Os Quixotes Indignados

Por Theófilo Silva[1]

Dom Quixote IlustraçãoA condenação definitiva, a 150 anos de prisão, do bilionário financista americano Bernard Madoff por crimes financeiros, que saiu do tribunal algemado, num processo cujo desfecho durou menos de um ano, nos impõe uma série de reflexões acerca da ineficiência da enrolada justiça brasileira, a maioria delas já feitas pela imprensa.

Minha reflexão é recordar algumas figuras quixotescas presentes no cenário brasileiro nos último vinte anos – que eu me lembro -, aquelas marcadas por um fato: revolta e coragem diante da corrupção e da impunidade. Aqueles cidadãos pacatos – com algo de Hamlet – muitas vezes puros, colocados pelo destino diante de verdades lamentáveis. E dos funcionários públicos encarregados de alguma investigação contra um corrupto poderoso. Aqueles servidores que “passam dos limites”, “agem fora de sua jurisdição” sendo chamados de loucos por acelerarem os lentos e ineficientes passos da justiça.

Todos nós crescemos ouvindo o discurso de Rui Barbosa citado por nossos avós: “de tanto ver prosperar a desonra…”. Falo desses Quixotes, que diante de atos desonestos agem de forma surpreendente, enfrentando culpados poderosos pegos “com a mão na botija”. Esses sujeitos meio loucos, meio heróis, de 1990 para cá: Takeshi Imai, Eriberto França e o caseiro Francenildo; funcionários federais, como: Luiz Francisco, Sílvio Marques, Fausto de Sanctis e o que está na berlinda, delegado Protógenes, todos que de uma forma ou de outra alteraram os rumos da história por força de sua indignação e de suas ações. Homens que, como diz o duque de Milão, em Como Gostais, peça de Shakespeare: “usam a loucura como disfarce de caçador, para disparar seus tiros…”

Suas personalidades são distintas. Takeshi, Eriberto e Francenildo são gente do povo que num momento de provação demonstraram indignação e patriotismo. Sílvio Marques é o único em que não há “loucura”, mas simplesmente coragem. Esse promotor juntou várias toneladas de provas contra Paulo Salim – deixou-o preso por 45 dias -, figura que reputo como a mais repugnante de toda a história do país, mais até que Joaquim Silvério dos Reis. Um atestado vivo da inexistência de justiça no Brasil.

O procurador de fala mansa e tímida, Luiz Francisco, criou um pandemônio na vida de muitos corruptos, mesmo que os holofotes o tenham cegado um pouco. Já o juiz Fausto de Sanctis teve a coragem de trombar com a figura pública mais detestada do país, o presidente do STF, Gilmar Mendes, sendo duramente perseguido por isso.

Todos eles granjearam a simpatia da sociedade e dos homens de bem deste país. Seus atos os tornaram uma espécie de Quixotes lutando com os moinhos, e na sua busca por justiça podem ter exagerado, e por isso tiveram suas vidas desmanteladas.

Um ou outro errou, mas o legado é positivo. Não são heróis nem loucos: são homens indignados. Resta-lhes um consolo vindo também de um simples mensageiro do rei Henrique VI, na peça homônima do nosso amigo Shakespeare: “Diante de muitos golpes de uma machadinha, o mais possante carvalho oscila e acaba vindo ao chão”. Vida longa aos Quixotes!

[1]Theófilo Silva é presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e colaborador do blog do Moreno

Pirâmide. O caso Madoff e o Brasil

A pirâmide de Bernard Madoff – o ex-presidente da Nasdaq autor de um rombo de US$ 50 bi no mercado mundial – deixou várias vítimas no Brasil.

Tempos atrás, em meu Blog, a comentarista Bainca Feijó já havia antecipado vários pontos que agora começam a vir à tona.

O maior representante de Madoff no Brasil era Bianca Hagler, do grupo Fairfield Greenwich Group), filha de Alex Haegler. A família é milionária, com trânito em Milão, Londres, Madri, Genebra e Rio de Janeiro.

Tia de Bianca, Mônica Haegler é casada com o americano Walter Noel – melhor amigo e sócio há 20 anos de Bernard Madoff. E os Haegler têm relações de parentesco com Jorge Paulo Lehman, da Inbev.

Foi através da família da esposa, que Walter trouxe a pirâmide Madoff para o Brasil. Por aqui, a distribuição dos produtos ficou a cargo do Banco Safra, com sede também na Europa e nos Estados Unidos.

Os primeiros clientes foram frequentadores do Country Club, do Rio de Janeiro. Devido ao tombo, os Haegler foram proibidos de continuar frequentando o clube.

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A posição mais delicada é a do Banco Safra. Para aplicar nos fundos Madoff, o Safra montou em abril de 2006 uma empresa, a ZEUS PARTNERS LIMITED, com sede nas Ilhas Virgens. A empresa é controlada em 100% pelos Safra e seu board é constituído por Gerard Vila, Michael Paton and Charles Galliano.

O custodiante da companhia é o Banco Safra de Gibraltar. E a companhia se responsabiliza pela avaliação da origem dos recursos depositados – para evitar qualquer risco de se envolver com dinheiro ilegal.

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É aí que o jogo começa a complicar para o lado dos Safra.

Há cerca de uma centena de investidores no Zeus Partners. Conforme divulguei em meu blog, o diretor de CRM (sistemas de gerenciamento de clientes) de um grande portal, por exemplo, perdeu US$ 3.015.431,98; um ex-dirigente do Banco Santos (que está com os bens bloqueados) tinha US$ 1.073.435,35 em sua conta; o diretor executivo de TI de uma empresa média de informática tinha fabulosos US$ 13.270.567,51; e uma funcionária de TI da Secretaria da Fazenda de São Paulo US$ 565.129,15.

Todos esses casos são, no mínimo, indicativos de possível lavagem de dinheiro.

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Mulher do golpista Bernard L. Madoff – sacou 15 milhões antes do golpe de 50 bilhões

Investigadores apresentaram provas às autoridades em Nova York.
Saques ocorreram em novembro e dezembro passados.

A mulher do americano Bernard Madoff sacou US$ 15,5 milhões poucas semanas antes de seu marido ser detido por um escândalo que envolvia fraude com as chamadas “pirâmides financeiras”. Os investigadores do caso apresentaram às autoridades em Nova York um documento que assinala que Ruth Madoff fez operações financeiras em novembro e dezembro passados.

O documento vincula a empresa Cohmad Securities que, segundo os investigadores, estava ligada à companhia de Madoff que operava as pirâmides de Nova York.

Madoff foi acusado de dirigir uma fraude internacional com a qual teria se apropriado de até US$ 50 bilhões dados a sua empresa por centenas de investidores, entre eles celebridades dos Estados Unidos.

Segundo os investigadores, as autoridades da Cohmad Securities conheciam as transferências que eram feitas da conta de Madoff.

Madoff foi detido no início de dezembro e no momento cumpre prisão domiciliar em seu apartamento em Manhattan.

do G1

Fraude – Bernard L. Madoff, o golpe de US$ 50 bilhões

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Golpe(Pirâmide de Ponzi(*)) antigo que ainda pega muita gente, e não são pessoas simples não, são vítimas(**) ilustres que achavam que estavam fazendo um ótimo negócio, ledo engano. Curiosidade, olhem só o sobrenome do vigarista ao contrário “FFODAM”, é quem se F**** foi ele.

O esquema de Madoff era executado por meio de sua assessoria a fundos de hedge(equivalentes no Brasil aos fundos multimercados), instituições financeira e investidores individuais. Ele oferecia retornos constantes, mesmo em épocas de queda nas ações. Para isso, usava o dinheiro de novos clientes, em vez de utilizar a receita obtida com as aplicações dos recursos.

O modelo depende essencialmente do fluxo constante de novos investimentos. Se alguém interrrompe a corrente, o que pode acontecer com a retirada em peso de grande volume de dinheiro, o esquema desmorona sobre seu próprio peso. Com a crise bancária a partir de outubro, Madoff teve pedidos de resgates de US$ 7 bilhões aí a casa caiu, ou melhor,  a pirâmide desmoronou.

(*) Pirâmide de Ponzi – Na década de 20, o ítalo-americano Carlo Ponzi enganou mais de 30 mil norte-americanos ao prometer um retorno de 100% em apenas 90 dias. Ele chegou a ganhar diariamente US$ 250 mil. Os primeiros clientes receberam sua parte da bolada, mas os últimos perderam tudo. O golpe da pirâmide é simples. A base é composta pelos últimos investidores captados. O montante vai diretamente para o topo e todos os outros intermediadores envolvidos, da primeira escala à última, são remunerados com uma comissão.

(**)Vítimas: Paul Mccartney, Uma Thurman, Steven Spielberg, Fred Wilpon, Kobe Bryant, Elie Wiesel, Mortimer Zuckerman, Michael Geoghegan, Emilio Botín, Kenichi Watanabe

Madoff e fraudes financeiras

O Prêmio Nobel de economia evita o economês e desnuda o lado irresponsável do Estado no controle da economia. Aliás, para os que gostam de curiosidades, leiam o nome Madoff ao contrário.

O escândalo Madoff e o delírio da economia

Paul Krugman – O Estado SP

A revelação de que Bernard Madoff – brilhante investidor (ao menos era o que todos pensavam), filantropo, um pilar da comunidade – é um impostor chocou o mundo, e com razão. A dimensão do seu esquema fraudulento de supostos US$ 50 bilhões é difícil de compreender.

Mas certamente eu não sou a única pessoa a fazer a pergunta óbvia: qual é a diferença entre a história de Madoff e a história da indústria de investimentos como um todo? A indústria de serviços financeiros abocanhou uma fatia cada vez maior da renda nacional durante a última geração, tornando as pessoas que comandam essa indústria incrivelmente ricas. Mas, a esta altura, parece que boa parte da indústria financeira estava destruindo valor, em vez de criá-lo. E não se trata apenas de dinheiro: a vasta riqueza obtida por aqueles que administravam o dinheiro dos outros teve como efeito a corrupção da nossa sociedade como um todo.

Vamos começar pela remuneração dos altos executivos. No ano passado, o salário médio dos empregados do setor de “valores mobiliários, contratos de venda de commodities e investimentos” era equivalente a mais de quatro vezes o salário médio no restante da economia. Ganhar US$ 1 milhão não era nada de especial, e mesmo rendas de US$ 20 milhões eram relativamente comuns. A renda dos americanos mais ricos aumentou vertiginosamente durante a última geração, enquanto o salário dos trabalhadores comuns estagnou; a remuneração exorbitante de Wall Street foi uma das principais causas dessa disparidade cada vez maior.

Mas é claro que essas super estrelas do mundo dos investimentos faziam por merecer todos aqueles milhões, certo? Não necessariamente. O sistema de remuneração de Wall Street recompensa grandiosamente a aparência do lucro, mesmo que esta se revele posteriormente mera ilusão.

Consideremos o exemplo hipotético de um administrador financeiro que alavanca o dinheiro do seu cliente por meio de enormes dívidas, e então investe o montante aumentado em ativos de grande retorno e imenso risco, como por exemplo valores mobiliários atrelados a hipotecas.

Durante algum tempo – digamos, enquanto a bolha da casa própria continuar inflando – ele (trata-se quase sempre de um homem) conseguirá grandes lucros e receberá imensos bônus. Então, quando a bolha estourar e seus investimentos forem transformados em lixo tóxico, seus investidores perderão muito dinheiro – mas ele manterá aqueles bônus.

Está bem, quem sabe meu exemplo não seja hipotético.

Então qual seria a diferença entre aquilo que Wall Street como um todo andou fazendo e o caso de Madoff?

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