Léon Spilliaert – A Pintura de um gênio desconhecido da Bélgica

As imagens fantasmagóricas do pintor do século XX.

A Noite de Spilliaert, 1908

“Um espectro de cartola” passa pela colunata neoclássica à beira-mar de Oostende em The Night, 1908, de Spilliaert. Fotografia: Vincent Everarts / Coleção do Estado belga, depositado no Musée d’Ixelles, Bruxelas.

Crepúsculo em Ostende, e um manto preto desce sobre o farol sinistro. O horizonte está começando a desaparecer, a costa diminui para um brilho. A cidade permanece quieta, mas no mar as ondas agitam como um dorminhoco perturbado por sonhos perigosos. E é aqui que estamos, onde a imagem nos coloca – aqui na escuridão que se afoga.

Leon Spilliaert, Sea, 1909

O artista belga Léon Spilliaert (1881-1946) provavelmente não tinha mais de 20 anos quando fez essa imagem assustadora, usando tinta preta diluída, pincéis e lápis de cor. Parece que ele estava ali na ressaca. A força da maré durou a vida inteira para Spilliaert, que patrulhava esse trecho da costa todos os dias, caminhando pelas areias de Oostende antes do amanhecer, ao entardecer e à meia-noite. Ele conhecia esse mar de cor.

Poucos conheciam seu trabalho até alguns anos atrás, exceto por um único auto-retrato no qual ele aparece como um fantasma em uma sala sepulcral e uma casa solitária refletindo o preto em um dique crepuscular. Perce-se apenas o sentido mais perigoso de sua vida ou datas.

Leon Spiller – Auto Retrato

A maioria dos artistas europeus do período não consegue resistir a guarda-sóis, velas ou crianças remando. Claro que havia Turner, do primeiro ao último.

Um artista que vê a praia como um palco do qual as pessoas podem desaparecer repentinamente. As praias de Spilliaert não são apenas dramaticamente vazias, elas parecem ter a sensação de uma presença desaparecida, de inquietação e até ameaça.

Suas pinturas pareciam tão atemporais quanto as linhas da costa – areia, mar e céu em faixas sucessivas de abstração. E ele os levou ainda mais longe do esplendor marinho que associamos aos prazeres do litoral à terra monocromática da noite.

Leon Spilliaert, House on Sea, 1903

Era lá que o próprio Spilliaert gostava de morar, ou assim me parece naquele auto-retrato surpreendente que está no Metropolitan Museum de Nova York. Ali está o jovem Spilliaert, com sua marca registrada e seu terno estreito, sentado com uma prancheta diante de um espelho que mostra paredes desmembradas, janelas pretas e outro espelho escuro atrás dele: um espectro em uma caixa de sombras.

Léon Spilliaert – Um espectro em uma caixa de sombras, 1907
Auto-retrato com prancheta – Foto MoMa

Mas olhar para suas praias em algo que não fosse reprodução era quase impossível. Spilliaert mal está representado em museus fora da Bélgica, e quase na Grã-Bretanha. Sua arte é escondida principalmente em coleções particulares. Vê-lo na realidade significava viajar para Oostende, onde ele morava e morria, e seguir seus passos durante a noite.

Léon Spilliaert, Digue et plage, 1907. Encre de Chine, lavis et crayons de couleur sur papier

Para Léon Spilliaert, é a grande ave noturna da arte moderna. Inquieto, insone e sofrendo de úlceras estomacais desde tenra idade, ele se levantava de madrugada e caminhava pelas ruas mortas até o longo passeio onde Ostend encontra a costa. Sua arte é cativada pela solidão e silêncio enervantes. Imagem após imagem mostra a beira-mar vazia, as únicas luzes de gás ao longo do píer, os degraus vertiginosos caindo nas vastas areias brancas, o mar negro girando sem parar.

Léon Spilliaert, Tempête sur la mer, 1908
India ink wash, brush, colored pencils on paper
520 x 420 mm

Léon Spilliaert, Lost Sea, 1905

Suas praias brilhavam na penumbra crepuscular. As defesas costeiras se afastam em ângulos violentos. Caminhos, colunatas arqueadas e terraços de pedra avançam em direção ao ponto de fuga. Sua paleta vai do crepúsculo prateado, leva cinza e sépia ao preto obliterador, com apenas um toque ocasional de luz na lua ou o halo de uma lâmpada. Não há ninguém lá (exceto Spilliaert).

O artista nasceu em uma família de lojistas no centro de Oostende. Seu avô era o faroleiro, mas seu pai era um perfumista com uma grande loja em Kapellestraat, ainda a principal rua comercial. Ele também possuía um salão de cabeleireiro, pintado por seu filho em 1909. No brilho baixo de um candelabro, casacos e chapéus pendiam de estacas como pessoas mortas. Claramente, ainda existem clientes, mas a cena é tão fraca que parece o meio da noite.

Léon Spilliaert,Interior,Beauty Parlor, 1909

Leon Spilliaert, Three figures 1904

Como Bruxelas virou centro do extremismo islâmico na Europa

Burocracia excessiva, descentralização do Estado, rivalidade entre valões e flamengos e má integração de minoria muçulmana são algumas das explicações para capital belga ter se tornado foco do jihadismo.

Bruxelas foi alvo de atentados no aeroporto internacional Zaventem e na estação de metrô de Maelbeek, próxima a prédios da União Europeia. Os ataques desta terça-feira (22/03) foram reivindicados pelo grupo jihadista “Estado Islâmico” (EI).

Apesar de ser esta a primeira vez que a capital belga é alvo de atentados, ela tem sido frequentemente associada ao terrorismo islâmico. A DW lista a seguir quatro fatores que contribuíram para que Bruxelas se tornasse centro do jihadismo na Europa.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Recrutas belgas” do “Estado Islâmico”

O especialista em terrorismo Guido Steinberg afirma haver uma relação entre os frequentes alertas terroristas em Bruxelas e o que ele chama de “recrutas belgas”, cidadãos do país europeu que se uniram ao grupo “Estado Islâmico” na Síria. “O EI decidiu contra-atacar na Europa. E como ele dispõe de muitos recrutas belgas e também franceses, Bruxelas é, ao lado de Paris, um dos pontos centrais da onda de atentados dos últimos meses”, afirmou Steinberg à emissora alemã de noticias N-TV.

De fato, as autoridades de segurança de Bélgica identificaram centenas de jovens do país que viajaram à região de guerra no Oriente Médio. Este é o caso do francês Salah Abdeslam, que reside no distrito de Molenbeek, em Bruxelas, e de Abdelhamid Abaaoud, dois presumíveis responsáveis pelos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris. As autoridades do país estimam que mais de 450 belgas partiram para a Síria e outros centros do EI no mundo árabe.


Abdelhamid Abaaoud é um dos mentores dos atentados de Paris

Segundo o Centro Internacional para o Estudo da Radicalização e Violência Política (ICSR), dos 11 mil combatentes estrangeiros que se juntaram aos jihadistas na Síria e no Iraque entre 2011 e 2013, quase um quinto saiu da Europa Ocidental. Com pelo menos 296 recrutas, a Bélgica ocupa o topo dessa lista, em números absolutos.

Para efeito de comparação, na Alemanha, país de população oito vezes maior, estima-se que haja até 240 combatentes do jihad, a “guerra santa”. Proporcionalmente à população, a Bélgica tem 27 jihadistas para cada milhão de habitantes, sendo, portanto, o principal “fornecedor” de combatentes europeus. “Os belgas afrouxaram as rédeas quanto à observação da cena [jihadista] e a medidas preventivas”, comentou à DW Asiem El Difraoui, cientista político especializado em Oriente Médio.

Para muitos especialistas, a discriminação e má integração dos muçulmanos à sociedade está na origem do problema. Cerca de 6% dos belgas são muçulmanos. Segundo apontou um estudo da Rede Europeia Contra o Racismo, mesmo quando falam a língua perfeitamente ou são falantes nativos, eles são tratados como estrangeiros.

A ONG Anistia Internacional também criticou o governo belga pela falta de esforços para a integração. Segundo um estudo de 2012, facilitou-se às empresas a recusa de candidatos a emprego por motivos religiosos. As mulheres muçulmanas que usavam o véu foram as mais afetadas. A frustração resultante de situações como essa propicia a radicalização e o recrutamento por grupos fundamentalistas islâmicos.

Estado bilíngue e descentralizado

Muitos especialistas em segurança internacional apontam há bastante tempo a Bélgica como o “calcanhar de Aquiles” da Europa, no que tange à violência islâmica. Os fatores citados são a grande população muçulmana, estruturas estatais fragmentadas pelas profundas cisões entre flamengos e valões (de língua francesa), e um histórico de mercado de armas de fogo (legais e ilegais).

“A Bélgica ostenta uma posição central no coração da Europa. É um país pequeno, cuja localização favorece o movimento de pessoas com intenções hostis”, afirma o primeiro-ministro belga, Charles Michel, insistindo, no entanto, que sua coalizão de centro-direita está enfrentando o problema.

Na opinião do cientista político El Difraoui, o conflito interno entre Flandres e Valônia contribui para o fracasso na luta contra o terrorismo islâmico. “Os belgas estão, simplesmente, preocupados demais consigo mesmos.” Há anos a rivalidade entre flamengos e valões tem impedido o governo de cuidar dos problemas internos do país, diz o especialista.

Ataques paralisam Bruxelas e deixam Europa em alerta máximo

O professor do Centro de Terrorismo e Contraterrorismo da Universidade de Leiden, Edwin Bakker, também afirma que a extrema descentralização, que tem sido a resposta da Bélgica às forças regionais que tentam dividi-la há décadas, enfraquece a reação do Estado a ameaças como o terrorismo.

“A Bélgica é um Estado federado e isso sempre é uma vantagem para terroristas. Os diferentes níveis administrativos travam o fluxo de informações entre os investigadores.” Além disso, como grande fabricante de armas durante muito tempo, a Bélgica também se tornou um centro de distribuição para o tráfico de armas a partir dos Bálcãs e de outros locais.

“Em algumas partes de Bruxelas, existem áreas onde a polícia tem pouca influência, áreas muito segregadas, que não se sentem parte do Estado belga”, acrescenta Bakker. “Embora vizinhos possam ter visto algo acontecendo, eles não passam a informação adiante à polícia.”

Polícia caótica

É difícil dizer quem seja o responsável pela segurança da capital da Bélgica, hoje notória como local de origem de alguns dos terroristas que executaram os atentados do 13 de Novembro em Paris.

Com cerca de 1,2 milhão de habitantes, Bruxelas está longe de ser uma das maiores metrópoles da Europa, mas tem uma estrutura municipal e política extremamente complicada. Críticos do sistema criticam que esse nó entrava os esforços para melhorar a segurança e combater o terrorismo.

Luta contra a radicalização da juventude belga

“Em termos de segurança, Bruxelas é um exemplo perfeito de verdadeiro caos”, afirmou o prefeito de Vilvoorde, Hans Bonte, à rede de TV RTBF. Sua cidade nos arredores da capital também já foi apontada como um epicentro de terrorismo, mas tem liderado esforços para erradicar o problema.

Em vez de uma administração centralizada, Bruxelas tem um total de 19communes, extremamente autônomas e que dispõem de seus próprios prefeitos, vereadores e regras locais. Alguns dos conselhos municipais dessas áreas contam com até 50 membros.

Aos prefeitos, cabe administrar não apenas a educação e os bens públicos, mas também manter a segurança em suas áreas. E muitas vezes as administrações dependem de coalizões frágeis para se manter no poder. Entre essas prefeituras está a de Molenbeek, apontada por órgãos de inteligência como local de concentração de diversos terroristas que atacaram Paris.

Toda a área que compreende as prefeituras é, em princípio, comandada por uma espécie de primeiro-ministro. Na prática, ele tem pouco poder, e a questão da segurança não faz parte de suas atribuições.

Para complicar ainda mais, também existe a figura de um governador para toda a área, uma função burocrática que representa os interesses do governo federal na região. Por fim, a capital ainda tem três comissões para atender a suas comunidades linguísticas em assuntos como educação e cultura, cada uma com seu próprio parlamento.

Prisão de Salah Abdeslam em Molenbeek

Essa fragmentação também se estende à polícia local. A cidade não possui um departamento de polícia, mas seis – todos independentes –, cujas zonas de atuação se estendem por várias prefeituras. O efetivo policial total da área da capital inclui 5 mil homens, que não respondem a um comando unificado, e sim a seis colégios formados pelos prefeitos na área de cada uma das zonas de atuação. Esses prefeitos também têm interesses que muitas vezes não coincidem entre si, além de serem rivais no plano federal, pois vários deles também são deputados.

Há também outros complicadores, como o fato de a vigilância no interior dos trens de Bruxelas ser uma atribuição da polícia federal e o policiamento das estações de trem ser responsabilidade das polícias locais.

Vários políticos já propuseram uma unificação dos seis departamentos de polícia da capital, mas, também aqui, a iniciativa esbarra nas divisões do Estado belga. O movimento de unificação é liderado pelos partidos da região de Flandres, de maioria flamenga; e os políticos francófonos de Bruxelas são contra a unificação, por temerem perder sua autonomia regional.

Molenbeek

Todos os problemas da Bélgica parecem se refletir nesse distrito a oeste de Bruxelas, lar de muitos muçulmanos, principalmente de famílias oriundas do Marrocos e da Turquia. Desde os atentados terroristas de 13 de novembro de 2015, o nome Molenbeek é quase sempre lembrado quando se fala em extremismo islâmico na Europa.

Salah Abdeslam, capturado em Molenbeek após 125 dias foragido

Lá morava Salah Abdeslam, um dos mentores dos ataques na capital francesa. E também lá ele foi preso pela polícia belga, na última sexta-feira. Um membro destacado do grupo por trás dos atentados a trens de Madri, que em 2004 mataram 191 pessoas, era natural de Marrocos e vivia em Molenbeek.

O distrito bruxelense está relacionado a dois ataques terroristas na França em 2015. Autoridades de segurança afirmam que Amedy Coulibaly, responsável por quatro mortes num mercado judaico em Paris na época do atentado contra o tabloide satírico Charlie Hebdo, em janeiro, adquiriu armas em Molenbeek. Assim como o homem que foi dominado antes de conseguir disparar suas armas num trem de alta velocidade Thalys, que viajava entre Amsterdã e Paris, em agosto.

Um suposto complô para atacar a polícia belga em janeiro de 2015, evitado com uma operação policial que matou dois homens na cidade belga de Verviers, tinha conexões com Molenbeek. E um francês acusado de matar a tiros quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas, em 2014, também passou um tempo no distrito.

A prisão de Abdeslam, em 18 de março de 2016, voltou a chamar a atenção para o distrito e as dificuldades da polícia belga. Depois de quatro meses fugindo, o jovem de 26 anos foi preso em Molenbeek, a apenas alguns metros da casa de sua família e praticamente sob o nariz das autoridades belgas.

“Ou Salah Abdeslam foi muito esperto, ou os serviços belgas foram muito incompetentes – o que é mais provável”, afirmou o deputado francês Alain Marsaud, ex-investigador especializado em terrorismo.
DW

Por que a Bélgica tornou-se um alvo terrorista?

A Bélgica vive um pesadelo do qual não sabe como fugir. O país que há apenas dois anos vivia quase alheio às medidas de segurança habituais em outros Estados – entre eles a Espanha – tornou-se um dos principais cenários doterrorismo na Europa.

Atentado terrorista em Bruxelas, BélgicaTrabalhadores do aeroporto de Bruxelas se abraçam depois dos atentados.
O. Hoslet EFE.

Quatro dias depois de ter recebido com alívio a prisão de Salah Abdeslam, arquiteto dos atentados de 13 de novembro em Paris, o terror ataca novamente Bruxelas com um atentado cujas consequências ainda são difíceis de prever.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O atentado ao Museu Judaico de Bruxelas, em maio de 2014, foi o primeiro alarme. Com ele as autoridades belgas descobriram que a capital da Europa era alvo terrorista e a segurança começou a ser reforçada em locais estratégicos. Mas os ataques, realizados então por um jihadista francês, estavam longe de ser um episódio isolado.

Com esse acontecimento, a Bélgica descobriu com espanto que era o país da UE mais afetado por um novo fenômeno: o dos chamados combatentes estrangeiros, jovens com nacionalidade europeia que abandonam lugar de origem para se juntar à guerra síria.

Com cerca de 500 pessoas que em algum momento viajaram ao Iraque ou à Síria, o país, de 11,2 milhões de habitantes, era o que tinha o maior número de jihadistas per capita na Europa.

A presença de núcleos radicais no país não era inteiramente nova ou exclusiva de Bruxelas. Em setembro de 2014, a justiça de Antuérpia fez um mega julgamento de 46 fundadores e membros da Sharia4Belgium, uma organização terrorista responsável pelo recrutamento e formação desses jovens que tomavam parte de um conflito tão alheio ao seu cotidiano quanto o sírio.

Mas, longe de conter a ameaça, os problemas se multiplicaram a partir daquele momento.

Uma equipe da polícia fora do edifício onde Salah Abdeslam foi preso.Uma equipe da polícia fora do edifício onde Salah Abdeslam foi preso.
Carl Court Getty Images

O ápice dessa enorme incidência terrorista em Bruxelas foi mostrado com toda a sua crueza nos atentados de 13 de novembro, que provocaram a morte de 130 pessoas em Paris. Rapidamente a investigação mostrou que esses ataques foram tramados em grande parte em Bruxelas, orquestrados por jovens europeus de origem muçulmana.

O epicentro é um bairro de forte concentração árabe que, desde então, ganhou relevância internacional. Trata-se de Molenbeek, o refúgio onde Abdeslam se tornou um radical e onde foi finalmente preso na sexta-feira.

Esse bairro, a poucos minutos do centro histórico de Bruxelas, mostrou alguma ligação com muitos dos ataques que atingiram a Europa nos últimos anos, inclusive o de 11 de março de 2004 na Espanha.

Desde os atentados de Paris, Bruxelas descobriu que também era alvo direto de um massacre semelhante ao da capital francesa. Os indícios de que algo parecido estava sendo organizado levou as autoridades belgas a tomar uma decisão inédita em dezembro: o fechamento preventivo, durante vários dias, do metrô, das escolas, centros comerciais, instalações esportivas e outros lugares públicos.

O que não aconteceu na época ocorreu, com especial virulência, nesta terça-feira. O grande paradoxo –e motivo de alarme para as autoridades belgas– é que os ataques atingiram os dois núcleos mais vigiados da capital belga desde 13 de novembro: o aeroporto de Zaventem, o maior do país e um dos mais movimentados Europa, e a área onde estão localizadas as principais instituições da UE, conhecida como o Schuman.

Todos esses organismos (a Comissão Europeia, o Conselho Europeu, o Parlamento Europeu, o serviço diplomático…) contam com dispositivos de segurança reforçados, inclusive com a presença de militares nas instalações. O mesmo acontece com as duas estações de metrô dessa zona central: Maelbeek (a que sofreu a explosão nesta terça-feira) e Schuman.

As autoridades belgas terão dificuldade para superar o estigma –justificado ou não– que lhes persegue desde os ataques de Paris: que a capital belga é um autêntico berço do jihadismo. E que essa ameaça terrorista se enraizou em boa medida pelas costas dos serviços de inteligência do país.

Um alto funcionário da luta europeia contra o terrorismo considera infundadas as acusações e acrescenta que a Bélgica comunica a outros países –principalmente a França– um bom número de informações relacionadas com o terrorismo.

Apesar disso, foram precisamente as autoridades francesas que enfatizaram que a captura de Abdeslam teve muito a ver com o envolvimento direto de sua polícia na investigação belga dos ataques de 13 de novembro.

Esse enorme esforço não conseguiu evitar o que na Bélgica é considerado como “o dia mais negro do país desde a Segunda Guerra Mundial”.
El País

Marguerite Yourcenar – Reflexões na tarde – 06/01/2016

Marguerite Yourcenar¹
In Memórias de Adriano

“(…) Quando tivermos reduzido o máximo possível as servidões inúteis, evitando as desgraças desnecessárias, restará sempre, para manter vivas as virtudes heróicas do homem, a longa série de males verdadeiros: a morte, a velhice, as doenças incuráveis, o amor não partilhado, a amizade rejeitada, a mediocridade de uma vida menos vasta do que nossos projetos e mais enevoada do que nossos sonhos. Enfim, todas as desventuras causadas pela divina natureza das coisas”.

¹Marguerite Cleenewerck de Crayencour
* Bruxelas, Bélgica – 8 de Junho de 1902 d.C
+ Maine, USA – 17 de Dezembro de 1987 d.C


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