Síria, guerras “boazinhas” e hipocrisia; Rambo perdeu a utilidade.

Rambo Blog do MesquitaSíria, a falácia de guerras humanas, e o cinismo global.

Nunca existiu guerra suave nem ditador humanista. O mais é hipocrisia. Tá na história.

Qual a diferença entre ser morto por tiro de metralhadora, bomba de mísseis Tomahawks, ou sufocado por gás Sarin?

O genocídio que está acontecendo na Síria, tem em contra partida o cinismo das declarações, e atitudes do chamado mundo livre. Evidente que os USA não pretendem cometer o mesmo erro cometido no Iraque, na Líbia e no Egito. Trocar ditaduras carniceiras por ditaduras teocráticas carniceiras.

O impasse da impossibilidade de ocupação militar é que leva os USA a declarar que não irá usar infantaria para exterminar o regime de Assad, mas optar pelo uso asséptico bombardeio por mísseis teleguiados, e provavelmente “Drones“, que são aviões controlados por controle remoto, capazes de entregar uma bomba com mais precisão que uma encomenda da FedEx.

O alvo primário é Irã! Israel não quer o Irã com bomba atômica. O Irã é o inimigo de Israel. Irã, pois, naturalmente, é o inimigo dos EUA. Assim fogo com os mísseis contra o único aliado árabe do Irã que é a Síria.

Alguns estrategistas conhecedores de entrelinhas, afirmam que um ataque à Síria servirá apenas para abrir um corredor por onde passariam os caças-bombardeiros israelenses a caminho do Irã. Confira no mapa abaixo.

Mapa Síria Oriente Médio Blog do Mesquita

A Síria possui uma defesa antiaérea eficiente e moderna, o que seria um entrave para que aviões reabastecedores israelenses permitissem aos caças de Israel ter autonomia para bombardear os reatores Iranianos, e liquidar com o sonho nuclear dos descendentes de Xerxes.

O enrosco passa evidentemente pelas encrencas étnicas. A Síria está como recheio de sanduíche na briga pelo comando do Islã. De um lado a Turquia, aliada inconteste do USA, sonhando em se transformar em potência hegemônica no mundo islâmico. A Turquia é território predominantemente sunita. Do outro lado, território majoritariamente xiita está o Irã, às portas de fazer parte do clube das potências nucleares, e que por isso, ou por causa disso também deseja o comando do Islã.

Com ou sem intervenção, que palavrinha “sofismática”, dos USA  a encrenca que acontece no Iraque hoje – Xiitas x Sunitas quando as duas etnias se reuniram para derrubar Saddam Hussein – e depois da intervenção militar dos USA, a luta entre as duas etnias voltou ao ancestral morticínio, que para muitos é muito pior do que quando Saddam estava no poder.

Noves fora todos os considerandos, em minha opinião a briga real é por água. Pelas nascentes do Rio Jordão – ficam nas colinas de Golan – que foram tomadas à Síria por Israel em uma das “trocentas” guerras travadas por lá. Sem a água do Jordão nada por lá será viável.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Hoje a globalização também chegou aos conflitos, que de locais passaram a globais, pois os interesses do complexo industrial militar – como bem definiu o ex-presidente presidente Dwight D. Eisenhower, em seu discurso de despedida, ao deixar a presidência – é quem realmente define os destinos do mundo. 

Voltando ao matadouro do Assad. Muito bem. Houve uso de armas químicas. Agora respondam; que as usou? Aí o buraco, ou o sufoco é mais embaixo, pois fica impossível definir quem foi o autor. A CBN divulgou que a Rússia teria provas de que os mísseis com gases tóxicos partiram dos redutos adversários de Assad.

E mais; o que acontecerá quando um míssil teleguiado explodir um depósito de armas químicas?

Quem se opõe ao Assad – será que é por isso que o carniceiro gosta de ‘assar’ os opositores – é uma facção da Al-Qaeda. Se tirarem o cabeçudo, assume como no Egito, a turma da bomba na cintura. Eis aí o impasse.

Os USA não temem encrenca com o ex-KGB Putin, que dirige uma Rússia insignificante – econômica e militarmente –  mas que com esse blá, blá, blá “embromático” colocou a terra dos Czares e das “troikas” de volta no tabuleiro das grandes potências. Para o Putin – finge que está Putin. Trocadilho infame, mas pertinente – esse salamaleque todo virou um suculento quibe.

Com a China não é precisa nada além de um afago diplomático, pois se o ocidente fechar a torneira das compras de porcarias manufaturadas, e fechar a fonte do fornecimento de matérias primas, para tudo na carniçaria criada pelo genocida Mao. Ou seja; a China não irá optar pelo confronto militar, mas pela manutenção do mercado. “É a economia estúpido”, como disse o assessor de Mr. Bill Clinton, respondendo a uma indagação feita pelo abestado marido de dona Hilária.

Parodiando Foster Dulles, ex-secretário de Estado dos USA, as nações não têm amigos. Têm Interesses.

O negócio é sempre prometer um futuro melhor. Seja para quem e ao que for.

Ps. –  O Nobel da Paz, isso mesmo da paz, o egípcio ElBaradei vejam só, apoiou o golpe militar fratricida no Egito. As grandes potências são de um cinismo inominável. Fingem que estão fazendo alguma coisa somente para consumo da plateia.

Ps. 2 – Tehani al-Gebali, vice-presidente do Supremo Tribunal Constitucional do Egito, acusa o queniano Malik Obama, irmão por parte de pai de BO, de ligações com a organização fundamentalista Irmandade Muçulmana.

Tópicos do dia – 27/03/2012

09:06:03
Irã, Israel, Obama e bomba atômica
Aumentou a pressão dos Estados Unidos e aliados nucleares contra a Coréia do Norte e o Irã, proibidos de possuir a bomba. Se insistirem, os coreanos ficarão sem comida e os iranianos a um passo dos ataques de Israel. O problema é que além dos americanos, detém artefatos nucleares Inglaterra, França, Índia, Paquistão, China, Rússia e Israel.

A quinze minutos de deter o mesmo poder encontram-se a Alemanha e o Japão, apesar das cortinas-de-fumaça pacifistas que taticamente levantam. A pergunta é sobre o que aconteceria caso o Brasil decidisse seguir as lições do saudoso ex-vice-presidente da República, José Alencar, para quem deveríamos perseguir o mesmo objetivo, sem resistências nem impedimentos. Se os outros podem, por que não poderíamos, como potência emergente?
Carlos Chagas,Tribuna da Imprensa

09:43:50
Hacker que vazou fotos de Scarlett Johansson pode pegar 60 anos de prisão
Christopher Chaney vai se declarar culpado para diminuir pena de 121 anos para 60 anos. Ele também invadiu conta de mais 50 celebridades.
Christopher Chaney, o hacker que invadiu o email de celebridades como Scarlett Johansson e publicou fotos pessoais dela na internet, pode pegar até 60 anos de prisão pelos crimes, de acordo com a Reuters.

O rapaz, que também invadiu a conta da atriz Mila Kunis e da cantora Christina Aguilera, vai se declarar culpado das acusações. Ele teria invadido a conta de mais de 50 celebridades nos últimos anos.

Ao se declarar culpado, ele reduzirá os 121 anos de prisão que pegaria com 26 acusações feitas contra ele para 60 anos.

De acordo com o FBI, Chaney usou softwares de código aberto para descobrir email e senha das celebridades e acessar as mensagens pessoais delas.

17:43:19
Papa em Cuba
Na Globo News:
‘Papa reza por “privados de liberdade” em Cuba’.
Privados de liberdade é ótimo. Adoro os sofistas.
PS. As aspas duplas em “privados de liberdade” são do texto/letreiro do noticiário da emissora.

17:46:19
No G1: “Procuradoria vai investigar elo entre senador e Cachoeira.
Jornal apontou que Demóstenes Torres pediu dinheiro a empresário ligado a jogo ilegal.”
Já? Pra que tanta pressa?

17:55:48
Lula recebe visita de FHC em hospital de São Paulo
Lula tratou câncer de laringe e se recupera de inflamação na garganta.
Ele também passa por sessões de fonoaudiologia no hospital Sírio-Libanês.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu na manhã desta terça-feira (27) a visita do  ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, segundo informou a assessoria do Instituto Lula.
G1


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Word Trade Center, o 11 de setembro, Hiroshima e Nagasaki: Quando o marketing midiático esquece a história

Tragédia, principalmente para vítimas e familiares, doi a mesma dor. Independente de lugar, causa ou época.
“As tragédias dos outros são sempre de uma banalidade exasperante.” Oscar Wilde 

Hiroshima – Japão – 140 Mil Mortos
 

Nagasaki – Japão – 80 Mil Mortos
 

World Trade Center – USA – 2.750 Mil Mortos

 


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Israel tem tecnologia para atacar o Irã

O avião não tripulado Eitan.
Nova arma de Israel para possível ataque às instalações nucleares do Irã.

Israel já teria condição de atacar o Irã, mas nega que tenha intenção.

Enquanto jornalistas, políticos e acadêmicos em todo o mundo aguardam o resultado prático das novas restrições econômicas impostas ao Irã, crescem as apostas israelenses em tecnologia para conter o programa nuclear da República Islâmica. O discurso oficial adotado pelo governo de Israel garante que uma ação militar em solo iraniano está descartada num futuro próximo, mas não esconde o fato de que o temor da nuclearização de Teerã é hoje um dos únicos – senão o único – consenso nacional no país: Israel está seguro de que um Irã nuclear ameaça sua existência e crê que sanções não são obstáculo no caminho rumo à bomba.

O premier Benjamin Netanyahu vem enfrentando crescentes pressões de seu governo conservador – sobretudo do ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, do partido ultranacionalista Israel Beitenu – por dar ao mundo a impressão de que Israel concorda em deixar a questão iraniana nas mãos de Washington, mas, internamente, a única certeza quanto ao destino das milhares de centrífugas iranianas é a de que todas as opções estão sobre a mesa.

Há três meses, entrou em operação o que Israel considera um dos atores principais de uma eventual ofensiva ao Irã: o novo avião não tripulado Eitan, com autonomia de voo de cerca de 20 horas sem reabastecimento e a capacidade de carregar dezenas de toneladas de bombas. A chegada da moderna aeronave – do tamanho de um Boeing 737 comercial e completamente controlada por computador – aumentou os rumores de que, mesmo sem apoio internacional, o país poderia ousar uma manobra para impedir que o governo de Mahmoud Ahmadinejad tenha capacidade de produzir sua primeira ogiva nuclear.

Não há sequer uma semana sem a divulgação de alguma perspectiva alarmante sobre um suposto ataque israelense às instalações nucleares, nos mesmos moldes do ocorrido em 1981, quando Israel bombardeou e destruiu a usina de Osirak, no Iraque. Mas, apesar de uma Força Aérea com tecnologia militar de ponta, o analista militar Alon Ben-David, do Canal 10 da TV de Israel, observa que um dos maiores trunfos do país pode ser o fato de que – segundo ele – governo e Exército estejam despistando a opinião pública mundial.

O coronel de reserva Zeev Raz, chefe da esquadrilha que bombardeou Osirak, tenta conter a euforia e adverte que, apesar da tecnologia de reabastecimento em voo para enfrentar o longo percurso, a empreitada exigiria participação humana. O ex-piloto lembra ainda o desafio emocional de missões de grande porte. Segundo ele, quando o governo Menachem Begin autorizou a ofensiva, todos sabiam que a missão poderia acontecer: foi um ano de treino no Mar Mediterrâneo e em cápsulas de simulação.

Globo Online

Bomba atômica e o Brasil

Querendo ou não, gostando ou não, pacifista ou belicista, a energia nuclear é fundamental para garantir a soberania de um país continental como o Brasil. Com imenso território pleno de biodiversidade e reservas imensas de minerais estratégicos, a força nuclear é um decisivo elemento de dissuasivo. Não existem países amigos. Existem interesses.
Por último, mas não por fim fica a pergunta: Outras nações, que já têm armas nucleares, podem proibir a um outro estado a mesma coisa?
O Editor


José Goldemberg: “O Brasil quer a bomba atômica”

Para o físico, ao defender o direito nuclear do Irã, Lula deixa a porta aberta para fazer a bomba[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O Brasil aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) em 1998, durante o governo FHC. O tratado tem 189 signatários. Entre as exceções estão Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte – países detentores de arsenais nucleares. Desde 2008, os Estados Unidos pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional do TNP. Mais restritivo, o protocolo obriga os países a abrir quaisquer instalações suspeitas à inspeção. O Irã não aderiu e construiu uma usina secreta, revelada em 2009. O Brasil se recusa a assinar o protocolo e defende o direito do Irã de ter a energia nuclear – oficialmente apenas para fins pacíficos. Para o físico José Goldemberg, uma autoridade internacional em assuntos de energia, essas são evidências, somadas a outras, de que o Brasil busca a posse de armas nucleares.

ENTREVISTA – JOSÉ GOLDEMBERG
QUEM É
Gaúcho de Santo Ângelo, José Goldemberg, de 82 anos, é físico nuclear
O QUE FEZ
Foi reitor da Universidade de São Paulo (1986-1990), ministro da Educação (1991-1992), secretário federal da Ciência e Tecnologia (1990-1991) e do Meio Ambiente (1992)
PRÊMIOS
Prêmio Volvo do Meio Ambiente (2000) e Prêmio Planeta Azul (2008), o “Nobel” do Meio Ambiente

ÉPOCA – Por que o senhor afirma que o governo Lula vê com simpatia a posse da bomba?

José Goldemberg – Motivos não faltam. Eles vão desde o apoio ao programa nuclear do Irã até as declarações de membros do primeiro escalão, como o vice-presidente José Alencar. Ele defende o desenvolvimento de armas atômicas. Parece uma volta aos tempos da ditadura.

ÉPOCA – Qual era a posição dos militares com relação à construção da bomba?

Goldemberg – O governo Geisel fez o acordo nuclear com a Alemanha. Era caríssimo. Previa a construção de oito reatores com grau crescente de nacionalização. Cobria todas as etapas da tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento e o reprocessamento de urânio. Lê-se na ata de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, em 1975, que o projeto era para fins pacíficos, mas seria mantida aberta a opção militar. Do ponto de vista técnico fazia sentido. Para quem domina o ciclo nuclear pacífico, o militar não é tão diferente. Claramente, em 1975, o governo deixou a porta aberta para fazer armas nucleares.

ÉPOCA – O programa não andou.

Goldemberg – A Alemanha iria repassar a tecnologia de supercentrífugas para enriquecer urânio, mas os EUA vetaram. Em troca, os alemães ofereceram outra tecnologia, experimental e duvidosa, a das centrífugas a jato. Aí veio a crise dos anos 1980, tornando o programa nuclear inviável. Das oito usinas, só Angra 1 saiu do papel (em 1984). No governo Sarney, em 1986, revelou-se a existência do poço cavado pelos militares para testes nucleares subterrâneos na Serra do Cachimbo, no Pará. Em 1988, a nova Constituição proibiu o uso da energia nuclear para fins militares. Em 1990, o governo Collor contrariou os militares ao desativar o programa nuclear do Exército e da Força Aérea. A Marinha continuou enriquecendo urânio, nominalmente para fins pacíficos – e sonhando com o submarino nuclear. Em 1998, o governo Fernando Henrique aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear.

ÉPOCA – O que prevê o TNP?

Goldemberg – Foi criado em 1968 para impedir a proliferação de armas nucleares. Sua posse ficou restrita às potências que já as possuíam: EUA, União Soviética, Inglaterra, França e China. O TNP visa o desarmamento nuclear e o uso pacífico da energia nuclear. Até hoje deu certo. Nenhuma bomba foi usada desde 1945. Os americanos cogitaram usar na Guerra da Coreia (1950-1953) e na Indochina, em 1954, para evitar a derrota francesa. A Crise dos Mísseis de 1962 foi o auge da Guerra Fria. Os EUA e a União Soviética tinham 65 mil ogivas. Hoje, EUA e Rússia têm 2 mil cada um.

ÉPOCA – Como é a fiscalização do TNP?

Goldemberg – É feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ela tem acesso às instalações nucleares oficiais dos signatários – não às secretas.

ÉPOCA – Como assim?

Goldemberg – A AIEA só pode fiscalizar instalações oficiais. O TNP não permite à AIEA investigar instalações suspeitas. Os EUA temiam o desenvolvimento de programas nucleares secretos no Iraque, no Irã e na Coreia do Norte. Em 1997, criou-se o Protocolo Adicional do TNP. Ele autoriza inspecionar qualquer instalação passível de uso nuclear – como o reator secreto do Irã, revelado em 2009.

ÉPOCA – O Brasil apoia o direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos. Há relação com o protocolo?

Goldemberg – Claro. Desde 2008, os EUA pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional. O governo se recusa. O Irã de hoje poderá ser o Brasil de amanhã.

ÉPOCA – O secretário de Assuntos Estratégicos, Samuel Guimarães, diz que “foi um erro assinar o TNP” porque a Constituição brasileira já proíbe o uso militar do átomo.

Goldemberg – Ele tem razão. Mas, se um dia algum governo decidir mudar a Constituição, não abrirá nenhum precedente. A Constituição de 1988 é a oitava desde a Independência e acumula 62 emendas. Em comparação, os EUA têm a mesma Constituição desde 1776, só com 27 emendas, e a Inglaterra nem Constituição escrita tem. Quando pressionam Brasília a assinar o protocolo, as potências devem estar olhando com atenção nosso histórico constitucional.

“O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania”.

ÉPOCA – Ter o submarino nuclear na defesa do pré-sal é o argumento do ministro da Defesa, Nelson Jobim, contra a assinatura do protocolo.

Goldemberg – Não assinar o protocolo pode tornar o Brasil alvo de sanções internacionais, como as impostas ao Irã pelas Nações Unidas (ONU).

ÉPOCA – Nossa economia é muito maior e mais diversificada que a do Irã. Neste cenário, qual sanção teria efeito contra o Brasil?

Goldemberg – A ONU pode congelar os bens e as contas bancárias brasileiras no exterior, paralisar o comércio externo e barrar transferências de tecnologia. Se nossa economia é maior e estamos mais integrados ao mundo, isso nos torna mais vulneráveis às sanções, não menos.

ÉPOCA – O vice-presidente José Alencar disse o seguinte: “Arma nuclear usada como instrumento dissuasório é de grande importância para um país com 15.000 quilômetros de fronteiras e um mar territorial com petróleo na camada pré-sal. Dominamos a tecnologia nuclear. Temos de avançar nisso aí”.

Goldemberg – Alencar pode dizer o que quiser. Ele foi eleito, não é um político nomeado. Mas não concorrerá às eleições. Está doente e no fim da vida. O que me preocupa é ver o ministro da Defesa e o secretário de Assuntos Estratégicos, auxiliares diretos do presidente da República, se manifestarem contra o Protocolo Adicional. Em nenhum momento o presidente veio a público desautorizá-los. O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania. O Brasil quer a bomba.

ÉPOCA – Alencar vê a posse da bomba como uma via de acesso ao assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Ele citou o exemplo do Paquistão, um país pobre, mas com assento em vários organismos internacionais.

Goldemberg – Não me parece que passe pela cabeça de alguém de bom-senso ceder ao Paquistão uma vaga no Conselho de Segurança. O Paquistão é uma fonte de preocupação. Está em guerra civil. Suas instituições estão desmoronando e parte do território caiu sob controle da guerrilha islâmica e da rede Al Qaeda. Se o Paquistão deixar de existir, quem será o primeiro a tentar pôr as mãos numa de suas bombas? Osama Bin Laden.

ÉPOCA – Temos gente para fazer a bomba?

Goldemberg – Sim, muita. A tecnologia não é nova. Havendo vontade governamental e recursos, bastaria alguns anos.

ÉPOCA – Não basta ter a bomba. É preciso meios de lançá-la.

Goldemberg – O governo retomou o projeto de lançador de satélites. Se existisse, poderia levar ogivas.

Peter Moon/Época

Lula tá deslumbrado; diz Fernando Henrique Cardoso

É preciso também indagar ao sociólogo, qual era exatamente a política externa do seu (dele) governo e os valores da antiga diplomacia brasileira?

Deveria ter aproveitado a análise e feito uma comparação entre as duas políticas externas da diplomacia brasileira.

Achando pouco o papel de senhor de todos os saberes, FHC diz a certa altura; (…) “Nem por isso, o mundo desconfia que o Brasil vá utilizar os conhecimentos de que dispõe para fins militares”.

Uáu! Isso é que Nelson Rodrigues chamava de óbvio ululante. Usar pra que, quando não se tem nenhum inimigo externo?

O Editor


FHC: Lula atravessa um ‘surto de ego deslumbrado’[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Em artigo veiculado neste domingo (6), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discorre sobre a política externa de Lula. Dá especial realce ao caso do Irã.

Anota duros ataques a Lula. Classifica de “bazófias presidenciais” a retórica do sucessor, baseada na tese de que “hoje não nos agachamos mais perante o mundo”.

Sustenta que as relações do Brasil com outros países sempre se orientaram por “valores” e pelo “interesse nacional”.

Acusa Lula de recorrer à “demagogia”. Algo que, a seu juízo, “não passa de surto de ego deslumbrado, que desrespeita os fatos e mesmo a dignidade do país”.

Para FHC, tomado pelo histórico de sua Diplomacia, é “natural” que o Brasil “insista em sentar à mesa dos tomadores de decisões globais”.

Pergunta: “Por que a celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro?”

Atribui as reações ao acordo nuclear intermediado com o Irã por Brasil e Turquia a dois fatores.

1. “A falta de clareza entre a ação empreendida e os valores fundamentais que orientam nossa política externa”

2. “A forma um tanto retórica e pretensiosa que ela vem assumindo”.

Ao esmiuçar o primeiro tópico, FHC compara o Irã ao Brasil. Escreve que, no caso brasileiro, o país já dispõe de tecnologia para produzir a bomba atômica.

Nem por isso, argumenta FHC, o mundo desconfia que o Brasil vá utilizar os conhecimentos de que dispõe para fins militares.

Leia-se o miolo do artigo de FHC: “Conseguimos, por exemplo, dominar a técnica de foguetes propulsores de satélites (e quem lança satélite pode lançar mísseis)…”

“…Ninguém desconfia, entretanto, de que a utilizaremos para a guerra, até porque obedecemos às regras do acordo internacional que regula a matéria…”.

“Do mesmo modo, dominamos o ciclo completo de enriquecimento do urânio. Mas não cabem dúvidas de que não estamos fazendo a bomba atômica…”

“…Não só porque nossa Constituição proíbe, mas porque inexistem ameaças externas e porque submetemos o enriquecimento do urânio […] ao duplo controle de um tratado de fiscalização recíproca com a Argentina e da Agência Internacional de Energia Atômica“.

Diferentemente do que ocorre com o Brasil, prossegue FHC, “falta no caso do Irã: a confiabilidade internacional nos propósitos pacíficos do domínio da tecnologia”.

Vem daí, segundo o ex-presidente, a resistência dos EUA ao acordo de Teerã. Ele reproduz um dos argumentos centrais da Casa Branca:

“[…] A quantidade de urânio já disponível [no Irã], mesmo descontada a quantidade a ser remetida para enriquecimento no exterior, permitiria a fabricação da bomba”.

“O xis da questão”, FHC acrescenta, “seria a obtenção pelo Brasil e Turquia de garantias mais efetivas de que tal não acontecerá”.

Acha que, para ser “eficaz”, evitando a imposição de sanções ao Irã, a ação de Lula teria de “desfazer a sensação da maioria da comunidade internacional de que o governo iraniano está ganhando tempo para seguir em seus propósitos nucleares”.

Anota que, nesse ponto, “a retórica dos atores brasileiros parece ter falhado”. E fustiga Lula com ironias que associam o encontro de Teerã à Copa do Mundo:

“O levantar de mãos de Ahmadinejad e Lula, à moda futebolística, e as declarações presunçosas do presidente brasileiro passando a impressão de que havíamos dado um drible nas “grandes potências”, digno de Copa do Mundo…”

“…Reforçaram a sensação de que estaríamos (no que não creio) nos bandeando para o ‘outro lado’. E em política internacional, mais do que em geral, cosi é (se vi pare)”.

“Cosi é (se vi pare)” é o título de uma peça do dramaturgo italiano Luigi Pirandello. Coisa de 1917. Em português, significa “Assim é, se lhe parece”.

Trata-se de uma comédia, na qual Pirandello contrapõe realidade e aparência. O mesmo objetivo do artigo em que o ex-presidente intelectual fustiga o sucessor autodidata.

A exemplo do que fizera em artigos anteriores, FHC sustenta que, também na política externa, sua administração deixou um legado benfazejo. “Políticas que tiveram desdobramentos positivos no atual governo”.

A certa altura, FHC escreve: “No dia em que se publicarem as cartas que dirigi aos chefes de Estado do G-7, ver-se-á que predicávamos desde então maior regulação financeira no plano global e maior controle do FMI e do Banco Mundial pelos países emergentes”.

Carol Guedes/Folha

O artigo de FHC já está disponível no site do Jornal Zero Hora

Irã será um novo Iraque?

Ainda existem os inocente(?) ou beócios que acreditam que o complexo industrial militar não conduz a política internacional. A historia está lotada de casos em que a panaceia de manutenção da paz escamoteia os reais interesses econômicos que permeiam as ações pseudo libertárias das grandes potências.

Apesar disso,e, por causa disso, não devem ser descartadas as reais más intenções dos maluquetes tipo Ahmadinejah, Chaves e cia.

O Editor


Assim como no Iraque…

A comunidade internacional dispõe de todos os motivos para desconfiar das intenções do Irã, que apesar de haver assinado acordo com o Brasil e a Turquia, continuará enriquecendo urânio a 20% ou mais em seu território. Desconfia-se, também, que o presidente Ahmadinejah permanece disposto a fazer a bomba atômica.

É preciso cuidado e vigilância, apesar de nenhuma reação registrar-se diante da evidência de que Israel possui artefatos nucleares.

Agora tem um problema: não fosse o país dos aiatolás um dos maiores produtores de petróleo do mundo, seria tão grande assim a má vontade das potências nucleares, com os Estados Unidos à frente?

Afinal, de verdade ou de mentirinha, o governo de Teerã assinou um tratado comprometendo-se a enviar 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido para a Turquia e a receber, dentro de um ano, 120 quilos enriquecidos a 20%, de uso limitado a atividades energéticas e de medicina.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Estariam os gaviões atômicos empenhados apenas em impedir o Irã de ingressar no seu clubinho?

Ou andam de olho no petróleo do país, hoje exportado para o mundo inteiro, mas pode ser que amanhã, não, por iniciativa de um dirigente radical qualquer?

É bom não esquecer o que aconteceu no Iraque. Saddam Hussein teria sido deposto e condenado à morte por possuir armas de destruição em massa, que afinal não possuía, ou por haver prometido trocar o dólar pelo euro, nos negócios petrolíferos sob sua supervisão?

Hoje, quem comanda as operações de extração e comercialização do petróleo iraquiano, senão as grandes empresas americanas e inglesas?

Não cogitam, por enquanto, da invasão armada do Irã, mas que ela se encontra minuciosamente planejada, não há que duvidar. Assim como no caso da invasão do Iraque, argumentos e pretextos não faltam. Saddam invadiu os poços de petróleo do Kwait, foi posto para fora e ficou marcado para morrer. Ahmadinejah que se cuide.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Obama, bomba atômica e os sofistas

Ah!, os sofistas!
Barack Obama, o ‘new american heroe’: “vou reduzir o arsenal nuclear americano para 20%”

Maravilha!!!

Agora sim! Seremos exterminados somente umas 200 vezes ao invés de mil. Obrigado senhor de todos os arsenais.

Na sala do apocalipse… Israel, Coréia do Norte, Paquistão, Índia, tudo com o dedo no gatilho da bomba. E ainda vem por aí o bolivariano das arábias fabricando a dele contra os infiéis!

Enquanto isso no Absurdistão… cuecas, meias e panetones.

Diplomacia brasileira: alinhamento sóbrio com as grandes potências

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia usar seu bordão preferido para dizer que nunca antes na história do Brasil houve tamanho interesse internacional pela visita de um mandatário estrangeiro como acontece agora com o iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Foi tema ontem de todos os jornais que dão destaque a assuntos globais, de modo geral repetindo o enfoque que a Folha usara na véspera: um teste para a diplomacia do governo Lula.

Passou no teste? Sim, se o aspecto a analisar for apenas o do reconhecimento a um novo peso do Brasil no jogo diplomático global. Com a ressalva de que o interesse pela viagem de Ahmadinejad teve a ver mais com o fato de o Irã estar sendo a bola da vez no noticiário internacional do que com o país visitado.

A viagem do iraniano coincidiu com manobras militares de seu país, de dimensões fora do comum, em meio a uma crescente tensão com o G6 (EUA, Alemanha, França, Reino Unido, China e Rússia) em torno do programa nuclear iraniano.

O subtexto da tensão é este: se o Irã rejeitar a proposta do G6, que seus técnicos haviam aceitado em princípio, Israel vai sentir cócegas nos dedos para atacar as instalações nucleares iranianas. O exercício do Irã é uma maneira óbvia de avisar que está preparado para se defender e para retaliar.

Não por acaso, os especuladores puxaram para cima o preço do ouro, alegando a tensão internacional.

A propósito, Joseph Cirincione, conselheiro da Comissão do Congresso dos EUA sobre Posições Estratégicas, diz que um “ataque militar só aumenta a possibilidade de o Irã desenvolver uma bomba nuclear”, citando o secretário da Defesa, Robert Gates, para quem “não há opção militar que faça mais que ganhar tempo”. Tempo para o Irã eventualmente obter a bomba: de um a três anos, pouco mais ou menos, sempre segundo Gates.

“Grande bobagem”

À Folha Cirincione afirmou que a visita foi “uma grande bobagem diplomática”, sob dois aspectos, o de política interna e o da questão nuclear.

“Ahmadinejad irá usar as imagens da visita como prova de que o mundo o aceita como o líder legítimo do Irã, o que minará os oponentes democráticos do regime no Irã e encorajará a linha-dura iraniana a recusar um compromisso no tema nuclear.”

É possível que Cirincione tenha razão, mas parece exagerada a versão de muitos meios de comunicação de que se está à beira de um confronto entre o Brasil e os Estados Unidos por causa do Irã.

Ajuda-memória: à saída do encontro entre Lula e Barack Obama, às margens da cúpula do G8 da Itália, em julho, Robert Gibbs, porta-voz de Obama, disse à Folha que seu chefe sugerira a Lula que usasse o peso das relações comerciais entre Brasil e Irã para tentar convencer Ahmadinejad a seguir o exemplo brasileiro de uso exclusivamente pacífico da energia nuclear.

Ou seja, recomendou o que o jargão diplomático batiza de “engajamento” — aliás palavra-chave da diplomacia de Obama.

Caminho

Foi rigorosamente o que Lula fez ontem, ao menos na sua própria versão pública: ao reconhecer “o direito do Irã de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos”, Lula emendou cobrando “respeito aos acordos internacionais” e ainda acrescentando que “esse é o caminho que o Brasil vem trilhando”.

Mais: encorajou Ahmadinejad “a continuar o engajamento com países interessados de modo a encontrar uma solução justa e equilibrada para a questão nuclear iraniana”.

No cuidado extremo, às vezes exagerado, que a diplomacia brasileira tem com temas incendiários, é o máximo que se poderia esperar como sugestão para o Irã acertar-se com o G6, cuja proposta, no essencial, foi aceita pelos técnicos iranianos. Trata-se de enviar urânio para enriquecer na Rússia e na França até o nível em que pode ser usado para fins medicinais e, depois, devolvido ao Irã.

Se essa proposta for aceita, “a capacidade de o Irã produzir uma bomba rapidamente seria eliminada, pelo menos pelos dois anos que leva para enriquecer mais urânio”, escreve o especialista Cirincione.

À falta de detalhes sobre as conversas a portas fechadas, parece uma atitude responsável do governo Lula na questão nuclear, independentemente do uso interno que dela faça Ahmadinejad.

Quanto aos direitos humanos, tema central da crítica do governador José Serra à visita do presidente do Irã, seus argumentos são inatacáveis do ponto de vista ético e moral.

Mas a “realpolitik” que comanda a diplomacia global acaba prevalecendo sempre — de que deu exemplo Barack Obama ao visitar a China, na semana passada, e calar-se sobre o Tibete e demais violações aos direitos civis praticados sistematicamente pela China, assim como pelo Irã.

Clóvis Rossi/Folha de S.Paulo