STF autoriza abertura de inquérito contra Edinho, Mercadante e Aloysio Nunes

Blog do Mesquita leis Justiça ImpunidadeO relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Teori Zavascki, autorizou, a pedido do Ministério Público Federal, a abertura de inquérito contra os ministros Edinho Silva (Comunicação Social), Aloizio Mercadante (Casa Civil), além do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

O empresário Ricardo Pessoa, da construtora UTC, afirmou em delação premiada que fez repasses para as campanhas eleitorais de Mercadante e de Aloysio Nunes, e também para a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff, que tinha Edinho Silva como tesoureiro.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a UTC doou R$ 7,5 milhões para a campanha de Dilma Rousseff.

Pessoa afirmou que doou R% 500 mil para Mercadante em 2010, quando ele era candidato ao governo de São Paulo, e R$ 500 mil para o senador Aloysio Nunes Ferreira, sendo R$ 300 mil de forma oficial e R$ 200 mil em dinheiro vivo, sem declaração.

O ministro Mercadante afirmou que só irá se manifestar quando houver confirmação oficial da autorização da abertura de inquérito. Já o ministro Edinho Silva disse que sempre agiu dentro da legalidade.

O senador Aloysio Nunes declarou que não tem qualquer relação com a corrupção ou com a Petrobras.


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Mercadante e Quércia no esquema dos aloprados

Reportagem de Hugo Marques e Gustavo Ribeiro, na revista Veja desta semana, desvenda o caso dos aloprados do PT, cinco anos depois.

Em 2006, às vésperas do primeiro turno das eleições, a Polícia Federal prendeu em um hotel de São Paulo petistas carregando uma mala com R$1,7 milhão.

O dinheiro seria usado para a compra de documentos falsos que ligariam o tucano José Serra, candidato ao governo paulista, a um esquema de fraudes no Ministério da Saúde.

O bancário petista Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil e atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do DF, investigado pela Polícia Federal por participar do esquema, contou tudo em relato gravado por correligionários.

Procurado pela revista, Expedito confirmou o teor das conversas.

Segundo a revista demonstra, o mentor e principal beneficiário da farsa foi o ex-senador e atual ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), cujo nome já havia aparecido no caso e a PF chegou a indiciá-lo por considerar que era o único beneficiado pelo esquema.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mas a acusação acabou anulada por falta de provas.

O petista Expedito conta que o ministro e o PT apostavam que a estratégia de envolver Serra num escândalo lhes garantiria os votos necessários para que Mercadante conquistasse o governa de São Paulo.

Ele explica ainda que a compra do dossiê foi financiada por dinheiro do caixa dois da campanha petista e ainda, de maneira inusitada, pelo então candidato do PMDB ao governo paulista, Orestes Quércia.

“Os dois (Mercadante e Quércia) fizeram essa parceria, inclusive financeira”, revela o bancário.

“Parte vinha do PT de São Paulo. A mais significativa que eu sei era do Quércia.”

Tratava-se de um pacto.

“Em caso de vitória do PT, ele (Quércia) ficaria com um naco do governo.”

Eleições 20201: Em São Paulo poderá haver 2º turno

Vox Populi/Band/iG: 2o. turno à vista em São Paulo

Tucano aparece com 40% das intenções de voto, mesma soma dos adversários; Mercadante sobe de 17% para 28%

O cenário de vitória do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) logo no primeiro turno, em São Paulo, está ameaçado, de acordo com a mais recente pesquisa Vox Populi/Band/iG.

O tucano perdeu nove pontos em relação ao último levantamento, em agosto, e conta agora com 40% das intenções de voto – exatamente a soma do desempenho dos quatro principais adversários.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O senador Aloizio Mercadante, do PT, foi quem mais cresceu: saltou de 17% para 28% entre agosto e setembro. Celso Russomano (PP) oscilou dois pontos para baixo e aparece agora com 7%. Paulo Skaf (PSB), que antes tinha 1%, soma agora 3%. Fábio Feldmann, do PV, tem 2% das preferências.

Com o cenário, fica no limite a possibilidade de a disputa ser decidida no primeiro turno. Em julho, a distância de Alckmin em relação à soma dos demais candidatos era de 18%.

A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais. A pesquisa, registrada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 31.704/10, ouviu 1.500 pessoas entre os dias 18 e 21 de setembro.

O índice dos que se dizem indecisos ou não responderam à pesquisa é de 13% em São Paulo, ainda segundo o Vox Populi. Brancos e nulos somam 7%.

Matheus Pichonelli/blog do Noblat

Eleições 2010: Lula acha que não precisa de ninguém para eleger Dilma Rousseff

O presidente Lula – como os últimos acontecimentos políticos indicam – está investido da certeza de que, sozinho na arena, consegue derrotar as correntes de oposição reunidas e eleger Dilma Roussef para sucedê-lo no Palácio do Planalto. É a única maneira de se encontrar uma explicação para o isolamento de Ciro Gomes no PSB, legenda aliada do governo, que evidentemente seguindo orientação do próprio Lula, bloqueou a candidatura de Ciro à presidência.

Assim agindo, Luis Inácio considerou desnecessário o apoio do ex governador do Ceará a Dilma Roussef no segundo turno. Ciro vinha obtendo de 9 a 10% das intenções de voto e, naturalmente apoiaria a ex-chefe da Casa Civil. Lula terá razão ou cometeu um erro político de previsão? Terá minimizado a importância de Ciro no quadro da sucessão ou ele, de fato, não é importante?

As urnas vão responder à questão, já a partir do primeiro turno, pois, em represália, o candidato que foi sem nunca ter sido, reagiu afirmando que Serra está mais preparado que Dilma. Manchete principal de O Globo e O Estado de São Paulo, sábado passado.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Está evidente a mágoa que envolveu Ciro Gomes, que sabe que sua preterição, pelo próprio PSB, seguiu orientação do presidente da República. Reagiu em cima do lance pois como no belo título de Hélio Silva, a história não espera o amanhecer. Antes da alvorada de sábado, Ciro já destacava José Serra e abalava os alicerces de Dilma.

Lula, agora, tem pela frente dois adversários: Serra e Ciro.

Aliás três, ia esquecendo de Marina Silva. Dilma ficou contra todos.

O panorama inicialmente desenhado transformou-se de repente. E eu cada vez me convenço mais da certeza contido na afirmação de Magalhães Pinto: política é como a nuvem. Muda de forma e direção a qualquer instante. Quem de fato poderia prever que, de potencial correligionário, Ciro Gomes passaria a adversário do plano do Planalto? Isso porque, claramente, primeiro Lula convenceu Ciro a alterar seu endereço eleitoral para São Paulo.

Abriu-lhe alguma perspectiva de disputar, com o apoio do PT, o governo paulista. A reação do partido se fez sentir fortemente e Lula retirou sua equipe de campo. Indicou Aloísio Mercadante. O governo de são Paulo é um degrau para a presidência da República.

Ciro acreditou. Depois pensou no Senado. Aí surgiu com ampla base de votos a candidatura de Marta Suplicy. Ciro Gomes, então, cogitou finalmente em se candidatar a presidente, o que asseguraria o segundo turno e, no segundo turno, aí sem, caminharia ao lado de Dilma Roussef. De repente como no reino mágico de Oz, o sonho se desfez.

Desfez não. Foi desfeito pelo comando direto do próprio Lula. Ciro ficou sem estrada alguma, restando-lhe apenas, se desejar, concorrer a deputado federal novamente, desta vez por São Paulo. São acontecimentos como este que traduzem a impossibilidade de se fazer previsões no universo político.

A frase de Magalhães Pinto ressurge sempre e alterações de rumo ocorrem de maneira pouco previsível. Ou imprevisível. Quem poderia prever o suicídio de Vargas? A renúncia de Jânio? A deposição de João Goulart? A cassação de Lacerda pelo próprio movimento do qual, no início de 64, foi o principal líder?

Política é assim mesmo. Não levo a sério os que se apresentam como cientistas políticos, donos da verdade. A ciência, para início de conversa, não é como uma nuvem.

Pedro de Coutto/Tribuna da Imprensa

Serra afirma na web o que os fatos desmentem

Brasil: da série “Me engana que eu gosto”!

Serra celebra na web êxito que os fatos desmentem

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Na madrugada desta quarta (3), plugado ao computador, José Serra indicou a uma de suas seguidoras no twitter um vídeo.

Quem pressiona no link fornecido pelo governador, chega a uma entrevista que ele concedera ao Superpop, programa da apresentadora Luciana Gimenez.

Na peça (disponível aqui), Serra discorre sobre investimentos que seu governo fez no setor de segurança. Ele celebra o êxito.

No instante em que Serra dialogava no twitter, encontrava-se no prelo uma péssima notícia. Foi pendurada na manchete da Folha.

Informa que, depois de dez anos, cresceu o número de homicídios em São Paulo. Em 2009, foram à cova 4.771 pessoas.

Exatos 81 cadáveres a mais do que os 4.690 registrados nas estatísticas de 2008. Na capital, manteve-se a tendência de queda. Porém…

Porém, a coisa piorou nas cidades do interior e no litoral. Ali, os indicadores recuaram aos níveis de 2007.

Para desassossego de Serra, presidenciável do PSDB, reverteu-se também em 2009 a queda em outros tipos de crime: furtos e roubos, furtos de veículos.

Até aqui, o governo vinha atribuindo a redução generalizada nos índices de criminalidade de São Paulo ao reforço nos investimentos.

Instado a comentar a reversão do quadro, o delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto, não soube o que dizer.

Alegou que precisa reunir os delegados sob seu comando para analisar os dados que apontam para o aumento dos homicídios no interior do Estado.

De concreto, apenas uma evidência: a autopromoção que Serra protagonizara no SuperPop ganhou ares de superlero-lero.

Em tempos normais, já não seria coisa que os adversários deixariam passar em branco. Em ano de eleição, muito menos.

Que o diga o senador Aloisio Mercadante (PT-SP), nome preferido de Lula para assumir a candidatura do PT ao governo de São Paulo.

Como Serra, Mercadante é adepto do twitter. Horas antes de o governador indicar no microblog o vídeo que viraria fumaça, o líder petê também tratara de segurança.

Mercadante relatara: “Estive com integrantes da associação dos PMs com deficiência, que, assim como toda a polícia de SP, precisa de mais apoio e valorização”.

Criticara: “Dados de segurança pública de SP em 2009 são trágicos. Roubos cresceram 18% ante 2008, recorde histórico. Latrocínio 14%. Sequestro 42%”.

Acrescentara: “Mais de 528 mil furtos, aumento de 8%. São muitas razões, mas a desvalorização do policial é a principal”.

Sob esse cenário, o vídeo com a entrevista na qual Serra enaltece sua atuação na área de segurança vai acabar virando matéria-prima para os programas eleitorais petistas.

Marcello Casal/ABr
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Lula é o melhor ator, não sei se o melhor presidente.

Lula entre dois atos.
De Fernando Barros e Silva/Folha de S. Paulo

“Não tem nenhum [outro] grande líder. No Brasil hoje — e esse é um dado triste para o Brasil —, a única figura de dimensão nacional sou eu”. Quem fala é Lula. Está num jatinho que vai de Macapá a Belém, a cinco dias do segundo turno das eleições de 2002. A cena faz parte de “Entreatos“, o documentário dos bastidores da campanha petista, dirigido por João Moreira Salles e lançado em 2004.

Se o diagnóstico já estava certo, hoje parece ainda mais verdadeiro. Até por isso, enquanto a biografia romanceada de Lula, by Barretão, não chega às telas, não perde tempo quem se dispuser a assistir ao filme em que o próprio candidato representa seu personagem.

Hoje, o que mais chama a atenção em “Entreatos” é a capacidade que Lula teve de sobreviver a seus coadjuvantes. Praticamente todos encolheram ou foram banidos do poder. O protagonismo do presidente, em contrapartida, só aumentou.

É curioso rever Mercadante, o maior papagaio de pirata, usando a câmera como um espelho, no qual contempla seu ego irrevogável. Ou lembrar de Zé Dirceu, para quem a câmera parece sempre uma intrusa, pondo em risco segredos & negócios de Estado. Deu no que deu.

Palocci, Gushiken, Duda Mendonça, Silvinho Pereira, Frei Betto, Ricardo Kotscho — todos os que aparecem ao redor de Lula de alguma forma fizeram água. Dilma, na época, não existia politicamente. E Delúbio, que existia até demais, não surge em cena, quem sabe por isso.

Fica claro em “Entreatos” que Lula já tinha perfeita noção de seu tamanho histórico. Mas também fica patente que ninguém ali sabia bem o que iria fazer no governo.

De certa forma, o enredo da comunhão nacional que vivemos hoje, cuja síntese apoteótica está na figura do próprio Lula (o filho do Brasil), é uma criação do ator eclético e camaleônico que ele soube ser.

Quanto de ficção e quanto de realidade? Fernando Meirelles disse há pouco que “Lula é o melhor ator, não sei se o melhor presidente”. Na falta de um país, já temos um filme.

Lina Vieira, Dilma Rousseff, agendas e contradições

As contradições de Lina Vieira

A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, em seu depoimento no Senado, abriu flancos que enfraquecem sua versão e, consequentemente, fortalecem a da ministra Dilma Roussef sobre o suposto encontro que teriam tido no Palácio do Planalto para tratar do processo de investigação fiscal de Fernando Sarney.

Condensando tudo o que Lina Veira falou sobre data, é fácil concluir que o encontro teria ocorrido em dezembro. A peculiaridade desse mês permite poucas referências vagas de tempo: início, antes e depois do Natal. Só. Mas a ex-secretária não soube situar o encontro dentro dessas três referências.

Esse é o fato que chama mais a atenção, principalmente pela importância administrativa e política da sua suposta interlocutora.

A contradição marcante do depoimento foi o refrão ” eu não entro em juízo de valor sobre o comportamento da ministra”. Mas foi só o que ela fez. Aliás a confusão toda se deve à interpretação que Lina Vieira teve do suposto encontro.

Tecnicamente, o depoimento foi correto. Politicamente, o governo se atrapalhou e o senador Mercadante foi patético quando questionou como os fatos teriam chegado ao conhecimento dos repórteres, já que o encontro teria sido sigiloso. Mérito dos repórteres, senador, devido a uma coisa rara na política, mas muito comum no jornalismo: a competência profissional.

Mesmo com todas as dúvidas e contradições demonstradas por Lina Vieira, o saldo dela permanece positivo, confrontado com o histórico recente da ministra Dilma Roussef, rico de polêmicas, de dossiês versus bancos de dados, cursos inacabados e um poder muito grande delegado à assessora Erenice.

Dilma Roussef ocupa o cargo mais poderoso de todo ministério Lula e é candidata à presidência da República.

Lina Veira é uma técnica competente, imbuída de espírito público, que, como faz questão de dizer, não teria razão nenhuma para querer essa polêmica.

Comparando-se os dois currículos e as pretensões das duas personalidades desse confuso episódio, é desnecessário dizer quem já entra perdendo essa disputa.

blog do Moreno

Põe na conta do PT o acordão Sarney – Arthur Virgílio

A politicalha continua corroendo a petralha pelas entranhas com o auxílio generoso da bandalha do PMDB. Com o acordão feito com a tucanalha para livrar a cara de frango congelado do iracundo Arthur Virgílio.

Mas não fica somente nos bigodes do (argh!), Sarney e do (argh!) Mercadante.

Novamente dia sim dia não a enrolada Dilma, a Rousseff — após o ‘falso’ dossiê contra FHC, o falso, e como era falso meu (dela) currículo, não sei mais quantas outras trapalhadas —, agora vem o disse-me-disse sobre o encontro com a ex-secretrária da Receita Federal. Uma jura que existiu. A outra, usando o costumeiro “é mentira” da curriola petista, jura por todos os juros que nunca, nunquinha, pediu a dona Lina que desse uma “apressadinha “(?), nas investigações da ‘famiglia’ Sarney.

Lula, pra não perder a oportunidade de abrir a boca, tal e qual uma vidente mãe Dinah, garante que a Dilminha paz e amor nunca se encontrou com a referida senhora. Passará o apedeuta dia e noite, qual um xifópago, grudado à chefe da casa civil para fazer tal peremptória afirmação?

Caso não consigam culpar o mordomo vai sobrar pros Tupiniquins.

O editor

O PT no Senado continua tentando enganar o distinto público.

Sete ou oito dos 12 senadores de fato apoiaram a posição inicial do PT de cobrar o afastamento de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado.

Aí Lula deu uma prensa na bancada.

Aí alguns senadores, não se sabe quantos, recuaram.

Aí o líder Aloisio Mercadante (SP), para não ficar mal na foto, reafirmou a posição do PT em discurso que fez no Senado.

Mas aí o próprio Mercadante não designou os titulares do PT para o Conselho de Ética que pode julgar Sarney. Designou os suplentes. Desses, um é Lula até a morte – João Pedro (AM).

Os outros dois (Delcídio Amaral, do Mato Grosso do Sul, e Ideli Salvatti, de Santa Catarina) não querem votar no lugar dos titulares. Porque se votarem pelo desarquivamento de denúncias contra Sarney ficarão mal com Lula. Se votarem pelo não desarquivamento ficarão mal com a opinião pública.

Em resumo: bem que o PT, às vésperas de eleições, gostaria de dar um pontapé na bunda de Sarney. Mas cadê coragem para enfrentar Lula?

Sem os votos do PT, Sarney permanecerá onde está.

Essa é uma situação cômoda para a oposição. Ela jogará a culpa no PT. E incômoda para quem cobra uma limpeza no Senado.

blog do Noblat

Collor. “Aquilo” de volta à pocilga

Brasil: da série “só dói quando eu rio”

Será o tempo o senhor da razão? Ou da insensatez. De grão em grão, o marajá das Alagoas recupera espaço no bordel brasiliense, cujas “madames” não sentem o menor constrangimento em chafurdar no esgoto de suas (deles) convicções.

Mais que nunca, a quadrilha de Carlos Drummond de Andrade se materializa, não no amor de Pedro mas, sim, na indecência do leilão das almas vendidas. Entre galináceos e guabirus, Rui Barbosa enrubesce a erma aposta no plenário do Senado.

É preciso que tudo mude para que tudo continue como está.

O editor

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‘Senhor da razão’, o tempo impõe retorno de Collor

De tempos em tempos, o pensamento humano é submetido a reviravoltas insondáveis. Idéias e certezas do passado viram, de uma hora pra outra, lixo irreciclável.

Copérnico, por exemplo, esmigalhou a auto-estima da humanidade ao revelar que a Terra não é o centro do cosmo.

Ao pendurar o macaco na árvore genealógica do homem, Darwin não contribuiu para a restaurar-lhe o amor próprio.

Na política brasileira, os petistas costumavam alegar que seus antepassados não descendiam dos chimpanzés. Eram adotados.

A ascenção de Lula, porém, nivelou o petismo ao resto dos mortais. Ao menos no que diz respeito às perversões.

Assim é que, quando Renan Calheiros se encontrava com a guilhotina na jugular, o PT, à frente Ideli Salvatti, empenhou-se em salvá-lo. Salvou uma, duas vezes.

Agora, em franco desafio a Copérnico, um Renan redivivo converte-se em centro do cosmo. No Senado, Renan faz. Ali, Renan acontece.

Nesta quarta (4), Renan refez Fernando Collor, um desafeto do ex-PT. Converteu-o em presidente da comissão de Infraestrutura, derrotando Ideli.

Por um desses caprichos do destino, Ideli e Collor estavam “separados”, na mesa da comissão, apenas pelos fios do bigode de Aloizio Mercadante.

O mesmo Mercadante que, em passado nem tão remoto, atuara como torquemada na CPI que levara Collor ao impechment de 1992.

Numa evidência de que volta em grande estilo, Collor rendeu, à sua maneira, homenagens a Ideli. Disse nutrir por ela “o maior respeito”.

Afirmou que considera a senadora petista uma personagem agregadora. Uma “senadora que congrega, reúne, cisca para dentro”.

A imagem aviária deixou Mercadante abespinhado. Exigiu retratação. Foi atendido. Collor retirou a expressão. O que não modificou o resultado final.

Agora integrado ao consórcio que dá suporte congressual a Lula, o ex-amigo íntimo, muito íntimo, intimíssimo de PC Farias prevaleceu sobre Ideli por 13 votos contra dez.

Brasília vive uma dessas crises de autoconhecimento que costumam convulsionar a mente humana.

O ex-PT, por exemplo, procura desesperadamente as idéias do passado. Porta-se como um cachorro sem faro. Sob Lula, teve de esconder o osso. Mas esqueceu onde.

Lula Marques/Folha