Por que os céus claros do confinamento não são uma boa notícia para o planeta

Nem as águas limpas dos canais de Veneza. Nem as fotos de animais conquistando a cidade

Um grupo de cabras montesas anda pelas ruas de Llandudno, em Gales.

Mudaremos tanto por dentro após a vida de confinamento?
Irrelevante, insignificante, trivial. Esse é o efeito da redução dos gases poluidores (fundamentalmente, dos carros e da indústria) no aquecimento global. Aqueles que vociferam que o novo coronavírus deu um respiro ao planeta, como se espera que prove um céu azul claro poucas vezes visto em cidades poluídas, estão misturando conceitos, como o de qualidade do ar e mudança climática. “O primeiro tem a ver com emissões que nas cidades vêm, principalmente, do tráfego. Aí realmente veremos benefícios na saúde a curto prazo, pois caíram muito pelo confinamento. Mas, se o assunto é mudança climática, o importante é o CO2, cujas emissões quase não caíram a nível mundial”, diz Julio Díaz Jiménez, cientista titular na Escola Nacional de Saúde no Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII).

E continua: “De fato, há somente três dias batemos um novo recorde de PPM na atmosfera [unidade que mede a concentração de dióxido de carbono]. A pandemia não mudou nada”. E mais, foi postergada, por segurança, uma importante reunião que verdadeiramente poderia ter feito algo para evitar secas, incêndios e catástrofes, a Conferências das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP26), em que os países se dispunham a aumentar seu compromisso contra o aquecimento global (até agora, insuficiente). No melhor dos casos só ocorrerá em novembro de 2021.Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Não há copo meio cheio que chegue. Enquanto algumas previsões dizem que os estragos do coronavírus farão com que finalizemos o ano com uma queda nas emissões de CO2 de 5%, o necessário é chegar a 7,6% durante dez anos (ou, pelo menos, quedas de 10% mensais nos próximos 12 meses). As conversas para tentá-lo ―agora sepultadas pela urgência da situação― eram muito mais importantes do que essa parada forçada, concordam os especialistas. E meses de negociações foram perdidos… Também não é tão idílica essa nova imagem dos canais de Veneza com águas límpidas e transparentes (até peixes foram vistos). “Sem medições é impossível saber se é pela qualidade da água ou se, pela falta de barcos, os sedimentos não se removem e permanecem no fundo”, afirma Davide Tagliapietra, do Instituto de Ciências Marinhas da Itália.

O plástico sai de seu esconderijo

De acordo com a Bloomberg, nos EUA se passou uma semana entre o primeiro caso de covid-19 e a proibição da Starbucks de que seus clientes levem xícaras de casa para beber seus cafés. Os copos de plástico descartáveis se tornaram obrigatórios por motivos de saúde. A empresa editorial e de assessoria financeira lançou por sua vez um relatório pormenorizado no qual anuncia uma etapa dourada à indústria das embalagens do até bem pouco tempo desprezado material, “já que suas alternativas ecológicas apresentam dúvidas de higiene e segurança”.

Para não falar da altíssima demanda de máscaras, luvas, papel filme transparente e outros artigos muito procurados. O Greenpeace tem certeza de que a poluição por plásticos será um dos assuntos de sua agenda durante a gestão da crise. As corridas aos supermercados não ajudam. “Não temos dados, mas é evidente que há um aumento do consumo de produtos embalados em plásticos descartáveis”, diz a ONG.

Não está tudo perfeito aos animais

Pode parecer, pelas imagens de patos, javalis e cabras perambulando por locais até pouco tempo monopolizados pelos avarentos humanos (não acredite em todas: atenção ao fascículo, que você pode encontrar no PDF do novo número de BUENAVIDA, em espanhol, disponível grátis nesse link). São muitas as espécies, entretanto, que sofreram pela ausência de pessoas durante o confinamento (e continuarão sofrendo no que, previsivelmente, está por vir).

Como denunciou há pouco uma reportagem da revista Wired, qualquer animal com chifres na África, como é o caso dos rinocerontes, hoje corre mais riscos de ser caçado. “[Pela destruição dos empregos dos guardas florestais], se perderá todo o trabalho de conservação feito nos últimos dez anos na região”, avalia, na reportagem, um porta-voz da ONG The Nature Conservancy. É um lamento generalizado de todos os que se dedicam à conservação de espécies, de aves à fauna marina: com laboratórios fechados e fundos paralisados, seu trabalho está em perigo.

A fauna urbana, por sua vez, não está melhor. “As colônias de gatos, os patos, pavões-indianos de alguns parques e as pequenas aves que comem as sobras dos terraços estão desamparados”, afirmou Matilde Cubillo, presidenta da Federação de Associações Protetoras e de Defesa Animal da Comunidade de Madri, ao EL PAÍS. Nos abrigos de animais, não há adoções e voluntários.

Então não há esperança ao meio ambiente?Natureza,Ambiente,Meio Ambientea,Clima,Blog do Mesquita 01

O cientista Julio Díaz, chefe do departamento de Epidemiologia e Bioestatística do ISCIII, lança uma luz sobre o momento crucial ao planeta: “Aprendemos que a saúde pode vir antes da economia. E a defesa do meio ambiente é uma defesa da saúde: não se entende um sem o outro. Mas precisamos lembrar disso após a recessão, e não continuar com o ritmo de crescimento e emissões tão selvagem que fazíamos”.

A questão mais espinhosa: a crise econômica que se espera com a pandemia pode ser uma oportunidade para realizar a transição energética ou se transformará na desculpa perfeita para deixá-la para trás? Díaz tenta, com dificuldades, ser otimista… “Já tenho certa idade. E a história nos diz que ocorrerá a segunda opção.

Nos EUA, Donald Trump anunciou que relaxará as leis ambientais à indústria automotiva para diminuir a recessão. A China já emite gases poluidores pelo tráfego no mesmo nível do que antes da pandemia. Ainda assim, escolhi acreditar”. Gestos individuais? Também os espera: “Acredito que tenhamos aprendido que a bicicleta é um grande meio de transporte, e que não é preciso pegar um avião quando é possível se reunir pela Internet”.

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250 leões famintos descobertos em uma fazenda de caça de troféus na África do Sul

A indústria de caça enlatada está prosperando há décadas na África do Sul. Esse é um negócio em que os criadores de jogos recebem quantias ultrajantes de dinheiro de ricos caçadores de emoções, principalmente turistas estrangeiros, para colocar caça capturada ou criada em recintos onde eles podem ser facilmente mortos a tiros como troféus.

Berend Plasil/Drew Abrahamson

Os infelizes leões de Ingogo Safaris, África do Sul, são objetos dessa crueldade insana. Localizada na província de Limpopo, na Cidade do Cabo, a fazenda pertence a Walter Slippers, que administra uma fazenda de criação, uma fazenda de caça e uma cafeteria. Em 2016, fotos dos 250 leões magros e desnutridos criados na fazenda surgiram on-line. As estruturas esqueléticas dos animais selvagens podiam ser vistas claramente que estavam famintos e negligenciados por um longo tempo.

Um vizinho que mora na propriedade adjacente tirou fotos dos leões e as enviou para Drew Abrahamson, CEO da Fundação Captured in Africa.

“Algumas imagens surgiram cerca de dois anos atrás, quando ele costumava ter voluntários em sua propriedade”, disse Abrahamson ao Dodo. “Havia dois leões nas imagens bebendo água; eles também estavam incrivelmente abaixo do peso, então acho que é um caso de negligência como um todo. Você não espera que os leões cativos sejam tão magros que seus ossos do quadril se projetem. “

Berend Plasil/Drew Abrahamson

Ele alegou que sua negligência foi causada por problemas de saúde

Em uma entrevista ao Traveler 24, Slippers afirma que ele estava no hospital após um ataque cardíaco. Alegou que não tinha ajuda na fazenda e era incapaz de atender adequadamente os animais.

“Enquanto eu estava no hospital, a comunidade me ajudou; Não tenho irmãos ou pai que possam me ajudar enquanto eu estava no hospital ”, disse Slippers.

Berend Plasil/Drew Abrahamson

As investigações foram realizadas logo depois pela Unidade de Proteção da Vida Selvagem da NSPCA (Conselho Nacional de Sociedades para a Prevenção de Crueldade para Animais) da África do Sul. Segundo a gerente da unidade, Isabel Wentzel, Slippers havia dito que as fotos eram antigas e foram tiradas quando ele ainda estava em reabilitação. Ele insistiu que seus leões não estavam desnutridos.

No entanto, a unidade da NSPCA descobriu vários leões com baixo peso e desnutridos em sua fazenda. Segundo Wentzel, como nem todos os leões estavam abaixo do peso, eles deixaram Slippers com um aviso oficial para serem seguidos com inspeções regulares.

“O que fizemos foi trabalhar com a SPCA local em Louis Trichardt, Makhado – que visitou a fazenda”, disse Wentzel. “Estivemos em todas as instalações e, embora nem todos os leões estejam abaixo do peso, emitimos um aviso oficial”.

“Quando você olha para esses leões, pode ver cicatrizes no rosto, o que significa que provavelmente é uma questão de lutar por comida. Não é um caso de alimentá-los e eles se recuperarão imediatamente; será um processo de recuperação. ”

Berend Plasil/Drew Abrahamson

Caça enlatada de leões criados em cativeiro: Legal, mas imoral

A maioria das pessoas não tem certeza das legalidades em torno da caça enlatada e caça na África, especialmente em países como o Zimbábue e a África do Sul.

A caça enlatada é ilegal na África do Sul. No entanto, é permitido apenas quando praticado com leões criados em cativeiro.

O Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal informou que existem entre 6.000 e 8.000 leões mantidos em cativeiro na África do Sul em cerca de 200 fazendas.

“Toda a caça ao leão na África do Sul deve ser autorizada, e essas são caçadas regulamentadas que devem ser feitas com certos critérios”, disse Carla van der Vyver, diretora executiva da Associação Sul-Africana de Predadores (SAPA) à BBC. “Se tal atividade aconteceu e não foi realizada de acordo com os regulamentos de permissão, definitivamente não é algo que a SAPA apoiará.”

Embora a caça enlatada de leões criados em cativeiro seja legal, a prática ainda é errada, completamente imoral e injusta. Os leões selvagens estão desaparecendo rapidamente na África do Sul, enquanto a população de leões criados em cativeiro, para serem mortos, continua a crescer.

Para controlar a situação, a Associação de Caçadores Profissionais da África do Sul (PHASA) colocou em votação e a maioria concordou em não participar da caça enlatada de leões criados em cativeiro, a menos que as condições estejam alinhadas com os regulamentos da SAPA. Os membros foram completamente proibidos de se envolver na caça enlatada de leões selvagens.

“É hora de chamar a atenção para os criadores e caçadores individualmente, para que eles não possam se esconder atrás da indústria como um todo”, escreveu Abrahamson. “É hora de encarar a música com relação à sua exploração”.

Fonte: Family Life Goals
Créditos da imagem: The Dodo

Meio Ambiente,Animais,Mudanças,Climáticas,Insetos,Agrotóxicos,Vida Selvagem

Por que há cada vez mais moscas e baratas e menos borboletas e abelhas

Meio Ambiente,Animais,Mudanças,Climáticas,Insetos,Agrotóxicos,Vida SelvagemDireito de imagemGETTY IMAGES
A população de diversas espécies de borboletas está em declínio, além de abelhas e libélulas 

Uma nova análise científica sobre o número de insetos no mundo sugere que 40% das espécies estão experimentando uma “dramática taxa de declínio” e podem desaparecer. Entre elas, abelhas, formigas e besouros, que estão desaparecendo oito vezes mais rápido que espécies de mamíferos, pássaros e répteis. Já outras espécies, como moscas domésticas e baratas, devem crescer em número.

Vários outros estudos realizados nos últimos anos já demonstraram que populações de algumas espécies de insetos, como abelhas, sofreram um grande declínio, principalmente nas economias desenvolvidas. A diferença dessa nova pesquisa é ter uma abordagem mais ampla sobre os insetos em geral. Publicado no periódico científico Biological Conservation, o artigo faz uma revisão de 73 estudos publicados nos últimos 13 anos em todo o mundo.

Os pesquisadores descobriram que o declínio nas populações de insetos vistos em quase todas as regiões do planeta pode levar à extinção de 40% dos insetos nas próximas décadas. Um terço das espécies está classificada como ameaçada de extinção.

“O principal fator é a perda de habitat, devido às práticas agrícolas, urbanização e desmatamento”, afirma o principal autor do estudo, Francisco Sánchez-Bayo, da Universidade de Sydney.

“Em segundo lugar, está o aumento no uso de fertilizantes e pesticidas na agricultura ao redor do mundo, com poluentes químicos de todos os tipos. Em terceiro lugar, temos fatores biológicos, como espécies invasoras e patógenos. Quarto, mudanças climáticas, particularmente em áreas tropicais, onde se sabe que os impactos são maiores.”

Os insetos representam a maioria dos seres vivos que habitam a terra e oferecem benefícios para muitas outras espécies, incluindo humanos. Fornecem alimentos para pássaros, morcegos e pequenos mamíferos; polinizam em torno de 75% das plantações no mundo; reabastecem os solos e mantêm o número de pragas sob controle.

Escaravelho, um tipo de besouroDireito de imagemGETTY IMAGES
Besouros também estão em declínio, segundo o estudo

Os riscos da redução do número de insetos

Entre destaques apontados pelo estudo estão o recente e rápido declínio de insetos voadores na Alemanha e a dizimação da população de insetos em florestas tropicais de Porto Rico, ligados ao aumento da temperatura global.

Outros especialistas dizem que as descobertas são preocupantes. “Não se trata apenas de abelhas, ou de polinização ou alimentação humana. O declínio (no número de insetos) também impacta besouros que reciclam resíduos e libélulas que dão início à vida em rios e lagoas”, diz Matt Shardlow, do grupo ativista britânico Buglife.

“Está ficando cada vez mais claro que a ecologia do nosso planeta está em risco e que é preciso um esforço global e intenso para deter e reverter essas tendências terríveis. Permitir a erradicação lenta da vida dos insetos não é uma opção racional”.

Os autores do estudo ainda estão preocupados com o impacto do declínio dos insetos ao longo da cadeia de produção de comida. Já que muitas espécies de pássaros, répteis e peixes têm nos insetos sua principal fonte alimentar, é possível que essas espécies também acabem sendo eliminadas.

BaratasDireito de imagemGETTY IMAGES
Já baratas e moscas domésticas podem prosperar

Baratas e moscas podem proliferar

Embora muitas espécies de insetos estejam experimentando uma redução, o estudo também descobriu que um menor número de espécies podem se adaptar às mudanças e proliferar.

“Espécies de insetos que são pragas e se reproduzem rápido provavelmente irão prosperar, seja devido ao clima mais quente, seja devido à redução de seus inimigos naturais, que se reproduzem mais lentamente”, afirma Dave Goulson, da Universidade de Sussex.

Segundo Goulson, espécies como moscas domésticas e baratas podem ser capazes de viver confortavelmente em ambientes humanos, além de terem desenvolvido resistência a pesticidas.

“É plausível que nós vejamos uma proliferação de insetos que são pragas, mas que percamos todos os insetos maravilhosos de que gostamos, como abelhas, moscas de flores, borboletas e besouros”.

O que podemos fazer a respeito?

Apesar dos resultados do estudo serem alarmantes, Goulson explica que todos podem tomar ações para ajudar a reverter esse quadro. Por exemplo, comprar comida orgânica e tornar os jardins mais amigáveis aos insetos, sem o uso de pesticidas.

Além disso, é preciso fazer mais pesquisas, já que 99% da evidência do declínio de insetos vêm da Europa e da América do Norte, com poucas pesquisas na África e América do Sul.

Se um grande número de insetos desaparecer, diz Goulson, eles provavelmente serão substituídos por outras espécies. Mas esse é um processo de milhões de anos. “O que não é um consolo para a próxima geração, infelizmente”.
BBC

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Cadê os insetos que estavam aqui?

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As borboletas se juntam para procurar água e sal. Foto: Roberto De Nigris/Flickr.

Uma publicação de alguns dias informa, didaticamente, o que pode estar acontecendo no mundo dos insetos. E o que explica, além de ser plausível, é tão impressionante quanto assustador. Em essência, o artigo descreve que em menos de um século a biomassa, ou seja, o peso total dos insetos, foi drasticamente reduzido no nível regional, nacional e possivelmente mundial.

Todos já conhecem o caso das abelhas e suas consequências. Mas o desaparecimento maciço de insetos “benéficos”, “nocivos” ou “inócuos”**, todos juntos, é o anúncio de um desastre ecológico e, portanto, humano, de tal magnitude que nenhum economista ou sociólogo poderia ousar calcular ou prever.

Em resumo, o jornalista reviu informações científicas e entrevistou especialistas que argumentam que as populações de insetos estão diminuindo de forma alarmante em todos os lugares onde o fenômeno foi estudado. A evidência mais impressionante veio de uma sociedade de entomologistas de Krefeld (Alemanha) cujos membros, intrigados com o que parecia ser uma tendência para a redução de insetos voadores, decidiram abordar diretamente a questão graças a registros de coleções massivas muito antigas, incluindo centenários. Verificaram, em resumo, que na atualidade coletam quantidades de insetos medidas em peso, várias vezes inferiores, ao que décadas antes foi coletado, exatamente nos mesmos lugares e com as mesmas técnicas.

Outros estudos chegaram às mesmas conclusões. No artigo, o autor explica a razão pela qual este fenômeno passou tão despercebido e analisa suas implicações para a humanidade. A conclusão é que, se este processo também ocorre em outras regiões do planeta, o que parece ser o caso, todos os processos biogeoquímicos que sustentam a vida na Terra seriam afetados e, muito possivelmente, o fato teria um impacto direto e negativo sobre o futuro da humanidade. Uma ameaça que estimam ser tão grave quanto a da mudança climática, à qual pode estar associada.

Borboleta,Agro Tóxico,Meio Ambiente,Animais,Veneno,Blog do Mesquita 2Os insetos são o maior concorrente da humanidade no que concerne a alimentos. Acima, o mais conhecido desses devoradores de colheita, o gafanhoto. Foto: Wikipédia.

A primeira reação a esta nota pode ser algo como… Que boa notícia! É bem sabido que os insetos são o maior concorrente da humanidade no que concerne a alimentos. Os insetos consomem talvez a metade da produção agrícola mundial, tanto no campo como após a colheita. Isso obriga a se usar enormes volumes de inseticidas, o que gera a cada ano perdas e gastos de muitos bilhões de dólares.

Também é bem conhecida a enorme importância de insetos como transmissores ou vetores de doenças graves, como febre amarela, malária, doença de Chagas, doença do sono ou, para ser mais atual, dengue, Chikungunya e Zika. Milhões de pessoas morrem todos os anos de doenças transmitidas direta ou indiretamente por insetos e bilhões de dólares são usados ​​para preveni-las, combatê-las ou curar os enfermos. Ou seja, se a população de insetos diminuir drasticamente, pode se supor que haverá mais alimentos para as pessoas e menor risco de contrair doenças. É isto verdade?

Acontece que, independentemente dos impactos acima citados como “prejudiciais”, uma parte considerável dos hexápodes são “benéficos”, ou seja, são úteis para a humanidade de muitas maneiras que, quase sempre, são desconhecidas ou desconsideradas. O primeiro papel benéfico de insetos para com os humanos é impedir a proliferação de insetos e outros animais “nocivos” que comem as plantas e produtos que o ser humano quer e também, em grande medida, os insetos que são vetores de doenças.

Ou seja, sem o exército silencioso, extremamente especializado e sumamente eficiente de insetos predadores e parasitas, os “prejudiciais” proliferam tanto e tão rapidamente que a humanidade estaria entre a morte por fome e a morte por envenenamento devido ao uso excessivo de pesticidas… o que , a propósito, já está acontecendo. E, é preciso salientar que, além de seus inimigos naturais, as “pragas” são controladas por outras “pragas”, que tiram seus alimentos e limitam o seu espaço vital. Dito de outro modo, os competidores ou concorrentes das “pragas”, embora possam ser “pragas” também, podem se tornar aliados dos humanos, ou seja, “benéficos”… Isto mesmo, a ecologia é muito complicada e é dominada pela relatividade.

“Se a população de insetos diminuir drasticamente, pode se supor que haverá mais alimentos para as pessoas e menor risco de contrair doenças. É isto verdade?”.

Outra função dos insetos que é mal compreendida é a dos “inócuos”, que, às vezes, são chamados de “inofensivos”, assim denominados apenas porque muitos não sabem para o que servem. Este enorme grupo de insetos inclui os atores iniciais e fundamentais da decomposição da matéria orgânica, que é indispensável para completar os ciclos biogeoquímicos. Sem a contribuição dos insetos, o processo seria extraordinariamente lento. Tanto que faltariam nutrientes críticos para os próximos elos nas cadeias tróficas. É difícil saber exatamente o que iria acontecer, mas provavelmente a velocidade da vida sem insetos seria muito reduzida e aconteceria em “câmera lenta”, com implicações para a produtividade dos ecossistemas, incluindo a perda de fertilidade do solo e menor crescimento de plantas. Por outro lado, os insetos são fatores-chave da seleção natural e, portanto, da evolução. Sem eles, a vida na terra não se pareceria com o que é hoje.

Mais conhecido, aliás, é o papel benéfico dos insetos na polinização. Mas esta fama existe especialmente em termos de abelhas domesticadas, que são uma pequena fração do grande número de espécies de insetos polinizadores. Deve ser lembrado que qualquer planta que tenha flores precisa ser polinizada, porque sem ela não há reprodução, nem fruto e nem sementes e, finalmente, não haveria novas plantas. E este é o trabalho de uma infinidade de insetos especialmente voadores, que, de acordo com o artigo que é comentado, são os que mais diminuíram. Em suma, um mundo sem insetos seria um mundo meio morto.

É curioso recordar que, sendo os insetos animais exagerados, tanto em diversidade como em biomassa ‒ seu peso poderia superar o de todos os vertebrados juntos ‒ houve alguém que considerou viável que se convertam em uma futura fonte de alimentos de boa qualidade para a humanidade. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e vários especialistas especularam seriamente sobre a possibilidade. A recente revelação de que os insetos estão desaparecendo do nosso mundo ataca diretamente a especulação que, apesar de sua racionalidade, não encorajou ninguém a mudar o cardápio diário.

Borboleta,Agro Tóxico,Meio Ambiente,Animais,Veneno,Blog do Mesquita 3Larvas de Rynchophorus sp., muito aprciadas na Amazônia. Foto: Divulgação.

Além disso, devido à sua diversidade monumental ‒ estima-se que existam de 10 a 30 milhões de espécies, das que só se registrou um milhão ‒ e, especialmente, o pouco conhecimento e quase nenhuma simpatia que por eles têm a maioria dos humanos, os insetos não foram objeto de estudos detalhados no que diz respeito aos riscos de extinção. Nas famosas listas vermelhas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) se mencionam poucas dúzias de insetos ameaçados e, apenas em poucos países, talvez algumas centenas.

Nada sequer aproximado às listas infelizmente intermináveis ​​de mamíferos, aves, répteis e anfíbios ameaçados. No entanto, como mencionado, existem apenas milhares de vertebrados no mundo versus milhões de espécies de insetos que, devido a seu pequeno tamanho e grande especiação, estão frequentemente restringidos a habitats e ecossistemas muito localizados. Ou seja, boa parte das espécies de insetos já deve ter-se extinguido antes de ser classificada, levando-se em conta a velocidade da destruição do mundo natural.

Não se sabe qual é a causa do fenômeno observado ou, de fato, sua magnitude. Obviamente, especula-se que é uma consequência da poluição ambiental geral e da destruição dos ecossistemas naturais, bem como da extrema simplificação daqueles que são antrópicos. Em estudos europeus enfatiza-se que, em quase todos os casos, os locais de coleta de dados estão inevitavelmente próximos aos campos de cultivo onde os pesticidas são usados. Mas a culpa não deve ser apenas dos pesticidas e sim também de milhares de poluentes químicos de todos os tipos produzidos pela atividade humana. O problema também está correlacionado à mudança climática, já que os insetos têm mais dificuldade em se adaptar do que os vertebrados. Muito provavelmente todas as causas estão associadas.

O que é importante notar é que, em qualquer caso, o desaparecimento de insetos não será abrupto ou facilmente percebido pelas pessoas comuns. É até provável que as pragas sejam maiores, mais frequentes e agressivas e mudem, antes que a falta global de insetos afete toda a vida na Terra. Em conclusão, o artigo não dá conclusões nem pode dá-las. É apenas um bom indicador de outra ameaça provável para o futuro humano.

*O autor é doutor em entomologia. No começo da década de 1970 foi presidente da Sociedade Entomológica do Peru.

**Os insetos não são benéficos, nocivos (daninhos ou prejudiciais) ou inócuos (inofensivos). Esses qualificadores apenas representam o ponto de vista humano. Na realidade, insetos, como todos os animais e plantas, sempre desempenham um papel importante no ecossistema. As “pragas” se formam porque os seres humanos fazem algumas plantas proliferarem anormalmente e, na natureza, essa expansão anormal deve ser controlada. Não há insetos bons e ruins. E, tampouco existem insetos inócuos… todos tem uma função na natureza.

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Cachalote achado morto na Indonésia engoliu 6 kg de plástico

Estômago do cetáceo continha centenas de pedaços de resíduos plásticos, entre copos, garrafas e até chinelos. Cinco países asiáticos, entre eles a Indonésia, são responsáveis por 60% desse lixo nos oceanos.

Vida Selvagem ,Ambiente, Ecologia ,Animais, Oceanos Poluição ,Plástico, MeioAmbiente ,EcologiaHomens extraem resíduos plásticos de carcaça de cachalote na Indonésia

A Indonésia diz investir um bilhão de dólares por ano para reduzir os detritos plásticos no mar em 70% até 2025

Um cachalote encontrado morto num parque nacional na Indonésia tinha quase 6 kg de resíduos plásticos no estômago, incluindo 115 copos e dois pares de chinelos, comunicaram autoridades do parque nesta terça-feira (20/11).

O cetáceo de 9,5 metros de comprimento foi encontrado em águas rasas perto da ilha de Kapota, que faz parte do Parque Nacional de Wakatobi, a sudeste de Sulawesi, afirmou a direção do parque.

A causa da morte é desconhecida, mas funcionários do parque encontraram quatro garrafas e 115 copos de plástico, 25 sacos plásticos, dois chinelos e um saco com mais de mil pedaços de linhas no estômago do animal.

A carcaça foi enterrada nesta terça-feira na maré alta, e os restos mortais serão usados para fins de estudo pela academia local de fuzileiros navais.

O parque é famoso entre os mergulhadores por sua grande área de recifes e pela vida marinha diversificada, que inclui arraias e baleias.

O cachalote é o maior animal com dentes no planeta. O cetáceo, que pode medir até 20 metros de comprimento, não faz parte da família das baleias, embora similaridades físicas levam muitos a descrever o cachalote como o arquétipo por excelência da baleia – muito também por seu protagonismo na obra Moby Dick, de Hermann Melville.

Em junho, a descoberta na Tailândia de uma baleia-piloto morta com 80 pedaços de lixo plástico em seu estômago virou manchete mundo afora.

Cinco países asiáticos – China, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Tailândia – são responsáveis por até 60% dos resíduos plásticos que vão parar nos oceanos, segundo um relatório de 2015 da organização de ativismo ambiental Ocean Conservancy e do Centro de Negócios e Meio Ambiente da consultoria McKinsey.

A Indonésia, segunda colocada atrás da China no estudo de 2015 de má gestão de resíduos plásticos de populações que vivem perto de áreas costeiras, prometeu investir 1 bilhão de dólares por ano para reduzir os detritos plásticos no mar em 70% até 2025. Atualmente, o país produz 3,2 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, dos quais 1,29 milhão de tonelada acaba nos oceanos.

PV/rtr/ap

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Whatsapp e o tráfico de animais silvestres

300 GRUPOS DE WHATSAPP ESTÃO LIGADOS AO TRÁFICO DE ANIMAIS EM TODO O PAÍSBrasil,Animais,Silvestres,Tráfico,Redes Sociais,Internet,Tecnologia,.JPG

Foto de Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Facilidades para comprar celulares e acessar internet não param de ampliar o número de pessoas usando mídias sociais em todo o mundo, inclusive para cometer ilegalidades. No Brasil, cerca de 300 grupos de WhatsApp estão ligados à compra e venda de vida selvagem.

Demos uma olhada na troca frenética de mensagens acompanhada em tempo real pela ong Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres, a Renctas. Mais de 3,4 milhões de mensagens circularam em 6 meses por essas redes sociais, onde os delitos são presença constante.

Membros desses grupos não estão trocando mensagens comuns entre amigos e parentes, ou até mesmo fake news, mas, sim, participando e alimentando redes criminosas focadas em comercializar especialmente aves cantoras, répteis como lagartos e cobras e outros animais vivos que enfrentarão seu fim numa gaiola, em uma corrente ou numa corda.

O monitoramento, nos adiantado com exclusividade pela Renctas, mostrou que os anúncios de animais e até de listas de espécimes são feitos nos grupos, e as negociações acontecem diretamente entre os interessados, sempre via WhatsApp. Cartões comuns de crédito e débito e depósitos em conta bancária são bem-vindos no pagamento do tráfico. Relógios ou jóias são aceitos em troca ou parte do valor pago pelos animais.

De fato, o comércio via mídia social replica e amplifica o ambiente e o modelo das chamadas “feiras do rolo”, mercados de rua espalhados por todo o Brasil onde é possível negociar quase tudo, principalmente produtos pirateados e falsificados e, claro, animais traficados. Tudo graças ao silêncio da população e ao fraco policiamento.

“Até a carne de caça é oferecida nos grupos do WhatsApp que acompanhamos. Os traficantes também capturam animais por encomenda dos clientes”, revela Dener Giovanini, Coordenador Geral da RENCTAS.

No escambo do zap, vale a até corrente de ouro por aves. No escambo do zap, vale a até corrente de ouro por aves.

Brasil,Animais,Silvestres,Tráfico,Redes Sociais,Internet,Tecnologia 1Ele nos disse que o tráfico de vida selvagem usando mídias sociais no Brasil será destacado em uma conferência internacional sobre o comércio ilegal de animais silvestres nesta semana, em Londres, e que uma visão geral dos métodos, do que circula nas redes e de quem está nos grupos será compartilhado até o fim do ano com autoridades públicas brasileiras. O objetivo é intensificar e fomentar o combater ao tráfico de animais, especialmente pelas mídias sociais, onde o crime está fora de controle.

“Esperamos que a luta contra o tráfico de animais aconteça pelo fortalecimento dos órgãos de controle e da fiscalização no Brasil e no exterior, e também com campanhas de conscientização para que os brasileiros reconheçam e denunciem o crime, reprimindo em especial o tráfico online”, destaca Giovanini.

O boom do comércio de animais que deveriam permanecer longe de gaiolas ou coleiras se beneficia do anonimato e da agilidade da comunicação eletrônica. Ela oferece aos traficantes de animais acesso direto a um número crescente de colecionadores de animais exóticos e de compradores que não se contentam mais com animais de estimação tradicionais, como cães e gatos.

“Além de aproximar compradores e vendedores, a mídia social também permite o acesso de pessoas a espécies que, de outra forma, seriam inatingíveis por meio dos canais tradicionais”, afirma Juliana Ferreira, diretora executiva da ONG Freeland Brasil.

Segundo fontes de agências federais brasileiras e ONGs, a maior parte do tráfico no Brasil ocorre hoje em escala local e regional. Nas feiras de rua, o traficantes dão drogas e álcool ou deixam os animais passar fome para que pareçam mais dóceis e atraentes para a “clientela”.

O comércio ilegal de espécies está amplamente disseminado e a crescente demanda on-line e física empurra os animais em um fluxo constante pelas principais rodovias que ligam as regiões Norte e Nordeste ao Sudeste, o maior mercado consumidor brasileiro de animais silvestres.

Nessas rotas criminosas, eles enfrentam seu destino em carros particulares, caminhões e ônibus, enfiados em assentos, empacotados em sacos ou embrulhados em caixas, além de forçados a passar dias sem comida ou água. Não é de surpreender que a maioria dos animais morra em trânsito.

Isso é de pouca preocupação para aqueles que compram e transportam os animais ou que fecham os olhos para o crime. Eles não se importam ou não sabem dos perigos associados ao comércio ilegal de vida selvagem, que pode ajudar na disseminação de espécies invasoras no país, tem impactos financeiros e sociais, pode extinguir espécies e até ameaçar a saúde humana.

“Captura e comércio de vários animais envolve a exploração de menores e pessoas pobres. Além disso, os espécimes traficados não passam pelo controle sanitário e podem transmitir doenças como raiva, hantavírus, lepra e salmonella”, explica Juliana Ferreira, da Freeland Brasil.

Apesar disso, o tráfico não encontra freio.
Na Amazônia, o epicentro global da vida selvagem, apenas de janeiro a julho, a Polícia Federal apreendeu mais de 13 toneladas de pirarucu; quase 4 mil peixes ornamentais; enormes quantidades de animais vivos; carne silvestre de animais como a anta, o tatu-canastra, a paca, o veado-mourisco, o queixada, a tartaruga-do-rio e a tartaruga; bem como ovos e pássaros, como periquitos, papagaios e araras, além de lagartos e peles de cobra.Brasil,Animais,Silvestres,Tráfico,Redes Sociais,Internet,Tecnologia 2

Traficantes aceitam relógios como pagamento. Traficantes aceitam relógios como pagamento.
Além do mercado interno, os traficantes identificados nesses casos estavam se dirigindo para a vizinha Colômbia e até à Europa. As principais rotas da vida selvagem do Brasil para o exterior apontam para a península Ibérica e Estados Unidos. Entre 2009 e 2012, mais de 400 papagaios e ovos do Brasil foram confiscados em Portugal, Espanha e Suíça.

Nesses e em outros países, animais vivos e partes de animais mortos são usados em decoração e produção de roupas e jóias, medicina tradicional e curandeirismo, bem como em pratos exóticos de gosto duvidoso. Um exemplo são milhares de barbatanas de tubarão brasileiras que acabam em mercados asiáticos todos os anos, onde a sopa de barbatana de tubarão é considerada um afrodisíaco e símbolo de status. Quando o tráfico atravessa fronteiras internacionais, os animais e suas partes também são usados para testes em indústrias químicas, farmacêuticas e de cosméticos.

“Esses animais são riquezas arrancadas do Brasil, como pepitas de ouro. Quantos animais terão que morrer e espécies serem extintas antes de acordarmos para a verdadeira gravidade do problema do tráfico?”, pergunta Alexandre Saraiva, superintendente da Polícia Federal no Amazonas.

Sem dúvida, um grande dilema, mas a questão tem complexidade e dimensões do tamanho do Brasil. Afinal, tudo o que circula no serviço de correio dentro do país é radiografado nos depósitos de triagem, e a inspeção é particularmente robusta nas cidades e vilas fronteiriças. Para fora do país, tudo é monitorado.

No entanto, assim como nos aeroportos, maior atenção é dada às drogas, armas de fogo, explosivos e produtos químicos do que aos animais. E não podemos esquecer que o Brasil tem mais de 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres, facilmente atravessadas por atividades ilegais.

“A enorme extensão de nossas fronteiras terrestres é terra de ninguém”, destaca Juliana Ferreira, da Freeland Brasil.

Festa da impunidade
Uma operação iniciada em junho passado por órgãos federais e estaduais lançou luz sobre a venda ilegal de quase 1,3 mil animais selvagens por meio do Facebook, em 15 dos 26 estados brasileiros. Mais de 300 animais foram resgatados, R$ 2,11 milhões foram aplicados em multas e 12 pessoas foram detidas.

Operações e apreensões como essas se repetem ao longo dos anos no Brasil, revelando o envolvimento em crimes contra a vida silvestre de cidadãos, empresas, funcionários públicos e, agora e cada vez mais, usuários de mídias sociais. No entanto, a demanda insaciável do mercado negro, a legislação fraca e sua aplicação deficiente ajudam a manter vivas as redes de tráfico.

Não nos deixa mentir o caso de Valdivino Honório de Jesus, funcionário público de 61 anos da Agência de Pesquisa Agropecuária do Estado da Paraíba (Emepa), flagrado 15 vezes por agências federais por tráfico de animais. Nas últimas duas décadas, Jesus foi multado em mais de R$ 9 milhões por esse tipo de crime.

Nos grupos, traficantes postam relação de animais oferecidos como se fosse uma simples lista de supermercado. Nos grupos, traficantes postam relação de animais oferecidos como se fosse uma simples lista de supermercado.

Ele foi preso e indiciado pelo Ministério Público Federal somente em abril deste ano, mas por lavagem de dinheiro, não por tráfico de animais selvagens. Algumas prisões anteriores de Valdivino ocorreram no estado do Paraná e na divisa entre Pernambuco e Bahia, sempre com um grande número de animais selvagens.Brasil,Animais,Silvestres,Tráfico,Redes Sociais,Internet,Tecnologia 2

De acordo com as investigações, Valdivino colocou os bens comprados com dinheiro do tráfico de animais em nome de “laranjas”, incluindo familiares e parentes. Em cinco casos de lavagem de dinheiro, os acusados usaram o dinheiro, principalmente, para comprar veículos.

Conforme informações do Ministério Público Federal (MPF) em Patos, maior município do sertão da Paraíba, Valdivino de Jesus foi condenado pela Justiça Federal, no início de outubro, a 12 anos de prisão em regime fechado. A pena também prevê apreensão de três veículos e perda do cargo como servidor público.

O MPF também solicitou informações do Facebook sobre a troca de mensagens entre o criminoso e seus clientes, incluindo criadores de aves no estado de Minas Gerais. Mas, argumentando que sua política de privacidade não permitiria o acesso às atividades dos usuários, o Facebook negou acesso às informações. “Essa posição violou várias leis brasileiras, inclusive de combate ao crime organizado”, contou o procurador federal Tiago Misael Martins.

Crime desprezado
A realidade cruel com a vida selvagem é que até agora o tráfico de animais é um crime de menor importância para a legislação brasileira. Assim, criminosos como Valdivino de Jesus são presos e depois libertados após a simples assinatura de boletins de ocorrência, mesmo quando pegos com a mão na massa. Além disso, as punições costumam ser transformadas no pagamento de cestas básicas e outras medidas que não afetam os lucros do comércio ilegal.

“Na prática, ninguém vai para a prisão no Brasil por tráfico de animais. Se a lei tratasse esses crimes com o respeito que merecem e conforme prevê a Constituição, começaríamos a enfrentar esse crime com maior eficácia. Nossos legisladores e líderes políticos demonstram inaceitável desrespeito aos animais silvestres”, afirma Vânia Tuglio, promotora do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Afinal, a legislação ambiental brasileira é amigável quando se trata de traficantes de animais. A sentença prevista não excede um ano. Na vizinha Venezuela, o crime pode render até 9 anos de xadrez, diz Vânia Tuglio. Nos Estados Unidos, até mesmo embargos econômicos são permitidos contra países que não atuam contra o tráfico de vida selvagem.

No entanto, se a lei brasileira fosse aplicada de forma mais severa, os traficantes poderiam enfrentar até 16 anos atrás das grades, explica Alexandre Saraiva, superintendente da Polícia Federal no Amazonas.

“Jurisprudência existe e nos permite executar a Lei de Crimes Ambientais associada ao Código Penal. Mas uma visão distorcida de que as ofensas cometidas contra animais e a natureza são de menor importância ainda predomina. É por isso que defendemos que os chefes de polícia e outros funcionários públicos apliquem a lei de maneira mais ampla e eficaz”, destaca.

Mas isso não acontece especialmente por razões legislativas. Uma das principais demandas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o tráfico de animais e plantas no Brasil foi endurecer as penalidades pelo comércio ilegal de vida selvagem. O projeto de lei que prevê justamente isso aguarda luz verde do Congresso Nacional há 15 anos.

“O processo legislativo brasileiro é lento e burocrático e a maioria dos parlamentares não entende a importância da questão. Existe uma enorme falta de vontade política para implementar as recomendações da CPI. Não podemos mais tratar os crimes contra a natureza como um problemas menor”, afirma José Sarney Filho, relator do CPI, deputado e ex-ministro do Meio Ambiente.Brasil,Animais,Silvestres,Tráfico,Redes Sociais,Internet,Tecnologia 2

Animais são oferecidos no atacado também. Animais são oferecidos no atacado também.
Enquanto isso, no mundo real da política brasileira, outros projetos de lei propostos pelas bancadas ruralista e da bala tramitam na Câmara e Senado. Se aprovados, enfraquecerão a proteção ambiental, eliminando a fiscalização no transporte de peixes e outros animais nativos, e até mesmo permitindo a caça em todo o país, inclusive dentro de parques nacionais e outras áreas protegidas. A caça de animais nativos é proibida no Brasil desde a década de 1960.

De acordo com Juliana Ferreira, da Freeland Brasil, “a caça e a captura de animais vivos dentro de áreas protegidas abastecerão redes de tráfico. Isso também aumentará significativamente o número de caçadores legalizados armados em um país de proporções continentais, com órgãos ambientais desmantelados. Outras propostas buscam acabar com a lista oficial de espécies ameaçadas, usadas para ações de conservação e de fiscalização ambiental”.

Lavando as mãos
WhatsApp e Facebook foram questionados pelo Intercept sobre suas políticas e ações concretas para reduzir o tráfico de animais silvestres.

O WhatsApp no Brasil disse não vai se pronunciar sobre o assunto. O Facebook afirmou que “”não permite a venda de animais silvestres, e removemos esses conteúdos assim que ficamos cientes deles”.

O WhatsApp foi comprado pelo Facebook no início de 2014 e, juntos, essas mídias sociais têm quase 250 milhões de usuários no Brasil e 3,7 bilhões de clientes em todo o mundo.

Imagem em destaque: Duas iguanas foram encontradas dentro de uma caixa de Sedex por funcionários dos Correios, em São Paulo. Os animais foram despachados em uma agência da zona leste da capital com destino à Belo Horizonte.

Ambiente – Plásticos – Oceanos

NÃO IRÁ SOBRAR NADABlog do Mesquita,Ambiente & Ecologia,Oceanos,Poluição,Animais

Medidas para tentar reduzir o plástico descartável já foram tomadas em alguns países africanos, como proibições de sacolas plásticas, e a União Europeia planeja proibir produtos plásticos descartáveis. Mas se as tendências atuais forem mantidas, cientistas acreditam que haverá 12 bilhões de toneladas de plástico no planeta até 2050.

O Fim dos Ursos Polares

Aquecimento global pode matar ursos polares de fome, diz estudoUrso Polar,Aquecimento Global,Blog do Mesquita

A comida que alimenta a existência dos ursos polares há anos pode acabar, e com ela, a própria espécie corre o risco de desaparecer. Tudo graças, é claro, às mudanças climáticas, de acordo com estudo.

No passado, quando as temperaturas subiram e derreteram o gelo do mar Ártico, os cientistas acreditam que as criaturas sobreviveram revirando carcaças de baleias até que o gelo retornasse e eles pudessem caçar as focas novamente. No entanto, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concluiu que os verões sem gelo poderiam começar a ocorrer novamente dentro de décadas.

“Se a taxa de perda e aquecimento do gelo marinho continuar inalterada, o que vai acontecer com o habitat dos ursos polares excederá qualquer coisa documentada nos últimos milhões de anos”, disse Kristin Laidre, bióloga marinha da Universidade de Washington, ao Independent. “O ritmo extremamente rápido dessa mudança torna quase impossível para nós usar a história para prever o futuro”.

Os cientistas esperam que haja um verão no Ártico sem gelo até 2040  se o aquecimento continuar no ritmo atual. Os ursos polares precisam do gelo porque lhes fornece uma plataforma para caçar focas. Se os verões sem gelo se tornarem uma ocorrência regular – o que é previsto no relatório do IPCC se o aquecimento exceder 2ºC, o Laidre e seus colegas disseram que é improvável que as carcaças de baleias salvem os ursos.

Se por um lado, analisando os ciclos naturais de resfriamento e aquecimento na história da Terra, os pesquisadores notaram que a taxa atual de perda de gelo supera qualquer coisa que os ursos tenham experimentado antes, em consequência da ação da humanidade.

Por outro, foram séculos de caça à baleia, perfuração de petróleo e navegação na região do Ártico e as baleias não são nem de longe tão abundantes quanto durante o último período “interglacial”, quando a temperatura subiu. Um número menor de baleias significa menos carcaças para capturar e isso deixa os ursos vulneráveis, com risco de extinção, à medida que o suprimento alimentar de emergência se reduz.

Com um valor nutricional equivalente a mais de mil focas, as grandes baleias têm a capacidade de sustentar ursos por meses ou até anos – tornando-as perfeitas para ver as estações quentes de verão. A análise das dietas dos ursos polares e composição de proteína e gordura de baleia sugeriu que, durante os meses de verão, uma população hipotética de mil ursos polares precisaria comer cerca de oito baleias.

No entanto, particularmente em áreas onde as baleias não são tão comuns como a ilha de Svalbard, no extremo norte da Noruega, os cientistas prevêem que os encalhamentos não irão sustentar os ursos locais. “As mudanças ambientais são muito grandes e as carcaças de baleias são muito poucas”, disse Laidre.