História e Estórias – Notórios e notáveis

Do notável Sebastião Nery – Tribuna da Imprensa – reproduzo essa notável estória sobre alguns notórios políticos brasileiros.

Antonio Candido de Melo e Sousa, paulista carioca, mestre da crítica literária (autor, entre outros, dos clássicos “Formação da literatura brasileira” e “Literatura e sociedade”), criticou Gilberto Freire porque escrevia seu nome com “y” (“Freyre”) e não com “i” (“Freire”).

Gilberto Freire não gostou, mas não reclamou. Algum tempo depois, Antonio Candido telefonou para Gilberto Freire, que atendeu: – Quem fala? É o Antonio Candido? O Antonio sem o circunflexo no “ô” de “Antônio” e no “â” de “Cândido”, com “Mello” de dois “elles” e “Souza” com “z”?

Suassuna
Mas os pernambucanos nem sempre são tão sutis. João Alexandre Barbosa, consagrado crítico literário, fazia concurso para a Universidade de Pernambuco. Na banca, o renomado professor Antonio Candido, e o extraordinário Ariano Suassuna. Antonio Candido elogiou Alexandre:

– Ele tem notório e notável saber.

Suassuna interrompeu Antonio Candido:

– Até concordo com o professor Antonio Candido. Mas há uma grande diferença entre notório e notável. Alguns políticos de Pernambuco são ladrões notórios. Já Lampião foi um ladrão notável.

PSDB
O PSDB foi fundado dizendo-se um “partido de notáveis”. Agora, o procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, mostra que não é bem assim. Tem seus “notáveis”. Mas também um punhado de “notórios”.

O “mensalão” do PT tinha o mesmo DNA do “mensalinho” de Minas. Não importa que o tamanho da roubalheira não tenha comparação. Mas está provado que os tucanos mineiros também têm seus “notórios”.