A Guerra Híbrida, a manipulação da informação e a perda da soberania pela catequese nas redes sociais

Faço mais um volteio nos portais da “grande mídia” e nas redes sociais, inclusive nos perfis pago aos acólitos.

Na totalidade as matérias estão totalmente fora da realidade: esse povo que escreve essas matérias vive numa “bolha”. Isso não é jornalismo. Isso é propaganda.

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Por isso que eles têm perdido audiência de forma massiva, e por isso que a mídia alternaltiva explodiu.

Eles foram engolidos pela mídia alternativa; e a prova é a votação do ‘Brexit‘ e do Trumpete. Esse último ciclo eleitoral terminou de fechar o caixão: pode mandar enterrar.

A maioria das matérias sobre as eleições do Trumpete tem a BBC como fonte. E a BBC só tem credibilidade entre os desavisados.

A BBC é controlada pelos Rothschilds e pela famílias real britânica: isso já diz tudo! É só propaganda.

Os caras – os pagos e/ou os amestrados, escrevem como se o Facebook não fosse totalmente parcial. O Facebook é só mais uma ferramenta de manipulação da massa: o algorítimo é totalmente controlado para favorecer um “plano” predeterminado; tudo controlado pelo “governo paralelo”.

O algorítimo promove certos assuntos, e censura outros; “todo mundo” que volteia pelas mídias alternativas, já sabe disso.

Aí fica esse povo escrevendo essas matérias dentro dessa “bolha”: por isso mesmo que erraram todas as previsões de intenção de voto do Brexit e do Trumpete.

E a maior parte do eleitorado do Trumpete nem usa o Facebook: a turma usa os fóruns de discussão dos sites alternativos. O Facebook é um gueto digital. É só mais uma “bolha”.

Enquanto o sujeito não entender que tem um “governo paralelo” controlando a massa, vai ficar acreditando nessa mídia falsária e manipuladora. A BBC não passa de mais uma ferramenta de manipulação da massa.

O presidente Kennedy já havia avisado sobre o “governo paralelo”. O presidente Eisenhower também: ele alertou sobre o “governo paralelo” no discurso dele de despedida, no encerramento do mandato dele.

A gente está vivendo no ápice da era da “guerra da informação”.

É a Guerra híbrida a todo vapor.

Trump e o fantasma da globalização

Entre os temores decorrentes do resultado da eleição presidencial nos EUA está a oposição do candidato vencedor à globalização e ao livre-comércio.

Donald Trump durante campanha eleitoralCampanha de candidato republicano foi marcada por retórica antiglobalização

Um dos motivos por que Donald Trump venceu a disputa pela Casa Branca foi ter conquistado para si a classe média frustrada – o assim chamado angry white man (homem branco zangado).

A era Trump trará de volta o provincianismo econômico?

Muitos de seus discursos foram marcados por uma acirrada retórica antiglobalização. Ele colocou em questão a cooperação econômica com outros países; disse que pretende renegociar acordos de livre-comércio como o Nafta e impedir que o TTIP, com a União Europeia (UE), sequer se realize. E não só: ele também pretende trazer de volta para os Estados Unidos os postos de trabalho transferidos para a China.
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Palavras de ordem desse gênero encontram ressonância, sobretudo, entre a classe média branca. Enquanto os ricos ficavam cada vez mais ricos, também graças às interconexões mundiais, a globalização não trouxe maior prosperidade à classe média.

Para os operários do Rust Belt (cinturão da ferrugem), uma antes próspera região industrial do nordeste americano, é cada vez mais difícil garantir a subsistência. Isso, apesar de manterem vários empregos – mas que são mal pagos. Trump responsabiliza a globalização e o livre-comércio por tais desníveis sociais.

Antiglobalização, um instrumento do populismo contemporâneo

Os estereótipos de inimigos contam entre os instrumentos principais no repertório de um populista. Eles promovem identidade e coesão, desviando a atenção do próprio fracasso. Judeus, muçulmanos, bolcheviques, sionistas, americanos, social-democratas: sempre houve estereótipos hostis de que os populistas se servissem.

Hoje há outro inimigo em curso: a globalização. É cada vez mais comum reduzir-se a uma vaga ameaça esse fenômeno multifacetado. O neoprotecionismo de um Trump não abre um precedente. Os opositores da globalização já estão por toda parte, promulgando medidas protecionistas.

O Brexit (decisão pela saída do Reino Unido da UE) não foi apenas antieuropeu, mas também um rechaço à globalização, incluindo a imigração em massa. Também a Frente Nacional (FN), popular na França, defende um rigoroso protecionismo econômico. Menos populista, porém tão mais decidido, é o movimento na Alemanha contra acordos de livre-comércio como o TTIP ou o Ceta, com o Canadá.

O ex-diretor do Instituto de Economia Mundial (IfW, na sigla em alemão) Rolf Langhammer atribui esse desdobramento ao declínio das taxas de crescimento global nos últimos anos, que acirrou os conflitos de distribuição. Os populistas atribuíram esses problemas à globalização, embora, segundo o especialista, a fonte do mal seja, antes, o progresso tecnológico.

Ascensão e declínio de um mito

Será, então, que o início da presidência de Trump marca o começo do fim para a globalização econômica? O início de uma espiral descendente, gradativamente precipitando a economia mundial em direção ao provincianismo econômico?

É o que faz aponta o índice de globalização do grupo de logística Deutsche Post DHL, segundo o qual tanto os investimentos estrangeiros quanto os fluxos de transações e de capital vêm caindo constantemente desde o princípio da crise econômica, em 2007.

Gustav Horn, diretor do Instituto de Macroeconomia e Pesquisa de Conjuntura (IMK), responsabiliza sobretudo a China por essa conjuntura. Há muito, a economia mundial não roda macia, e medidas protecionistas à la Trump poderão emperrar ainda mais seu motor.

Alguns anos atrás, essa súbita “calmaria da globalização” seria considerada impossível. Há décadas era consenso que a dinâmica global resolvia os problemas do mundo, beneficiando os pobres e multiplicando a prosperidade.

Especialmente desde a abertura da China e a queda da Cortina de Ferro, o comércio internacional e os fluxos de capital vinham aumentando de forma constante. A integração vitoriosa do mercado interno da UE e a consolidação de uma classe média de alto poder aquisitivo na Índia, Rússia e China vieram confirmar a credibilidade de uma “globalização benéfica”.

Populistas europeus enaltecem vitória de Trump

Crescimento globalizado

No momento, essa quase euforia perante a globalização retrocedeu temporariamente. O comércio global estanca, a maior economia do mundo terá como presidente um adversário da globalização; por todo o mundo, populistas bradam contra a globalização e o livre-comércio. Será que essa dinâmica que vem crescendo desde a época da industrialização receberá agora o golpe de misericórdia?

É inegável que a globalização também trouxe efeitos positivos. Langhammer lembra que tanto as nações industriais como as emergentes se beneficiaram: centenas de milhões conseguiram escapar à pobreza nos países emergentes e em desenvolvimento, graças à abertura dos mercados nacionais.

Horn lembra que a China, o México e o Brasil, em particular, acusaram crescimento meteórico através do comércio mundial. Por outro lado, ele reconhece que a prosperidade proveniente à globalização deveria ser mais bem distribuída.

Também na Europa o livre-comércio teve efeito positivo. O mercado comum europeu promoveu prosperidade nos países do Sul e do Leste do continente. Da Espanha à Romênia, o padrão de vida melhorou em tempo recorde após a adesão à União Europeia – e, consequentemente, ao mercado comum.

Mais do que isso, o livre-comércio para além das fronteiras nacionais na Europa foi um catalisador da paz e da compreensão entre os povos. As interligações econômicas tornam quase impossível uma guerra. A globalização uniu seres humanos das mais diferentes culturas. Assim, quem se posiciona contra ela incentiva as iniciativas solitárias nacionalistas.

Protecionismo não é a solução

Trump gostaria de isolar os EUA e restringir o comércio em nível mundial. No entanto, o plano de colocar os acordos de livre-comércio sob sindicância nada traria à classe média americana frustrada.

Para Horn, a política econômica de Trump prejudicaria a real-economia e os mercados financeiros, a longo prazo. Mais importante, porém: ela não serve em absoluto à classe média. A redução do imposto sobre fortunas agravará ainda mais a desigualdade e reforçará a distribuição de capital de baixo para cima.

Tanto o diretor do IMK quanto Langhammer estão convencidos de que uma política econômica que prejudique os acordos de livre-comércio não resolverá os problemas da classe média americana.

O ex-diretor do IfW chama a atenção para o aspecto do avanço tecnológico: os EUA possuem, de fato, numerosas universidades de ponta, mas seu sistema de ensino é basicamente desigual. Num país caracterizado pela alta tecnologia e não pela indústria, a mão de obra bem treinada teria uma situação mais fácil. Além disso, deixou-se de realizar uma reforma estrutural em polos industriais como o Rust Belt.

A globalização proporcionou crescimento econômico, prosperidade e entendimento entre os povos. Devido ao alarmismo dos populistas e dos idealistas político-sociais, contudo, ela passou a ser associada antes a riscos do que a chances.

Em muitos casos, a insuficiente distribuição de capital, tanto nos países emergentes quanto nos industrializados, tem causas mais complexas, como reforma estrutural, corrupção, uma economia mundial vacilante – a lista é praticamente infinita.

Fazer retroceder a roda da globalização não é apenas pouco pragmático, mas fomenta, no fim das contas, o isolamento econômico e social – um desdobramento que definitivamente não é sinônimo de mais prosperidade.
BBC

Economia – Bancos italianos, a próxima dor de cabeça da União Europeia

Ainda sob o impacto do Brexit, a Europa se vê diante de mais um problema: bancos da Itália precisam de bilhões de euros para se reerguer, enquanto FMI reduz previsão de crescimento para o país. Quem vai pagar a conta?

Monte dei Paschi di Siena
Monte dei Paschi di Siena, um dos bancos italianos em maior dificuldade

Quanto mais se olha para alguns problemas na Europa, piores eles parecem ficar. O setor bancário italiano é um deles. A Autoridade Bancária Europeia (EBA) estima em 200 bilhões de euros o volume de “créditos podres”, ou seja, empréstimos sem cobertura concedidos por bancos italianos; outros órgãos calculam que a soma chegue a até 360 bilhões de euros.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A dimensão desse volume depende de como ele é calculado. Mas a mensagem é clara: se empréstimos dessa ordem não forem honrados, o Estado italiano não poderá arcar sozinho com as dívidas, e também a comunidade de países da zona do euro ficaria sobrecarregada.

Um problema básico é a conjuntura econômica ainda fraca na Itália. “A economia italiana quase não cresceu, estando em parte em recessão”, afirma Martin Faust, professor de Economia na Frankfurt School of Finance. “A situação das empresas e das famílias italianas não é boa, e algumas já não podem pagar juros e amortizações.”

Nesta terça-feira (12/07), o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu seu prognóstico de crescimento para a Itália. Neste ano, a terceira maior economia da zona do euro deverá crescer “pouco menos de 1%” e, no próximo, 1%, informou o FMI. Anteriormente, a previsão de crescimento era de 1,1% para 2016 e 1,25% para 2017.

De acordo com o FMI, o referendo no Reino Unido em que se decidiu pelo Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia – aumentou a volatilidade dos mercados financeiros e os riscos para a Itália. O país está diante de “desafios monumentais”, declarou o fundo.

Problema de longa data

Os bancos italianos vêm enfrentando dificuldades há anos. No final de 2014, nove instituições financeiras do país não passaram em testes de estresse realizados em toda a Europa. O maior buraco de capital foi verificado no Monte dei Paschi di Siena (MPS), o banco mais antigo ainda operante no mundo.

Desde então, muita coisa aconteceu, mas provavelmente não o suficiente. No início de 2015, uma diretriz da União Europeia (UE) estipulou que esses erros do passado não deveriam se repetir. Desde então, bancos não podem ser facilmente resgatados com o dinheiro do contribuinte, como aconteceu após a crise financeira de 2008. Antes de o Estado entrar em ação, acionistas e credores devem arcar com as responsabilidades.

“Detentores de obrigações bancárias e mesmo aqueles que possuem poupanças que vão além dos limites legais mínimos também têm razões para temer a perda de parte de seu dinheiro”, explicou Faust. “Isso não é realmente um estímulo para a estabilidade bancária, pois agora ficou difícil para muitos investidores emprestar dinheiro aos bancos. Eles estão com medo de, no final, servirem de avalistas.”

Círculo vicioso

Conjuntura fraca, investidores hesitantes – em vez de diminuir, os problemas dos bancos italianos aumentaram cada vez mais ao longo do tempo. E não há fim à vista. “É de se esperar que as perdas bancárias cresçam consideravelmente nos próximos anos”, avaliou o professor da Frankfurt School of Finance.

“O problema é que os empréstimos não honrados também reduzem o capital dos bancos. E sem capital próprio, eles não podem sobreviver”, acrescentou o professor. Trata-se de um círculo vicioso, pois é justamente em tempos de conjuntura fraca que as empresas precisam de bancos fortes.

No início de 2016, o governo italiano entrou em acordo com a UE sobre a possibilidade de repassar “créditos podres” para chamados “bad banks”, ou seja, bancos que possam concentrar ativos tóxicos. Em abril, foi criado o fundo de resgate Atlante, que recebeu quase 4 bilhões de euros dos bancos italianos.

Pouco depois de sua criação, o Atlante teve muito que fazer: dois bancos regionais tiveram de ser ajudados, primeiramente o Banca Popolare di Vicenza, e depois o Veneto Banca. Isso consumiu metade do volume do Atlante, e desde então há uma controvérsia sobre quem vai preenchê-lo novamente. “Muitos bancos não dispõem de capital para aumentar esse fundo de resgate”, disse Faust.

Nova ajuda governamental?

Durante uma cúpula da União Europeia no fim de junho, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, apresentou o plano de utilizar novamente o dinheiro dos contribuintes para ajudar os bancos. Renzi pretende abastecer as instituições financeiras com até 40 bilhões de euros de capital novo, para que possam voltar a respirar. A justificativa do primeiro-ministro: a votação do Brexit criou uma situação excepcional em que tais auxílios são permitidos.

Premiê Matteo Renzi
Renzi diz que Brexit criou “situação excepcional”

Uma desculpa, afirma Thomas Hartmann-Wendels, professor de Economia da Universidade de Colônia. “Não existe nenhuma correlação entre o Brexit e os atuais problemas dos bancos italianos.”

Embora o professor defenda que os institutos financeiros italianos precisam ser saneados, ele afirma que isso deve acontecer segundo as novas regras: primeiramente, a conta deve ser paga pelos acionistas e credores, depois pelo Estado. “Após a crise financeira, prometeu-se que os contribuintes nunca mais assumissem a responsabilidade por negócios arriscados”, diz Hartmann-Wendels. “Agora tudo isso é colocado em questão.”

Segundo o professor, Renzi está sofrendo pressão política e as garantias estatais só incorrem em custos quando surge uma emergência. “Esta é a solução mais fácil, mas, no longo prazo, não leva a uma saída do impasse.”

A próxima prova

O drama interminável mostra claramente os pontos de ruptura da união monetária. A economia da Itália não consegue avançar, porque faltam reformas fundamentais e, para as condições do país, o euro é demasiadamente caro. E quanto mais longa for a crise, mais problemas virão.

“As crises que temos na zona do euro ainda estão longe de estarem resolvidas”, aponta Faust. “Nos últimos anos, os problemas estruturais só foram adiados, mas não resolvidos.”

Dado o grande volume de “créditos podres” na Itália, Hartmann-Wemdels espera que, mais cedo ou mais tarde, o contribuinte europeu sirva de avalista dos bancos. “Isso será necessário. O Estado italiano não conseguirá arcar sozinho com o problema, já que está profundamente endividado.”

Para recapitalizar seus bancos, a Espanha recebeu, entre 2012 e 2014, por volta de 40 bilhões de euros do fundo europeu de resgate financeiro. As negociações com vista a um programa semelhante para a Itália poderiam ser uma prova de fogo para as relações já tensas dentro da união monetária.
DW

Economia: FMI prevê que Brexit vai frear economia mundial

Insegurança causada pela decisão dos britânicos de deixar a UE é o principal motivo mencionado pelo Fundo para reduzir suas previsões de crescimento econômico mundial.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou nesta terça-feira (19/07) suas projeções de crescimento para a economia mundial para os próximos dois anos, citando como motivo a insegurança causada pela decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Este é o quinto corte consecutivo, e o FMI afirma agora que espera um crescimento global de 3,1% em 2016 e de 3,4% em 2017, um recuo de 0,1 ponto percentual, para cada ano, em relação às projeções anteriores, segundo o relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, em inglês).

Segundo o Fundo, apesar de melhoras no Japão e na Europa no início de 2016, “o resultado do referendo no Reino Unido, que surpreendeu os mercados financeiros globais, implica a materialização de um risco descendente importante para a economia mundial”.

Para o FMI, o Brexit atingirá sobretudo a economia do próprio Reino Unido. A instituição cortou sua previsão de crescimento do país em 2016 em 0,2 ponto percentual, para 1,7%. Para 2017, o corte é ainda maior, de 0,9 ponto percentual, para 1,3%.

No caso da zona do euro, a projeção para 2016 se manteve praticamente inalterada, com recuo de 0,1 ponto percentual, para 1,6%. Na projeção para 2017 houve um corte de 0,2 ponto percentual, chegando a 1,4%.

Já a economia dos Estados Unidos deverá crescer 2,2% este ano, um recuo de 0,2 ponto percentual, e 2,5% em 2017, mesma previsão de abril.

May é a esperança de um final feliz para o Brexit

Nova primeira-ministra britânica quer unificar o Partido Conservador e disse que vai fazer o que for preciso para uma saída segura do país da União Europeia.

Theresa May,União Europeia,Brexit,Inglaterra,Blog do Mesquita A nova primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, foi ministra do Interior durante seis anos. A ausência de ataques terroristas de grande porte e o combate à corrupção policial são sinais do sucesso dela na pasta.

No entanto, ela não atingiu o objetivo de reduzir a migração para menos de 100 mil pessoas por ano, uma questão-chave da campanha pelo Brexit.

O Reino Unido pós-Brexit e o modelo norueguês

Em meio a especulações decorrentes do voto britânico anti-UE, evoca-se o status adotado pela Noruega. Uma mistura complexa de privilégios e desvantagens – que exigiria improvável dose de tolerância de ambos os lados.

Bandeiras do Reino Unido e União Europeia

Na alentada discussão sobre os destinos do Reino Unido e da União Europeia (UE) após a consumação do assim chamado Brexit, tem-se ouvido com frequência crescente o conceito “modelo norueguês”.

Embora não seja membro da UE, a Noruega integra a Área Econômica Europeia (AEE). Assim, da mesma forma que a Islândia e Liechtenstein, ela está sujeita às normas do bloco, mas sem poder votar sobre elas. Suas exportações para a UE são igualmente passíveis de controles alfandegários, já que os noruegueses não são membros da União Aduaneira Europeia.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A filiação à AEE – que também inclui os não membros da UE Andorra, Mônaco e San Marino – significa que mercadorias circulando dentro das fronteiras do bloco não são taxadas, e que seus membros aplicam uma taxa comum a todas as importações externas.

Os países também pagam contribuições anuais para manter a filiação. Segundo números publicados pelo governo em Oslo e pela Missão Norueguesa na UE, a quantia per capita desembolsada pela Noruega é equivalente à do Reino Unido.

A Noruega também paga aos países mais pobres da UE subsídios que são periodicamente renegociados, além de contribuir para programas da UE de que deseje participar, como, por exemplo, o Erasmus, de intercâmbios universitários.

Diante de tais dados, parece não haver razão para a Noruega não ser membro da UE. De fato, ultimamente parte da população argumenta que seria melhor o país se filiar ao bloco, já que está pagando contribuições equivalentes.

Desvantagens do modelo

Um relatório publicado por Londres em março aponta um dos problemas em adotar o modelo norueguês: “Se o Reino Unido negociasse o modelo, estaríamos subordinados a muitas das regras da UE, mas não teríamos direito de voto ou veto na criação dessas regras.”

Por que os mais velhos votaram pelo Brexit?

Não sendo membro, a Noruega tampouco tem representação ou direito de votação das leis europeias. O primeiro-ministro norueguês não participa do Conselho Europeu, e o país não integra o Conselho de Ministros nem ocupa assentos no Parlamento Europeu.

“A Noruega não tem um membro nacional na Comissão Europeia, nenhum juiz na Corte Europeia de Justiça, e seus cidadãos não têm direito de votar nas eleições da UE ou de trabalhar em suas instituições”, prossegue o relatório.

“Medidas de salvaguarda”

Ainda assim, talvez haja para o Reino Unido uma luz no fim do túnel do Brexit. O Capítulo 4º do acordo da AEE, intitulado “Medidas de salvaguarda”, permite aos Estados-membros “tomar unilateralmente medidas apropriadas” em casos de “sérias dificuldades econômicas, sociais ou ambientais […] com o fim de remediar a situação”.

Ou seja: em caso de emergência, os britânicos poderiam, em tese, evocar essas medidas de salvaguarda, declarando uma crise. A Islândia acionou esse mecanismo em 2008, em reação à crise econômica nacional.

Assim como a Noruega investe milhões de euros em programas conjuntos com a UE, o Reino Unido talvez também pudesse, então, escolher suas cooperações, permitindo que seus cidadãos trabalhassem e estudassem na UE. Algumas instituições financeiras também teriam permissão para operar no bloco – para alívio dos britânicos apreensivos em ambos os campos.

Renegociações complicadas

Em contrapartida, o relatório do governo britânico enfatiza que o modelo norueguês daria acesso considerável, mas não completo ao Mercado Único, de livre-comércio.

“Estaríamos fora da União Aduaneira e perderíamos acesso a todos os acordos comerciais da UE com 53 outros mercados por todo o mundo”, e “renegociá-los exigiria anos”, adverte a publicação de Londres.

Foto da semana: a desilusão do Brexit

A Suíça, por exemplo, mantém 120 diferentes pactos com a União Europeia, cuja negociação em parte levou vários anos, o que torna extremamente difícil reproduzir essa situação.

E o país não é o único com uma relação complexa com a UE. Ao contrário da Noruega, a Turquia pertence à União Aduaneira. Seus acordos com a UE cobrem mercadorias industriais e processadas, mas não serviços ou produtos agrícolas crus. E nas áreas em que os turcos têm acesso ao mercado europeu, eles têm que impor normas equivalentes às vigentes dentro do bloco.

Ficar com o bolo e comê-lo também?

Outra lacuna na aplicação do modelo norueguês ao Reino Unido seria o quesito da livre circulação de pessoas, que consta do acordo da AEE. A Noruega é obrigada a aceitá-la, e por isso optou por aderir ao Espaço de Schengen, em que estão abolidos os controles nas fronteiras internas.

A julgar pelos diversos incidentes recentes de xenofobia no Reino Unido, apelidados “racismo pós-Brexit”, parte da população dificilmente acataria uma imposição dessa parte do acordo.

Por fim, mesmo que o Reino Unido optasse por acionar as medidas de salvaguarda previstas no acordo da AEE, não está claro quanto tal situação poderia durar. E nem por quanto tempo os demais membros da União Europeia estariam dispostos a tolerar que os britânicos desfrutem das vantagens de ambos os sistemas.
Com dados do DW

Brexit:

Caso o “Brexit” seja mesmo implementado – o parlamento tem que criar e aprovar uma lei para fazer valer a ‘pool’ – , vai ser usado como “motivo” para fabricar a próxima crise econômica, a exemplo de 2008, já que a economia mundial está à beira do colapso.Brexit,União Europeia,Economia,UK,Inglaterra,Euro,Libra Esterlina,Blog do Mesquita

Como a economia mundial está à beira da explosão – o dólar não tem lastro. É papel pintado -, o cartel de banqueiros vai por a “culpa” no “Brexit”.

PS. E irão aproveitar para imprimir mais trilhões e trilhões de dólares americanos, a exemplo de 2008.


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Como o Reino Unido ainda pode voltar atrás no Brexit

A maioria dos britânicos votou por sair da UE. Mas, diante das consequências, alguns já se arrependem, há ameaça até de desintegração do Reino Unido. 

Bandeira britânica rasgada em mastro de barco

Conheça quatro possibilidades – teóricas – de reverter a situação.

O Reino Unido, no momento, é tudo, menos unido. No referendo histórico de 23 de junho sobre a permanência ou não na União Europeia, quase 52% dos votantes optaram pelo “Leave“, os demais marcaram “Remain“. Na Escócia e na Irlanda do Norte, contudo, a maioria dos eleitores preferiria permanecer na UE, ao contrário dos da Inglaterra e País de Gales.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Ainda não é uma crise”, explica à DW Jo Murkens, professor de direito da London School of Economics (LSE). “Mas estamos nos estágios preliminares do que poderá ser não apenas uma crise constitucional, mas a partida final constitucional do Reino Unido.”

Alguns defensores do “Leave” estão preocupados pelo que acontecerá em seguida. E os que votaram contra a saída estão desolados, de qualquer forma, temendo as possíveis consequências do Brexit.

Premiê britânico, David Cameron
Premiê David Cameron lavou as mãos no futuro processo de negociação do Brexit

Londres ainda não evocou o Artigo 50 do Acordo de Lisboa, que estabelece o procedimento para um Estado-membro deixar a UE. O primeiro-ministro teria que informar o Conselho Europeu da intenção de seu país de se retirar da comunidade. Mas David Cameron, que anunciou sua renúncia assim que os resultados do referendo se definiram, declarou que esse passo caberia ao novo chefe de governo britânico.

Até que se evoque o Artigo 50, ainda é tecnicamente possível evitar a consumação do Brexit. A seguir, quatro alternativas.

1. O Parlamento vota contra o Brexit

Essa, aparentemente, é a solução mais clara e limpa. Muito provavelmente, os membros do Parlamento britânico terão que votar se o país realmente se desligará da UE. Como o referendo foi puramente consultivo, e não vinculativo, os representantes podem votar como quiserem. E, em tese, decidir que o país deve permanecer no bloco europeu.

“Parlamentares são representantes do povo, não delegados”, diferencia Murkens. “Seu papel não é implementar a vontade do povo, mas sim tomar decisões com base no próprio julgamento político, filiação partidária e consciência.”

Nigel Farage e seguidores comemoram Brexit
Populista Nigel Farage (c) e demais pró-Brexit comemoraram: cedo demais?

É improvável, entretanto, que os membros do Parlamento venham a anular a decisão do referendo, uma vez que “ignorar a vontade do povo não os ajudará a se reelegerem”, aponta James Knightley, economista-chefe do banco global ING.

Ainda assim, o deputado trabalhista David Lammy, por exemplo, encorajou no Twitter seus colegas a votarem “Remain“: “Acordem. Nós não temos que fazer isso. Podemos parar essa loucura e dar fim a esse pesadelo, através de um voto no Parlamento.”

Enfatizando o caráter não vinculativo da votação, ele afirmou que “alguns já desejam que não tivessem votado para Leave“. Por isso, “não vamos destruir nossa economia com base nas mentiras e na prepotência de Boris Johnson”, apelou.

2. Realizar outro referendo

Os resultados da consulta foram bastante apertados, e os perdedores reivindicam agora um segundo turno. Além disso, mesmo alguns que optaram a favor de um Brexit podem estar se perguntando, pós-voto, em que é que se meteram, de verdade.

Consultas do tipo “O que significa deixar a UE?” e, mais básico ainda, “O que é a UE?” apresentaram um pico na máquina de busca do Google após o referendo. Os partidários do “Remain” obviamente torcem para que os demais reconsiderem seu primeiro voto, depois de ter constatado, por exemplo, como a cotação da libra esterlina despencou.

Crash na Bolsa de Paris após Brexit
Pânico nas bolsas de valores no “dia seguinte”: maus augúrios para os britânicos

Uma petição no site do Parlamento britânico para convocar os britânicos de volta às urnas já reuniu mais de 3,6 milhões de assinaturas, e, segundo o site, “o Parlamento considera para um debate todas as petições que obtêm mais de 100 mil assinaturas”.

Esta opção, entretanto, é igualmente improvável. Já antes do referendo, o premiê Cameron descartou uma repetição do escrutínio. Isso também poderia dar a péssima impressão de que os políticos são capazes de fazer a população votar repetidamente, até conseguirem o resultado que desejam.

3. A União Europeia faz concessões suficientes para manter o Reino Unido

Como o Artigo 50 não foi evocado, tecnicamente as autoridades de Bruxelas ainda têm espaço para adoçar a pílula ao ponto de os políticos britânicos poderem apresentar a permanência como uma opção viável. As chances de tal acontecer, contudo, são ínfimas.

O referendo “foi visto, em grande parte, como um, protesto contra a imigração”, lembra Knightley, do ING. “Portanto o que precisaríamos ver são concessões significativas na questão da imigração vinda da Europa – o que parece altamente improvável, uma vez que a livre circulação de mão de obra e cidadãos são doutrinas essenciais da política da UE. É uma das regras-chave da fundação [da comunidade].”

4. A Escócia veta uma decisão parlamentar sobre o Brexit

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, declarou que pediria aos membros do Parlamento nacional para não darem seu “consentimento legislativo” a uma decisão de Londres de se retirar da UE. Certos analistas sustentam a tese que decisões relativas à UE necessitariam do aval expresso de Edimburgo.

Premiê escocesa, Nicola SturgeonPremiê Nicola Sturgeon: Escócia sair do Reino Unido, se este deixar UE

O professor Murkens, contudo, é um dos muitos observadores que não concordam com essa interpretação. Ainda assim, ressalva, os deputados de Londres não devem ignorar as opiniões dos eleitores escoceses e norte-irlandeses.

“Acho que [o resultado do referendo] deve ser lido como um empate 2 x 2: a Escócia e a Irlanda do Norte votaram para ficar, a Inglaterra e o País de Gales votaram por sair.”

O docente da LSE se preocupa com a eventualidade de que sejam anulados séculos de processos de paz entre as quatro nações que compõem o Reino Unido, caso os parlamentares em Westminster ignorem a vontade dos votantes escoceses e norte-irlandeses. Aí, ambos os países poderiam se desligar da comunidade britânica, numa tentativa de permanecer ou de voltar a integrar a União Europeia.

“A desintegração do Reino Unido é um preço muito alto para se pagar pelo abandono da UE, especialmente quando a campanha do “Leave” tinha como premissa o slogan ‘Queremos nosso país de volta’.” Só que, no atual passo, “não vai haver um país para retomar”, aponta Murkens.
DW

Brexit pode ser presságio de vitória de Trump nos EUA

Em artigo no ‘American Conservative’, jornalista Brian Kaller faz paralelo.Eleições Estados Unidos,Inglaterra,União Europeia,Economia,Brexit,Blog do Mesquita,TrumpJornalista americano aponta que campanha favorável ao Brexit teve muito em comum com os apoiadores de Donald Trump na corrida presidencial americana.

O Brexit pode ser um presságio da vitória de Donald Trump em novembro, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. A opinião é do jornalista americano Brian Kaller, em artigo no American Conservative.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“O Reino Unido frequentemente esteve um pouco à frente dos EUA; Thatcher antecedeu Reagan, e Corbyn antecedeu Sanders. Além disso, apoiadores do Brexit compartilham muito em comum com os apoiadores de Trump, tanto na questão demográfica quanto nas frustrações”, escreveu Kaller.

>> “BBC”: Trump diz que Brexit é “um bom negócio” para o mundo

“O Reino Unido e os EUA são potências globais em leve declínio, com o Reino Unido obviamente algumas décadas à frente”, completou o autor.

Segundo Kaller, tanto os favoráveis ao Brexit quanto os apoiadores de Trump prometem fazer seu país “grande novamente”, “reduzir a imigração, fortalecer a indústria local” e “deixar de lado problemas estrangeiros.”

Além disso, embora ambos movimentos sejam rotulados como de extrema-direita, são mais uma questão de classe social, diz o jornalista. Ele alega também que as elites de ambos países subestimaram seriamente o fenômeno até o último momento.

Votação a favor do ‘Brexit’ anima os xenófobos europeus

A francesa Le Pen, o holandês Wilders e o italiano Salvini reagem com euforia.

Marine Le Pen, nesta sexta-feira. AFP

Se existem ganhadores claros da vitória do não britânico à União Europeia são os partidos da extrema direita europeia. A eclosão do ceticismo europeu britânico ocorre em um momento de profundo desencanto e renovados sentimentos nacionalistas no Velho Continente que as forças xenófobas souberam explorar com eficiência.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

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O júbilo dos radicais se traduziu desde o começo da manhã de sexta-feira em exigências concretas. “A Liberdade venceu”, publicou no Twitter Marine Le Pen, presidenta da Frente Nacional francesa. “Como peço há anos, agora é preciso convocar um plebiscito na França e nos outros países da UE”.

O holandês Geert Wilders pediu a mesma coisa, o político de cabeleira oxigenada que lidera as pesquisas de seu país com um projeto político abertamente anti-imigração. “Queremos ser donos de nosso próprio país, de nosso dinheiro, nossas fronteiras e nossa política imigratória”, disse em um comunicado.

“Nós holandeses precisamos ter a oportunidade de expressar nossa opinião sobre nossa permanência na UE o quanto antes”, acrescentou agitando o fantasma do chamado Nexit, uma hipotética saída da Holanda do bloco comunitário que hoje se mostra mais possível do que nunca. Os dois países são membros fundadores da União.

Na Itália, Matteo Salvini, da Liga Norte, felicitou “os cidadãos livres” que não sucumbiram “à chantagem, às mentiras e às ameaças”.

Wilders é junto com Le Pen a grande referência dos partidos xenófobos bem-sucedidos na Europa continental e que mostram uma crescente coordenação e assertividade, conscientes de que o vento sopra a seu favor.

O Brexit é o grande suporte a seu ideal, cuja espinha dorsal é composta pela xenofobia, o recuo identitário, o binômio povo-elite e o protecionismo econômico. Ou seja, a recusa de tudo o que venha de fora de suas fronteiras, com as políticas europeias na cabeceira.

A crise econômica, os refugiados, o islã… vale tudo para transformar Bruxelas no perfeito bode expiatório. O Brexit é o ponto de inflexão que esperam há anos e agora acreditam que será o início do fim do projeto europeu. São respaldados por milhões de eleitores aborrecidos com a UE.

Os holandeses expressaram claramente sua ira no começo do ano, no plebiscito contra o acordo de associação da UE com a Ucrânia vencido por larga margem pelos contrários à União. Em 2005, os holandeses já refutaram o projeto de Constituição Europeia, depois rebaixado no formato do Tratado de Lisboa. “Se eu me tornar primeiro-ministro, ocorrerá um plebiscito para deixar a UE”. As eleições estão previstas para o começo de 2017 e Wilders arranca como franco favorito nas pesquisas. O boicote dos outros partidos prejudica, entretanto, suas possibilidades de Governo.

Seis dias antes do plebiscito, os críticos à UE realizaram uma reunião em Viena, batizada de “a primavera dos patriotas”. Era um respaldo aos partidários do Brexit, mas também para demonstrar seu crescente poderio pan-europeu como membros de um grupo na Eurocâmara, de onde destroem por dentro o projeto comunitário. Lá, Le Pen – que será o principal nome da Frente Nacional nas eleições presidenciais em 2017 – defendeu uma Europa por conta própria, que cumpra os desejos e exigência de cada país membro.

O líder da também bem-sucedida ultradireita austríaca, Heinz Christian Strache, enfatizou a democracia direta e a conveniência de se consultar a população sobre seu futuro, tal como os britânicos acabaram de fazer. Disse que a Suíça é seu modelo. Seu partido, o FPÖ, acaba de perder as eleições presidenciais por muito pouco e agora disputa o resultado nos tribunais. O cansaço dos austríacos com o bipartidarismo e a busca de uma identidade que acreditam que corre o risco de se diluir com a chegada de 90.000 asilados ao país, impulsionaram os radicais no país centro-europeu.

O timing do Brexit, como dizem os britânicos para se referir ao momento dos fatos, não poderia ser melhor para os populistas de direita. Sabem que o caldo de cultura é propício para seus interesses e acreditam que os partidos tradicionais e Bruxelas serão incapazes de reagir a tempo e de acordo com as regras. Sentem que seu momento chegou.
Ana Cabajosa/ElPaís

Economia: As consequências econômicas do Brexit

No Reino Unido, na UE e na Alemanha, especialistas advertem sobre possíveis repercussões de uma eventual saída do Reino Unido do bloco europeu, incluindo perda de empregos e queda de investimentos.

Bandeiras do Reino Unido e da União Europeia

No próximo dia 23 de junho, quando os cidadãos britânicos votarem no referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE), eles devem se deparar com uma questão existencial em relação ao futuro do próprio país: seria melhor permanecer agarrado ao que é familiar ou dar um salto no escuro?

Para muitos eleitores, também é uma questão de analisar quão profunda essa escuridão pode ser. Economistas tentam antecipar os possíveis impactos neste período que antecede o referendo. Leia a seguir uma compilação de algumas das previsões – algumas estremecedoras, outras tranquilizadoras – do Reino Unido, da Alemanha e da UE.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Economistas alemães

A maioria esmagadora dos economistas alemães é contra o chamado Brexit, ou seja, a saída do Reino Unido da UE. O instituto de pesquisas Ifo, baseado em Munique, e o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung publicaram recentemente uma pesquisa sobre o tema, apontando que 85% dos economistas do país são contra o Brexit.

Na pesquisa, mais da metade dos economistas opinou que uma saída do Reino Unido da UE causaria danos econômicos severos ao Reino Unido, enquanto 32% acreditam que o efeito seria negativo, porém modesto. Além disso, 65% acreditam que a economia alemã sofreria um pouco com o Brexit, e outros 12% acreditam que o efeito negativo seria grande.

Mas nem tudo é escuridão e trevas entre os economistas alemães. Um deles respondeu à pesquisa dizendo que “no longo prazo, o Brexit traria vantagens consideráveis para toda a UE, já que o Reino Unido tem sido um obstáculo para a integração europeia”.

O Banco Central Europeu

O Banco Central Europeu (BCE) não se posicionou oficialmente nem a favor nem contra o Brexit, mas alguns dos membros de seu conselho não parecem preocupados. Ewald Nowotny, presidente do Banco Central da Áustria, afirmou ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung que a saída do Reino Unido “seria pior para os britânicos do que para o resto da Europa”, já que o centro financeiro de Londres “perderia o seu status”.

“Não vejo problema algum para o sistema financeiro, porque o cenário de um Brexit está sendo discutido há algum tempo”, completou Nowotny. “Se realmente acontecer, quem será pego de surpresa?”

Já François Villeroy de Galhau, presidente do Banco Central francês, não encara a possibilidade com tanta tranquilidade. Recentemente ele disse que o Brexit pode resultar em tempos turbulentos – especialmente para os bancos britânicos, mas também para a zona do euro.

O Tesouro britânico

O Ministério da Economia britânico foi bem explícito. Uma saída da UE desencadearia um choque econômico intenso e imediato, afirmou Sajid David, secretário de Estado britânico para Negócios, Inovação e Capacitação.

Num estudo publicado pelo ministério, David aponta que o Brexit custaria meio milhão de empregos e resultaria no encolhimento da produção econômica do Reino Unido em até 3,6% nos próximos dois anos.

Sindicatos britânicos

O Trades Union Congress (TUC), federação que representa a maior parte dos sindicatos da Inglaterra e do País de Gales, não se cansa de advertir sobre as possíveis consquencias de um Brexit. “É bem provável que o custo das exportações britânicas suba no caso de uma saída da UE”, disse Owen Tudor, líder do departamento de assuntos europeus do TUC.

“Presumimos que os investimentos originários de países terceiros vão despencar”, completou Tudor, apontando uma tendência que pode desencadear um ciclo vicioso. Custos mais altos combinados a investimento reduzido podem resultar na perda de quatro milhões de empregos, estima. Vagas no setor de exportação – nas indústrias automotiva e química, por exemplo – seriam as mais ameaçadas.

Direitos trabalhistas também poderiam ser afetados no caso de uma saída do Reino Unido do bloco, aponta o TUC. A federação acredita que milhões de trabalhadores britânicos podem acabar tendo a jornada de trabalho estendida no caso de um Brexit.

A economia alemã

Empresários alemães não estão animados com a perspectiva de uma saída do Reino Unido do bloco europeu. No pior cenário, segundo estudo de um banco alemão, o Brexit pode resultar num prejuízo de 45 bilhões de euros para a economia da Alemanha somente em 2016 e 2017 – o que poderia fazer o país mergulhar numa recessão.

“Os danos do Brexit vão ser enormes para ambos os lados [Reino Unido e Alemanha]”, afirmou Markus Kerber, diretor-geral da Confederação da Indústria Alemã (BDI). Ele prevê que a saída resulte num processo de negociações que pode se arrastar por anos e incluir uma série de acordos, envolvendo questões delicadas sobre acesso ao mercado e adequação a padrões regulatórios. Nesse cenário, cada um dos lados tentaria obter maior vantagem. “Poderia virar uma situação de vale-tudo”, teme Kerber.

Ao mesmo tempo, consultores e advogados estão certos de que vão se beneficiar, já que vão poder cobrar por longas horas de trabalho enquanto empresas se preparam para o novo cenário.
DW