Eleições 2010: Marina Silva, Serra, cocaína e Bolívia

Evo Morales, sabe-se lá por quais razões, ao romper com a DEA — sigla em inglês para Departamento Anti-Drogas dos Estados Unidos — , Lula protestou contra as sanções impostas pelos USA à Bolívia. Frise-se que além do Brasil ficaram ao lado de Evo Morales, Venezuela, até aí nenhuma surpresa e, pasmem a Espanha. Esse é o tipo de apoio que deixa o mundo perplexo, pois o combate às drogas é uma unanimidade global, independente de cores ideológica.

Com esse apoio, Lula, com o Brasil controlado pelo narcotráfico, abriu um flanco para que José Serra possa bater em uma questão crucial que incomoda toda a sociedade brasileira. Pode-se dizer que Lula pode transformar em pó — com trocadilhos, por favor — boa parte do percentual de aprovação ao seu (dele) governo. Serra, nas entrelinhas, deixa a indagação: será que os interesses políticos de Lula estão acima da proteção aos jovens do Brasil? Acredito que com a sociedade brasileira seriamente preocupada com o avanço do consumo de drogas, principalmente pelo devastador “crack”, subproduto da cocaína, Serra tem um excelente tema para o palanque eleitoral. Dificilmente se encontra um eleitor que não apoie o combate às droga.

Sábado, em Cuiabá, Serra voltou a acusar Lula, pela falta de segurança pública, e a Bolívia pela entrada de cocaína no território brasileiro: “O presidente da República é o culpado pela falta de segurança, porque ele é o corresponsável”.

E completou: “Noventa por cento da cocaína consumida no Brasil vem da Bolívia”.

Serra não é nenhum neófito. Bater na Bolívia é como bater penalty sem goleiro.

O Editor


A pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, criticou neste sábado, em Campinas, as declarações do adversário José Serra (PSDB) sobre o combate ao narcotráfico na Bolívia.

Para ela, não se pode fazer generalizações neste caso.

Nos últimos dois dias, Serra acusou o governo boliviano de ser cúmplice do narcotráfico e de fazer “corpo mole” para resolver o problema.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

– Não é assim que se trata um país irmão. Acho que a gente tem que ter muito cuidado na relação com os países e, sobretudo, com nossos vizinhos para não fazermos generalizações.

Os problemas que são enfrentados em relação ao narcotráfico na Bolívia talvez não sejam diferentes dos de outros países e até mesmo daqui – declarou.

Marina citou um caso típico brasileiro, que, na visão dela, também não deve ser tratado de forma genérica, sob o riso de se cometer injustiças.

– Imagine se a gente fosse generalizar a violência que acontece nas favelas, como se isso fosse com a conivência do governo – afirmou.

Segundo ela, não se pode atribuir a entrada de drogas da Bolívia no Brasil exclusivamente a uma omissão do governo vizinho.

– Sabemos que temos graves problemas na fronteira com o Acre com o tráfico de drogas, mas longe de mim em querer atribuir isso a uma ação deliberada do governo.

O povo boliviano não merece esse tipo de generalização – disse.

Sílvia Amorim/O Globo