Alemanha inicia primeiro teste de vacina contra coronavírus

Com mais de 2,5 milhões de pessoas agora infectadas em todo o mundo na pandemia de COVID-19, a Alemanha autorizou o primeiro ensaio clínico de uma vacina contra o coronavírus.

O ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, anunciou os primeiros ensaios clínicos de uma vacina contra o coronavírus. O Instituto Paul Ehrlich (PEI), a autoridade reguladora que ajuda a desenvolver e autoriza vacinas na Alemanha, aprovou o primeiro ensaio clínico do BNT162b1, uma vacina contra o vírus SARS-CoV-2.

Foi desenvolvido pelo pesquisador e imunologista do câncer Ugur Sahin e sua equipe na empresa farmacêutica BioNTech, e baseia-se em pesquisas anteriores em imunologia do câncer. Sahin ensinou anteriormente na Universidade de Mainz antes de se tornar CEO da BioNTech.

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Em uma teleconferência conjunta na quarta-feira com pesquisadores do Instituto Paul Ehrlich, Sahin disse que o BNT162b1 constitui a chamada vacina de RNA.

Ele explicou que a informação genética inócua do vírus SARS-CoV-2 é transferida para as células humanas com a ajuda de nanopartículas lipídicas, um sistema de entrega de genes não virais. As células transformam essas informações genéticas em uma proteína, que deve estimular a reação imunológica do corpo ao novo coronavrius.

Inúmeras vacinas em desenvolvimento

Além do BNT162b1, que está agora na fase de testes do estágio 1, a BioNTech – em conjunto com a Pfizer – está trabalhando em três outras vacinas de mRNA semelhantes. Enquanto isso, o chefe da PEI, Klaus Cichutek, disse que outras empresas farmacêuticas também estão desenvolvendo vacinas contra o SARS-CoV-2, com base em uma variedade de plataformas de vacinas na Europa, China e Estados Unidos.

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Os primeiros exames médicos do BNT162b1 envolverão 200 voluntários saudáveis entre as idades de 18 e 55 anos. O objetivo é determinar a resposta imune e se a vacina causa efeitos colaterais indesejados.

“Ensaios de candidatos a vacinas em humanos são um marco importante no caminho para vacinas seguras e eficazes novamente.

Personalidades alemãs pedem libertação de Assange

Ex-ministros, jornalistas e escritores argumentam que não há garantia de que o processo do australiano seja tratado de forma isenta pelas Justiças do Reino Unido e EUA. Relator da ONU vê “evidente perseguição política”.    

Manifestação de apoio a Julian Assange em LondresAssange está preso desde abril de 2019 na prisão de alta segurança de Belmarsh, em Londres

Mais de 130 políticos, jornalistas, escritores e artistas, a maioria da Alemanha, exigiram nesta quinta-feira (06/02) a libertação imediata do whistleblower Julian Assange, de 48 anos, que está preso no Reino Unido e pode ser extraditado para os Estados Unidos.

Os organizadores da ação argumentam que Assange deve ser libertado por razões humanitárias e porque não há garantias de que o caso transcorra em conformidade com os princípios do Estado de direito.

O jornalista investigativo Günter Wallraff, promotor da iniciativa, disse que não se trata apenas do destino do fundador do site WikiLeaks, mas da defesa da liberdade de imprensa e de opinião e, portanto, da democracia.

Walraff disse que, “se jornalistas e denunciantes precisam temer a perseguição, a prisão ou até mesmo por suas vidas ao revelarem crimes do Estado, então o quarto poder está mais do que em perigo”.

O ex-ministro alemão do Exterior Sigmar Gabriel declarou que, no caso específico de Assange, aparentemente não há garantia de um processo que respeite os princípios elementares do Estado de direito por causa de razões políticas, tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido.

Gabriel disse que Assange não está em condições de se preparar física e mentalmente para a sua defesa e nem mesmo tem acesso adequado a seus advogados.

Entre os signatários da declaração em favor de Assange estão dez ex-ministros da Alemanha e uma vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, a austríaca Elfride Jelinek.

Os signatários se baseiam em declarações do relator especial das Nações Unidas para a Tortura, Nils Melzer, que fez graves acusações contra autoridades do Reino Unido, da Suécia, dos Estados Unidos e do Equador.

Para ele, as acusações da Suécia contra Assange careciam de fundamento, e o caso do australiano está sendo usado para servir de exemplo e intimidar jornalistas.

Melzer disse que a acusação de estupro feita contra Assange na Suécia foi inventada. “Basta arranhar um pouquinho a superfície para que as contradições aparecem”, declarou à emissora alemã ZDF. Segundo ele, protocolos de interrogatórios foram falsificados, e Assange não teve a chance de se defender.

A Suécia arquivou o caso em novembro passado, e os promotores disseram que, por isso, não comentariam as declarações de Melzer.

O relator da ONU criticou que, no Reino Unido, depois de deixar a embaixada do Equador, Assange foi condenado às pressas. “É evidente que se trata de perseguição política”, declarou ele a um site suíço. “As penas previstas superam em muito as do tribunal para crimes de guerra de Haia”, comentou, em referência às acusações nos Estados Unidos.

Em entrevista à DW, Melzer acusou a Suécia, o Reino Unido, os Estados Unidos e o Equador de manipularem a Justiça. “Eu relutei muito antes de vir a público com uma declaração como essa porque pensei que ninguém vai acreditar em mim. Mas eu tenho as evidências.”

Assange está preso desde abril de 2019 na prisão de alta segurança de Belmarsh, em Londres. Os Estados Unidos pediram a sua extradição. Ele é acusado de ajudar a whistleblower Chelsea Manning – que então ainda se chamava Bradley Manning – a divulgar material secreto das missões americanas no Iraque e no Afeganistão.

Assange pode pegar até 175 anos de prisão se for condenado em todas as 18 acusações nos Estados Unidos. A audiência sobre a sua extradição ocorrerá em 24 de fevereiro.

AS/dpa/lusa

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Nazismo: “Noite dos Cristais” e o silêncio dos alemães

O pogrom contra os judeus da Alemanha nazista completa 80 anos. Sabendo que o episódio teve muitos espectadores passivos, o jornalista Felix Steiner se questiona, como muitos alemães: como minha família reagiu na época?Noite dos Cristais,Direitos Humanos,História,Alemanha,Pogroms,Hitler,Judeus,Nazistas,Genocídio,Crimes contra a humanidade,Solução Final

Judeus são forçados a carregar estrela de Davi no pogrom de 1938:na Alemanha
Pogroms de 1938: mandantes, agressores e espectadores

Meu pai era uma enciclopédia ambulante da história local e sabia tornar emocionantes as suas histórias. O que eu sei sobre a minha terra natal e as minhas origens aprendi com ele.

Ele também me contou várias vezes como vivenciou os pogroms, em nível nacional, de novembro de 1938. Na cidadezinha do sudoeste alemão em que eu cresci, a violência contra os judeus não começou na noite de 9 de novembro, mas no início da tarde do dia seguinte.

Na época, meu pai frequentava o primeiro ano primário, e no fim da aula o professor aconselhou as crianças a evitarem a sinagoga e as casas dos judeus, no caminho de casa. Melhor dar a volta nesses lugares, pois poderia ficar perigoso.

Naturalmente, como seria de se esperar de meninos de 6 ou 7 anos, meu pai e os amigos tomaram o aviso protetor como um convite para conferir o que poderia haver de tão perigoso, no meio do dia, num lugarzinho provinciano.

Eles se depararam com uma sinagoga em chamas, que o corpo de bombeiros não foi apagar, vitrines destroçadas e as lojas devastadas dos comerciantes judeus. E testemunharam como toda a mobília de uma família judaica foi jogada na rua, pela janela do primeiro andar.

O que aconteceu na cidadezinha com menos de 30 habitantes judeus está hoje perfeitamente documentado e registrado em livros. Mas o que eu gostaria de perguntar mais uma vez ao meu pai é como os meus avós reagiram ao relato do filho mais velho sobre o que acontecera ali, em plena luz do dia.

Será que tentaram explicar aquilo que, do ponto de vista atual, é inexplicável? Como comentaram o fato de que, a menos de 300 metros da nossa casa, mulheres e crianças tiveram a porta de entrada posta abaixo e todo o mobiliário feito em pedaços?

Os homens judeus, por sua vez, já haviam sido presos na madrugada do 10 de novembro e enviados num trem para o campo de concentração de Dachau.

Sendo honesto comigo mesmo, eu nem quero saber de nada disso. Nem preciso perguntar, porque, em princípio, já sei as respostas. Não, meus avós não eram nazistas convictos, disso eu tenho certeza. Mas eles olharam para o outro lado e se calaram, assim como milhões de outros alemães. É raro pais de quatro crianças pequenas se tornarem mártires.

E da existência do campo de Dachau e do que acontecia lá, eles sabiam desde que, em 1933, o prefeito e vários conselheiros municipais social-democratas foram presos, ao longo de semanas. Além disso, tratava-se de judeus: o que nós, católicos, tínhamos a ver com eles? Arriscar-nos por causa deles?

A exclusão e privação dos judeus de seus direitos não começou só em novembro de 1938. Já algumas semanas antes da tomada de poder por Adolf Hitler, pichava-se “Não comprem dos judeus” nas vitrines dos negociantes semitas; funcionários judeus foram demitidos; médicos, advogados e jornalistas foram proibidos de trabalhar. Além disso, vieram as leis raciais de Nurembergue, desapropriação e muitas outras coisas.

O 9 e 10 de novembro de 1938 foi a transição para o terror declarado, diante dos olhos de todo o povo. E também a minha família assistiu calada. Isso me aflige e envergonha. Mesmo 80 anos depois.
DW

Brecht – Versos na tarde – 11/06/2017

Então
Brecht¹

Ele se revela uma farsa. Tomo
A balança da sua justiça e mostro
Os pesos falsos. E os seus informantes relatam
Que me encontro entre os despossuídos, quando
Tramam a revolta.
Eles me advertiram e me tomaram
O que ganhei com meu trabalho. E quando me corrigi
Eles foram me caçar, mas
Em minha casa
Encontraram apenas escritos que expunham
Suas tramas contra o povo. Então
Enviaram uma ordem de prisão
Acusando-me de ter idéias baixas, isto é
As idéias da gente baixa.
Aonde vou sou marcado
Aos olhos dos possuidores.
Mas os despossuídos
Lêem a ordem de prisão
E me oferecem abrigo. Você, dizem
Foi expulso por bom motivo.

¹Eugen Berthold Friedrich Brecht
* Augsburg, Alemanha – 10 de Fevereiro de 1898

+ Berlim, Alemanha – 14 de Agosto de 1956

Conheça a Biografia de Brecht

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O quanto de Hitler há em Wagner?

Ditador nazista era fã ardoroso da música do compositor e presença constante no Festival de Bayreuth, que inicia série de simpósios destinados à análise crítica da obra de Wagner.

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Hitler entre Winifred e Wieland Wagner, na abertura do Festival de Bayreuth, em 24 de julho de 1938[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Na tela, um convidado simpático, gentil e elegante, trajando smoking e gravata borboleta, conversa de forma descontraída com a diretora do festival e com os netos de Wagner. De repente, um alerta interrompe a exibição: “Parem o filme! Desligue o celular! Gravações são estritamente proibidas!” Pouco depois, a exibição é retomada.

As gravações são proibidas durante a exibição dessa película histórica no Museu Richard Wagner, na Casa Wahnfried, em Bayreuth, porque uma possível difusão pela internet significaria uma infração aos direitos de imagem de uma das pessoas que aparecem nela: Verena Wagner, a última neta viva de Richard Wagner. O filme pertence ao espólio de um outro neto, Wolfgang Wagner, que o gravou quando tinha apenas 16 anos. A gravação foi exibida durante o simpósio Wagner no Nacional-Socialismo – sobre a questão do pecado original na arte.

O que se vê na tela são imagens do Festival de Bayreuth de 1936: a subida até o Teatro do Festival, no alto da colina; o diretor Heinz Tietjen; o ministro da Propaganda, Josef Goebbels; o dirigente Wilhelm Furtwängler; uma sorridente Winifred Wagner, a diretora do festival e mãe de Wolfgang. E, depois da apresentação, o Führer no palco, ao lado do coral e dos solistas, recebendo os aplausos da plateia. A saudação nazista é feita várias vezes. Quem assiste às imagens não consegue evitar o desconforto de ver Hitler ser apresentado como uma pessoa agradável e simpática.

Wagner no palco como antissemita

Já quem esperava que o simpósio sobre Wagner e o nazismo trouxesse revelações sensacionais saiu dele decepcionado. O tema também não é nenhuma novidade em Bayreuth, como lembra o diretor do festival, Sven Friedrich. Ao longo dos próximos anos, a temática deverá ser aprofundada, em seus vários aspectos, na série de simpósios “Discurso Bayreuth”, que integra a programação paralela do festival.

Richard und Cosima WagnerRichard e Cosima Wagner

Já nos anos 1980 e 1990 houve uma exposição e um simpósio com o nome Hitler e os judeus. Nas proximidades do busto de Richard Wagner, na Colina Verde, ainda pode ser vista a exposição Vozes caladas, de 2012, sobre os colaboradores judeus do Festival de Bayreuth e o que aconteceu com eles. E, desde a abertura do Museu Richard Wagner, em 2015, o local tematiza também a evolução das convicções ideológicas do compositor.

Mas o assunto está longe de ter se esgotado. Declarações como “mas Wagner não tem culpa disso” ou “vamos ignorar toda essa imundice que foi associada a Wagner” podem ser ouvidas ainda hoje. Friedrich lembrou a “dimensão metapolítica da obra de Wagner, que a tornou assimilável pelos nazistas”.

O simpósio começou com um debate intenso sobre a atual encenação de Os mestres cantores de Nurembergue, sob responsabilidade do dirigente australiano Barrie Kosky, que tem raízes judaicas. Ele apresentou Wagner no palco, pela primeira vez, como um antissemita e, com os seus cenários – por exemplo o salão dos Julgamentos de Nurembergue –, incluiu o histórico de encenações da obra na sua interpretação.

Para a autora alemã Irmela von der Lühe, a encenação de Kosky é a concretização de uma exigência que o escritor Thomas Mann fizera já em 1947. Ao palestrar sobre as relações entre Mann e Bayreuth, Von der Lühe lembrou que o Prêmio Nobel de Literatura de 1929, que então vivia no exílio californiano, rejeitou o convite para ser presidente de honra de uma planejada fundação para a reabilitação do desacreditado Festival de Bayreuth, ao menos “enquanto não estiver às claras tudo o que houver sobre o pecado original de Bayreuth”.

Encenação tematiza antissemitismo de Wagner

E em 2017 já está tudo às claras? O espólio de Wolfgang Wagner foi entregue ao arquivo histórico da Baviera em 2013 e levará anos para ser estudado. Outras fontes devem estar faltando, o que não se sabe exatamente. Mas uma encenação como esta de Kosky teria sido possível em 1951, na reabertura do Festival de Bayreuth? Em vez de uma enfrentamento crítico com o histórico da obra, o que se viu então foi uma encenação descompromissada e focada no aspecto mítico, a cargo de Wieland Wagner.

Trata-se de repressão do passado? Uma coisa é certa: havia muitos convidados do exterior na reinauguração, sobretudo da França, e entre eles muitos judeus que sobreviveram ao Holocausto e eram admiradores fervorosos de Wagner. O reinício do Festival de Bayreuth foi acompanhado com interesse em todo o mundo.

Uma questão de música ou ideias?

Em 1949, Thomas Mann escreveu, numa carta:  “Está lá – na fanfarrice, no eterno ficar dando discurso, na necessidade de falar mais alto que os outros, de querer dar palpite em tudo – uma inominada imodéstia que serviu de modelo a Hitler – com certeza, há muito ‘Hitler’ em Wagner.”

Ainda assim, Mann via Wagner mais como um cosmopolita europeu do que como um proto-nazista. E muito antes da catástrofe da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, esse crítico de primeira hora de Hitler escreveu: “A ideia de que esse velhaco idiota por lá desfrute de um romantismo heroico-açucarado é repulsiva para além de todas as medidas.”

Com frequência se constata que o espírito no qual Wagner escreveu suas obras é, desde o início, racial e antissemita. Esse aspecto foi abordado na palestra Hitler e sua Bayreuth à parte: Richard Wagner como analista do século 20, da escritora suíça Micha Brumlik. Segundo ela, no artista há “processos pré-conscientes e inconscientes que se incorporam em seu trabalho, e o que se manifesta é mais do que o autor pretendia.”

O uso que os nazistas fizeram de Wagner e a bajulação do Festival de Bayreuth em torno de Hitler costumam ser apresentados como mal-entendidos ou relativizados com o argumento do distanciamento histórico, afinal Wagner morreu em 1883.

Em 1923, porém, o genro de Wagner, Houston Stewart Chamberlain, e a nora do compositor, Winifred Wagner, saudaram Hitler como o novo Parsifal e o novo messias da Alemanha.

Já em 1925, o Festival de Bayreuth foi politizado com a presença de Hitler. O historiador e nacionalista Chamberlain era considerado um “precursor de Hitler” e justificava suas teses racistas com a superioridade da música alemã. Nesse sentido, ele argumentava que, como os alemães eram gigantes na música, também deveriam ser gigantes na política.

Foi o discurso inflamado de Wagner ou a sua aversão a judeus que inspiraram Hitler? O simpósio tocou apenas de leve nessa questão central. Sabe-se que Wagner tornou o antissemitismo socialmente palatável nos círculos burgueses com seu panfleto O judaísmo e a música.

Mas ele também elogiou os judeus, chamando-os de “os mais nobres entre nós”. O que Cosima Wagner, que sobreviveu ao marido em quase meio século e que agrupava nacionalistas germanófilos em torno de si, assimilou diretamente de Richard Wagner? O quanto ela selecionou entre as inúmeras declarações contraditórias do compositor? Esse seria um tema para um próximo simpósio.

Futebol – Alemanha – 7×0 não foi ao acaso

Opinião: Alemanha não produz jogadores de “time B”Alemanha vence Copa das Confederações na Rússia sem a maioria de seus principais jogadores

Alemanha vence Copa das Confederações na Rússia sem a maioria de seus principais jogadores

Conquista da Copa das Confederações e do Europeu sub-21 são resultados de anos de trabalho fora dos gramados, inexistente em várias potências do futebol mundial, opina Ross Dunbar.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O futebol alemão vive um momento de glória após vencer dois torneios internacionais em 48 horas. Essas vitórias, porém, já vinham sendo trabalhadas há muito tempo.

A Copa das Confederações foi erguida em São Petersburgo neste domingo, após a vitória de 1 a 0 sobre o Chile, enquanto na sexta-feira, a equipe alemã sub-21, cheia de estrelas, venceu o Europeu da categoria, derrotando a excelente Espanha pelo mesmo placar.

Ross Dunbar, da redação de esportes da DWE ainda poderá vir mais. O sub-19 começa nesta segunda-feira a disputa pelo Campeonato Europeu, enquanto a seleção feminina iniciará no final do mês a busca pelo sétimo título europeu seguido. A Alemanha também enviou uma equipe forte para a Copa do Mundo sub-20, que acabou sendo vencida pela Inglaterra.

A impressão é que, apesar das impressionantes seleções de todas as partes do mundo, os campeões mundiais vinham treinando uma equipe reserva no mais alto nível.

Manuel Neuer, Mats Hummels, Jérôme Boateng, Leroy Sané, Mesut Özil, Toni Kroos, Thomas Müller e outros receberam uma merecida folga neste verão europeu, enquanto o técnico Joachim Löw promovia mudanças para o torneio na Rússia.

A maioria destes jogadores estava no centro da campanha vitoriosa na Copa do Mundo de 2014 e é inquestionável que a maior parte deles ainda será protagonista em 2018, na cabeça de Löw. Mas, seria tolo afirmar que eles são os únicos jogadores alemães de padrão internacional.

Löw não precisou vasculhar as profundezas do futebol alemão para encontrar um time para a Copa das Confederações. Os 11 titulares que jogaram a final tinham média de idade de 24 anos, ou seja, longe de serem adolescentes.

Os 11 da seleção alemã vitoriosa somam 193 aparições em partidas de seleção, totalizando entre eles mais de 2 mil jogos em times de ponta em algumas das principais ligas da Europa.

Jonas Hector e Joshua Kimmich têm sido as primeiras escolhas de Löw para as laterais desde a Eurocopa de 2016. Julian Draxler, vencedor da Bola de Ouro como o melhor jogador do torneio na Rússia, possui experiência de alto nível em um punhado de clubes diferentes.

O vencedor da Chuteira de Ouro do torneio, Timo Werner, marcou 21 gols na última temporada da Bundesliga, o campeonato alemão, pelo RB Leipzig, que estará na próxima Liga dos Campeões da Europa após terminar a competição em segundo lugar.

Leon Goretzka e Lars Stindl tiveram temporadas excepcionais na Bundesliga. O goleiro Marc-André ter Stegen defende o Barcelona, enquanto Sebastian Rudy e Niklas Süle, que ajudaram o Hoffenheim a chegar em quarto lugar na Bundesliga, jogarão pelo Bayern de Munique na próxima temporada. Nenhum destes jogadores chega a ser um novato, nem mesmo algo próximo disso.

Mas, nada disso pode ser definido como apenas sorte. A Federação Alemã de Futebol (DFB) merece aplausos por investir nas categorias de base. O programa de desenvolvimento dos jovens jogadores alemães foi transformado e relançado em 2013 com a visão estratégica de aumentar os padrões profissionais e trazer uniformidade a todas as federações regionais da Alemanha.

As academias de futebol devem seguir padrões rigorosos estabelecidos pela DFB e consultores externos. Na temporada 2015-16, os clubes alemães investiram mais de 150 milhões de euros em seus departamentos para o desenvolvimento de jovens atletas.

Para a nação mais robusta da Europa, com uma população de 81 milhões de habitantes, dar impulso a um bom número de profissionais bem treinados e de grande talento não chega a ser um feito extraordinário. A atual fartura de jogadores de alto nível é uma recompensa do planejamento racional em longo prazo, inexistente em várias das outras principais potências do futebol mundial.

Considerar a equipe vencedora da Copa das Confederações como um time “B” seria um desrespeito com tudo o que os alemães conquistaram na última década.

A Alemanha não produz jogadores “B”, mas sim, vencedores. Essa tendência já está estabelecida e continuará ainda pelos próximos anos.
DW

Brecht – Versos na tarde – 30/06/2017

Aos Vacilantes
Brecht¹

O que está errado, agora, no nosso discurso?
Alguma coisa? Ou tudo?
Com quem ainda podemos contar?
Somos sobras da correnteza viva,
que o rio depositou em suas margens?
Ficaremos para trás, sem entendermos,
sem sermos entendidos por ninguém?
Precisamos ter sorte?
Isso é o que perguntas. Não esperes
resposta a não ser de ti mesmo.

¹Eugen Berthold Friedrich Brecht
* Augsburg, Alemanha – 10 de Fevereiro de 1898

+ Berlim, Alemanha – 14 de Agosto de 1956

Conheça a Biografia de Brecht

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Brecht – Versos na tarde – 24/06/2017

Também o céu
Brecht¹

Também o céu às vezes desmorona
E as estrelas caem sobre a terra
Esmagando-a com todos nós.
Isto pode ser amanhã.

¹Eugen Berthold Friedrich Brecht
* Augsburg, Alemanha – 10 de Fevereiro de 1898

+ Berlim, Alemanha – 14 de Agosto de 1956

Conheça a Biografia de Brecht

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Brecht – Versos na tarde – 23/06/2017

Na morte de um combatente da paz
Brecht¹

Aquele que não cedeu
Foi abatido
O que foi abatido
Não cedeu.
A boca do que preveniu
Está cheia de terra.
A aventura sangrenta
Começa.
O túmulo do amigo da paz
É pisoteado por batalhões.
Então a luta foi em vão?
Quando é abatido o que não lutou só
O inimigo
Ainda não venceu.

 

¹Eugen Berthold Friedrich Brecht
* Augsburg, Alemanha – 10 de Fevereiro de 1898

+ Berlim, Alemanha – 14 de Agosto de 1956

Conheça a Biografia de Brecht

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