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Impactos da ofensiva da gigante Amazon no mercado brasileiro

Símbolo da AmazonDireito de imagem REUTERS

Dois movimentos estratégicos relevantes podem inaugurar uma nova fase da Amazon no mercado brasileiro

A gigante do varejo Amazon, uma das maiores do mundo, começou a dar passos mais firmes para conquistar parte do mercado brasileiro. Com a inauguração de um centro de distribuição próprio e o lançamento de serviço de assinatura, a empresa de Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, entra de vez no país.

Mas por que levou tanto tempo? E qual será o impacto desse movimento?

Nunca houve dúvida sobre o interesse da Amazon em crescer no e-commerce do Brasil. Mas a estratégia adotada para o país sempre foi questionada – de lenta e fora do timing, para alguns, a excessivamente cautelosa, para outros.

Boa parte da desconfiança em relação à gigante americana começa a cair por terra neste ano com dois movimentos estratégicos relevantes.

Em janeiro, a varejista inaugurou o Centro de Distribuição (CD) em Cajamar (SP) incrementando a oferta de produtos. Agora, traz ao Brasil o seu serviço de assinatura – o Amazon Prime.

O Prime funciona como um grande pacote que oferece aos assinantes promoções exclusivas, frete grátis e uma série de conteúdos de mídia distribuídos via streaming.

A Amazon demorou para iniciar sua atuação no país e o fez de maneira tímida. Em 2012, começou a vender no Brasil apenas livros e o Kindle, seu leitor digital. Cinco anos depois, em 2017, abriu sua plataforma de vendas para pequenas empresas, quando a maior parte dos concorrentes já estava bem posicionada neste segmento.

Só em janeiro deste ano, ao inaugurar o CD na Grande São Paulo, com 40 mil m² de área, pode expandir para a venda direta e ampliar a gama de produtos oferecidos, agora com itens que vão de fraldas a ferramentas, incluindo itens de limpeza, beleza e eletroeletrônicos.

“A entrada da Amazon no país pode parecer lenta, mas não é. Ela tem uma estratégia de longo prazo para o Brasil, país que é muito complexo de atuar”, comenta Alberto Serrentino, consultor da Varese Retail Strategy, acrescentando que “só após achar o modelo vencedor é que a varejista fica agressiva”.

O analista de digital consumer da Euromonitor Ricardo Sfeir faz coro e reforça a visão de longo prazo da varejista nos mercados em que atua.

“Ela não ficou parada, ao contrário, estava ser organizando em um país difícil de navegar, com questões tributárias e logísticas relevantes. Com o caminho pavimentado, dá seus passos mais importantes agora com o CD e o Prime”, explica Sfeir.

Depósito da Amazon no BrasilDireito de imagem JULIO VILELA/AMAZON/DIVULGAÇÃO
No Brasil, 36% da população compra ou já comprou pela internet e se torna mercado atraente para a Amazon e outros e-commerces

Crescimento do varejo online

O interesse da Amazon em fincar os dois pés no mercado brasileiro se justifica pela força que o setor vem demonstrando no país.

A pesquisa Webshopper, realizada pela Ebit | Nielsen, revela que, em 2018, o faturamento com vendas online – entre produtos novos, usados, ingressos e passagens aéreas – chegou a R$ 133 bilhões, 18% maior do que em 2017, ano em que já tinha avançado 20% sobre 2016.

No Brasil, 36% da população compram ou já compraram pela internet. Se forem considerados apenas produtos novos e o marketplace, o faturamento foi de R$ 53,2 bilhões em 2017, alta de 12% sobre ano anterior.

O dado mais recente da Ebit | Nielsen aponta novo avanço no mesmo percentual, 12%, no primeiro semestre de 2019 sobre janeiro a junho de 2018. O valor médio das compras feitas online no ano deve ficar em R$ 415.

A expectativa dos consultores é que, a partir de agora, a Amazon conquiste uma fatia maior deste mercado bilionário e passe a incomodar de forma mais efetiva a concorrência.

Isso deve ocorrer principalmente no Sudeste e no entorno por conta das facilidades que o CD de Cajamar proporciona em termos logísticos.

“Quando a varejista chegou aqui, pelo seu tamanho global, já causou efeito na concorrência que precisou se mexer e agora, com o Prime, não será diferente. Todos devem investir para melhorar a entrega, o serviço oferecido e também para chegar a mais cidades”, analisa Sfeir, da Euromonitor.

O formato de lançamento do serviço de assinatura no Brasil é essencial nas análises dos consultores.

Funcionário da Amazon na AlemanhaDireito de imagem GETTY IMAGES
Expectativa dos consultores é que, a partir de agora, a Amazon conquiste uma fatia maior deste mercado bilionário no Brasil

O Amazon Prime chega para clientes no Brasil com a maior oferta de benefícios já disponibilizada nos lançamentos do programa em 14 anos de história, em que chegou a 100 milhões de membros em 18 países. Por R$ 9,90 por mês, ou R$ 89 no pacote anual, o Amazon Prime oferece além de frete grátis e rapidez, uma série de conteúdos por streaming.

Os assinantes terão acesso a filmes, série originais, uma seleção gratuita de loots (itens virtuais extras dentro de games) e jogos no Twitch Prime. A assinatura também dá acesso a músicas, sem anúncios, no Prime Music e a um catálogo rotativo de revistas e livros digitais.

“O Prime não é só varejo, mas uma estratégia para o digital muito inteligente. A Amazon streaming ataca segmentos que crescem muito, como o de games com taxas de dois dígitos ao ano”, comenta o analista da Euromonitor.

Concorrência

A comparação entre o que oferece o serviço lançado pela Amazon e seus concorrentes, não apenas no e-commerce, é inevitável. O principal diferencial é que com uma única assinatura vários conteúdos ficam disponíveis.

O cliente Prime terá acesso a 2 milhões de músicas sem propaganda concorrendo, de certa forma, com o serviço gratuito do Spotify, com mais títulos mas que obriga o usuário a conviver com comerciais.

Considerando quando o serviço é pago à parte, a briga já vinha ocorrendo entre Amazon Music Unlimited, Spotify e Apple Music, com acervos mais completos. Em filmes e séries, o Prime bate de frente com a Netflix. No varejo online, seus principais concorrentes têm produtos semelhantes.

A B2W possui o Submarino Prime, com entrega rápida e gratuita por R$ 79,90 ao ano; a Magazine Luiza só entrega de graça para compras feitas pelo aplicativo e a partir de determinado valor.

Já o Mercado Livre tem o Mercado Pontos, em que para ter direito ao benefício de um desconto no frete – ou mesmo gratuidade – o cliente precisa acumular pontos.

“Alguns destes serviços, quando o frete é gratuito, atendem a menos CEPs do que a proposta da Amazon, em outros casos anunciam a entrega em um prazo maior do que a varejista americana. O serviço da Amazon é mais abrangente. Três dias para locais como Salvador e Recife está ótimo”, comenta Sfeir.

“O Prime é o pulo do gato da Amazon aqui e no mundo foi assim. Só trouxeram agora porque precisavam de massa crítica, de um volume de clientes que já compram na plataforma”, explica Serrentino, acrescentando que “o cliente do Prime tendem a se tornar recorrente concentrando as compras na plataforma, o que inclusive permite à empresa trabalhar com margens mais interessantes, fugindo um pouco da guerra de preços”.

No ano passado, a Amazon foi a oitava maior varejista online do país, segundo dados da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), com um faturamento de R$ 600 milhões, 46% superior aos R$ 410 milhões de 2017, ano em que já havia dobrado a receita. Mesmo com o forte crescimento, a Amazon está distante dos líderes.

Centro de distribuição da Amazon em São PauloDireito de imagem JULIO VILELA/AMAZON/DIVULGAÇÃO
Principais concorrentes da Amazon viram suas ações despencarem no dia do anúncio do Prime no país

A B2W – dona da Submarino, Americanas.com e outras – faturou R$ 8 bilhões, seguida pela Via Varejo – Ponto Frio e Casas Bahia – com R$ 6,9 bilhões. Na terceira posição, Magazine Luiza com R$ 6,7 bilhões.

Com capital aberto na bolsa, os principais concorrentes viram suas ações despencarem no dia do anúncio do Prime no país: B2W caiu 4,8%, Via Varejo recuou 3,7% e Magazine Luiza registrou perda de 5,5%. No dia seguinte, o anúncio do IBGE de que as vendas no varejo subiram 1% em julho surpreendeu e as varejistas recuperaram em parte as perdas.

Os consultores falam em uníssono que, daqui em diante, a Amazon será mais agressiva no Brasil, o que provocará reações preventivas dos concorrentes. No entanto, este incômodo terá um limite, já que para ganhar capilaridade e chegar às primeiras colocações a varejista precisa investir em logística.

“Acredito que os próximos passos sejam ampliar o CD de Cajamar e também instalar mais centros de distribuição em outras regiões, quando ficaria em pé de igualdade para concorrer com os líderes do e-commerce”, comenta Alberto Serrentino.
BBC

Amazon,Internet,Tecnologia

O que há por trás da briga de 8 países sul-americanos com a Amazon

Amazon,Internet,Tecnologia

É um nome que evoca grandes proporções: a maior floresta tropical do mundo, uma empresa global de tecnologia e agora uma saga diplomática que está prestes a terminar.

Após sete anos de disputas, a Corporação da Internet para Designação de Nomes e Números (Icann, na sigla em inglês) deu um prazo final para que a Amazon, gigante do comércio eletrônico, e os governos de oito países sul-americanos cheguem a um acordo sobre como usar a extensão “.amazon” .

O cabo de guerra entre as nações e a empresa de tecnologia pode ter impacto na governança da própria internet.

As duas partes precisam chegar a um acordo até 7 de abril, a fim de evitar uma decisão unilateral da diretoria executiva da Icann.

Mas, para entender o que está em jogo, precisamos voltar a 2012, quando a Icann decidiu ampliar sua lista de domínios genéricos de nível superior (gTLDs) – os nomes que vêm depois do ponto – como o “com” em sites “. com”.

Novos domínios

As novas regras permitiram que as empresas solicitassem novas extensões, oferecendo aos usuários e às marcas novas formas de personalizar o nome e o endereço do site.

Blogueira de comidaDireito de imagem GETTY IMAGES
Os usuários agora podem registrar nomes de sites com mais de 1,2 mil novas extensões, incluindo .blog e .you

Com cerca de 4,4 bilhões de usuários de internet espalhados pelo planeta, as regras também aceitam nomes de domínio genéricos registrados em caracteres não-latinos.

No entanto, a Icann criou regras especiais para extensões que remetam a localizações geográficas ou geopolíticas e comunidades étnicas, linguísticas e culturais – tornando mais fácil para qualquer um se opor ao uso desses nomes.

Aposta da Amazon

Entusiasta das novas regras, a Amazon solicitou 76 novos nomes de domínio de nível superior, incluindo .app, .free, .cloud e .kindle – ao custo de US$ 185 mil cada apenas em taxas de inscrição.

O Google foi ainda mais longe e reivindicou 101 novos domínios de nível superior, enquanto uma start-up chamada Donuts, fundada com o único objetivo de registrar e administrar novos gTLDs, solicitou 307 – um indício de quão lucrativo algumas pessoas acreditam que o novo negócio de gTLDs vai ser.

Até 28 de fevereiro de 2019, como mostram as estatísticas mais recentes, 1.232 novas extensões tão variadas quanto .blog, .you, .pet e .fitness haviam sido aprovadas.

A Icann recebeu um total de 1.930 pedidos para nomes de domínio de acordo com as novas regras.

Arte gráfica mostra diferentes tipos de domínioDireito de imagem GETTY IMAGES
Desde 2012, a Icann recebeu pedidos para 1.930 novos domínios – mais de 1,2 mil já estão disponíveis

Locais com nomes geográficos incluem .london, .rio e .istanbul – mas oito países que abrigam a Floresta Amazônica se opuseram aos planos da gigante de tecnologia em relação ao domínio .amazon.

Houve muitas tentativas de acabar com o impasse, mas até agora essas tentativas foram em vão.

O que os oito países querem

Os governos da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, todos membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), argumentam que abrir mão do domínio exclusivamente para a Amazon poderia impactar questões de soberania.

Diplomatas explicaram à BBC que não estão tentando impedir o uso do domínio pela Amazon, mas propondo uma “gestão compartilhada” do mesmo.

De acordo com a proposta deles, a Amazon seria imediatamente autorizada a usar os domínios que são relevantes para seus interesses comerciais, como “books.amazon” ou “kindle.amazon”.

Cada país, por sua vez, teria o direito de usar domínios relacionados à sua herança cultural – imagine nações da Amazônia se unindo para promover a região sob o domínio “turismo.amazon”, por exemplo.

Essencialmente, os países querem criar um comitê no qual tanto a Amazon quanto as oito nações terão a oportunidade de levantar objeções a novos domínios de nível superior no futuro.

Índio tupi-guarani pinta o rostoDireito de imagem GETTY IMAGES
Os países que abrigam a Amazônia dizem que conceder o controle exclusivo do domínio para a gigante da tecnologia pode ter impacto em questões de patrimônio cultural e soberania

O que a Amazon quer

A Amazon rejeitou essas propostas e ofereceu aos países a possibilidade de usar a extensão .amazon associada a duas letras representando cada país – br.amazon para o Brasil, por exemplo, ou, no caso da OTCA, o acrônimo da organização.

A empresa se recusou a comentar o caso antes do prazo de 7 de abril, mas destacou comentários anteriores do seu vice-presidente de políticas públicas, Brian Huseman, que prometeu que a Amazon “não usará os TLDs de maneira confusa”.

Em documentos do processo, a Amazon prometeu trabalhar com os governos para identificar e impedir o uso de “nomes que afetem questões nacionais sensíveis” e se comprometeu a apoiar novos domínios de nível superior que usem termos locais como .amazonia e .amazonas.

No ano passado, a empresa tentou persuadir os países prometendo US$ 5 milhões em serviços gratuitos de e-readers e hospedagem do Kindle. A oferta foi recusada.

Em carta enviada à Icann em março, o embaixador equatoriano nos Estados Unidos, Francisco Carrión, disse:

“Não estamos buscando uma compensação financeira. Também não estamos atrás de concessões para usar um ou alguns domínios de segundo nível. É uma questão de soberania para muitos de nós, e a oferta para compartilhar os TLDs com a empresa Amazon Inc. já é um compromisso “.

Torres del Paine, na Patagônia chilenaDireito de imagem GETTY IMAGES
Outros casos polêmicos de TLDs geográficos incluem as extensões .patagonia e .africa

Outras disputas

Outras disputas do gênero já aconteceram e foram resolvidas.

Em 2013, a marca de roupas Patagonia, com sede nos EUA, retirou um pedido para a extensão .patagonia após objeção da Argentina e do Chile.

Uma empresa com sede no México teve que chegar a um acordo financeiro com a cidade de Bar, em Montenegro, a fim de obter o consentimento para registrar a extensão .bar.

E em 2016 a Icann concedeu o registro do gTLD .africa a uma instituição de caridade com sede em Joanesburgo, na África do Sul, depois de receber apoio de três quartos dos países da União Africana.

Mas o caso da Amazon tem sido uma saga bem diferente de qualquer outro.

O pedido da empresa foi inicialmente deferido, mas diplomatas brasileiros e peruanos conseguiram anulá-lo, garantindo o apoio do grupo que representa os governos na Icann – o GAC.

Isso por si só exigiu pressões diplomáticas para mudar a posição dos EUA de apoiar a Amazon Inc e permanecer neutro na disputa.

A Amazon recorreu e um painel de revisão ordenou que a Icann tomasse uma decisão chegando às suas próprias conclusões.

Se as duas partes não chegarem a um consenso até 7 de abril, a Amazon terá duas semanas para defender seus argumentos novamente antes de a Icann tomar uma decisão.

Foto aérea de avião sobrevoando a Floresta AmazônicaDireito de imagem GETTY IMAGES
O Icann está sob pressão para resistir à imposição dos governos em relação aos nomes de domínios de localizações geográficas

Cabo de guerra

O caso está gerando questionamentos sobre a independência da Icann.

Brian Huseman, da Amazon, disse à Icann que “globalmente, centenas (se não milhares) de marcas têm nomes semelhantes a regiões, formações de terra, montanhas, cidades e outros lugares geográficos”, mas essas marcas poderiam se abster de solicitar novos gTLDs por causa da “incerteza da proteção sui generis da Icann aos nomes geográficos”.

A corporação americana está sob pressão para resistir à imposição dos governos e alguns acreditam que pode estar mais aberta a argumentos vindos do setor empresarial desta vez.

Mas Daniel Sepulveda, que serviu como embaixador dos EUA, subsecretário adjunto de Estado e coordenador de comunicações e políticas de informação de 2013 a 2017, diz que “a comunidade da Icann cometeria um erro se menosprezasse as preocupações do Brasil ou se envolvesse em uma retórica libertária agressiva”. ”

O modelo pluriparticipativo de governança da internet significa que o Icann precisa encontrar um bom equilíbrio entre os interesses e liberdades de empresas, organizações e indivíduos que usam a internet sem alienar ninguém, escreveu Sepulveda no blog do Council of Foreign Relations.

“Esta é uma situação delicada que exige diplomacia, o exercício do respeito mútuo e mecanismos criativos para garantir que todos os lados se sintam tratados com justiça.”

Quanto do que se gasta na internet vai para a Amazon, empresa do homem mais rico do mundo?

A Amazon registrou lucro recorde em 2017 e ultrapassou o Google como segunda empresa mais valiosa do mundo, atrás apenas da Apple

Logo da Amazon refletida nos olhos de um consumidor

Direito de imagemGETTY IMAGES

Quanto dinheiro os consumidores online gastam na Amazon? Pode ser muito mais do que se imagina, pelo menos de acordo com o mais recente relatório da própria companhia, publicado no início do mês passado.

No último trimestre de 2017, a Amazon.com Inc registrou lucros de quase US$ 2 bilhões (o equivalente a R$ 6,6 bilhões), o maior de sua história.

Sua história como empresa de comércio eletrônico, serviços de computação e entretenimento começou apenas em 1994. Mas a companhia é hoje a segunda mais valiosa do mundo depois da Apple, tendo superado a Alphabet – detentora do Google.

Também é ela que abocanha a maior fatia do que os consumidores estão gastando no comércio online. Não à toa, de acordo com estimativas do Bloomberg Billionaires Index, o fundador da gigante americana, Jeff Bezos, é agora o homem mais rico do mundo, com um patrimônio líquido de US$ 132 bilhões (R$ 435,6 bilhões).

Jeff BezosDireito de imagemGETTY IMAGES
O fundador da Amazon, Jeff Bezos, é hoje o homem mais rico do mundo

A pujança da companhia – e de seu fundador – é apontada como consequência direta do quão dominante ela se tornou nas vendas do varejo online. Apesar de a maioria de nós ainda comprar mais off-line do que online, a participação da Amazon nos nossos gastos está aumentando.

Nos Estados Unidos, por exemplo, para cada dólar gasto em comércio eletrônico em 2017, 44 centavos foram para a empresa de Bezos.

Os Estados Unidos são o maior mercado da empresa. Lá, a Amazon também se aventurou no mundo dos negócios tradicionais, comprando, no ano passado, a rede de supermercados Whole Foods, por US$ 13,7 bilhões (R$ 45,21 bilhões).

Amazon na AlemanhaDireito de imagemGETTY IMAGES
Centro de logística de Amazon na Alemanha: O país é o segundo maior mercado da companhia, depois dos Estados Unidos

Brasil

Embora esteja presente no mercado brasileiro desde 2012, a Amazon só ampliou sua oferta de produtos no Brasil em 2017, passando a vender, além de livros, produtos eletrônicos de terceiros.

Há notícias, no entanto, de que representantes da empresa estiveram no Brasil no início de março para se reunir com uma série de fabricantes e discutir planos de estocar e vender de aparelhos eletrônicos a perfumes no país.

Atualmente, a empresa americana ainda não ameaça os principais players do mercado de varejo brasileiro. Apesar de registrar muito tráfego, as vendas da Amazon no Brasil em 2016 ficaram em apenas US$ 200 milhões (R$ 660 milhões) em um mercado estimado em US$ 13,4 bilhões (R$ 44,22 bilhões).

Europa

A Alemanha é o segundo maior mercado da Amazon no mundo. Lá, a Amazon embolsa cerca de 25 centavos de cada um euro gasto online. Entre 2014 e 2016, dobrou o número de produtos em seu site no país, para 229 milhões de ítens.

Embora não exerça na Alemanha um controle tão grande quanto nos EUA, a empresa supera seus rivais alemães por ampla margem. Seu faturamento em 2016 (US$ 9,97 bilhões, ou o equivalente a R$ 32,9 bilhões) é três vezes maior do que o do seu concorrente mais próximo (OTTO).

No Reino Unido, estima-se que a Amazon abocanhe cerca de 27 centavos em cada uma libra gasta pelos britânicos.

Em seu mais recente relatório anual, a Amazon revelou que suas receitas no Reino Unido aumentaram 19%, para US$ 11,4 bilhões (R$ 37,62 bilhões). Uma pesquisa da GlobalData sugeriu que há mais gastos não relacionados a alimentos passando pelo site da Amazon no Reino Unido do que por qualquer outro varejista.

Na Espanha, a Amazon foi lançada em 2011 com oferta completa de produtos – ao contrário da maioria dos outros países, onde começou com apenas uma livraria online.

No muito fragmentado mercado de varejo na internet, na Espanha – com pelo menos nove ou dez grandes players nacionais e internacionais – a Amazon passou a deter uma participação de cerca de 8% a partir de 2016. Isso significa que pelo menos 8 centavos de cada euro gasto online no país entraram em seus cofres.

Jeff BezosDireito de imagemGETTY IMAGES
Jeff Bezos: A chegada da Amazon na Índia ocorreu em 2013 e, três anos depois, companhia já havia superado a maior varejista online do país

Ásia

Dos maiores mercados da Amazon, o Japão é o único onde a empresa não reina absoluta. Embora tenha ultrapassado a japonesa Rakuten como a maior plataforma de e-commerce, nesse mercado a gigante americana detém uma participação de mercado de “apenas” 20,%, meros 0,1% a mais a principal concorrente, de acordo com dados da Organização de Comércio Exterior do Japão.

Já na China, que detém o maior mercado de comércio eletrônico do mundo, a Amazon não tem muita força. Segundo o estudo mais recente realizado pelo iResearch Group, no ano passado, a participação da Amazon na China era de pouco mais de 1%, bem atrás dos líderes Ali Baba (56,7%) e JD (27,2%). A companhia nem sequer se posiciona entre as cinco maiores.

Na Índia, a Amazon lançou seu primeiro site de compras em 2013, com o objetivo de beneficiar-se de um crescimento tardio no varejo online – apesar de ter o segundo maior número de usuários de internet no mundo, a Índia apresenta baixas taxas de adesão no comércio eletrônico.

Um relatório de 2016 do banco de investimentos Morgan Stanley de 2016 afirmou que apenas 14% dos internautas indianos compravam online, um número seis vezes menor do que na China, por exemplo.

A mídia indiana informa que a estratégia da companhia americana no país deu certo: em 2016, a Amazon superou a maior varejista online da Índia, a Flikpart, em áreas urbanas.

África

Embora ofereça serviços de computação em nuvem na África do Sul, a Amazon não estreou formalmente no continente africano.

A ausência nesse mercado abriu uma janela para os competidores locais. Entre elasa, a Jumia, sediada na Nigéria. Criada em 2012, a empresa agora está presente em 14 países africanos e tornou-se, em 2016, a primeira “unicórnio” do continente – como são descritas as start-ups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão (R$ 3,3 bilhões).

Ainda assim, o mercado afriacano ainda é pequeno. Um estudo da Economist Intelligence Unit estimou que as vendas de e-commerce na África poderiam chegar a US$ 75 bilhões (R$ 247,5 bilhões) em 2025. Em comparação, o número para a Europa em 2016 foi superior a US$ 650 bilhões (R$ 2,14 trilhões).

Por outro lado, especialistas apontam para as altas taxas de adesões a telefones celulares como uma razão para ser otimista: mais africanos têm acesso a telefones celulares do que a água encanada.

Marca da Jumia em compartimento de carga de motocicletaDireito de imagemGETTY IMAGES
A companhia ainda não lançou o e-commerce no mercado africano, mas o potencial do continente não é ignorado e rende frutos a possíveis concorrentes, como a Jumia

Críticas

A Amazon faz sucesso na maioria dos mercados em que atua, mas isso não ocorre sem controvérsia. Uma das críticas é que seu modelo de negócios agressivo tem contribuído para o enfraquecimento e até o fechamento de empresas de rua.

As práticas trabalhistas da Amazon também foram denunciadas – e a empresa enfrenta greves na Alemanha e na Espanha.

Finalmente, suas práticas tributárias foram alvo de uma investigação da União Europeia. Em outubro passado, a empresa foi condenada a pagar US$ 293 milhões (R$ 966,9 milhões) em impostos atrasados, depois de a Comissão Europeia concluir que a companhia havia recebido vantagens fiscais injustas em Luxemburgo.

Quer fazer uma bomba? A Amazon vende

Suspeito de terrorismo comprou material para bomba na AmazonSymbolbild Amazon plant eigenen Paketdienst (picture-alliance/dpa/C. Schmidt)

Jovem sírio comprou produtos químicos para fabricação de explosivos na loja online, afirma revista “Der Spiegel”. Polícia critica algoritmo que sugere mais produtos perigosos a quem já comprou um. 

O sírio Yamen A., que foi detido em Schwerin e é acusado de planejar um atentado terrorista, comprou o material para fabricar explosivos na popular loja online Amazon, afirmou neste sábado (04/11) a revista Der Spiegel. Segundo o semanário, o jovem de 19 anos começou a comprar produtos químicos utilizados na fabricação do explosivo TATP no último verão europeu.

Yamen A. foi detido em Schwerin por uma unidade especial da polícia alemã, nesta terça-feira. Segundo os investigadores, ele decidiu em julho passado que iria “explodir uma bomba na Alemanha, em meio a uma grande concentração de pessoas, e assim matar e ferir o maior número possível de pessoas”. Ele ainda não teria, porém, escolhido seu alvo.

Segundo a Spiegel, terroristas já compraram várias vezes material para fabricar bombas na Amazon. Os jovens que explodiram uma bomba num templo Sikh de Essen, em abril de 2016, compraram vários quilos de produtos químicos no site. Também Jaber al-Bakr, que é acusado de planejar um atentado no aeroporto de Tegel, em Berlim, e se suicidou na prisão, em Leipzig, teria comprado material para fabricar TATP na loja online.

A Amazon comunicou que colabora com as investigações da polícia e, “diante dos novos acontecimentos”, fez alterações no seu site para garantir que produtos sejam apresentados da forma apropriada. A declaração se refere a uma crítica da polícia ao algoritmo do site, que, na seção “Clientes que compraram este produto também compraram…”, sugeria novos materiais perigosos a quem já tivesse comprado um.

AS/afp/dpa

A Amazon quer destrancar a porta da sua casa para entregar encomendas

Chamada de Amazon Key, novidade estará disponível a partir de 8 de novembro nos EUA e exige uma câmera conectada e uma fechadura inteligente compatível.

 A Amazon anunciou nesta semana um novo serviço de entrega que permite que a empresa destranque a porta da sua casa para entregar os seus pedidos feitos pelo site quando você estiver fora.

Chamada de Amazon Key, a novidade estará disponível para os assinantes Prime a partir do próximo dia 8 de novembro nos Estados Unidos e exige um pacote de itens especiais para funcionar, incluindo uma câmera conectada e uma fechadura nova – o combo custa 250 dólares.

A nova câmera da Amazon, a Cloud Cam, fica conectada à Internet via Wi-Fi e funciona como uma central para o novo serviço polêmico. Ela irá ‘conversar’ com uma fechadura inteligente compatível (das fabricantes Yale ou Kwikset) por meio do protocolo Zigbee para permitir a entrega quando o consumidor não estiver em casa.

Como funciona

Após chegar na sua casa, o entregador escaneia o código de barras do pacote, que então envia um pedido para a plataforma da Amazon na nuvem. Feito isso, a empresa irá conceder uma liberação e enviar uma mensagem para a Cloud Cam, que então será ligada para gravar a entrega.

Para poder abrir a porta, o entregador receberá um pedido no aplicativo deles da Amazon, que irá então destravar a fechadura com um simples deslizar de dedo na tela. O funcionário então deixa o pacote na sua casa, tranca a porta de volta com outro movimento no app e vai embora.

Após tudo isso, o consumidor recebe uma mensagem da Amazon informando que a entrega foi realizada juntamente com um vídeo curto com as imagens da Cloud Cam mostrando que tudo correu de maneira correta.

Amazon entra no mercado de compra e venda de livros usados

Agora todo mundo pode vender livros novos ou usados na Amazon

Amazon: pessoas físicas e jurídicas podem vender livros dentro da Amazon.com.br (Chris Ratcliffe/Bloomberg)

Amazon: pessoas físicas e jurídicas podem vender livros dentro da Amazon.com.br (Chris Ratcliffe/Bloomberg)

Com novo marketplace na Amazon.com.br, sebos, editoras, livrarias e mesmo pessoas físicas podem vender livros novos ou usados pelo site da varejista

[ad name=”Retangulo – Anuncios – Esquerda”]A Amazon está a caminho de se tornar a melhor amiga de sebos e de quem tem muitos livros encalhados em casa. Isso porque a empresa lança hoje seu marketplace para a venda de livros.

Com o marketplace, pessoas físicas e jurídicas poderão vender livros novos e usados dentro do site da Amazon. “Nosso foco neste lançamento é aumentar o nosso catálogo”, falou a EXAME.com o diretor para livros impressos da Amazon.com.br Daniel Mazini.

O resultado imediato deve ser bastante satisfatório para a empresa. Com alguns parceiros iniciais (que envolvem grandes sebos e até editoras), há um salto de 150 mil para 250 mil títulos em português sendo vendidos dentro do site—uma adição de 100 mil novos títulos portanto. Esse novos títulos são exemplares esgotados, raros, entre outros. A partir de hoje, o número de livros oferecidos deve aumentar com a abertura do cadastro de vendedores.

Para o consumidor, pouco muda. Ao entrar na página de um produto, o comprador poderá ver se aquele título é vendido por terceiros dentro do site. A listagem completa oferece informações sobre preço, estado do exemplar (caso não seja novo) e taxa de entrega. A partir disso, o cliente pode escolher se quer comprar da própria Amazon ou de algum outro vendedor.

Para quem vende

A Amazon oferece dois tipos de perfil de vendedores, o profissional e o não profissional. No profissional, é preciso pagar uma mensalidade (que não será cobrada nos primeiros 3 meses) de 19 reais que traz alguns benefícios (sobre os quais comento dentro de algumas linhas).

O não profissional não chega a ter limitações nas vendas, mas a depender do número de unidades de livros vendidos, acaba pagando mais do que a mensalidade dos profissionais. A cada livro vendido, uma taxa de dois reais deve ser paga para a Amazon. Além disso, a empresa fica com 10% do valor da transação–incluindo o preço do produto somado ao frete cobrado.

Por conta disso, a empresa aconselha que o vendedor assine a conta profissional caso tenha previsão de vender mais do que 10 livros ao longo do mês (10 x R$ 2 = R$ 20, número maior do que os 19 reais da assinatura). Toda a estrutura de pagamentos é gerenciada pela Amazon. O comprador pode, inclusive, escolher por pagar em vezes sem qualquer efeito para quem vende.

Outro benefício da novidade é a possibilidade de vender livros para o exterior—eles são Estados Unidos, Canadá e México (este último somente para os assinantes profissionais). “Finalmente poderemos concretizar um antigo sonho do nosso fundador, Sr. Messias A. Coelho: vender livros no exterior”, afirma em comunicado Cleber Aquino, gerente de e-commerce do Sebo do Messias, um dos parceiros iniciais da Amazon neste lançamento.

A assinatura da conta profissional ainda traz benefícios como atualização por API, criação de políticas de fretes diferenciadas por região do país, cadastro de múltiplos livros por tabela, entre outros.

Garantia Amazon

Tradicionalmente, a empresa fundada por Jeff Bezos tem uma obsessão de aliar preços baixos a uma experiência de alta qualidade para o consumidor.

Por conta disso, a Amazon ficará de olho em quem vende dentro de seu site. Reclamações constantes e problemas não resolvidos serão analisados e podem levar à remoção do vendedor do marketplace. Isso porque o comprador fica coberto pela Garantia de A a Z, da Amazon, ao efetuar uma compra no marketplace–seja a Amazon ou não o vendedor em questão.

Isso garante que o produto será entregue no estado de conservação cadastrado no site. Caso o vendedor não deixe o consumidor satisfeito, a Amazon entra em campo. A empresa poderá devolver o dinheiro integral do consumidor que se sentir lesado.

O marketplace para livros da Amazon entra no ar hoje. Você pode obter mais informações e se cadastrar como vendedor neste link.
Victor Caputo/Exame

Vídeo Streaming: Netflix X Amazon

Amazon Prime Video, competidor da Netflix, chega ao Brasil.

O Amazon Prime Video, serviço de streaming de vídeos da Amazon, está chegando ao Brasil. Por aqui, a empresa encontrará concorrência da Netflix, HBO Go (lançado recentemente) entre outros menores, como o brasileiro Looke.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

No lançamento, a Amazon terá uma assinatura promocional de 2,99 dólares–cerca de 9,99 reais. Esse preço será válido durante os seis primeiros meses.

Depois deste período, a assinatura passa a 5,99 dólares, ou cerca de vinte reais.

A cobrança em dólares pode ser um pequeno empecilho para alguns consumidores, já que deve exigir um cartão de crédito internacional.

A possibilidade de lançamento do serviço havia sido evidenciada por um pronunciamento da empresa há poucas semanas. Será possível acessar o Amazon Prime Video por meio de apps para Android, iPhone e iPad.

Alguns modelos de televisões Samsung e LG também contam com aplicações. Além disso, é possível acessar o acervo e assistir aos conteúdos por um navegador no primevideo.com.

Assinantes poderão assistir a séries originais como The Man in the High Castle, que imagina como os Estados Unidos ficariam caso o Eixo tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial.

Outra série aclamada exclusiva para assinantes do serviço é Mozart in the Jungle, que já levou o Globo de Ouro de melhor série de comédia ou musical.

Além de conteúdos exclusivos, o Amazon Prime Video ainda tem filmes e séries produzidas por outras empresas.

O anúncio de hoje marca a expansão do serviço ao redor do mundo. A lista de países nos quais o Amazon Prime Video está disponível ficou bastante longa.

Essa expansão era necessária caso a Amazon quisesse continuar batendo de frente com a Netflix neste mercado.
Por Victor Caputo/Exame

Por que as gigantes da tecnologia estão investindo em energia solar e eólica?

Apple, Amazon e Google estão entre as empresas de tecnologia enveredando para o ramo do fornecimento de energia.

Usina de energia solarImage copyrightGETTY IMAGES

A maioria das pessoas vê a Apple como uma fabricante de smartphones, tablets e computadores, e não como uma fornecedora de energia elétrica.

Mas esse conceito passou a mudar em agosto, quando a gigante do Vale do Silício conseguiu autorização para comercializar a energia gerada a partir de uma usina solar na Califórnia, adquirida pela empresa no ano passado.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A Apple já investiu em energia renovável em outras ocasiões e afirma que seu principal objetivo é fazer com que todas as suas operações sejam realizadas usando energia 100% originada de fontes renováveis.

Outra gigante da tecnologia, a Amazon, acaba de anunciar a construção de uma nova usina de energia eólica com capacidade de 253 megawatts no oeste do Texas.

Já o Google tem investido no Sistema de Geração de Energia Solar Ivanpah e recentemente seu uniu à empresa SunPower para oferecer painéis solares para casas.

Interesses próprios

Mas por que essas empresas estão tão interessadas em energia renovável?

“Nessas grandes corporações, a eletricidade é uma de suas principais despesas”, afirma Ash Sharma, analista de energia solar na IHS Technology. “Manter esse custo a um preço baixo é crucial para elas.”

Hoje em dia, centros de processamento de dados consomem uma enorme quantidade de energia. Além de ter que manter os servidores em funcionamento 24 horas por dia, 7 dias por semana, os equipamentos precisam ser conservados a uma baixa temperatura – algo que, por si só, já representa um alto custo.

E por que o Google tem interesse em vender painéis solares para residências?

A empresa afirma que quer mapear “o potencial solar do planeta” – dados emitidos a partir desses painéis, inclusive a captação, poderiam fornecer informações sobre futuras estratégias de energia.

Usina de energia eólicaEnergia eólica também é uma das apostas das gigantes para tentar reduzir seus custos de eletricidade – Image copyrightGETTY IMAGES

Popularização da energia solar

O preço da energia solar vem caindo mais rapidamente do que alguns especialistas previam.

Em um leilão de energia em Abu Dhabi, em setembro, um consórcio sino-japonês prometeu construir uma usina solar que poderia produzir energia a menos de 2,5 centavos de dólar por quilowatt/hora – bem menos do que o preço médio da energia proveniente do gás e do carvão nos Estados Unidos, e a promessa mais barata em termos de energia solar já feita.

Sharma acredita que a queda no preço está fortemente relacionada a um boom na fabricação de painéis solares.

“A China aumentou de maneira gigantesca sua capacidade de produção e hoje responde por cerca de 80% de todos os painéis solares fabricados no mundo”, explica o analista.

Conforme o custo de construção de usinas solares cai, o mundo vem assistindo a uma multiplicação de megainstalações.

Segundo Sharma, há poucos anos um projeto de 50 megawatts teria sido considerado algo grandioso. Mas agora, há várias plantas prontas para produzir centenas de megawatts ou mais.

Entre elas está a maior usina do mundo, capaz de produzir 750 megawatts e localizada em Madhya Pradesh, na Índia. Ela foi batizada de Rewa Ultra Mega Solar e deve ser concluída no ano que vem, de acordo com as autoridades do país.

Preços em queda

Além desses megaprojetos, novas pesquisas promissoras para melhorar as células de captação solar estão sendo realizadas.

Alguns painéis novos usam materiais sintéticos que imitam a estrutura cristalina do mineral perovskita – isso barateia a fabricação das células e deve aumentar a eficiência dos painéis.

A energia solar responde por apenas 1% do total de recursos energéticos mundiais. Mas o aumento contínuo em seu fornecimento deve fazer esse número mudar em breve.

Sharma acredita ainda que as mudanças também terão um impacto duradouro sobre os preços. Sua empresa, a IHS Technologies, estima que o custo da energia solar deve cair “cerca de 30%” no ano que vem.

As gigantes do Vale do Silício estão entre as maiores e mais poderosas corporações do mundo. Por isso, não é de se surpreender que elas estejam enveredando para o ramo da energia – sabem bem que tudo o que produzem depende disso.

Amazon entra na disputa por mercado de música on-line

Amazon vai oferecer um catálogo de dezenas de milhões de músicas

fones-de-ouvido

Da AFP

A Amazon entrou em cheio nesta quarta-feira na disputa pela música on-line com um novo serviço que oferece um catálogo robusto com o qual pretende competir diretamente com Spotify, Deezer e Apple Music.

O gigante da distribuição on-line já dava acesso a dois milhões de títulos para os assinantes de seu serviço Prime, que combina a entrega gratuita de pedidos em suas loja on-line com diversos conteúdos digitais, especialmente o vídeo em streaming.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Seu novo serviço, chamado Amazon Music Unlimited, oferece agora a americanos “um catálogo de dezenas de milhões de músicas e milhares de listas de reprodução e de estações personalizadas selecionados com cuidado”, segundo um comunicado.

O preço oficial do serviço é de 9,99 dólares mensais, um montante similar aos cobrados pelo Spotify Premium (a oferta sem publicidade do líder sueco do setor), Apple Music e Google Play.

Como muitos outros atores das novas tecnologias, a Amazon também está tentando convencer seus clientes de associarem-se a todas as suas propostas, e para isso não duvidou em lançar-se à competição pelos preços.

Nos EUA, o custo do novo serviço de música será oferecido a um preço reduzido de 7,99 dólares por mês ou 79 dólares por ano para os assinantes do Prime.

Despois dos Estados Unidos, a Amazon Music Unlimited também estará disponível no Reino Unido, na Alemanha e na Áustria antes do final do ano.
Blog da Sandra/Exame

Pressão da concorrência e expectativa do consumidor ameaçam gigantes da tecnologia

Inovação deixou de ser diferencial para se tornar obrigação de qualquer negócio que pretenda sobreviver. A zona de conforto virou espaço proibido até para a maior e mais tradicional das companhias

 | Divulgação

“Vivemos a quarta Revolução Industrial e quem não entender a inovação como uma necessidade diária vai abrir caminho aos que fizerem isso”. A defesa é de Claudio Carvajal Júnior, coordenador do curso de Administração e Gestão da Tecnologia da Informação da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Ele lembra que o tempo da inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressão 3D, internet das coisas, realidade aumentada e machine learning não sóchegou, como se consolidou e trouxe consigo novos modelos de negócios.

A expectativa do consumidor impulsiona o lançamento de soluções transformadoras. E o aumento da qualificação dos concorrentes – que, em pouco tempo, torna o novo defasado – não dão chances à acomodação. “Nem a maior das organizações está imune aos efeitos da concorrência, ou pode visitar a zona de conforto se quiser continuar competitiva”, pontua Carvajal.

Veja exemplos de empresas que, diante de alterações de cenários, mudaram a estratégia de atuação ou, ao esperarem demais para isso, amargaram algumas crises.

Netflix

Desafio enfrentado – Em 1997, o Netflix iniciou as operações como um serviço online de locação de filmes. Dois anos depois, lançou um plano de assinatura em que os títulos que o cliente queria assistir em casa chegava por correio mensalmente e, ao devolvê-los, outros eram enviados. Em 2002, a companhia já tinha 600 mil assinantes e um catálogo de 11,5 mil títulos. Ao perceber alterações no comportamento do consumidor, lançou em 2007 o serviço de streaming – quando a transmissão de dados acontece de forma instantânea por meio de redes.

Solução encontrada – De 2008 a 2010, a empresa firmou parcerias com fabricantes de eletrônicos para que os filmes que disponibilizava fossem transmitidos em TVs, mas também em tabletes, computadores, videogames e smartphones. Há seis anos, enquanto a rede de locação Blockbuster pedia falência nos Estados Unidos, o Netflix ganhava o mundo. Em 2011 chegou ao Brasil e em 2013 iniciou a produção de séries e conteúdos originais, entre eles, sucessos de audiência como House of Cards e Orange is the New Black. Pelo custo atual equivalente a R$ 17,90 ou R$ 26,90 por mês, 81,5 milhões de assinantes distribuídos em todo o mundo aproveitam a tecnologia.

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Positivo Informática

Desafio enfrentado – Em 2010, a empresa viu seu lucro líquido despencar 74,1% no terceiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período de 2009. Na época, a queda nas vendas dos computadores da companhia foi motivada, em parte pelo aumento da concorrência, em parte pelo barateamento de aparelhos importados. Depois, os resultados continuaram caindo. No quarto trimestre do ano passado, a receita da empresa reduziu 19,7%. A retração econômica, o aumento das vendas promocionais de computadores e tabletes decorrentes do excesso de estoque, além da permanente concorrência com a importação estão entre os desafios principais. A dificuldade acompanha um cenário global. Segundo a consultoria IDC, 2015 foi o pior ano da história para a indústria de computadores. No mundo, o índice de vendas caiu 10,4% e, no Brasil, 37%.

Solução encontrada – Há seis anos, a organização trabalha para diversificar atividades. Em 2010, expandiu as operações para a Argentina em busca de maior ocupação geográfica. Em 2012, apostou no ramo dos celulares. No segundo trimestre deste ano, viu suas receitas na área mais que dobrarem, chegando a R$ 164,4 milhões. A boa aceitação pelos oito modelos de smartphones da marca representou 78% da receita da categoria. Eles são distribuídos em onze mil pontos de vendas por todo o país.

De acordo com Mauricio Roorda, vice-presidente de Marketing e Produto na Positivo Informática, parte do bom resultado se deve à parceria com a Quantum, uma unidade de negócios que funciona dentro da Positivo, mas com autonomia e equipe própria. “Os aparelhos da marca têm maior valor agregado e excelente desempenho”, diz.

Ele também conta que uma parceria firmada com a VAIO no ano passado para produzir e comercializar computadores da marca no Brasil e a fabricação de aparelhos na África para um projeto de educação em Ruanda, em conjunto com a BGH, também devem trazer bons resultados. “Em abril deste ano, ainda entramos para a área de tecnologia aplicada à saúde”, lembra Roorda. A Positivo comprou 50% da startup curitibana Hi Technologies (HiT), que desenvolve soluções para monitoramento remoto de pacientes.

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2016/09/07/Economia/Imagens/Vivo/88029FPIF5-3008034.jpgANDREW BURTON/AFP

Apple

Desafio enfrentado – O tempo áureo dos celulares da Apple pode estar chegando ao fim. Pelo menos, é o que sugerem números da companhia. No Brasil, no primeiro trimestre deste ano, as vendas de IPhones caíram 40% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram comercializadas 489 mil unidades. É a segunda forte retração trimestral. Segundo dados da consultoria Gartner, a condição foi sentida por quase todos os fabricantes de celulares. Juntos, eles venderam 25% a menos do que nos três primeiros meses do ano passado. O problema para a Apple foi que ela perdeu mais que a média. Sua queda só foi menor que a da LG, cujas vendas desabaram 58,4%. Por outro lado, as vendas da sul-coreana Samsung, concorrente direta da empresa, caíram apenas 15%. Globalmente, os resultados também não foram positivos. A comercialização de IPhones diminuiu 16% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A falta de um lançamento realmente original e com alto valor agregado pelo ineditismo, é o que vem tornando o cenário difícil para a gigante.

Solução encontrada – Na busca por seguir faturando, a empresa declarou algumas vezes a intenção de apostar em realidade aumentada – quando informações do mundo real são exibidas em telas de aparelhos, como smartphones – e inteligência artificial. Apesar dos anúncios, nenhuma divulgação mais transparente das soluções foi feita até agora, o que motiva críticas e até dúvidas sobre a existência de estratégias reais. Por enquanto, a Apple contorna críticas que sugerem que ela possa ser ultrapassada por empresas como Amazon, Google e Facebook e jura trabalhar duro para não perder a “majestade”.

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2016/09/07/Economia/Imagens/Cortadas/88029FPIF3-1805031-U20833317198TuG-U208333428920n-340x128@GP-Jornal-INTERIOR.jpgROSLAN RAHMAN/AFP

Nokia

Desafio enfrentado – A Nokia chegou a ser líder global em celulares, mas foi ultrapassada por concorrentes como Apple e Samsung. Em 2007, quando o IPhone chegou ao mercado, ela detinha metade do mercado mundial de smartphones. Seis anos depois, o índice caiu para 3%. A empresa chegou ter valor de mercado de 200 bilhões de euros, mas, por não conseguir se adaptar à rápida ascensão dos smartphones, vendeu em 2013 suas operações de celulares à Microsoft por US$ 7,2 bilhões.

Solução encontrada – Em 2015, a Nokia renovou a estratégia de atuação ao entrar no ramo de fabricação de equipamentos para redes telecomunicações de operadoras globais como Deutsche Telekom e a China Mobile. Em maio deste ano, deu outra reviravolta e anunciou o retorno ao mercado de smartphones e tablets. Ela disponibilizou seus direitos e patentes à finlandesa HMD Global, que vai assumir a tarefa de criar as novidades e reconquistar o mercado.

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2016/09/07/Economia/Imagens/Vivo/12197297.jpggs/pr/Guy Solimano

Kodak

Desafio enfrentado – Fundada em 1888 e criadora do filme fotográfico, a empresa não conseguiu acompanhar a transição do mercado para as máquinas digitais. Em 2012, pediu concordata e fez um empréstimo de US$ 950 milhões. Executivos que trabalharam na companhia chegaram a dizer que imaginaram um período de dez anos para que a transição para a realidade digital acontecesse. Mas ela veio em menos tempo. A Kodak chegou a investir no segmento de impressoras, só que a estratégia não compensou do ponto de vista econômico.

Solução encontrada – Em 2013, a Kodak anunciou sua saída da concordata e a conclusão do processo de reestruturação pelo qual passou. No ano passado, lançou na Europa e nos Estados Unidos o primeiro smartphone, feito em parceria com a inglesa Bullit. A Kodak Alaris, criada após a aquisição da marca pelo grupo inglês KPP, identificou que a produção de scanners e softwares para o mercado corporativo poderia ser um bom negócio. E a estratégia vem mantendo a sobrevivência da empresa, que continua na ativa, mas ainda longe de aproveitar a relevância de antigamente.
Com dados da GazetadoPovo/Claudia Guadagnin