrigado a largar o osso, em quem irão colocar a culpa? Ou pensam que acabarão os Arrudas, Demóstenes e os Eduardo Azeredos – esse o criador do mensalão mineiro, apeado da presidência do PSDB por primeiro usuário do Marcos Valério? – ou os velhos, novos e novíssimos coronéis? E há um que fala em “faremos uma nova política”!
Hahaha! O cara é apoiado por dois dos atuais “coroneizões”!

Pelo que eu saiba, o bom Samaritano ficou na poeira bíblica. Não os há mais.
Àquela época não havia clonagem. E Irmã Dulce, Madre Tereza e/ou Frei Damião, jamais se dariam ao emporcalhamento.

Mas estou aí para a política.

É da minha natureza enfrentar moinhos, e não, aproveitá-los somente a brisa. Com podem ler constantemente em meus ‘posts’ nos blogs e em redes sociais, “resistir é preciso”. O PT foi apenas a cambada da hora, foi, e é?, – veremos – o espelho do momento. Eu caminho entre farsas, ancestralmente desde o Baile da Ilha Fiscal patrocinado pela família imperial(sic) brasileira à época.

De Rousseau, com seu farsesco ‘Contrato Social’, aos candidatos à Prefeitura de Fortaleza, são todos mentirosos, prometendo o que sabem que não entregarão, despidos de compromissos com o povo, e imbuídos tão somente em realizarem seus próprios interesses, e retribuírem os financiamentos recebidos para suas eleições.

Lamento pelos que, não faço juízo de valor dos motivos que os impulsionam, pensam, ou melhor acreditam, defendem e propagam, que existe somente a dicotomia entre o claro e o escuro.

Todos, de Platão, com sua monumental, e literalmente, platônica defesa do homem
cordial, a Marx, autor da surrealista ficção da possibilidade da existência de um coletivismo produtivo; de Adam Smith – esse parece não ter lido “O Mercador de Veneza” de Shakespeare, caso contrário sua obra “A História da Riqueza das Nações”seria mais realista e menos pragmática – , à “Mademoiselle Lagarde” são falaciosos, para ficar em um adjetivo mais ameno.

Karl Marx, em 18 de Brumário, 1852, livro escrito para explicar o golpe de Estado dado por Luis Napoleão, sobrinho do velho Napoleão, cita Hegel quando este afirma que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E acrescenta a sua famosa frase: “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Herbert Marcuse arremata para concluir que a repetição de um evento como farsa pode ser ainda mais terrível do que a tragédia original.

Bode Ioiô é a opção menos cínica.

Eleições 2012 – a perpetuação da farsa, da mentira e da pantomima

Para poder criticar assisto à pantomima que é conhecida como “propaganda eleitoral gratuita”. Gratuita é o… Bom, deixa pra lá.

Pois bem, mas, pro mal, claro, em Fortaleza, Ce., um dos fantoches teve direito de resposta por conta de ter publicado uma entrevista de um candidato derrotado. A época foi um alarido danado dos iracundos – como a mídia, Facebook incluso, pendem para um lado! – mas agora, silêncio!

Quando do alarido orgástico em função de que um dos fantoches havia entrado na justiça contra o outro, escrevi aqui que seria inútil, pois era a reprodução de uma entrevista pública, e, portando, de domínio público. Entre perdas e perdas, os dois fantoches continuam prometendo o Éden.

O médico prometeu que fará 80 creches. Isso mesmo OITENTA CRECHES! Em quatro anos, sua ex-celência está garantindo aos abestados habitantes da Taba dos Alencares que construirá 20 creches a cada ano. Façam as contas e vejam quantos dias para fazer cada uma. Eu acredito.

Tanto é assim que estou anotando pra cobrar depois.


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Eleições 2012: PSDB têm candidatos mais ricos

O que puxa a média dos tucanos para cima é o patrimônio declarado por seus candidatos a vereador.

Se suas declarações de bens estiverem corretas, os políticos do PSDB que disputam as eleições municipais de 2012 são, na média, os mais ricos do país. Seus cerca de 36 mil candidatos têm um patrimônio somado de R$ 7 bilhões, ou R$ 196 mil por candidato.

Essa taxa per capita dos tucanos é 46% mais alta do que a média geral de todos os partidos. É também 57% maior na comparação com os bens declarados pelos seus rivais do PT.

Ele totaliza R$ 5 bilhões, ou R$ 152 mil por candidato, o que é 47% maior do que a média geral. Porém esse número pode estar artificialmente inflado por erros nas declarações de bens de alguns tucanos. Isso não acontece entre os candidatos a prefeito do partido, e o seu patrimônio médio fica apenas 10% acima do dos outros partidos.

O mais “rico” candidato a vereador pelo PSDB é o pastor Waldeci Ferreira, da Assembleia de Deus, que tenta voltar a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia (GO). Ele declarou à Justiça eleitoral que sua fazenda de 40 alqueires em Morro Agudo de Goiás vale R$ 600 milhões. Seria o hectare de terra mais caro do Brasil, talvez do mundo: R$ 6,2 milhões.

Assim como o pastor Waldeci, pelo menos outros quatro candidatos a vereador tucanos parecem ter digitado três zeros a mais em um de seus bens, elevando seu valor às centenas de milhões. São casas, sítios, apartamentos e terrenos que, segundo as declarações, valeriam até R$ 500 milhões cada um.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Se fossem excluídos os zeros adicionais da conta, a riqueza dos candidatos tucanos a vereador cairia à média dos outros partidos. Mas eventuais correções só podem ser feitas pelos próprios candidatos, e devem ser formalizadas junto a um cartório eleitoral.

Enquanto isso, vale o que está registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral.

Os possíveis zeros a mais no valor de bens declarados não são exclusividade do PSDB. Candidatos a vereador do PMDB, PSL, PV, PTB, PC do B, PSB, PDT e PT parecem também ter se confundido ao preencer as declarações para o TSE. Outro pastor, este do PPS, declarou uma kombi por R$ 199 milhões. São tantos erros aparentes que, acertadas as contas, o PSDB poderia até voltar ao topo do ranking da riqueza por candidato.

As declarações de bens dos candidatos a prefeito são menos exageradas. Examinando-se o patrimônio dos mais ricos é mais difícil encontrar valores estranhamente altos -apenas três ou quatro fogem escandalosamente à média, e nenhum deles é tucano. Entre os que disputam prefeituras, há mais erros aparentes (para cima) em declarações de petistas. Como o apartamento de R$ 586 milhões do candidato a prefeito de Verdejante (PE).

O PDT é o partido com a mais alta média de patrimônio de candidatos a prefeito: R$ 1,314 milhão por cabeça. Ela é puxada para cima por um candidato apenas, Otaviano Pivetta, um dos dois Pivettas que concorrem à Prefeitura de Lucas do Rio Verde (MT). Os R$ 321 milhões declarados pelo empresário do agronegócio não são miragem estatística. Excluídas as aberrações, ele é o mais rico dos 464.658 candidatos que vão às urnas em outubro.

O PP aparece em segundo lugar no ranking partidário dos patrimônios dos candidatos a prefeito, com média de R$ 1,266 milhão. Mas, ao contrário do PDT, essa taxa é inflacionada por um possível erro de declaração. Concorrente à Prefeitura de Vitória do Xingu (PA), Sebastião Pretinho Ferreira da Silva declarou que sua fazenda de 1 mil hectares vale R$ 500 milhões -menos de 1/10 do valor do hectare do Pastor Waldeci, mas ainda assim, um hectare muito caro.

O PSDB é o terceiro colocado no ranking da riqueza dos prefeitos, com média de R$ 888 mil. É 11% maior do que a do PT. Mas nenhum tucano parece ter errado na conta, pelo menos na casa dos milhões. Os R$ 86 milhões de Jales Fontoura (Goianésia-GO) e os R$ 60 milhões de João Andrade (Pitangueiras-SP) são oriundos de participações em grandes empresas. Em compensação, dois petistas parecem ter acrescido zeros a mais em seus bens.

Mesmo assim, o patrimônio declarado dos tucanos cresceu proporcionalmente mais do que o dos petistas nos últimos quatro anos. Em comparação à eleição de prefeitos de 2008, a média do PSDB aumentou 16% acima da inflação, enquanto a do PT cresceu 9% além do INPC do período. Nada menos do que 18 candidatos a prefeito do PSDB têm patrimônio declarado superior a R$ 10 milhões, contra 7 do PT -dois quais dois parecem conter erros.
JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO/AMANDA ROSSI/Estadão

Tópicos do dia – 17/07/2012

08:41:44
Defesa de Delúbio repete: mensalão não existiu.

A defesa de Delúbio Soares entregou aos ministros do STF um memorial contendo a síntese da defesa do ex-tesoureiro do PT. Na peça, os advogados sustentam que o mensalão não existiu. Repisam a tecla segundo a qual o que houve em 2005 foi o pagamento de dívidas de campanhas do PT e de aliados.

Datado de 28 de junho, o documento é subscrito pelos advogados Arnaldo Malheiros filho e Celso Sanchez Vilardi. A dupla anota a certa altura: “Os repasses de valores questionados pela acusação tiveram como única finalidade o pagamento de despesas decorrentes de campanhas eleitorais, tanto dos diretórios estaduais do partido dos trabalhadores, quanto dos partidos que integravam a chamada base aliada.”

Nessa versão, já esmigalhada na CPI dos Correios, no inquérito da Polícia Federal e na denúncia da Procuradoria Geral da República, “o dinheiro utilizado para pagamento de dívidas de campanha foi obtido por meio de empréstimos, junto ao Banco Rural e ao banco BMG.” Empréstimos que, segundo a defesa, “o Banco Central teve a oportunidade de confirmar.”

A defesa do ex-gestor das arcas petistas e ex-parceiro do provedor Marcos Valério acrescenta: “…Não há nenhuma relação entre o repasse do dinheiro e o apoio ao governo, o que desnatura o falacioso ‘mensalão’.” Sob a alegação de que não há provas contra Delúbio, os advogados pedem que ele seja “absolvido das acusações de corrupção ativa e formação de quadrilha.”

Agora está explicado o que Delúbio quis dizer quando afirmou: as denúncias “serão esclarecidas, esquecidas e acabarão virando piada de salão.” Resta agora saber com que cara o STF pretende comparecer à anedota. O julgamento começa no dia 2 de agosto.
blog Josias de Souza

11:38:48
Eleições 2012 – Campanhas eleitorais.

É a Hora do Óleo de Peroba, ou o “enrolation blá,blá,blá”.
Já vivi o bastante para abandonar o otimismo, próprio dos que ignoram a realidade. Testemunho a destruição de terra arrasada que a cidade sofre, e sofreu, há tempos. Não há a menor possibilidade de eu acreditar que quaisquer dessas porcarias, postas como salvadores, irá fazer coisa alguma pelo povo e pela cidade. De onde vem o dinheiro pras campanhas? Quem tem mais de 2 neurônios, o sabe. Então o mandato será para retribuir as doações.
Quando a idade avança vc descobre que a juventude é um campo propício para o cultivo de utopias. E aí, o cacete irá descer bem no seu “quengo”.

Não fará, a mim, a menor diferença qual dos inúteis seja eleito. Todos comprometidos com alianças as mais estaparfudias. Nenhuma boa vontade poderá se opor ao poder dos vereadores, e muito menos aos financiadores das campanhas. Nenhum político brasileiro, desde Deodoro, teve o menor compromisso real com a população brasileira. Enquanto houver pessoas morrendo nos corredores dos hospitais, e banheiros de escolas públicas envergonhando pocilgas, não terei nenhuma condescendência com nenhum candidato seja de qual partido ou a que cargo pretenda se eleger. E será tarde.
Sou assim mesmo, um desmanchador de sonhos. Schopenhauer é otimista em matéria de pessimismo frente a mim.

12:11:30
Reforma do Código Penal

Senado: reforma do Código Penal será prioridade após o recesso parlamentar.
Após o recesso parlamentar, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado dará prioridade para o anteprojeto de reforma do Código Penal.  O anúncio foi dado na última quinta-feira (12) pelo presidente da CCJ, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que poderá presidir a comissão especial. Apesar de a escolha dos demais membros ainda estar indefinida, Eunício pretende contar com a colaboração dos senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP), Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e Pedro Taques (PDT-MT) nesse trabalho, caso sua indicação seja confirmada.
coluna Claudio Humberto

16:36:07
Templo é dinheiro

A 11ª Câmara Cível do Rio condenou a Convenção de Ministros e Igrejas Evangélicas a indenizar em R$ 15 mil três fiéis que deram R$ 2 mil, cada, à campanha Muito Mais Que um Projeto, Uma Expressão de Amor em troca de vantagens não cumpridas. A Justiça entendeu se tratar de “propaganda enganosa”.
Ancelmo Goes/O Globo

17:50:36
Garotinho, para encalacrar Sérgio Cabral, entrega 68 quilos de documentos à CPI do Cachoeira.

Ele afirma que o material comprova o envolvimento de Sérgio Cabral com a Delta.
O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) levou ao plenário da Câmara nesta terça-feira 68 quilos de documentos que, segundo ele, comprovam o suposto envolvimento do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), com a construtora Delta. A pilha de papéis de quase um metro e meio foi repassada ao deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) para ser disponibilizada à CPI do Cachoeira. Leia mais aqui
Ailton de Freita e Adriana Mendes/O Globo


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Eleições: Maiores multinacionais do planeta não divulgam doações políticas

Um relatório da organização Transparência Internacional revelou que mais da metade das 105 maiores empresas multinacionais do planeta não são transparentes em relação à doações para campanhas políticas.

O estudo, divulgado nesta terça-feira, analisou as políticas anticorrupção adotadas e tornadas públicas pelas multinacionais.

Também foram estudados o grau de transparência organizacional e de divulgação de dados financeiros sobre suas subsidiárias e filiais.

Apenas 26 das 105 multinacionais obtiveram nota máxima em matéria de divulgação de doações de campanha. Outras 23, diz o estudo, só parcialmente tornam essas informações públicas.

A grande maioria, por outro lado, toma medidas como a adoção de canais confidenciais para denúncias de corrupção (85) e proibição de retaliações contra denunciantes (84).

Apesar das deficiências, o relatório “Transparência na relação Corporativa: Avaliando as Maiores Companhias do Mundo” identificou melhora na divulgação de políticas anticorrupção.

Em uma escala na qual 100% significa transparência total, em média, as multinacionais subiram de 47% em 2009 (data do relatório anterior) para 68% atualmente.

A organização diz, porém, que a publicação de programas anticorrupção não garante que as multinacionais os cumpram integralmente.

A Transparência Internacional afirma ainda que as grandes multinacionais precisam ser mais transparentes. Segundo Corbus de Swardt, diretor da entidade, elas continuam sendo “uma parte importante do problema da corrupção no mundo” e por isso devem participar das soluções.

A organização sugere que subsídios de exportação e contratos públicos concedidos às empresas sejam vinculados por governos a políticas de combate à corrupção. Investidores, por sua vez, deveriam exigir padrões éticos e políticas de crescimento sustentável das multinacionais.

Ranking
As 105 multinacionais pesquisadas foram escolhidas por meio da lista das maiores empresas do mundo divulgada pela revista americana de finanças Forbes em 2010.

Juntas elas valem mais de US$ 11 trilhões (R$ 22 trilhões) e estão presentes em 200 países. Ao menos 77 delas tinham negócios no Brasil no ano passado, quando os dados foram compilados.

1º – Statoil (Noruega)
2º – Rio Tinto (Reino Unido/Austrália) e BHP Billiton (Austrália (Reino Unido)
3º – ArcelorMittal (Luxemburgo)
21º – Bradesco (Brasil)
22º – Petrobras (Brasil)
45º – Banco da China (China)

A maioria das companhias avaliadas (24) eram instituições financeiras – que, em bloco, foram consideradas as menos transparentes – , petroleiras (17), redes varejistas (17), empresas ligadas à saúde (11) e de tecnologia (11).

A Transparência Internacional elaborou um ranking das empresas mais transparentes em relação a políticas anticorrupção, divulgação de dados sobre holdings e subsidiárias em diversos países e detalhamento de operações financeiras nessas nações.

A empresa melhor colocada foi a petroleira norueguesa Statoil, com nota 8,3. Ela foi seguida pela Rio Tinto e pela BHP Billiton ambas de nacionalidades britânica e australiana e que tiveram nota 7,2.
As piores notas (1,7 e 1,1) foram atribuídas respectivamente à empresas chinesas Banco da China e Banco de Comunicações.

Multinacionais de alto valor de mercado ficaram em posições intermediárias no ranking da entidade. Entre elas a a ExxonMobil (US$ 308 bilhões) em 7º, a PetroChina (US$ 333 bilhões) em 28º, e a Microsoft (US$ 254 bilhões) em 34º.

Brasileiras
Apenas três brasileiras entraram na lista: Bradesco (nota 4,8), em 21º lugar, e Vale e Petrobras, empatadas em 22º com nota 4,7.

Delas, só a Petrobras teve seus níveis de transparência discriminados em uma avaliação da transparência Internacional de 2009 – possibilitando comparação com os dados atuais.

A porcentagem de transparência da petroleira brasileira em relação a políticas anticorrupção subiu de 64% para 92% no período.

Contudo, sua porcentagem em relação à existência de holdings, filiais e subsidiárias no exterior caiu de 69% para 50%.

A transparência nesse quesito, segundo a entidade, ajuda no combate à corrupção porque permite que a sociedade fiscalize as operações da empresa e até rastreie seus fluxos financeiros nos diversos países em que atua.

Das 105 avaliadas, só 45 multinacionais obtiveram porcentagem máxima de transparência nessa transparência organizacional.

A porcentagem de transparência da Petrobras também caiu de 18% para 0% em relação ao detalhamento de operações financeiras discriminadas por país nos quais atua.

A avaliação desse quesito, chamado pela organização de “país por país”, é feita por meio da divulgação de informações financeiras a respeito de receitas, despesas, lucros líquidos e contribuições para comunidades locais.

Nele, a maioria das multinacionais avaliadas teve desempenho ruim.

A melhor colocada, a Statoil, obteve apenas 50% de transparência. A pontuação média foi de 4%. O Bradesco também obteve 0% e a Vale ficou com 4,9%.
BBC

Eleições 2014: Aécio tem que pedir a unção do tucanato paulista

Ao incentivar uma coligação entre o PSDB e o PMDB, em torno da Prefeitura da cidade de São Paulo nas urnas de 2012, o senador Aécio Neves jogou um lance de dados em torno de sua candidatura ao Planalto na sucessão presidencial de 2014. Sem dúvida. Ele inclui em sua estratégia o esforço para derrotar Fernando Haddad, candidato do PT, que constituiria uma etapa para abalar a força da liderança exercida pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma Roussef. É vital para a oposição. Não só a capital paulista, mas também as prefeituras do Rio e Belo Horizonte.

Em Minas, Aécio testará a força de sua base. No Rio, uma incógnita. O PSDB deve concorrer com o deputado Otávio Leite, mas é quase impossível firmar uma aliança viável. Eduardo Paes, com apoio do governador Sergio Cabral, parte buscando a reeleição, desta vez tendo a seu lado um vice indicado pelo PT, Adilson Pires.

Uma corrente do Partido dos Trabalhadores reagiu contrariamente, pensando certamente que uma vitória de Sergio Cabral dificultará a candidatura Lindberg Farias ao governo estadual daqui a três anos. Porém mesmo que haja uma cisão no PT, esta não poderá fortalecer o PSDB. Assim, em termos de Aécio Neves, qualquer desfecho não o beneficiará. O confronto cinge-se ao PMDB e ao PT.

Para o ex-governador mineiro, inclusive, o crescimento do PT no RJ o atrapalhará até mais, em 2014, do que uma eventual vitória de Paes em 2012. Se o PT embalar no Rio, melhor será para a reeleição de Dilma Roussef. Portanto pior para ele próprio, Aécio, que precisa vencer em Belo Horizonte.

O principal oponente será o candidato do PT, talvez Patrus Ananias, que perdeu em 2010 a prévia partidária quanto a vaga do Senado, para Fernando Pimentel. Nas urnas, venceram Aécio e Itamar Franco. Em São Paulo, Aécio Neves ataca o PT. Em Minas é atacado por ele. Assim, enquanto uma névoa de indefinição envolve Rio e Belo Horizonte, uma onda de afirmação de liderança petista estará em disputa na capital do Estado de São Paulo. Isso porque a repercussão do resultado será enorme.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Afinal de contas, o ministro Fernando Haddad é um candidato imposto à legenda pelo comando de Lula. As prévias partidárias, que ele afastou de cogitação, tendiam para a senadora Marta Suplicy, obrigada pelas circunstâncias a retirar-se da disputa. Mas, de fato, ainda não definitivamente. Ela joga com a hipótese de Haddad não decolar como figura de salvação para o PT e de forte importância para a própria Dilma Roussef quando enfrentar o episódio de sua própria sucessão.

A reportagem de Cátia Seabra e Daniela Lima, Folha de São Paulo de sexta-feira 23, destacou bem a articulação desencadeada pelo senador Aécio Neves. A foto que acompanha o texto é de Lula Marques. Aécio, ao mesmo tempo em que incentiva Gabriel Chalita, deixa uma porta aberta para José Serra, uma vez que a candidatura deste deixará para ele o caminho do PSDB totalmente aberto.

O senador mineiro, neste caso, seria o único nome de que a oposição pode dispor. Para Aécio, o ideal seria uma chapa Serra/Chalita, este vice. Mas esta perspectiva não parece interessar ao deputado mais votado do PMDB paulista. Que teria ele a ganhar conquistando a vice? Nada. Teria acrescentado para José Serra e Aécio, distanciando-se em consequência do governo federal.

Para Chalita, no fundo, só a candidatura a prefeito pode interessar. Aécio, sem dúvida, conta com esta hipótese, porém ainda não pode defendê-la enquanto Serra não se definir concreta e totalmente quanto a vir novamente disputar o posto. Estratégico para outubro de 2014. Uma alvorada política para o futuro próximo. Sob a ótica de análise de hoje. Amanhã pode ser diferente. Este é o risco dos comentários e comentaristas.
Pedro do Coutto/Tribuna da Imprensa

Dilma Rousseff recebeu doação milionária de concessionária de serviços públicos

Não escapa ninguém. Toda eleição se repetem as, se não ilegais, pelo menos amorais doações de empreiteiras e afins, para “forrar o caixa de candidatos a cargo políticos.

Aos Tupiniquins não interessa o valor nem a qual partido a “desinteressada” doação foi feita.

A realidade é que dos emplumados e pseudo-vestais tucanos, passando pelos iracundos moralistas do DEMO até aos contumazes malfeitores petistas, toda a corja está atolada até o pescoço na indecência.

No Brasil, os ‘Marcos Valérios’  “estão na área” desde Pedro Álvares Cabral.

O Editor


Concessionária doou R$ 5 milhões para campanha de Dilma

A UTC Engenharia, detentora de duas concessões da União para exploração de petróleo, doou R$ 21 milhões a candidatos e partidos nas últimas eleições, dos quais R$ 5 milhões para a campanha de Dilma Rousseff (PT).

Ela foi a quarta maior doadora do comitê, que recolheu R$ 135 milhões. O candidato derrotado José Serra (PSDB) recebeu R$ 750 mil da mesma empresa.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Procuradoria acusa Alckmin de receber doação irregular de R$ 700 mil

Concessionárias doam R$ 24 milhões à campanha de Dilma

A Procuradoria da República de São Paulo representou anteontem na Justiça Eleitoral contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para pedir a cassação do mandato do político com base numa doação de R$ 700 mil feita pela mesma UTC.

Para o órgão, as doações da empresa são ilegais.

O procurador da República Pedro Barbosa se valeu do artigo 24 da Lei Eleitoral, que veda doações de “concessionário ou permissionário de serviço público”.

Barbosa não tratou das campanhas de Dilma e Serra porque a competência para apontar possíveis irregularidades no pleito presidencial não cabe a ele, mas à Procuradoria-Geral da República.

Questionada se haverá um pedido de averiguação sobre os dois casos, a PGR não respondeu até a conclusão desta edição.

A UTC afirmou ontem que, com base em decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), não é prestadora ou concessionária de serviço público. Segundo a empresa, a exploração de petróleo não se encaixa nessa definição.

A reportagem apurou que, caso o assunto seja levado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o centro da discussão será definir se a exploração de petróleo é ou não concessão de serviço público.

Ministros citaram que tribunais regionais eleitorais, nos Estados, têm tomado decisões conflitantes sobre o assunto, mas caso semelhante nunca foi apreciado pelo plenário do TSE.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo) confirmou que a UTC é concessionária de dois blocos exploratórios de petróleo nas bacias Potiguar, perto de Mossoró (RN), e Rio do Peixe (PB).

A UTC foi uma das maiores doadoras das últimas eleições. Candidatos do PT foram os mais bem servidos, com R$ 11,6 milhões, seguidos pelos candidatos do PSDB, com R$ 2,32 milhões.

No total, a UTC doou R$ 17,2 milhões a partidos da base aliada do governo, contra R$ 3,72 milhões de candidatos de partidos da oposição (veja quadro ao lado).

A UTC é também prestadora de serviços da Petrobras. Entre 2005 e 2010, fechou contratos de R$ 1,5 bilhão com a petroleira.

Em maio, a Folha revelou que a UTC pagou, entre junho e dezembro de 2009, uma mesada de R$ 150 mil para o PT-SP, num total de R$ 1,2 milhão.

As últimas eleições representaram um salto das doações da empresa. De R$ 1 milhão, em 2002, para R$ 3 milhões em 2006, a maior parte para o PT, incluindo Lula.

Em 2008, a UTC doou R$ 1,73 milhão para ACM Neto, candidato derrotado à Prefeitura de Salvador (BA).

OUTRO LADO

A UTC afirmou ontem que não está impedida legalmente de fazer doações a campanhas eleitorais.

A empresa cita decisão do STF, de 2007, em julgamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, que considerou a atividade de exploração de petróleo e gás natural “não como uma prestação de serviço público, mas sim uma atividade econômica em sentido estrito”.

“Portanto, por não prestar serviço público, não há qualquer impedimento para a UTC Engenharia contribuir com o processo político”, informou a empresa, em nota.

A assessoria do Palácio do Planalto não se manifestou sobre a doação à campanha de Dilma, pois não havia recebido questionamento da Procuradoria-Geral da República sobre o assunto.

Em nota, o PSDB-SP disse que as doações ao comitê de Geraldo Alckmin são legais. Disse que a UTC “não é uma concessionária ou permissionária de serviços públicos” e que isso torna suas contribuições “legítimas” e “em consonância com a legislação”.

A assessoria de José Serra, procurada, não foi localizada. A assessoria do governo da BA não respondeu até a conclusão da edição.

Rubens Valente, Felipe Seligman/ Folha de S.Paulo