Ronaldo gorducho e a cerveja

A irresponsabilidade social dos formadores de opinião continua. Atores, personagens mundanos, atletas, cantores, apresentadores de TV, personalidades públicas diversas, incentivam o consumo embora tenham consciência do mal causado pela bebida alcoólica, lamentavelmente aceita como droga social.

Qual Faustos midiáticos, continuam vendendo a alma por mais uns trocados, para estimular o consumo da bebida que está presente em 90%  dos homicídios e acidentes de veículos nas ruas e estradas.

Um jogador como Ronaldo, o fenômeno (sic), seja qual for a atitude que tome, ou declaração que faça, influencia milhões de crianças em todo o mundo que o têm como ídolo.

Abaixo, contundente artigo da excelente Barbara Gancia em seu blog.

Ronaldo, o brahmeiro

“Beberraz leitor, alcoofilista leitora, vocês viram o comercial do Ronaldo? O comercial da Brahma? Para quem não viu, faço um resumo: ele aparece driblando vários obstáculos, faz um trocadilho entre o suor dele e o suor da cerveja e acaba dizendo, com um copo na mão, que é um “brahmeiro”.

Como assim? Um atleta importante fazendo comercial de cerveja? Ou pior, um atleta ainda gordo, em recuperação, fazendo comercial de cerveja? Não entendi. E não entendi porque me parece uma propaganda ruim para os dois.

Para a cerveja, porque eu, vendo o comercial, penso: “Poxa, cerveja engorda pra caramba!”. Para o jogador, porque mostra que ele não é um atleta sério. É um cara que bebe mesmo ainda estando longe da sua melhor forma.

A Brahma e Ronaldo já estiveram juntos em outros comerciais. É uma parceria antiga, desde que ele tinha 17 anos. Mas ela já foi mais sutil e inteligente. Lembro que houve uma propaganda chamada “Guerreiro” em que apenas aparecia o rosto do jogador e havia um bom texto ao fundo. Outra trazia Ronaldo como um toureiro, driblando um touro várias vezes até que o vencia e abria a garrafa nos chifres do animal.

Mas este novo comercial está bem abaixo dos anteriores. Agora há uma ligação direta entre futebol e álcool. E obviamente os dois não combinam. A campanha ainda teve o azar de vir logo depois do anúncio de aposentadoria (talvez compulsória) de Adriano, que tem seu nome associado a problemas com bebidas.

Estou longe de ser uma virgem vestal, defensor da pureza absoluta ou abstêmio radical. Até sou a favor da liberação de drogas leves (o que existe em parte, já que as bebidas alcoólicas são drogas leves), mas jogador fazer propaganda explícita de cerveja não dá. Passa da conta.

A legislação permite que as propagandas de bebidas abaixo de 13 graus GL (Gay-Lussac) sejam exibidas em qualquer horário. Por isso é que vemos comerciais de cervejas e dessas vodkas ice a toda hora. Porém, em maio de 2007, Lula assinou um decreto que classificou como alcoólica toda bebida com mais de 0,5 grau GL. Só que, inexplicavelmente, esse decreto não restringiu a propaganda de cerveja.

Voltando ao comercial, que foi criado pela agência África, no texto o atacante afirma que tem orgulho de “cair e se levantar”. O redator não devia estar sóbrio quando o escreveu. É uma frase muito infeliz. Uma piada pronta.

Tanto que, na mesma hora, o amigo com quem eu via o jogo comentou: “Cair e se levantar não é grande coisa. Qualquer bêbado consegue isso”. E comparar o esforço heróico de Ronaldo para voltar três vezes ao futebol com o suor da cerveja é chamar o espectador de estúpido. É fazer troça da fantástica recuperação do jogador, que deveria falar “Eu sou artilheiro” e não “Eu sou brahmeiro”.

A publicidade brasileira, que já foi das melhores do mundo, vem piorando nos últimos anos. Mas, agora, se superou. Acho que, pelo menos, para desencargo de consciência, esta nova propaganda deveria vir com um daqueles avisos no final, algo do tipo: “O Ministério da Saúde adverte: Cerveja dá barriga e faz você confundir mulher com similares”.”

Liberdade individual, Moral e Ética

A bebida alcoólica, que é legal, já é um flagelo no país, como sabe qualquer profissional que trabalha com saúde ou segurança públicas. Boa parte dos 50 mil homicídios por ano no país tem na raiz o chamado “motivo fútil” – quase sempre relacionado ao consumo de bebida.

O índice de assassinatos na cidade de Diadema, em São Paulo, caiu muito depois que se determinou o fechamento dos bares às 22h. É matéria de fato, não de gosto. Não por acaso, e com acerto, há limites para a propaganda de bebida alcoólica, embora ainda indevidamente associada a situações de realização pessoal.

Para vender um iogurte, tenta-se provar que ele faz bem à saúde, que melhora o funcionamento do intestino, que fornece vitaminas sem engordar etc. Para vender cerveja, promete-se apenas felicidade – afinal, o máximo de propriedades benfazejas para a saúde seria o seu valor diurético, que é omitido…

Não estou flertando, nem de longe, com a proibição do álcool. Seria o mesmo que reforçar o poder do narcotráfico com uma mercadoria nova: não eliminaríamos os problemas existentes e ainda criaríamos outros. No mundo inteiro, exceção feita a países em que a religião exerce um papel que as democracias consideram inaceitável, a substância é liberada. Com as drogas, dá-se o contrário: a esmagadora maioria dos países procura bani-las. A palavra de ordem é repressão, não liberação. E que se note: essa costuma ser a vontade expressa pela esmagadora maioria das respectivas populações.

“Ah, Reinaldo, conhecemos como é reprimir, mas não conhecemos como é liberar”. Lamento dizer que conhecemos, sim. Vejam o caso do álcool. Os crimes e os graves problemas de saúde estão aí, à vista de toda gente. E olhem que não se trata de uma substância que promete, como direi?, “altas viagens” a quem consome. É inegável que as drogas hoje consideradas ilícitas estão associadas a alterações de percepção que apontariam, sei lá eu, para novos patamares da sensibilidade. A liberação das drogas seria, certamente, um flagelo entre os jovens.

Ademais, proibidas em quase todo os países, as ditas substâncias ilícitas entram no país, necessariamente, por intermédio do crime organizado – QUE CONTINUARIA, É BOM FRISAR, A MANDAR NO NEGÓCIO EM ESCALA MUNDIAL.

Não se acende um baseado que seja sem integrar a cadeia criminosa. De novo, é matéria de fato, não de gosto. A afirmação de que consumir ou não consumir é só uma questão de escolha individual, que a ninguém diz respeito, é frívola. Não adianta cobrir a realidade com o véu diáfano da fantasia (Eça!): ao tomar uma dose de uísque, você não está alimentando o tráfico de armas; ao cheirar uma carreira, sim.

Aí alguém poderá dizer: “Ah, mas que culpa tenho eu se é ilegal? Por mim, não seria.” É o que diz qualquer um ao transgredir uma lei com a qual não concorda – se você, por exemplo, julga aquela lei essencial, certamente defende punição para o transgressor, certo? Mas pretende fumar maconha ou cheirar pó sem ser incomodado? Bom crime é só aquele que a gente gosta de cometer?

Com isso, sustento que o consumo de drogas é, então, uma escolha moral, individual – “devo fazer ou não? Isso só a mim diz respeito!” -, mas é também uma escolha ética: “Que se dane a lei; nesse caso, eu não a reconheço como válida”. É preciso saber se essa atitude, vamos dizer, de rebeldia, de desobediência civil (solitária ou no seu grupinho), torna o mundo mais livre e mais justo ou confere poder a bandos de facínoras. Sempre se pode acender uma bagana e não pensar no assunto.

Se o sujeito quer se matar cheirando pó ou bebendo água (o que é possível, saibam), como impedir? O que temos com isso? Mas não venham me dizer que as duas formas se igualam. Nem a um suicida se dispensa o decoro. Ao se matar, ele pretende levar outros com ele?

PS: E reitero: a lei brasileira já é tolerante, quase paternalista, com o consumidor de drogas. Essa história de que tem gente presa só porque fumou um baseado já é lenda. Ninguém mais dá bola. O país não consegue prender nem quem fuma pessoas. Imaginem, então, quem fuma mato.

do blog do Reinaldo Azevedo

Carro “voa” e fica entalado no telhado de igreja

O acidente aconteceu na Alemanha, tudo indica que o “prodígio” que conseguiu a “proeza” estava embriagado.

Leia abaixo:

Um motorista lançou o carro num telhado de uma igreja na Alemanha.

O motorista, de 23 anos, estava em excesso de velocidade quando perdeu o controle, passou sobre um gramado elevado e voou 30 metros até parar no telhado, a sete metros do solo, segundo a polícia.

Ele ficou gravemente ferido e foi levado para o hospital.

As autoridades investigam se ele estava embriagado.

Imagem de TV (abaixo) mostra os serviços de emergência resgatando carro que ficou entalado no telhado de uma igreja nesta segunda-feira (26) em Limbach-Oberfrohna, na Alemanha.

Carro Voador na Alemanha* Clique na imagem para ampliar *
 (Foto: Reuters) 

Fonte: G1

Lei seca. Hospitais econonizam 4,5 milhões de reais

Apesar da resistência dos pinguços e dos que não conseguem ver além dos próprio interesses, decorridos 30 dias da vigência da leiseca, os ganhos sociais, materiais e principalmente de vidas, vais demonstrando a importência monumental da medida.

Aos que argumentam que a lei os proíbe de beber, convém lembrar que não está proibido beber. O que está proibido, e sempre esteve, é dirigir alcoolizado. O resto, é bafo!

Simples assim

Da Folha de São Paulo
Hospitais poupam R$ 4,5 mi com lei seca

De Ricardo Westin:

Os 30 hospitais públicos estaduais da região metropolitana de São Paulo contabilizaram uma economia de aproximadamente R$ 4,5 milhões no primeiro mês de vigência da lei seca, de acordo com cálculos feitos pela Secretaria de Estado da Saúde a pedido da Folha.

Em um ano, a economia seria de R$ 54 milhões, o que equivale ao custo anual de um hospital estadual de médio porte (cerca de 200 leitos), como o de Taipas e o da Vila Penteado, ambos na zona norte de São Paulo. Com R$ 54 milhões, também seria possível construir um hospital do mesmo porte. O Orçamento anual da secretaria é de R$ 9 bilhões.

A economia se deveu à redução do número de vítimas de acidentes graves de trânsito provocados por motoristas alcoolizados. A quantidade desse tipo de paciente, um mês após o início da lei seca, caiu à metade nos hospitais estaduais. De 19 de maio a 18 de junho, as emergências daqueles 30 hospitais, entre eles o Hospital das Clínicas (o maior da América Latina), atenderam 9.102 pessoas envolvidas em colisões, atropelamentos e quedas de moto. De 19 de junho (data em que a lei foi sancionada) a 20 de julho, atenderam 4.449.

Cerveja – Senador Geraldo Mesquita enfrenta o lobby cervejeiro

Salve!

Eu, que costumo ser crítico mordaz da atuação dos parlamentares brasileiros, tenho, contudo, o discernimento de reconhecer quando um membro do parlamento atua no interesse real da população.

É o caso do Senador Geraldo Mesquita Jr. – não é meu parente e, faço essa ressalva, não por escusa, mas, para o elogio verter imparcial – que honrando o mandato recebido, vai a tribuna do Senado e combate o bom combate. É preciso coragem cívica para enfrentar o mais poderoso lobby atuante no Congresso Nacional, o dos fabricantes de bebidas alcoólicas.

Hélio Fernandes – Tribuna da Imprensa

O Senador Geraldo Mesquita fez brilhante e duríssimo discurso contra o que chamou de “lobismo cervejeiro”. Pediu que o “Brasil inteiro participe de uma campanha para que seja proibida a publicidade cervejeira”, como aconteceu com a droga chamada cigarro. Foi muito aparteado, todos considerando as ameaças dos proprietários “cervejeiros”, audácia inominável.

Um só exemplo de como os “cervejeiros” embriagam, principalmente os jovens. Imbev-Ambev querem comprar a fabricante da Budweiser, pagando 46 BILHÕES DE DÓLARES.

É um círculo “viciado e embriagador”: vão vender mais, anunciar mais, criar mais, mistificar mais ligando “cervejeiro” com liberdade de imprensa.

Saiu na mídia – 3 BILHÕES não podem comer, para não elevar a inflação

Artigo contundente do jornalista Hélio Fernandes na Tribuna da Imprensa, dispensa maiores comentários.

Visibilidade e reciprocidade contra a comunidade

Não existe nada mais destruidor, desastrado e desequilibrado do que a inflação. Pode ser dito que o capitalismo tem duas fases importantes, rigorosamente alternadas e alteradas. É impossível dizer quem chegou primeiro: a inflação ou o combate à inflação. O mundo tem hoje, 6 bilhões e 200 milhões de pessoas. Metade, ou seja, arredondando, 3 BILHÕES, estão rigorosamente abaixo da linha da miséria. Não comem, é proibido comer.

Isso acontece até mesmo nos EUA. E os economistas que servem aos mais diversos governos, em todos os países, SEM EXCEÇÃO, garantem; “Se esses 3 BILHÕES de “despossuídos”, que vivem na mais extrema miséria, passarem a comer, o mundo estremece e vai à falência. Esses economistas, são 85 por cento do total.

Os 85 por cento, apesar do que dizem, sabem de “ciência certa”, que os países só crescem, se desenvolvem e se transformam em potências, SE FOR ELEVADO O MERCADO CONSUMIDOR INTERNO. Mas como são pagos para mistificarem a opinião pública, mistificam e se transformam em ídolos do capitalismo.

Os outros 15 por cento, corretos, bons analistas, desligados do “bolsão” econômico do capitalismo, tentam lutar a favor da coletividade, mas são sufocados pelo regime, pelo grupo elitista, pelo sistema, que FHC com toda a sua formidável cultura e correspondente arrogância só chama de “establishment”. Esses se dão mal, não obtêm coisa alguma, vivem e acabam morrendo no mais completo ostracismo.

Na verdade só crescem, enriquecem e se transformam em oráculos, aqueles que como Mailson da Nóbrega, elevam a inflação até 80 por cento, AO MÊS, AO MÊS. E se inscrevem como vitoriosos no Livro dos Recordes da economia e da prosperidade. Depois de terem servido para ELEVAR a inflação a níveis astronômicos, esses mesmos Mailson são chamados para baixar “a febre da inflação”.

Esses economistas que somam 85 por cento do total, deveriam ser condenados à prisão perpétua e terminada a pena, fuzilados. Só que nada acontece. Eles controlam os cárceres e comandam os pelotões de fuzilamento.

No auge da inflação, o ministro Citisimonsen fez uma mudança sensacional. As fábricas de cigarros e de bebidas, pagavam “selo por verba”. O que era isso? Compravam o selo antes, os maços de cigarros e as garrafas de bebidas, vinham carregados com esses selos.

Citisimonsen mandou que pagassem o imposto, 30 ou 60 dias depois. Naquele tempo havia o que se chamava de “open market”. (Em linguagem decente, dinheiro do povo), ganharam fortunas. Os fabricantes do vício e o economista então na CNI, poderosa, hoje não valem mais nada.

As fábricas de cigarros, que são 17 só no Rio, faturaram somas enormes, logicamente não sozinhas. Há um ditado muito repetido: “No capitalismo nem mesmo um almoço é de graça”. O cigarro atinge o pulmão, a bebida liquida o cérebro.

Lógico, com essa ajuda, o vício legal (?) multiplicou suas contas bancárias. E com esse “VÍCIO LEGAL”, surgiu a DROGA ILEGAL, os três reunidos, massacram os mais jovens. No mundo todo.

A fumaceira do cigarro, o líquido da bebida, o fantasma da droga sólida, destroem a família, a comunidade, a crença, a esperança. Não FUMEM, não BEBAM, não se VICIEM com a droga sólida, que contamina e não permite a recuperação.

Mas como resistir ao lobismo e marquetismo, a soma espantosa gasta em publicidade? Depois ainda têm a audácia de dizerem: “BEBE ou FUMA quem quer, ninguém obriga ninguém”.

PS – O mundo tem hoje duas palavras chaves. VISIBILIDADE e RECIPROCIDADE. Só que as duas só servem aos poderosos, que enriquecem cada vez mais.

PS2 – A droga, o fumo e a bebida, fazem tanto mal quanto a inflação. Mas como ultrapassá-los?