Arnaldo Jabor: O ódio do bobo da corte

A desconstrução científica da dialética de boutique do pornógrafo da Embrafilme, de repente, e não mais que de repente, transformado em vestal, hipócrita, da neomoralidade, e, pasmem, referência, furada para regras de comportamento.

Dos bares pseudo intelectuais dos alcoólatras de Ipanema para as câmeras de uma televisão comprometida e enlameada até o pescoço com dívidas monumentais e dependência amoral das verbas publicitárias estatais.

O Editor


O ódio do Bobo da Corte
por Francisco Barreira

Arnaldo Jabor não chega a ter o brilho de um Nelson Rodrigues ou de um Carlos Lacerda, mas defende bem o script da Direita Brasileira, fazendo-se de bobo da Corte Global o que lhe permite dizer qualquer coisa, por conta da irreverência.

Não é que o pobre Jabor e a acanalhada Direita Brasileira odeiem o Lula pelo que ele é. O ódio é pelo que Lula representa E ele representa o Brasil que finalmente deu certo.

O mulato que não acha importante falar inglês (já houve tempo que parecia que não poderíamos respirar se não falássemos francês) e não vive animalescamente, apenas para um dia levar seus pobres rebentos à Disney Word, fazendo, de passagem, suas comprinhas em Miami.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Um mulato boêmio, malemolente, que não acha tanta graça assim nesses Beatles, e não sabe o que é é Pop.

E o que é Pop? Mulato empreendedor e indomável que construiu uma das maiores, mais generosas e respeitadas potências do Planeta.

Um mestiço sem raça, graças a Deus, e que troca esse tal de Sting (o que é Sting?) pela Calcinha Preta devidamente misturada com o Luar do Sertão.

Há noventa anos, Lima Barreto, um dos maiores escritores brasileiros, internou-se num hospital para tratamento de doenças mentais que existe até hoje no Engenho de Dentro (Rio).

O médico que o atendeu uma anta preconceituosa de classe média, igualzinha à que existe até hoje e que poderia chamar-se Jabor, escreveu na ficha:

“Mulato, alcoólatra, aparentes quarenta anos. Diz que é escritor”.

E Jabor, aquele médico preconceituoso atualizado, descreve Lula: mulato, cachaceiro, malemolente, pensa que é estadista e que vai continuar influindo.

E vaticina: “Nada disso, Lula. Vá para casa e tome sua pinguinha serena, ao lado de dona Marisa”.

O coitado do Jabor, como o médico idiota que examinou Lima Barreto, não consegue ver que Lula é estadista sim e não vai para casa, não.

Vai continuar influindo e viajado pelo País, pelo Mundo e, principalmente, pela América Sul, onde consolidará aquilo que transformou-se no verdadeiro projeto de sua vida: a construção da União Sul-Americana, a Pátria Grande.

Jabor, Lacerda e Nelson Rodrigues não entendem isso.

Não entendem que o Brasil e esse mulato sem curso superior podem dar certo.

Eles e nossa ridícula classe média alienada carregam a herança cultural dos senhores de engenho e dos fazendeirões do café.

Seu raciocínio síntese é o do “complexo de vira lata”. Mas eles se colocam fora disso. Acham que o complexo é só da negrada e dos mestiços sem rumo e sem prumo na vida.

Eles não, eles se consideram iguais aos europeus e americanos: vestem a mesma roupa, comem a mesma comida e curtem a mesma música.

Entretanto, no fundo, eles são vassalos e, como diz o Chico Buarque, falam grosso com os bolivianos e fino com os americanos. Gentinha da pior qualidade.

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Crônicas da modernidade – O que a mídia não vê.

Há sim, no país, uma revolução silenciosa em curso. Enorme, nunca vista e nunca imaginada.
Por Fernand Alphen –
falphen@fnazca.com.br
Diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da F/Nazca S&S


Deu na ilustrada que saiu dia 21/07: a banda mais popular do Brasil não tem gravadora, não está na lista das mais vendidas oficiais, não é hit das rádios FM e só recentemente apareceu na TV. Ela se chama Banda Calypso.
“Ah sim, claro, eu conheço! É aquele grupo que faz a tal da música Brega, sei sei!”.


Novela das oito, audiência alta, em todas as camadas sociais, regiões e idades. Qual é a música de abertura? Maria Bethânia cantando Copacabana.
“Claro, a grande estrela da música popular brasileira cantando o grande sucesso imortal!”


Não me interessa analisar a música da Calypso ou dos outros que compõem a maior fatia do PIB musical brasileiro (Bruno e Marrone, Zezé di Camargo e Luciano, Calcinha Preta, Aviões do Forró, Roberto Carlos, etc).
Também não me interessa avaliar a cantoria da Bethânia ou de qualquer outro monstro sagrado brasileiro. Mas algumas palavras da segunda interjeição chamam a atenção: “popular” e “sucesso”. Maria Bethânia é popular? Copacabana é sucesso?


Não é o que essa pesquisa diz. Não é o que se vê na real, na rua, nos shows, no gigantesco intercâmbio (já que não se pode propriamente falar de comércio) de música popular brasileira. Maria Bethânia não é popular e tampouco Copacabana é sucesso.


Onde é que a mídia se inspira portanto? Quem é que a mídia atinge? Contradição: a mídia se inspira de sua vetusta discoteca e atinge a população que não compra mais discos da Bethânia há décadas. Nem dela nem de ninguém.


Enquanto isso, nas redações londrinas dos jornais brasileiros, a crítica despreza os fenômenos populares ou os julga com velados preconceitos. Enquanto isso, nos departamentos de marketing americanos das empresas brasileiras, os executivos copiam eventos internacionais e trazem astros para suas “experiências de marca” no Brasil.


Enquanto isso, nas criações holandesas ou argentinas das agências brasileiras, os profissionais escolhem os topos das listas como garotos propaganda ou compõem jingles medievais para martelar o consumidor “tapado, burro e primitivo”.


Enquanto isso, a população segue ouvindo – e adorando – a banda Calypso.
Tem algo de errado. Deve haver alguma coisa muita errada. E agora opinando: errados somos nós, não o povo.


Há sim, no país, uma revolução silenciosa em curso. Enorme, nunca vista e nunca imaginada. Uma revolução que desestabiliza as estruturas, sociais, jurídicas, culturais, econômicas. Uma revolução que é “A” saída para a injustiça social perversa do país.


Uma revolução que traz exemplos brilhantes, ícones sagrados, como o Chimbinha da Banda Calypso, ontem vendedor de peixe na feira no Pará, e que conseguiu romper todas as barreiras, sem mecenas, sem crítica, sem padrinho político, sem propaganda tradicional, sem mídia. Com seu talento, suas intuições, sua inteligência e sua fé.


E como eles, muitos outros, milhares, quem sabe milhões, que trabalham, sobrevivem, têm sucesso, nessa “margem” hoje muito maior e mais produtiva do que o centro alienígena ocupado pela mídia, pelas marcas e agências de propaganda.