Tópicos do dia – 18/09/2012

08:18:24
Vídeo compromete campanha de Mitt Romney

O candidato a Presidenete dos Estados Unidos pelo Partido Republicano teve abalada sua campanha a presidência por causa da divulgação de um vídeo. Mitt Romney foi flagrado declarando que ‘47% dos eleitores dependem do governo’ e que seu trabalho não é se ‘preocupar com essas pessoas’.
Romney, que quer ocupar o lugar de Barack Obama na Casa Branca, sede do governo dos USA, afirma que 47% dos americanos são “dependentes do governo”, “não pagam imposto” e acreditam possuir “direito a ter cobertura de saúde, alimentação, teto, tudo aquilo que vocês quiserem”.

O comitê do Partido Democrata de Obama soltou nota onde afirma que “é chocante que um candidato à Presidência dos Estados Unidos diga, a portas fechadas e a um grupo de doadores ricos, que a metade dos americanos se vê como ‘vítima’ e não é capaz de ‘cuidar de suas vidas com as próprias mãos'”, prossegue a nota.

08:58:55
Senador quer garantir laudo pericial único para pessoas com deficiência

O senador Gim Argello (PTB-DF) apresentou nesta segunda-feira (17) diversos projetos de sua autoria a serem analisados e debatidos pelo Senado no próximo mês.  Entre eles está o projeto que garante validade indeterminada a laudos médicos periciais que atestem deficiência permanente no paciente. Para o senador, é injusto que a pessoa com deficiência precise renovar periodicamente seus laudos médicos e periciais para ter acesso a benefícios previdenciários ou sociais. De todos os brasileiros, cerca de 15% têm algum tipo de deficiência – o que equivale a quase 30 milhões de pessoas. “Cabe ao Congresso ajudar a melhorar a qualidade de vida dessa parcela da população”, explica o senador.

09:50:20
Cadê a fita? Por que o PT silencia? Por que o PT não exige a publicação do áudio da fita?

Pois é! Fica a impressão que eles, Petistas, sabem que a fita existe e querem que o assunto caia no esquecimento. Agora, ainda não entendi porque a revista não divulga a fita. Nesse caso, fica a impressão, que a fita estaria sendo reservada para “quando o carnaval chegar”, o que, a parte a analogia carnavalesca, e se confirmada à intenção, exala odor de chantagem. Por outro lado, não entendo o que o Procurador Roberto Gurgel está aguardando para abrir inquérito para apurar o fato, que, se verdadeiro, terminará de enterrar o Lula e o que sobrou, uma “merrequinha” de nada, do PT. Aguardemos!

10:04:05
Privataria Tucana e O Chefe. Dois livros que todo brasileiro alfabetizado deveria ler.

10:17:33
Ministro Joaquim Barbosa joga pá de cal em tese de caixa dois
Ministro do STF se apoiou em sólidas provas periciais.
por: Wálter Maierovitch

16:32:22
Efeito mensalão faz gerente de Cachoeira tentar vender seus imóveis para fugir do país.

Está cada vez mais interessante o efeito moralizador do julgamento do mensalão pelo Supremo. Já registramos aqui que o governador Sergio Cabral e seu principal cúmplice, o secretário de Saúde Sergio Côrtes, vão deixar a política e se preparam para morar no exterior.

Eles têm razão em estarem apavorados. Em Brasília, o gerente do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira, José Olímpio Queiroga Neto, também entrou em depressão e contratou corretores para vender as propriedades dele na região metropolitana da capital, as quais, segundo a polícia, foram compradas com dinheiro do crime. Seu objetivo seria fugir para os Estados Unidos.

Em Brasília, circula a informação de que o patrimônio de outros membros da quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, está sendo vendido às pressas e pela metade do preço. Temendo uma possível ação da Justiça, o grupo criminoso articulou uma rede de vários corretores para “fazer dinheiro” o mais rápido possível e se livrar dos bens adquiridos a partir de atividades ilícitas.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

17:39:21
Toffoli aparece envolvido no Mensalão. Banco Rural põe nos autos do Mensalão documento que cita Toffoli

O advogado Celso Serra comunica ao Blog da Tribuna que o jornalista Felipe Patury acaba de disponibilizar no site da revista Època uma corrosiva informação sobre o ministro Dias Toffoli, que abala ainda mais as suas condições de legal e eticamente prosseguir no julgamento do mensalão. É por isto que o ministro anda tão nervoso. Afinal de contas, o julgador irá julgar-se ? Vale a pena ler:

Constrangimento
O Banco Rural juntou aos autos do mensalão um documento que cita Toffoli como delegado do PT

Uma certidão da comissão executiva do PT se destaca entre os documentos apresentados ao Banco Rural para compor o cadastro que o partido fez para obter o empréstimo de R$ 3 milhões, sob análise do Supremo Tribunal Federal. Na ata, constam nomes de dirigentes do partido que se tornaram réus no mensalão: José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

Aparece também, na condição de delegado do PT, o então advogado da legenda, José Antônio Dias Toffoli. O Rural inseriu a certidão nos autos do mensalão, analisados por Toffoli, agora na condição de juiz do Supremo Tribunal Federal. O ministro não se manifestou. Seus auxiliares dizem que a certidão foi expedida dois anos antes do empréstimo e que o fato de ele ter sido delegado do PT é conhecido.

Angustiado
Ainda no site da Época, uma nota de Igor Paulin assinala o seguinte:

Aos amigos, o ministro do Supremo Tribunal Federal José Dias Toffoli tem dito estar angustiado com suas opções no processo do mensalão, que começa a ser julgado nesta quinta-feira pela Corte. O ministro acredita que sua imagem será arranhada em todos os cenários que se projetam para ele. Segundo suas projeções, considerar-se inepto para o julgamento ou votar pela condenação dos réus são situações que farão com que o ministro perca os amigos no PT. Se participar do julgamento e absolver os réus no processo, seu desgaste será com a opinião pública.
Tribuna da Imprensa 


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Tópicos do dia – 27/03/2012

09:06:03
Irã, Israel, Obama e bomba atômica
Aumentou a pressão dos Estados Unidos e aliados nucleares contra a Coréia do Norte e o Irã, proibidos de possuir a bomba. Se insistirem, os coreanos ficarão sem comida e os iranianos a um passo dos ataques de Israel. O problema é que além dos americanos, detém artefatos nucleares Inglaterra, França, Índia, Paquistão, China, Rússia e Israel.

A quinze minutos de deter o mesmo poder encontram-se a Alemanha e o Japão, apesar das cortinas-de-fumaça pacifistas que taticamente levantam. A pergunta é sobre o que aconteceria caso o Brasil decidisse seguir as lições do saudoso ex-vice-presidente da República, José Alencar, para quem deveríamos perseguir o mesmo objetivo, sem resistências nem impedimentos. Se os outros podem, por que não poderíamos, como potência emergente?
Carlos Chagas,Tribuna da Imprensa

09:43:50
Hacker que vazou fotos de Scarlett Johansson pode pegar 60 anos de prisão
Christopher Chaney vai se declarar culpado para diminuir pena de 121 anos para 60 anos. Ele também invadiu conta de mais 50 celebridades.
Christopher Chaney, o hacker que invadiu o email de celebridades como Scarlett Johansson e publicou fotos pessoais dela na internet, pode pegar até 60 anos de prisão pelos crimes, de acordo com a Reuters.

O rapaz, que também invadiu a conta da atriz Mila Kunis e da cantora Christina Aguilera, vai se declarar culpado das acusações. Ele teria invadido a conta de mais de 50 celebridades nos últimos anos.

Ao se declarar culpado, ele reduzirá os 121 anos de prisão que pegaria com 26 acusações feitas contra ele para 60 anos.

De acordo com o FBI, Chaney usou softwares de código aberto para descobrir email e senha das celebridades e acessar as mensagens pessoais delas.

17:43:19
Papa em Cuba
Na Globo News:
‘Papa reza por “privados de liberdade” em Cuba’.
Privados de liberdade é ótimo. Adoro os sofistas.
PS. As aspas duplas em “privados de liberdade” são do texto/letreiro do noticiário da emissora.

17:46:19
No G1: “Procuradoria vai investigar elo entre senador e Cachoeira.
Jornal apontou que Demóstenes Torres pediu dinheiro a empresário ligado a jogo ilegal.”
Já? Pra que tanta pressa?

17:55:48
Lula recebe visita de FHC em hospital de São Paulo
Lula tratou câncer de laringe e se recupera de inflamação na garganta.
Ele também passa por sessões de fonoaudiologia no hospital Sírio-Libanês.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu na manhã desta terça-feira (27) a visita do  ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, segundo informou a assessoria do Instituto Lula.
G1


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Obama: visita “dá um polimento” na imagem de Dilma Rousseff

Obama, o Barack, que de tolo não tem nada, veio afagar o ego dos Tupiniquins e ao mesmo tempo, como fazia Lula, mostra o seu (dele) lado mascate no cenário globalizado. Além de querer vender as bugigangas ‘gringas’, veio garantir o petróleo, uma vez que os ditadores amigos das arábias estão despencando do poder.

Mas, não se enganem os descendentes da pátria lusa: ainda vai nascer o país que leve vantagem comerciando com o grande irmão do norte.

O Editor


Obama vira ‘cereja’ do plano de marketing de Dilma

A visita de Barack Obama ao Brasil desce à crônica dos primeiros três meses do governo Dilma Rousseff como “cereja” de um bolo levado ao forno em janeiro.

Dilma executa um plano de marketing concebido por João Santana. Responsável pela campanha do PT, ele se tornou conselheiro de imagem da presidente.

Desde a posse, age para converter traços da personalidade de Dilma num ativo político que a distinga de Lula.

A política externa é parte da estratégia. E a passagem relâmpago de Obama pelo país é celebrada como um divisor de águas.

Opera-se uma guinada que distancia Dilma do “terceiro-mundismo” de Lula.

Sem renegar África e Oriente Médio, a nova gestão prioriza Amérca do Sul, EUA e China.

Sob Dilma, o Itamaraty iça à superfície o pragmatismo comercial que a ideologia da Era Lula havia soterrado.

Em movimentos calculados, Dilma tomou distância do ditador iraniano Marmud Armadinejad, personagem ao qual Lula se achegara.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

No Planalto, atribui-se a visita de Obama ao reconhecimento dos gestos de Dilma.

Em conversa com o blog, um auxiliar da presidente celebrou um detalhe:

“Sempre que um novo presidente assumia no Brasil, a primeira providência era agendar uma visista aos EUA. Agora, a Casa Branca veio ao nosso reino”.

O vocábulo “reino” orna à perfeição com o conceito que norteia a marquetagem de João Santana, um jornalista de formação.

O escultor da imagem de Dilma costuma dizer que Lula, dono de popularidade lunar, deixou no imaginário popular um “vazio oceânico”.

Acha que a eleição de uma mulher abriu espaço para acomodar na presidência algo inteiramente novo.

Santana chama a “cadeira vazia” de Lula de “cadeira da rainha”. Na campanha, Dilma era vista pelo eleitorado pobre como espécie de “esposa do rei”.

Tenta-se agora grudar nela a imagem de “soberana” com qualidades próprias –uma gestora capaz de combinar a sensibilidade feminina com o rigor administrativo.

Um rigor que a faz contrariar as centrais sindicais (salário mínimo), impor limites ao rateio de cargos (Furnas e Eduardo Cunha)…

…Passar a lâmina no Orçamento (corte de R$ 50 bilhões) e fixar prioridades (adiamento da compra dos caças da FAB).

Tudo isso sem descuidar do essencial (combate à miséria) e sem fechar os olhos para novas demandas (promesa de dar atenção à classe média).

Neste sábado, Lula deu uma inestimável contribuição à estratégia de sua sucessora. O ex-soberano faltou ao almoço em homenagem a Obama.

Melhor: à ausência de Lula somou-se a presença de FHC, inserido na lista de convidados como evidência da “vocação republicana” de Dilma.

Melhor ainda: ao discursar para empresários, em Brasília, Obama reconheceu o novo status que o Brasil adquiriu no mundo.

Atribuiu a nova condição de sétima economia do planeta ao trabalho dos brasileiros e à combinação das políticas implementadas sob FHC e Lula. Citou ambos.

E afirmou que, sob Dilma, a Casa Branca tem de dispensar ao Brasil um tratamento análogo ao da China e Índia, as outras nações emergentes.

De olho nas obras da Copa e da Olimpíada, atento às oportunidades do pré-sal, Obama abriu em Brasília a maleta de mascate.

Em termos práticos, a visita do presidente americano não produziu nada além de um comunicado conjunto com cara de carta de intenções.

No campo da simbologia, porém, injetou-se na atmosfera uma aura de prestígio que coroa a estratégia propagandística “da nova cara”,

blog Josias de Souza

Obama é a autoridade mais protegido do mundo?

Obama: o homem mais protegido do mundo?

Parece que os bicões que entraram num jantar na Casa Branca não foram um problema isolado. Segundo o Washington Post, um relatório do serviço secreto americano mostra seguidas falhas de segurança em torno daquele que deveria ser o sujeito mais protegido do mundo: o presidente dos EUA.

Foram pelo menos 91 incidentes desde 1980. Na Casa Branca, deixaram entrar uma família numa minivan, um entregador e uma mulher que dizia ter uma “relação especial com Bill Clinton“, entre outras pessoas “não-autorizadas”. Nada grave, mas, como diz o documento, as falhas comprometem a melhor arma que a Casa Branca dispõe para dissuadir assassinos: a aura de invulnerabilidade.

blog Marcos Guterman

Olimpíadas 2016; as faces da vitória do Rio

Semana passada, no plenário da ONU, o presidente Lula reeditou o antigo “sapo barbudo” das lutas sindicais e políticas na região do ABC paulista nos anos 70.

De cara amarrada e palavras duras, ele atacou os golpistas de Honduras, garantiu abrigo a Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa, defendeu o direito de retomada do posto de governo pelo presidente eleito, usurpado pelas armas.

Em seguida, retomou as vestimentas franciscanas, que lhe têm caído como luva nesta década, para ajudar a produzir , ontem, uma vitória histórica para a América do Sul.

Em Copenhague ele jogou mais um papel tão crucial quanto arriscado. Desta vez, porém, optou estrategicamente pela face do “Lulinha paz e amor”. Assim o presidente do Brasil desfilou esta semana sob o céu da Dinamarca.

Cenário sheakespeariano cheio de paixões trágicas e desencontradas; manobras muitas vezes desleais e mal-encobertas; conspirações e traições sem fim de todo lado. Neste cenário Lula entrou de corpo, alma e convicção, mas vestido de modéstia , na defesa vitoriosa do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Nesta refrega internacional entre Rio, Madri, Chicago e Tókyo, dá gosto e comove ver a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva que a televisão transmite de Copenhague para o Brasil e para o planeta inteiro interessado no desfecho da disputa encarniçada.

Com o auditório repleto de celebridades mundiais de todos os esportes, das artes, dos negócios e da política, é praticamente impossível – a não ser por cegueira ideológica ou preconceitos inqualificáveis -, não ser contagiado pela emoção do ex-operário metalúrgico no seu terno azul e elegante gravata nas cores da bandeira nacional, que está na tribuna.

“Essa candidatura não é só nossa, é também da América do Sul, um continente com quase 450 milhões de homens, mulheres e cerca de 180 milhões de jovens, um continente que nunca realizou os Jogos Olímpicos. Está na hora de corrigir esse desequilíbrio. É hora de acender a pira olímpica em um país tropical, na mais linda e maravilhosa cidade: o Rio de Janeiro”, dispara Lula, com pontaria política e diplomática de um campeão olímpico de tiro.

Apesar dos argumentos convincentes e irrespondíveis, esta não foi uma missão fácil. O presidente, Pelé, o governador, o prefeito do Rio, o cineasta Fernando Meirelles com seu filme de beleza e apelo irrecusáveis, além de todos os mais diretamente envolvidos nesta batalha da Dinamarca – e não são poucos – seguramente sabiam disso.

E se não sabiam, basta ver a reportagem que o jornal espanhol El Mundo publicou ontem, assinada pelo repórter Fernando Mas.

O texto mostra primorosamente como o Hotel Marriot, nas margens de um dos principais canais de Copenhague, se transformou nesses últimos quatro dias, no centro das conspirações olímpicas.

A caça e conquista do voto definitivo era a missão de todas as delegações que buscavam até a tarde de ontem, converter-se na sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Assinala o jornal de Madri:

“O rei Juan Carlos de Espanha em uma suíte. A rainha Sofia em outra. Zapatero em uma terceira. Todos no sétimo andar do Marriot. O sexto andar está reservado para os negociadores brasileiros, com Lula da Silva à frente. Os delegados que visitavam as suítes do sétimo andar eram reclamados em seguida num piso mais abaixo. O terceiro, onde atuava Michelle Obama, a desenvolta primeira-dama dos Estados Unidos”, conta o texto de El Mundo.

Michelle comandou as negociações em favor de sua cidade, até o presidente Obama desembarcar na Dinamarca, na undécima hora, para as manobras do inútil esforço final em favor de Chicago, cuja população parece não chorar muito a derrota, assim como os habitantes de Tókyo, cidade do oriente que já abrigou uma Olimpíada.

O Rio venceu! Viva o Rio! Nenhum lugar de mundo merecia mais este triunfo magnífico. A vitória não será em vão, mas cobra, a partir de agora, o cumprimento das emocionadas e, seguramente, decisivas palavras do presidente brasileiro em Copenhague:

“Os que nos derem essa chance não se arrependerão. Os jogos no Rio serão inesquecíveis (…). Para o movimento olímpico será a chance de sentir o nosso sol. Será a chance de falar para o mundo que a Olimpíada é de todos”.

Bravo! “Viva a sua paixão”, como recomenda o maravilhoso e também decisivo filme de Fernando Meireles mostrado ontem em Copenhague para o mundo. Viva o Rio, com sua gente tão maravilhosa quanto a cidade.

E viva a América do Sul, outra grande vitoriosa de ontem na Dinamarca.

Vitor Hugo Soares é jornalista

A era Obama

Paul Krugman é colunista do ‘The New York Times’

A maior parte dos debates pós-eleitorais provavelmente será sobre o que os democratas devem fazer com o seu mandato. No entanto, eu gostaria de fazer uma pergunta diferente, igualmente importante para o futuro da nação: o que a derrota significará para os republicanos? Poderíamos pensar, quem sabe até esperar, que os republicanos embarcassem numa busca por sua identidade, perguntando a si mesmos se eles perderam o contato com o americano médio, e como isso teria acontecido. Contudo, não acredito que isso vá ocorrer tão cedo.

Ao invés disso, o partido que restar será o que vai aos comícios de Sarah Palin, nos quais a multidão grita: “Vote McCain, e não Hussein!”. Será o partido representado por Saxby Chambliss, senador da Geórgia que, ao observar o grande número de eleitores negros participando da votação antecipada, alertou a seus partidários dizendo que “os outros sujeitos estão votando”. Será o partido que cultiva fantasias ameaçadoras sobre as raízes marxistas – ou seriam islâmicas? – de Barack Obama.

DIREÇÃO

Será que o Partido Republicano se tornará mais radical, e não menos? As projeções sugerem que essa eleição vai tirar do Congresso muitos dos republicanos moderados remanescentes, ao mesmo tempo mantendo a linha dura do partido.

Larry Sabato, analista eleitoral, prevê que sete vagas no Senado, atualmente em poder dos republicanos, passarão para os democratas. Segundo a classificação liberal-conservadora, elaborada pelos cientistas políticos Keith Poole e Howard Rosenthal, cinco dos senadores prestes a perder a vaga são mais moderados do que o senador republicano médio. Assim, a parte do partido que permanecer no Congresso será de orientação ainda mais à direita. O mesmo deve ocorrer com os deputados.

Além disso, a base republicana parecia estar se preparando para considerar a possível derrota não como uma condenação das medidas conservadoras, mas como o resultado de uma conspiração maligna. Uma pesquisa recente realizada pela Democracy Corps descobriu que os republicanos, em uma proporção superior a dois para um, consideram que McCain está perdendo “porque a grande mídia é tendenciosa” e não “porque os americanos estão cansados de George W. Bush”.

McCain estabeleceu os moldes para que sejam feitas as declarações de que a eleição foi roubada, ao declarar que o grupo de ativistas Acorn “está prestes a cometer a maior fraude eleitoral da história dos EUA, possivelmente destruindo o tecido da democracia”. De acordo com o site Factcheck.org, a Acorn jamais “foi considerada culpada ou sequer acusada” de ter incentivado fraudes eleitorais. Não é necessário dizer que os eleitores que a organização tenta registrar são, na maioria, os “outros sujeitos”, como diria o senador Chambliss.

Seja como for, a base republicana, encorajada pela campanha de McCain, acha que a eleição deveria refletir a opinião dos “verdadeiros americanos” – e a maioria dos leitores desta coluna provavelmente não se enquadra nessa definição.

Assim, diante de pesquisas sugerindo que Obama vencerá na Virgínia, um dos principais assessores de McCain declarou que a “verdadeira Virgínia” – a porção sul do Estado, excluídos os subúrbios da capital, Washington – é favorável a McCain. A maioria dos americanos vive atualmente em grandes áreas metropolitanas, mas durante visita a uma pequena cidade na Carolina do Norte, Sarah Palin descreveu aquela comunidade como “aquilo que eu chamo de verdadeira América”. A verdadeira América, ao que parece, é provinciana, em sua maior parte sulista, e acima de tudo, branca.

INTOLERÂNCIA

Não estou dizendo que o Partido Republicano está prestes a se tornar irrelevante. Os republicanos ainda estarão em posição de bloquear algumas iniciativas democratas, especialmente se os democratas não conseguirem obter uma maioria no Senado capaz de evitar obstruções. E essa capacidade de obstrução garantirá que o Partido Republicano continue a receber grande quantidade de dólares corporativos: este ano a Câmara depositou muito dinheiro nas campanhas dos republicanos no Senado, na esperança de negar aos democratas uma maioria suficiente para aprovar leis.

No entanto, a longa transformação do Partido Republicano em partido da direita irracional, santuário de racistas e reacionários, é um processo que será acelerado como resultado da derrota. Isso confrontará os conservadores moderados com um dilema.

Muitos passaram os anos de Bush imersos na negação, fechando seus olhos para a desonestidade e para o desprezo pela lei. Alguns tentaram manter-se mergulhados nessa negação durante as eleições deste ano, mesmo quando as táticas de McCain se tornaram cada vez mais sujas. Um dia, porém, eles serão obrigados a concluir que o Partido Republicano se tornou o partido da intolerância.

Eleições americanas; Obama culpa republicanos e MacCain promete reformas

O que mais impressiona é que tem gente que acredita no farsante afro americano e na múmia republicana. Seja qual for o resultado da eleição, nós, os Tupiniquins, – como diria o “fradim” do impagável Henfil – ô, ô, topo top!

Obama culpa republicanos e McCain promete reforma
No Estadão:
A crise nos mercados financeiros mundiais – em conseqüência da falência do banco de investimentos americano Lehman Brothers – foi tema das campanhas eleitorais dos dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos ontem. Enquanto o republicano John McCain aproveitou para fazer promessas de reformas para enfrentar os problemas na economia, o comitê de campanha do democrata Barack Obama partiu para o ataque à política econômica dos republicanos.

Em nota, Obama disse não culpar McCain diretamente pela turbulência financeira, mas a filosofia econômica defendida pelo senador. “É uma filosofia que tivemos durante os últimos oito anos, e diz que deveríamos dar mais aos que mais têm e acreditar que a prosperidade chegará aos demais”, declarou.

“O país não pode permitir outros quatro anos dessa filosofia fracassada”, afirmou Obama, que disse estar pedindo há anos a modernização das regras financeiras para responder aos desafios do século 21 – regras que, segundo ele, protegeriam os investidores e consumidores americanos.

O senador insistiu nessa idéia durante comício no Colorado, ontem. Ele disse que McCain não entende dos apertos que a maior parte de seus compatriotas enfrenta. “Não é que eu pense que McCain não se importa com as vidas dos americanos, simplesmente acho que ele não os conhece”, afirmou. “Caso contrário, ele teria dito, há apenas algumas horas, que os fundamentos da economia ainda são sólidos?”

Eleições Americanas – A Conversão de Sarah

Lucas Mendes
De Nova York para a BBC Brasil

Já cobri 10 convenções – desde 68 – e nunca vi um milagre político parecido.
Há cinco dias, Sarah Palin era o pecado mortal do senador John McCain. O velho senador tinha perdido o juízo. Quem era esta mulher que passou por cima de tantos caciques do partido para o posto de candidata à vice?

A desconhecida Sarah Palin tem suas virtudes. Está fora do circuito de Washington, é uma conservadora radical, jovem, honesta, rebelde, pesca, caça e come.

Casada desde os 18 anos com o namorado que conheceu numa quadra de basquete quando estudavam juntos. No jogo, pela agressividade, ficou conhecida como Sarah Barracuda, mas hoje projeta a imagem de mãe adorável de cinco filhos. Professoral ou bibliotecária, mas adorável.

Será que conquistará os votos das mulheres americanas, em especial aquelas decepcionadas com Barack Obama, que derrotou e depois desprezou Hillary Clinton como vice?

O senador McCain, um apaixonado por jogos de azar, apostou nela e hoje é tratado como gênio, uma prova de sua capacidade de decisão.

Só novelas têm tantas guinadas e surpresas em tão pouco tempo. O currículo político da ex-prefeita de Wasilla, 7 mil habitantes, eleita com 826 votos contra 255 do adversário, é mais magro do que o de qualquer um dos outros candidatos que estavam na lista.

Há dois anos foi eleita governadora e em menos de uma semana a desconhecida foi transformada numa nova líder não só da política americana, mas do mundo ocidental.

Sarah Palin fez uma viagem internacional na vida – tirou passaporte no ano passado – para visitar os soldados da Guarda Nacional do Alasca no Oriente Médio e talvez até saiba onde fica o Brasil – é ligada em petróleo- mas, pelos discursos da convenção republicana, ela está pronta para assumir a Presidência dos Estados Unidos.

Na opinião de Cindy McCain, ela é bem informada sobre a Rússia porque o Alasca é o Estado americano mais perto do país de Putin.

Em menos de dois anos, disse o prefeito Giuliani , ela se tornou a melhor governadora dos Estados Unidos e a mais popular, com 80% de aprovação ( tanto ou mais do que o governador Aécio Neves).

“Sozinha tem mais experiência do que Obama e Biden juntos. Vai sacudir Washington. Quem ousa questionar como Sarah Palin pode cuidar de 5 filhos e do país ao mesmo tempo?”, disse Giuliani, o “prefeito da América”, sobre a multiplicação dos talentos da governadora.

Os traços da ex-miss, 25 anos depois, ainda estão no rosto dela. Simpática, bonita, sexy e discreta na blusa gelo, saia preta, óculos de professora. Pinta de vice ela tem. E até mais. De professora e bibliotecária também.

No discurso mais importante da vida, com carisma e eloqüência, ela tirou nota dez. Debochou do currículo de Barack Obama – organizador comunitário que não precisa prestar contas – e do vice Joe Biden, que durante a campanha martelou o candidato democrata.

A prestação de contas dela sobre as finanças do Alasca causa inveja aos outros governadores americanos que não têm tanto gás nem petróleo e têm muito mais do que 800 mil habitantes. Alasca é o Estado com a 47ª população dos Estados Unidos. Sarah Palin ficou devendo explicações sobre os planos para resolver os problemas do país.

Houve quem criticasse a presença do filho com a síndrome de Down, adormecido no braços do marido, parte esquimó, herói do Alasca. Ele é tetracampeão da mais famosa corrida do Estado, a Iron Dog.

São 3.200 quilômetros de snowmobile, dura de 6 a 7 dias e, na última corrida, com o braço quebrado nos últimos 600 quilômetros, ele chegou em 4º lugar. Gosta de ser tratado não como Primeiro Marido, mas como Primeiro Cara – First Dude. Se a mulher for vice ele será qual Cara?

Uma família diferente na corrida para a Casa Branca. A filha adolescente solteira, grávida de 5 meses, ao lado do futuro marido recrutado às pressas no Alasca, agora também é um modelo de moça que decidiu ter o filho em vez de optar pelo aborto.

Até agora prevaleceram as virtudes da candidata, mas ela teve conexões com
lobistas e está envolvida numa investigação sobre abuso de poder. Briga de família. Vão surgir pecados e serão multiplicados pelos democratas.

O discurso mais “macho” da noite foi feito por uma mulher, disse Alex Castellano, um analista político na rede CNN mas nem ela, e nenhum outro orador da noite, teve a macheza de pronunciar o nome do presidente Bush. Este nem Santa Sarah cura.