Nietzsche – Reflexões na noite

No título “O novo Ídolo”, em “Assim falava Zaratustra”, Nietzsche aborda o papel crítico do Estado, esse ente criado pelas organizações políticas ao longo do tempo e que representam um povo e uma soberania.Literatura,Poesia,Cultura,Filosofia,Frases,Blog-do-Mesquita 09

Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de outubro de 1844 — Weimar, 25 de agosto de 1900) foi um filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor alemão do século XIX. Ele escreveu vários textos críticos sobre a religião, a moral, a cultura contemporânea, filosofia e ciência, exibindo uma predileção por metáfora, ironia e aforismo.

Estado, chamo eu, o lugar onde todos, bons ou malvados, são bebedores de veneno; Estado, o lugar onde todos, bons ou malvados, se perdem a si mesmos; Estado, o lugar onde o lento suicídio de todos chama-se – “vida”!

Olhai esses supérfluos! Roubam para si as obras dos inventores e os tesouros dos sábios; “culturas” chamam a seus furtos – e tudo se torna, neles, em doença e adversidade!

Olhai esses supérfluos! Estão sempre enfermos, vomitam fel e lhe chamam “jornal”. Devoram-se uns aos outros e não podem, sequer digerir-se.

Olhai esses supérfluos! Adquirem riquezas e, com elas, tornam-se mais pobres. Querem o poder e, para começar, a alavanca do poder, muito dinheiro – esses indigentes!

Olhai como sobem trepando, esses ágeis macacos! Sobem trepando uns por cima dos outros e atirando-se mutuamente, assim no lodo e no abismo.

Ao trono, querem todos, subir: é essa a sua loucura. Como se no trono estivesse sentada a felicidade! Muitas vezes, é o lodo que está no trono e, muitas vezes, também o trono no lodo.

Dementes, são todos eles, para mim, e macacos sobre excitados. Mau cheiro exala o seu ídolo, o monstro frio; mau cheiro exalam todos eles, esses servidores de ídolos!

Porventura, meus irmãos, quereis sufocar nas exalações de seus focinhos e de suas cobiças? Quebrai, de preferência, os vidros das janelas e pulai para o ar livre!

Fugi do mau cheiro! Fugi da idolatria dos supérfluos!
Fugi do mau cheiro! Fugi da fumaça desses sacrifícios humanos!

Também agora, ainda a terra está livre para as grandes almas. Vazios estão ainda para a solidão a um ou a dois, muitos sítios, em torno dos quais bafeja o cheiro de mares calmos.

Ainda está livre, para as grandes almas, uma vida livre. Na verdade, quem pouco possui, tanto menos pode tornar-se possuído. Louvado seja a pequena pobreza!

Onde cessa o Estado, somente ali começa o homem que não é supérfluo – ali começa o canto do necessário, essa melodia única e insubstituível.

Onde o Estado cessa – olhai para ali, meus irmãos! Não vedes o arco-íris e as pontes do super-homem?

Suas ideias-chave incluíam a crítica à dicotomia apolíneo/dionisíaca, o perspectivismo, a vontade de poder, a “morte de Deus”, o Übermensch (Além-Homem, ver: Novo Homem) e eterno retorno. Sua filosofia central é a ideia de “afirmação da vida”, que envolve questionamento de qualquer doutrina que drene uma expansiva de energias, não importando o quão socialmente predominantes essas ideias poderiam ser.

Seu questionamento radical do valor e da objetividade da verdade tem sido o foco de extenso comentário e sua influência continua a ser substancial, especialmente na tradição filosófica continental compreendendo existencialismo, pós-modernismo e pós-estruturalismo. Suas ideias de superação individual e transcendência além da estrutura e contexto tiveram um impacto profundo sobre pensadores do final do século XIX e início do século XX, que usaram estes conceitos como pontos de partida para o desenvolvimento de suas filosofias. Mais recentemente, as reflexões de Nietzsche foram recebidas em várias abordagens filosóficas que se movem além do humanismo, por exemplo, o transumanismo.

Nietzsche começou sua carreira como filólogo clássico — um estudioso da crítica textual grega e romana — antes de se voltar para a filosofia. Em 1869, aos vinte e quatro anos, foi nomeado para a cadeira de Filologia Clássica na Universidade de Basileia, a pessoa mais jovem a ter alcançado esta posição.[5] Em 1889, com quarenta e quatro anos de idade, sofreu um colapso e uma perda completa de suas faculdades mentais. A composição foi posteriormente atribuída a paresia geral atípica devido a sífilis terciária, mas este diagnóstico vem entrado em questão. Nietzsche viveu seus últimos anos sob os cuidados de sua mãe até a morte dela em 1897, depois ele caiu sob os cuidados de sua irmã, Elisabeth Förster-Nietzsche até a sua morte em 1900.

Como sua cuidadora, sua irmã assumiu o papel de curadora e editora de seus manuscritos. Förster-Nietzsche era casada com um proeminente nacionalista e antissemita alemão, Bernhard Förster, e retrabalhou escritos inéditos de Nietzsche para se adequar a ideologia de seu marido, muitas vezes de maneiras contrárias às suas opiniões expressas, que estavam fortemente e explicitamente opostas ao antissemitismo e nacionalismo. Através de edições de Förster-Nietzsche, o nome de Friedrich tornou-se associado com o militarismo alemão e o nazismo, mas estudiosos posteriores do século XX vêm tentando neutralizar esse equívoco de suas ideias.

Literatura,Poesia,Cultura,Filosofia,Frases,Blog do Mesquita 00 B

Carlos Drummond de Andrade – Poesia

Destruição
Carlos Drummond de Andrade

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.

Fatos & Fotos do dia 30/10/2020

Boa noite.
Destruição
Carlos Drummond de Andrade

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.


Findando a tarde com Concha Buika


Bolsonaro é o mal do mau



Mark Fearnley ->Foto do dia


No Brasil não há limites para o obscurantismo. Mesmo quando as coisas são cor de rosa.


Edward Brian Seago – “Veneza”
Aquarela – s/d s/t

A pré-história da internet – e a palavra bíblica que deu seu pontapé inicial


O Pentágono nos anos 60; a partir dali, nasceu a rede precursora da internet

CRÉDITO,GETTY IMAGES

Na década de 1960, Bob Taylor, um engenheiro que já havia estudado psicologia, trabalhava no Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA na capital, Washington DC.

Ele ficava no terceiro andar, perto do secretário de Defesa e do chefe de uma agência fundada em 1958 como parte desse setor: a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (Darpa, na sigla em inglês).

Estava agência tinha entrado inicialmente na corrida espacial, mas a Nasa, criada alguns meses depois, a eclipsou.

Tudo parecia indicar que a Darpa não tinha futuro, mas ela se reergueu e teve um papel fundamental em tecnologias transformadoras.

Bob Taylor – CRÉDITO,GARDNER CAMPBELL/WIKIPEDIA

Taylor estudou psicologia na universidade antes de trabalhar como engenheiro aeronáutico, passar pela Nasa e chegar à Darpa

Três terminais espalhados pelos EUA

A ressurreição começou em 1966, quando Taylor e a Darpa plantaram a semente de algo grande.

Ao lado do escritório do engenheiro, havia uma sala de terminais, um pequeno espaço no qual havia três terminais de acesso remoto com três teclados diferentes, um do lado do outro.

Cada terminal permitia que Taylor emitisse comandos para um computador mainframe (de grande porte, responsável por processar um volume grande de informações) distante.

Um deles estava no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a mais de 700 km de distância dali.

Outros dois estavam do outro lado do país, na outra costa: um na Universidade da Califórnia e o outro no Comando Aéreo Estratégico de Santa Mônica (também na Califórnia), chamado AN / FSQ32XD1A — ou Q32, para abreviar.

Cada um desses enormes computadores exigia um procedimento de login e uma linguagem de programação diferente.

Era, como definiram os historiadores Katie Hafner e Matthew Lyon, como “ter uma sala lotada de várias televisões, cada uma dedicada a um canal diferente”.

Ainda que Taylor pudesse acessar esses computadores remotamente por meio de seus terminais, eles não podiam se conectar facilmente entre si ou com outros computadores financiados pela Darpa nos Estados Unidos.

Era quase impossível compartilhar dados, fazer conjuntamente um cálculo complexo ou até enviar uma mensagem entre esses computadores.

‘Comece, você terá US$ 1 milhão a mais’

O próximo passo era óbvio, diz Taylor.

“Tínhamos de encontrar uma maneira de conectar todas essas máquinas diferentes”, propôs Taylor.

Taylor falou com o então chefe da Darpa, Charles Herzfeld, sobre seu plano.

“Já sabemos como fazer isso”, assegurou ele, embora não estivesse claro se alguém realmente sabia como conectar uma rede nacional de computadores mainframe.

“Ótima ideia!”, exclamou Herzfeld. “Comece. Você terá US$ 1 milhão a mais em seu orçamento.”

A reunião levou 20 minutos.

Desafio formidável

Havia algo nascendo, só talvez não se sabia o quão grandioso
CRÉDITO,GETTY IMAGES

Larry Roberts, do MIT, já havia conseguido que um de seus computadores mainframes compartilhasse dados com o Q-32: dois supercomputadores conversando por telefone.

Chegar a isso foi um processo lento e desafiador.

Mas Taylor, Roberts e seus colegas visionários tinham algo muito mais ambicioso em mente: uma rede à qual qualquer computador pudesse se conectar.

Como Roberts disse na época, “quase todos os elementos concebíveis de hardware e software de computadores estarão na rede”.

Foi uma grande oportunidade, mas também um desafio enorme.

Motor de Ferrari para aquecer… um bife?

Os computadores eram raros, caros e frágeis para os padrões de hoje.

Geralmente, eram máquinas programadas manualmente pelos cientistas que as usavam.

Quem convenceria aqueles poucos privilegiados a deixar de lado seus projetos para escrever um código a serviço da troca de dados com outras pessoas?

Era como pedir ao dono de uma Ferrari que desligasse o motor para aquecer um bife que o cachorro de outra pessoa iria comer.

Felizmente, outro pioneiro da computação, o físico Wesley Clark, surgiu com uma solução.

Desenhos feitos por Larry Roberts em 1969 projetando a Arpanet

Novas oportunidades com os minicomputadores

Clark vinha acompanhando o surgimento de uma nova geração de computadores.

O minicomputador era modesto e econômico em comparação com os mainframes do tamanho de uma sala instalados nas universidades dos EUA.

Clark sugeriu a instalação de um minicomputador em cada ponto desta nova rede.

O mainframe local, o enorme Q-32, por exemplo, se comunicaria com um minicomputador perto dele.

O PDP-8, o primeiro minicomputador, fabricado pela DEC
CRÉDITO,GETTY IMAGES

O minicomputador ficaria encarregado de se comunicar com todos os outros minicomputadores da rede. Ele seria responsável também pelo novo e interessante desafio de transportar pacotes de dados de forma confiável para que chegassem a seu destino.

Todos os minicomputadores funcionariam da mesma maneira; portanto, se você escrevesse um programa de rede para um, ele funcionaria em todos.

Adam Smith, o pai da economia, teria ficado orgulhoso da maneira como Clark estava se aproveitando da especialização e divisão do trabalho.

Os mainframes existentes continuariam a fazer o que já faziam bem. Já os novos minicomputadores seriam otimizados para gerenciar a rede de maneira confiável, sem falhas.

À prova de estudantes

A beleza da ideia de Clark era que cada unidade central local tinha que simplesmente se comunicar com a pequena caixa preta ao lado: o minicomputador local.

Essa era a única coisa necessária para conectar-se a toda a rede.

As “pequenas caixas pretas” eram na verdade grandes e cinza e foram chamadas de IMP (Interface Message Processors).

Os IMPs eram versões personalizadas dos minicomputadores Honeywell, que tinham tamanho de geladeiras e pesavam mais de 400 kg.

Outro superlativo: custavam US$ 80 mil cada, cerca de US$ 500 mil em valores de hoje (cerca de R$ 2 milhões).

Os projetistas da rede queriam processadores de mensagens que trabalhassem em silêncio, com supervisão mínima e que resistissem à ação de calor ou frio, vibrações ou oscilações, mofo, ratos e, o pior, de estudantes curiosos armados com chaves de fenda.

Os computadores Honeywell, na época usados pelo setor militar, pareciam um ponto de partida ideal, embora a blindagem das máquinas fosse, talvez, um pouco excessiva.

‘Lo!’

Um mapa com pontos, destinos e conexões da Arpanet inicial
CRÉDITO,GETTY IMAGES

O protótipo, IMP 0, estava pronto no início de 1969. Mas não funcionou.

Um jovem engenheiro tentou consertá-lo por meses, desenvolvendo e enrolando manualmente fios em torno de palitos de metal separados por uma distância de aproximadamente 1 milímetro.

Somente em outubro daquele ano, é que o IMP 1 e o IMP 2 estavam prontos para uso na Universidade da Califórnia e no Stanford Research Institute, a mais de 500 km de distância um do outro.

Em 29 de outubro de 1969, dois computadores centrais (mainframe) trocaram sua primeira palavra por meio de seus IMPs complementares.

A palavra foi: “Lo”, uma interjeição de supresa que significa algo como “veja!” e que aparece em traduções para o inglês da Bíblia.

A verdade é que a intenção inicial do operador era escrever “Login”, mas a rede caiu após as duas letras surgirem.

Um começo difícil, mas a Arpanet estava ligada.

Outras redes se seguiram, e o projeto da década seguinte foi interconectá-las em uma rede de redes, ou simplesmente a “internet” — “net” em inglês quer dizer “rede”.

Finalmente, os IMPs foram substituídos por dispositivos mais modernos chamados roteadores. No final dos anos 80, aqueles já eram peças de museu.

Mas o mundo que Roberts havia previsto, no qual “quase todos os elementos concebíveis de hardware e software de computadores estarão na rede” estava se tornando realidade.

E os IMPs abriram e mostraram o caminho.

E a Darpa? Graças ao sucesso desta missão, da qualidade de seus funcionários e à confiança em seus projetos, a agência continua hoje tendo papel fundamental no desenvolvimento tecnológico, como na criação do sistema de posicionamento global, o GPS e, mais recentemente, nos carros sem motorista.

Tim Harford escreve a coluna “Economista clandestino” no jornal britânico Financial Times. O Serviço Mundial da BBC transmite a serie 50 Things That Made the Modern Economy. Você pode encontrar mais informações sobre as fontes do programa e escutar todos os episodios, ou ainda al seguir o podcast da serie (em inglês).

Fatos e fotos do dia 29/10/2020

 

Oscar Peterson findando está tarde de sexta-feira


Lessadro Ossani
“Countess Julia Fabry-Kotti”


A vida como não deveria ser, ou a fome não espera. Manila Filipinas


A vida como não deveria ser
Manilla, Filipinas


Design – Biciletas de Madeira



Zorba The Greek Dance
The Greek Orchestra Emmetron


General Rego Barros não há, de minha parte, a menor possibilidade de lhe perdoar o mal que o senhor fez ao Brasil, e a lama que jogou nas FFAA, pelas quais meu pai se doou por 38 anos – quando contemplo no porta retrato a foto do então jovem tenente Almir Mesquita em Cruz Alta, RS, onde iniciou sua trajetória até ao generalato, meus olhos lacrimejam, minha vergonha lateja e a ira afoga meu peito. O senhor sabia exatamente que demônio estava ajudando a eleger, e manter no poder. A história,general, é cruel, general, e irrecuperável, general. Lamento, não só pelo senhor, mas pelo fardo pesado da vergonha que seus descendentes carregarão sobre os ombros.


Marrakesch


Foto do dia – Tumblr


A pintura de Goli Mahali

O que é Steampunk?

Você está acostumado a ver as últimas novidades e as promessas para o futuro da tecnologia,  em abordagens sobre meios de transporte, gadgets e outros aparatos eletrônicos que são parte do seu cotidiano.

Mas e se grandes avanços já tivessem sido feitos há muito tempo, mais precisamente quando o motor a vapor era o principal meio industrializado de produção de energia e movimento? E se apenas esse elemento rudimentar fosse a base para todos os avanços da humanidade?

Essa é a proposta e a abordagem do steampunk, um movimento que nasceu na literatura e rapidamente conquistou outras mídias e uma grande quantidade de seguidores. Vale a pena conhecer o imaginário criado por vários autores, que montaram um universo inteiro representando uma alternativa para a tecnologia de hoje.

Pontapé inicial

Antes de firmar-se propriamente, o steampunk era apenas um subgênero de um subgênero: suas raízes remetem ao cyberpunk, uma ramificação da ficção científica que engloba universos paralelos futuristas e uma tecnologia muito mais avançada do que a encontrada na época em que se passam as histórias.

As primeiras obras surgiram em meados de 1980, na forma de pequenos romances. Neles, personagens históricos do século XIX, como Santos Dumont, são mesclados com heróis e aristocratas fictícios, criando textos originais e imaginativos.

(Fonte da imagem: DrawingNight)

O grande diferencial nesse estilo é justamente a tecnologia: nas histórias do steampunk, a tecnologia a vapor (steam, em inglês) não foi rapidamente superada, desenvolvendo-se mais do que todas as outras e sendo o grande invento do homem, enquanto a eletricidade fica em segundo plano. Junte isso com um excesso de aparelhos mecanizados e está criado o cenário para essas aventuras.

Com essas mudanças no curso da humanidade, tudo é afetado. Cientistas e engenheiros criam diversas bugigangas de uso militar ou civil, enquanto a arquitetura das cidades abusa de engrenagens e estruturas metálicas.

Juntando as primeiras engrenagens

A literatura foi o primeiro meio de divulgação do estilo, abrigando romances de alta qualidade. Talvez o maior destaque seja Julio Verne, o propagador mais popular do movimento, responsável por obras bastante lidas até hoje, como “20.000 Léguas Submarinas”, “Volta ao Mundo em 80 Dias” e “Viagem ao Centro da Terra”.

Nelas, tecnologias avançadas demais para a época, como submarinos e potentes escavadeiras, levavam o ser humano a locais extraordinários, como o fundo do mar e o núcleo do planeta.

(Fonte da imagem: MyFreeWallpapers)

Além disso, várias figuras consagradas da literatura tiveram ao menos um pé no estilo em algumas histórias, como Arthur Conan Doyle (da série Sherlock Holmes), H.G. Wells (de “Guerra dos Mundos”) e Charles Dickens (de “Oliver Twist”).

Com os autores convivendo quase no mesmo período, grande parte das tramas que abordam o steampunk ambientam-se na mesma época: a era vitoriana, período britânico de governo da Rainha Vitória, de 1837 a 1901. Ainda assim, universos paralelos de alguns autores conseguem trazer alguns desses temas para os dias de hoje, em uma literatura especulativa.

Dos livros para as telas

Mesmo que as bases mais fortes do steampunk estejam na literatura, o cinema e os games foram essenciais para sua popularização, já que o gênero foi retratado em grandes lançamentos.

“As Loucas Aventuras de James West”, com Will Smith. (Fonte da imagem: Warner Bros.)

A grande maioria consiste de filmes famosos, com um elenco cheio de estrelas. Entre longas com temática central ou apenas referências ao steampunk, é possível citar “As Aventuras de James West”, “A Liga Extraordinária”, “Blade Runner”, “Rocketeer”, “De Volta Para o Futuro III” e os recentes “Sucker Punch – Mundo Surreal” e “9 – A Salvação”.

Epic Mickey e o vapor como fonte de energia. (Fonte da imagem: Divulgação / Disney)

Além disso, até mesmo alguns games embarcaram na onda e criaram cenários, personagens ou armas com visuais steampunk bastante detalhados. Entre os títulos, destacam-se o jogo independente de naves Jamestown, a série Bioshock e até recente aventura do mais famoso personagem da Disney, Epic Mickey. Até mesmo a série Final Fantasy utiliza algumas referências desse universo, especialmente nos episódios VI e Dirge of Cerberus: Final Fantasy VII.

Muito mais que bugigangas

Um dos pontos mais interessantes do steampunk é que ele não se limita em um universo ficcional. Calma, não estamos falando da maquinaria característica do estilo, mas da legião de fãs que foi conquistada por esse movimento – que é praticamente uma filosofia para quem o celebra fielmente.

Admiradores do steampunk se reúnem caracterizados. (Fonte da imagem: Conselho Steampunk Paraná)

O Brasil é bastante avançado nesse meio: Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, possuem conselhos organizados que promovem várias atividades para os fãs. Nos encontros, há desde discussões sobre obras até a produção de artesanato com base no steampunk, tudo isso com fãs devidamente caracterizados como integrantes desse universo.

Até alguns produtos bastante originais e recentes resolveram homenagear o gênero, como um pendrive e um notebook.

Proporção de negros nas prisões cresce 14% em 15 anos, enquanto a de brancos cai 19%, mostra Anuário de Segurança Pública

Dois em cada três presos são negros. Segundo a publicação, existe forte desigualdade racial no sistema prisional, percebida na maior severidade de tratamento e de punições direcionadas aos negros.

Em 15 anos, a proporção de negros no sistema carcerário cresceu 14%, enquanto a de brancos diminuiu 19%. Hoje, de cada três presos, dois são negros. É o que revela o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado neste domingo (18) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Dos 657,8 mil presos em que há a informação da cor/raça disponível, 438,7 mil são negros (ou 66,7%). Os dados são referentes a 2019.

Percentual de negros tem aumentado ano a ano — Foto: Elcio Horiuchi/G1
Segundo o Anuário, as prisões no país estão se tornando, ano a ano, espaços destinados a um perfil populacional cada vez mais homogêneo. “No Brasil, se prende cada vez mais, mas, sobretudo, cada vez mais pessoas negras.”

“Existe, dessa forma, uma forte desigualdade racial no sistema prisional, que pode ser percebida concretamente na maior severidade de tratamento e sanções punitivas direcionadas aos negros”, afirma a publicação.

“Aliado a isso, as chances diferenciais a que negros estão submetidos socialmente e as condições de pobreza que enfrentam no cotidiano fazem com que se tornem os alvos preferenciais das políticas de encarceramento do país.”

Amanda Pimentel, pesquisadora associada do Fórum, lembra que, além das condições que levam os negros a serem mais presos do que não negros, existe também o tratamento desigual dentro do sistema judiciário.

“As prisões dos negros acontecem em razão das condições sociais, não apenas das condições de pobreza, mas das dificuldades de acesso aos direitos e a vivência em territórios de vulnerabilidade, que fazem com que essas pessoas sejam mais cooptadas pelas organizações criminosas e o mundo do crime. Mas essas pessoas também são tratadas diferencialmente dentro do sistema de justiça. Réus negros sempre dependem mais de órgãos como a Defensoria Pública, sempre têm números muito menores de testemunhas. Já os brancos não dependem tanto da Defensoria, conseguem apresentar mais advogados, têm mais testemunhas. É um tratamento diferencial no sistema de justiça. Os réus negros têm muito menos condições que os réus brancos”, diz.

“Para cada não negro preso que adentrou ao sistema prisional, dois negros foram presos. Se você comparar a entrada e a permanência no sistema prisional, você vê que é pouco mais do que o dobro das pessoas não negras”, completa Amanda.

De acordo com a pesquisadora, da maneira como a prisão é organizada, ela fica “extremamente voltada para o encarceramento do negro, que normalmente comete mais crimes patrimoniais”.

É importante ressaltar que, no mesmo período, no Brasil, houve, de fato, um aumento de brasileiros que se autodeclaram negros. Mas esse aumento foi proporcionalmente menor que o verificado nas prisões. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 56% da população é negra – percentual menor que o verificado nas cadeias.

Amanda lembra que a política de encarceramento em massa dificulta ainda mais o combate à violência, em razão do fortalecimento das organizações criminais. “Muitas pessoas que cometem crimes não violentos e adentram ao sistema penal têm contato com diversas organizações e isso acaba fortalecendo as facções, como o PCC e o Comando Vermelho.”

O Anuário mostra que, historicamente, a população prisional do país segue um perfil muito semelhante ao das vítimas de homicídios.

“Em geral, são homens jovens, negros e com baixa escolaridade. Apenas em 2019, os homens representaram 95% do total da população encarcerada. No que se refere ao gênero, portanto, existe uma sobrerrepresentação masculina na população prisional, explicada em grande parte pela intensa associação existente entre ‘mundo do crime’ e valores viris, exercidos primordialmente por homens.”

A tendência de crescimento da população carcerária, porém, também atinge as mulheres. Em 2008, havia 21.604 pessoas do sexo feminino no sistema prisional; 11 anos depois, esse número cresceu, chegando a 36.926, um crescimento de 71% de prisões de mulheres.

Em relação aos jovens, chama a atenção que a principal faixa etária nas prisões seja a de 18 a 24 anos (26% do total). Logo em seguida aparecem os presos de 25 a 29 anos (24%).

Os dados do Anuário mostram ainda que há menos presos em carceragens de polícia, informação revelada em levantamento feito pelo Monitor da Violência no início do ano.

Pandemia nos presídios

O Anuário também fez a coleta de dados referentes a mortes e casos de Covid-19 em 2020 nos presídios do país. Houve 113 óbitos e 27.207 casos entre a população carcerária.

Segundo a publicação, dentro do sistema prisional brasileiro, a pandemia da Covid-19 e as medidas tomadas para contê-la causaram um agravamento das condições de encarceramento da população e aprofundaram as violações de direitos fundamentais.

Enquanto a incidência, fora das prisões, é de 2.245 casos de infecção para cada 100 mil habitantes, dentro do sistema prisional a taxa salta para 3.637 casos a cada 100 mil pessoas presas, afirma o Anuário.

“Os altos índices de incidência da doença no ambiente prisional, infelizmente, contam a história de uma tragédia anunciada. Desde os primeiros casos da doença registrados na China e na Europa, as informações disseminadas pela comunidade científica mundial, por meio da Organização Mundial da Saúde, dão conta de que o distanciamento físico é a medida mais adequada e eficaz para a contenção do vírus e, consequentemente, da doença causada por esse agente biológico. Diante desta evidência, como garantir distanciamento social entre as pessoas presas em um contexto de superlotação como o registrado nos sistemas prisionais de todos os estados brasileiros? Como garantir a distância mínima de um metro entre os quatro detentos que ocupam uma única vaga nas unidades prisionais do estado de Roraima? A impossibilidade desta divisão se expressa na disseminação descontrolada da infecção pelo coronavírus em grande parte dos estados.”