Almandrade – Versos na tarde

Ponto de fuga
Almandrade ¹

Que indagação faz
o umbigo feminino
quando aparece entre
uma peça e outra
da veste?

Intimidade
sensualidade.

Nem mesmo
a musicalidade dos pêlos
é maior que o apelo
da cicatriz do nascimento.

¹ Antônio Luiz M. Andrade
* Salvador,BA.

É arquiteto, poeta e artista plástico baiano. Como artista plástico já participou de quatro bienais internacionais em São Paulo, além de várias outras exposições no país e no exterior. Editou em 74 a revista “Semiótica” e, seus poemas procuram dar às palavras intensidade plástica, forma. Publicou os livros “O Sacrifício dos Sentidos”, “Obscuridade do Riso”, “Poemas”, “Suor Noturno,” “Arquitetura de Algodão”.

Almandrade – Versos na tarde – 08/05/2016

Acrílico sobre papel
Almandrade ¹

O percurso dos séculos
espelha rugas
na geografia da pele
e atrai o silêncio
das notas musicais
os que vão nascer
não vão experimentar
o futuro
vão se render
ao presente.

Um encontro
de estórias
a escada reta
leva ao vazio
entre
o suor e o medo
um lugar no espelho.

Um nome em branco
revela mais de perto
o lugar,
esvazia o drama,
adormece a palavra.
Lembrança congelada
na pele.
Janelas entreabertas,
mas a luz não entra.

A professora sai da aula
voa na imaginação
com as asas
coloridas
de uma borboleta
um corpo na transparência
do erótico
um saber na fala
uma arquitetura feminina
como a chuva
molha o desejo
mas a água
fria
escorre apressada
foge
por labirintos indeciso

¹ Antonio Luiz M. Andrade
*Salvador,BA – 1953 d.C
É arquiteto, poeta e artista plástico


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Almandrade – Versos na tarde – 25/02/2015

Poema
Almandrade¹

O texto é o mesmo
repetição
um beijo pousa
uma saudade decola
o amor sugere
a incerteza se instala
indiferente
o vento passa
o olhar procura
na fresta da roupa
a pele oculta da mulher.

¹ Antônio Luiz M. Andrade


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Almandrade – Versos na tarde

A mulher
Almandrade ¹

Uma geografia
sempre a ser descoberta
obscura e secreta
como a solidão.

Em silêncio
a intimidade feminina
acende o mistério
que faz lembrar
o aroma dos devaneios
que transporta
o fim da tarde.

¹ Antônio Luiz M. Andrade
Salvador – BA
Poeta, Arquiteto, Artista Plástico, Mestre em Desenho Urbano


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Almandrade – Versos na tarde

O modelo
Almandrade ¹

Uma discreta marca de sol
repousa na pele clara
da mulher sem roupa
parada no atelier
do pintor que trabalha
fareja a beleza
desenha o que a luz
faz ver e sonhar.

Rebelde modelo
possuída pelo calor do sexo
foge e deixa a tela vazia
habitada por fantasmas.

¹ Antônio Luiz M. Andrade
Salvador – BA
Poeta, Arquiteto, Artista Plástico, Mestre em Desenho Urbano


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Almandrade – Versos na tarde

Poema
Almandrade ¹

O texto é o mesmo
repetição
um beijo pousa
uma saudade decola
o amor sugere
a incerteza se instala
indiferente
o vento passa
o olhar procura
na fresta da roupa
a pele oculta da mulher.

¹ Antônio Luiz M. Andrade
Salvador – BA
Poeta, Arquiteto, Artista Plástico, Mestre em Desenho Urbano


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Almandrade – Versos na tarde

Encontro
Almandrade ¹

O olho caça
na mata
abaixo do umbigo
um abrigo
secreta pátria
a língua avista
bem no centro
do jardim de pêlos
o lugar
caverna
doce e úmida.

*

Na falta de um cigarro,
O beijo toma conta
dos lábios.
Da boca, renasce o desejo.
Na língua, a umidade
lubrifica o amor.
Começo de tarde, curto,
sem gosto de chocolate,
mas molhado
de chuva e volúpia.

*

Quando o rasgo da roupa
deixa florescer
uma essência oculta
sublime é a pele
que se mostra
gentil é a natureza
com a mulher
que passa
livre e solitária
provocando quem a olha.

¹ Antônio Luiz M. Andrade
Salvador – BA
Poeta, Arquiteto, Artista Plástico, Mestre em Desenho Urbano


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Almandrade – Versos na Tarde

Uma foto do Natal
Almandrade ¹

No ar
a coreografia
de uma flauta
antigas velas
ainda acesas
velhas ceias
em preto e branco
esperando
a madrugada
e a festa

O natal se arrasta
Lentamente.

¹ Antônio Luiz M. Andrade

É arquiteto, poeta e artista plástico baiano. Como artista plástico já participou de quatro bienais internacionais em São Paulo, além de várias outras exposições no país e no exterior. Editou em 74 a revista “Semiótica” e, seus poemas procuram dar às palavras intensidade plástica, forma. Publicou os livros “O Sacrifício dos Sentidos”, “Obscuridade do Riso”, “Poemas”, “Suor Noturno,” “Arquitetura de Algodão”. É um dos grandes nomes brasileiros do poema visual.