CPI do Cachoeira: Empresária diz que recebeu dinheiro de Cachoeira por serviço a Perillo

Depois de bate-boca e choro, CPI tem dia de silêncio.

Convocada a depor nesta terça-feira no Senado, Ana Cardozo de Lorenzo, que trabalhou na campanha eleitoral de Marconi Perillo ao governo de Goiás de 2010 , não compareceu à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), porém, encaminhou documentos comprovando que recebeu dinheiro da empresa Alberto & Pantoja como pagamento por pesquisa eleitoral encomendada por Edivaldo Cardoso de Paula, o ex-presidente do Detran de Goiás. Ana Lorenzo é sócia da empresa Serpes Pesquisas de Opinião e Mercado.

De acordo com o relator da CPI que apura o envolvimento de políticos e agentes privados com o bicheiro Carlos Cachoeira, o deputado Odair Cunha (PT-MG), os advogados de Ana entregaram documentos comprovando o recebimento de R$ 28 mil. “Ela admite que recebeu R$ 28 mil da empresa Alberto & Panjoja em razão do pagamento de pesquisa eleitoral que teria sido pedida pelo senhor Edivaldo, que é , nada mais nada menos, o presidente do Dentran Goiás. É um vinculo importante de recursos da organização criminosa que viabilizou pesquisa eleitoral,” disse Cunha. De acordo com a PF, a Alberto & Pantoja é uma empresa fantasma do grupo de Cachoeira, usada para lavagem de dinheiro.

Cunha disse ainda que a CPI apurou que Ana recebeu R$ 56 mil em conta corrente, e que, por declaração, ela explica a origem de apenas R$ 28 mil.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O relator da CPI do Cachoeira afirmou que há acordo para votação de um novo requerimento de convocação do bicheiro. O assunto será debatido na reunião da próxima quinta-feira, quando também serão tratadas as convocações de Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta Construções, e de Luiz Antônio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O requerimento para que o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), venha a Brasília explicar suas relações com Cachoeira também aguarda por votação.

Se falar à CPI, Cavendish pode elevar a investigação sobre a empresa Delta, até agora restrita ao âmbito da região Centro-Oeste, para nível nacional. Essa possibilidade preocupa parte do governo pois pode dar publicidade aos contratos da Delta dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vitrine do governo Dilma Rousseff.

Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do Dnit, denunciou o uso de verbas públicas para suposto caixa dois de campanhas eleitorais no Estado de São Paulo. Para a imprensa, ele disse que duvidava que seria chamado a falar à comissão alegando que muitos têm medo. “Duvido que a CPI me chame. Muitos ali têm medo do que eu possa contar,” afirmou em entrevista. O governo também teme que Pagot use a CPI com palco para atacar ministros ou aliados.

Também eram convocados e não se apresentaram à CPI hoje Rosely Pantoja da Silva, sócia da Alberto & Pantoja, e o policial aposentado Joaquim Gomes Thomé Neto, suspeito de ser um dos “arapongas” a serviço de Cachoeira. O presidente da comissão, senador Vital do Rêgo, informou que todos serão convocados novamente.
Elaine Lina/Portal Terra