Personalidades alemãs pedem libertação de Assange

Ex-ministros, jornalistas e escritores argumentam que não há garantia de que o processo do australiano seja tratado de forma isenta pelas Justiças do Reino Unido e EUA. Relator da ONU vê “evidente perseguição política”.    

Manifestação de apoio a Julian Assange em LondresAssange está preso desde abril de 2019 na prisão de alta segurança de Belmarsh, em Londres

Mais de 130 políticos, jornalistas, escritores e artistas, a maioria da Alemanha, exigiram nesta quinta-feira (06/02) a libertação imediata do whistleblower Julian Assange, de 48 anos, que está preso no Reino Unido e pode ser extraditado para os Estados Unidos.

Os organizadores da ação argumentam que Assange deve ser libertado por razões humanitárias e porque não há garantias de que o caso transcorra em conformidade com os princípios do Estado de direito.

O jornalista investigativo Günter Wallraff, promotor da iniciativa, disse que não se trata apenas do destino do fundador do site WikiLeaks, mas da defesa da liberdade de imprensa e de opinião e, portanto, da democracia.

Walraff disse que, “se jornalistas e denunciantes precisam temer a perseguição, a prisão ou até mesmo por suas vidas ao revelarem crimes do Estado, então o quarto poder está mais do que em perigo”.

O ex-ministro alemão do Exterior Sigmar Gabriel declarou que, no caso específico de Assange, aparentemente não há garantia de um processo que respeite os princípios elementares do Estado de direito por causa de razões políticas, tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido.

Gabriel disse que Assange não está em condições de se preparar física e mentalmente para a sua defesa e nem mesmo tem acesso adequado a seus advogados.

Entre os signatários da declaração em favor de Assange estão dez ex-ministros da Alemanha e uma vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, a austríaca Elfride Jelinek.

Os signatários se baseiam em declarações do relator especial das Nações Unidas para a Tortura, Nils Melzer, que fez graves acusações contra autoridades do Reino Unido, da Suécia, dos Estados Unidos e do Equador.

Para ele, as acusações da Suécia contra Assange careciam de fundamento, e o caso do australiano está sendo usado para servir de exemplo e intimidar jornalistas.

Melzer disse que a acusação de estupro feita contra Assange na Suécia foi inventada. “Basta arranhar um pouquinho a superfície para que as contradições aparecem”, declarou à emissora alemã ZDF. Segundo ele, protocolos de interrogatórios foram falsificados, e Assange não teve a chance de se defender.

A Suécia arquivou o caso em novembro passado, e os promotores disseram que, por isso, não comentariam as declarações de Melzer.

O relator da ONU criticou que, no Reino Unido, depois de deixar a embaixada do Equador, Assange foi condenado às pressas. “É evidente que se trata de perseguição política”, declarou ele a um site suíço. “As penas previstas superam em muito as do tribunal para crimes de guerra de Haia”, comentou, em referência às acusações nos Estados Unidos.

Em entrevista à DW, Melzer acusou a Suécia, o Reino Unido, os Estados Unidos e o Equador de manipularem a Justiça. “Eu relutei muito antes de vir a público com uma declaração como essa porque pensei que ninguém vai acreditar em mim. Mas eu tenho as evidências.”

Assange está preso desde abril de 2019 na prisão de alta segurança de Belmarsh, em Londres. Os Estados Unidos pediram a sua extradição. Ele é acusado de ajudar a whistleblower Chelsea Manning – que então ainda se chamava Bradley Manning – a divulgar material secreto das missões americanas no Iraque e no Afeganistão.

Assange pode pegar até 175 anos de prisão se for condenado em todas as 18 acusações nos Estados Unidos. A audiência sobre a sua extradição ocorrerá em 24 de fevereiro.

AS/dpa/lusa

Snowden: “Eu não falo com Assange”

Snowden nega ter qualquer ligação com Wikileaks: ‘Eu não falo com Assange’

Houve vários relatos sobre a alegada ligação de Snowden com o WikiLeaks, alimentada em particular pelo apoio mútuo de Assange-Snowden.

“Eu não falo com Julian Assange, não falo com o WikiLeaks, não tenho relação com eles”, disse Snowden durante um link de vídeo com a conferência alemã de tecnologia CeBit, acrescentando que era um “fato público bem estabelecido “.

Snowden tem residido na Rússia desde 2013, quando ele fugiu dos Estados Unidos depois de expor o esquema de espionagem on-line maciço NSA.

WikiLeaks: EUA espionaram Netanyahu, Berlusconi e Ban Ki-moon

EUA espionaram Netanyahu, Berlusconi e Ban Ki-moon, segundo WikiLeaksNovos documentos revelam espionagem por parte da NSA a líderes mundiais

O WikiLeaks é uma organização criada por Julian Assange (Fonte: Reprodução/Wikipedia)

Novos documentos divulgados nesta segunda-feira, 22, pelo site Wikileaks revelaram que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) espionou líderes mundiais como o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o ex-premier da Itália Silvio Berlusconi e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

De acordo com a organização criada por Julian Assange, a NSA realizou escutas em um encontro entre Ban Ki-moon e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Uma conversa entre Netanyahu e Berlousconi também teria sido alvo de espionagem norte-americana, além de um encontro entre responsáveis de comércio do alto escalão da UE e do Japão, e uma reunião particular entre Berlusconi, Merkel e o ex-presidente da França Nicolás Sarkozy.

Os documentos mostram que Angela Merkel e Ban Ki-moon conversaram sobre como combater a mudança climática.

Já Netanyahu teria pedido a Berlusconi ajuda para lidar com o governo dos EUA, e Sarkozy teria alertado o ex-premier italiano sobre os perigos do sistema bancário de seu país.

Julian Assange afirmou que “será interessante ver a reação da ONU, já que se o secretário-geral pode ser um alvo (da espionagem dos EUA) sem nenhuma consequência, então qualquer um, desde um líder mundial a um varredor de rua, estaria em risco”.

Fontes:
Uol – Wikileaks revela espionagem dos EUA a Netanyahu, Berlusconi e Ban Ki-moon

WIKILEAKS: Juristas da ONU consideram ilegal a detenção de Assange

Um grupo de juristas da ONU disse que o fundador da WikiLeaks vive em um regime de detenção ilegal. O caso ainda é avaliado por grupo da ONU.

Juristas da ONU consideram ilegal a detenção de Assange
Assange disse que aceitaria a detenção caso a ONU dê um parecer desfavorável (Foto: Reprodução/ Youtube)
Juristas do Grupo de Trabalho da ONU para Detenções Arbitrárias determinou que a detenção do fundador da ONG WikiLeaks, Julian Assange, é ilegal, segundo informações da BBC. A declaração, vazada à BBC nesta quinta-feira, antecipa o anúncio oficial da decisão do grupo marcado para acontecer na sexta-feira, 5.  A pedido de Assange, que está refugiando há mais de três anos na embaixada do Equador em Londres, o grupo da ONU avalia se sua situação equivale a uma detenção ilegal.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Na manhã desta quinta-feira o australiano disse, pelo Twitter, que caso a ONU dê um parecer contrário e avalie que não há ilegalidade por parte das autoridades suecas e britânicas, deixaria a embaixada e aceitaria a detenção no Reino Unido.

“Se a ONU anunciar amanhã que perdi meu caso contra Reino Unido e Suécia, deverei deixar a embaixada (do Equador em Londres) ao meio-dia de sexta-feira para aceitar a detenção por parte da polícia britânica, já que uma apelação não parece possível. Entretanto, se eu ganhar e as partes do Estado serem autuadas por terem agido ilegalmente, espero o retorno imediato do meu passaporte e a rescisão de novas tentativas de me prender”, afirmou Assange.

O fundador do WikiLeaks fez o pedido ao grupo da ONU alegando que havia sido privado de suas liberdades fundamentais no período de refúgio. Caso seja aceito, a ONU pedirá a libertação do australiano. No entanto, a decisão do grupo não será juridicamente vinculante, com isso, o anúncio na sexta-feira não garantirá um efeito prático sobre uma possível detenção de Assange.

Autoridades britânicas permanecem no entorno da embaixada equatoriana. “A ordem ainda está vigente. Se ele sair da embaixada, faremos de tudo para prendê-lo”, disse um porta-voz da polícia britânica.

Assange vive na embaixada do Equador desde junho de 2012, fugindo de acusações da Justiça da Suécia. O australiano é acusado de abuso sexual contra duas mulheres, mas nega as acusações.

Assange teme que autoridades suecas o extraditem para os EUA, onde ele é acusado do crime de espionagem por ter divulgado documentos confidenciais do governo americano. O governo equatoriano concedeu asilo político ao australiano, mas o governo britânico negou o salvo-conduto.
Fonte:Opinião&Notícia

Guerras, governantes e órgãos de inteligência

Espionagem,NSA,Edward Snowden,Curveball,Assange,Bush,Colin Powell, Blog do MesquitaFica patente que, apesar da história ser escrita pelos vencedores, o avanço da tecnologia na divulgação mais ampla e imparcial dos fatos, vai proporcionado à humanidade a possibilidade de, mais acuradamente, formar opinião mais isenta sobre a história contemporânea.

A internet proporciona o acesso à informação não necessariamente escrita nos gabinetes das ditas agências de “inteligência”.

Nessa era de ‘Snowdens’, ‘Assanges’ e NSA, das permanentes crises e guerras infinitas, dediquei o dia de ontem para ler “Curveball” (Editora Novo Conceito, 270 páginas), do jornalista norte-americano Bob Drogin, já traduzido para o português.

Encontrei na narrativa, minuciosamente explanada, detalhe por detalhe, toda a chocante e mefistotélica maquinação de como os órgãos de segurança da turma acima do Rio Grande, manobraram Bush e Colin Powell para produzirem o desastre da guerra do Iraque. Porque desejam ser conduzidos.

Como já está comprovado; só a guerra produz o pleno emprego.


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Tópicos do dia – 26/08/2012

09:05:51
Plano britânico para prender Assange é acidentalmente revelado

Um plano da polícia britânica para prender Julian Assange se ele sair da Embaixada do Equador é revelado pela imprensa. As fotos das anotações de um plano da polícia britânica para prender Julian Assange se o fundador do site WikiLeaks decidisse sair da embaixada do Equador em Londres, onde se encontra refugiado, foram publicadas pela imprensa britânica neste sábado.

Um policial que protege a embaixada foi fotografado com um documento manuscrito no qual se pode ler “restringido” e “decisão – justificativa de apoio”.

O documento assinala que o fundador do WikiLeaks deverá ser detido (ARRESTED) “sob qualquer circunstância” caso dê um passo para fora da embaixada, que está localizada junto ao luxuoso centro comercial Harrods, no elegante distrito de Knightsbridge.

Além disso, este documento indica que se o australiano de 41 anos tentar sair de uma embaixada num veículo, sob imunidade diplomática ou em um malote diplomático, deverá ser detido.

“São anotações de um oficial feitas durante uma reunião”, explicou um porta-voz da Scotland Yard. “Nosso objetivo é prender Julian Assange por não cumprimento de sua fiança. Sob nenhuma circunstância se procederá a uma prisão que viole a imunidade diplomática”, acrescentou o porta-voz.

Assange, depois de esgotar todas suas opções legais na Grã-Bretanha para evitar uma extradição para a Suécia, onde é procurado para responder por acusações de delitos sexuais, entrou na embaixada equatoriana em Londres em 19 de junho e pediu asilo. O Equador concedeu este asilo político em 16 de agosto.

A Grã-Bretanha diz estar legalmente obrigada a extraditar Assange para a Suécia se ele sair da embaixada do Equador.
Agência France Press

11:15:29
Vagas para ministro no STF.

Até agora a imprensa registrou nominalmente dezoito aspirantes às vagas de ministro do Supremo Tribunal Federal que se abrirão até o fim do ano. Uma briga de foice em quarto escuro, ou melhor, no gabinete muito bem iluminado do ministro da Justiça.

Dilma Rousseff não gostou nem um pouco de estar sendo atropelada em sua prerrogativa exclusiva de indicar o candidato ao Senado. Mandou o ministro encerrar as sondagens, se é que havia começado. Para quem se arrisca dizer que conhece a presidente da República, prevalece uma suposição: não indicará nenhum dos dezoito já referidos.
Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

11:33:39
Marco Aurélio lidera trends no Twitter 

12:04:30
Projeto de incentivo ao tráfigo de drogas.

“[…]Está em curso uma campanha nacional pela descriminação do uso de drogas. À frente dela, os bacanas de sempre. Acham que esse é um assunto que concerne, digamos assim, às classes médias ilustradas. Quanto mais distante do debate ficar o povo, melhor. Os progressistas odeiam o povo reacionário. O governo do Uruguai foi mais estúpido, porém mais hones
to: propôs logo de cara a estatização da maconha. Por aqui, tenta-se revestir a legalização branca de “descriminação do consumo”. Frauda-se a lógica, ignoram-se os fatos, mistifica-se.”
[…]A reportagem do Jornal Nacional informa: “A posse de entorpecentes para uso pessoal deixaria de ser crime para ser considerada infração administrativa. As quantidades para consumo pessoal seriam definidas pelo governo”. Eis o ponto. O que Fernandes e sua turma pretendem é tirar do juiz a arbitragem sobre o que é e o que não tráfico. No texto publicado na manhã de ontem, já demonstrei por que isso é uma estupidez. Definida a quantidade, os traficantes se adaptariam a ela e multiplicariam os seus agentes, que passariam a transportar apenas o “permitido”. Aqueles juristas aloprados que fizeram propostas de reforma do Código Penal sugerem que o suficiente para cinco dias de consumo não seria tráfico… Entendi: os policiais passariam a andar munidos de instrumentos de precisão para pesar as trouxinhas de maconha, o pó etc. É ridículo!”
blog Reinaldo Azevedo


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Assange e o anti-imperialismo

Episódio Assange faz Equador levantar ‘bandeira anti-imperialista’

Quando Julian Assange pediu asilo pela primeira vez na embaixada do Equador, há dois meses, ele havia faltado a audiências na Justiça e tentava postergar o dia em que seria extraditado para a Suécia para responder a acusações de crime sexual.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Naquele momento, o governo de Quito tinha o cuidado de afirmar que não desejava deteriorar suas relações diplomáticas com a Grã-Bretanha. A chancelaria britânica insistiu que desejava uma saída negociada para a saia-justa.

Mas o que ficou claro nesta semana é que não há muito espaço para concessões. Embora o governo britânico afirme que deseja continuar as negociações, também diz categoricamente que Assange não terá salvo-conduto para sair do país e não negociará com a Suécia seu compromisso de extradição.

A Grã-Bretanha “não recuou uma polegada”, segundo o chanceler equatoriano Ricardo Patiño, e o que vinha sendo um “diálogo amistoso” se transformou em “ameaça” e “chantagem explícita”.

Mas o que particularmente enfureceu o Equador foi a insinuação feita pela Grã-Bretanha de que o país poderia usar uma lei britânica de 1987 para revogar o status de embaixada do edifício ocupado pela representação equatoriana para permitir que a polícia entrasse no local e prendesse Assange.

”Opção nuclear”

Se isso funcionasse, seria uma forma mais fácil de pôr fim ao impasse, segundo um embaixador britânico, do que a ”opção nuclear” de romper relações diplomáticas com o Equador por completo.

Mas mesmo levantar a possibilidade de enviar a polícia à embaixada se mostrou uma medida polêmica por parte dos britânicos.

Além dos debates legais sobre se a lei britânica de 1987 poderia realmente se sobrepôr às salvaguardas internacionais há muito asseguradas pela Convenção de Viena para assegurar a imunidade de diplomatas estrangeiros e embaixadas em todo o mundo, isso poderia abrir um precedente preocupante: que outros países poderiam seguir o exemplo e usar o pretexto de pegar criminosos para invadir embaixadas estrangeiras que abrigam dissidentes?

O presidente do Equador, Rafael Correa (AFP)Episódio seria chance de Correa se firmar como um líder anti-imperialista latino-americano

Mas o argumento que o Ministério das Relações Exteriores britânicos poderia utilizar seria: como ficar de lado e permitir que uma embaixada estrangeira em Londres possa ser usada por propósitos não-diplomáticos para abrigar um potencial criminoso que burlou os termos de sua fiança, sem tomar qualquer ação?

De imediato, já está claro que a cisão entre a Grã-Bretanha e o Equador se intensificou.

Em Quito, o Ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, agora argumenta que Assange é uma ”potencial vítima de perseguição política”, por conta de sua defesa da liberdade de expressão e de imprensa, devido às suas publicações no WikiLeaks.

Ele afirma ainda que é dever do Equador protegê-lo e assegurar que não se consumarão seus temores em ser extraditado para os Estados Unidos e possivelmente encarar uma longa pena de prisão – como a do militar Bradley Manning, que vazou segredos militares para o WikiLeaks – ou até mesmo a pena de morte. pena de morte.

Neocolonialismo

Em meio a tudo isso, a Grã-Bretanha ainda foi acusada de tratar o Equador como uma colônia.

Não resta dúvida que o presidente equatoriano, Rafael Correa, vê toda a saga como uma oportunidade de firmar suas credenciais ”anti-imperialistas” entre seus colegas. O Equador já convocou um encontro de países latino-americanos para que eles ofereçam uma resposta apropriada.

David Cameron (Getty Images)
Britânico Cameron teria endurecido o tom com equatorianos

Visto que a Grã-Bretanha já vinha tentando lidar de forma delicada com a América Latina, a fim de evitar que sua briga com a Argentina sobre as Ilhas Malvinas se disseminasse pelo continente, o momento em que essa crise ocorre é ruim, para dizer o mínimo.

Por outro lado, a Suécia rapidamente se alinhou com a Grã-Bretanha para expor seu descontentamento com o Equador, convocando o embaixador do país na Suécia ao Ministério das Relações Exteriores em Estocolmo, classificando como ”inaceitável” que o Equador tente bloquear a investigação sueca.

E uma questão permanece: por quanto tempo Assange permanecerá enfurnado na embaixada equatoriana, tendo obtido asilo, mas incapaz de sair da representação diplomática sem ser preso?

Longo refúgio

Parece haver pouca esperança prática de retirá-lo às escondidas. Em teoria, ele poderá permanecer lá por muito tempo.

O dissidente chinês Fang Lizhi, que buscou refúgio na embaixada americana em Pequim, em 1989, onde permaneceu por um ano.

O cardeal húngaro József Mindszenty, que encontrou abrigo na embaixada dos Estados Unidos em Budapeste após a insurreição anticomunista no país em 1956, permaneceu lá por 15 anos, até 1971. E há também dois integrantes da junta militar que governou a Etiópia que ainda estão refugiados na embaixada da Itália em Adis Abeba, onde se encontram desde 1991.

Foi talvez tendo isso em mente que um diplomata britânico observou, com aparente frustração, que seria impossível e caro demais manter um policiamento de 24 horas em torno à embaixada equatoriana indefinidamente e que alguma outra solução ao impasse teria de ser encontrada.

O que começou como uma negociação complicada se transformou em uma profunda crise, envolvendo não apenas a Grã-Bretanha e o Equador, mas também a Suécia e os Estados Unidos.

E quanto mais elevada for a temperatura política nesta história complexa e cheia de meandros, mais difícil será encontrar uma saída diplomática.
Bridget Kendall/Correspondente diplomática, BBC News

 

Wikileaks: USA quer provar que soldado forneceu dados

Desde a semana passada, os Estados Unidos realizam uma audiência para avaliar provas levantadas contra o analista de inteligência do exército americano Bradley Manning, acusado de entregar informações confidenciais ao WikiLeaks.

Após a apresentação das provas, que tentaram ligar Manning, de 24 anos, a Julian Assange, fundador do site, a corte decidirá se o jovem enfrenta a corte marcial respondendo por 22 acusações – entre elas, a de “ajudar o inimigo”.

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Twitter terá de fornecer dados do Wikileaks

Segundo informações da Reuters, dois investigadores forenses avaliaram os computadores que Manning utilizava no Iraque e encontraram evidências de que ele havia enviado arquivos ao Wikileaks.

O analista é suspeito de baixar milhares de documentos secretos da rede do exército, a Secret Internet Protocol Router Network, ou SIPRNet, e depois vazá-los à equipe de Assange.

Entre as evidências encontradas em sua máquina estão: uma conversa online entre a conta de Manning e uma que estaria conectada à Assange na qual foram discutidas transferências de dados; arquivos deletados em um formato para transferência e status de transferência completos indicando que documentos foram colocados na página de upload do Wikileaks; cartões de memória com quatro arquivos em formato de transferência, um deles com 91 mil relatórios do Afeganistão e outro com 400 mil relatórios do Iraque; e duas versões do vídeo que mostra soldados americanos matando iraquianos de um helicóptero Apache – uma delas idêntica à que vazou no Wikileaks.[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]

Entre os detalhes que complicam a situação de Manning está um arquivo chamado README.txt, que dizia:
“Estes são itens de importância histórica para duas guerras no Iraque e Afeganistão”, e fazia referência à presença de SIGACTS, sigla do exército para designar arquivos que discutem ações inimigas e táticas.

Correndo o risco de ser condenado à prisão perpétua caso vá à Corte Marcial, Manning e sua defesa alegam que o analista estava emocionalmente perturbado, e que teria enviado e-mails ao seu superior dizendo estar confuso quanto ao seu gênero. Ele teria, inclusive, criado um alter-ego feminino online.

Enquanto o destino do analista não é definido nos Estados Unidos, do outro lado do Atlântico, na Inglaterra, Julian Assange também trava uma batalha judicial. Acusado de estupro e assédio sexual na Suécia, ele corre o risco de ser extraditado.

Na semana passada, no entanto, a Suprema Corte britânica concordou em avaliar a apelação de Assange para não ser enviado à Suécia.
Paula Rothman/INFO Online