Tópicos do dia – 30/07/2012

11:02:39
Educação: Indianos e leitura

Não chega a ser um consolo, mas serve como alerta e ajuda a controlar um pouco a paranóia de muitos diante da internet: a maior parte dos golpes praticados com identidades falsas, seja o talão de cheques, o cartão de crédito ou o RG de terceiros, ocorre com o computador desligado.
Familiares, amigos, empregados e companheiros de trabalho podem ser mais perigosos e causar mais prejuízos aos nossos bolsos do que a internet, mesmo com a quantidade absurda de iscas e armadilhas existentes no mundo virtual.
Quem duvida basta dar uma olhada no Identity Fraud Survey Report, produzido pela Javelin Strategy Research.
O documento completo tem 150 páginas, está disponível em www.javelinstrategy.com e está sendo oferecido a bancos, empresas de crédito e shoppings eletrônicos por US$ 2.500.

16:43:55
PF detém a senhora Cachoeira para depoimento após tentativa de subornar o juiz da Monte Carlo

Na semana passada, ao inquirir Carlinhos Cachoeira, o juiz Alderico Rocha Santos perguntou se era casado ou solteiro. Voltando-se para Andressa Mendonça, a lindinha que o chama de “meu amor”, o réu prometeu-lhe casamento. “É só o Ministério Público me liberar. No primeiro dia, tá?” Ali, sob refletores, Andressa brindou a audiência com um “também te amo”.

Longe dos holofotes, Andressa trocava a meiguice pelo jogo bruto. Antes do matrimônio, preocupava-se com o patrimônio. Para tentar livrar o companheiro da encrenca que conspurca os negócios, a senhora Cachoeira teve uma conversa atravessada com o magistrado Alderico Santos.

Lero vai, lero vem o juiz da Monte Carlo entendeu que Andressa tentava suborná-lo para que aliviasse a situação de Carlinhos Cachoeira. Pior: a companheira do bicheiro insinuou que a quadrilha dispunha de um dossiê contra o juiz. Disse que a peça iria às manchetes. E ofereceu-se para bloquear a publicação em troca de uma sentença que inocentasse Cachoeira, devolvendo-o ao meio-fio.

O doutor informou ao Ministério Público sobre o ocorrido. Juntou imagens da entrada e saída de Andressa no prédio da Justiça Federal, em Goiânia. Nesta segunda-feira (30), cinco agentes da Polícia Federal bateram à porta de madame. Estavam munidos de dois mandados judiciais. Detiveram-na para prestar depoimento e varejaram-lhe o domicílio. Levaram computadores, tablets e papéis.

O inquérito que levou Cachoeira à cadeia revelara que o bicheiro prosperou na indústria da jogatina ilegal comprando a conivência de autoridades. A bela apenas tentou mimetizar a fera. Às vezes dá certo. Noutras ocasiões dá bolo. De simples bibelô do escândalo, Andressa passou à condição de protagonista de um inquérito. Foi proibida de manter contatos com os investigados da Monte Carlo, entre eles o ‘amado’ Cachoeira. Para não ir em cana, madame terá de pagar fiança de R$ 100 mil. Nesse ritmo, o Brasil corre enorme risco de tornar-se um país sério.
blog Josias de Souza 


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Tópicos do dia – 12/07/2012

08:35:06
Sem imunidade, Demóstenes pode até ser preso.

O ex-senador Demóstenes Torres, que foi cassado por 56×19 votos, com cinco abstenções, perdeu com o mandato um bem precioso para alguém em sua situação: a imunidade. O processo retorna à primeira instância, em Goiás, e ele fica sujeito até a prisão, caso o juiz do caso considere necessário. Seus advogados estão tranqüilos: a prisão somente é aplicada no caso de o investigado ameaçar testemunhas, erro que o ex-senador, experiente operador do Direito, não cometeria.
coluna Claudio Humberto 

08:41:33
Demóstenes Torres e a cassação: as decisões estavam tomadas.

Foi triste, penosa e longa a reunião do Senado, ontem, quando da cassação do mandato de Demóstenes Torres. Menos pela presença constrangedora dele no plenário, bem como por sua emocionada defesa, mais pela repetição de todos os fatos que levaram à abertura do processo contra ele por quebra do decoro parlamentar. Os pronunciamentos de Humberto Costa, relator no Conselho de Ética, e de Pedro Taques, na Comissão de Constituição e Justiça, serviram para que eles contraditassem discursos anteriores de Demóstenes Torres.
Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

08:45:12
Agripino Maia: ‘Não sei que tipo de relação Morais tem com Cachoeira’.

O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), afirmou com exclusividade à Coluna que ainda não conhece o suplente do senador cassado Demóstenes Torres, Wilder Morais (DEM), mas que espera que ele o procure nos próximos dias para tratar de sua posse no Senado. “Estimo que ele me procure nos próximos dias para cumprir as exigências e tomar posse”, afirmou. Agripino disse não temer o fato de Morais ser o ex-marido da mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça. Para o senador, isso é uma “questão privada” que não merece temor. “Eu acho que ele deve ter uma relação conflituosa hoje, já que é ex-marido da atual esposa [do Cachoeira]. Eu não sei que tipo de relação que ele teve ou tem com o Cachoeira, mas, se pesarem acusações, elas deverão ser esclarecidas”, disse. Ao comentar a cassação do senador Demóstenes Torres, Agripino garante: “do ponto de vista partidário, esse assunto se encerrou com o processo disciplinar”.
coluna Cláudio Humberto 

11:08:19
Desembargadora é acusada por PMs de desacato em blitz da lei seca.

Ela estava em carro dirigido por filha que foi parado na Avenida Paulista.
Mãe e filha dizem que policiais foram agressivos.
Uma blitz de trânsito terminou em confusão no fim da noite desta quarta-feira (11) na Avenida Paulista, em São Paulo.Segundo a Polícia Militar, uma motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro. Ela e a mãe, que é desembargadora, teriam desacatado os policiais. Já as duas dizem que os policiais as agrediram.

A desembargadora Iara Rodrigues de Castro e a filha, a advogada Roberta Sanches de Castro voltavam de um show quando foram paradas pela PM em uma blitz da lei seca. A filha dirigia o carro.  Segundo os policiais, ela teria se recusado a fazer o teste do bafômetro. Houve uma discussão, que foi gravada com um celular por um policial.

Roberta teria chamado a blitz de “palhaçada” e perguntado aos policiais se eles sabiam com quem estavam falando.
Já a desembargadora afirma que a polícia foi agressiva. “Pediram documento, nós demos, simplesmente disseram ‘desce todo mundo do carro que nós vamos revistar’. Falei ‘não, cadê o mandado?’. Ele falou ‘ah, não vai deixar?

Vai passar pelo bafômetro então’”, contou a desembargadora. A filha disse então que não faria o bafômetro por não apresentar sinais de embriaguez. Ela também disse que foi para cima de um dos policiais porque ele agrediu sua mãe.
“O soldado da PM empurrou minha mãe, e eu peguei e fui para cima dele, porque ele bateu na minha mãe”, disse Roberta.
Mãe e filha prestaram depoimento na corregedoria da PM acusando os policiais de agressão.

Já os policiais foram até uma delegacia da Zona Oeste e registraram boletim de ocorrência contra as duas por desacato.
Em nota, a PM disse que os policiais foram desacatados e agredidos por mãe e filha. Mãe e filha foram encaminhadas ao Instituto Médico-Legal (IML) para fazer exames de corpo de delito. A PM registrou a ocorrência como autuação de recusa de alcoolemia e desacato.
G1 

11:47:51
Dispensa de visto para EUA vai depender do Brasil

Para dispensar os brasileiros de tirar visto para entrar nos Estados Unidos, o país vai precisar preencher os requisitos exigidos pelo governo norte americano, previstos em estatuto.

“Eu não posso negociá-los (os termos do estatuto)”, afirmou hoje a Secretária do Departamento de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano. “O que estamos fazendo é trabalhando para ver quão perto o Brasil está de preencher os requisitos”, disse a secretária a empresários durante evento na Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham).
Perguntada, no entanto, ela não detalhou quais seriam esses requisitos.

Durante o discurso sobre as relações entre os dois países, Janet se referiu ao fato como a “possível” entrada do Brasil no programa de dispensa de vistos.
Ontem, ela esteve em Brasília e assinou uma Declaração Conjunta de Intenções com o Ministro da Relações Exteriores, Antônio Patriota, e o da Fazenda, Guido Mantega. O documento estabelece a criação de um grupo de trabalho para resolver como será feita a eliminação das atuais exigências.
Todo o processo ainda deve demorar: a primeira reunião ocorrerá em Washington até novembro deste ano.

A secretária de Segurança Interna deixou claro que abolir o visto é algo em que “todos estão interessados”. “Isso representa trabalho nos Estados Unidos”, afirmou.
Foi com essa tônica que o presidente Barack Obama primeiro mencionou a intenção de mudar as regras de entrada para brasileiros, em janeiro deste ano. O anúncio foi feito ao eleitorado da Flórida, estado norte-americano onde ficam os parques da Disney, destino de grande parte dos 1,8 milhão de brasileiros que a diplomacia norte-americana espera para este ano.
Desde então, os EUA tem feito esforços para agilizar também a emissão de vistos, prometendo para isso a abertura de mais dois consulados, um em Porto Alegre e outro em Belo Horizonte.
A secretária de Relações Governamentais da Amcham, Michelle Tchernobilsky, considera que a medida terá efeitos benéficos também nas relações comerciais entre os países. “Facilita o acesso de homens de negócios de lá para cá e nossos para lá. Não é só turismo”, afirmou.
A embaixada em Brasília e os três consulados dos EUA – no Rio de Janeiro, em São Paulo e Recife – emitiram 566 mil vistos entre janeiro e junho deste ano, 36% a mais que em 2011.
Marcos Prates/G1


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Tópicos do dia – 27/06/2012

11:20:46
Paraguay, Brasil, Cuba e o princípio da não interveção em assuntos internos de outros países.

Brasil: da série “perguntar não ofende”!
1. Quando é instado sobre ‘distrupiços’ nos governos de Cuba, Venezuela, Equador, Irã e Bolívia, o governo brasileiro, na era petista, argumenta, muito acertamente, o princípio da não interferência nos assuntos internos daqueles países.
2. Por que então, no caso do golepe parlamentar que derrubou o presidente do Paraguai, o reprodutor Lugo, o Estado Brasileiro não só interferiu, deu opinião, palpites, articulou boicotes e demais manobras anti-diplomáticas, mandado aos pantanos da Laguna – lembrar a retirada da Laguna, aqui é pertinente – o princípio da não intervenção?

11:25:24
Sorvete chamado de Viagra faz sucesso na praia de Canoa Quebrada no Ceará.

A receita, do, digamos, gelado erótico, mas que promete manter o fogo acesso, leva, sem trocadilhos, por favor, mel de rapadura, giseng, catuaba, açaí, e outras misturas secretas.
Como perguntar não ofende, será que amolece ao sol?

11:33:59
Cachoeira administra crise conjugal de dentro do presídio da Papuda.

A privação da liberdade e as investigações da CPI não são os únicos problemas do contraventor Carlinhos Cachoeira. Dentro do presídio da Papuda, onde está preso, o contraventor tem que administrar uma crise familiar.

Sua atual mulher, Andressa Mendoça, tem reclamado de Cachoeira sobre as frequentes visitas feitas pela ex-mulher Andréa Aprígio de Souza. Além de ser sócia de uma empresa farmacêutica ligada ao bicheiro, Andréa tem carteira da OAB e pode visitar o ex-marido na condição de advogada. Ela já esteve na Papuda pelo menos seis vezes.

Segundo interlocutores da família Cachoeira, Andressa reclamou diretamente com o bicheiro por causa da presença constante de Andréa no presídio. Isso porque desde que ele chegou à Papuda, Andréa tem tido mais acesso à Cachoeira do que a própria Andressa. Ela só pode entrar no presídio em dia permitido para visita dos familiares.
blog do Camarotti/G1

11:42:50
Ministros do STF avaliam impedimento de Toffoli no mensalão

De forma reservada, alguns ministros do próprio Supremo Tribunal Federal já avaliam que o ministro José Antônio Dias Toffoli deveria tomar a iniciativa e se declarar impedido de participar do julgamento do mensalão.
Principalmente, porque ele foi assessor direto do ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, no Palácio do Planalto.

Toffoli tem afirmado que não decidirá agora se vai ou não se declarar impedido. Mas, segundo avaliação de um ministro do STF ao Blog, ele teria dado uma sinalização de que analisa a possibilidade de impedimento ao não participar da reunião administrativa no início do mês que marcou para o dia 1º de agosto o início do julgamento do mensalão. Só Toffoli e Ricardo Lewandowski não participaram dessa reunião.

Nos bastidores, já há pressão de procuradores da República para que o procurador-geral, Roberto Gurgel,peça o impedimento do ministro Dias Toffoli no julgamento do mensalão. Para esse ministro, isso causaria um desconforto para o STF.

18:48:28
CPI do Cachoeira: jornalista admite ter recebido dinheiro de caixa dois de Perillo.

O jornalista Luiz Carlos Bordoni admitiu há pouco, em depoimento prestado à CPI do Cachoeira, que recebeu dinheiro de caixa dois durante a campanha do governador Marcoini Perillo (PSDB-GO), em 2010. Segundo ele, parte do valor foi pago pessoalmente por Perillo. O jornalista mostrou um documento da Artmidia onde revela que não foi contratado pela empresa para a campanha do tucano.

“Se os senhores identificarem em qual lugar desse papel está escrito o meu nome eu engulo essa folha”, desafiou. A declaração vai de encontro com a de Perillo, que afirmou que o pagamento do jornalista foi feito por meio da empresa. “Acertei pessoalmente com ele, contrato verbal entre amigos”, explicou Bordoni. “O que existiu, de fato, foi um pagamento de caixa dois […] esperava ter sido pago com dinheiro limpo, não com dinheiro da contravenção, de caixa dois”, completou. Pelo depoimento do jornalista, foram pagos a ele R$ 120 mil mais R$ 40 mil de bônus pela vitória de Perillo na eleição.


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Procurador Gurgel reluta em se declarar impedido no caso Cachoeira

Dr. Roberto Gurgel - Procurador Geral da República

A correta decisão do ministro Ricardo Lewandowski de liberar, –para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito e o Conselho de Ética do Senado—, todas as peças da investigação policial sigilosa sobre o chamado caso Carlinhos Cachoeira resultou em uma enxurrada de vazamentos à imprensa. As peças se referem às operações Vegas, — que apesar da gravidade dormiu no gabinete de Gurgel de 2009 a 2012—, e Monte Carlo.

Na essência, o sigilo é imposto no interesse da investigação.

Um vazamento, –como sabem até os rábulas de porta de cadeia de periferia–, pode prejudicar uma apuração criminal.

Por isso, e finda a investigação, o inquérito deveria, mas isso não acontece no Brasil, ser levantado.

Entre nós e infelizmente ,o sigilo visa manter distante do conhecimento público falcatruas apuradas por poderosos e potentes que gozam de foro privilegiado.

Por evidente, as increpações,– contidas no inquérito policial e se objeto de ação penal–, ficam sujeitos à confirmação no devido processo legal, que tem na ampla defesa a sua pedra angular e na presunção de não culpabilidade (não se confunde, como já escrevi milhões de vezes, com a presunção de inocência, não acolhida na Constituição brasileira) uma garantia fundamental.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Das várias interceptações telefônicas realizadas, uma chama a atenção em especial. Ela mostra como a organização criminal de Carlinhos Cachoeira era tentacular, como a Cosa Nostra, quer a siciliana, quer a siculo-norte-americana.

Ambas têm o polvo (la piovra) como símbolo.

De pronto, friso, que me refiro, — sobre a atenção especial–, ao teor da interceptação publicada hoje na coluna do Ilimar Franco do jornal O Globo e sobre a conversa entre Cachoeira e o governador Marconi Perillo.

Antes da divulgação da peça, Perillo sustentava que apenas uma vez atendeu Cachoeira e por ter ele pedido uma audiência. A revelação contida na supramencionada coluna do Ilimar Franco mostra a mentira de Perillo.

E basta atentar para a consideração de Perillo para com Cachoeira, na conversa interceptada e que segue:
“Parabéns. Que Deus continue te abençoando ai, te dando saúde, sorte. Um grande abraço prá você, viu” .

Não me refiro, ainda, à “cachaçada” relatada por Demóstenes, num jantar entre ele, Cachoeira e Perillo, tudo conforme contado, ainda, na citada coluna do Ilimar Franco e publicada na edição de hoje do O Globo.

Também não me refiro à gravação que revela mais uma das mil farsas do senador Demóstenes Torres.

O senador, quando divulgado o escândalo, sustentou que havia conversado para Cachoeira para ajudar numa pendência entre o seu suplemento no Senado e o bicheiro.

Na coluna do Jorge Bastos Moreno, intitulada “Nhenhenhém” e publicada no O Globo de hoje, está revelado que a companheira e convivente de Cachoeira, Andressa Mendonça, era casada com Wilder Pedro de Morais, ex-sócio de Cachoeira e suplemente do senador Demóstenes Torres.

Como se percebe, Demóstenes até aceitou, como suplemente de senador, pessoa da organização delinquencial de Cachoeira.

O fato grave a chamar a atenção diz respeito ao litígio pouco digno, segundo os dados revelados, entre o procurador geral da República, Roberto Gurgel, e o senador Demóstenes.

Gurgel, como circulou por todo ministério Público, teve a recondução no cargo de procurador-geral da República cuidada por Antonio Palocci, então ministro-chefe da Casa Civil.

Quando estourou o escândalo Palocci, o procurador Gurgel, inusitadamente, enviou-lhe um ofício para explicar as gravíssimas suspeitas que pesavam contra ele.

Palocci, que preferiu silenciar sobre os clientes da sua imobiliária (ele tinha uma imobiliária que não cuidava de imóveis), respondeu que tinha feito fortuna com assessoria dada na sua empresa e quando estava fora do governo.

Gurgel, por incrível que possa parecer, não requisitou inquérito apuratório e determinou o arquivamento do escândalo Palocci.

Sobre essa conduta de Gurgel, o senador Torres, com o discurso correto e apoio da sociedade civil que luta pela restauração da moralidade pública, criticou o procurador geral da República (a escolha para a função é do presidente da República pela nossa Constituição) com veemência.

Na interceptada conversa entre Cachoeira e Demóstenes, publicada na edição de hoje do jornal O Estado de S.Paulo, ficou clara a verdadeira razão do protesto de Demóstenes contra Gurgel, do plenário do Senado: -“Se não der nele, ele (Gurgel) começa a pegar a gente , entendeu ? (a interceptação é de 7 de julho de 2011).

Trocado em miúdos essa conversa entre Demóstenes e Cachoeira, fica patente a pressão em razão de Gurgel estar com o inquérito Vegas, que apurou a atuação criminosa de Cachoeira e já envolvia Demóstenes.

Não passou muito tempo para Demóstenes concordar, no Senado e expressamente, com a recondução de Gurgel. E Gurgel, por coincidência ou não, ficou com o inquérito Vegas no seu gabinete de 2009 a 2012. Só mexeu nele quando pressionado por cobrança de parlamentares baseada na Operação Monte Carlo.

Ontem, Gurgel informou, com relação a Demóstenes e envolvimento no esquema Cachoeira, “ que R$1 milhão foi depositado” na cona do senador.

Gurgel fez a afirmação sem ainda ter a movimentação da conta-corrente de Demóstes, que nega haver recebido.

Com a experiência que possui, Gurgel deveria esperar para verificar a movimentação bancária de Demóstenes, pois, se não verdadeira o mencionado, acaba por favorecer, “encher a bola” o senador, ou mehor, de um farsante do tipo tartufo de Molière.

De boa cautela, até porque “embalou” e fez adormecer no seu gabinete o caso Vegas, que Gurgel se desse por impedido e deixasse de atuar, com o caso sendo passado ao seu substituto. Afinal, Gurgel atua como representante da sociedade civil e é, pelo forro privilegiado de Demóstenes, o único que poderá propor ação penal pública contra ele.

Nesse quadro de “bas-fond” do Irajá, pontifica, também, o petista Humberto Costa, relator na Comissão de Ética no processo por quebra de decoro parlamentar contra Demóstenes. Costa anunciou que não irá usar dados de interceptações telefônicas colhidas na operação Monte Carlo.

Em outras palavras, vai aliviar para o lado de Demóstenes, ou seja, se contentará, no relatório, com fatos indecorosos menores, como o exubeante presente de casamento escolhido pelo senador Demóstenes e pago e importado por Cachoeira.

Pano rápido. Viva o Brasil.
Wálter Fanganiello Maierovitch/Terra Magazine
Jurista e membro das Academia Paulista de História e Ac. Paulista de Letras Jurídicas; desembargador aposentado do TJ-SP.Colunista de CartaCapital, comentarista na CBN e assessor internacional para UE

Tópicos do dia – 28/04/2012

11:55:04
Com Cachoeira, Demóstenes combina ‘bater’ em Gurgel, um ‘sem vergonha’
Alana Rizzo e Fábio Fabrini, Estadão.com.br

Investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) chamou o procurador-geral, Roberto Gurgel, de “sem vergonha” durante o escândalo do caso Palocci, em 2011.
Áudios obtidos pelo Estado mostram que, em conversa com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o parlamentar afirmou que tinha de “bater” em Gurgel para ele não se animar a investigá-lo.
Segundo a Polícia Federal, a interceptação foi feita na manhã seguinte a um pronunciamento no Senado em que Demóstenes criticava a atuação do procurador-geral, que arquivou a investigação contra o ex-ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, Antonio Palocci, por enriquecimento ilícito a partir de consultorias supostamente prestadas por sua empresa, a Projeto.

A representação foi feita pelos partidos de oposição. Na ocasião, o senador foi um dos maiores críticos à postura de Gurgel.

“Se não der nele, ele (Gurgel) começa a pegar a gente também, você entendeu? Agora, se ele está cumprindo obrigação do governo, agora ele inocenta o governo e depois pega um da oposição. Isso é sem vergonha. Se não bater nele, ele anima”, disse Demóstenes, em conversa às 10h06 do dia 7 de junho de 2011. Cachoeira elogiou o discurso do parlamentar e ressaltou que o procurador ficou “desmoralizado” depois da fala do senador.
Na época em que Demóstenes criticava Gurgel, a PF já havia remetido ao procurador peças do inquérito da Operação Vegas, que demonstravam a proximidade entre o senador e Cachoeira.

Nos grampos, o parlamentar pede dinheiro ao contraventor para pagar suas despesas. Contudo, mesmo de posse do material desde 2009, o procurador só pediu autorização ao STF para investigá-lo em 2012, após a crise provocada pela Operação Monte Carlo.

12:00:00
Mulher de Cachoeira diz que elese considera um ‘bode expiatório’ e ‘reflete’ sobre o que vai dizer na CPI.
Mulher de Carlinhos Cachoeira, 49, Andressa Mendonça, 30, tem feito visitas regulares ao marido na cadeia. Deu-se na terça-feira (24) o último encontro. Em entrevista à repórter Catia Seabra, levada às páginas da Folha nesta sexta (27), ela conta o que vai na alma do marido.

Cachoeira está “revoltado”. Considera-se um “preso político”. Acha que o escolheram para “bode expiatório”. Mantém-se informado atrás das grades. Além do noticiário, “lê o Código Penal, a Bíblia e o inquérito.”

Perguntou-se a Andressa se Cachoeira levará os lábios ao trombone ao depor na CPI que leva seu nome. E ela, algo enigmática: “Ele reflete muito. Como toda pessoa que está presa, longe dos seus, pensa uma coisa e, depois, pensa outra. Difícil saber o que vai acontecer. Ele não tomou uma decisão.”

Confinado no presídio de segurança máxima de Mossoró (RN), Cachoeira perdera “quinze quilos”. Após a transferência para a penitenciária da Papuda, em Brasília, “já ganhou peso.” Segundo Andressa, “a cabeça dele está muito bem. As ideias estão se organizando. Mais tranquilo, menos ansioso. O isolamento de Mossoró fazia-lhe muito mal.”

Aos olhos da mulher, Cachoeira é um injustiçado: “Julgam o Carlinhos por isso ou por aquilo. Mas a pessoa que eu conheço não é essa. O Carlinhos que eu conheço faz caridade, doa caminhão de macarrão para creche, doa caminhão de brinquedo. É humano, comprometido e responsável.”

Andressa aborreceu-se com um comentário feito por Pedro Simon (PMDB-RS), ao pedir que o Conselho de Ética requisitasse proteção para Cachoeira na cadeia: “Fiquei muito chateada quando um senador, acho que Pedro Simon, disse que ele é o futuro PC [Farias]. Pegaram o Carlinhos, julgaram, condenaram e agora querem matar.”

Ela acha graça quando vê amigos renegando o marido: “Isso é cômico. Não entendo. O Carlinhos tem tantos amigos de todos os níveis sociais. Não vejo problema em dizer que o conheciam.” Tem falado com Demóstenes Torres? “Falei com ele antes, agora ele está cuidando da defesa dele.”

Quando se uniu a Cachoeira foi alertada de que ele operava no ramo do jogo? “Dizer isso seria afirmar uma contravenção. Posso dizer que fui avisada que ele estava batalhando pela regulamentação dos jogos. Lá fora, Carlinhos seria considerado um grande empresário. Aqui, é contraventor. […] Ele está batalhando. Ninguém quer ficar na informalidade. Ele também não.”

12:11:03
STF pede investigaç​ão sobre vazamento de dados de CPI
O Supremo Tribunal Federal (STF) vai acionar a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para apurar os responsáveis pelo vazamento de informações sigilosas do inquérito que tramita sob segredo de justiça na Corte para investigar ligações entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).
A decisão foi tomada na noite desta sexta-feira, depois que o relator do inquérito, ministro Ricardo Lewandowski, conversou longamente com o presidente do tribunal, ministro Carlos Ayres Britto.
Ambos estavam consternados e consideraram absurdo o fato de dados sigilosos já estarem disponíveis a setores da imprensa. O site de notícias Brasil 247 publicou o pedido do Ministério Público para abertura de inquérito contra o senador Demóstenes.
Até agora, tiverem acesso ao inquérito os advogados das partes. Nesta sexta-feira, Lewandowski também liberou o acesso à CPI mista do Congresso Nacional que investiga as relações de Cachoeira, além do Conselho de Ética do Senado e da Comissão de Sindicância da Câmara dos Deputados, que investigam o envolvimento de parlamentares com o bicheiro.
Como o presidente da CPI , senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), não foi encontrado em seu gabinete, o inquérito ainda não foi entregue às comissões.
Carolina Brígido, O Globo 


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