Indústria do Açúcar manipula a Ciência

Estudos que relacionam o açúcar a doenças cardiovasculares chegaram a ser interrompidos no passado

saúde
A indústria do açúcar ocultou durante cerca de 50 anos estudos efetuados com animais que sugeriam os efeitos negativos que a sacarose tem na saúde.
Foto MARK R. CRISTINO EFE

Durante a história da humanidade morrer de câncer de pulmão era uma verdadeira raridade. No entanto, o consumo em massa de tabaco, que começou no final do século XIX, causou uma epidemia mundial. A relação entre o hábito de fumar e o câncer começou a ser demonstrada nos anos 40, e no final dos 50 as provas já eram irrefutáveis. Em 1960, porém, somente um terço dos médicos dos Estados Unidos acreditavam que o vínculo entre a doença e o tabagismo fosse real. Para essa confusão dos médicos e da população a ciência também contribuiu. Em 1954, o pesquisador Robert Hockett foi contratado pelo Comitê de Investigação da Indústria do Tabaco, dos EUA, para pôr em dúvida a solidez dos estudos sobre os malefícios dos cigarros.

Apesar dos esforços daquela indústria, a acumulação de provas conseguiu fazer com que a consciência sobre os perigos de fumar seja quase universal e que as campanhas tenham reduzido significativamente o número de fumantes. Mas o negócio do tabaco não é o único que manipulou a ciência para proteger seus lucros. Como o tabagismo, o consumo desenfreado de açúcar é um hábito doentio moderno. E embora a consciência sobre os danos do açúcar seja algo muito mais recente, parece que a própria indústria está ciente deles há muito tempo. De fato, Hockett, antes de buscar a proteção do tabaco por meio da confusão, tinha feito o mesmo com o açúcar. Nesse caso, ao não poder negar a relação entre a sacarose e as cáries, tentava promover intervenções de saúde pública que reduzissem os dados no açúcar em vez de restringir seu consumo.

Companhias como Pepsi deixaram de financiar estudos ao observar que podiam demonstrar o dano de seus produtos

Esta semana, uma equipe da qual participam Cristin Kearns e Stanton Glantz, pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco conhecidos por apontar as maracutaias do negócio açucareiro, recuperou antigos documentos que mostram sua forma de trabalhar. Segundo explicam em um artigo publicado na revista PLOS Biology, a Sugar Research Foundation (SRF), conhecida agora como Sugar Association, financiou em 1965 uma revisão no New England Journal of Medicine na qual eram descartados indícios que relacionavam o consumo de açúcar, os níveis de gordura no sangue e doenças cardíacas. Essa mesma fundação também realizou estudos em animais em 1970 para analisar esses vínculos. Seus resultados encontraram um maior nível de colesterol em ratos alimentados com açúcar em relação a outros alimentados com amido, uma diferença que atribuíam a distintas reações dos micróbios de seu intestino. Quando a SRF conheceu os dados, que indicavam uma relação entre o consumo de açúcar e as doenças cardíacas, e até um maior risco de câncer de bexiga, interrompeu as pesquisas e nunca publicou seus resultados.

Glatz e seus colegas comentam que este tipo de trabalho propagandístico, direcionado a semear dúvidas sobre qualquer relação entre o consumo de sacarose e as doenças crônicas, continua hoje. Como exemplo citam uma nota à imprensa divulgada pela Sugar Association em 2016 como resposta a um estudo publicado na revisa Cancer Research. Nela, eram questionados os dados obtidos por uma equipe do Centro para o Câncer MD Anderson da Universidade do Texas, nos quais se observou em ratos que o consumo de açúcar favorecia o crescimento de tumores e a metástase.

Estratégias em vigor

As estratégias da indústria açucareira do passado continuam vigentes. Como quando Hockett propunha mitigar o impacto do consumo do açúcar nas cáries sem reduzir seu consumo, hoje, empresas como a Coca-Cola focam na necessidade de se fazer exercícios para reduzir a obesidade, deixando de lado a de diminuir o consumo de açúcar.

Em uma entrevista a El País, Dana Small, uma cientista da Universidade Yale que trabalha para entender a maneira como o entorno moderno, desde a alimentação à poluição, favorece a obesidade, comentou sua experiência colaborando com a Pepsi. Apesar de reconhecer que os dirigentes da empresa tinham boas intenções quando começaram a financiar projetos sobre alimentação e saúde, conta que tudo andou bem até que tiveram “resultados que indicavam que seus produtos poderiam estar causando danos”. Não podiam assumir que conheciam os perigos de seus produtos para a saúde porque essa informação poderia ser utilizada contra eles em futuras ações judiciais. “Deixaram de financiar-me na semana seguinte e confiscaram os computadores dos cientistas com os quais estava trabalhando”, relatou.

Glanz considera que a atitude das entidades açucareiras “questiona os estudos financiados pela indústria do açúcar como uma fonte confiável de informação para a elaboração de políticas públicas”. Small, no entanto, considera que a indústria do açúcar e a da alimentação em geral são grandes demais para serem ignoradas. Em sua opinião é necessário buscar meios de proteger este tipo de colaboração de tal maneira que ambas as partes possam trabalhar de forma honesta “sem ter que se preocupar com segredos comerciais ou ser alvo de ações judiciais”.

Hortas Urbanas

Annie Novak, uma agricultora no telhadoAnnie Novak, uma agricultora no telhado

Ela pertence a uma nova geração de agricultores urbanos que não quis se isolar do mundo em uma propriedade longe da cidade

Se Karen Blixen tinha “uma fazenda na África, ao pé das colinas de Ngong” –o que era totalmente possível–, Annie Novak possui sua fazenda orgânica particular em um terraço de Eagle Street, no bairro nova-iorquino do Brooklyn, a cinco andares de altura – o que não deixa de ser surpreendente.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
O chamado da terra – “a minha epifania”, como diz, não chegou a Novak no território americano, mas em Gana, onde estava realizando um projeto de tese universitária sobre chocolate, agricultura e desenvolvimento, sendo “chocolate” a palavra-chave.

Um colega de classe se ofereceu então para mostrar a ela a plantação de cacau do pai, “que, além de homem de negócios, era o sacerdote vodu da aldeia”, lembra a jovem de 34 anos –que aparenta 25.

Novak conta que depois de mais de três horas de caminhada sob o sol começou a ficar impaciente –“mas não a me queixar, hein! Sou católica!”– pois não via nenhum rastro do desejado chocolate, e perguntou quanto faltava para chegar. “Aí está ele”, foi a resposta tranquila do anfitrião. O chocolate estava diante dos seus olhos, ao seu redor, plantado em toda a colina e além de onde a vista alcançava. Mas ela não o via. Não podia vê-lo.

“Foi a primeira vez que pensei que não sabia de onde vinha a comida”, confessa Novak. “Percebi que nunca tinha visto uma semente ou a árvore do cacau. Foi como uma iluminação que se tornou uma obsessão”.

Por incrível que pareça, os membros das novas gerações urbanas nos Estados Unidos não tiveram acesso a frutas ou verduras frescas –de preços absurdos. São milhares e milhares de pessoas que não relacionam uma maçã a uma árvore, que acreditam que os já aspargos crescem com o elástico em torno do maço, tudo limpinho de terra.

Embora hoje esteja em Madri dando uma palestra por ser pioneira no cultivo em larga escala nos telhados dos edifícios, as mãos de Novak mostram os efeitos de passar muito tempo trabalhando a terra. E isso a faz feliz.

Seu lema é que qualquer um pode fazer uma horta em um telhado. Hoje, em Nova York, devem existir mais de 900 hortas nas alturas. E fornece um dado sobre a Europa: “Em Munique, os novos edifícios devem reservar espaço no telhado para uma horta”.

Novak escapa ao rótulo que qualifica essas iniciativas de “moda”. “É um movimento global”, afirma. E não é novo. Desde os jardins da Babilônia, cinco séculos antes de Cristo, até as “hortas para pobres” nas cidades industriais do século XIX, por prazer ou necessidade, a agricultura entrou nas áreas urbanas.
Yolanda Monge/El País

“O pão branco é uma bomba que estamos dando às pessoas”

Professor visitante de Harvard, Miguel Ángel Martínez-González alerta sobre as táticas agressivas de algumas empresas de alimentos.

Martínez-González, no campus do IESE Business School de Barcelona, em janeiro passado
Martínez-González, no campus do IESE Business School de Barcelona, em janeiro passado VANESSA MONTERO

Demora-se menos de dois minutos para se dar conta de que o doutor espanhol Miguel Ángel Martínez-González ensina pelo exemplo. Ele sobe a pé as escadas da faculdade até o segundo andar, onde dá aula de bioestatística a futuros médicos, toma o café sem açúcar e, em um cardápio de restaurante que oferece como opções lentilhas, massa e carne, escolhe sem hesitar os grãos. Está há mais de duas décadas em busca de evidências científicas para respaldar as benesses atribuídas pela tradição à dieta mediterrânea.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O catedrático de Saúde Pública da Universidade de Navarra, e desde junho também professor visitante de Harvard, é um dos cérebros do relatório Predimed, o mais amplo realizado até agora sobre os efeitos da dieta mediterrânea, originária do sul da Europa: o acompanhamento de um coorte formado por 7.500 participantes recrutados em toda a Espanha durante uma década demonstrou que esta reduz em 66% os problemas circulatórios, em 30% os infartos e derrames e em 68% o risco de câncer de mama.

“O pão branco é um dos principais problemas que temos. Quando já se tem sobrepeso é uma bomba”

No corredor ao lado de sua sala no campus de Pamplona, onde é realizada esta entrevista, estão pregados em uma cortiça os trabalhos que seu departamento publicou recentemente em revistas científicas. “É o muro da autoestima”, brinca. O médico malaguenho, de 59 anos, colabora desde os anos noventa com diversas pesquisas da Escola de Saúde Pública de Harvard, referência mundial em nutrição. Dali tirou a inspiração e os conhecimentos para contribuir para criar não só o projeto Predimed —suas descobertas já estão incluídas nos guias nutricionais oficiais dos Estados Unidos— como também o SUN, um programa no qual mais de 22.000 pessoas, 50% delas profissionais de saúde, colocaram à disposição dos pesquisadores —de forma continuada desde 1999— dados sobre sua saúde e estilo de vida que serviram para dezenas de trabalhos de pesquisa. Também começou recentemente outro projeto, Predimed Plus, que tenta demonstrar por meio do acompanhamento de quase 7.000 pacientes obesos durante quatro anos que com a dieta mediterrânea melhorarão sua dieta, aumentarão sua atividade física e perderão peso.

Já é um fato científico: a dieta mediterrânea é saudável. Então, por que há tanto sobrepeso nesses países? Muita gente diz que conhece e segue a dieta mediterrânea. Mas a realidade é que as gerações jovens incorporaram a dieta norte-americana. Come-se carne vermelha e processada demais. Não quero dizer que temos de nos tornar vegetarianos. Mas a evidência científica indica que, à medida que aumenta a porcentagem de proteínas vegetais sobre as animais, cai brutalmente a mortalidade cardiovascular e por câncer. A dieta mediterrânea, sobretudo o consumo de azeite de oliva extra-virgem, frutas secas, frutas, verduras e legumes, é a melhor opção. Depois, melhor comer peixe do que carne e, esta, preferencialmente de aves ou coelho. Também convém reduzir o consumo de açúcar e sal, e levar uma vida menos sedentária. Usar mais as escadas e menos o elevador.

Por que é tão difícil emagrecer?

Primeiro, porque é preciso ter muita força de vontade para perder quilos e não recuperá-los. Mas é que, além disso, certa indústria alimentícia exerce grande pressão para colocar muitos alimentos a nossa disposição a toda hora, a um custo muito baixo e em grandes quantidades. O que está mais acessível nas prateleiras dos supermercados? Alimentos ultraprocessados, com grande densidade energética, porque têm muita gordura, açúcar e sal, às vezes contra a natureza do produto, como acontece com o ketchup. O que ele tem a ver com molho de tomate? E é vendido e consumido em quantidades industriais. Além disso, as porções grandes e baratas incham as pessoas. Vivemos em uma cultura de sobrealimentação. As opções mais saudáveis deveriam estar mais disponíveis.

Por mais que a indústria queira tentar as pessoas, elas sabem que tudo isso não é muito saudável. Ninguém as obriga a comer.

“Algumas empresas alimentícias usaram táticas similares às usadas pela indústria do tabaco”

A maior parte das escolhas que fazemos não são muito racionais. O economista Richard H. Thaler, referência na teoria das finanças comportamentais, e Cass R. Sunstein, outro especialista em economia comportamental, explicam isso muito bem em um de meus livros favoritos, O empurrão para a escolha certa (Ed. Campus). As pessoas costumam optar pela decisão mais fácil, e há um certo tipo de indústria que lhes dá esse empurrãozinho. Por isso, acredito que é preciso tornar o saudável mais acessível, dar pistas de que se deve escolher para comer bem. São estratégias de saúde pública para construir uma sociedade mais saudável. De tal maneira que, como padrão, lhe ofereçam pão integral. O suco, sem açúcar. Thaler e Sustein chamam isso de paternalismo libertário. As pessoas devem ser livres para escolher, mas acredito que é preciso informar e proteger contra escolhas impensadas e prejudiciais. Sem forçar. Isso é o que ensino em medicina preventiva.

O Governo espanhol acaba de anunciar a criação de um imposto que penaliza o consumo de refrigerantes. O que o sr. acha?

Sou partidário de que se subvencione o azeite de oliva extra-virgem, as frutas e as verduras e que se sobretaxe o consumo de carne vermelha e processada, as trash foods e as bebidas açucaradas. Assim se lança uma mensagem clara do que é sadio ou não.

O sr. falava antes do pão. Faz parte da dieta mediterrânea?

Debatemos muito sobre esse tema. A conclusão a que chegamos é que o pão branco é um dos problemas mais graves que temos na Espanha. A grande maioria o consome e assim engorda. É preciso saber que é fundamentalmente um amido, e nosso corpo é super eficiente em transformar amido em açúcar. É como tomar glicose. Basta colocar um pouco de miolo na boca e na hora se sente um gosto doce. E por que a indústria se incomoda de tirar o grão integral? Porque as farinhas refinadas aguentam melhor. São muito úteis comercialmente, mas tira-se delas a parte mais nutritiva e que permite que os açúcares sejam absorvidos mais lentamente. Estamos dando às pessoas, com o pão branco, um combustível de rápida absorção. E isso, especialmente quando já se tem sobrepeso, certa resistência a insulina, é uma bomba. Seria preciso consumir menos e, preferencialmente, integral.

Proliferam agora os livros sobre as diversas teorias de que alimentos engordam mais ou menos. Que as gorduras não são tão ruins como se pensava e o açúcar é a razão da epidemia de obesidade e diabetes. O que é pior, o açúcar ou as gorduras?

O açúcar é um grande problema. É acrescentado em grandes quantidades aos refrigerantes, sucos e produtos engarrafados. As crianças se acostumam a esses sabores super doces e, claro, depois não querem comer uma pera. Mas, ao mesmo tempo, está demonstrado que a gordura saturada tem um efeito negativo sobre a doença cardiovascular. Tanto as gorduras como o açúcar podem ser problemáticos.

A indústria diz que não se pode demonizar alimentos, que é preciso comer de tudo.

Não se demonstrou cientificamente que comer uma ampla variedade de alimentos seja melhor do que restringir alguns. Mas o que interessa dizer para o produtor de carne bovina? Que não há que demonizar nenhum alimento. A indústria tem muito mais recursos do que as autoridades de saúde pública para lançar essas mensagens. Já aconteceu antes. Algumas empresas de alimentação usaram táticas similares às usadas pela indústria de tabaco. Como pagar cientistas para dizer que o tabaco não prejudicava a saúde tanto quanto se acreditava. Chegou-se a dizer que o câncer de pulmão inicial era resultado do desejo de fumar para acalmar a dor. Também se usou dinheiro para desprestigiar os epidemiologistas que trabalham em nutrição.

Comparar a indústria alimentícia à de cigarro não é um pouco exagerado?

Há dois anos publicou-se um relatório na PLoS Medicine com os documentos internos da indústria do açúcar nos anos cinquenta e sessenta. Ali se constata que se sabia perfeitamente que era a causa das cáries dentárias. Naqueles documentos internos se detalha como pagaram a cientistas para que semeassem a dúvida, sobretudo o que pudesse prejudicá-los. Os especialistas em marketing que aconselhavam as empresas açucareiras foram contratados depois pelas de tabaco, que imitaram essas estratégias. Em contrapartida, é preciso destacar que nos últimos anos houve movimentos responsáveis dentro da própria indústria alimentícia para retirar as gorduras trans [as mais prejudiciais] de seus produtos, usar adoçantes não calóricos e reduzir a quantidade de sal.

“Só na presença de uma dieta não saudável é que a genética se relaciona à obesidade. Sem dúvida, o papel dos pais é chave”

O sr. aceitou dinheiro da indústria?

Duas vezes. A primeira, em um momento em que nos negaram todos os fundos e a coorte SUN dedicada ao estudo dos hábitos alimentares correu risco de desaparecer. Aceitamos uma oferta da Danone para analisar os efeitos metabólicos do iogurte sobre a obesidade. Foram cerca de 40.000 euros em 2013 (cerca de 130 mil reais hoje). Concluímos que o consumo de iogurte reduzia o risco de obesidade, mas também dissemos que o consumo de frutas reduzia ainda mais. Depois de publicar o estudo, encerramos nossa colaboração com eles e lhes pedi que não me ligassem mais.

Foi publicado o que se quis, por que recusá-los?

É uma pressão muito sutil. Convidaram-me para um simpósio em Boston para falar de nossas descobertas sobre o iogurte. Não gosto de aparecer em um congresso de mãos dadas com uma indústria real. Considero que é melhor para todos os pesquisadores que sejam independentes.

Não recebeu dinheiro dos produtos de azeite de oliva?

Não. A segunda vez foi o Conselho Internacional de Frutas Secas quem nos pagou. Participamos de uma chamada pública competitiva para financiar o Predimed Plus porque distribuíamos frutas secas entre os participantes. Obtivemos um projeto de 50.000 euros (cerca de 164 mil reais) para dois anos, menos de 3% do dinheiro que recebemos nessa época. Agora, o total de nosso financiamento é público: fundos norte-americanos, espanhóis e europeus.

“O pão branco é uma bomba que estamos dando às pessoas”
Martínez-González, no campus do IESE Business School de Barcelona, em janeiro passado VANESSA MONTERO
 Há pesquisadores que aceitam dinheiro da indústria.

É um assunto delicado. Em 2013, nosso trabalho publicado no PLoS Medicineconcluía que era cinco vezes mais provável que os estudos realizados com financiamento de certa indústria concluíssem em favor dessas empresas. Também é interessante contrastar com qualquer estudo que tenha recebido dinheiro de empresas de alimentos com outros independentes e compará-los. Não se pode confiar apenas em pesquisas financiadas pelos interessados. Não se pode ser juiz e parte envolvida. Outra possibilidade seria a indústria aportar esse capital a um fundo anônimo e que não tivesse capacidade para decidir que projetos serão financiados. Ao mesmo tempo, as agências públicas teriam de incrementar seus investimentos em epidemiologia nutricional. A alimentação interessa a toda a população.

A obesidade já é uma epidemia de alcance global.

É a grande pandemia do século XXI, e vai provocar o fato insólito de que nas sociedades desenvolvidas retrocedamos em expectativa de vida. Nos Estados Unidos acabamos de saber que já aconteceu. Um macroestudo recente realizado em Israel mostra que até as pessoas cujo peso está dentro da normalidade, mas na parte superior, resvalando no sobrepeso, sem ser ainda obesos, têm um risco maior de mortalidade cardiovascular. A OMS associa a obesidade a 15 tipos de câncer. Isso tem um impacto na qualidade de vida. Por isso estamos fazendo o estudo Predimed Plus, para ver se com a dieta mediterrânea não ficamos apenas mais sadios, mas também mais magros.

A obesidade é genética?

É hereditária, porque os costumes podem passar de pais para filhos, mas o componente genético não explica a pandemia atual. Em Harvard foi feito um estudo muito interessante em 2012: pegaram 32 genes relacionados à obesidade e viram o que acontecia quando se tomava bebidas açucaradas. Se essas bebidas não eram consumidos, a genética não previa nada. É muito claro. Só na presença de uma dieta não saudável a genética se relaciona com obesidade. Sem dúvida, o papel dos pais é chave, e também o da escola, dos profissionais de saúde, da mídia e da cultura de entretenimento.

Até onde pode chegar a medicina preventiva?

Comecei a me formar como cardiologista, mas logo me dei conta de que gostava de atuar antes, na epidemiologia, nos grandes números. Nos anos noventa, a medicina preventiva era insignificante na Espanha. Foi ganhando prestígio graças à medicina baseada na evidência científica. Antes o médico se fiava em sua inspiração, em seu olho clínico, em sua experiência. Agora há pesquisas que afirmam que depois de estudar 10.000 pacientes isso é o que costuma acontecer. A linguagem da medicina mudou.

Costumava-se dizer que um bom médico era alguém mais velho, com experiência.

Era uma visão subjetiva. Agora há uma base mais objetiva, quantificada, rigorosa, científica, mas nunca deve faltar o afeto humano ao paciente e a atenção personalizada.

Não podemos acabar ficando obcecados com a prevenção?

As pessoas confundem a medicina preventiva com os tratamentos precoces e os exames. Mas o principal é o estilo de vida e a dieta. A vida é simples, pelo menos na teoria: não fumar, permanecer magro, fazer atividades físicas, comer de forma saudável e controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicose. Se essas coisas estão sob controle, a mortalidade cardiovascular se reduz em 76%.

Hoje em dia, com um simples exame de sangue ou saliva, é possível prognosticar um câncer em uma pessoa totalmente saudável.

Essa medicina preventiva tem aplicações que são favas contadas. Mas muito pouca gente que pode se beneficiar atualmente. Não há recursos. Ao mesmo tempo, comer mais lentilhas e menos carne está ao alcance de toda a população agora mesmo.

Há um empenho em fazer com que as pessoas vivam muito mais anos.

A qualidade de vida é fundamental. E muito disso se perde com as doenças neurodegenerativas. Estamos pesquisando o efeito da dieta mediterrânea em demências como Alzheimer e Parkinson e começamos a ver que também é benéfico. Calculo que em um anos serão publicados os resultados. Acredito que será uma bomba.
Cristina Galindo

Alimentação: o açúcar que você não vê

As fotos que mostram o açúcar oculto em sua comidaAs fotos que mostram o açúcar oculto em sua comida

Projeto denuncia a quantidade de açúcar presente em produtos industrializados

Aviso: um iogurte “de frutas” pode conter até quatro cubos de açúcar.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Um iogurte de frutas da marca Danone “0%” tem quatro cubos de açúcar. Uma caixa de 200 mililitros de molho de tomate, a mesma quantidade. Um copo de suco “veggie”, sete cubos. E um café Mocha Branco Venti do Starbucks, com chantili e calda de chocolate, a prodigiosa quantidade de 20 cubos de açúcar.

Quando consumimos qualquer um desses alimentos, raramente temos ideia da grande quantidade de açúcar que estamos ingerindo, açúcar que pode criar dependência e cujo abuso leva ao excesso de peso, diabetes, cárie dentária ou risco cardiovascular. Ou não lemos os rótulos onde a quantidade é indicada, ou não entendemos exatamente as quantidades indicadas.

Essa cegueira é o que levou Antonio Rodríguez Estrada a criar o SinAzúcar.org, uma iniciativa para divulgar imagens nas quais os produtos são acompanhados pela quantidade de açúcar que contêm, medida em uma unidade familiar e compreensível para todos: o cubo de açúcar.

“Uma das causas da atual epidemia de obesidade é o abuso de produtos industrializados na alimentação diária”, afirma este fotógrafo, entusiasta da alimentação saudável. “O SinAzúcar.org pretende visualizar o açúcar oculto nesses alimentos processados de uma forma simples e gráfica para que possam ser facilmente compartilhados por meio das redes sociais. É meu grãozinho de areia para melhorar os hábitos de consumo.”

Embora a ideia não seja muito original — o site norte-americano Sugar Stacks e a conta de Instagram @dealerdesucre vêm fazendo algo semelhante há um tempo—, o projeto apresenta duas novidades: os produtos são vendidos no mercado espanhol e as imagens, brilhantes e polidas, imitam deliberadamente a estética publicitária com a qual costumam ser anunciados. “A indústria alimentícia apresenta seus produtos de forma brilhante para seduzir o consumidor. Se quisermos lutar contra este marketing, devemos ser capazes de nos nivelarmos a eles e usar suas próprias armas para criar imagens atraentes que comuniquem de forma eficaz”, disse o fotógrafo, que terminou há alguns meses um curso de nutrição esportiva no Instituto de Ciências da Nutrição e Saúde.

Rodríguez Estrada começou postando fotos de produtos com grandes quantidades de açúcar, tais como bebidas açucaradas. Mas então percebeu que os alimentos que mais surpreendiam eram aqueles nos quais este ingrediente é mais inesperado, como um molho de tomate ou iogurte para bebês. Por isso, decidiu dar prioridade à denúncia desse tipo de alimentos em relação aos que o consumidor baixa a guarda mais facilmente, especialmente quando alegam ser saudáveis, como “0%”, ou são recomendados por sociedades médicas sem muitos escrúpulos.

Para calcular a quantidade de açúcar, o fotógrafo utiliza a informação fornecida pelo próprio fabricante no rótulo. No caso de alimentos mais genéricos como torradas, bolo de queijo, donuts de chocolate ou doces, escolhe uma marca de referência e aplica o mesmo padrão. Cada um dos cubos de açúcar das fotos pesa quatro gramas.

Algumas imagens da iniciativa nos levam a pensar duas vezes antes de dar certos alimentos prontos para crianças ou ingerirmos uma bebida “energética”, alguns biscoitos ou cereais. Mas como nos tornamos tão insensíveis a tais quantidades de sacarose? “Uma das consequências do abuso do açúcar é o aumento do limiar de sabor doce”, explica Rodríguez Estrada. “Precisamos cada vez mais para que o sabor nos agrade. Se educamos nosso paladar desde pequenos com vitaminas, iogurtes açucarados ou refrigerantes, quando somos adultos um café com 20 com cubos de açúcar parece delicioso.”

Como era previsível, o SinAzúcar.org tem sido apoiado por vários nutricionistas nas redes sociais, os quais o fotógrafo espera ajudar na luta por uma melhor alimentação e contra as práticas nocivas da indústria de alimentos. Por outro lado, entre as marcas representadas nas imagens, por enquanto reina o silêncio. “Nenhuma ainda me contatou”, disse Rodríguez Estrada, ironicamente, “mas, cada vez que entro no Starbucks, noto que fazem cara feia”.
El Pais

Diabetes e dietas

Uma nova dieta com pequenos ciclos de jejum consegue fazer o pâncreas afetado pelo diabetes recuperar suas funções, afirmam pesquisadores americanos.

Teste de glicemiaDireito de imagemSPL
O diabetes surge com a destruição das células beta do pâncreas, órgão responsável pela produção de insulina e pelo controle do açúcar no sangue

Experimentos com cobaias mostraram que quando o órgão – que ajuda a controlar a taxa de açúcar no organismo – se regenerou, os sintomas da doença desapareceram.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O estudo, feito por um grupo da Universidade do Sul da Califórnia, foi publicado na revista científica Cell.

Segundo os cientistas, a dieta consegue “reiniciar” o corpo e a descoberta é “potencialmente animadora” porque pode converter-se num novo tratamento do diabetes.

Eles afirmam, no entanto, que as pessoas não devem experimentar a dieta sem acompanhamento médico.

No experimento, ratos foram submetidos a um “regime que simula o jejum”, explicam os pesquisadores.

Durante cinco dias, as cobaias receberam alimentos com poucas calorias, poucas proteínas, pobres em carboidratos e ricos em gordura insaturada como azeite de oliva, óleo de milho e de canola, castanha do Pará, amêndoa, salmão, sementes de linhaça e abacate, entre outros.

É um regime parecido com uma dieta vegetariana à base de nozes e sopas – mas com 800 a 1.100 calorias diárias.

Depois, as cobaias passaram 25 dias comendo de tudo, sem restrições.

Estudos anteriores já haviam indicado que esta dieta pode também retardar o ritmo do envelhecimento.

Prato saudávelDireito de imagemTHINKSTOCK
A dieta testada pelos pesquisadores americanos não deve ser seguida sem a supervisão de um médico

Reprogramação

Os ratos submetidos ao experimentos apresentaram regeneração em um tipo especial de célula no pâncreas: as células beta.

São elas que detectam o açúcar no sangue e, se este nível estiver muito alto, liberam insulina, o hormônio que pode controlá-lo.

“Nossa conclusão é de que ao levarmos os ratos a um estado extremo e trazê-los de volta – ou seja, ao deixá-los famintos e depois alimentá-los novamente – as células no pâncreas são levadas a uma reprogramação, que recupera parte do órgão que não estava mais funcionando”, disse Valter Longo, um dos participantes do estudo.

O testes com ratos tiveram bons resultados tanto para diabetes do tipo 1 como para o tipo 2.

O tipo 1, ou diabetes mellitus, é caracaterizado pela destruição parcial ou total das células beta do pâncreas, que resulta na incapacidade progressiva de o organismo produzir insulina.

Este tipo aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também. É sempre tratado com insulina, medicamentos, dieta e atividades físicas para ajudar a controlar o nível de glicose no sangue.

Já o tipo 2 se manifesta mais frequentemente em adultos, e está associado principalmente a um estilo de vida que faz com que o organismo não consiga usar adequadamente a insulina que produz ou deixe de produzir insulina suficiente para controlar a taxa de glicemia.

Cerca de 90% das pessoas com diabetes têm o tipo 2, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes.

Dependendo da gravidade, a doença pode ser controlada com atividade física e planejamento alimentar. Em outros casos, exige o uso de insulina e outros medicamentos.

“Em termos médicos, estas descobertas são potencialmente muito importantes porque mostramos – em modelos com ratos – que se pode usar a dieta para reverter os sintomas da diabete”, diz Longo.

“Em termos científicos, as descobertas talvez sejam ainda mais importantes porque mostramos a dieta pode servir para reprogramar as células sem que se tenha de fazer nenhuma alteração genética nelas.”

Peter Bowes
O repórter Peter Bowes testou a dieta com ciclos de jejum

Como é a dieta?

O repórter Peter Bowes, da BBC, participou de uma experiência com o Dr. Valter Longo. “Durante cada ciclo de cinco dias de jejum eu comia um quarto da quantidade que as pessoas consomem em média e perdi entre dois e quatro quilos”, explica.

“Antes de fazer o ciclo seguinte de jejum, os 25 dias em que comi normalmente devolveram o meu peso original. Mas nem todas as consequências da dieta sumiram tão rapidamente.”

A pressão sanguínea de Bowes baixou, assim como o hormônio IGF-1, que está relacionado a alguns tipos de câncer.

“As refeições muito pequenas que eu fiz durante os cinco dias de jejum não tinham nada de gourmet, mas eu ficava feliz de ter algo para comer”, relembra.

Para saber se a dieta pode ajudar também o ser humano, os cientistas a aplicaram em 71 pessoas durante três meses e constataram melhora do nível de açúcar no sangue delas.

No entanto, Valter Longo diz que as pessoas não devem se apressar em adotar o novo regime. “Não é uma boa ideia tentar isso em casa. A dieta é muito mais sofisticada do que se imagina.”

Ele adverte que as pessoas podem “ter problemas” de saúde se fizerem o regime sem supervisão médica.

Segundo Emily Burns, da organização britânica Diabetes UK, a notícia é “potencialmente muito boa, mas precisamos ver se os resultados são verdadeiros para os seres humanos antes de sabermos o que significam para os diabéticos”.

“Pacientes com diabetes dos tipos 1 e 2 vão se beneficiariam imensamente de tratamentos que possam reparar ou regenerar as células produtoras de insulina no pâncreas”, afirma.

BBC

A pegada da agricultura orgânica

Jornalista comenta polêmica após reportagem “Deixe de comprar comida orgânica se quiser salvar o planeta”

Feira na cidade Síria de Idlib.Feira na cidade Síria de Idlib. OMAR HAJ KADOUR AFP

O EL PAÍS publicou no sábado passado, em sua edição impressa, um artigo — “Deixe de comprar comida orgânica se quiser salvar o planeta”, escrito por Kristin Suleng — no qual se acusava esse tipo de tipo cultivo de representar uma ameaça muito maior para a conservação do planeta do que a agricultura convencional. O artigo foi reproduzido no site do jornal em espanhol e traduzido ao português para ser publicado, na última segunda-feira, na edição online brasileira, onde provocou um grande rebuliço. Algumas reclamações de leitores brasileiros chegaram por email à minha caixa de entrada, e muitas outras à redação de São Paulo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”] 

Henrique Kugler, jornalista, especialista em ciências ambientais e leitor da edição brasileira do EL PAÍS, me enviou uma longa mensagem que vou resumir: “A principal fonte que embasa o texto [de Kristin Suleng] é o engenheiro agrônomo Marco Antonio Oltra […], fundador do Orcelis Grupo, nada menos que uma empresa atuante no setor de tecnologia agrícola. Leia-se, agronegócio. Basta checar o currículo dele no LinkedIn. É um conflito de interesse flagrante.” Esse leitor expressa uma dúvida quanto à “ingenuidade” ou “incompetência” da autora do texto e lhe recomenda a leitura de um artigo publicado no início de 2016 na revista Nature Plants que sustenta teses diferentes das do artigo de Suleng. “Publicar um artigo assim é como cuspir na cara de seus leitores”, acrescenta Kugler.

Outro leitor brasileiro, Juliano Hojah, se refere nos seguintes termos ao artigo que leu no site do jornal: “Como uma jornalista do EL PAÍS pode dizer que deixemos de comprar alimentos orgânicos se quisermos salvar o planeta!? É uma loucura!!!! […] No Brasil, já houve muita repercussão negativa nos grupos dos quais participo…. Como podem permitir que artigos como este sejam publicados no EL PAÍS?”.

Kristin Suleng, colaboradora regular do jornal, defende seu artigo e responde o seguinte aos leitores:

“Entre os especialistas consultados, esta jornalista selecionou como fonte de informação o senhor Marco Antonio Oltra Cámara como especialista na área de agricultura, com experiência em ambos os tipos de agroprodução (orgânica e convencional), a fim de fornecer avaliações baseadas na experiência profissional de alguém considerado uma referência no assunto. Oltra é doutor em engenharia agronômica, com mais de 20 anos de experiência em agricultura. Pioneiro no cálculo da pegada hídrica e na agricultura via satélite, é professor-associado de biologia vegetal na Universidade de Alicante, cujo cargo corresponde ao de um reconhecido profissional cujo trabalho principal é realizado fora do âmbito universitário. É fundador da empresa Orcelis Grupo, como consta em seu perfil público do LinkedIn, dedicada ao desenvolvimento de um sistema de apoio na tomada de decisões agrícolas por meio da Orcelis Fitocontrol, da qual a empresa recebe 100% das receitas. Oltra afirma não defender qualquer interesse particular a favor ou contra qualquer tipo de agricultura. A Orcelis Fitocontrol acompanha a tomada de decisões tanto na agricultura convencional quanto na orgânica, já que entre seus clientes estão empresas de produção orgânica, algo que, reconhece Oltra, não é incompatível com sua opinião científica sobre a questão abordada no artigo.

“Como alerta outro dos especialistas consultados, o bioquímico José Miguel Mulet, professor e pesquisador do Instituto de Biologia Molecular e Celular de Plantas (IBMCP), centro misto subordinado ao CSIC [Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha] e à Universidade Politécnica de Valência, não se comete nenhuma falha ao entrevistar um especialista em agricultura para falar de um tema agrícola, já que seria prepotente, além de faltar com a realidade da atividade agrícola, dar a entender que os únicos autorizados a expressar suas avaliações na imprensa procedam exclusivamente do mundo acadêmico.

“As afirmações expostas no artigo se sustentam em pesquisas baseadas no método científico. Não se trata de opiniões, e sim de dados, provas e resultados, como contribuem os estudos da Nature e da Universidade Cornell. Como aponta Emilio Montesinos, catedrático de Patologia Vegetal na Universidade de Girona, o artigo citado pelo leitor se contrapõe a uma robusta meta-análise na Nature, com aparência mais de artigo de opinião do que de uma análise rigorosa dos dados. Montesinos deseja manifestar a este jornal que sua pesquisa se desenvolve inteiramente na Universidade, no campo dos ‘biopraguicidas e biofertilizantes’, cujo currículo de publicações pode ser consultado no ResearchGate. Ele é o inventor de várias patentes que são propriedade da Universidade de Girona e participa de uma spin-off da mesma universidade sobre biopraguicidas, como uma das atividades que hoje são valorizadas no currículo do professor universitário, sempre dentro do marco legal.”

Agradeço a Suleng por sua detalhada exposição. Da minha parte, devo fazer algumas considerações em relação ao artigo.

Em primeiro lugar, considero extremamente infeliz o título: “Deixe de comprar comida orgânica se quiser salvar o planeta”. Longe de refletir as nuances que caracterizam um assunto tão polêmico, para entender quais são as vantagens e os inconvenientes desse tipo de cultivo, o título é peremptório e produz uma incômoda sensação coercitiva.

Independentemente dos méritos profissionais do senhor Marco Antonio Oltra Cámara, citado profusamente no artigo, considero um equívoco que não constasse sua condição de fundador e principal diretor do Orcelis Grupo. Sem isso, se dá fundamento à acusação de “conflito de interesses” formulado pelo supracitado leitor. E se a empresa dele “acompanha a tomada de decisões tanto na agricultura convencional como na orgânica”, conforme aponta Suleng, há aí mais uma razão para que isso constasse no artigo.

Comenta a autora, baseando-se nos especialistas e na documentação consultada, que um dos graves problemas da agricultura orgânica é a sua menor produtividade, razão pela qual esta exige extensões de terra muito maiores para a obtenção de colheitas suficientes para alimentar a crescente população mundial, com o consequente desmatamento. Entretanto, há abundante literatura sobre o tema em que se destaca que a produtividade de determinados cultivos orgânicos é praticamente idêntica à de seus homólogos da agricultura convencional. Aparentemente, são muitos os fatores que interferem (tipo de terra, clima, cultivos, rotações) no comportamento dos cultivos orgânicos, e, embora globalmente sua produtividade seja inferior, os avanços nesse terreno permitem antever uma equiparação entre ambos os tipos de agricultura neste aspecto. Num mundo em constante avanço, é preciso levar em conta não só as realidades presentes, mas também as tendências que despontam no horizonte. Teria sido útil, talvez, mencionar as perspectivas da agricultura ecológica nesse sentido.

Câncer, a maioria dos casos é devido ao seu estilo de vida

Viver bem,Blog do MesquitaEspecialistas reforçam que só 10% dos tumores têm origem genética; os demais dependem de fatores socioambientais e de hábitos de vida

Especialistas reforçam que só 10% dos tumores têm origem genética. Os demais tipo de câncer dependem de fatores socioambientais e de hábitos de vida. No entanto, as partes do corpo mais suscetíveis à doença diferem para homens e mulheres, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para a região Sudeste.

Para compor o quadro dos pontos fracos para os dois sexos, o presidente da Fundação Antonio Prudente, do Hospital do Câncer A.C. Camargo, Ricardo Bretasni, propõe excluir da análise os cânceres de pele não melanoma, campeões de incidência.

“Nessa classe são contabilizados também tumores benignos, daí a incidência tão alta, o que relativiza os resultados”, diz Bretasni. Assim, o tipo de câncer que mais atinge as mulheres é o de mama, seguido pelo câncer de cólon e reto e, em terceiro, o de colo do útero.

Pelo autoexame se pode detectar um tumor de mama de 2 cm. Já o médico é capaz de detectar o tumor com 1 cm. Tumores ainda menores podem ser identificados pela mamografia, elevando as chances de cura. Segundo os médicos, toda mulher deve fazer a mamografia a partir dos 40 anos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Entre os homens, os hábitos podem ajudar a prevenir o câncer. Segundo o Inca, seria possível reduzir em até 40% as mortes por câncer por medidas de comportamentais, como evitar o álcool, deixar de fumar, manter uma nutrição natural e balanceada, além de praticar atividades físicas. O tipo de câncer mais comum no sexo masculino é o de próstata, seguido pelo de pulmão e de cólon e reto.

Para Brentani, a incidência de câncer de mama e dos tumores de cólon e reto reflete o padrão alimentar atual da dieta feminina. “Os dois tumores têm relação com a dieta rica em gordura, como a da carne vermelha, que passou a ser mais consumida após o Plano Real”, diz. Ricardo Antunes, diretor do Instituto Paulista de Cancerologia e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), reforça afirmando que a vida moderna favorece a exposição aos fatores de risco para o câncer.

A relação entre fumo e câncer de pulmão é direta: “98% dos pacientes com câncer de pulmão são fumantes”, sentencia Brentani. Outros tipos de tumores também são associados ao tabaco. “O tabagismo também favorece o câncer de esôfago, laringe, faringe, boca e mama”, afirma o coordenador de Prevenção e Vigilância do Inca, Claudio Noronha. Já o câncer que mais acomete homens no Sudeste, o de próstata, está relacionado ao envelhecimento.

“O desafio é fazer com que o homem se despoje da vergonha e adote a prevenção. Por meio dos exames de sangue para dosar a enzima PSA e do toque retal a chance de se detectar o tumor é de quase 100%”, diz Antunes.

Leite e sexo

Olhe essa!

Leite é melhor que sexo para uma boa noite de sono

Um copo de leite antes de dormir ajuda a pegar no sono, mas fazer sexo só beneficia os homens e prejudica as mulheres nesse sentido, segundo estudo. O orgasmo acelera o descanso no sexo masculino, enquanto o estímulo feminino possui maior duração. Já o leite ajuda o cérebro a secretar melatonina, substância fundamental para o sono.

Nas últimas décadas se aceleraram as pesquisas sobre a melatonina – hormônio produzido pela glândula pineal, responsável pelo sono -, principalmente a partir da observação científica dos ciclos de sono de alguns mamíferos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os morcegos, que dormem de dia e vivem de noite, e a longa hibernação dos ursos foram grandes alvos de observação dos cientistas na hora de pesquisar os níveis de melatonina nos animais e como estes a dosam.

Ritmo circadiano
Pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital de Boston (Estados Unidos) e da Monash University, da Austrália, experimentaram um tratamento com tasimelteon, substância equivalente à melatonina.

O tasimelteon demonstrou eficácia na hora de mudar o relógio interno do ser humano e assim evitar a insônia transitória produzida pelos turnos noturnos de trabalho ou o chamado “jet lag”, cansaço de viagem devido à mudança de fuso horário.

A substância ajudou a dormir melhor e a mudar os ciclos circadianos – oscilações de variáveis biológicas em intervalos regulares de tempo – dos pacientes tratados.

As desordens do ritmo circadiano são a causa mais comum da insônia e afetam milhões de pessoas, sobretudo as que trabalham de noite ou cruzam várias faixas horárias quando viajam em avião.

Tais desordens se caracterizam por alterações persistentes e recorrentes do sono, dificuldade para ficar adormecido e excessiva inércia quando se está acordado.

Leite e sexo
Mas se você prefere recorrer a substâncias naturais em vez de remédios para conseguir pegar no sono, o doutor Eduard Estivill, diretor da Unidade de Alterações do Sono do Hospital Geral da Catalunha (nordeste da Espanha), recomenda um bom copo de leite antes de ir para a cama, ao mesmo tempo em que alerta para o risco de insônia para as mulheres que optam por manter relações sexuais nessa hora em vez de um gole de leite.

Na recente apresentação de um estudo sobre os hábitos do sono no mundo todo, Estivill concluiu que o sexo é positivo para o homem antes de dormir porque, após chegar ao orgasmo, tem acelerado seu processo de descanso. Já a mulher permanece estimulada por mais tempo e chega mais tarde ao relaxamento indutor do sono.

Por outro lado, o leite é bom antes de ir para a cama porque contém um aminoácido que ajuda o cérebro a secretar a quantidade necessária de melatonina para o sono.

Segundo o citado relatório, a insônia crônica – que representa a perda de sono durante mais de três semanas – é uma das patologias que tem maior prevalência nas mulheres por causa do ciclo menstrual, da gravidez, da maternidade e da menopausa.

Tal perda pode ser causada também pela síndrome do ovário policístico (SOP), um transtorno que afeta uma em cada 15 mulheres no mundo e que é consequência de um excesso de hormônios masculinos.

Do sono leve ao profundo
À margem das patologias, quando homem e mulher conseguem pegar no sono reparador, a melhor forma de se despertar chega após terem passado da etapa do sono profundo para a do leve.

A luz ajuda nesse sentido, já que com ela a melatonina desaparece, até o ponto de “despertadores de luz” já serem fabricados.

Os beijos e as carícias também ajudam nesse processo de transição e, de acordo com o relatório apresentado por Estivill, brasileiros, argentinos e espanhóis são os que mais despertam com esses estímulos suaves, enquanto apenas dois em cada dez japoneses possuem esse hábito.

Aprender a pegar no sono depende quase mais de técnica e habilidade do que de uma decisão espontânea, sobretudo quando se chega a uma certa idade.

Por isso, o estresse e a ansiedade para dormir imediatamente favorecem a insônia. Antes de ir para a cama para dormir é preciso saber preparar o sono e se desligar mentalmente de forma paulatina de todas as preocupações que nos espreitam.

Ver TV ou tomar um banho podem ajudar. Também é recomendável aplicar cremes antes de dormir, pois seu efeito costuma ser relaxante. Espanhóis e italianos são os europeus que em maior percentagem o fazem.

Estivill dá um argumento científico para sustentar esse costume: quando deitamos na cama, o cérebro secreta o hormônio que repara os tecidos da pele.

Esse hormônio é o mesmo que favorece o crescimento nas crianças, que, quanto mais dormem, mais crescem física e mentalmente, já que nesse momento é quando são criadas as conexões neuronais que determinam o coeficiente intelectual.
do Yahoo notícias

Consumo de Alimentos. O que o mundo come

As fotos abaixo mostram o consumo semanal de alimentos por famílias de diversas partes do mundo. O levantamento foi feito pela escritora Faith D’Aluisio e o fotógrafo Peter Menzel.

Durante cinco anos, eles visitaram famílias em 24 países, investigando que tipo de comida e quanto consumiam. O resultado foi publicado no livro Hungry Planet: What the World Eats (sem tradução para o português).

Comportamento O que o mundo come Alemanha Família Melander, de Bargteheide 375,39 euros 970,00Família Melander, de Bargteheide, Alemanha – 375,39 euros R$ 970,00

Comportamento O que o mundo come Estados Unidos Família Revis da Carolina do Norte 342,98 dólares 581 reaisFamília Revis – Carolina do Norte – USA – 342,98 dólares 581 reais

Comportamento O que o mundo come Polônia Família Sobczynscy, de Konstancin-Jeziorna 582 zlotys 438 reaisFamília Sobczynscy, de Konstancin-Jeziorna, Polônia – 582 zlotys 438 reais

Comportamento O que o mundo come Egito Família Ahmed, do Cairo 387 pounds 120 reaisFamília Ahmed, do Cairo, Egito – 387 pounds 120 reais

Comportamento O que o mundo come Itália Família Manzo da Sicília 214 Euros 571Família Manzo da Sicília, Itália – 214 Euros 571

Comportamento O que o mundo come México Família Casales, de Cuernavaca 1862 pesos 294 reaisFamília Casales, de Cuernavaca, México – 1862 pesos 294 reais

Alimentação,Comportamento O que o mundo come Equador Família Ayme, de Tingo 31-55 dólares 53 reaisFamília Ayme, de Tingo, Equador – 31,55 dólares 53 reais

Comportamento O que o mundo come Butão Família Namgay, da Vila de Shingkhey 224 ngultrum 8 57 reaisFamília Namgay, da Vila de Shingkhey, Butão – 224 ngultrum 8,57 reais

Comportamento O que o mundo come Chade Família Aboubakar, do Campo de Refugiados de Breidjing 685 francos africanos 2,09 reaisFamília Aboubakar, do Campo de Refugiados de Breidjing, Chade – 685 francos africanos 2,09 reais


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Ciência e Tecnologia: Pesquisa aponta para possível relação entre câncer de mama e carne vermelha

Câncer,Carne Vermelha, Blog do MesquitaNutricionista recomenda que se coma mais alimentos de origem vegetal

Um estudo liderado pela Escola de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, estabeleceu uma relação entre o alto consumo de carne vermelha na vida adulta e o aumento do risco de aparecimento de câncer de mama. Os pesquisadores envolvidos no estudo recomendaram a substituição da carne vermelha por uma combinação de feijões, ervilhas, lentilhas, nozes, peixes e aves que, segundo eles, poderia diminuir o risco de aparecimento da doença em mulheres mais jovens.

Os recentes dados são provenientes de um estudo acompanhou a saúde cerca de 90 mil mulheres com idades entre 24 e 43 anos. A equipe do projeto acompanhou a dieta de aproximadamente três mil mulheres que tiveram câncer de mama. Apesar de os próprios médicos da pesquisa terem descrito o aumento do risco como pequeno, o estudo concluiu que a ingestão elevada de carne vermelha pode ser um fator de risco para o surgimento do câncer de mama.

A nutricionista Maria Eduarda Melo, da Unidade Técnica de Alimentação, Nutriçãoe Câncer, do Instituto Nacional de Câncer (Inca) explica que uma alimentação saudável e variada pode diminuir os riscos e proteger contra o câncer. “O que a gente recomenda é ter uma alimentação com predominância de alimentos de origem vegetal, como frutas, legumes e verduras. Esses alimentos possuem nutrientes que são protetores para o nosso organismo, diminuindo o risco de câncer”, diz.

Sobre a pesquisa, a nutricionista explica que, diferente da carne vermelha, vegetais são alimentos de baixa densidade energética, ou seja, fornecem poucas calorias. De acordo com a especialista, a obesidade é um dos principais fatores de risco para vários cânceres, como o de mama e o de endométrio. Evidências recentes teriam ainda mostrado que o sobrepeso está relacionado com o câncer de ovário também.

Nesse ponto da questão calórica dos alimentos, a nutricionista explica que as carnes vermelhas têm um alto teor de gordura e isso contribui para a questão do ganho de peso. Portando, esse seria um dos mecanismos usados para associar a carne vermelha com o surgimento de câncer.

Segundo a especialista, a forma como a carne é preparada também é relevante. “Quando você submete essa carne a temperaturas muito elevadas, ao fritar, por exemplo, você forma compostos que são cancerígenos, como aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos”, conta.

Maria Eduarda Melo diz ainda que uma pessoa que consuma muitas bebidas açucaradas, como refrigerantes, além de alimentos prontos e carnes processadas como salame, bacon e presunto deve tomar algum cuidado. “Geralmente esses produtos contêm um alto teor de gordura, aumentando o risco do desenvolvimento de câncer. Além de que são alimentos que podem levar uma grande quantidade de sal, para além dos conservantes, e existem evidências que associam esse consumo alto de sal com câncer de estômago”, explica.

Carne vermelha e câncer de colorretal

A relação do consumo de carne com o aparecimento de câncer não é novidade. Pesquisas anteriores já apontavam para a relação entre o consumo de grandes quantidades de carne vermelha e de carne processada com o aumento do risco de câncer no sistema digestivo.

A nutricionista inclusive faz questão de salientar para o consumo desses alimentos. “Em relação às carnes processadas como bacon, presunto, salame, até mesmo hambúrguer, a gente pede pra evitar mesmo. Já a carne vermelha tem outros nutrientes, como ferro e B12. O que nós recomendamos é limitar o consumo, em até 300g da carne já cozida por semana”, indica.

Especialista em enfermagem oncológica, a enfermeira Alexandra Zandonai possui inclusive um trabalho em que foram demonstrados os fatores de risco do consumo de carne e sua influência na incidência do câncer colorretal. Alexandra aponta que evidências científicas têm sido avaliadas e sumarizadas em recomendações por diferentes grupos de especialistas, que concluíram essa relação.

Zandonai aponta para o alto consumo no Brasil de carne vermelha, e alerta para como é feita a carne. “No preparo você precisa tomar cuidado para não formar aquela casquinha queimada. Essa casquinha contém alcatrão, o mesmo componente que existe no cigarro. E as carnes defumadas estão muito relacionadas ao câncer colorretal. Elas apresentam, durante o processo de defumação, compostos nitrosos. São agentes cancerígenos que, depois de consumidos, vão alterar a estrutura das células intestinais durante o processo de digestão”, diz.

Para se prevenir do câncer de mama, do câncer colorretal e de todos os demais cânceres, a nutricionista Maria Eduarda Melo recomenda manter a alimentação predominantemente composta por alimentos de origem vegetal, de forma a ter todos os nutrientes que protejam o organismo contra o desenvolvimento de câncer. “Infelizmente, dados de pesquisas nacionais mostram que o hábito do brasileiro de comer legumes e verduras é muito baixo. Para ter esse efeito protetor contra o câncer, são recomendadas cinco porções desses alimentos todos os dias, mas apenas 23% da população consomem esse recomendado de vegetais”, conta.

Especialistas pedem cautela com resultados de pesquisa

Apesar dos resultados da recente pesquisa norte-americana, especialistas britânicos e americanos dizem que é preciso observar esses resultados com alguma cautela, visto que estudos anteriores não conseguiram definir uma ligação tão clara entre carne vermelha e câncer de mama.

O professor associado da Faculdade de Farmácia da UFRJ Luis Mauricio Lima concorda que é preciso tomar cuidado com esse tipo de informação. De acordo com o professor, a leitura cuidadosa do artigo original revela que existiria uma chance aumentada de 1 em cada 100.000 mulheres de ser acometida por câncer de mama caso elas aumentassem o consumo de carne vermelha em uma porção diária – e não exatamente as chances alarmantes de cerca de 20% de haver a doença que estão sendo divulgadas.

Em artigo escrito pelo professor, ele aponta detalhes do estudo que deveriam ser vistos com mais calma. “O que não se comenta é que isso seria unicamente válido quando comparados os grupos de maior e menor consumo, não havendo qualquer relevância estatística com grupo de consumos intermediário de carne vermelha, indo contra o que é universalmente observado na ciência e epidemiologia: dose-resposta”, diz o professor em artigo.

Lima diz também que existem outros fatores sobre as próprias pessoas que foram analisadas que devem ser levados em conta. “Sem esquecer de mencionar que neste estudo o grupo de maior consumo de carne vermelha – o único que apresentaria maior risco, 1 em 100.000 – é o que mais fuma. Existe uma necessidade premente de se fazer uma análise detalhada das informações publicadas, tanto pelos revisores de artigos científicos ao aceitar trabalhos sem demandar cuidado dos autores na informação que concluem, quanto pela mídia e sua urgência por estar à frente da informação”, conta.

Rafael Gonzaga do Projeto de Estágio do JB